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terça-feira, 16 de junho de 2026

Em campanha: Guia Visual Definitivo Changeman

Nos anos 1980, a TV Manchete, que passava por problemas financeiros, lotou sua programação de enlatados japoneses de todos os tipos. Não salvou a emissora, mas recuperou o interesse dos brasileiros pelos desenhos animados japoneses, assim como pelos seriados de super-heróis em live action, também conhecido como tokusatsu. Entre os muitos títulos exibidos a época, destacou-se o seriado Esquadrão Relâmpago Changeman, que seguia a fórmula Super Sentai, com uma equipe de guerreiros coloridos enfrentando gigantes alienígenas em meio a maquetes muito realistas. 
A editora brasileira Mozu, que tem dedicado muito esforço a produzir guias oficiais licenciadas desses seriados, já tendo publicado guias de Jaspion, Jiraiya e Black Kamen Rider, agora inaugura uma campanha para viabilizar a publicação do Guia Visual Definitivo Changeman
Diz o texto de apresentação: "Com uma vasta seleção de imagens oficiais, materiais raros e pesquisa aprofundada, você vai acompanhar toda a jornada do Esquadrão Relâmpago no Japão e no Brasil, entendendo como a série nasceu no Japão e como se transformou em um verdadeiro fenômeno entre os brasileiros. Este será mais do que um livro: será um documento histórico, uma celebração definitiva e uma peça para guardar por toda a vida — para mostrar às futuras gerações como Changeman ajudou a construir a paixão brasileira pelos heróis japoneses. O livro também conta com a colaboração de inúmeros fãs brasileiros apaixonados, que fornecem informações, materiais da época, pesquisas, depoimentos, contatos, etc."
O volume terá 184 páginas, edição de Adriano Almeida e Ricardo Cruz, e pode ser apoiado aqui até o dia 7 de agosto de 2026. A meta básica já foi batida.

sábado, 21 de março de 2026

Científica Ficção 5

Está em pré-venda a quinta edição do periódico literário Científica Ficção, editado por Jefferson Sarmento, que apresenta uma seleta de contos de autores estrangeiros clássicos do gênero.
A edição traz textos de Philip Francis Nowlan, Robert F. Young, Algis Budrys, Richard Matheson, Betsy Curtis, Randall Garrett, Sam Merwin Jr., Marion Zimmer Bradley e Jesse F. Bone. Completam a edição, conto do escritor brasileiro David Machado Santos Filho, artigo celebrando os 100 anos da revista Amazing Stories, e um tributo a Gil Gerard (1943-2025), ator americano que interpretou Buck Rogers no seriado de tv de 1979. 
Sem dúvida que se trata de uma seleta invejável, que vai além dos autores em domínio público, visto que muitos deles faleceram em passado bastante recente. Deve ter sido bem difícil para uma revista pequena, praticamente um fanzine, conseguir todas essas licenças de publicação que, geralmente, formam o trabalho mais desgastante de uma publicação como essa. 
Científica Ficção tem 268 páginas, tradução do editor e é uma publicação da editora Tramatura, pelo selo SciFi.

sábado, 30 de novembro de 2024

Silo

Por volta de dez mil pessoas vivem em uma torre subterrânea de cento e quarenta andares totalmente isolada da superfície. O complexo é autônomo, reciclando seu próprio oxigênio e água, e produzindo alimentos e energia para toda a população. Tudo isso porque a atmosfera do planeta é mortal para os seres humanos: um simples vazamento poderia trazer a morte para todos. Logo, a única alternativa para a continuidade da vida é manterem-se isolados dentro da torre. 
Décadas antes, um grupo de rebeldes se revoltou e tentou abrir caminho a força para a superficie. A revolta foi contida, mas abalou as relações político-sociais na torre. Desde então, dissidentes que manifestem o desejo de sair recebem permissão para isso desde que se comprometam a limpar a lente da câmera que vigia continuamente a superfície. Porém, todos morreram após alguns minutos de caminhada no exterior. Em todas as vezes, a população a torre assistiu aquelas breves jornadas na esperança de que, finalmente, a pessoa sobrevivesse. Mas isso nunca aconteceu.
Para que a população não aumente, a reprodução é mantida sob controle, e só alguns casais, a cada ano, obtém permissão para gerar filhos. Quando o xerife da torre e sua esposa conquistam essa benção e a alegria de ter um filho parece finalmente ser uma realidade, algo dá errado: a gravidez não se consolida e a mulher, uma importante técnica de TI, começa a desconfiar de que existe algum tipo de conspiração na torre. Isso a coloca em contato com um engenheiro que acredita ser possível obter informações do passado a partir de relíquias tecnológicas ilegais dos tempos pré-torre, para descobrir o que houve com o mundo e encontrar um modo de retornar para a vida na superfície em segurança. A investigação vai colocar em movimento uma série de ações dramáticas que podem por toda a torre em risco. 
Essa é a premissa da série de tv Silo, inspirada na série de romances do escritor americano Hugh Howey – que conta com três volumes: Silo (Wool), Ordem (Shift) e Legado (Dust), publicados no Brasil pela Intrínseca. A série de tv é produzida por Graham Yost e está em exibição desde 2023 no sistema de streaming Apple TV+, e recentemente estreou sua segunda temporada. É estrelada por Rebecca Ferguson, Rashida Jones, David Oyelowo, Common, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez Chinaza Uche e Tim Robbins, ator veterano que também assina a produção. 
A primeira temporada tem dez episódios muito bem produzidos, com cenografia deslumbrante e uma narrativa repleta de mistérios instigantes que vão se complicando a cada novo episódio. A história dialoga de perto com pelo menos dois clássicos da ficção científica: Plano Sete (Level 7, 1959), do escritor israelense Mordecai Roshwald, e A cidade dos asfixiados (La cité des asphyxiés, 1937), do escritor francês Régis Messac. Mas cada uma das histórias têm méritos próprios e valem ser conhecidas. 
Claro que nem tudo é perfeito em Silo. Muitas coisas são mostradas superficialmente, sem que se dedique o mínimo de tempo para explicar como aquilo tudo é possível. A tecnologia, em tudo similar a algo saido dos anos 1990, está em uso há mais de um século e continua funcionando perfeitamente. Mas, do mesmo modo que as histórias de ficção científica espacial não explicam como as naves podem fazer ruídos no vácuo do espaço, é preciso fazer vista grossa para tais inconsistências. Afinal, o que importa são os dramas humanos que se desenrolam ali. Mas algumas coisas são difíceis de ignorar.
Para dar um gostinho, veja aqui o trailer promocional da primeira temporada da série. Os quatro primeiros episódios estão disponíveis no pacote de assinatura da tv a cabo Now, da operadora Claro.

