sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O alquimista mangá

O escritor carioca Paulo Coelho é uma daquelas sumidades sobre a qual não há consenso. Seu fenomenal sucesso tanto no Brasil quanto no mercado internacional não parece ser suficiente para convencer seus críticos da qualidade de seus escritos. 
Talvez também não seja agora que o escritor carioca consiga agradar a  todos, mas certamente uma boa quantidade de leitores vai olhar a sua novela de fantasia de 1988 com um pouco mais de carinho. O selo JBC da Editora Companhia das Letras anunciou o lançamento de uma edição em quadrinhos de O alquimista, adaptado pela mangaká Tamaki Nakamura, que faz parte de uma coleção japonesa dedicada a adaptar para os quadrinhos grandes clássicos da literatura mundial. O grifo é justificado. O alquimista está na lista dos livros mais vendidos do mundo, com cerca de 65 milhões de exemplares (números de 2021, agora deve ser bem mais). É o único título escrito originalmente em português a fazer parte dessa lista.
Diz o texto de apresentação: "Um jovem pastor da região de Andaluzia, na Espanha, parte em busca de um tesouro no Egito, iniciando uma jornada inspiradora de autodescoberta que envolve espiritualidade, sabedoria e misticismo."
Esta não é a primeira vez que a novela atrai a atenção dos quadrinhistas. O alquimista teve uma edição de 1994 ilustrada pelo lendário artista francês Moebius (publicada no Brasil pela Rocco em 1995), e também uma adaptação nacional em quadrinhos, pelo ilustrador Alexandre Jubran, publicada em 1993 pela Record. Em 2010 chegou a ser anunciada uma segunda adaptação pela HarperCollins, com ilustrações de Daniel Sampere, que parece não ter sido publicada por aqui (mas é possível encontrar em inglês).
O mangá de O alquimista tem 296 páginas, tradução de Caio Pacheco e está em pré-venda aqui, com data de lançamento agendada para 31 de agosto deste ano.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Lançamento: Yamato na terra do moa, André Nemésio

"Durante uma expedição científica na exuberante Mata Atlântica do sul da Bahia, o biólogo Andrei desaparece sem deixar vestígios. Quando se vê em uma praia habitada por moas — aves gigantes extintas há séculos — ele acredita estar diante da maior descoberta científica da história. Mas esse é apenas o primeiro de uma sucessão de acontecimentos improváveis. Usando o conhecimento científico, o protagonista logo percebe que está em um local onde a história natural seguiu um rumo diferente. Ao lado de outros desaparecidos que compartilham o mesmo destino, encontra algo que não deveria estar ali: o encouraçado japonês Yamato, um colosso da Segunda Guerra Mundial, repousa ancorado naquela costa, aparentemente à espera de sua tripulação. Ao reencontrarem o caminho para casa, porém, não encontram celebração, mas desconfiança. O retorno do Yamato desencadeia uma crise internacional sem precedentes. Enquanto governos disputam o controle da embarcação e de seus segredos, Andrei percebe que a maior batalha talvez não seja militar nem política, mas a tentativa de impedir que a humanidade repita os mesmos erros que marcaram sua própria história."
Este é o texto de apresentação de Yamato na terra do moa, romance de ficção científica do escritor mineiro André Nemésio, que une especulação científica à fatos da história e da pré-história.
André Nemésio é cientista, escritor e divulgador científico. É professor da Universidade Federal de Uberlândia e atua nas áreas de biodiversidade, evolução e história natural. É autor de outros dois romances: Convergentes: Ecos do Pleistoceno (2024) e Crônicas do Cretáceo: O tempo antes de nós (2020), que combinam paleontologia, astrobiologia e especulação científica.
Yamato na terra do moa tem 461 páginas, edição da Melopsittacus Publicações Científicas e está disponível aqui em forma de ebook.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Lançamento: Novos desertos, Leonardo Nahoum

