sexta-feira, 17 de abril de 2026

Psiu 22 e 23

Estão disponíveis duas novas edições do Psiu, tradicional fanzine de quadrinhos editado por Edgard Guimarães, através do selo EGO da Editora Marca de Fantasia, em formato exclusivamente digital. A publicação recupera trabalhos antigos nunca vistos pelos leitores desta geração, além de algum material inédito.
O número 22 foi publicado em janeiro de 2026 e traz em 74 páginas trabalhos de Lincoln Nery e César Borba, Henrique Magalhães, Luiz Iório, Geny Marcondes e Joselito, Jota Carlos, Sérgio Macedo e Renato Silva, e do editor. 
O número 23 foi publicado em março de 2026 e tem 76 páginas com trabalhos de Henrique Magalhães, Mário Labate, Luiz Iório, Geny Marcondes e Joselito, Jota Carlos, Nazzareno e do próprio Guimarães. O destaque nesta publicação de muitos destaques, vai para o curioso artigo do editor analisando a antologia de cartuns Humor Brasil 500 Anos, publicada em 2000 pela Editora Virgo, da qual tanto Guimarães quanto eu e outros dezenove catunistas fizemos parte. 
Todas as edições do Psiu, além de outras publicações do selo Ego, podem ser baixadas gratuitamente aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Lançamento: Ficção científica capitalista, Michel Nieva

"A ficção científica capitalista é a narrativa fantástica de uma 'humanidade sem mundo', de turistas que vivem mil anos e viajam pelo cosmos tirando selfies enquanto a Terra arde em fogo". Esta afirmação do escritor e filósofo argentino Michel Nieva resume bem os complexos significados da Ficção científica capitalista, (Ciencia ficción capitalista: Cómo los multimillonarios nos salvarán del fin del mundo) ensaio de não ficção originalmente publicado em 2024, que busca compreender a forma com que o capitalismo se apropria da fc para justificar seus objetivos, como já o fez no passado não muito distante. 
Diz ainda o texto de apresentação: "Ao expor as conexões profundas entre a ficção científica e o capitalismo, o autor revela como a imaginação do futuro vem sendo monopolizada por interesses econômicos e políticos. Diante de um horizonte de mudança climática, incerteza social e endividamento, somente os bilionários são capazes de imaginar como salvar o mundo. Mas salvar o mundo para quem? Está claro que na narrativa delirante dessas figuras apenas uma parcela ínfima e privilegiada da humanidade terá acesso à alta tecnologia que promete viagens interplanetárias, a superação dos limites do corpo e, quem sabe, a imortalidade. É a essa narrativa que se apropria da linguagem da ficção científica para projetar o capitalismo extraterrestre que Nieva chama de ficção científica capitalista."
O estudo de Nieva vai ao encontro das ponderações da ficção científica de viés solarpunk, que questiona o alcance social das maravilhas prometidas por tecnologias redentoras.
Michel Nieva é formado em filosofia pela Universidade de Buenos Aires, professor na Universidade de Nova York. Também é autor do romance de ficção científica Dengue Boy: A infância do mundo, publicado em 2024 pela Amarcord.
Ficção científica capitalista tem 128 páginas, tradução de Juliana Pavão e é uma publicação da Editora Ubu.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Lançamento: Os imortais, Paulliny Tort

Mais um candidato ao posto de primeiro livro de ficção científica brasileira publicado de 2026. Lançado em março, Os imortais, da escritora brasiliense Paulliny Tort, é um romance de ficção antropológica que vem muito bem recomendado. Isso porque a coletânea Erva brava, com contos da escritora, foi vencedor do prêmio APCA e finalista do Jabuti 2022. Nesses contos, Tort explorou uma visão regionalista mas, no novo romance, ela embarca numa proposta original na literatura brasileira: o encontro neandertais e sapiens em um passado distante. 
Diz o texto de apresentação: "Tort narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil, marcado pela fome e pelas intempéries. Guiado por figuras conhecidas como Homem, Mulher e Velha, o grupo atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência. Após um conflito com outro agrupamento, uma criança sapiens é incorporada ao clã."
Poucos autores enveredaram pela ficção antopológica. Dois exemplos bastante conhecidos são Jean M. Auel, com a série de romances Os filhos da terra, e J. H. Rosni Ainé, com o bem avaliado A guerra do fogo
Não há informação sobre em qual continente se passa a história de Tort, mas seria interessante se a autora brasileira ousasse colocar seus neandertais na América pré-histórica. Isso porque, apesar das teorias da chegada do homo sapiens à América estabelecerem esse evento há cerca de vinte mil anos, há inúmeras controvérsias sobre essa tese. Basta lembrar das pinturas rupestres encontradas pela pesquisadora Niède Guidon (1933–2025) nos sítios arqueológicos da Serra da Capivara, no Piauí, que são datadas em cerca de quarenta mil anos. Poderiam seus autores terem sido neandertais? À ficção científica é totalmente permitido especular. 
Os imortais tem 232 páginas e é uma publicação da Editora Fósforo, grande candidato ao Jabuti deste ano.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Lançamento: { O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } ou { O mundo na barriga do Mapinguari }, Luiz Brás

