Poe 200 anos: Contos inspirados em Edgar Allan Poe, Maurício Montenegro & Ademir Pascale, orgs. 140 páginas. São Paulo: All Print, 2010.
2009 marcou o duplo centenário do nascimento de Edgar Allan Poe, escritor americano que morreu na miséria, mas cuja obra influenciou toda a literatura moderna e é hoje muito respeitada.
Poe reuniu em si um vórtice criativo do qual emergiram as bases de toda a ficção fantástica, qual seja, a ficção científica, a fantasia e o terror, além do romance de mistério e investigação. Como Poe tem um grande contingente de fãs, isso facilitou o trabalho de Maurício Montenegro e Ademir Pascale em reunir vinte e dois textos de autores de todo o Brasil nesta antologia comemorativa que se pretendia fosse publicada em 2009, mas acabou saindo no ano seguinte.
O conhecido escritor carioca Miguel Carqueija, autor de Farei meu destino (Giz, 2008), assina o prefácio, em que apresenta a vida e a obra de Poe. Ele também participa com um conto, "O quarto caso de Dupim", um texto simples, elegante e divertido no qual o detetive criado por Poe ajuda a polícia francesa a encontrar um empresário americano desaparecido em Paris. Um ótimo contraponto ao clima predominantemente funesto da antologia.
O volume também traz trabalhos dos dois organizadores e de Alex Lopes, Alícia Azevedo, André Catarinacho Boschi, Deborah O'Lins de Barros, Dimitry Usiel, Duda Falcão, Frank Bacurau, Georgette Silen, Gil Piva, Jocir Prandi, Kathia Brienza, Luicana Fátima, M. D. Amado, Mariana Albuquerque, Márson Alquati, O. A. Secatto, Ronaldo Luiz Souza, Roseli Princhatto Arruda Nuzzi e Thiago Félix.
Além do texto de Carqueija, também se destacam os contos comentados a seguir, nos quais os autores encontraram uma forma pessoal de homenagear Poe.
"Relíquia", de Duda Falcão, homenageia o conto "O gato preto", e narra a história de um menino curioso que visita uma espécie de show de aberrações literárias. Metalinguagem realizada com talento e sensibilidade poética, num estilo que lembra mais o estilo de Ray Bradbury – outro grande mestre da ficção fantástica.
"Um homem afortunado", de Kathia Brienza, embarca numa homenagem a "O barril de Amontillado", contando sobre um professor oportunista que progride na profissão às custas de trapaças. Ao ganhar um concurso de monografias acadêmicas roubando o trabalho de seu rival, sente que chegou ao ápice de sua carreira. Mas nem tudo vai ser sempre como ele deseja. Um ótimo trabalho, saboroso e bem realizado.
Mariana Albuquerque é um nome conhecido do fandom, participou de vários fanzines e antologias, e publicou os livros Coração de demônio (Writers) e O pássaro e o rochedo (Nativa). Ela assina "A máscara de Vênus", um texto curto que homenageia "A máscara da morte rubra", sendo a única ficção científica em todo o volume. Conta o que acontece ao que resta da civilização, refugiada na Antártida depois do fim do mundo. O conto que tem a melhor primeira frase da antologia: "No equador, os oceanos ferviam". Muito inspirador.
"Inferno no circo" é um conto simples e efetivo, dentro do que se pode esperar de uma homenagem a Poe, com a bem mais que emocionante estreia no circo do orangotango de "Os crimes da Rua Morgue". O autor, Jocir Prandi, é gaúcho de Vacaria e participou de várias antologias. Seu primeiro livro é Inspiração à beira do abismo (Evangraf).
"Louco, eu?", de Ademir Pascale, baseia-se no conto "O coração delator" e conta a história de um psicopata que acredita ver demônios e falar com animais. Apesar de previsível, é um trabalho bem redigido e tem um momento brilhante, quando o protagonista dialoga com fantasmas dos autores dos livros que lê.
Fecha a antologia o texto "Memórias póstumas de Edgar Allan Poe", de Roseli Princhatto Arruda Nuzzi, que não é exatamente um conto, mas uma biografia romanceada na qual um Poe desencarnado narra uma série de fatos de sua vida que podem ou não ser verdade, pois a credibilidade foi comprometida pela mistura com ficção.
Os demais trabalhos seguem uma narrativa algo recorrente, centrada na primeira pessoa e imitando, às vezes bem, o estilo de Poe, mas que resulta em histórias previsíveis e de pouco brilho próprio.
O livro é bem editado, com erros mínimos de revisão, e são homenageados vários outros contos do "Poeta Louco". É justamente esse diálogo com a obra maiúscula de Poe que "contamina" a antologia dando-lhe contornos nobres e clássicos.
Para quem conhece o trabalho de Edgar Allan Poe, a leitura de Poe 200 anos é divertida. Contudo, quem não conhece deve ler os textos originais do autor antes de embarcar nesta verdadeira tietagem literária pois, de outro modo, a maior parte da graça será perdida.
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sexta-feira, 26 de maio de 2023
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Mais lançamentos para conferir
Dia 22 de setembro, quarta feira, da 18h30 às 21h30, Álvaro Domingues, conhecido editor do blogue Pai Nerd, convida para o lançamento oficial de sua coletânea de contos Sombras e sonhos, publicada pela Balão Editorial. O evento acontece na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509, São Paulo).
O volume é a estreia literária de Domingues e foi apresentado ao público durante a IV FantastiCon, acontecida em agosto. É mais uma chance para os interessados em histórias fantásticas adquirirem o livro e cumprimentarem o simpático autor, que sempre se mostrou um grande incentivador do gênero.

