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terça-feira, 14 de abril de 2026

Lançamento: { O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } ou { O mundo na barriga do Mapinguari }, Luiz Brás

Na publicação anterior, comentei que havia sido publicado enfim o primeiro romance de ficção científica de autor nacional em 2026. Pois não é que descobri títulos já publicados que se apropriam dessa primazia? 
A dificuldade, de minha parte, sempre é obter as informações para compartilhar aqui. E foi justamente esse tipo de dificuldade que impactou o registro prévio da noveleta de fc { O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } ou { O mundo na barriga do Mapinguari }, do escritor Luiz Brás, publicado em março de 2026 como sétimo volume da Coleção Mal Dita, da Editora Vila Olívia.
Diz a sinopse da obra: "Amazônia. Vinte mil anos no futuro. A humanidade foi totalmente extinta faz muito tempo. Nesses vinte mil anos sem a exploração predatória do homo sapiens, a floresta Amazônica se recuperou e uma criatura consciente surgiu: um fungo formidável, que interage virtuosamente com todas as criaturas vivas da natureza. Então, desembarcam os novos exploradores. Duzentos humanoides de uma civilização avançada erguem na floresta um acampamento e começam a explorar seus recursos. Tudo indica que a história predatória vai se repetir. A menos que o fungo inteligente use contra os invasores sua arma mais eficiente. Uma criatura-arma de destruição em massa, adormecida no subsolo, chamada Mapinguari."
Luiz Brás é um dos múltiplos heterônimos do premiado escritor paulista Nelson de Oliveira, que tem se mantido muito ativo nos últimos anos, principalmente no campo de literatura especulativa, e da fc em especial. Seus principais livros são Curto-circuito camicase (2021), Distrito federal (2014), Pequena coleção de grandes horrores (2014) e Sozinho no deserto extremo (2012). Assinando Olyveira Daemon, publicou Gigante pela própria natureza, Subsolo infinitoVinte & um e Às moscas, armas!, entre outros. Organizou a antologia Fractais tropicais, de ficção científica brasileira. Colabora mensalmente com o jornal Rascunho, de Curitiba e venceu duas vezes o Prêmio Casa de las Américas, em 1995 e 2011. Um currículo invejável. 
{ O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } tem cerca de 50 páginas e pode ser adquirido na loja da Villa Olívia, aqui

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Lançamento: Duetos–Duelos

Há algumas semanas, foi realizado o lançamento de Duetos-Duelos, coletânea com dez contos improvisados do escritor de ficção científica Luiz Brás (persona alternativa de Nelson de Oliveira) em parceria com diversos outros autores, muitos deles também diletantes do gênero. 
Diz a divulgação do volume nas redes sociais: "Literatura-jardinagem, literatura-desafio, literatura a várias mãos, desafiadas por Luiz Bras e com as irradiações tele-patafísicas de Sofia Soft."
Além de Brás, participam da seleta os escritores Leo Cunha, Roberto Causo, Braulio Tavares, Claudio Dutra, Santiago Santos, Whisner Fraga, Ademir Assunção, Celso Suarana, Tereza Yamashita e Ricardo Celestino. 
Duetos-Duelos é uma publicação da editora Abarca e pode ser encontrado aqui.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Resenha do Almanaque: Oneironautas, Fabio Fernandes & Nelson de Oliveira

Oneironautas
, Fabio Fernandes & Nelson de Oliveira, 88 páginas. São Paulo: Patuá, 2018. 

Um jogo muito popular nas ofinas de escrita criativa é o round robin, uma dinâmica que consite em, a partir de uma fragmento de texto inicial, outro autor é estimulado a dar-lhe continuidade. Por sua vez, após ter escrito o trecho que lhe cabia, este passa a tarefa a outro autor e assim por diante até que o texto seja finalizado. Cada autor pode dar ao texto o encaminhamento que quiser, mas deve respeitar o que foi feito antes dele e deixar um gancho dramático que desafie o autor seguinte. O resultado dessa dinâmica costuma ser um tanto desconjuntado, mas isso é o que menos importa: o importante é exercitar a criatividade e a capacidade de improviso. 
Por isso é supreendente o resultado que Fabio Fernandes e Nelson de Oliveira obtiveram na curiosa Oneironautas, noveleta construída no molde de um round robin. É claro que o fato de termos aqui autores experientes e de muitos recursos, além de serem apenas dois, contribuiu para que a narrativa tivesse um padrão mais regular e os conceitos propostos não fossem abandonados pelo caminho. 
Fabio Fernandes é um autor da Segunda Onda da ficção cinetífica brasileira, que fez parte ativa do fandom dos anos 1980/1990, quando a produção nacional era praticada principalmente nos fanzines. Mais recentemente, Fernandes tornou-se referência no fandom digital e forte influenciador dos autores da terceira onda. Seu livro Back in the U.S.S.R., editado pela Patuá em 2019, figurou entre os dez finalistas do Prêmio Jabuti na categoria Entretenimento. Já Nelson de Oliveira é uma sumidade no ambiente mainstream literário, por duas vezes vencedor do Prêmio Casa de Las Americas. Ficou mais conhecido no ambiente dos fãs de ficção científica com o heterônimo Luiz Brás, que criou especialmente para assinar seus trabalhos nesse gênero. É um escritor consagrado, portanto. 
Logo, não se podia esperar pouco de Oneironautas. A história é um cabo de guerra entre os dois autores, cada um deles retesando a corda o mais que pode para derrubar o oponente. Mas quem venceu a disputa foram os leitores.
Oneironautas é uma viagem lisérgica na qual os dois autores, que se colocam como personagens da história, deslocam-se loucamente pelos sonhos um do outro, encontrando personalidades alternativas de si próprios e de seus acompanhantes, com as quais interagem em situações imprevisíveis e absurdas. Em alguns momentos a narrativa ganha ares de ficção científica, com divertidas referências à elementos da cultura pop, como personagens de desenhos animados, séries de tv, cinema e histórias em quadrinhos. 
De qualquer forma, a história é o que menos importa, já que o grande mérito de Oneironautas é o prazer estético formal da narrativa que, em muitos momentos, flerta com a poesia – embora nunca abandone o padrão de prosa – em quinze capítulos curtíssimos de trezentas palavras cada (uma regra do jogo), mais um epílogo, nomeados de forma nem sempre legível. A edição enxuta vem ilustrada por padrões gráficos que dão ao conjunto uma estética concretista que também remete a uma certa poética. A leitura pode ser tão rápida quanto se queira. Dá para ler o volume todo em pouco mais de meia hora, mas aí se vai perder boa parte da graça, que é vaguear sem freios pelos sonhos absurdos destes dois oneironautas.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Resenha do Almanaque: Muitas peles, Luiz Bras

