Mostrando postagens com marcador mitologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mitologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Lançamento: Yokai, Takejiro Hasegawa

"Esta obra eleva o folclore japonês ao patamar de arte visual. Com o traço magistral de artistas como Kobayashi Eitaku e Suzuki Kason, as lendas ganham as cores e os contornos que deram rosto às figuras fundamentais da mitologia nipônica. Estão presentes aqui as versões clássicas de histórias que moldaram a cultura pop, como o heroísmo de Momotaro, a tragédia atemporal do pescador Urashima e a fúria da serpente de oito cabeças, Yamata no Orochi. São narrativas que oscilam entre a lição de moral e o horror puro, apresentando o Japão em sua forma mais autêntica e visceral."
Este texto é parte da apresentação de Yokai: Fábulas japonesas, coletânea de 29 narrativas tradicionais organizadas pelo iminente pesquisador japonês Takejiro Hasegawa (1853–1938) e ilustradas com as xilogravuras clássicas originais. O livro é resultado da junção de diversas pubicações europeias; é possível que a tradução brasileira seja a primeira em que todas são apresentas num mesmo volume.
Yokai: Fábulas japonesas tem 320 páginas, faz parte do selo Medo Clássico da Darkside Books, e está em pré-venda aqui, com data de lançamento agendada para o dia 20 de novembro.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Lançamento: Os ossos-e-cinzas, Simone Saueressig

Os ossos-e-cinzas é  o novo romance de fantasia infanto-juvenil da escritora gaúcha Simone Saueressig, obra que integra o projeto Indígenas no Vale do Sinos. 
A aventura tem um formato inusitado: possui dois começos – A história de Jandira e A história de Näfy – que se encontram no meio da narrativa. Diz a sinopse: "Näfy é um jovem Kaingang que vive no Vale do Rio dos Sinos e possui um dom incomum: compreender a linguagem dos animais. Quando sua irmã mais nova, Kuadmé, é sequestrada, ele parte em uma jornada ao lado do amigo Katui para resgatá-la. A busca os leva até territórios guaranis e os coloca diante de mistérios, criaturas desconhecidas e desafios que conectam passado e presente em uma trama repleta de imaginação." 
O texto vem acompanhado das ilustrações de Maurício Hilgert, artista visual natural de Novo Hamburgo, e conta com participações dos professores Bruno Ferreira e Joel Pereira, que têm larga experiência na formação educacional de povos indígenas, e ainda com a assistência de leitores sensíveis das nações Kaingang e Guarani.
Os ossos-e-cinzas tem planejamento cultural da Simples Assim e realização da Kunst Empresa de Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e é inteiramente destinado às escolas e bibliotecas. Um número limitado de exemplares podem ser adquiridos diretamente com a autora. Contatos através do saite Porteira da Fantasia. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Lançamento: { O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } ou { O mundo na barriga do Mapinguari }, Luiz Brás

Na publicação anterior, comentei que havia sido publicado enfim o primeiro romance de ficção científica de autor nacional em 2026. Pois não é que descobri títulos já publicados que se apropriam dessa primazia? 
A dificuldade, de minha parte, sempre é obter as informações para compartilhar aqui. E foi justamente esse tipo de dificuldade que impactou o registro prévio da noveleta de fc { O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } ou { O mundo na barriga do Mapinguari }, do escritor Luiz Brás, publicado em março de 2026 como sétimo volume da Coleção Mal Dita, da Editora Vila Olívia.
Diz a sinopse da obra: "Amazônia. Vinte mil anos no futuro. A humanidade foi totalmente extinta faz muito tempo. Nesses vinte mil anos sem a exploração predatória do homo sapiens, a floresta Amazônica se recuperou e uma criatura consciente surgiu: um fungo formidável, que interage virtuosamente com todas as criaturas vivas da natureza. Então, desembarcam os novos exploradores. Duzentos humanoides de uma civilização avançada erguem na floresta um acampamento e começam a explorar seus recursos. Tudo indica que a história predatória vai se repetir. A menos que o fungo inteligente use contra os invasores sua arma mais eficiente. Uma criatura-arma de destruição em massa, adormecida no subsolo, chamada Mapinguari."
Luiz Brás é um dos múltiplos heterônimos do premiado escritor paulista Nelson de Oliveira, que tem se mantido muito ativo nos últimos anos, principalmente no campo de literatura especulativa, e da fc em especial. Seus principais livros são Curto-circuito camicase (2021), Distrito federal (2014), Pequena coleção de grandes horrores (2014) e Sozinho no deserto extremo (2012). Assinando Olyveira Daemon, publicou Gigante pela própria natureza, Subsolo infinito, Vinte & um e Às moscas, armas!, entre outros. Organizou a antologia Fractais tropicais, de ficção científica brasileira. Colabora mensalmente com o jornal Rascunho, de Curitiba e venceu duas vezes o Prêmio Casa de las Américas, em 1995 e 2011. Um currículo invejável. 
{ O evangelho criptoespectral de Pamela Pandemonium } tem cerca de 50 páginas e pode ser adquirido na loja da Villa Olívia, aqui. 