E no mesmo local, no dia 16 de outubro, um sábado, das 15h30 às 18h30, rola o lançamento de Draculea: O retorno dos vampiros, volume II, nova antologia organizada por Ademir Pascale e publicada pela editora All Print.
O volume dá sequência ao trabalho de publicar contos inéditos nacionais de horror vampírico, tema que continua em pleno vigor.
Diz o relise de divulgação: "Ademir Pascale, no ano de 2009, teve a ideia de reunir um grupo de pessoas que revelassem os segredos dos vampiros na obra Draculea: O livro secreto dos vampiros. O livro foi um sucesso e muitos leitores se deliciaram com os segredos revelados, mas o que eles não imaginavam, era que eles poderiam retornar das tumbas, Transilvânia e dos esconderijos mais sombrios da Terra. Agora eles estão por toda parte, procuram por vingança, estão revoltados e furiosos como nunca."
Entre os autores publicados, as presenças ilustres de Adriano Siqueira e Lord A, autores amplamente identificados com o tema. Haverá coquetel para os convidados e a entrada é gratuita.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
Jadhy: O mistério dos símbolos

Eu não podia deixar passar essa. Encontrei a venda nas bancas o livro Jadhy: O mistério dos símbolos, romance de estreia do meu
amigo de longa data, Gilberto Camargo, com sua personagem favorita, a guerreira Jadhy, personagem emblemática dos quadrinhos brasileiros de fantasia, que teve muitas histórias publicadas em revistas e fanzines ao longo dos anos 1980 e 1990, inclusive no Hiperespaço.
A história mescla fantasia, ficção científica e erotismo para narrar a missão da linda guerreira Jadhy Kelerin, agente especial do planeta Darek, na busca por um conjunto de medalhões mágicos que podem revelar um poderoso artefato.
A publicação, ilustrada pelo autor, é da All Print Editora, e pode ser também adquirida diretamente com o mesmo, pelo e mail nccgilberto@ig.com.br.
Parabéns, Gilberto!
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
Lançamento de Zumbis
Domingo, dia 6 de junho, foi um dia turbulento em São Paulo. Com boa parte da cidade travada pela Parada Gay, o maior evento popular da cidade depois do carnaval e o segundo maior evento internacional - só perde para a GP de Fórmula 1 - era de se esperar alguma dificuldade para se chegar à luderia em que seria realizado o lançamento da antologia Zumbis, quem disse que eles estão mortos? promovido pela livraria Moon Shadows. Por isso mesmo, decidi ir de metrô. Não me arrependi, o caminho foi tranquilo e aproveitei para adiantar minhas leituras.