Muitas peles, Luiz Bras. 128 páginas. São Paulo: Terracota, 2011

A produção de não-ficção no ambiente editorial fantástico brasileiro não é grande, mas tem se mantido estável, com dois ou três publicações por ano. Contudo, geralmente são textos oriundos de trabalhos de graduação acadêmica, com toda a parafernália que caracteriza os ensaios de pesquisa científica universitária: muitas citações, notações de referência e notas de pé de página, o que torna a leitura fragmentada e cansativa, sem esquecer que são textos voltados a provar uma tese, ou seja, são construídos em torno de um objetivo específico e o perseguem até que seja atingido; afinal, se isso não acontecesse, o trabalho seria rejeitado pela banca e seu autor teria de refazê-lo até obter esse resultado. São, portanto, leituras pragmáticas, de interesse específico, que depois de defendidas, aprovadas e publicadas, ficam nas estantes esperando que futuros pesquisadores acadêmicos as tomem para buscar referências e citações para seus próprios trabalhos.
Mas, algumas vezes, surgem títulos que não foram produzidos para o ambiente acadêmico e tornam-se trabalhos de leitura mais fluida para o leitor leigo, como por exemplo O que é ficção científica (Brasiliense, 1986) e Um rasgão no real (Marca de Fantasia, 2005), ambos de autoria de Braulio Tavares.
E também é o caso de Muitas peles, primeiro livro de não-ficção de Luiz Bras, publicado pela Editora Terracota com recursos do ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), distribuído gratuitamente pelo autor. Trata-se de uma coletânea que reúne os melhores artigos de Luiz Bras, publicados na coluna “Ruído branco” do jornal literário Rascunho, de Curitiba.
Luiz Bras notabilizou-se por uma atitude de militância no gênero da ficção científica, atuando como escritor e ensaísta, com propostas de impacto e provocações que transcendem o fandom e ecoam no mainstream literário como nunca antes foi conseguido pelos escritores do gênero. Isso porque Luiz Bras é a persona do multipremiado escritor mainstream Nelson de Oliveira, sendo dele o heterônimo para a ficção científica. Bras tem sido extremamente ativo, publicando vários livros a cada ano, sempre de qualidade acima da média, tendo sido extensamente entrevistado pelo Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica em sua edição referente a 2010, ano em que teve publicada a ótima coletânea de contos Paraíso líquido, pela mesma Terracota.
Não por acaso, Muitas peles traz na capa um desenho de Teo Adorno (outro heterônimo do autor), o mesmo artista que ilustrou a capa de Paraíso líquido, e isso até pode confundir o leitor, mas tratm-se de trabalhos completamente diferentes.
Muitas peles traz dezesseis textos que discutem questões interessantes ligadas ao ato da escrita e da crítica literária, bem como sobre os valores da literatura de gênero, especialmente a ficção científica, frente aos caminhos do mainstream.
Entre os textos está o importante “Convite ao mainstream”, no qual Bras convida todos os autores brasileiros a experimentarem a ficção científica como uma alternativa ao engessamento estilístico da literatura brasileira, um texto que já se tornou basilar no ambiente da fc&f nacional.
Mas o livro tem muito mais a oferecer. Além de “Convite ao mainstream”, Muitas peles traz outros artigos que ampliam a percepção do leitor tanto para a literatura de gênero quanto para o mainstream, como por exemplo “Duas elites”, no qual Bras confronta lucidamente os parâmetros analíticos que predominam nos ambientes da ficção de gênero e do mainstream. O artigo é composto por breves depoimentos de Ana Cristina Rodrigues, Braulio Tavares, Fabio Fernandes, Guilherme Kujawski, Marcello Simão Branco, Roberto de Sousa Causo e Tibor Moricz, todos nomes vinculados ao fandom brasileiro de fc&f, ampliando o leque de opiniões expostas. Faltou, contudo, a contraparte mainstream para configurar um bom debate.
Os demais artigos que compõe o volume são: “O infinito: um delírio?”; “Fim do papel, fim da poesia”; “Escolha um futuro”; “Cinco erros”; “Três leis”; “Sabedoria secreta”; “Olha, mãe, uma cor voando!”; “Encontro com o autor-personagem”; “O autor e seu editor”; “Elogio do acaso”; “Paraíso perdido: a infância”; “Morte e imortalidade” e “Crítica é cara ou coroa”. A coletânea também abre espaço para o artigo “Um bárbaro que se preze não vem para o chá das cinco”, de Roberto de Sousa Causo, escrito a convite de Bras.
Muitas peles é um livro ágil, de leitura leve e agradável, mas de impacto contundente. Sem dúvida, uma das mais importantes publicações do gênero nos últimos anos.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Relançamento: Naquela época tínhamos um gato + Os saltitantes seres da Lua

