Mostrando postagens com marcador Orson Scott Card. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Orson Scott Card. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de dezembro de 2013

Na tela: O jogo do exterminador

No último dia 11, estive entre os convidados de uma cabine especial do movimentado longa metragem O jogo do exterminador (Ender's game), realizada na sala de exibição da Paris Filmes, no Pacaembu, em São Paulo, com o apoio da Devir Livraria, editora que atualmente publica a tradução do romance que deu origem ao filme.
O jogo do exterminador, que estreia no Brasil no dia 20 de dezembro com direção de Gavin Hood, conta a história de um grupo de adolescentes liderado por Andrew "Ender" Wiggin – interpretado por Asa Butterfield –, que é treinado pela forças armadas da Terra para enfrentar uma raça de alienígenas que, 40 anos antes, tentou invadir o planeta e foi repelida depois de uma batalha que quase custou a extinção da humanidade. Preocupada com uma eventual nova onda de ataque, a Terra construiu uma pequena frota de astronaves armadas, já a caminho do planeta natal dos alienígenas – os formics – para retaliar e impedir que, no futuro, a Terra seja novamente vitimada. Mas falta à frota um estrategista, alguém que tenha a habilidade de entender o modo de ser dos alienígenas, antecipar suas reações e garantir a vitória da frota terrestre. Ender tem um casal de irmãos mais velhos que também passaram pelos treinamento, mas foram rejeitados. Contudo, o desempenho de Ender agrada ao coronel Graff – interpretado por Harrison Ford – que, pressionado pelo tempo, decide acelerar o seu treinamento, submetendo-o a pressões cada vez maiores, de forma a tê-lo pronto no momento crucial. Ender é um garoto sensível que aprendeu a ser cruel quando necessário, e a relação conflituosa que tem com os irmãos influencia determinantemente sua forma de agir para com colegas, adversários e, principalmente, alienígenas.
A história foi originalmente imaginada pelo escritor norte-americano Orson Scott Card, para um conto, depois expandido em romance. Ambos ganharam os mais importantes prêmios da fc internacional, sendo uma das maiores unanimidades do gênero entre leitores e crítica. No Brasil, o conto original foi publicado na revista Isaac Asimov Magazine em 1991, ano em que também foi publicado o romance pela Editora Aleph.
A maior parte do filme, como também do romance, é dedicada a construir a psicologia amargurada de Ender e seu treinamento martirizante, embora tudo soe menos dramático no filme.
Uma das coisa que fazem falta à versão filmada é o aprofundamento da relação entre Ender e seus irmãos, que praticamente não é explorada. As ricas nuances da psicologia de Ender ficam assim esmaecidas e algumas de suas atitudes parecem um tanto injustificadas. O filme também exagera na presença em tela do coronel Graff, para capitalizar a figura de Hans Sol..., quero dizer, Harrison Ford.
Do ponto de vista técnico, o filme parece feito para ser visto em 3D, que não esteve disponível na seção, pois as cenas grandiloquentes e movimentos amplos e angulosos dos personagens sugerem expansão para além da tela. Sem o efeito mágico do 3D, o design e os efeitos especiais, ainda que adequados, parecem previsíveis e já vistos, assim como os cenários, veículos e figurino, geralmente pontos altos nos filmes de ficção científica, que não surpreendem em nenhum momento. Portanto, se possível, dê preferência para ver este filme em 3D.
Um detalhe fundamental no livro, o ansível – comunicador instantâneo para o espaço profundo, que transcende a velocidade da luz –, ideia que Card emprestou dos romances de Ursula K. Le Guin, mal é citado e não repete, no filme, o efeito de maravilhamento científico que permeia o romance e dá sentido a importantes aspectos da trama. Dessa forma, desperdiçam-se os melhores detalhes da história original, em favor da digestividade que os produtores de Hollywood acreditam ser fundamental para o expectador moderno. Para eles, até uma história escrita para adolescentes parece ser difícil de entender.
O grande mérito do filme, portanto, é recriar interesse sobre o romance, atualmente disponível nas livrarias sob o selo Pulsar da Devir Livraria. O jogo do exterminador ganhou até uma nova edição, com imagens do filme em sua capa. Também podem ser encontrados, pela mesma editora, as sequências O orador dos mortos (Speaker for the dead), Xenocídio (Xenocide) e Os filhos da mente (Children of the mind), que têm o interessante detalhe de se passarem numa colônia no planeta Lusitânia, formada por cientistas brasileiros! Isso porque Card conhece muito bem o Brasil, tendo vivido aqui como missionário nos anos 1970. Ele fala português perfeitamente e tem uma grande afeição pelo País, o que, por si só, já torna irresistível a leitura desses livros.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Pulsando

A Devir Livraria anunciou recentemente o lançamento de dois novos títulos em sua Coleção Pulsar, dedicada à literatura de ficção científica. O primeiro deles é Os filhos da mente (Children of the mind), quarto e último volume da saga de Ender Wiggin, multipremiada space opera de Orson Scott Card, escritor norte americano que tem uma antiga relação com os brasileiros.
Os dois primeiros volumes da série, O jogo do exterminador e Orador dos mortos, foram traduzidos no Brasil nos anos 1980, pela Editora Aleph, e republicados recentemente pela Devir, que deu-lhes sequência em 2011 com Xenocídio. A série conta a história de Ender, um menino superdotado que foi levado pelo governo do mundo a exterminar toda uma civilização alienígena. Apesar de ter sido enganado, ele se sente responsável e passou boa parte de sua vida vagando pelo universo, como o orador daquele povo assassinado. Finalmente, ele chega ao planeta Lusitânia, colonizado por um grupo de brasileiros que tenta se entender com os habitantes locais, seres de fisiologia intrigante que passam a juventude como animais e a maturidade como vegetais. Isso acontece por causa de um vírus, o Descolada, que faz parte da ecologia lusitânia mas é mortal pera os seres humanos. Para impedir que o vírus escape, o governo galáctico envia ao planeta uma esquadra de extermínio, e os habitantes de Lusitânia lutam contra o tempo para descobrir uma forma de neutralizar o vírus e evitar um novo xenocídio que agora ameaça nada menos que três espécies inteligentes.
Os filhos da mente tem 352 páginas, tradução de Sylvio Monteiro Deutsch e capa de Vagner Vargas.
O segundo lançamento anunciado é o romance Glória sombria, de Roberto de Sousa Causo, primeira aventura do personagem Jonas Peregrino, visto em histórias curtas publicadas em diversas antologias desde 2009. Jonas é um ex-militar que tornou-se herói depois de lutar numa feroz guerra espacial. Sua reputação e seus conhecimentos tornam-se interesse de várias organizações governamentais e privadas, que o recrutam para que realize missões especialmente difíceis. A ilustração da capa também é assinada por Vagner Vargas. A editora não revelou qual seria o enredo desta nova história do personagem, mas já anunciou que será o primeiro de uma série. O segundo volume, chamado Mestre das marés, está programado para 2014.
Mais informações sobre este e outros lançamentos da Devir podem ser obtidas no saite da editora.