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quinta-feira, 6 de março de 2014

Agenda: Luiz Bras no SBC Geek

No próximo sábado, dia 8 de março, acontece mais um encontro de fãs da cultura nerd, o SBC Geek, promovido pela Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo.
Além de exibições de animes, seriados de tv, jogos de tabuleiro, RPG, videogames e espaço de trocas para colecionadores, esta edição do encontro receberá para um bate-papo o escritor de ficção científica Luiz Bras, autor da coletânea Paraíso Líquido e do romance Sozinho do deserto extremo, entre outros ótimos livros.
O evento acontece das 13 às 17 horas na Biblioteca de Arte Ilva Aceto Maranesi – localizada na Pinacoteca de São Bernardo, que fica na Rua Kara, 105, Jardim do Mar, São Bernardo do Campo (tel. 11 4125-2379). A entrada é franca.
A programação detalhada pode ser vista no Fanzine do SBC Geek, que pode ser lido online ou baixado gratuitamente aqui.
Mais informações na fanpage do SBC Geek.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Final de Lost

Há alguns dias, o meu amigo Ivan Carlo fez alguns comentários em seu blogue Ideias do Jeca Tatu, sobre o final do seriado Lost, que aconteceu há alguns meses e galvanizou o interesse da audiência no mundo inteiro. Nos fóruns de discussão na internet, rolavam dezenas de teorias sobre os significados dos detalhes dessa história, que foi uma das mais criativas que a televisão já contou.
Eu também pretendia falar a respeito aqui, mas quis dar algum distanciamento para que as pessoas não fossem surpreendidas por revelações inoportunas que eu fizesse. Acredito que isso já é possível mas, caso você ainda não tenha visto o final do seriado e não quiser ser surpreendido por alguma revelação que eu inadvertidamente venha a fazer adiante, pare de ler agora. Se não, siga em frente por sua conta e risco.
Produzido pela ABC nos Estados Unidos e exibido no Brasil pela AXN, Lost contou a história de um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo numa paradisíaca ilha do Pacífico sul, um lugar onde se manifestam fenômenos incomuns ligados a natureza magnética da Terra, que interferem no continuum espaço-tempo e impedem que as equipes de resgate a alcancem. Além do mais, essa ilha sem nome é habitada por nativos muito agressivos, que já exterminaram outros grupos humanos que por lá desembarcaram.
O seriado teve uma produção de arte luxuosa e um enorme elenco de atores internacionais, entre os quais o brasileiro Rodrigo Santoro. O estilo narrativo também era incomum, abusando de flashbacks e flashfowards que causavam um nível de estranhamento raramente visto na televisão e mesmo no cinema.
Esperava-se que a sexta e última temporada desse foco a todos os enigmas mostrados desde os episódios iniciais. Tive receio que os roteiristas insistissem em fechar a trama, reduzindo a profundidade da história ao nível de uma medíocre aventura hollywoodiana. Por sorte, isso não aconteceu. O final foi tão aberto e subjetivo que permitiu aos expectadores interpretarem-no conforme suas próprias percepções, da mesma forma que o fizeram ao longo de todo o seriado. Vi pelo menos meia dúzia de interpretações diferentes para o final da história, todas válidas sobre determinados pontos de vista, o que prova que a indefinição dos autores foi intencional. Eu, é claro, também tenho a minha.
No final da quinta temporada, um evento de natureza cósmica, envolvendo a detonação de uma improvável bomba atômica na superfície da ilha, vinculou esta realidade com uma outra, alternativa, na qual a ilha desapareceu no oceano e o acidente aéreo que deu origem à história nunca aconteceu. Cada um dos personagens tem um duplo nessa realidade alternativa, com uma história de vida já diferente mesmo antes da época em que o acidente aconteceu na realidade da ilha.
A sexta temporada narra, com a inovação de flashs dessa realidade alternativa (chamados de flashsideways) mesclados à sequência dos fatos na ilha original, como aqueles duplos despertam para as duas realidades e "seguem adiante" depois que suas vidas na ilha são reveladas.
Alguns espectadores interpretaram que essa realidade alternativa seria uma espécie de purgatório, onde as almas dos mortos na ilha passariam por uma depuração e poderiam avançar para o próximo plano. Outros consideram que todos os personagens teriam morrido no acidente aéreo, e que a ilha seria o purgatório; os que nela morressem passariam então para a tal realidade alternativa, um plano superior mais ameno e perfeito, e seguiriam adiante sabe-se lá para onde.