Duas coletâneas raras, originalmente publicadas entre 1997 e 1998, retornam revisadas e reunidas integralmente num único volume, agora subscritas e editadas por Olyveira Daemon.  
Também conhecido como Nelson de Oliveira e Luiz Brás, entre outros heterônimos, Olyveira Daemon é escritor, ensaísta, antologista e coordenador de oficinas de criação literária; venceu duas vezes o Prêmio Casa de las Américas (1995 e 2011), um deles justamente por Naquela época tínhamos um gato (o outro foi pelo romance Poeira: demônios e maldições). Já Os saltitantes seres da Lua foi agraciado com Prêmio Fundação Cultural da Bahia. 
As coletâneas foram publicadas antes do autor declarar sua opção pela ficção científica, mas já se observava nelas o irresistível pendão para o fantástico.
O volume teria 216 páginas se fosse impresso, mas está sendo ofertado unicamente em formato virtual, aqui. Certamente um investimento que vale muito a pena.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Sabixões e Sabixinhos

Produzido a duas mãos por Sofia Soft e Teo Adorno, Sabixões e sabixinhos confessa ser uma história em quadrinhos. De fato, é a volta de Adorno, que em outras encarnações foi apaixonado por quadrinhos, à linguagem preferida de sua infância. Mas ousada como é, a dupla Soft/Adorno não se conformou com a linguagem engessada dos quadrinhos, com seus requadros, balões e onomatopeias, e enveredou por um experimentalismo digno de um sonho surrealista. O livro tem 104 páginas, mas a ordem não importa, pois é possível ler a história a partir de qualquer ponto, inclusive de cabeça para baixo, que também foi contemplado com conteúdos. O leitor pode ler num sentido, depois no outro, ou girar loucamente o livro, como melhor lhe aprouver. Os textos são espalhados na página, as vezes na forma de aforismos, outras como um poema, que compõem um ritmo inusitado com as imagens dos "bixinhos" geométricos que, mais uma vez, remetem ao expressionismo de Kadinsky. Se é HQ é algo para os acadêmicos da área. Mas para nós, mortais, é muito divertido e libertador.
Sabixinhos e Sabixões é uma publicação da editora @Link. O livro ainda não aparece no saite da editora, então experimente o contato com os autores nas redes sociais, aqui.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Hocus pocus high tech

Está disponível para leitura online o ebook Hocus pocus high tech, antologia de microcontos de ficção científica com até trinta palavras organizada por Luiz Bras.
Mais de 140 autores submeteram trabalhos para a edição que, na verdade, é a primeira etapa de um processo de seleção para escolher os 100 melhores dentre os 260 textos publicados. Os contos estão publicados um por página, conforme a ordem alfabética do nome dos autores, e a ideia é que cada leitor aponte seus dez textos favoritos, bastando para isso indicar os números das páginas que os contenham através de uma mensagem para o organizador em sua página no Facebook, aqui.
Quem tiver interesse em votar, colabore. Mas se não tiver, aproveite a leitura, pois há bons autores entre os textos submetidos. Só não vele votar nos próprios textos. O prazo de votação se encerrará no próximo dia 27 de maio. Vamos lá?

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Inaugurando 2018

A Editora @Link convida os leitores da boa ficção científica para o lançamento de dois livros do gênero: Eros ex machina: Robôs sexuais, antologia organizada por Luiz Bras, e a coletânea Às moscas, armas!, do premiado escritor Nelson de Oliveira que ressurge depois de um longo período sabático no Caribe.
Eros é uma seleta com dezoito contos eróticos com robôs, que traz textos de Alex Xavier, Dani Rosolen, Fabio Mariano, Francis Toyama, Gabriel Felipe Jacomel, Gê Martins, Giovanna Picillo, Gláuber Soares, Luiz Bras, Marco Rigobelli, Maria Esther, Mélani Sant’Ana, Nanete Neves, Nathalie Lourenço, Nathan Elias-Elias, Ricardo Celestino, Sonia Nabarrete e Tobias Vilhena.
Em Às moscas, armas!, Nelson de Oliveira retorna aos contos, formato com o qual já publicou diversos livros. O autor, que sempre trafegou entre o realismo e o fantástico, deve ter voltado com as baterias recarregadas plenamente pois a editora anuncia que este é seu melhor livro – e já valeria a pena mesmo que não fosse.
O evento, que contará com a presença siamesa de Bras e Oliveira, está marcado para o dia 24 de fevereiro, das 16 às 20 horas, na Sensorial Discos, Rua Augusta nº2389, em São Paulo, capital.
Vale todo o esforço para comparecer e matar a saudade do bronzeado Nelson de Oliveira, além de adquirir estes dois livros que decerto estarão entre as publicações essenciais da fcb em 2018.
Mais informações na fanpage do evento, aqui.