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Estreia: Astronauta

Está estreando hoje, 18 de outubro, uma série de animação que tem tudo para fazer um enorme sucesso. Trata-se de Astronauta, adaptação audiovisual do personagem criado por Maurício de Sousa e recriado por Danilo Beyruth em seis novelas gráficas publicadas na coleção Graphic MSP, entre 2012 e 2022. O Astronauta de Beyruth é mais realista e dramático que o original, mas caiu no gosto dos leitores e animou a HBO Max a investir na produção. 
A história não é exatamente uma transposição daquelas contadas por Beyruth nos quadrinhos, mas uma espécie de prequela, ou seja, algo que teria acontecido antes delas.
Diz a ninopse: "Após integrantes da renomada Agência de Pesquisa Espacial Brasileira, a BRASA, desaparecerem em uma misteriosa missão na Lua, visões estranhas começam a perturbar Pereira, um astronauta recém-afastado da organização. Agora, que seus colegas precisam de um resgate urgente, ele vê a oportunidade perfeita para seguir para o espaço buscando compreender a estranha abdução que vivenciou cinco anos antes. O que ele não imaginava era que estava indo para uma armadilha criado por uma entidade alienígena capaz de colocar em risco não só sua mente, como também toda a humanidade."
A dublagem conta com as vozes de Marco Pigossi, Mel Lisboa, Carol Crespo, Julia Ribas, Francisco Júnior, Marco França, Ricardo Sawaya, Nara Kelly e Francisco Freitas. 
O primeiro episódio de Astronauta já está disponível na plataforma de streaming Max, e o trailer pode ser visto abaixo. 

sábado, 9 de março de 2024

Resenha do Almanaque: A todo vapor

A todo vapor
, Enéias Tavares e Felipe Reis. Série de tv com oito episódios. Produção Cine Kings & Brasiliana Steampunk, 2020. 