Na minha opinião, prefiro não considerar qualquer leitura gnóstica da história. Desde o inicio, Lost me pareceu ser um seriado de ficção científica que não comportava leituras espiritualistas. Por isso, preferi outro tipo de interpretação.
Na minha visão, as duas realidades não são planos espirituais de um mesmo universo, não estão vinculados fisicamente e não têm qualquer relação cronológica. Ambas são reais e coexistem num multiverso de realidades alternativas possíveis, dentre as quais apenas uma deve se sustentar.
Da mesma forma que nós podemos ver a Lua por completo, mas não podemos visualizar o planeta onde vivemos, os personagens não podem ter uma visão geral da própria realidade. Mas por causa do vínculo entre as duas realidades, os duplos do universo alternativo conseguem, a certa altura, perceber integralmente as vidas de seus alter-egos na dramática realidade da ilha. E concluem que as vidas que lá tiveram são melhores do que as de sua própria realidade, que o universo em que a ilha continua é melhor do que aquele no qual vivem.
Todo esse plano parece ter sido engendrado por Jacob, um homem misterioso que vive na ilha há milhares de anos. Ele articulou, ao longo de dezenas ou talvez centenas de anos, uma intrincada cadeia de eventos cuidadosamente controlados envolvendo os dois universos, cuja interação resultaria no único e suficiente colapso quântico que garantiria a sobrevivência da ilha.
Uma das leituras possíveis do final redentor do seriado, seria que os duplos do universo alternativo, convencidos do valor de suas vidas no plano cósmico de Jacob, tenham escolhido migrar para o universo da ilha, passando por tudo o que já sabem que acontecerá lá. Eles são conduzidos por Jacob, na imagem de um dos personagens da história - cujo nome revelador é Christian Shephard - e acordam na ilha, logo depois do acidente, esquecidos de suas vidas alternativas, para viverem então a realidade que escolheram.
Apenas quatro dos acidentados na ilha, vão conseguir restaurar suas memórias do universo alternativo e, com isso, também a visão ampla de suas próprias vidas no universo da ilha: Juliet, obstetra que já vivia na ilha antes do acidente, e que acionou o artefato nuclear que vinculou as duas realidades; Desmond, que tem a inexplicável capacidade de sobreviver a campos magnéticos intensos e que é o personagem-chave na tarefa de vincular os dois universos; Jack, o cirurgião depressivo que primeiro aceita a tarefa de proteger a ilha e morre enfrentando a poderosa nêmesis de Jacob, o homem-fumaça; e Hurley, o esquizofrênico gentil que sucede Jack como protetor da ilha. No caso dos dois últimos, o modo como eles restauram suas memórias alternativas é bebendo a água especial, energizada pela natureza da ilha.
Cabe aqui lembrar que Desmond, depois de sobreviver a um grande acidente eletromagnético na segunda temporada, ganhou por algum tempo a capacidade de perceber flashs do futuro: eram as memórias de seu duplo alternativo já aflorando.
A história de Lost dialoga com várias outras peças do gênero fantástico, em especial com a saga A torre negra, de Stephen King, o romance O homem do castelo alto, de Philip K. Dick, e o romance O senhor das moscas, de Willian Golding, entre outros. A propósito, referências literárias é o que não falta em Lost.
Mesmo assim, independente da interpretação do final do seriado, muitos dos detalhes da história ficaram sem explicação convincente. Os autores afirmaram que a história da ilha não era prioridade na série, mas a história dos personagens. Por isso, muito do que não foi contado em Lost poderia voltar a pauta. Tenho certeza que os produtores retomarão Lost, seja em um longa de cinema, em alguma outra série ou mesmo em livros, e algumas dessas questões abertas talvez sejam então melhor apresentadas.
Mas, mesmo que não o façam, esses mistérios continuarão a fazer parte da mitologia do seriado. Da mesma forma que estou aqui rediscutido o assunto agora, vão alimentar conversas e debates ao longo do tempo, ampliando interpretações a cada vez que o seriado for reprisado na TV.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lembrando do que nunca aconteceu