domingo, 1 de março de 2026

Em campanha: Yvytu & Peryc

A editora DaRosa está com uma campanha simultânea para publicação de dois títulos de quadrinhos de fantasia de autores brasileiros. 
Uvyty, que já foi uma webcomic e uma novela literária, chega agora a edição de álbum em quadrinhos. É uma hq de fantasia histórica de 94 páginas que explora a mitologia indígena. Diz o texto de divulgação: "Eva é uma jovem guarani que vive em uma redução jesuítica. Órfã, teve como pai e mãe a um padre jesuíta e cresceu como uma cristã. Apesar das dúvidas quanto ao seu passado, é feliz com o seu marido. Até que, um dia, a coroa espanhola o convoca para uma guerra. Fato que termina por despertar sua ira contra o mundo branco em que vive, impulsionando-a a buscar suas raízes indígenas. Durante sua jornada, ela se torna Yvytu Eté, o Vento Sagrado, e descobre que seu destino está entrelaçado ao do seu povo." O autor é de Rafael Martins, porto-alegrense que publicou anteriormente Mais que palavras (2009), Tchau, Yano (2015) e Yvy, mistérios da terra (2021).
Peryc, que já conta com uma série de publicações alternativas, tem 64 páginas e trabalha na chave narrativa das aventuras de guerreiros ao estilo Weird. Diz o texto de apresentação: "Peryc descende dos Guaranis, nascido no Rio Grande do Sul, é um guerreiro mercenário que perambula vendendo sua força física para quem estiver disposto a pagá-lo, mas ele tem certa conduta de ética que acaba fazendo com que se junte sempre aos explorados e dominados pelos grandes grupos militares e imperadores." O autor é o editor e roteirista, Denilson Reis, editor do conhecido fanzine Tchê, em publicação desde 1987, entre outras publicações alternativas, com as quais já ganhou diversos prêmios. 
Ambos são trabalhos que merecem atenção. 
A campanha recebe apoios aqui até o dia 8 de abril de 2026, que podem ser adquiridos separadamente ou em pacotes com outros títulos da editora.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Araruama: o livro das sementes, Ian Fraser

Anteriormente publicado pela Editora Moinhos através de uma plataforma de financiamento direto, Araruama: O livro das sementes é o primeiro volume de uma série de romances de fantasia folclórica do escritor baiano Ian Fraser, que conta a história de cinco crianças que compartilham um difícil rito de passagem. 
Diz o texto de apresentação: "Esta é uma história de quando o tempo ainda era cru e a terra era menina, um tempo em que as grandes araras coloriam o firmamento, um tempo em que o fantástico ainda corria pela mata verde. Nos povos que fazem parte do mundo conhecido, todas as crianças recém-nascidas passam pelo ritual do aman paba. As majé, curandeiras capazes de enxergar a linha que costura o tempo, dizem quanto tempo as crianças irão viver naturalmente, assim estabelecendo seus papéis na tribo."
O romance, com 216 páginas, que chega agora em nova edição pela editora Avec, está em pré-venda aqui.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Lançamento: As crônicas ancestrais do Rei Arthur

