sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Lançamento: Destruidor sombrio, A. E. van Vogt

Depois de mais de um ano sem novidades, o editor Rubens Angelo, do saite SciFi Tropical, apresenta mais um volume de sua Biblioteca dos Livros Impossíveis, coleção de ebooks com histórias de ficção científica pré Golden Age. Trata-se de Destruidor Sombrio (Black destroyer), do canadense Alfred Elton van Vogt, publicado originalmente em 1939 nas páginas da revista Astounding SF.
Diz o texto de apreentação: "Exploradores intrépidos pousam em um planeta alienígena para investigar as ruínas de uma cidade antiga. Eles acham que estão sozinhos, mas não estão. A partir daí os exploradores e cientistas se veem confrontados com uma criatura alienígena que irá desafiar a humanidade até o limite." 
Os títulos anteriores da coleção são: A máquina pensante, de J. J. Connington, Eu, robô, de Eando Binder, A curiosa experiência de Thomas Dunbar, de Gertrude Barrows e O reinado do super-homem, de Herbert Fine.
Cada edição tem cerca de 45 páginas, com um prefácio contextualizando o trabalho e algumas ilustrações.
Os ebooks são ofertados em arquivos pdf diagramados para leitura na tela de smartphones
E os leitores que adquirirem o exemplar, por módicos R$3,00, terão acesso a em grupo exclusivo para discutir o livro.
Para adquirir Destruidor sombrio e outras edições da coleção, visite a página do projeto, aqui.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Resenha: As crônicas da Unifenda

As crônicas da Unifenda
, André Caniato, Jana Bianchi & AJ Oliveira. Pontes Jestal: Plutão, 2020.