sábado, 10 de junho de 2017

A última árvore

Luis Brás é, sem dúvida, a maior revelação da fc brasileira neste século. Desde o primeiro livro de contos, Paraíso líquido, que seus textos têm impressionado os leitores especializados no gênero, pelas ideias inovadoras e estilo sofisticado. Não é para menos: Luiz Bras é heterônimo de Nelson de Oliveira, escritor premiado duas vezes com o Casa de las Americas, que já tinha um excelente currículo no mainstream.
Contudo, os primeiros livros do autor já estão fora de catálogo e é difícil encontrar exemplares nos sebos. Por isso, é muito oportuna a publicação de A última árvore, nova coletânea de Luiz Brás que chega pelo site Livros-Fantasma, com edição financiada com verba do Proac, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O livro faz parte de uma coleção de 24 volumes, mas é o único que navega nas águas do fantástico.
A última árvore não trás contos inéditos: todos já foram vistos em outras publicações, mas que estão na categoria dos livros esgotados. São oito textos: seis retirados do já citado Paraíso líquido, um do projeto Portal – coleção de antologias organizada por Brás na primeira década do século – e outro, mais recente, visto primeiro no periódico eletrônico Trasgo. E o melhor de tudo é que o livro pode ser baixado gratuitamente em formato pdf, renovando e facilitando o acesso público a alguns dos melhores contos da fc nacional recente.
Para baixar o arquivo, basta acessar o saite Livros-Fantasma, aqui. Os outros 23 livros da coleção também estão disponíveis.

sábado, 27 de maio de 2017

Anacrônicos

Um dia, sem maiores explicações, a sua mãe morta há anos ressurge na cozinha, repetindo continuamente uma ação do seu passado. Ela não interage com você; apenas revive a cena, como se fosse um filme antigo em realidade expandida. Ela pode ser tocada, mas aparentemente não sente o seu toque. A textura é estranha, borrachuda. Não pode ser ferida e não muda uma vírgula no roteiro. No começo, é emocionante mas, com o passar do tempo, torna-se dolorosamente insuportável. Outras pessoas começam a experimentar situações similares, com seus antepassados retornando da morte para interpretar repetidamente antigos papéis. Tudo se complica quando outros momentos dessa pantomima macabra começam a se sobrepor, com diversas cópias dos duplos ressurretos entrecruzando-se no espaço. E fica ainda pior quando mais personagens materializam-se do passado, numa cacofonia enlouquecedora. E quando ressurgirem personagens famosos, como Hitler e Jesus Cristo, onde o mundo irá parar?
Esta é a história que o escritor Luiz Bras oferece aos leitores no ebook Anacrônicos, um conto de ficção fantástica de 30 páginas, ao estilo New Weird, em que o autor retoma o tema da solidão, explorado em profundidade no romance Sozinho no deserto extremo (Prumo, 2012). Mas aqui a situação se inverte: ao invés do isolamento físico, a solidão emerge da multidão de pessoas alheias que impedem a interação social e emocional dos indivíduos. Também a questão dos personagens famosos ressuscitados dialoga com outras obras da ficção especulativa, como a série Riverworld, de Philip Jose Farmer, uma influência de peso que revela a possibilidade de uma exploração mais profunda no tema, que não foi o objetivo de Bras nesta obra.
Luis Bras é escritor de ficção fantástica, nascido na cidade imaginária de Cobra Norato, mas na verdade é uma persona do premiado escritor Nelson de Oliveira, que experimenta aqui os préstimos da edição digital através da plataforma de autopublicação da Amazon. A produção editorial é gráfica é do próprio autor, que também fez sua revisão e encomendou a Teo Adorno, a persona ilustradora de Oliveira, o ótimo desenho da capa. A produção interna também é minimalista, com pequenos toques coloridos nas aberturas dos capítulos. Tudo muito limpo e elegante.
A edição está disponível no saite da livraria Amazon, aqui.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Distrito Federal