Há alguns dias, recebi uma divulgação da Editora Scriptoriando, que anunciava a distribuição de alguns ebooks com traduções de textos antigos da mitologa celta e bretã, que logo me interessaram, pois li há poucas semanas o ensaio O senhor do Senhor dos anéis, de Lin Carter, que citava vários deles como referências para a construção do mundo e do enredo da famosa saga de J. R. R. Tolkien. 
Recebidos os ebooks (que talvez ainda seja possível encomendar aqui) acabei descobrindo que a Scriptoriando tem um catálogo bastante interessante, do qual fazem parte os dois primeiros volumes da coleção As crônicas ancestrais do Rei Arthur. O Tomo I é A história dos reis da Britânia, de Geoffrey de Monmouth (1100-1255), e o Tomo II é Os Romances arthurianos – Volume 1, de Chrétien de Troyes (1135-1291), que ganharam edições de luxo ilustradas, com capa dura e tradução de Christian Carnsen.
O Tomo I tem 608 páginas e o texto de divulgação diz: "História dos Reis da Britânia apresenta uma compilação abrangente de textos fundamentais para a compreensão da história e mitologia britânica antiga. No cerne desta edição está a obra-prima de Geoffrey de Monmouth, 'Historia Regum Britanniae', uma narrativa pseudo-histórica que traça a linhagem dos reis britânicos desde suas supostas origens troianas até o século VII. Esta obra seminal não apenas estabeleceu as bases para muitas lendas arthurianas, mas também moldou profundamente a identidade nacional britânica por séculos. Complementando o texto de Monmouth, esta edição inclui a 'Historia Brittonum' de Nênio, uma crônica do século IX que oferece uma perspectiva anterior sobre a história britânica, incluindo algumas das primeiras menções escritas ao Rei Arthur. Os 'Annales Cambriae' (Anais de Gales) também estão presentes, fornecendo registros cruciais de eventos históricos e lendários, incluindo a suposta data da Batalha de Camlann, onde Arthur teria encontrado seu fim." A edição apresenta ainda uma seleção de poemas celtas antigos e um prefácio que contextualiza o arturianismo, suas origens e importância na cultura ocidental.
O Tomo II tem 640 páginas e o texto de divulgação diz: "Este segundo volume da coleção As Crônicas Ancestrais do Rei Arthur reúne todos os romances arthurianos de Chrétien de Troyes, um dos mais influentes escritores da Idade Média e considerado o pai do romance cortês. Chrétien foi pioneiro ao dar vida e profundidade aos cavaleiros da Távola Redonda, imortalizando figuras como Lancelot, Yvain e Perceval. Seus textos não apenas moldaram a tradição arturiana, mas também influenciaram a literatura europeia por séculos. Nesta edição, em formato de prosa, os cinco romances de Chrétien são apresentados com uma extensa introdução, notas explicativas e contextualização, detalhando a vida e obra do autor, além de suas contribuições fundamentais para o ciclo arturiano. Os contos são:
'Erec e Enide': A história de Erec, cavaleiro da Távola Redonda, e sua esposa Enide, que enfrentam desafios de honra e lealdade enquanto buscam manter o equilíbrio entre o dever cavalheiresco e o amor conjugal.
'Cligés': Narra a história de Cligés, um jovem cavaleiro que vive um romance proibido com a esposa de seu tio, explorando temas de amor cortês e lealdade.
'O Cavaleiro da Carreta' (Lancelot): Uma das narrativas mais célebres de Chrétien, este conto apresenta Lancelot e seu amor por Guinevere, esposa do Rei Arthur, destacando-se pela luta de Lancelot para resgatá-la e pelo sacrifício pessoal em nome do amor.
'O Cavaleiro do Leão' (Yvain): A história do cavaleiro Yvain, que busca recuperar sua honra e o amor de sua esposa, após negligenciar seus deveres maritais por sua vida como cavaleiro.
'O Conto do Graal' (Perceval): O épico que introduz o mito do Santo Graal. Perceval, um jovem ingênuo, embarca em uma jornada de autodescoberta e crescimento espiritual, em busca do lendário Graal."
São certamente leituras que acrescentam detalhes para muito além do óbvio da lenda arturiana, obrigatórias portanto para todos os que têm interesse na fantasia medieval. 
O catálogo completo das publições da Scriptoriando pode ser encontrado aqui.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Mitologia Aberta 20

Está disponível a edição de maio da Mitologia Aberta: Revista de livres pensadores mitológicos, periódico dedicado ao registro e à discussão da mitologia sob a ótica da cultura pop, com edição da socióloga paulistana Larissa Dias. 
Publicada desde 2021, a revista chega a sua vigésima edição com 129 páginas, textos de Allan P. Marante, Bianca Marinho Pereira, Marcos Ferreira Santos, Oscar Ernesto Barriga Bernedo, Adriana Gonçalves de Freitas, Luciana Mandu de Lima, Luiz Junior, Fagner Gabriel, Luis F. Ribeiro, Jéssica Dias, Érica Dias e da própria editora, desenhos internos da ilustradora Nique e um portfólio do quadrinhista Hugo Canuto. A capa é assinada pelo cartunista Bira Dantas. 
Esta edição pode ser lida ou baixada gratuitamente aqui. O saite da publicação oferece todas as edições anteriores para leitura online e download.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Relançamento: O palácio de Ifê, Simone Saueressig

Uma das primeiras publicações anunciadas para 2024 é o relançamento de O palácio de Ifê, novela de fantasia da escritora gaúcha Simone Saueressig originalmente publicada pela LP&M em 1989, que há tempos estava fora de catálogo. A nova edição vem pela editora Bennu, com 80 páginas e ilustrações de Rubem Filho. 
Diz o texto de divulgação: "Uma casa apertada, no morro, com condições socioeconômicas precárias, mas com moradores felizes e orgulhosos de sua escola de samba. De repente, o irmão mais novo, Pingo adoeceu. E essa doença misteriosa se espalhou, atingindo a todos. Quem não estava doente, já não saía de casa ou usava máscara para não se contaminar, e o mundo se perguntava como sair disso. Dedé e Apito, irmãos mais velhos de Pingo, resolveram fazer alguma coisa. Embrenharam-se em uma aventura fantástica, em um outro mundo, o mundo dos Orixás, nas terras de Ifê. Em uma mistura de encantamento, fé e aventura sobrenatural, imersos em muita cultura e também preocupação ambiental, os pequenos personagens mostram sua força e determinação para conseguir, com a ajuda dos orixás, uma solução para salvar seu irmão e o mundo."
Não se trata de um fruto deste momento em que muitos autores têm enveredado no caminho da ficção folclórica e do afrofuturismo, pois Saueressig é uma das pioneiras em utilizar mitos e religiosidades do povo brasileiro na construção de textos de ficção fantástica para jovens, sendo este um de seus exemplos mais bem realizados. 
Uma bem vinda republicação que certamente vai encantar os leitores das novas gerações.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Poranduba tem saite