"Esqueça as naves reluzentes e os futuros utópicos. Inspirados na chamada 'New Wave' da ficção científica, Novos Desertos nos leva a um universo onde a expansão pelo cosmos apenas amplificou as carências, os medos e as angústias da condição humana. Os desertos aqui não são de areia, mas de silêncio. O deserto da comunicação entre espécies que só conseguem sentir dor ao se encontrarem. O deserto de colônias abandonadas, onde soldados e prostitutas questionam o sentido de suas vidas em meio à decadência. O deserto de um amor perdido, cuja ausência ecoa pela vastidão de um sistema solar."
Este foi o texto de apresentação da campanha de financiamento direto que viabilizou a publicação de Novos desertos, coletânea com dez contos de ficção científica do escritor fluminense Leonardo Nahoum, todos escritos entre 1988 e 1990, publicados em fanzines e antologias.
Nahoum é professor, doutor em em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, e autor do jogo de RPG Tagmar. Seu conto "O controlador" foi selecionado pelo pesquisador Roberto de Sousa Causo para compor a antologia Os melhores contos brasileiros de ficção científica: Fronteiras, publicado em 2010 pela Devir. 
Novos desertos tem 188 páginas e é uma publicação do selo Rio Neon da Acaso Cultural, e já está disponível no saite da editora, aqui.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Voltando ao escambau

Depois de dois anos ausente, a revista Escabanáutica – publicação do Coletivo Escambau inteiramente dedicada à literatura fantástica brasileira produzida por novos autores – apresentou sua décima terceira edição, a primeira do quarto ano de publicação. 
A edição anterior, noticiada aqui, saiu em dezembro de 2023. Já esta nova edição aparece com data de dezembro de 2025, ou seja, já tem mais de sete meses desde seu lançamento. A irregularidade é justificada no editorial de Moacir Fio, em que confessa as dificuldade que passou no período com a perda dolorida de seu pai. Esse tipo de situação é determinante em projetos alternativos, quase sempre interrompidos por questões de natureza pessoal de seus editores. 
Mas sendo Escabanaútica a melhor revista de ficção fantástica dos últimos anos, vale a pena buscar por esta nova edição temporã, que traz os contos 'Três voltas', de Danilo Heitor, no qual um jovem é levado repetidamente para um entre-mundos onde encara o seu passado; a cada viagem, ele traz uma semente, que o tio ensina a plantar como forma de cultivar as memórias e as origens. 'Todo rio há de correr', de Caíne Sampaio, conta a história de Gabi, que sempre fora filha da Vila e nunca perdoou sua irmã por recusar a magia do lugar. Mas agora, precisará lidar com esse reencontro. E 'R$ 20.000,00 pela cabeça de dona Berta', de Auryo Jotha, no qual Dona Berta, que precisou abandonar sua antiga vida e se esconder por vinte anos, deixa o exílio ao descobrir que o neto foi assassinado. Viva ou morta, Dona Berta terá sua vingança."
A edição tem 81 páginas, capa de Júpiter com as cores de Nathália Pimentel, e pode ser adquirida aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