Muitos autores do fandom brasileiro de fc&f já tiveram oportunidade de ver suas criações em live action, na verdade isso nem é tão incomum mas, geralmente, são filmes de curta ou longa metragem, e sabemos que, assim como a literatura, o cinema nacional tem dificuldades históricas em impor-se no mercado interno. Mas ainda pior é a situação da fc&f nos seriados de televisão, que raramente obtiveram espaço, exceto como alguma bizarrice nas novelas, geralmente de viés cômico. Mas há algum tempo se tem experimentado propostas mais dramáticas, como as séries Animal e 3%.
O sucesso desta última em especial animou o mercado nacional a se aventurar em mais produções no gênero, como O escolhido (2019, Netflix), Onisciente (2020, Netflix) Spectros (2020, Netflix), Desalma (2020, Globlo Play) e Cidade invisível (2021, Netflix). Contudo, todas estas produções guardam ainda uma respeitável distância dos autores do fandom. Mesmo O escolhido, que teve roteiros de Raphael Draccon e Carolina Munhóz – autores que de certa forma estão vinculados ao fandom –, foi adaptada de uma série mexicana chamada Niño Santo (2011), ou seja, não é uma história originalmente nacional e os autores brasileiros envolvidos são apenas um acidente. Por isso é que A todo o vapor (2020, Amazon Prime) merece este destaque. 
Trata-se de uma série de ficção científica bastante original pois se identifica com a estética steampunk, subgênero da ficção científica que pressupõe que, em algum momento no século XIX, ocorreu uma revolução científica que antecipou a era tecnológica ainda no período da máquina a vapor. O romance inaugural dessa linha foi A máquina diferencial (1990), de Bruce Sterling e Willian Gibson, no qual o computador mecânico idealizado por Charles Babbage teria sido efetivamente realizado, estabelecendo o florescer da revolução digital em plena Era Vitoriana. O estilo acabou por estabelecer todo um padrão estético que une o vestuário característico do final do XIX, com cartolas, fraques, bengalas, relógios de bolso, polainas, vestidos bufantes e espartilhos, convivendo com traquitanas tecnológicas com muitas engrenagens e parafusos a mostra. 
No rastro da moda, surgiram no Brasil uma série de grupos de fãs que, devidamente paramentados, se reuniam em eventos especiais para exaltar o steampunk como um estilo de vida. Com o movimento, vieram também os fanzines eletrônicos, sites, clubes e autores, dentre os quais Enéias Tavares, escritor gaúcho de Santa Maria que, em 2014, publicou pela Editora LeYa o romance A lição de anatomia do temível Dr. Louison, que apresenta uma história movimentada na qual personagens da literatura brasileira, como Simão Bacamarte, Solfieri, Isaias Caminha, Rita Baiana e Pombinha, têm de enfrentar muitos perigos para capturar um psicopata assassino. A ele, seguiu-se Juca Pirama: Marcado para morrer (Jambô, 2019) e Parthenon Místico (Darkside Books, 2020), todos ambientados no mesmo universo. O enredo de A todo vapor é baseado nessas histórias e se passa exatamente após os fatos narrados no segundo livro. O próprio Tavares se responsabiliza pelos roteiros. 
A primeira temporada de A todo vapor conta com oito episódios de vinte minutos cada. Ambientada em 1910, narra a história de um grupo peculiar de detetives do sobrenatural que vai à Vila Antiga dos Astrônomos, vilarejo imaginário localizado em algum lugar no interior do Brasil, investigar uma série de crimes inspirados nas cartas do tarô. O principal suspeito é um culto de matizes lovecraftianas liderado pelo malévolo Pamu. Entre os personagens, além do próprio Juca Pirama (interpretado pelo diretor da série, Felipe Reis), estão Capitu de Machado (Thais Barbeiro), Victória Acuã (Pamela Otero), Doutor Benignus (Luiz Carlos Bahia), Bento Alves (Claudio Bruno) e Sergio pompeu (Pedro Passari). O elenco ainda conta com Bruna Aiiso, Paulo Balteiro e Yoram Blaschkauer.
A produção é modesta e teve evidentes dificuldades técnicas. Muitas carcaças enferrujadas de trens antigos (alguns movidos a diesel), um balão de ar quente com queimadores moderníssimos e a cenografia em ruas e pousadas de algum vilarejo estilo colonial contemporâneo, deixaram a ambientação repleta de anacronismos. Os efeitos especiais não são muito convincentes e é intrigante o motivo de todos carregarem óculos de soldador se nunca ninguém os usa. Há um esforço evidente para ampliar a representatividade, com mulheres assumindo a linha de frente nas lutas e até cenas de beijo entre homens, contudo, não há um único negro no elenco. As inúmeras citações a personagens da literatura, incluindo uma breve aparição da "boneca" Emília, soam mais como uma homenagem à série de quadrinhos A liga extraordinária, de Alan Moore e Kevin O'Neill, declaradamente citada numa cena, do que a uma necessidade dramática, uma vez que os personagens, além dos nomes, não carregam nenhuma característica dos personagens originais.
Mas é muito divertido ver uma produção legítima do fandom finalmente chegar ao mercado de streaming. Mesmo com toda a improvisação, passa um sentimento delicioso de identificação nunca obtido pelos demais seriados aqui citados. Tomara que tenha continuidade e conquiste recursos financeiros suficientes para melhorar tecnicamente a produção. Mas espero que nunca percam a expontaneidade desta primeira temporada, que é seu maior trunfo.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Resenha do Almanaque: 3%

3%
, Pedro Aguilera.  Série de tv com 33 episódios. Produção Boutique Filmes/Netflix, 2016-2020.