Enquanto os apoiadores do jogo de cartas Poranduba aguardam o recebimento dos decks adquiridos quando da campanha de financiamento direto, os editores inauguraram o saite Cartas de Cultura, com referências completas sobre o jogo e os conteúdos de cada carta criada para essa primeira edição.
O saite foi produzido por Leonardo Tremeschin, do blogue Mitografias, também uma referência para a pesquisa sobre folclore. Lá estão todas as cartas para baixar, regras e os relatórios de pesquisa, num total de quase 130 páginas de textos inéditos, além de uma demo para Android, que permite jogar uma versão do Modo Padrão um contra um.  
Ainda é possível registrar-se na fila de espera para adquirir os decks da segunda edição. Vale a pena visitar, e as cartas são todas muitos bonitas.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Tapioca Fantástica 2: Populário

Está circulando mais uma edição da revista literária eletrônica Tapioca Fantástica, editada por Diogo Andrade, voltada a publicação de textos de ficção fantástica de escritores brasileiros. A edição, qeu segue o tema "Populário" e busca inspiração nos elementos da cultura popular, traz dez contos de autoria de Ian Fraser, Mariana Madelinn, Bernardo Stamato, Elias Flamel, Anderson Shon, Bruno Crispim, Clecius Duran, Ana Lúcia Merege, Carolina Mancini e do editor. Mancini também é responsável pelas ilustrações internas e da capa da edição. 
Tapioca Fantástica está disponível aqui para leitores Kindle, mas pode ser lida online no aplicativo do próprio saite.
A edição anterior, publicada em abril de 2023 e subtitulada "Piratas", continua disponível aqui.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Lançamento: Poranduba, Cartas de Cultura

Poranduba: Cartas de Cultura
 é um cardgame de aventura inspirado na cultura popular e nas lendas do folclore brasileiro, criação do acadêmico e pesquisador Andriolli Costa, o "Colecionador de Sacis", que está com uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para viabilizar a primeira edição de um baralho de cinquenta e cinco cartas, lindamente ilustradas por vinte e sete artistas de todo o país. 
Diz o texto de divulgação: "A cada partida você deve utilizar da esperteza dos sacis, da sabedoria das benzedeiras, da força dos lobisomens ou da engenhosidade de uma vassoura atrás da porta para vencer desafios antes do seu oponente. Só cuidado: basta um erro e suas cartas podem ir para o Beleléu!"
O jogo segue uma dinâmica similar ao famoso Magic: The gathering, com três modos diferentes de jogo para até quatro pessoas. Além de divertido, Poranduba tem caráter informativo pois cada carta remete, por QR Code, a uma página na internet com dados sobre o encantado ali retratado. 
Para participar no financiamento, obter o baralho e outras recompensas oferecidas pelos editores, visite a página do projeto, aqui.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Mitologia Aberta

Publicado desde fevereiro de 2021, Mitologia Aberta: Revista de livres pensadores mitológicos é um periódico dedicado ao registro e à discussão da mitologia sob a ótica da cultura pop, com edição da socióloga paulistana Larissa Dias. 
O tema até pode soar árido, mas não é não. Isso porque não há recortes: todas e quaisquer mitologias estão no campo de interesse da revista, bem como todas e quaisquer abordagens artísticas. Tanto é que a revista já vai pelo número 16, lançado em abril de 2023. 
Com 90 páginas, esta edição tem colaboração de Adriana Gonçalves de Freitas, Estevam Cervone, Andreia Capraro, Leonardo Tondato, Luis Ribeiro, Caio Kehyayan, Luiz Júnior e Luciana Mandu Lima em artigos e ensaios que tratam de séries de tv, livros, música e quadrinhos, com uma resenha ao álbum Últimos deuses, de Eric Peleias e Hiro Kawahara, publicação independente lançada em 2018. A capa traz uma ilustração do quadrinhista Will. 
Mitologia Aberta pode ser lida ou baixada gratuitamente aqui. O saite da publicação oferece também todas as edições anteriores em pdf e para leitura online.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Projeto Ítaca

