segunda-feira, 13 de julho de 2026

Resenha: A vida das nebulosas, Olaf Stapledon

A vida das nebulosas
(Nebula maker), Olaf Stapledon, 168 páginas. Tradução de Gustavo Terranova Aversa. São Paulo: Andarilho, 2025. 

O mais interessante em se vasculhar peças artísticas anteriores à estruturação de um modelo comercial para um gênero é encontar propostas inovadoras que não tiveram continuidade. Ideias ousadas, não raro arriscadas, que navegam águas desconhecidas e perigosas e podiam em poucas palavras deixar de ser um coisa para se tornar outra. Nem todos os leitores gostam disso, pois essa instabilidade temática traz uma certa insegurança quanto aos parâmetros desejáveis num produto de consumo. No caso da ficção científica, falamos de qualquer coisa anterior ao final da década de 1930, a partir de quando se estabeleceu a chamada Era de Ouro da FC, que estabeleceu a maior parte dos protocolos do gênero pelos editores das revistas pulp.
O escritor inglês Olaf Stapledon (1886-1950) é um desses pioneiros do gênero. Pacifista e Doutor em Filosofia ela Universidade de Liverpool, quando trabalhou temas ligados à Ética, mas foi na fc que encontrou terreno fértil para desenvolver suas teses. Não foi um autor de muitos livros, tendo escrito pouco mais de uma dúzia de obras de ficção. A novela A vida das nebulosas (Nebula maker), escrita por volta de 1933 mas só publicada em 1976, foi uma espécie de rascunho para outro de seus romances, o bem mais conhecido Criador de estrelas (Star maker), de 1937.*
A vida das nebulosas ganhou edição no Brasil em 2025, pela Editora Andarilho, com tradução de Gustavo Terranova Aversa. Está dividida em quinze capítulos, separados em quatro momentos: "O surgimento do universo e das nebulosas" (5 capítulos); "A natureza física, mental e social das nebulosas" (3 capítulos); "As guerras cósmicas e as lideranças dissidentes" (5 capítulos) e "O fim da era das nebulosas" (2 capítulos). 
A narração é incomum: não há diálogos, tudo é contado através da intermediação de um narrador onisciente. Sua mente viaja através das eras até os primeiros momentos do contínuo espaço-tempo e o surgimento dos objetos cósmicos primitivos. 
O testemunho é dado em tom de sofrimento, pois o narrador não consegue abster-se de sua visão, que é insuportavelmente lenta para os padrões da percepção humana. Ele é obrigado a acompanhar cada momento através de bilhões de anos de evolução, até o aparecimento das nebulosas primitivas. Testemunha o surgimento da inteligência nesses belos e curiosos objetos cósmicos, que apresentam diversos modos de ser e existir. Algumas nebulosas são autocontidas, separadas do resto do universo por distâncias impossíveis, enquanto outras vivem em pequenos agrupamentos e desenvolvem uma relação social entre si. A sociedade das nebulosas floresce, desenvolve linguagem, cultura e tecnologias. Mas, dentre estas, há um tipo em especial, que são as nebulosas predadoras, que movem uma campanha de subjugação sobre as demais e, logo, toda a sociedade das nebulosas enfrenta guerras e morte, com seus heróis e mártires, até o inevitável fim. 
Trata-se, portanto, de uma peça sui-generis dentro da ficção científica, que se espraia entre o ensaio filosófico e a fábula, e diz muito mais sobre o ser humano do que sobre as nebulosas. Um texto a ser lido, sem dúvida, principalmente para que gosta de experimentar os diversos caminhos abandonados pelo desenvolvimento da ficção científica comercial.
Stapledon é considerado um dos grandes da ficção científica mundial e, em 2014, foi incluido no Science Fiction and Fantasy Hall of Fame. 