sábado, 15 de agosto de 2026

Relançamento: A estranha máquina extraviada, José J. Veiga

Depois de um grande hiato, a editora Companhia das Letras retoma a publicação da coleção especial em homenagem ao c escritor goiano José J. Veiga (1915-1999) com uma das suas mais importantes coletâneas: A estranha máquina extraviada, originalmente publicada em 1967. 
Diz o texto de apresentação: "A estranha máquina extraviada apresenta duas facetas de José J. Veiga. Se por um lado os contos mostram a brutalidade de uma sociedade erigida sobre a exploração e os jogos de poder – em uma possível resposta ao autoritarismo da ditadura militar e às diversas formas de opressão social –, por outro revelam o olhar vibrante das crianças, que enxergam o mundo com a curiosidade de quem vê pela primeira vez. O resultado é uma obra profundamente atual, questionadora e aberta a diferentes interpretações".
A maior parte dos críticos dizem que Veiga faz realismo mágico, mas um olhar mais atento vai identificar textos claramente vinculados à ficção científica, à fantasia e até ao horror. O conto que dá nome à coletânea, por exemplo, é um texto evidentemente de ficção científica, em que os habitantes de uma pequena cidade interiorana, depois de um início de espanto, vão se adaptando a presença de uma máquina enigmática que é descarregada na praça central da comunidade. Até na história alternativa, subgênero extremamente especializado da fc, Veiga foi o pioneiro no país no livro A casca da serpente
A estranha máquina extraviada tem 160 páginas e traz um posfácio assinado por Fabiane Guimarães e capa assinada por Kiko Farkas e Máquina Estúdio, com lançamento agendado para o dia 4 de agosto de 2026. Altamente recomendado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lançamento: Tecendo prata, Naomi Novik

"Miryem é filha e neta de agiotas, mas seu pai é bondoso demais para cobrar as dívidas. A família enfrenta a pobreza, até que Miryem endurece o próprio coração e assume o trabalho dele na aldeia. Seu sucesso faz surgir rumores de que ela pode transformar prata em ouro, o que atrai o próprio rei feérico do inverno. Ele lhe impõe um desafio impossível – e, se falhar, ela morrerá. Ainda assim, se triunfar, o destino pode ser pior que a morte. Em sua tentativa desesperada de vencer, Miryem tece sem querer uma rede que envolve também Irina, a infeliz filha de um lorde. O pai de Irina trama casá-la com o tsar, e pagará qualquer preço para alcançar esse objetivo. No entanto, o deslumbrante tsar não é o que parece. E o segredo que ele esconde ameaça consumir tanto as terras dos mortais quanto as do inverno. Divididas entre escolhas mortais, Miryem e Irina partem numa jornada que as levará aos limites do sacrifício, do poder e do amor."
Este é o texto de apresentação de Tecendo prata (Spinning silver), romance de fantasia da escritora americana Naomi Novik originalmente publicado em 2018, tendo recebido o Prêmio Locus no ano seguinte.
O volume tem 440 páginas, tradução de Alessandro Mathias, e é uma publicação do selo Morro Branco da Editora Alta Books.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Lançamento: Nós ardemos intensamente, TJ Klune

"Don e Rodney tiveram uma vida boa e longa. Juntos, conheceram os ápices mais altos do amor e da família, e abismos tão profundos que pareciam o fim do mundo. Agora, o mundo está acabando de verdade. Um buraco negro errante está vindo na direção da Terra e, em um mês, tudo e todos que eles já conheceram deixarão de existir. De repente, após quarenta anos juntos, o tempo de Don e Rodney está acabando. Eles correm contra o relógio para cruzar o país, do Maine ao estado de Washington, para resolver pendências antes que tudo termine. Na estrada, encontram aqueles que se recusam a acreditar na morte e aqueles que correm ao seu encontro. Mas também há pessoas vivendo seus últimos dias da melhor forma que conhecem — casamentos de última hora, fogueiras de brilho intenso, refeições compartilhadas e novos amigos. Conforme o buraco negro se aproxima, em meio a raios globulares e sob uma lua rachada em um céu de caleidoscópio, Don e Rodney olharão para trás e se perguntarão se o melhor de cada um foi o suficiente. Será que basta arder intensamente, se nada resta das cinzas?"
Este é o texto de apresentação de Nós ardemos intensamente (We burned so bright), romance de ficção científica do escritor americano TJ Klune, originalmente publicado em 2026 que chegou rapidamente ao mercado brasileiro devido aos sucessos dos títulos anteriores do autor. Klune abraça a diversidade queer positiva em seus livros, e já ganhou o prêmio Lambda com a novela Into this river I drown (2014). 
Nós ardemos intensamente tem 192 páginas, tradução Eveline Machado e é uma publicação do selo Morro Branco da Editpora Alta Books.