Mesmo antes da Marvel Comics se apropriar dos deuses da mitologia nórdica para construir seu império midiático que capitalistas de todo mundo se lançam à tarefa de fazer fortuna com a religião dos outros. A maioria não conseguiu grandes coisas, mas outros lograram faturar algum, como o mangaká Masami Kurumada e os Cavaleiros do Zodíaco, entre outros.
Esse tipo de iniciativa é muito mais comum do que parece, o que se confirma no interessante Projeto Ítaca, blogue sobre apropriações da mitologia mundial editado por Lúcio Reis Filho. É tanta coisa que o blogue está até subdividido em seções especializadas sobre cinema, games, literatura, música, televisão e tradição oral. 
Seria interessante saber se todo esse exército de produtores realmente tem algo importante a dizer ou se é apenas exploração capitalista pura e simples. Isso porque nem todas as religiões que parecem mortas o estão de fato. As de matriz africana e as nativo-americanas, por exemplo, ainda têm muitos praticantes e como nem sempre os produtores - brasileiros e estrangeiros - têm tanta sensibilidade quanto vontade de faturar em cima, muita gente está ficando zangada. Entendo que para se encontrar uma voz própria é preciso buscar as raízes, mas não a qualquer preço. O Projeto Ítaca é sinal de que a luz amarela acendeu. 
Parabéns a Lúcio reis Filho, que teve a percepção para do fenômeno e a iniciativa de mapeá-lo. 

domingo, 22 de dezembro de 2019

Mitografias: Trindade

Está disponível para download gratuito o terceiro volume da série Mitografias, subtitulado Mitos de Trindade, com doze contos fantásticos que abordam o tema da trindade sob diversos aspectos, sempre sob o viés mitológico. Trata-se de uma volta ao mundo através de mitos russos, japoneses, indianos, nórdicos, gregos e brasileiros. A organização da seleta é de Andriolli Costa (Colecionador de Sacis), Leonardo Tremeschin e Isa Prospero, que também se responsabilizaram pela publicação do livro. A edição está disponível nos formatos pdf, epub e mobi,e pode ser baixada aqui.
Os volumes anteriores também foram publicados em formato virtual e ainda podem ser baixados gratuitamente no mesmo local, mas o primeiro ganhou edição em papel em 2018. Talvez, no futuro, os mais recentes também tenham esse privilégio.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Mitografias, Volume 2: Mitos de origem

Está disponível o segundo volume da antologia Mitografias, subtitulado Mitos de origem, com uma  seleta de catorze contos de fantasia organizada por Andriolli Costa, Leonardo Tremeschin e Lucas Rafael Ferraz. A publicação vem recomendada pelo Prêmio LeBlanc, entregue há alguns meses ao primeiro volume da série publicado em 2017, disponível em formato impresso aqui.
Como o nome diz, a antologia pretende refletir a respeito de um tipo bem específico de mito, que é aquele que trata das origens do mundo e dos homens. Os corajosos mitonautas são A.J. Oliveira, Andriolli Costa, Anna Fagundes, Caio Henrique, H. Pueyo, Isa Prospero, Jana P. Bianchi, Leonardo Tremeschin, Lucas R. Ferraz, Rafael Faramiglio Faiani, Rafael Guimarães, Rodrigo Ortiz, Simone Saueressig e Tiago Rech.
O volume é gratuito e está disponível aqui nas extensões pdf, epub e mobi.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O Sacy-Pererê

Está disponível para download gratuito o ebook O Sacy-Pererê: Resultado de uma collab, coletânea de ilustrações organizadas por Andriolli Costa para o saite Colecionador de Sacis.
Diz o texto de divulgação: "Nestas páginas, ilustradores profissionais e amadores se debruçaram sobre o centenário livro lobatiano para dar forma aos depoimentos ali registrados. Acompanha cada arte um trecho que captura a riqueza daquele testemunho."
Participam da edição os ilustradores Alisson Alencar, Azrael de Aguiar, Cristiane Xavier, Daniel Batista, David Dornelles, Fernando PJ, Ícaro Maciel, Luiz Henrique, Marco Goes, Mikael Quites, Pedro Godoy, Rafael Serpentis, Vee Marques, e a capa é de Azrael de Aguiar. A edição tem 29 páginas e pode ser baixada aqui.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Araruamas

Um dos mais expressivos cases de sucesso da plataforma de crowndfunding Cartarse, Araruama 2: O livro das raízes, romance de fantasia  de Ian Fraser inspirado em culturas nativas brasileiras e mesoamericanas, bateu o bom desempenho do primeiro volume, publicado em 2017 com o apoio de mais de 700 pessoas, e reuniu nada menos que 982 apoiadores e superando a meta de R$25.000,00 em mais de 250%, com uma arrecadação total de R$63.931,00!
Um dos diferenciais do projeto é doar parte da arrecadação para o Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais, uma instituição sem fins lucrativos fundada e dirigida por indígenas brasileiros, abrindo uma discussão sobre a apropriação cultural que começa a se tornar importante no espaço da ficção fantástica brasileira.
Enquanto os apoiadores esperam pacientemente a entrega dos livros – eu entre eles –, quem não aproveitou pode adquirir aqui a versão em ebook do primeiro romance da série, no qual cinco jovens treinam para um ritual de passagem, o Turunã. O livro é publicação da Editora Moinhos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Aimó: Uma viagem pelo mundo dos orixás

Aimó: Uma viagem pelo mundo dos orixás, Reginaldo Prandi. Ilustrações de Rimon Guimarães, 200 páginas. Selo Seguinte, Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2017.