A indústria audiovisual é o grande fetiche dos autores de ficção fantástica. Mal escrevem os primeiros textos, já pensam em quais seriam os atores mais indicados para representarem os seus personagens, quase sempre artistas de Hollywood porque, afinal, sonhar não custa nada. Muitas vezes vezes essa mania é movida apenas pelo sentimento de veneração ao estrangeiro, mas não devemos nos enganar: chegar a indústria audiovisual ainda é o melhor caminho para se obter reconhecimento, fama e algum dinheiro extra. Pelo menos, é assim que funciona nos EUA: os autores geralmente ganham muito mais pelo licenciamento de direitos para cinema e para a tv do que com a venda direta dos seus escritos. Portanto, se é assim que funciona na matriz, deve funcionar aqui também. 
A internet, especialmente após o advento da banda larga, pareceu ser o canal que todos estavam esperando para a distribuição de obras audiovisuais, uma vez que prescinde das salas exibidoras e de um sistema de transmissão televisiva para fazer chegar o conteúdo ao expectador. Mas, infelizmente, não emergiram projetos bem sucedidos assim, embora tenham existido tentativas, como a série Animal, produzida em 2014 para a tv a cabo. Alguma coisa ainda faltava e parece que, finalmente, temos o caminho das pedras: o serviço de conteúdo por streaming
O primeiro seriado brasileiro de fc&f a despontar nesse ambiente foi 3%, distopia futurista original criada por Pedro Aguilera, cujo episódio piloto foi lançado no Youtube em 2011. Adquirida pela Netflix em 2016, tornou-se a primeira série brasileira na plataforma, com quatro temporadas e um total de 33 episódios produzidos. Na direção, revezam-se César Charlone, Daina Giannecchini, Dani Libardi e Jotagá Crema.
Trata-se de uma produção sofisticada, com um elenco enorme que conta com atores conhecidos da teledramaturgia brasileira: João Miguel, Bianca Comparato, Zezé Mota, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Rafael Lozano, Viviane Porto, Samuel de Assis, Cynthia Senek, Laila Garin, Bruno Fagundes, Thais Lago, Fernando Rubro e Amanda Magalhães – até Ney Matogrosso faz uma participação especial – além de uma infinidade de coadjuvantes e figurantes que formam a população de uma favela miserável chamada Continente, que parece ser a única coisa que sobrou do Brasil num futuro pós holocausto, cuja explicação não é fornecida. 
Porém, há um lugar chamado Maralto onde uma elite vive em luxo e abundância. Uma vez por ano, ao longo dos últimos cem anos, o governo (que tem contornos corporativos) promove o Processo, uma espécie de "vestibular" cujo objetivo é selecionar, entre os jovens com vinte anos completos do Continente, os novos cidadãos para Maralto. Os testes são severos, em muitos casos, mortais, e valorizam aspectos físicos, intelectuais, morais e psicológicos dos candidatos. Apenas três por cento dos inscritos serão aprovados. A concorrência é feroz e trapacear é permitido. Na verdade, uma personalidade trapaceira é até valorizada, como vamos descobrir ao longo do extenuante processo, que também vai revelar a personalidade e a motivação de cada um dos candidatos. Também vamos descobrir que há um movimento revolucionário subterrâneo, pesadamente reprimido pela administração, cujo objetivo é acabar com o Processo. Mas não são apenas os candidatos que escondem esqueletos no armário: entre aqueles que estão "do lado de lá" também há segredos comprometedores, além de intrigas e traições veladas. Ninguém está plenamente seguro, nem mesmo em Maralto.
A cenografia é elegante, com uma estética futurista econômica. Muitas sequências foram gravadas nas dependências da Arena Corinthians, em Itaquera (SP). Também foram usados como locações o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), e a comunidade Heliópolis (SP). Os efeitos especiais são competentes, assim como o desenho de produção. O roteiro tem bons diálogos, e uma narrativa tensa, que fica ainda mais perturbadora pela lentidão com que o Processo avança.
A série está disponível em 190 países e é elogiada no exterior, com uma avaliação muito boa no site de resenhas Rotten Tomatoes: 85% de aprovação na primeira temporada. Também é muito inclusiva, com atores de todas as etnias, além de um cadeirante entre os personagens principais. 
O sucesso de 3% foi efeivamente convincente. Depois dele, parece que finalmente o campo se abriu para a produção brasileira: O escolhido (2019, Netflix), Onisciente (2020, Netflix) Spectros (2020, Netflix), Desalma (2020, Globlo Play), A todo vapor (2020, Prime) e Cidade invisível (2021, Netflix) são alguns dos exemplos que se seguiram e a tendência não arrefeceu nem durante a pandemia. Isso já é, por si, um grande mérito para 3%, que merece ser lembrado como o ponto de virada da fc&f na indústria audiovisual brasileira.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Resenha: Novela

Novela
é uma série brasileira de fantasia e humor que estreou em 2023 na plataforma de streaming Amazon Prime. Foi criada e escrita por Valentina Castello Branco e Gabriel Esteves, com direção de Renata Pinheiro e Gigi Soares, e produção do Porta dos Fundos. 
Esta primeira temporada tem oito episódios e o elenco conta com nomes conhecidos da televisão, como Monica Iozzi, Miguel Falabela, Tarcísio Filho, Caio Menk, Herson Capri, Suzy Rego, Marcello Antony, Maria Bopp, entre outros, muitos deles interpretando dois ou até três papéis.
Claramente inspirada em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Novela conta a história da roteirista iniciante Isabel (Monica Iozzi) que, no evento de estréia de sua primeira novela, Rebote do destino, descobre que seus créditos foram usurpados por seu mentor, o novelista decadente Lauro Valente (Miguel Falabela). Aturdida, Isabel vaga pelo estúdio e é sugada por um monitor, indo parar justamente no primeiro capítulo que acabava de ir ao ar. E o que é visto pelo público na televisão não é o que foi gravado pelo elenco, mas sim uma história metalinguística totalmente divergente, na qual a presença de Isabel subverte o enredo e transforma a vida de Lauro e do elenco da novela numa montanha russa imprevisível. 
Ao longo dos primeiros capítulos, Isabel conclui que o único modo de escapar da loucura na qual mergulhou é forçando o desfecho recorrente das histórias de Lauro Valente, fazendo a mocinha (ela mesma) e o galã se casarem pois, com o fim da história, acredita que voltará automaticamente para a realidade. 
Mas as interferências de Isabel fizeram a novela bater recordes de audiência e, pressionado pela direção da emissora e pelos anunciantes, Lauro terá que sustentar a farsa e esticar a novela, sem ter a menor ideia do que pode acontecer quando o próximo capítulo for ao ar. 
A série trabalha com muitas situações de bastidores da teledramaturgia, além de homenagear várias novelas e brincar com os cacoetes desse tipo de produção, com figurinos bizarros, situações esterotipadas e muito nonsense, como quando entram os intervalos comerciais e tudo se congela, exceto a própria Isabel. 
Novela vem somar um conjunto de boas ideias às séries brasileiras, um novo tipo de produto televisivo que tem investido em histórias fantásticas como Cidades invisíveis, Espectros, 3% e Vale dos esquecidos, e pode contribuir decisivamente para renovar o modelo tradicional das novelas da televisão brasileira.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Guilty: guia de episódios