Cheguei às 17 horas, horário anunciado para o início dos trabalhos. Já lá estavam alguns dos envolvidos no livro e fui recebido pelo simpático casal organizador da antologia, Ademir Pascale e Elenir Alves, que foram logo me entregando um exemplar da antologia e pedindo para que eu autografasse os deles.

O divertido casal de agitadores culturais Rosana Raven e Iam Godoy, editores vários fanzines de horror, chegou cedo, e Iam foi logo se preparar para representar o morto-vivo de estimação do evento. A maquiagem ficou muito boa, como se pode ver na foto.
A noite foi chegando e o povo também. Dos autores publicados no livro, lá se reuniram Elenir Alves, Carlos Eduardo Lima Santos, Mario Carneiro Jr, Pedro Moreno, Mariana Albuquerque e Alex Mir. Outros podem ter chegado mais tarde, mas eu saí cedo e só consegui os autógrafos destes.
Pelas 18 horas chegaram o sempre bem humorado escritor e editor de fanzines Adriano Siqueira, e o prestativo Roberto de Sousa Causo, que me trouxe de presente exemplares da antologia Portal Fundação e da coletânea Paraíso líquido, de Luiz Brás.

A Ludus Luderia, onde aconteceu o encontro, é um lugar muito bacana e agradável, instalada na Rua 13 de Maio, com uma grande área descoberta muito bem aproveitada. Foi a primeira vez que fui a uma luderia e achei um programa bem legal.
Depois de muitas fotos (que podem ser vistas aqui e aqui) e troca de autógrafos, despedi-me do pessoal por volta das 19 horas, aproveitando a carona que Causo me ofereceu até o metrô. Acabamos empacados por quase uma hora num grande congestionamento na subida da Augusta, que tinha quase todas as suas travessas obstruídas. Mas o tempo foi muito bem aproveitado, numa caudalosa discussão sobre as propostas de Luiz Brás - pseudônimo do escritor Nelson de Oliveira - para que o mainstream assenhore-se do imaginário da ficção científica, tema que tem sido debatido amplamente em vários fóruns, embora os próprios autores de FC não saibam bem o que fazer com ele, eu inclusive.

Ainda estou tentando formar uma opinião, mas acho curioso que enquanto os autores brasileiros de FC&F sonham em ser aceitos pelo mainstream, Brás, que não tem dificuldade nenhuma com o mainstream, deseja ser um autor de FC. A diferença é que, para Brás, trata-se de um projeto artístico conceitual, enquanto que para a maioria dos autores brasileiros de FC&F o que interessa é um bom desempenho comercial. Não estão falando a mesma língua. Além do mais, a provocação de Luiz Brás é endereçada ao mainstream, não aos autores do fandom. Estes não precisam ser motivados e escrever FC, já o fazem por diletantismo. Contudo, Brás ainda é o único escritor mainstream que assumiu o arriscado projeto de se tornar um autor de FC em tempo integral. Os demais, que um dia enveredaram por esses caminhos capciosos, geralmente têm muita dificuldade em reconhecer que o fizeram.
No fim das contas, desembarquei na estação Consolação, ali mesmo na Paulista. A viagem de volta foi atribulada, com conduções lotadas, mas deu para ler alguns contos da antologia Zumbis e o posfácio de Edgar Indalécio Smaniotto, um ensaio sobre as origens da ideia do morto-vivo, na ciência e na literatura.
Apesar de cansativa, a ida ao lançamento foi proveitosa e muito divertida, o que me faz lamentar bastante não poder ser mais frequente nesses eventos. A antologia Zumbis, quem disse que eles estão mortos? também pode ser adquirida aqui.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Lançamento de Zumbis
Post rapidinho, quase um twitt, só para avisar que o lançamento da antologia Zumbis, organizada por Ademir Pascale para a editora All Print e cujo prefácio eu assinei, está com o lançamento marcado para o dia 6 de junho, a partir das 17 horas na Ludus Luderia, Bar e Café, Rua 13 de Maio, 972, Bela Vista, em São Paulo. O convite é público e espera-se a presença de vários dos autores selecionados. Vamos nessa!