O grande evento da FC internacional no momento não é o longa supervitaminado Avatar, de James Cameron. Nem um novo livro de Willian Gibson ou a nova HQ de Moebius. É a nova temporada de Lost, seriado televisivo norteamericano produzido pela ABC e exibido no Brasil pela AXN.
Desde a sua estreia em 2004, Lost vem intrigando os expectadores com sua história multifacetada, construída inicialmente a partir de flashbacks, com uma grande quantidade de personagens apaixonantes que, depois de sobreviver milagrosamente a um acidente aéreo numa ilha no Pacífico sul, além dos dramas convencionais das histórias de náufragos, encontram um ambiente exótico que mistura fantasia e ficção científica, a princípio um tanto casualmente, mas que vai ficando cada vez mais importante na trama.
Foi apresentada uma tal quantidade de mistérios nas duas primeiras temporadas, que muitos expectadores criticaram-na duramente, sugerindo que seu autor, o cineasta J. J. Abrams, nunca poderia dar uma explicação satisfatória para tudo o que foi mostrado.
Mas a maioria dos expectadores está se lixando para as explicações, porque o que realmente interessa é ver o que vai acontecer com aquele bando de maravilhosos infelizes.
Abrams usou o grande trunfo de não apresentar, logo de cara, a verdadeira natureza da ilha onde o avião despencou. Tal como nos longa metragens Alucinações do passado (Jacob's ladder, 1990), Clube da luta (Fight club, 1999) e A vila (The village, 2004), o enredo de Lost está subordinado a um dado prévio, deliberadamente omitido, que turva a compreensão que o expectador tem dos fatos. No caso destes filmes, a revelação final acrescenta brilho a trama, e é isso que se espera também de Lost.
Em sua sexta temporada, Lost assumiu o inegável rótulo de ficção científica, sendo provavelmente o melhor seriado de TV produzido desde Além da imaginação (Twilight zone). Suas ponderações sobre a natureza do tempo e do espaço avançam temerariamente sobre o imponderável plano da ciência quântica, algo que dito deste forma pode fazer parecer que ninguém vai mesmo entender seja lá qual for a solução apresentada. Mas não é o que está acontecendo.
O roteiro extremamente bem montado e inteligente, aos poucos vai refinando o foco na história que, no processo, faz uma infinidade de referências que levam os fãs à loucura.
Abrams também joga com uma série de possibilidades dramatúrgicas, espalhando peças de curta metragem para serem vistas em celulares ou na internet, que podem ou não revelar detalhes importantes.
Também ousou ferramentas narrativas inovadoras, como o flashfoward (lembranças do futuro) e o flashsideway, (recordações de uma outra realidade). Parece mesmo que Abrams está obcecado por viagens no tempo e universos paralelos, que ele também inseriu no seu outro seriado de TV, Fringe, e no longa que fez em 2009 para a franquia Star Trek.
A temporada promete explicar quase tudo nos 17 episódios desta que é sua temporada conclusiva. Cada capítulo conta um segredo, embora na maior parte da vezes não explique nada de verdade.
Os capítulos inéditos de Lost são exibidos pela AXN nas noites de terça-feira, às 21 horas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um prêmio para fãs persistentes