Miguel Carqueija disponibilizou em sua página no saite Recanto das Letras um guia para os onze episódios da série de japonesa Culpada (Guilty), produzida em 2010 pela Meteor Dramas, com direção de Yoshinori Kobayashi e Yasushi Ueda. É uma série live action, isto é, com atores, com Kanno Miho no papel da protagonista, além de Tamaki Hiroshi, Kichise Michiko e grande elenco.
Trata-se de uma história de suspense e mistério com um toque sobrenatural, como bem revela o subtítulo "A mulher que fez pacto com o demônio".
Diz a sinopse: "Nogami Meiko é uma jovem de pouco mais de trinta anos, há pouco saída da prisão. Quinze anos atrás ela foi considerada culpada pela morte do cunhado e do sobrinho, vítimas de uma torta envenenada que ela trouxera da confeitaria. Todavia Meiko era inocente. Agora livre ela dá início a um elaborado e perigoso jogo de vingança contra todos os homens que conspiraram, num festival de mentiras, para que ela fosse condenada e tida como uma pessoa monstruosa. Mashima Takuro, excêntrico e sorumbático detetive, começa a investigar suicídios misteriosos e descobre que todos os suicidas estão ligados ao caso Meiko. Entretanto Mashima acaba se envolvendo sentimentalmente com Meiko, provocando os ciúmes de Enomoto Mari, sua colega detetive e ex-namorada". 
O guia foi publicado em 2022 e está disponível em forma de arquivo de texto, que pode ser baixado gratuitamente aqui.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Lançamento: Cultura pop e Filosofia

Muitos se perguntam, inclusive os filósofos, para que serve a filosofia, sem encontar uma resposta satisfatória. Contudo, continuamos a filosofar sobre  tudo, inclusive a cultura pop, que não é a mesma coisa que cultura popular, embora tanto uma quanto outra sejam campos férteis para o exercício da filosofia. Infelizmente, a maior parte dos livros publicados sobre a filosofia da cultura pop são traduções de títulos estrangeiros, notadamente anglo-americanos, com pouco espaço para o exercício filosófico brasileiro. Mas, perguntariam, existe filosofia no Brasil? Sim, existe, e de boa qualidade. Mas o pouco que é publicado circula, quase sempre, apenas no ambiente acadêmico. Por isso é importante registrar e divulgar a publicação de Cultura pop e Filosofia, Volume 2: Quadrinhos, cinema, seriados animações, internet e afins, antologia com dezesseis artigos organizada pelo professor Heraldo Aparecido Silva, publicada em 2023 em edição digital pela editora Marca de Fantasia como número 59 do selo Veredas.
Diz o texto de apresentação: "O livro está organizado em três partes interdependentes, com eixos temáticos distintos. A primeira parte concentra os textos sobre histórias em quadrinhos em suas diversas modalidades e gêneros. A segunda parte encerra os textos que versam sobre algumas das principais variantes cinematográficas. A terceira parte contempla um espaço temático mais amplo, advindo do universo dos videogames, internet, animações, músicas e afins." 
A antologia é fruto das atividades de pesquisa do Núcleo de Estudos em Filosofia da Educação e Pragmatismo (NEFEP), vinculado à Universidade Federal do Piauí (UFPI). Tem 222 páginas com textos assinados por Izabel Maria Gomes da Paz, Francisco Raimundo Chaves de Sousa, Robson Carlos da Silva, Maria Alcidene Cardoso de Macedo Passos, Fernanda Antônia Barbosa da Mota, Adna Lusane Nunes Ferreira, Izildete de Sousa Torres, Marcus Gabriel Coutinho Silva, Bruno Araújo Alencar, Lara Brenda Lima de Oliveira, Fábio Júnior Alves da Silva, Ramiro de Castro Cavalcanti, Jéssica Ágne Campêlo Nunes e Shéyron da Silva Rodrigues Magalhães, sempre em parceria com o organizador. 
Este volume 2 está disponível para download gratuito no saite da editora, aqui. O volume 1, publicado em 2021, também está disponível, aqui.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Mitologia Aberta