Tratar de mitologia africana não é novidade no ambiente da ficção fantástica brasileira, embora não seja também uma recorrência. De fato, há ainda uma grande defasagem entre as mitologias fundadoras de nossa cultura e as mitologias de matriz estrangeira quando falamos de ficção brasileira. A esmagadora maioria dos autores brasileiros sente-se pouco confortável com a cultura nativa até porque não a conhece: vive num ambiente aculturado, em que os valores estrangeiros, geralmente europeus, predominam. Por isso, é muito comum encontrarmos autores brasileiros no campo do fantástico trabalhando com mitologias grega, nórdica, japonesa e até nativas da região da América do Norte. É o que vemos no cinema, na tv, nos quadrinhos e na literatura dominante do gênero que, não por acaso, vêm exatamente do mercado anglo-americano que explora todas elas. Em alguns momentos, no ambiente dos autores, até se construiram discursos pró-nativos, de matizes modernistas, mas sempre houve uma forte corrente contrária que a acusava de ser patrulheira e pregar uma ficção estereotipada.
O que tem permitido o crescimento de obras literárias com temas africanistas no ambiente da ficção fantástica brasileira, além da laicização do mercado e da "explosão cambriana" na diversidade cultural, foi a cultura do "faça você mesmo" e, principalmente, a popularização dos processos editoriais. Hoje, diferentemente de todos os outros tempos, publica quem quiser e o que quiser. Com as facilidades editoriais, seja no acesso à impressão por demanda ou no crescimento da atividade literária no espaço virtual, os editores comerciais perderam boa parte do poder de determinar o que pode ou não ser publicado. Ainda há, é claro, um nó górdio na distribuição de livros reais, dominado por uma máfia voraz, mas há quem diga que as livrarias também já têm seus dias contados.
Ao longos dos últimos vinte anos, mais ou menos, formou-se um grande grupo de autores e leitores muito interessados em novidades, integrado pelo avanço da internet. Num primeiro momento, enquanto as grandes editoras ainda insistiam em ignorar esse grupo, os autores fizeram circular fanzines e livros independentes que ajudaram a crescer uma massa de leitores ao ponto de formar um mercado potencial. Timidamente,  autores ligados ao fandom começaram a aparecer nas livrarias e cada vez mais deles percebem que a ficção fantástica tem méritos suficientes para romper preconceitos.
Enfim, depois de muita luta, podemos dizer que as comportas abriram e a ficção fantástica não está mais restrita a um fandom especializado. Autores experientes, inclusive do mainstream, parecem entender as vantagens de trabalhar dentro da ficção especulativa, avançando especialmente no fantasia, que tem sido o gênero de melhor aceitação comercial.
Aimó: uma viagem pelo mundo dos orixás é um exemplo disso. Romance de autoria do sociólogo Reginaldo Prandi, autor paulista e estudioso da mitologia africana que escreveu o importante Mitologia dos orixás (2000, Companhia das Letras) e diversos outros volumes sobre cultura afro-brasileira, elabora uma fabulação singela que, de forma bastante didática, mostra como se fundamenta a religiosidade africana. Aimó não é seu primeiro romance no tema: Ifá, o adivinho (2002, Companhia das Letras), por exemplo, foi premiado em 2003 como Melhor Livro Reconto da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Acompanhamos a jornada de Aimó, menina sem memória que, aos prantos, vaga pelo Orum, o mundo dos orixás. São tantas suas lágrimas que acabam por despertar Olorum, o maior dos orixás, que, sensibilizado pelo sofrimento de Aimó, encarrega Ifá e Exu para que apresentem à menina todas as orixás para que ela possa escolher uma delas como sua mãe espiritual e então reencarnar no Aiê, o mundo dos homens, e restaurar sua linhagem. Aimó inicia assim uma peregrinação por Orum, testemunhando, a partir das narrações de Ifá, as principais histórias de cada uma das orixás femininas e, no processo, também dos orixás masculinos. As narrativas de Ifá, sempre apresentadas em uma fonte diferenciada do estilo principal do texto, também expõem ao leitor as características doutrinárias do Candomblé, religião africana que deu origem às seitas praticadas no Brasil.
As ilustrações de Rimon Guimarães, de um estilo primitivista elegante, ajudam a construir o imaginário do Orum. Cada capítulo é introduzido por um dos signos do oráculo de Ifá (o jogo de búzios), detalhados num anexo no final do volume. Também aparecem em anexos: notas do autor, um glossário com termos das línguas nagô e iorubá citados no livro, e uma relação explicativa sobre cada um dos orixás.
O romance de Prandi, como integrante do selo juvenil da Companhia das Letras, tem o objetivo de levar ao leitor jovem algum conhecimento sobre esta que é a mais viva das mitologias modernas, extremamente influente na cultura brasileira. Contudo faz muito mais do que isso: traz também ao leitor experiente da literatura fantástica um das mais expressivas e esclarecedoras explicações sobre o Candomblé, seus fundamentos e seus personagens, integrando-os com naturalidade ao imaginário coletivo, sem proselitismos. Ao lado de O palácio de Ifê (2000, L&PM) e A estrela de Iemanjá (2009, Cortez), ambos da escritora gaúcha Simone Saueressig, Aimó: uma viagem pelo mundo dos orixás forma uma tríade da melhor ficção fantástica sobre orixás já apresentadas ao leitor brasileiro, leituras obrigatórias principalmente a autores que pretendem navegar por águas tão pouco conhecidas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Inquérito dos sacis