Esta semana o canal de TV a cabo Warner exibiu o que eu considero o melhor episódio até este momento de todas as temporadas da série Smallville que, em tese, conta os primeiros anos da vida do Superman. Trata-se do 11º episódio da nona temporada, chamado "Absolute justice".
Como Smallville é uma versão completamente diferente daquela contada nos quadrinhos, o grande apelo do seriado é justamente conferir as versões que os roteiristas deram aos muitos super-heróis e supervilões que orbitam a existência do homem de aço desde a sua infância - porque, afinal, quem é que está realmente interessado nos desencontros amorosos de Clark Kent?
Então já vimos, por exemplo, Aquaman, Flash, Ciborgue, Zatanna, Supergirl, Brainiac, Metallo, Apocalipse, Legião do Super-Heróis, Ajax e Arqueiro Verde, os dois últimos são personagens regulares na série. De uma forma geral, todos se apresentaram em outro contexto e formato, bem diverso daquele que nos acostumamos a ver nos gibis, não raro conservando deles apenas leves referências. Dessa forma, a cidade engarrafada de Kandor, por exemplo, virou um orbe com códigos DNA e Morgan Edge, que nos gibis chegou a ser o dono do Planeta Diário, virou apenas um gangster de quinta categoria, Superboy nunca existiu, e Superman, de roupas e sobretudo negros, é chamado apenas como O Borrão (Blur).

Porém, desta vez, os roteiristas não economizaram. "Absolute justice" conta como Clark – que ainda não se tornou o Superman –, Arqueiro Verde e Chloe são contatados por um antigo grupo de heróis legados a clandestinidade desde os anos 1960. Considerados criminosos e segregados da sociedade, eles voltam a cena quando começam a ser assassinados misteriosamente. Apesar de ilegais, eles mantiveram seus laços; nunca deixaram de vigiar os acontecimentos em Metrópolis e sabem tudo sobre Clarke e seus amigos. Quem são esses misteriosos vigilantes? Ninguém, menos que a própria Liga da Justiça da América. Similaridades com o clássico Watchmen não são coincidências.

O episódio apresenta emocionantes versões "como no gibi" de Sandman, Pantera Negra, Dr. Destino, Lanterna Verde e Gavião Negro, além de alguns personagens que não sei dizer se são novas criações ou versões de heróis menos conhecidos, como Stargirl e Star Spangled Kid.

Na esquecida sede da LJA, um lindo quadro com todos os antigos membros que certamente deve ter levado muitos fãs às lágrimas, a indefectível mesa redonda e um museu com as relíquias dos heróis mortos, onde podemos ver a lanterna do Lanterna Verde, o elmo de Joel Cometa e o capacete rachado da Mulher Gavião, entre outras coisas. A participação de Gavião Negro e Dr. Destino são arrebatadoras, com ótimos efeitos especiais e boa interpretação dos atores.
O apisódio não é conclusivo e prometeu uma segunda parte, mas este ano a Warner tem seguido o esquema de passar duas reprises para cada episódio inédito, por isso não tenho certeza se a sequência virá na semana que vem. De qualquer forma, estes e outros episódios pululam na internet, como por exemplo aqui, onde podem ser vistos online com legendas, assim como outros seriados e filmes.
Como a imagem de divulgação da nona temporada de Smallville mostra Darkside, fica a expectativa pela estreia dos personagens do Quarto Mundo de Jack Kirby na saga televisiva do Homem de Aço. Quem sabe, ainda veremos Batman e Mulher Maravilha também. A esperança é a última que morre.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Surface


Durante algumas semanas de novembro, a Rede Brasil, emissora de televisão que tem em sua grade diversas séries antigas, como Perdidos no espaço, Arquivo X e Lois and Clark, exibiu uma série que para mim era uma completa novidade. Trata-se de Surface, produção de 2005 – não tão antiga portanto – que passou batida pela TV brasileira. Há notícias que seus 15 episódios tenham sido exibidos pela Record e pela Universal, mas confesso que eu nunca tinha ouvido falar. A história é curiosa e bem desenvolvida, com efeitos especiais eficientes.
Conta o que acontece com a oceanógrafa Dra. Laura Daughtery que, num mergulho de pesquisa, observa um novo tipo de animal marinho de grande porte. Mas, quando divulga a descoberta, é ridicularizada pelos demais pesquisadores e perde sua graduação acadêmica. Isolada, Laura alia-se ao vendedor de seguros Rich Connelly, que testemunhou a morte do irmão num ataque do mesmo monstro e quer certificar-se de que não está louco. Juntos, partem em busca de provas irrefutáveis da existência do animal.