Publicado desde fevereiro de 2021, Mitologia Aberta: Revista de livres pensadores mitológicos é um periódico dedicado ao registro e à discussão da mitologia sob a ótica da cultura pop, com edição da socióloga paulistana Larissa Dias. 
O tema até pode soar árido, mas não é não. Isso porque não há recortes: todas e quaisquer mitologias estão no campo de interesse da revista, bem como todas e quaisquer abordagens artísticas. Tanto é que a revista já vai pelo número 16, lançado em abril de 2023. 
Com 90 páginas, esta edição tem colaboração de Adriana Gonçalves de Freitas, Estevam Cervone, Andreia Capraro, Leonardo Tondato, Luis Ribeiro, Caio Kehyayan, Luiz Júnior e Luciana Mandu Lima em artigos e ensaios que tratam de séries de tv, livros, música e quadrinhos, com uma resenha ao álbum Últimos deuses, de Eric Peleias e Hiro Kawahara, publicação independente lançada em 2018. A capa traz uma ilustração do quadrinhista Will. 
Mitologia Aberta pode ser lida ou baixada gratuitamente aqui. O saite da publicação oferece também todas as edições anteriores em pdf e para leitura online.

quinta-feira, 9 de março de 2023

Spectros

Spectros
, série de tv em sete episódios. Roteiro e direção Douglas Petrie. São Paulo: Moonshot Pictures, 2020. 

A grande contribuição dos serviços de televisionamento por streaming foi a abertura de espaços mais generosos à produção local independente, antes só acessível a produtoras calçadas por grandes corporações econômicas, como as redes de tv aberta, por exemplo. 
Desde que o canal Netflix exibiu, em 2016, a primeira temporada da série de ficção científica 3%, mais e mais produções nacionais têm chegado ao público, muitas vezes com relativo sucesso. Foi nessa mesma plataforma que estreou, em 2020, a série de horror sobrenatural Spectros, criação do roteirista e diretor Douglas Petrie, produzida pela Moonshot Pictures. 
Conta a história de duas estudantes adolescentes que se envolvem com um marginal justamente na noite em que ele pretende roubar o templo de uma bruxa no bairro paulistano da Liberdade. As coisas complicam quando um homem em chamas surge e derruba uma velha boneca japonesa, objeto que parece ter o poder de reduzir as fortes dores de cabeça que há tempos torturam uma das garotas. Na fuga, num automóvel roubado, o grupo atropela e mata o tocha humana e todos acabam presos pela polícia. Mas há muitos segredos obscuros por trás daquela singela boneca e praticamente tudo o que circula pela Liberdade naquela noite concorre para complicar ainda mais a chances dos jovens chegarem vivos ao próximo nascer do Sol. 
Fantasmas, mortos-vivos, maldições ancestrais e necromantes psicopatas são ingredientes que alteram a percepção do delicado ambiente da Liberdade, bairro tão conhecido e querido dos paulistanos.
A série de sete episódios tem um elenco baseado em atores jovens, como Danilo Mesquita (Pardal), Claudia Okuno (Mila), Mariana Sena (Carla), Enzo Barone (Zeca) e Drop Dashi/Pedro Carvalho (Zeca), além de atores veteranos como Carlos Takeshi (Celso), Miwa Yanagizawa (Zenóbia), Norival Rizzo (o pipoqueiro Mário) e Daniel Rocha (o detetive Ricardo). 
A narrativa é movimentada, com muita correria e variação cenográfica, que vai de prédios abandonados e comunidades carentes, até construções históricas e cemitérios antigos. Mas exagera na amplitude geográfica do bairro, sugerindo uma extensão territorial muito acima da real: para aproveitar a cenografia da Rua da Glória, o grupo de jovens circula por ela continuamente de automóvel, num bairro que se atravessa a pé em meia hora, se muito. Talvez quem não conheça a Liberdade não perceba, mas isso prejudica muito a narrativa, alongando uma história que ficaria bem melhor em três ou quatro episódios.
Deixando tais detalhes de lado, Spectros engrossa a tendência da produção fantástica nacional inspirada em mitologia e folclore, que está fortemente presente na literatura de ficção e agora também na teledramaturgia, que já conta com outras séries nos canais de streaming como Cidade invisível (2021, Netflix), Desalma (2020, HBO Max), A todo vapor (2020, Amazon Prime) e Vale dos esquecidos (2022, HBO Max). Não deixa de ser interessante, afinal, tais iniciativas vinculam-se mais fortemente à cultura nacional e exploram aspectos raramente tratados por obras estrangeiras do segmento, mas é preciso muito cuidado para não se apropriar de culturas alheias e até em tratar crenças ainda vivas como se folclore fossem. Spectros, contudo, escapa bem desse risco, na medida que incorpora um elenco variado com predomínio de atores japoneses. 
Como produção, Spectros entretém e traz para o debate uma série de temas significativos, como a tortura, a intolerância e o racismo, bem como a diversidade étnica e cultural do povo brasileiro. Os efeitos visuais são muito bons e todos os atores funcionam muito bem em seus papéis. Vale a pena assistir, desde que se tenha em mente que não se trata de um seriado americano: o ritmo é bem mais lento, mas o prazer de reconhecer os espaços e a realidade ali representados garante uma boa diversão.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Juvenatrix 243

Está disponível a edição de fevereiro de 2023 do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em suas 16 páginas, traz um artigo especial sobre o seriado de tv Além da imaginação, em sua versão dos anos 1960, com resenhas 31 de seus episódios, além de uma  relação de filmes de fcf&h lançados em 2022. Divulgação e curiosidades sobre fanzines, livros, filmes e bandas independentes de metal extremo complementam a edição. A arte da capa tem autoria de Angelo M. S. Junior. 
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Projeto Ítaca