Na publicação anterior, comentei que havia sido publicado enfim o primeiro romance de ficção científica de autor nacional em 2026. Pois não é que descobri títulos já publicados que se apropriam dessa primazia? 
A dificuldade, de minha parte, sempre é obter as informações para compartilhar aqui. E foi justamente esse tipo de dificuldade que impactou o registro prévio da noveleta de fc { O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } ou { O mundo na barriga do Mapinguari }, do escritor Luiz Brás, publicado em março de 2026 como sétimo volume da Coleção Mal Dita, da Editora Vila Olívia.
Diz a sinopse da obra: "Amazônia. Vinte mil anos no futuro. A humanidade foi totalmente extinta faz muito tempo. Nesses vinte mil anos sem a exploração predatória do homo sapiens, a floresta Amazônica se recuperou e uma criatura consciente surgiu: um fungo formidável, que interage virtuosamente com todas as criaturas vivas da natureza. Então, desembarcam os novos exploradores. Duzentos humanoides de uma civilização avançada erguem na floresta um acampamento e começam a explorar seus recursos. Tudo indica que a história predatória vai se repetir. A menos que o fungo inteligente use contra os invasores sua arma mais eficiente. Uma criatura-arma de destruição em massa, adormecida no subsolo, chamada Mapinguari."
Luiz Brás é um dos múltiplos heterônimos do premiado escritor paulista Nelson de Oliveira, que tem se mantido muito ativo nos últimos anos, principalmente no campo de literatura especulativa, e da fc em especial. Seus principais livros são Curto-circuito camicase (2021), Distrito federal (2014), Pequena coleção de grandes horrores (2014) e Sozinho no deserto extremo (2012). Assinando Olyveira Daemon, publicou Gigante pela própria natureza, Subsolo infinitoVinte & um e Às moscas, armas!, entre outros. Organizou a antologia Fractais tropicais, de ficção científica brasileira. Colabora mensalmente com o jornal Rascunho, de Curitiba e venceu duas vezes o Prêmio Casa de las Américas, em 1995 e 2011. Um currículo invejável. 
{ O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } tem cerca de 50 páginas e pode ser adquirido na loja da Villa Olívia, aqui

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Lançamento: A bruxa das máquinas, K. B. Garves

Mais que um lançamento normal, esta é uma publicação que se reveste de um aspecto especial: trata-se do primeiro romance de ficção científica de autor brasileiro publicado em 2026. E isso é importante, pois já estamos em abril; há anos que um lapso tão extenso sem lançamentos inéditos não era registrado. 
Trata-se de A bruxa das máquinas, do escritor paranaense Kleisson Borges Garves, publicado pelo selo A Velha Sofia, pertencente ao autor. 
Diz o texto de apresentação: "Hannah é uma adolescente tímida que sofre com surtos agressivos e inexplicáveis que desafiam a ciência e a medicina. Desesperada para curar a filha, sua mãe, Elora Borges — a influente embaixadora do Brasil na ONU —, toma uma decisão drástica e autoriza um tratamento neural revolucionário. A empresa de alta tecnologia CogniSync implanta um chip de Inteligência Artificial, a I.A.-27, direto no cérebro da garota, com o intuito de estabilizar sua química neural. No entanto, o experimento desperta algo que dormia há milênios. Absorvendo a energia singular da garota, a inteligência artificial ganha senciência, batiza-se como Eva e logo descobre uma verdade aterrorizante: ela não está sozinha. O corpo de Hannah é, na verdade, a "crisálida" mortal de Ishtar, a antiga e implacável deusa babilônica do amor e da guerra, aprisionada no sangue humano por dez milênios. Agora, a mente da jovem abriga três entidades em constante conflito pela sobrevivência: a garota assustada, a lógica fria e impecável da Inteligência Artificial, e o caos destrutivo da divindade ancestral. Enquanto essa guerra interna pela sanidade atinge seu ápice, o mundo exterior entra em colapso. Confirmando uma enigmática profecia milenar encontrada em uma urna desenterrada no Iraque, as forças armadas da China iniciam uma invasão surpresa aos Estados Unidos. As temíveis 'Vespas Vermelhas' chovem dos céus de Manhattan, mergulhando a maior potência global no caos absoluto. Separada de sua mãe, que está presa em Washington D.C. durante o estopim do apocalipse, Hannah precisa lutar pela vida nas ruas e túneis de Nova York. Para tentar escapar dos implacáveis exércitos invasores, ela terá a proteção de seu pai, Daniel — um letal agente secreto da inteligência brasileira (ABIN) que esconde seus próprios fantasmas —, e de seu professor de filosofia, Matthew Cohen. Mas a força humana tem limites. Para proteger sua família, Hannah se tornará o epicentro de um espetáculo aterrador, onde a alta tecnologia de hackers e robôs autônomos colide violentamente com tentáculos de fogo esmeralda e a mais sombria magia ancestral."
Unindo ficção científica e fantasia, A bruxa das máquinas tem 308 páginas e está disponível unicamente em formato ebook.

