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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Resenha: Horror em Red Hook

Em 2011, a editora L&PM criou uma nova coleção dentro de sua tradicional linha de livros de bolso, a Coleção 64 Páginas, que é exatamente isso, livros de bolso com exatas 64 páginas, oferecidos ao custo de R$5,00, proposta que eu aprecio em todos os sentidos. Primeiro pelo potencial de levar literatura de baixo custo a uma ampla faixa de consumidores, depois porque dá oportunidade de destaque a contos e noveletas que, geralmente, desaparecem em meio aos romances e antologias. Há muita ficção curta tão bem feita que merece um título só para si, e a Coleção 64 Páginas, tal como a coleção Asas do Vento, da Devir, investe especificamente nesse espaço.
A Coleção 64 Páginas estreou com uma coletânea de tiras do Maurício de Sousa, mas publica principalmente literatura em domínio público. Entre os autores presentes nos volumes iniciais estão, por exemplo, Fernando Pessoa, Arthur Conan Doyle, Tolstói, Balzac, Machado de Assis, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft, cujo título Horror em Red Hook, publicado em 2012, não resisti ler de imediato. Trata-se de uma pequena coletânea com três contos deste mestre do horror, todos já vistos em A tumba ...e outras histórias, publicada em 1991 pela Francisco Alves. Nada de novo, portanto, mas eu me vi envolvido pela leitura como se fosse a primeira vez, ao ponto de acreditar que pelo menos o "Horror em Red Hook" fosse inédito. Talvez a sensação seja mérito da nova tradução de Jorge Ritter - na edição da Francisco Alves era de Sylvio Gonçalves - mas o fato é que a força do texto não perdeu nada de seu impacto.
O que caracteriza esta seleção é a escolha de textos na fronteira entre o terror psicológico e o sobrenatural. "Horror em Red Hook", que abre a seleção, pode ser perfeitamente lida como uma história policial que se densenrola em um bairro decadente, pobre e violento de Nova York, onde amontoam-se imigrantes estrangeiros. Um detetive, que investiga crimes cometidos na região, desconfia do envolvimento de um figurão, descendente de uma família fundadora da cidade, que apresenta um comportamento esquisito e não tem dificuldade de se relacionar com os estrangeiros do bairro, sempre descritos da pior forma possível. As revelações da investigação são tão terríveis que levam o policial à beira da psicose, embora não se saiba ao certo se o que ele testemunhou foi real ou apenas um delírio. O que impacta no texto é o altíssimo nível de xenofobia e intolerância contra os estrangeiros, especialmente árabes e orientais, que Lovecraft não maquiou de forma alguma.
"Ele" é o texto mais lisérgico da seleção, sobre o passeio emocional que um homem dá por bairro de Nova York que ainda sustenta ruas e casas de tempos passados. A certa altura, ele encontra um outro homem de interesses similares, que o convida para uma excursão especial e o conduz por um caminho que parece levá-los centenas de anos de volta no tempo.
Finalmente, "A tumba", um conto clássico do autor, conta sobre a fixação de um jovem pelas ruínas de um antigo túmulo abandonado no meio da mata, construção sobrevivente de uma tragédia ocorrida muito tempo atrás.
A coletânea, por não dispôr do horror cosmológico que caracteriza os textos sobrenaturais de Lovecraft, ressalta sua técnica literária, que muitos classificam como extravagante e exageradamente adjetivada, mas também expõe com nitidez a melancolia do autor ao ver a memória e a beleza arquitetônica do passado sendo devoradas pelos avanços da modernidade, da tecnologia e, principalmente da maldade humana.
Horror em Red Hook é um bom volume para iniciar o leitor nos labirintos da obra lovecraftiana, uma ótima introdução aos horrores indizíveis do Cavalheiro de Providence.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Econômico, mas ainda assustador

Uma das grandes dificuldades dos leitores brasileiros sempre foi o alto custo das publicações no Brasil. Com Lovecraft não é diferente, sempre penso duas vezes antes de investir meu dinheiro na aquisição das traduções nacionais, mesmo sendo um leitor ávido de suas histórias.
Há algum tempo, a editora Hedra iniciou a publicação de uma simpática coleção de bolso do autor mas, por motivos comerciais, acabou abandonando o formato em favor de uma edição maior e mais luxuosa. Contudo, os leitores financeiramente prejudicados não foram abandonados pelo Cavalheiro de Providence. A editora gaúcha L&PM incluiu um volume de Lovecraft em sua novíssima Coleção 64 Páginas, dedicada a edição de novelas e contos clássicos, geralmente em domínio público, ao custo sugerido de R$5,00 o exemplar.
Dessa forma, chegou às livrarias a antologia O horror em Red Hook, com três contos do mestre do horror: "Ele", "A tumba" e aquele que dá nome ao volume. Todos já foram vistos em outras publicações mas, neste formato, tornam-se acessíveis a um público muito mais amplo, que o autor bem merece. A tradução é de Jorge Ritter.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Clássicos da literatura em quadrinhos

O mercado de maior demanda de quadrinhos no Brasil tem sido o de coleções paradidáticas. Como as editoras adoram não correr riscos e parece garantido investir nas adaptações literárias, vão brotando diversas coleções nesse segmento.
Enquanto os artistas brasileiros debruçam-se sobre as adaptações de clássicos da nossa própria literatura, as editoras buscam no exterior o material já disponível sobre as obras estrangeiras.
Parece ser uma boa opção, pois alguns desses trabalhos têm mesmo ótima qualidade, como é o caso da coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos lançada no final de 2011 pela Editora L&PM, com obras de origem franco-belga adaptadas por Christophe Lemoine e ilustrada por bons artistas como Jean-Christophe Vergn e Jean-Marie Woehrel, entre outros.
Os álbuns são luxuosos, com 60 páginas totalmente coloridas e, além da história em si, trazem um dossiê contextualizando o autor, sua época e sua obra.
A coleção foca-se nos maiores clássicos da literatura mundial, como os já publicados A ilha do tesouro de Robert Louis Stevenson, A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, Robinson Crusoé, de Daniel Defoe e Um conto de Natal, de Charles Dickens, que dispõem de amostras para serem visualizadas na internet.
Além destes, foram anunciados: Odisseia, de Homero; Dom Quixote, de Cervantes; Viagem ao centro da Terra, de Júlio Verne; Guerra e paz, de Leon Tolstói; Os miseráveis, de Victor Hugo, e As mil e uma noites.
Será que não estaria na hora de alguma editora recuperar para a nova geração a ótima coleção Classics Illustrated da DC, publicada nos anos 80? Eu compraria.