Enquanto isso, o jovem estudante secundarista Miles Barbett encontra um estranho ovo na beira do mar e resolve chocá-lo. Nasce um tipo de réptil marinho que ele decide criar em segredo, como animal de estimação. O bicho, ao qual ele dá o nome de Nimrod, tem a capacidade de emitir descargas elétricas fortes e é bastante inteligente, mas também muito agressivo. Atacado na praia por um grupo de animais semelhantes a Nimrod, Miles tem seu organismo contaminado com o DNA das criaturas e começa e desenvolver poderes esquisitos.

Com Miles esforçando-se na difícil missão de manter Nimrod longe dos olhos da família e dos cientistas do instituto oceanográfico, Laura e Rich realizam uma nova incursão de pesquisa submarina num batiscafo experimental, mas o barco que comanda o mergulho é atacado por supostos agentes do governo e o aparelho despenca para 4000 metros de profundidade, sem possibilidade de resgate. Encalhados em meio a um berçário dos monstros abissais, Laura e Rich aproveitam para filmar as criaturas. Quando o ar está para acabar, são acidentalmente arremessados para a superfície por um dos monstros.
Recolhidos por um helicóptero de resgate depois de alguns dias a deriva no mar, Laura divulga o filme em um programa de TV, mas é novamente ridicularizada. Não obstante, agentes secretos perseguem-na aparentemente interessados em ocultar algum grande segredo relacionado à descoberta. Os motivos, só podemos especular: o seriado ficou apenas na primeira temporada e termina quando um tsunami gigante faz submergir a costa leste dos EUA, espalhando as gigantescas criaturas pelo território inundado.
O destaque do seriado é a linda atriz Lake Bell, que interpreta a Dra. Laura Daughtery, expressiva e segura nas cenas dramáticas, em contraste ao ator Jay Ferguson, no papel de Rich Connelly, de interpretação afetada e irritante. Carter Jenkins faz Miles Barbett, o garoto mutante que, em vários momentos, eu desejei que fosse devorado pelos monstrengos. Num papel secundário, mas de importância para a trama, aparece ainda a conhecida atriz Marta Plimpton, a Stef de Os Goonies.

Enquanto assistia o seriado, ficava imaginando como não seria legal se fosse uma versão moderna para A guerra das salamandras (War with the newts, 1936), clássico da ficção científica de autoria do escritor checo Karel Capek, considerado em muitas listas como um dos dez melhores romances de FC já escritos.
Vale a pena procurar pelos episódios de Surface na internet ou em DVD, pois a história é boa e dialoga com uma série de referências da literatura e da cultura pop, ainda que eu passasse muito bem sem o chatonildo do Miles.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Warehouse 13