As crônicas da Unifenda é uma antologia de contos de fantasia de autores brasileiros, surgida a partir de uma dinâmica realizada durante uma mesa redonda no evento literário Flipop, em 2018, voltada a falar sobre a criação de mundos. A discussão foi mediada pelos escritores Jana Bianchi e AJ Oliveira, com participações dos também escritores Eric Novello, Eduardo Cilto e todo o público presente. No ato, foi proposto o seguinte tema: "E se uma fenda temporal surgisse no céu e desse poderes estranhos às pessoas próximas?" 
A partir dessa proposição, foi se construindo um enredo geral colaborativo que se definiu pelo cenário de uma universidade localizada na Ilha de Marajó – a tal Unifenda – voltada para a formação de jovens com habilidades incomuns geradas pelos eflúveos de uma "fenda temporal" surgida sobre o local. 
Após o encerramento da mesa – cuja gravação pode ser acompanhada aqui –, ficou no ar a proposta para uma antologia de contos nesse universo, que acabou por ser publicada pela Editora Plutão dois anos depois, organizada pelos mesmos escritores que mediaram a mesa redonda em 2018, Jana Bianchi e AJ Oliveira, com a participação do editor André Caniato. Muitos contos foram submetidos aos organizadores, que selecionaram quatorze textos.
O conto que abre a seleta é "O último ponto", de Camila Loricchio, monólogo da motorista do fretado da Unifenda. O texto serve como introdução ao ambiente, preparando o leitor para os textos seguintes. 
Em "É semideus, é seminu", Ana Victória Costa conta os problemas e ansiedades de estudantes da Unifenda na realização de uma festa junina. 
"Arquipélago e outros anteparos", de Auryo Jotha, conta um drama de salvamento depois que uma estudante sensitiva antecipa o afogamento de um menino. 
"A fenda tá fechando", de Mary C. Müller, trata de um detalhe complementar ao universo da Unifenda criado ainda durante a mesa redonda, que seria o fato de tal fenda dimensional estar se fechando, o que talvez poderia suspender todas as habilidades dos jovens super-heróis. 
"A versão perfeita de mim mesmo", de Denys Schmitt, conta sobre um jovem estudante que rejeita as próprias habilidades, até encontrar alguém que pode ajudá-lo a seguir adiante. 
"Predador", de Isa Prospero, é uma história de mistério sobre alguém que estaria usando suas habilidades para estuprar garotas da universidade. 
"Monocromático", de Vitor Nassar, conta sobre os problemas de um jovem cujo poder é fazer tudo a sua volta ficar em preto e branco. 
"O nosso tempo é feito de espera" de Roberta Spindler, toma uma jovem que não pode dormir para contar sobre a preservação dos mitos da floresta.
"Uma noite no elevador", de Camila Costa, conta sobre duas jovens de poderes aparentemente inconciliáveis que se encontrarm presas dentro do elevador e acabam ficando mais que amigas. 
"O ciclo da vida", de Tau Nagy, também aborda os mitos da floresta a partir de uma irmandade, não exatamente legal, de estudantes e graduados da Unifenda.
"Quantas novalginas você já tomou hoje?", de Pedro Poeira, conta o esforço de um grupo de estudantes em um seminário, sendo que um deles tem a habilidade de voltar ao passado para melhorar a apresentação. 
"Dissonâncias", de Eric Novello, é um compilado de relatórios da psicóloga da Unifenda sobre alguns de seus pacientes mais problemáticos. 
"Edição de amanhã", de AJ Oliveira, usa de um conceito recorrente na ficção fantástica, no qual um estudante tem o poder da clarividência. 
"Tipos de pessoa", de Jana Bianchi, também faz uso da viagem no tempo para abrir um diálogo entre duas estudantes separadas por vinte anos. 
A antologia tem o mérito de ser bastante regular, nenhum texto se destaca com evidência,embora se observe exemplos de ousadia formal em alguns dos autores. A maior parte das histórias se desenvolve em torno de algum tipo de relação homoafetiva, de um ponto de vista bastante individual. Nenhum dos contos se preocupou em desenvolver as relações sócio-políticas de uma instituição como essa num país de terceiro mundo como o Brasil e como isso alteraria o equilíbrio geopolítico internacional. Também não se interessaram em explicar o que seria essa tal "fenda temporal", por que ela daria poderes às pessoas e, afinal, qual qualificação seria necessária para um professor universitário ensinar alguma coisa para estudantes dotados de superpoderes? Como seria o TCC dessa galera? Para onde esses superestudantes iriam após a formatura? Quem controlaria esse exército disfuncional? Alguma força do governo brasileiro, a ONU, o professor Charles Xavier?
Criar universos não é tão difícil nem misterioso, que o digam os jogadores de RPG. O problema é dar-lhes consistência, ainda mais quando se trata de um mundo que ainda guarda relação com a realidade em que vivemos, como é o caso do mundo de As crônicas de Unifenda. Talvez possam surgir novos trabalhos que esclareçam esses aspectos em futuras publicações da franquia, ou talvez seja só mesmo uma interessante curiosidade pedagógica.
As crônicas de Unifenda pode ser adquirida no site da Editora Plutão ou lida gratuitamente no aplicativo BibliOn.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Lançamento: O chamado de Cthulhu

O chamado de Cthulhu
é o quarto volume da série em quadrinhos do expressivo mangaká Gou Tanabe, que adapta os textos do mestre do horror cósmico H. P. Lovecraft. As edições anteriores foram O cão de caça e outras histórias, A cor que caiu do espaço e O habitante da escuridão
Diz o texto de divulgação: "Em O chamado de Cthulhu é revelada a existência de um culto maligno que adora uma criatura que vive além dos confins do espaço e do tempo. Após a morte de seu tio-avô, Francis Thurston assume a investigação dele sobre essa seita misteriosa – o que pode levá-lo a ter a sua sanidade consumida para sempre." 
A edição tem 288 páginas, tradução de Luis Libaneo e é uma publicação da editora Companhia das Letras pelo selo JBC.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Filamentos

Filamentos
é um programa de leitura coletiva crítica com foco na ecologia que, desde 2022, atua através da internet em grupos de discussão, encontros virtuais e festivais, e já rendeu o livro Filamentos: Leituras ecológicas comentadas - Diário de campo, da escritora e pesquisadora Ana Rüsche, publicado em 2025 pela Editora Bandeirola. Rüsche também assina a curadoria do programa.
Diz o texto de apresentação: "Com encontros mensais, estruturados a partir da leitura de obras clássicas e contemporâneas de ficção e não ficção, são aprofundados temas nevrálgicos sobre a questão ecológica e a crise climática. Nos últimos quatro anos estivemos em contato com uma bibliografia atualíssima e impactante, discutindo textos teóricos e literários de forma concomitante, tudo para aguçar os sentidos, provocar estranhamentos, desfocar a obviedade do olhar para atingir mais longe e com mais clareza."
Filamentos mantém um programa de arrecadação permanente, através do qual os interessados podem se juntar ao grupo e ter acesso às discussões e aos eventos promovidos. O objetivo é "conseguir o apoio necessário para manter a pesquisa, a produção do pensamento independente e reflexivo. E ampliar ao máximo o alcance da discussão de tema tão urgente quanto o da crise climática". O projeto oferece descontos para professores das redes pública e privada.
Mais informações, bem como a programação do projeto para 2026, podem ser encontradas aqui.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Em campanha: Fã-autor, Mayara Barros

