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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Resenha: Rei Rato, China Miéville

Rei Rato
(King Rat), China Miéville. 400 páginas. Tradução Alexandre Mandarino; São Paulo, Tarja, 2011.

Saul é um jovem com problemas de relacionamento com o pai, com quem vive em um apartamento na periferia de Londres. Ao voltar de uma viagem, Saul vai direto para o seu quarto sem falar com o pai que, pelo som da tv ligada, estava na sala, provavelmente cochilando. 
Depois de um sono atribulado, Saul é acordado com o barulho de socos na porta da casa: é a polícia. Aturdido, Saul abre a porta e é imediatamente imobilizado pelos policiais, que o levam para a delegacia sob custódia: seu pai está morto no jardim, arremessado da varanda do prédio. O delegado encarregado da investigação acredita que Saul é o culpado, mas o garoto, em estado de choque, não entende nada do que está acontecendo. 
Enquanto aguarda a definição do caso, Saul fica detido em uma cela da delegacia. Mas algo bizarro acontece: um estranho de aparência assustadora, que se apresenta como seu tio, o tira de lá, passando imperceptível pelos policiais. O estranho o apresenta ao submundo de Londres, entre becos, lixo e esgotos. A vida de Saul vai mudar para sempre e as revelações que ele descobrirá serão terríveis não somente para ele, mas também para seus amigos. 
Rei Rato, romance de autoria do escritor britânico China Miéville, é um livro raro hoje em dia no Brasil. Publicado em 2011 pela extinta editora Tarja – de propriedade dos fãs e escritores de literatura fantástica Richad Diegues e Gianpaolo Celli –, teve tiragem pequena e nunca foi reeditado. Miéville, contudo, ganhou notoriedade desde então e o título hoje atrai o interesse de seus muitos leitores. 
Rei Rato foi o romance de estreia de Miéville, que hoje conta com livros premiados como A cidade e a cidade (2009), Estação Perdido (2000) e A cicatriz (2002), todos publicados no Brasil pela editora Boitempo. Por isso, Rei Rato pode soar como um trabalho menor na obra do autor, mas essa é uma percepção anacrônica. De fato, Rei Rato não apresenta o mesmo ritmo frenético, nem a ousadia na construção de mundo dos demais títulos, mas pode-se perceber nele muitas das marcas de estilo do autor, como um alto nível de escatologia e violência,  personagens ambíguos e cativantes, questões políticas evidenciadas, e muita dor. Também há diversos temas dentro da história que ecoam nas obras posteriores. Miéville foi mais ortodoxo na contação da história, que é uma aventura juvenil hard core, regada a música drum and bass e grande quantidade de gírias londrinas explicadas em muitas notas.
A história narra o caminho de descoberta e amadurecimento de um adolescente que se vê envolvido em uma guerra ancestral entre as nações dos ratos, das aranhas e dos pássaros, contra o misterioso e enlouquecido Flautista de Hamellin, que quer exterminar todas elas.
Embora a fantasia do horror estejam muito imbricadas, não é tão óbvio classificar Rei Rato como um romance New Weird (como seus outros livros) porque não há absolutamente nada de ficção científica na história. Mas podemos dizer, sem receio de erro, que se trata de uma fantasia urbana sombria na qual os subterrâneos londrinos são tão importantes quanto os personagens da trama, talvez mais. 
Rei Rato talvez seja mais palatável, apesar da escatologia, para a leitura de quem achou Miéville um escritor difícil de acompanhar, pois trata-se de uma narrativa simples e sem muitas reviravoltas. Contudo, sua leitura prévia não vai ajudar a acompanhar melhor os livros seguintes, porque a velocidade só aumenta e a vertigem é inevitável. Aliás, já dá para sentir um pouco dela aqui, especialmente nas sequências de ação intensa, que beiram o gore
Se for possível obter um exemplar, não deixe de ler Rei Rato, e entenda por que o New Weird causou tanto rebuliço na ficção especulativa mundial, inclusive entre os leitores e escritores brasileiros.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Resenha do Almanaque - Steampunk: Histórias de um passado extraordinário

Steampunk: Histórias de um passado extraordinário, Gianpaolo Celli, org. 182 páginas. São Paulo: Tarja, 2009.