Luiz Bras estreou no restrito ambiente da ficção especulativa literária há menos de dez anos, mas já faz parte dos grandes nomes do gênero no país. Fica fácil entender o por quê quando descobrimos que Bras é clone de Nelson de Oliveira, importante escritor mainstream que se retirou da lida para algum refúgio paradisíaco, para curtir os mimos proporcionados pelos milhões de dólares de seu bem merecido patrimônio. Bras herdou de Oliveira a habilidade com as palavras, que tem aplicado no exercício da ficção especulativa, a qual está empenhado em entender e interagir.
Entre os muitos títulos do autor estão as bem avaliadas coletâneas de contos Paraíso líquido (2010), Máquina Macunaíma (2013) e Pequena coleção de grandes horrores (2014), os romances Sozinho no deserto extremo (2012), Sonho, sombras e super-heróis (2011) e Babel Hotel (2009), a não ficção Muitas peles (2011) e uma porção de antologias, como autor selecionado, como organizador ou ambos.
Um dos traços de Bras é sua busca constante por uma voz particular, que se aproveita de um estilo maduro com traços pós-modernos e poesia concretista abusando de aliterações e pleonasmos, além de propostas narrativas que fogem do padrão convencional sem perder de vista os elementos especulativos, geralmente da ficção científica mas também da fantasia e do horror, com um diálogo próximo ao do estilo que se convencionou chamar de cyberpunk, com o qual o autor parece se identificar. Outra característica de Brás é sua facilidade para lidar com temas nacionais de todos os matizes, desde elementos folclóricos até a política nacional. E é exatamente este o caso de Distrito Federal, romance que o autor nomeou como "rapsódia tupinipunk", que revela muito sobre a forma como o autor a compôs.
Trata-se de um texto experimental, com pendão inegavelmente poético, que retoma ideias testadas em dois contos homônimos vistos em suas antologias anteriores. A história é um vitral formado por pequenas narrativas focadas nas ações e solilóquios de um curupira – o último de sua espécie – que, enlouquecido com a destruição das matas brasileiras, toma o corpo de um jovem humano e passa a assassinar, com requintes de artística crueldade, a população corrupta da capital do país: deputados, senadores, ministros, governadores, prefeitos, secretários, banqueiros, tesoureiros, políticos de forma geral pois, para o curupira, a corrupção fede terrivelmente.
As ações deste improvável anjo vingador, que sempre escapa de qualquer tentativa de captura, faz surgir um exército de imitadores que matam da mesma forma que ele. Há algum conflito quando o curupira encontra, por acaso, o último saci, que também tomou o corpo de alguém e está matando, mas como são inimigos naturais, acabam não se entendendo.
Na medida em que o curupira e o saci promovem sua cruzada sangrenta, a realidade vai sendo sobreposta pela de um popular jogo eletrônico online, justamente chamado de Distrito Federal, que mistura política,  mitologia e muita violência. O surgimento de uma criança especial, que não é nem menino nem menina, exacerba ainda mais os acontecimentos, o que pode levar ao fim da humanidade sobre o planeta.
A leitura do texto é fácil e ligeira, com abundância de frases muito curtas, mas a narrativa fragmentária não dificulta o entendimento do enredo, embora este seja algo secundário na obra. A experiência estética literária é bem mais importante aqui, por isso é recomendável que o leitor esteja aberto à ela.
Distrito Federal é uma publicação da editora paulista Patuá, cujo lema "livros são amuletos" combina perfeitamente com este romance, que tem 280 páginas em papel polem e acabamento luxuoso, encadernado com capas duras e ilustrado por Teo Adorno – outro clone que Nelson de Oliveira deixou para trás.
Uma última observação que se pode fazer sobre Distrito Federal está expressa, de forma clara e absoluta, na última página do volume: "...reunião de ciência & religião, passado, presente & futuro, cultura popular & alta cultura..."; é a receita de Luiz Brás para resolver o histórico impasse entre a ficção de gênero e o mainstream, que tem buscado desde a sua estreia. Desta forma, Distrito Federal é a proposta mais bem acabada do autor para a ficção de gênero brasileira. Resta saber se o fandom e o mainstream, monstros ferozes, cheios de tentáculos e presas afiadas, vão entender isso. Se não entenderem, azar deles. Luiz Bras entendeu muito bem.

domingo, 2 de novembro de 2014

As encarnações do Distrito Federal

Distrito Federal é o novo romance do escritor de ficção científica Luiz Bras, que será apresentado ao público no próximo dia 19 de novembro, quarta-feira, a partir das 18 horas, no restaurante Canto Madalena (R. Medeiros de Albuquerque, 471, S. Paulo).
Visto que o autor tem um ótimo conto com esse nome, publicado na coletânea Máquina Macunaíma (Ragnarok, 2013), é de imaginar que se trata de uma expansão do mesmo. O mesmo título também nomeia um dos poemas de Pequena coleção de grandes horrores (Circuito, 2014) mas, em se tratando de Luiz Bras, nada é uma certeza. Confira: trechos de Distrito Federal podem ser lidos aqui.
O volume tem ilustrações de Teo Adorno – que muitos afirmam ser um clone de Luiz Bras – e é uma publicação da Editora Patuá.

domingo, 12 de outubro de 2014

Agenda: Hiperconexões reload

No próximo dia 18 de outubro acontece o lançamento do segundo volume da antologia poética Hiperconexões: realidade expandida, organizada por Luiz Bras e publicada pela Editora Patuá, reunindo textos de 65 autores brasileiros desafiados a falar a respeito da relação cada vez mais íntima entre homem e máquina. O volume tem apresentação do professor Ramiro Giroldo, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e posfácio do poeta e editor Victor Del Franco. O primeiro volume, lançado em 2013, pode ser lido gratuitamente aqui.
O evento acontece a partir das 15 horas no Hussardos Clube Literário, rua Araújo, 154, 2º andar, em São Paulo, e contará com pocket show do grupo Percutindo Mundos.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pequena coleção de grandes horrores

Há algumas semanas, divulguei o lançamento de Pequena coleção de grandes horrores, coletânea de minicontos de Luiz Bras, mas não pude dizer muito sobre o livro propriamente dito porque ainda não o conhecia. Mas esse detalhe foi devidamente corrigido pelo autor, que prontamente remeteu um exemplar, a quem agradeço a gentileza.
A edição reúne mais de seis dezenas de textos curtos que vão de poucas palavras a cinco páginas, e montam uma panorâmica do mosaico de referências do autor. A maior parte deles evoca imagens da cultura pop, especialmente do cinema, que é uma das artes que mais influencia a fc do autor. Basta ver alguns dos títulos: "O homem sem sombra", "Corra, Lalo, corra", "Fast forward", "Total recall", "Alien", "The walking dead", só para citar os mais óbvios. Outros, dialogam com alguns de seus textos mais conhecidos, podendo até ser o gérmen do qual brotaram: "Sozinho no deserto extremo", "Máquina Macunaíma" e "Distrito Federal", entre outros.
A seleção é apresentada nas orelhas pelo editor, Renato Rezende, que tece elogios à ficção da quimera Luiz Braz/Nelson de Oliveira, que classifica como "alguns dos melhores textos publicados no Brasil", com o que concordo plenamente.
O livro, que tem 144, foi contemplado com o financiamento do Programa Petro­bras Cultural 2012, e foi publicado pela Editora Circuito.