O projeto Colecionador de Sacis, do jornalista e pesquisador Andriolli Costa – que mantém um blogue muito interessante dedicado ao mito brasileiro – aproveitou os cem anos do "Inquérito sobre o saci", uma pesquisa popular realizada em 1917 por Monteiro Lobato nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo, para produzir e publicar uma revista eletrônica inteiramente dedicada a mapear o saci em todas as suas versões, seja no folclore, na literatura, nas artes e no imaginário do brasileiro.
A revista tem 83 páginas e conta com artigos, causos, poemas e contos de um grande time: Ana Paula Aparecida Oliveira, André Lima Carvalho, David Dornelles, Douglas Rainho, Egidio Trambaiolli Neto, Elizeu Batista Thomé, Elói Bocheco, Gastão Ferreira, Gláucia Santos Garcia, Itaércio Rocha, Jorge Alexandre, Lucas Baldo Fraga, Margareth Assis Marinho, Neide da Cunha Pinto, Olívio Jekupé, Ronaldo Clipper, Sérgio Bernardo, Tânia Souza, Victoria Baubier e Wallace Gomes. Também investe na pesquisa imagética com fotos de Douglas Colombelli, Gustavo Beuttenmuller, Jessika Andras, Leo Dias de los Muertos e Maurício da Fonte Filho, e ilustrações de Adriano Batista, Alice Bessoni, Altemar Domingos, Anderson Awvas, Anderson Barbosa Ferreira, Bruno Lima, Fabio Dino, Fábio Vido, Fábio Meireles, Felipe Minas, Geraldo Borges, Giorgio Galli, Ícaro Maciel, Joe Santos, João P. Gomes de Freitas, José Luiz Ohi, Mikael Quites, Mil Araújo, Monteiro Lobato, Odoberto Lino, Rafa Louzada, Rafael Pen, Rodrigo Rosa, Romont Willy, Stuart Marcelo, Talez Silva, Thiago Cruz (Ossostortos), Ursula Dorada (SulaMoon), Vilson Gonçalves, Waldeir Brito, Webby Junior e William Chamorro, que também assina a ilustração da capa.
Diz Andriolli, o editor: "Nossa missão, nestes 100 anos de Inquérito, é mostrar como o saci ainda vive no dia a dia do brasileiro, mas em novas formas. O saci que some com o dedal da costureira e trança a crina dos cavalos é o mesmo que dá nó no fone de ouvido que fica no bolso. O mesmo que faz cair o 4G do celular. O Saci não ficou na roça. Passeia entre nós. Não está restrito ao dia do folclore nas escolas, nem às discussões contra Halloween que povoam as redes sociais. Saci não é discurso, é mito vivo".
A edição é gratuita e pode ser baixada no blogue, aqui. Tão divertida quanto o seu próprio lema: “Sacis de todo o mundo, uni-vos! Nada tendes a perder a não ser a outra perna!”.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Resenha: A Bandeira do Elefante e da Arara

A Bandeira do Elefante e da Arara (The elephant and macaw banner), Christopher Kastensmidt. 330 páginas. Tradução de Roberto de Sousa Causo & Christopher Kastensmidt. Editora Devir Livraria, São Paulo, 2016.