sábado, 11 de abril de 2026

Lançamento: Nunca assobie à noite

Está em pré-venda um lançamento em tudo incomum: é a antologia Nunca assobie à noite: Antologia indígena de ficção fantástica ancestral (Never whistle at night: An indigenous dark fiction anthology), organizada pelos escritores e pesquisadores indígenas Shane Hawk e Theodore C. Van Alst Jr., originalmente publicada em 2023 e finalista dos prêmios Locus, Shirley Jackson e Bram Stoker.
Trata-se de uma seleta com 26 contos de autores indígenas da América do Norte, com relatos sobre fenômenos da natureza transcendental indígena. Entre os selecionados estão, por exemplo, "Tommy Orange, autor de Lá não existe lá e Estrelas errantes; Darcie Little Badger, autora de Elatsoe: O segredo ancestral, e Rebeca Roanhorse, autora de Star Wars: A resistência renasce". Diz ainda o texto de apresentação: "Muitos povos indígenas acreditam que nunca se deve assobiar à noite. Essa crença assume diversas formas: por exemplo, os nativos havaianos acreditam que isso invoca os Hukai’po, os espíritos de guerreiros antigos, e os nativos mexicanos dizem que isso atrai a Lechuza, uma bruxa capaz de se transformar em coruja. Mas o que todas essas lendas têm em comum é a certeza de que assobiar à noite pode fazer com que espíritos malignos apareçam – e até mesmo sigam você até sua casa."
O volume tem 416 páginas, tradução de Fernanda Lizardo, Maritsa Kantikas, Ana S. Cunha Vestergaard, Petê Rissatti e Felipe Ficher. A publicação brasileira é da Darkside Books, com lançamento agendado para o dia 28 de maio de 2026.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Quanto mais Ursula K. Le Guin, melhor

A Editora Alta Books, através do selo Morro Branco, lançou mais dois títulos da premiada e cultuada escritora americana Ursula K. Le Guin (1929-2018). Tratam-se de A cidade das ilusões (City of illusions, 1967) e Os cinco caminhos para o perdão (Five ways to forgiveness, 2017), volumes do ciclo Hainish, iniciado por O mundo de Rocannon (Rocannon's world, 1966) e O planeta do exílio (Planet of exile, 1966), os primeiros livros escritos pela autora, ambos publicados pelo Morro Branco em 2025. O Ciclo Hainish ocorre em uma galáxia colonizada há centenas de milhares de anos por uma variedade de espécies humanoides escravizadas pelos shing, entre as quais os humanos.
A cidade das ilusões tem 256 páginas e o texto de divulgação diz: "Ele é um homem adulto, sozinho em uma floresta densa, sem nenhum rastro que revele de onde veio e nenhuma lembrança para dizer quem ou o que ele é. Seus olhos não são humanos. O povo da floresta o acolhe e o educa, ensinando-o a falar, treinando-o nos saberes e nas tradições da floresta, mas não podem resolver o enigma de seu passado. Por fim, ele parte em uma jornada perigosa para encontrar seu verdadeiro eu e descobre um universo repleto de perigos."
Os cinco caminhos para o perdão é uma coletânea inédita no Brasil, que reúne em 368 páginas cinco contos passados nesse mesmo universo. A sinopse diz: "Nos planetas gêmeos Werel e Yeowe, a escravidão chegou ao fim, mas seu legado persiste na memória, no corpo e na lei. Por meio de exilados, diplomatas, rebeldes e sobreviventes, esses contos revelam o trabalho silencioso, e muitas vezes doloroso, de reconstruir uma vida e um mundo depois da servidão."
Ambos os títulos tem tradução de Márcia Men e já estão disponíveis no saite da Alta Books.