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terça-feira, 27 de abril de 2010
Poe 200 anos

Há algumas semanas recebi um exemplar da antologia Poe 200 anos, organizada por Ademir Pascale e Maurício Montenegro, e publicada em 2010 pela editora All Print, em homenagem aos dois séculos do nascimento do escritor norteamericano Edgar Allan Poe. A efeméride em si foi comemorada em 2009, mas o livro só saiu mesmo em 2010.
A antologia foi extensamente divulgada na internet e eu já falei dela neste blogue. O prefácio é do autor carioca Miguel Carqueija, fã confesso do escritor, que também teve um conto publicado na antologia. Carqueija queria que eu resenhasse o livro aqui, mas eu vou reservar a resenha completa para o Anuário 2010, a ser publicado somente no ano que vem - agora em 2010 deverá sair a edição referente a 2009. Mas não vou deixar atender meu colega e fazer alguns comentários sobre o livro em questão.
Foram reunidos 22 trabalhos de qualidade irregular, a maior parte de autores com pouca experiência literária, mas isso não impediu que o resultado fosse bastante razoável. A maioria dos textos está bem escrito e como são contos curtos – o livro inteiro tem apenas 140 páginas – lê-se muito rapidamente.
Destaco quatro contos em especial: "A máscara de Vênus", a única ficção científica da antologia, em que um homem recria a civilização na Antártica depois do fim do mundo; "Relíquia", de Duda Falcão, fantasia metalinguística sobre um museu maravilhoso que reúne objetos raros capturados dos livros; "O homem afortunado", de Kathia Brienza, um conto cínico e bem humorado sobre um acadêmico que usa de trapaça para conquistar seus objetivos, e "O quarto caso de Dupin", justamente o conto de Carqueija, o mais longo da antologia, divertido e com um leve tom de farsa, no qual o famoso detetive resolve mais um caso pitoresco para a polícia francesa.
Muitos contos têm estilo e histórias parecidas, mas a grande sacada do livro, e que lha dá uma sustentação bastante significativa, é o fato de que cada autor determinou um conto de Poe para homenagear, criando um diálogo imediato entre os contos brasileiros e os clássicos do mestre, contaminando o livro com a aura de Poe. Há uma recorrência natural aos contos mais famosos do autor, como "O gato preto" ou "A queda da casa de Usher" mas, ainda assim, o resultado é uma leitura estimulante que dá vontade de ler e reler os textos originais de Poe. E isso é mérito mais que suficiente para esta antologia simpática e despretenciosa.
O livro pode ser encomendado no saite da editora, aqui.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
2009 é o ano das antologias

Organizador de diversas antologias recentes de literatura fantástica, das quais já foram publicadas Draculea: O livro secreto dos vampiros e Invasão, Ademir Pascale anunciou a montagem de um novo título, deste vez de fantasia: No mundo dos cavaleiros e dragões. A publicação deve acontecer através da editora All Print, que tem sido muito receptiva ao gênero. A ótima escritora Regina Drumond (Receitas práticas de magia, O destino de uma jovem maga, Amor vampiro, Rumo à Alemanha) foi convidada para escrever o prefácio, e os escritores Leandro Reis (Filhos de Galagh) e Rober Pinheiro (Lordes de Thargor, o vale de Eldor) já estão pré-selecionados. Quem quiser submeter algum trabalho, pode se informar aqui. Boa sorte.
Ao mesmo tempo, Pascale anunciou a data do lançamento da antologia Metamorfose - A fúria dos lobisomens: dia 19 de dezembro, a partir das 18h30 no Bardo Batata (R. Bela Cintra, 1333, São Paulo).

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