Este é mais um dos casos incomuns em que não é possível definir com precisão se estamos diante de uma obra nacional ou estrangeira. Isso porque ambas as origens concorrem neste romance. O autor, Christopher Kastensmidt, é texano e está radicado no Brasil desde 2001. Sua origem norte-americana não é nenhum segredo, mas é preciso que ele o diga para que a gente descubra, porque fala português com fluência perfeita, sem esquecer que compôs praticamente toda sua obra literária em solo tupiniquim. Por outro lado, o texto foi originalmente redigido em inglês e precisou ser traduzido, trabalho brilhantemente desenvolvido pelo escritor Roberto de Sousa Causo, com a supervisão do próprio autor. Isso porque Kastensmidt não se sente suficientemente a vontade com o português para escrever diretamente na Flor do Lácio, que é considerada por muitos linguistas como um dos idiomas mais difíceis do planeta. Mas a pendenga não para aí: o tema do romance não poderia ser mais brasileiro, pois toda a história se passa nas selvas de um Brasil colonial mítico, em que seres fantásticos têm existência real e palpável, para desespero dos colonos portugueses.
O modelo não é inédito, autores nativos já se aventuram por esse tema espinhoso com ótimos resultados, como Ivanir Calado (A mãe do sonho) Simone Saueressig (aurum Domini: O ouro das missões), Felipe Castilho (Ouro, fogo e magabytes), Tabajara Ruas (O fascínio), e o já citado Roberto de Sousa Causo (A sombra dos homens). Contudo, essa não é a regra. Entre os autores brasileiros de fantasia e ficção científica, ainda domina o preconceito em relação a nossa própria cultura e história, bem como dificuldades com a pesquisa, e a insegurança em desrespeitar a tradição folclórica, o que até se justifica em alguns casos. Talvez tenha sido justamente por não ser brasileiro e não compartilhar dessas amarras, que o autor de A Bandeira do Elefante e da Arara ousou embrenhar nesse ambiente difícil.
O resultado é favorável: não há nada a reprovar em A Bandeira do Elefante e da Arara. A história é movimentada e com muita ação, os personagens são redondos e sem cacoetes, os seres mitológicos são fiéis aos originais e há um tratamento responsável e respeitoso com relação a todos os protagonistas e suas origens, sem preconceitos ou estereótipos.
O romance é o que se chama, nos EUA, de fix-up, ou seja, a reunião de textos independentes que formam um todo coerente. Tanto é que os três primeiros capítulos de A Bandeira do Elefante e da Arara, "O encontro fortuito de Gerad van Oost e Oludara", "A batalha temerária contra o capelobo" e "O desconveniente casamento de Oludara e Arani" tiveram anteriormente, de fato, edições independentes na coleção Duplo Fantasia Heroica, publicada pela mesma Devir Livraria, e já comentados aqui.
Kastensmidt explora com habilidade a construção do ambiente selvagem brasileiro. A abertura de cada capitulo apresenta um animal típico de nossa fauna, que também é lembrado no final. Para um brasileiro pode parecer pouco relevante, mas imagino a sensação que as descrições precisas e coloridas causam nos leitores estrangeiros, que nunca viram animais como esses. Não é por acaso que o primeiro capítulo, "O encontro fortuito de Gerad van Oost e Oludara", foi indicado ao prestigioso Prêmio Nebula em 2011.
Nas primeiras histórias, somos apresentados aos protagonistas, Gerad e Oludara, bem como ao seu nêmesis, o bandeirante Antônio Dias Caldas, que vai aparecer em diversos momentos da trama.   Acompanhamos como o aventureiro holandês Gerad conhece o príncipe africano escravizado Oludara e, juntos, fundam a sua bandeira de dois homens, o primeiro encontro com o Saci Pererê, a feroz luta contra o Capelobo, o confronto com o Curupira e seu gigantesco porco do mato, além da tribo dos Tupinambás, a segunda casa dos protagonistas, onde Oludara conhece, se apaixona e casa com a nativa Arani.
Em seguida, temos outras sete noveletas, cujos títulos, além de toda pompa e circunstância, são por si bastante reveladores: "O impropício retorno de Antônio Dias Caldas", "Uma série inconcebível de capturas e calamidades", "Uma tumultuosa convergência de desajustados, monstros e franceses", "A ameaçante aparição da Mula sem Cabeça", "O doloroso nascimento de Tainá", "Um caso audacioso em Olinda" e o impactante "O catastrófico final das façanhas brasileiras de Gerard e Oludara", que fecha o romance com um grande clímax onde não falta destruição, lutas e surpresas que vão colocar em cheque a boa relação entre os heróis. Nessas histórias, vamos também conhecer versões assustadoras dos mitos brasileiros, que não deixam de fora nem mesmo a Cuca e o beligerante Pai do Mato; mas percebe-se que ficaram muitos outros monstros de reserva para o futuro. Por certo que Kastensmidt não contou tudo de propósito. Além das adaptações para os quadrinhos – cujo primeiro volume foi publicado pela Devir Livraria em 2014 –, aguarda-se para breve um jogo de tabuleiro no universo do livro que, tudo indica, ser fato inédito no Brasil. Além de escritor, Kastensmidt é especialista em jogos e o protótipo já está em fase de testes. Mais informações sobre isso podem ser obtidas no saite oficial do romance, aqui.
E, como não podia deixar de ser, A Bandeira do Elefante e da Arara já chamou a atenção de editores pelo mundo. Recentemente, a editora espanhola Sportula licenciou a série para o espanhol, sendo este o sétimo idioma que a Bandeira vai falar: ela já tem traduções para chinês, tcheco, romeno e holandês, além do inglês e o português, é claro.
Por tudo isso é que A Bandeira do Elefante e da Arara é um livro obrigatório não só para os que gostam de boas aventuras, mas também para que autores e editores descubram que não há nada de errado com a mitologia brasileira. Assim como os nomes dos personagens em português, que ainda é tabu para alguns autores brasileiros, a cultura, os cenários, a história e a mitologia nacionais são ambientes ricos e interessantes, que devem e precisam ser melhor aproveitados.
Longa vida a A Bandeira do Elefante e da Arara!