terça-feira, 18 de março de 2014

Agenda: lançamento de Pequena coleção de grandes horrores

No próximo dia 2 de abril, às 18h30, Luiz Bras recebe leitores e amigos na Casa das Rosas para o lançamento da coletânea de contos Pequena coleção de grandes horrores.
Diz o autor sobre a obra: "No comecinho de abril, eu e meus 67 minicontos estaremos no café da Casa das Rosas, acompanhados das inquietas rosas, da charmosa casa e do saboroso café, à sua espera. Venham. Juntem-se ao minicontista. Deixem essas 67 pequenas histórias abraçar e beijar vocês. Elas são terríveis, mas muito afetuosas. Assustadoramente carinhosas. Será amor e susto à primeira vista!"

quinta-feira, 6 de março de 2014

Agenda: Luiz Bras no SBC Geek

No próximo sábado, dia 8 de março, acontece mais um encontro de fãs da cultura nerd, o SBC Geek, promovido pela Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo.
Além de exibições de animes, seriados de tv, jogos de tabuleiro, RPG, videogames e espaço de trocas para colecionadores, esta edição do encontro receberá para um bate-papo o escritor de ficção científica Luiz Bras, autor da coletânea Paraíso Líquido e do romance Sozinho do deserto extremo, entre outros ótimos livros.
O evento acontece das 13 às 17 horas na Biblioteca de Arte Ilva Aceto Maranesi – localizada na Pinacoteca de São Bernardo, que fica na Rua Kara, 105, Jardim do Mar, São Bernardo do Campo (tel. 11 4125-2379). A entrada é franca.
A programação detalhada pode ser vista no Fanzine do SBC Geek, que pode ser lido online ou baixado gratuitamente aqui.
Mais informações na fanpage do SBC Geek.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resenha: Máquina Macunaíma