Mesmo antes da Marvel Comics se apropriar dos deuses da mitologia nórdica para construir seu império midiático que capitalistas de todo mundo se lançam à tarefa de fazer fortuna com a religião dos outros. A maioria não conseguiu grandes coisas, mas outros lograram faturar algum, como o mangaká Masami Kurumada e os Cavaleiros do Zodíaco, entre outros.
Esse tipo de iniciativa é muito mais comum do que parece, o que se confirma no interessante Projeto Ítaca, blogue sobre apropriações da mitologia mundial editado por Lúcio Reis Filho. É tanta coisa que o blogue está até subdividido em seções especializadas sobre cinema, games, literatura, música, televisão e tradição oral. 
Seria interessante saber se todo esse exército de produtores realmente tem algo importante a dizer ou se é apenas exploração capitalista pura e simples. Isso porque nem todas as religiões que parecem mortas o estão de fato. As de matriz africana e as nativo-americanas, por exemplo, ainda têm muitos praticantes e como nem sempre os produtores - brasileiros e estrangeiros - têm tanta sensibilidade quanto vontade de faturar em cima, muita gente está ficando zangada. Entendo que para se encontrar uma voz própria é preciso buscar as raízes, mas não a qualquer preço. O Projeto Ítaca é sinal de que a luz amarela acendeu. 
Parabéns a Lúcio reis Filho, que teve a percepção para do fenômeno e a iniciativa de mapeá-lo. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Juvenatrix 194

Está circulando a edição de março do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix editado por Renato Rosatti, que traz, em 14 páginas, ficção de Allan Fear e resenhas aos filmes de cinema Numa noite escura (One dark night, 1982) Ogroff/Mad mutilator (1983), The black cat (Il gatto nero/Demons 6: De profundis, 1989), e à série de tv Sexta-feira 13: O legado (1987/1990).
Divulgação e curiosidades sobre fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo completam, a edição. A capa traz uma ilustração de José Nogueira.
Para solicitar uma cópia em formato pdf, envie email para renatorosatti@yahoo.com.br.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Juvenatrix 192

Está circulando a edição de janeiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix editado por Renato Rosatti, que traz, em 20 páginas, conto de Allan Fear, resenhas aos filmes O altar do diabo (The Dunwich horror, 1970), The Earth dies screaming (1964), O grito da caveira (The screaming skull,1958), O mistério do invisível (The unseen, 1980), Mystics in Bali (1981), Zombie Nightmare (1987) e aos episódios "Frankenstein”, “O ovo de cristal”, “Encontro em Marte” e “The evil within” da série de tv Contos da escuridão (Tales of tomorrow, 1951/1953). Divulgação e curiosidades sobre fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo completam, a edição. A capa traz uma ilustração de Márcio Rogério Silva.
Para solicitar uma cópia em formato pdf, envie e-mail para renatorosatti@yahoo.com.br.

sábado, 17 de setembro de 2016

Todas as Starlogs

Nos anos 1980, a grande fonte de informação dos fãs de ficção fantástica, especialmente sobre cinema e tv, era a revista americana Starlog que, mensalmente, trazia notícias e curiosidades sobre a produção de fc&f nos EUA, inclusive com artigos dedicados a literatura e outras mídias, embora o seu carro chefe sempre tenha sido a produção audiovisual. Era uma publicação valorizada, difícil de obter, especialmente por conta de seu alto custo. Chegou a ter uma versão brasileira nos anos 1990 que, assim como outras publicações do segmento, não vingou frente à concorrência da internet.
Mas agora, as facilidades da internet tornam a Starlog uma publicação ao alcance de todos: todas as edições estão disponíveis gratuitamente para leitura online aqui.
Recomendo especialmente a edição comemorativa número 100, que trouxe uma valiosa lista de personalidades da fc&f mundial que ainda pode servir de referência aos estudiosos do gênero.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Que monstro te mordeu?

Incomum é o mínimo que se pode dizer da série Que monstro te mordeu?, dirigida por Cao Hamburguer, em exibição desde novembro de 2014 nas TV Cultura e TV Ratimbum.
Conhecido pela bem sucedida série Castelo Ratimbum, Hamburguer caprichou, com um inspirado desenho de produção, belos cenários e bons efeitos especiais. Conta a história dos habitantes do Monstruoso Mundo dos Monstros, onde a jovem monstrinha Lali vive com seu pai, o cientista monstrólogo Dr. Z, e seus amigos monstros Luisa, Gorgo e Dedé. Lali, a única com aparência humana, é interpretada por Daphne Bozaski. Todos os demais personagens são construídos à base de marionetes e animação 3D.
Tudo seria perfeito por lá se, a cada episódio, não surgisse um novo monstro materializado a partir do desenho de uma criança da nossa realidade. Esses monstros novos vêm carregados de malícia, e contaminam os inocentes monstrinhos desta monstrolândia com maus comportamentos humanos, que terão de ser superados pelo grupo.
O seriado tem 50 episódios de 30 minutos, conta com outros 50 episódios produzidos especialmente para a internet, e já tem uma legião de fãs. Vale a pena conferir.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Animal