Segunda-feira, dia 26 de outubro, a Warner levou ao ar o primeiro episódio do seriado Warehouse 13, que me pegou de surpresa. Eu estava assistindo a estreia da segunda temporada de The mentalist e assim que este acabou, fui capturado por monte de explosões de luz que me fizeram ficar ligado até a uma da madrugada. Eram as cenas de presentação do novo seriado, que eu classificaria como um híbrido de Arquivo X e Os caçafantasmas.
A história de Warehouse 13 começa numa exposição de arte asteca num museu na capital norte-americana, na noite em que o presidente dos EUA vai visitá-la. Um forte esquema de segurança é instalado, mas o agente Peter Lattimer sente que algo não vai bem. Uma peça em exposição está emanando vibrações estranhas, que influenciam um dos funcionários do museu que nessa condição tenta assassinar o presidente. Enquanto a agente Myka Bering, responsável pelo esquema de segurança, detém o agressor, o agente "sensitivo" remove a peça da exposição, mas acaba rendido por um homem estranho que, utilizando-se de um equipamento misterioso, desaparece do local com o artefato.
Mais tarde, sob pressão do FBI que exige informações sobre o destino da escultura roubada, o agente Lattimer recebe a visita de uma estranha mulher que se identifica como sendo a Sra. Frederick da Segurança Nacional, que lhe entrega uma ordem federal para que ele se apresente no dia seguinte num certo lugar da Dakota do Sul. Quando ele chega lá, encontra um galpão enorme, aparentemente abandonado no meio do nada. Enquanto espera à porta que alguém o atenda, um outro carro chega, trazendo a agente Bering. Eles não se dão muito bem a princípio e nenhum deles imagina o que vão fazer ali. Surge então por detrás deles o mesmo homem que havia desaparecido com o artefato asteca, vestido de forma extravagante e carregando um equipamento desconhecido e de função misteriosa. Ele se apresenta como o encarregado do depósito Arthur "Artie" Nielsen e, enquanto os leva para dentro, explica que agora eles fazem parte de uma equipe secreta especial encarregada de recolher e armazenar artefatos que possam colocar a segurança nacional em risco. O depósito está repleto desses artefatos, alguns tecnológicos, outros mágicos, e talvez até alienígenas.
A imagem geral do interior do gigantesco galpão, que tem diversos níveis, é a do grande depósito visto no final de Os caçadores da arca perdida, onde foi armazenada a Arca da Aliança. Ele explica que esta é a 13ª encarnação do depósito, que existe desde tempos antigos. A 12ª versão teria sido instalada nos EUA por Nicola Tesla, M.C. Escher e Thomas Edison, mas como um incêndio a destruiu, foi construída a nova instalação. Finalmente, ele encarrega os relutantes agentes de sua primeira missão, que é investigar um estranho caso de demência de um jovem, que agrediu a namorada.
A premissa é interessante e pressupõe possibilidades criativas para futuros enredos, com histórias de terror, fantasia e ficção científica, viagens no tempo, realidade alternativa e uma bem vinda dose de steampunk. Porém, o desenvolvimento da primeira missão dos dois agentes não é muito animador. Há um constante clima de farsa que não se decide entre o dramático e o cômico. Por exemplo, os agentes têm que carregar para lá e para cá, um balde cheio de um estranho líquido que, só porque o autor do seriado quer, tem a capacidade de anular o poder de todo e qualquer artefato, seja lá qual for. A natureza do tal departamento super-secreto que sequer tem um nome reporta ao seriado satírico The Middleman, e a própria interpretação dos atores pressupõe uma comicidade contida.
Não há muito mais o que avaliar sobre o seriado neste momento. Episódios de estreia são geralmente introdutórios, servem para contextualizar e apresentar os personagens. Algumas vezes eles vão além e também contam uma boa história, que não foi o caso de Warehouse 13, que tem um jeitão de Buffy, a caçavampiros. Mas isso não quer dizer que o seriado não fique legal mais adiante, porque afinal de contas a ideia é muito boa. Informações na internet dão conta de uma grande audiência nos EUA para o seriado, especialmente do público feminino. Talvez os próximos episódios insiram alguma tensão romântica no casal de agentes.
Tudo muito legal, mas bem que poderia passar um pouquinho mais cedo, né?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Galeria do Sobrenatural

Este livro eu ainda não vi, mas me parece garantido recomendá-lo, devido aos autores relacionados. Trata-se da antologia Galeria do Sobrenatural - Jornadas além da imaginação, organizada por Silvio Alexandre para a Editora Terracota.
O objetivo da antologia é comemorar os cinquenta anos da série de televisão Além da imaginação (Twilight zone), produzida e apresentada por Rod Serling na década de 1960. Então é de se esperar histórias exóticas com aquele finalzinho que faz a cabeça virar.
A seleta conta com trabalhos de Andréa Del Fuego, Braulio Tavares, Cavani Rosas, Cláudio Villa, Danny Marks, Fábio Fernandes, Giulia Moon, Jana Lauxen, Lucio Manfredi, Luis Filipe Silva, Márcia Olivieri, Mario Carneiro Jr., Max Mallmann, Miguel Carqueija, Octávio Aragão, Regina Drummond, Shirley Souza e Tatiana Alves.
O lançamento acontece no próximo dia 31 de outubro, a partir das 15 horas na Livraria Martins Fontes, Av. Paulista, 509, em São Paulo, quando devem comparecer alguns dos autores publicados. Na oportunidade, a jornalista Fernanda Furquim vai conduzir um batepapo sobre o seriado, depois da apresentação do episódio piloto, de 1959.