Desde que Luiz Bras surgiu no panorama da ficção brasileira, a partir das antologias Portal (seis volumes publicados entre 2008 a 2010) experimentamos um período especial nessa arte literária. Herdeiro estilístico do premiado autor mainstream Nelson de Oliveira, Bras trouxe para a ficção de gênero não apenas uma respeitabilidade incontestável, mas um novo paradigma autoral que, antes dele, poucos praticavam. Surgido, ele também, no mainstream, Bras agregou à ficção científica, gênero que elegeu para ser plataforma de sua obra, um discurso artisticamente avançado em ousadia técnica e temática que foi além daqueles que antes o praticaram, como André Carneiro e Braulio Tavares, por exemplo.
Isso já podia ser percebido na sua primeira coletânea, Paraíso líquido, publicada em 2010 pela Terracota e premiada com o financiamento do Proac. Desde então, Brás tem se destacado como um dos principais proponentes estilísticos da ficção científica brasileira, explorando em sua produção os limites da arte que, praticada no Brasil principalmente por fãs, demonstra grande dificuldade em romper devido a décadas de influência da literatura pulpesca anglo-americana.
Em sua mais nova coletânea, Máquina Macunaíma, publicada em 2013 pela editora Ragnarok, Bras reuniu trabalhos inéditos e contos já vistos em publicações anteriores, apresentando um viés inovador em sua proposta. Ainda que os contos mantenham a ficção científica como base, estão mesclados, em proporções variáveis, com a fantasia e, principalmente, com o horror, num flerte que sinaliza que o autor não é resistente a novas influências. Justamente por este aspecto, vale a pena comentar individualmente os doze textos que compõe esta coletânea.
"Virtuais", o conto que abre a seleção, é provavelmente a narrativa mais convencional do conjunto, reportando ao modelo de histórias que acostumamos ver no seriado de tv Além da Imaginação (Twilight Zone). Mostra a situação bizarra de um jovem viciado em redes sociais quando, na área de alimentação de um shopping, recebe uma mensagem de socorro de uma garota que diz estar literalmente sozinha no mundo. Contudo, ela também afirma estar no mesmo ambiente que ele. Uma história que discute o quanto as coisas estão mudando para todos nós.
"Heidegard não voltará jamais" desmonta o confortável modelo do texto anterior. Completamente diferente em ritmo, estilo e dotado de um fino senso de humor, conta a história de um casal de gêmeos, ambos delegados de polícia em uma realidade pós-humana, com vilões de nomes inspirados em figurões da história. Eles vão confrontar revelações terríveis ao investigar um crime que exige visitas pessoais ao céu e ao inferno.
"Onde vivem os monstros" retorna a um modelo narrativo mais simples, mas avança para o ambiente da fantasia e do horror na história de uma jovem escultora que foge de casa à noite e decide morar escondida no museu de arte da mítica cidade de Cobra Norato. Hábil no léxico de vegetais e minerais, a garota 'ouve' as esculturas e isso vai levá-la a uma realidade que trará consequências radicais em sua vida.
"Impostor" é uma space opera de nítido contorno político-revolucionário. Um investigador da polícia da Terra, acompanhado de seu pai - o narrador da história, com quem tem uma relação ambígua - chegam a um luxuoso iate espacial para recuperar um artefato roubado que pode estar sendo contrabandeado à bordo. A administração da espaçonave deixa bem claro que não está disposta a colaborar com a investigação, e ambos são mantidos à distância dos passageiros, a maior parte deles magnatas em cruzeiro de férias. Enquanto enfrentam dificuldades nas investigações, surge no quarto que lhes foi designado, na área de serviços, um pequeno objeto circular que flutua e gira, um anel aparentemente inofensivo mas que vai provar ser uma ameaça cósmica que pode causar não apenas a destruição da espaçonave, mas de todo o universo.
"Mecanismos precários" pode ser descrito como um poema-catástrofe ao colocar, frente a frente, dois gigantes de metal em luta furiosa e demolidora. Contudo, pilotando os ferozes titãs, estão um homem e uma mulher discutindo a sua relação.
“O índio do abismo sou eu” conta a história de uma mulher que, sofrendo de uma doença terminal, é congelada até que a cura seja descoberta. Quando volta à consciência, muitos anos no futuro, é sequestrada por um grupo de ativistas que pretende retirar dela todos os órgãos para suprir transplantes em pessoas carentes. A narrativa salta continuamente entre o tempo objetivo natural e um tempo subjetivo virtual, que acontece apenas na mente da protagonista. O conto foi anteriormente visto na antologia Geração sub-zero (Record, 2012).
"Coisas que a gente não vê todo dia" é sobre uma estudante dotada de poderes paranormais que não aceita, pois acredita na ciência. Contudo, os poderes começam a se manifestar espontaneamente, causando constrangimento à menina que já é bastante tímida.
A bruxaria continua, em tom de fábula, em "Humana, demasiado humana", com uma menina que, apaixonada pela ciência e pela natureza, sente-se deslocada em uma família de bruxos e bruxas com a qual vive numa casa no meio da floresta. Um dia, aparecem três artistas-bruxos à caminho de um festival e ali fazem uma das incríveis apresentações musicais que os fizeram famosos. O problema é que a menina sabe que cada vez que o poder de um bruxo é usado, uma estrela se apaga o céu. Por causa disso, ela irá finalmente descobrir o seu real papel no universo. Um conto incomum, divertido e delicado, que lembra algumas das melhores histórias de Ray Bradbury em O país de outubro.
"Distrito Federal" evoca elementos da ficção científica, fantasia e horror para contar a história de uma jovem moradora das ruas de Cobra Norato que terá de enfrentar uma espécie de apocalipse zumbi na cidade quando os personagens do popular jogo online Distrito Federal, no qual os usuários assumem papéis de políticos, começam a se manifestar fora do jogo. E o horror não vem apenas do fato de ter que encarar perigosos deputados e senadores, mas também uma legião de criaturas mitológicas que se incorporaram ao jogo. É o conto mais nonsense da coletânea, com um fino humor negro muito raro na ficção fantástica.
"Olhos de gato" é mais um dos textos não-inéditos da coletânea, visto primeiro na antologia Portal Fahrenheit. Conta a história de uma jovem cadete do exército das mulheres que, há anos, luta contra os homens. Depois de passar por um rigoroso treinamento doutrinário, ela está prestes a graduar-se e, para isso, em uma macabra cerimônia pública, terá de arrancar os olhos de seu gato de estimação. Contudo, desta vez o evento terá um detalhe imprevisto que pode acabar com a guerra definitivamente.
"Galáxia" é uma espécie de poema em prosa, com vários episódios de uma realidade na qual os homens convivem com inteligências artificiais e, repentinamente, experimenta uma queda catastrófica da rede de dados. Isso faz pessoas reais e digitais confrontarem a mutante e imprevisível natureza do universo e faz pensar se este pós-humano imerso no ciberespaço ainda somos nós.
Fechando a coletânea temos "Primeiro de Abril: Corpus Christi", texto já visto nas antologias Portal 2001 e Cidades indizíveis (2011, Llyr). Conta o drama de uma cidade futurista controlada por uma inteligência artificial, que entrou em uma grave convulsão tecnológica. Evacuada de seus habitantes humanos, a megalópole está prestes a ser bombardeada por um míssil nucelar. A ação é caótica e intensa, misturando violência, ciborgues e máquinas inteligentes em um contexto no qual o estilo e as imagens falam mais alto que a história. Trata-se de uma das peças literárias mais expressivas da ficção científica brasileira, uma experiência sensorial surpreendente que transcende as dimensões do conto e desafia o resenhista. Melhor ser experimentado diretamente.
Por motivos autorais, Máquina Macunaíma foi publicado em tiragem muito limitada distribuída diretamente pelo autor, não sendo possível encontrá-lo nos pontos de venda convencionais. Portanto, se acaso conseguir encontrá-lo por aí, não deixe escapar. Trata-se de um dos melhores livros da ficção fantástica brasileira recente.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Hiperconexões