Os fãs gostam de estar antenados com as ondas estrangeiras, especialmente dos EUA e Reino Unido. Assim também são autores-fãs, que acreditam que explorar novos ambientes e novos instrumentos narrativos é o melhor atalho para a criação de algo novo, sendo esse valor suficiente por si mesmo. Antes mesmo da habilidade técnica, o autor-fã acredita na originalidade e sobre ela costuma ser muito ciumento. Dessa forma, as ondas do cyberpunk, do new weird e do steampunk chegaram aos fanzines muito mais rapidamente que a qualidade narrativa dos autores, reverenciadas como aspectos da originalidade desejada. Essa falta de maturidade técnica acaba impedindo que a maior parte dos autores compreenda profundadamente o que esses movimentos significam em toda a sua amplitude e acabem por adotar apenas seus aspectos mais óbvios, não raro criando modelos que, ao fim e ao cabo, são mais cerceadores que libertadores.
Dessa forma, o cyberpunk foi emulado pelos fãs brasileiros unicamente pela presença intensiva da virtualidade e de uma linguagem forrada de jargões tecnológicos; o new weird transformou-se tão somente na mistura de gêneros estilo "tudo ao mesmo tempo agora". O steampunk, enfim, foi estigmatizado pelos cenários vitorianos com tecnologias imaginárias ou extrapoladas. E, assim sendo, o steampunk sequer é novidade. Afinal, essas características já estavam presentes nos primórdios da ficção científica. Os cenários são os mesmos que vemos nos primeiros textos de ficção científica de Edgar Allan Poe, Júlio Verne, H. G. Wells e seus contemporâneos. Então, por que isso agora?
Desde os anos 1990, especialmente no Brasil, os leitores progressivamente desinteressaram-se pelas promessas do futuro e voltaram-se para o passado: romances históricos, fantasia medieval e horror gótico passaram a ser o tipo de leitura comercialmente melhor sucedida. A ficção científica acompanhou a tendência justamente com o steampunk, encampando o romance histórico a partir da história alternativa – que pode aproveitar personagens reais – e da ficção alternativa, na qual são emprestados os personagens de ficção em domínio público, como Sherlock Holmes, Allan Quartermain e Drácula.
A editora Tarja, gerenciada por jovens escritores de ficção fantástica, decidiu assumir o subgênro e reuniu nove trabalhos inéditos na que propôs ser a primeira antologia steampunk da ficção brasileira, organizada por Gianpaolo Celli sob o título de Steampunk: Histórias de um passado extraordinário. Ainda que seguindo o mesmo princípio derivativo que historicamente caracteriza a ficção científica brasileira, o livro logrou ser um dos melhores momentos do gênero em 2009. Autores experientes deram ao volume o estofo necessário para agradar aos leitores exigentes, e os autores estreantes revelaram uma qualidade acima da média das antologias publicadas.
O conto que abre a antologia é "O assalto ao trem pagador", assinado pelo seu organizador, Gianpaolo Celli. Na virada do século XIX, três pesquisadores de aerostatos, cada um deles representante de uma sociedade secreta que manipula os destinos do mundo, criam um dirigível especial para roubar o carregamento de ouro de um trem superarmado. Apesar da boa narrativa, a moral da história é discutível e os personagens esquemáticos não evocam a simpatia do leitor.
Em seguida encontramos "Uma breve história da maquinidade", do experiente tradutor Fabio Fernandes que, em 2009, também publicou Os dias da peste, seu primeiro romance pela mesma Tarja Editorial. O autor mergulha na ficção alternativa, emprestando de Mary Shelley o Doutor Victor Frankenstein que, depois do fracasso com a criatura de carne, decide construir homens de metal. Associado a outros notáveis, cria uma fábrica de robôs e muda os caminhos da civilização do início do século XIX, colocando um serviçal robótico na casa de cada família. Com o passar dos anos, as máquinas ganham consciência e passam a reivindicar seus direitos civis, algo similar à clássica peça R.U.R., do escritor tcheco Karel Capec, não obtém contudo a mesma eficiência dramática.
"A flor de estrume" é a estreia do jornalista Antonio Luiz M. C. Costa como escritor. A história se passa em São Paulo, no início do século 20, em uma realidade em que os povos nativoamericanos não foram extintos e desenvolveram alta tecnologia. Um espião europeu tenta roubar do Instituto Butantã um produto recém-desenvolvido: a penicilina. O conto abusa de termos tupi-guaranis e investe no detalhamento dos cenários, construindo imagens pungentes que inserem o leitor nesse ambiente exótico com grande eficiência, mas abandona a história em si. O ambiente minucioso contrastado com um conflito ligeiro deixa impressão de uma história que terminou antes da hora, que pede para ser estendida.