Fã-autor: Experiências colaborativas e criativas no universo das fanfics
é a tese de mestrado da pesquisadora Mayara Barros que está em uma campanha de financiamento direto. Trata-se de um estudo a respeito da produção de fanfics, atividade que se expandiu explosivamente a partir do advento da internet e das redes sociais.
Não que a prática seja uma novidade: desde o início do século XX que os fãs apaixonados por alguns tipos de literatura praticam a arte de se apropriar de seus universos favoritos para criar novas histórias, usando os mesmos personagens da aventura original ou aproveitando apenas sua ambientação, criando todo um novo núcleo dramático. Talvez o caso mais significativo e longevo dessa prática sejam as fanfics de Sherlock Holmes, algumas cometidas por fãs muito famosos, como Jô Soares, por exemplo.  Depois vieram fanfics do seriado de tv Star Trek, das séries de fantasia O senhor dos Aneis e Harry Potter, e a coisa toda só tem crescido, inclusive no Brasil. E é justamente esse o foco da pesquisa. 
Diz o texto de apresentação da obra: "O livro mapeia práticas narrativas, criativas e colaborativas possíveis na cultura digital a partir da relação dos fãs com os produtos de entretenimento no universo das fanfictions brasileiras. A partir de conceitos de cultura do fã, cultura participativa, teorias literárias e cognição atuada, a autora faz uma etnografia virtual para analisar as fanfics selecionadas e entrevistar os autores, numa tentativa de demonstrar que a prática da fanfic é dialógica, criativa e intertextual por natureza. Por ser um mergulho no universo dos fãs brasileiros, mostrando como a relação com o entretenimento pode ser mais profunda do que muitos assumem, esta obra é para todos que têm interesse em entender um pouco mais sobre as relações entre fãs e criatividade."
Mayara Barros é Doutora em Comunicação Social pelo PPGCOM/UERJ, escritora, ilustradora e designer de jogos. É autora da coletânea de contos Caleidoscópio (2016, Illuminare) e integra a equipe podcast Andarilhos do Imaginário
A publicação terá 96 páginas e publicação pela Editora Appris. Apoios podem ser confirmados até o dia 19 de fevereiro, aqui.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Bandeirola para todos

A mulher e o estranho: Narrativas do insólito, antologia com contos de escritoras nacionais e internacionais, organizada e traduzida pelo pesquisador paraibano Braulio Tavares, e a coletânea Mistérios! Crimes de quarto fechado, com contos de mistério do escritor paulista Carlos Orsi, depois de uma bem sucedida campanha de financiamento direto, estão agora em pré-venda. 
A mulher e o estranho tem 144 páginas com textos de Emilia Freitas, Emilia Pardo Bazán, Kate Chopin, Katherine Mansfield, Madeline Yale Wynne, May Sinclair, Vernon Lee e Virginia Woolf, "escritoras geniais que deram voz às mulheres do final do século XIX ao início do século XX. Feministas, ativistas contra a guerra, essas autoras marcaram suas vidas com ousadias e ótimas histórias". 
Mistérios! tem 192 páginas e traz, com tradução é de Baulio Tavares, sete contos originalmente escritos em inglês, verdadeiros quebra-cabeças das histórias de crime, além de uma entrevista com Orsi.
Se você está entre os que não apoiaram a campanha, agora é a sua chance. Ambos os volumes estão disponíveis no saite da Editora Bandeirola, aqui. Trechos das obras podem ser lidos online gratuitamente.

Juvenatrix 279

Está disponível a edição de fevereiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em dezesseis páginas, traz uma história em quadrinhos de Beralto e Angelo Junior, e resenhas aos filmes Interzone (1989) e O humanoide (1979), assinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.