sábado, 3 de outubro de 2009

Perdidos no espaço


Muito por acaso, topei com a reprise do clássico seriado de FC Perdidos no espaço (Lost in space), produção dos anos 1960 da CBS que foi parte importante de minha juventude, junto com uma porção de outras coisas úteis e inúteis que consumi ao longo da vida.
O seriado conta as aventuras da Família Robinson, enviada numa espaçonave em forma de disco para colonizar um planeta distante, que perdeu no espaço sideral depois que um sabotador interferiu no computador de bordo.
Raramente tenho interesse de rever seriados antigos porque geralmente me decepciono com a aparência ou a linguagem deles aos meus olhos de adulto. Já não foi nem uma nem duas vezes que fiquei espantado com a falta de qualidade de um seriado que, décadas atrás, me parecia tão legal.
Um dos raros casos em que eu suportei bem as reprises, inclusive curtindo os defeitos especiais, foi o seriado Jornada nas estrelas, mais ou menos da mesma época de Perdidos no espaço, mas que na época fazia muito menos sucesso. Suas histórias mais cerebrais, com meninas de minissaias e beijos interraciais, jogava a exibição para altas horas de madrugada e raramente eu conseguia assistir a um episódio. A minha curiosidade pelos episódios perdidos me animava e eu acabei vendo todas as temporadas de ST mais de uma vez.
Perdidos no espaço, contudo, eu devo ter visto tudo na época. Era exibido em horário nobre, aos domingos, e no final dos anos 1960 era um grande sucesso da TV. Embora todos os aparelhos receptores fossem preto e branco, tinha até gente que jurava ver cores durante a exibição, tal era o fascínio pelo seriado. Por anos evitei rever qualquer episódio, porque tinha certeza que iria detestar e estragar as boas recordações do mesmo. Cai do cavalo.
Perdidos no espaço é tão bom hoje como foi há 40 anos. A interpretação magistral do elenco, especialmente do impagável Jonathan Harris como Dr. Smith, é divertidíssima. Aliás, um elenco que é colírio para os olhos de homens e mulheres; e o robô ainda guarda todo o carisma que tinha então.
As história são delicadas e inocentes, os efeitos visuais são funcionais e as vezes até surpreendem. E as fantasia grotescas dos alienígenas reportam aos clássicos monstros da Universal. Outro ponto alto é a trilha sonora que tem um vigor dramático intenso. A antiga dublagem é perfeita e ainda bem que a mantiveram.
Os episódios são exibidos às 7 horas da manhã pela Rede Brasil (canal 14 da operadora Net) e não consigo sair para o trabalho sem ver o final dramático de cada episódio, com o famoso gancho para o seguinte, com um dos protagonistas em situação de perigo.
Esta semana, uma pequena pérola, foi exibido o antológico episódio "A guerra dos robôs", da primeira temporada, toda produzida em preto em branco. Robby, o robô negro de O planeta proibido, contracena com o elenco e por algum tempo torna-se o robô da família Robinson.
Sei que a primeira temporada é, de fato, mais caprichada que as outras (foram três ao todo) mas, mesmo assim, é um feito que um seriado de FC de pouquíssimos recursos técnicos sob os atuais padrões, consiga ainda entreter nesse nível de qualidade. Minha filha Fernanda, de apenas 10 anos, acompanhou um desses episódios com extremo interesse.
Portanto, eis aqui um seriado que vale a pena ver. Não importa a idade, quando o que se pretende é um bom seriado de aventuras.
Um ótimo contraponto ao lamentável Harper's Island, recentemente exibido pelo SBT, que eu só assisti de teimoso. Mas este é melhor nem comentar.