* Criador de estrelas, publicado em 2021 pela Editora Skull.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Lançamento: Contos do Reino Perigoso, J. R. R. Tolkien

Depois das adaptações do cinema, Tolkien se tornou um poderso caçaníqueis para editores ao redor do mundo. Além de republicações de seus livros principais, surgiram novos textos, reescritos por seus herdeiros, que buscam a todo custo ampliar o mundo criado pelo autor inglês. 
Mas Tolkien não escreveu apenas histórias passadas na Terra-Média. Há uma série de outros livros do autor que não recebem a mesma atenção dos editores. 
Contos do Reino Perigoso é uma coletânea de novelas e contos não necessariamente ligados a Saga do Anel, que mostram outros viézes da obra tolkenia. 
Diz o texto de apresentação: "Contos do Reino Perigoso reúne pela primeira vez em um único volume as histórias mais imaginativas (e muitas vezes esquecidas) do mestre da fantasia, J.R.R. Tolkien: os clássicos infantis 'Roverando', 'Mestre Giles d’Aldeia' e 'Ferreiro do Bosque Maior', o conto 'Folha de Cisco' e uma tradução inédita do livro de poemas 'As aventuras de Tom Bombadil'. A edição ganha vida com as inconfundíveis ilustrações à lápis de Alan Lee, artista vencedor do Oscar que também assina o posfácio. O livro também inclui uma introdução do tolkienista Tom Shippey e o aclamado ensaio 'Sobre estórias de fadas', que oferecem aos fãs da Terra-Média e entusiastas da fantasia uma visão fascinante da genialidade de Tolkien e seu processo criativo."
O volume tem 432 páginas, tradução de Cristina Casagrande, Reinaldo José Lopes e Rosana Rios e é uma publicação da editora HarperCollins Brasil.



terça-feira, 7 de julho de 2026

Leo Protheus

"O detetive Leo Protheus vaga por uma São Paulo pós-guerra nuclear portando pistola de raios e acompanhado de uma secretária de pernas biônicas. Encontra pelo caminho um traficante de armas modificado para parecer um sátiro, um jagunço com mão de metal, androides em clubes noturnos, femme fatales cibernéticas, seguranças-robôs, carros voadores, poder econômico criminalizado e ausência do Estado."
Este é o texto de apresentação do álbum em quadrinhos Leo Preotheus e a Ultra Defesa, criação do roteirista Julio Emílio Braz com as ilustrações barrocas de Mike Deodato Jr, produzida num período em que os artistas brasileiros ainda estavam flertando com as editoras estrangeiras. A aventura saiu originalmente em 1990 na revista Seleções BD da editora portuguesa Meribérica-Liber, depois, em 1996, com  título próprio pela americana Caliber, e seguia inédita no Brasil. 
A editora independente Excelsior Quadrinhos recupera a obra em uma edição especial que, além das aventuras de "Protheus", apresenta também os nove episódios da série "Megalópolis", de 1998, que a antecedeu. Traz ainda, entrevistas com Braz e Deodato, e um prefácio do pesquisador Roberto de Sousa Causo. 
Não encontrei quase nada sobre a editora na internet, então é bem provável que ela não tenha loja própria, mas a publicação pode ser encontrada no saite O Martelo, aqui.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Crônicas Tentaculares 1

Está em campanha de financiamento direto o primeiro número da revista em quadrinhos Crônicas Tentaculares, publicação do selo FantasticHub, que tem uma linha editorial voltada à ficção Weird
Crônicas Tentaculares se articula a outros títulos similares da editora: Crônicas Hiborianas, com histórias do bárbaro Amra; Crônicas Pulp, com histórias de diversos personagens em domínio público; e Crônicas Míticas, que faz uma ponte entre as demais, com aventuras que se passam entre a Era Hiboriana e a era dos mitos humanos.
Diz o texto de apresentação: "Uma viagem pelas eras esquecidas da Terra; muito antes da humanidade erguer suas primeiras cidades, muito antes dos impérios, das religiões e dos mitos, houve uma época em que entidades inimagináveis caminhavam livremente pelo mundo. Seres antigos, vastos e incompreensíveis, cujos nomes sobreviveram apenas em fragmentos de lendas, pesadelos e escritos proibidos".
Crônicas tentaculares traz uma aventura de 32 páginas da personagem Explorador, um viajante entre tempos e realidades, com roteiro de Escriba Collares e Ilustrações de Eduardo Cardenas. 
Para apoiar e garantir um exemplar, visite a página do projeto, aqui, até o dia 17 de julho de 2026.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Lançamento: Planeta parasita, Stanley G. Weinbaum