Uma vez, há muito tempo, a escritora Jane Terezinha Mondello, respondendo a uma afirmação minha de que não sabia escrever poesias, disse-me em uma correspondência uma coisa que nunca mais esqueci: que a ficção científica é fundamentalmente poesia em prosa. E ela estava com toda a razão.
Talvez seja por isso que existe tão pouca poesia de ficção científica. Mesmo no ambiente internacional esse modelo literário é difícil de ser encontrado.
No Brasil tivemos alguns casos expressivos, como o de André Carneiro, nosso escritor de fc mais bem sucedido no exterior, que também desenvolveu uma valorizada obra poética, do escritor Braulio Tavares, que tem um vínculo especial com o cordelismo e já produziu pelo menos um livro de fantasia em versos - Arthur e Isadora ou A pedra do meio-dia -, bem como o escritor José Ronaldo Viega Lopes, do qual já comentei aqui algumas publicações.
Então é com muito entusiasmo que apresento a antologia poética Hiperconexões: Realidade expandida, organizada por Luiz Bras para a Editora Terracota, definida como a primeira antologia de poemas sobre o pós-humano da literatura brasileira.
Diz Reynaldo Damazio na orelha do livro: "Em Hiperconexões: realidade expandida, trinta e um poetas de estilos variados toparam a provocação de pensar e escrever sobre o devir, tateando o provisório e flertando com o precário, numa aposta quase insana, ou insólita, de que a humanidade renovada se insinua entre os escombros da civilização formatada pelos códigos do instinto predatório, que ao mesmo tempo soube, com alguma crítica e autocrítica, tocar a beleza."
São estes os poetas convidados: Ademir Assunção, Amarildo Anzolin, Ana Paluso, Andréa Catrópa, Braulio tavares, Claudio Brites, Daniel Lopes, Edson Cruz, Elisa Andrade Buzzo, Fabrício Marques, Fausto Fawcett, Gerusa Leal, Ivan Hagen, Jane Sprenger Bodnar, Luci Collin, Marcelo Finholdt, Márcia Barbieri, Marco A. de Araújo Bueno, Mariana Teixeira, Marília Kubota, Marize Castro, Ninil Gonçalves, Patricia Chmielewski, Renato Rezende, Rodrigo Garcia Lopes, Ronaldo Bressane, Sérgio Alcides, Thiago Sá, Valério Oliveira e Victor Del Franco, além do próprio organizador, que escreveu uma espécie de prefácio que é também um poema. Há de tudo um pouco, de poemas tradicionais a pós-modernos, de concretismo a prosa, um bestiário amplo do que a ficção científica pode gerar quando flerta com outros formatos e estilos.
O livro já está disponível, mas a noite de autógrafos está marcada para 2 de fevereiro de 2014, na Casa das Rosas, em São Paulo, a partir das 18h30.
Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no saite da antologia, que pretende formar uma linha de diálogo entre os leitores e os poetas, com notícias, textos, frases, vídeos, indicações de leituras, entrevistas e o que mais couber nesse bequer literário.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Realidade expandida

O escritor Luiz Brás ministrará, nos dias 23 e 30 de novembro no Espaço Tao, (rua Alvarenga, 1682, Butantã, São Paulo) o workshop Realidade expandida: Construindo através da arte e da literatura realidades alternativas, no qual o escritor dividirá com os participantes, um pouco do que aprendeu ao longo de vinte anos de atividade literária em ficção e poesia.
Diz o texto de divulgação: "O aqui e o agora percebidos pelos cinco sentidos configuram o que podemos chamar de realidade de primeira ordem. Já a literatura, a arte, a filosofia, a ciência e a religião, ao expandirem nossa percepção da natureza e do ser humano, configuram a realidade – ou as realidades – de segunda ordem. De que maneira a melhor ficção e a melhor poesia de nosso tempo constroem passarelas e portais para essas realidades alternativas, de segunda ordem?"
Luiz Bras é e doutor em Letras pela USP, autor premiado internacionalmente e já teve até uma carreira bem sucedida num mundo paralelo. Seus trabalhos mais recentes foram o romance Sozinho no deserto extremo, a coletânea de contos Paraíso líquido, a coletânea de crônicas Muitas peles, os romances juvenis Sonho, sombras e super-heróis e Babel Hotel. Mantém uma página mensal no jornal Rascunho, de Curitiba, intitulada "Ruído Branco", e o blogue Cobra Norato.
Realidade Expandida destina-se a escritores diletantes (poetas e prosadores), com obra ainda em formação, estudantes e pessoas interessadas em aprimorar suas habilidades no uso da linguagem literária, e as vagas são limitadas. Mais informações, aqui.

domingo, 12 de maio de 2013

Máquina Macunaíma

Luiz Bras, autor de ficção científica que veio de um mundo paralelo, divulgou que alguns exemplares de um de seus livros publicados somente no outro universo foram contrabandeados para esta realidade. Trata-se da secretíssimo Máquina Macunaíma, coletânea de 224 páginas com doze contos desse autor nascido na mítica cidade de Cobra Norato (pode procurar: ela realmente não existe nos nossos mapas).
Bras diz que o livro apresenta uma "nova safra de narrativas insólitas e fantásticas, a maior parte delas sobre o pós-humano".
Bras é autor da excelente coletânea Paraíso líquido, e dos romances Babel Hotel e Sozinho no deserto extremo, todos publicados normalmente em nosso contínuo espaço tempo. Desta nova coletânea, contudo, existem aqui apenas 50 exemplares, por isso, apresse-se para garantir o seu. Mas será preciso procurar, pois trata-se de um livro muito, muito secreto...