Nos últimos anos, a teledramaturgia brasileira tem investido na produção de séries originais para a tv a cabo. Essas produções geralmente tratam de questões realistas, dramas familiares e sociais, comédias românticas e humor de forma geral. Apesar das inúmeras opções em diversos canais, a ficção fantástica tem sido um gênero ausente.
No passado, testemunhamos ótimas novelas de fc&f na televisão nacional, especialmente nos tempos da saudosa TV Manchete, que entre a sua programação de sucesso teve, por exemplo, as novelas Pantanal e A ilha das bruxas. Mais recentemente, fantasia e horror frequentaram a grade de novelas da Globo e da Record, nas novelas O beijo do vampiro, Bang bang, Morde e assopra, Cordel encantado e Os mutantes, esta última com toques de ficção científica.
Por isso tudo, é de surpreender a ausência do gênero nas séries nacionais, ainda mais considerando-se o sucesso que os enlatados estrangeiros de fantasia, fc e horror fazem junto ao público brasileiro.
Talvez tenha sido esse o motivo que levou a produtora Accorde Filmes, em parceria com a Globo, a realizar os treze episódios da primeira temporada de Animal, série de mistério e horror, criada e dirigida pelo cineasta e produtor gaúcho Paulo Nascimento, que estreou no dia 6 de agosto no canal a cabo GNT.
Paulo Nascimento tem ótimas credenciais, contando em seu currículo com o premiado longa Diário de um novo mundo (2005), além de Valsa para Bruno Stein (2007), A casa verde (2008), Em teu nome (2009) e A oeste do fim do mundo (2013).
O primeiro episódio de Animal, chamado "De volta para a toca", introduz a história do biólogo João Paulo Gil (Edson Celulari, de cabelos e barba grisalhos e desgrenhados) que retorna à sua cidade natal, Monte Alegre do Sul, em busca das anotações que seu pai registrou em diários, sobre uma doença incomum e hereditária que o acomete, cujos sintomas mais evidentes se revelam na ampliação de seus sentidos, mas que o leva a periódicos surtos de fúria incontrolável.
Porém, ele não é plenamente bem vindo na comunidade. Seu pai foi assassinado ali quando ele ainda era uma criança, sendo que ele mesmo não foi morto na oportunidade porque sua mãe o levou, fugindo para a cidade grande. Mesmo depois de tantos anos passados, João Paulo se depara com uma comunidade hostil que ainda o quer morto ou, pelo menos, bem longe dali.
Entre os personagens, um leque de figuras exóticas que são charme da história, como o líder de uma seita de virgens vestais, uma cafetina assustadora e um escultor louco – supostamente o assassino de seu pai – que passa a vida recluso em sua fazenda arruinada, entre outros. Há também uma boa quantidade de mistérios, sem falar em alguma nudez.
A série foi filmada em Caçapava do Sul (RS) e conta com um elenco de estrelas da televisão, tais como Nelson Diniz, Fernanda Moro e Cristiana Oliveira, que interpreta a prefeita de Monte Alegre e faz par romântico com Celulari.
Animal é exibida às quartas feiras, às 23 horas, mas conta com várias reprises em horários alternativos. Mais informações na página do seriado, aqui.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Agenda: Megacon 2014

No próximo sábado, 5 de julho, entre 10 e 19 horas, acontece na cidade de Curitiba-PR, a MegaCon – encontro da comunidade de fãs de ficção científica, fantasia e terror –, primeira de uma promoção que anuncia ser anual.
Apesar de acontecer em um único dia, o evento tem uma ampla grade de atividades – que pode ser conferida aqui –, que combina palestras e oficinas com diversos temas ligados à cultura nerd, exibição de filmes, jogos, cosplay, lançamentos de livros e quadrinhos, e uma grande feira com lojas e fã clubes.
Entre os autores convidados estão G. Norris, G. Brasman, Cesar Alcázar, Tiago Tizzot, Mustafá Ali Kanso, Paula Vendramini, Tani Falabello, Luiz Gustavo M. Pereira, Larissa Siriani e Affonso Solano.
Também chama atenção a homenagem que o evento prestará ao decano escritor da ficção científica brasileira, André Carneiro, que estará presente recebendo o Troféu Megacon Brasil 2014.
A Megacon acontece no Campus Curitiba da UTFPR, que fica na Av. Sete de Setembro, 3165. A entrada é franca.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

SBC Geek renasce

Passada as correrias de fim de ano, no próximo dia 22 de fevereiro, sábado, a partir das 13 horas, volta a acontecer o encontro de cultura nerd SBC Geek, promovido pela Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo.
Agora abrigado na Biblioteca de Arte Ilva Aceto Maranesi – localizada na Pinacoteca da cidade (Rua Kara, 105, Jardim do Mar, tel. 11 4125-2379) –, o SBC Geek segue com a mesma dinâmica que o caracterizou em 2013, com exibições de vídeos de animes e séries de tv com o grupo Trekker ABC, mesas de RPG com o Mestre Leite e consoles interativos de games eletrônicos vintage com equipes da revista Game Sênior e da Comunidade Mega Drive.
A programação especial deste encontro terá a exibição dos animes Hakuoki Reimeiroku, Shirokuma Café, Toriko, entre outros – com apoio cultural do saite Crunchyroll –, e um bate-papo com a especialista em games Flavia Gasi, sobre a mitologia na cultura dos videogames. A entrada é franca.
Mais informações na fanpage do SBC Geek.