O saite SciFi Tropical, editado por Rubens Angelo, apresenta mais um volume de sua Biblioteca dos Livros Impossíveis, coleção de ebooks com histórias de ficção científica pré Golden Age. Trata-se do conto Planeta parasita (Parasit planet), do escritor americano Stanley G. Weinbaum (1902-1935), publicado originalmente em 1935 no periódico Astounding.
Diz o texto do apresentação: "Em Planeta parasita, conhecemos o aventureiro Hamilton 'Ham' Hammond, que enfrenta perigosos seres que fazem parte da fauna e flora de Vênus, um planeta com severas condições climáticas."
Os títulos anteriores da coleção são: A máquina pensante, de J. J. Connington, Eu, robô, de Eando Binder, A curiosa experiência de Thomas Dunbar, de Gertrude Barrows, O reinado do super-homem, de Herbert Fine, Destruidor sombrio, de A. E. van Vogt, e O homem atomo, G. Paytom Wertenbaker.
Os ebooks são ofertados em arquivos pdf diagramados para leitura na tela de smartphones. Para adquirir esta e outras edições da coleção, visite a página do projeto, aqui.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Lançamento: A original, Brandon Sanderson & Mary Robinett Kowal

"Em um futuro não muito distante, a humanidade conquistou a longevidade por meio de nanitos injetáveis que circulam pelo corpo, reparando danos e prolongando a vida indefinidamente, desde que se submetam aos check-ins semanais nas Estações de Renovação. Aqueles que deixam de comparecer às renovações ou desafiam o sistema arriscam-se a serem “editados” por um governo onipresente capaz de monitorar, modificar e até apagar identidades. Quando Holly Winseed desperta em um quarto de hospital sem memórias e com uma nova identidade imposta, descobre que se tornou uma Réplica Provisória. Agentes do governo lhe dão uma única semana para cumprir uma missão impossível: encontrar e eliminar sua Original, acusada de assassinar seu marido, Jonathan. Se tiver sucesso, herdará seu lugar na sociedade. Se fracassar, deixará de existir."
Este é o texto de apresentação de A original (The original), romance de ficção científica publicado em 2020, do escritor americano Brandon Sanderson em parceria com a também americana Mary Robinette Kowal.
A original tem 144 páginas, e publicação pela Editora Trama, com a data de lançamento agendada para ‎julho de 2026. O nome do responsável pela tradução não foi divulgado.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Lançamento: Mistério na Igreja Antiga, Simone Saueressig & Eduardo Ribas

Mistério na Igreja Antiga
é mais uma criação da escritora gaúcha Simone Saueressig porém, neste caso, em parceria com o ilustrador Eduardo Ribas. Trata-se de um álbum em quadrinhos, que busca homenagear a história da Igreja Antiga de Campo Bom, e faz parte das suas ações do Restauro.
Diz o texto de apresentação: "Transformar as memórias, as curiosidades e a importância desse bem material em uma história em quadrinhos é uma forma muito bacana de garantir que as novas gerações se conectem com o patrimônio da sua própria cidade."
Saueressig assina o roteiro e Ribas, os desenhos, com produção da Simples Assim. Foram produzidas cinco mil unidades, que "serão distribuídas gratuitamente nas escolas da região, unindo leitura, arte e educação patrimonial na sala de aula."
O projeto conta com o financiamento do Pró-Cultura RS, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e não será colocado à venda. Mas merece o registro.