"A música das esferas" também é estreia do autor Alexandre Lancaster. Um jovem prodígio em tecnologia envolve-se no que parece ser um caso de assassinato. Junto a um policial de técnicas pouco ortodoxas, enfrentam os riscos de uma descoberta científica muito perigosa. A primeira metade do conto é perfeita, com personagens bem montados e um mistério instigante a ser resolvido mas, na busca por uma narrativa intensa, a conclusão se vulgariza num show hollywoodiano de fogos de artifício. Ficou a sensação de ser o primeiro de uma série.
"O plano de Robida: Un voyage extraordinaire" é o texto mais longo do livro. Assinado pelo experiente Roberto de Sousa Causo que, em 2009, também publicou o romance Um anjo de dor, pela editora Devir Livraria, conta uma bem urdida aventura que mescla ficção e história alternativas. A bordo de um dirigível, um comando militar, acompanhado de um alternativo Alberto Santos Dumont, ataca forças terroristas internacionais acampadas na selva brasileira. Capturados, confrontam Robert Robida, o líder dos terroristas, que pretende tornar-se o senhor do mundo dominando tecnologias modernas e conhecimentos tão antigos quanto a civilização humana. O conto dialoga claramente com o romance Robur, o conquistador, de Júlio Verne, mas Causo mudou o nome do vilão provavelmente em homenagem ao importante ilustrador dos livros de Verne, Albert Robida (1848-1926). Também homenageia os romances de mundo perdido dos primórdios da ficção científica brasileira, como Amazônia misteriosa (1925) de Gastão Crulz e A cidade perdida (1948) de Jerônymo Monteiro. Uma verdadeira new weird, com dinamismo e conflitos em doses certas. A conclusão em aberto sugere uma sequência.
"O dobrão de prata", de Claudio Villa, escapa um tiquinho do formato geral dos demais contos da antologia, pois investe no terror sobrenatural ao invés da ficção científica. Um pesquisador acadêmico embarca numa aventura marítima em busca de um tesouro naufragado. Conto simples, que busca o estilo de H. P. Lovecraft.
A convencionalidade do conto de Villa valoriza ainda mais a sofisticação do texto seguinte, "Uma vida possível atrás das barricadas", de Jacques Barcia, o melhor texto do livro, candidato às listas de melhores contos da ficção científica brasileira. Um estranho casal – um robô e uma golem – foge para onde sabe que conseguirá ajuda para gerar um filho. Mas o local enfrenta uma revolução trabalhista e a guerra é um perigo contínuo. Uma história forte, com personagens interessantes e narrativa vigorosa e criativa. Contudo – e isso não é demérito algum – está mais para cyberpunk do que para steampunk, sem fazer uso das convencionalidades de nenhum dos dois subgêneros.
Em "Cidade phantástica", de Romeu Martins, o personagem principal é um super-edifício onde um delegado investiga os desdobramentos de um sequestro. As muitas citações podem agradar aos que gostam de caçar detalhes.
Flávio Medeiros fecha a seleta com "Por um fio", deliciosa homenagem à obra de Júlio Verne – sempre ele – contando o confronto de seus dois sociopatas favoritos, Nemo e Robur, cada qual em seu veículo de guerra característico num combate até a morte. Ecoa também A raposa do mar (The enemy bellow, 1957), longa metragem que narra uma dramática batalha entre um couraçado americano e um submarino alemão.
Numa avaliação geral, a qualidade da antologia está acima da média, equilibrada e bem editada. Peca apenas pela falta de originalidade, já que a proposta é, sem nenhum pudor, emular um subgênero da moda. Já se vê por aí grupos de fãs fantasiados de Bat Masterson, de colete, polainas, bengala e chapéu coco, tentando implementar, tal como os fãs de Star Trek, um estilo de vida steampunk.
Não há nisso, portanto, muito mérito, pois não se percebeu empenho dos autores, exceção feita a Jacques Barcia, em fugir dos paradigmas mais evidentes do steampunk. A recorrência aos aerostatos e a Júlio Verne mostra que ou os autores tiveram dificuldade em visualizar alternativas para o ambiente ou simplesmente não se empenharam em desdobrar o modelo em algo mais original.
A editora Tarja encerrou suas atividades em 2013, sem efetivar a publicação de um prometido segundo volume da antologia, que chegou a ser anunciado em diversas fanpages ligadas ao tema. Contudo, lançou outros títulos que com ela dialogam, como a antologia Retrofuturismo, publicada em 2013 com contos de proposta algo mais ampla. Contudo, a mais importante herança da antologia Steampunk foi a enorme quantidade de antologias similares que a ela se seguiram por várias outras editoras, que ainda repercutem no fandom brasileiro.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Resenha do Almanaque: A bondade dos estranhos, João Barreiros

A bondade dos estranhos, João Barreiros. 210 páginas. Capa: Verena Peres, sobre ilustração de Marcelo Tonidandel. Adaptação para o português brasileiro por Luiz Marcos da Fonseca. Tarja Editorial, São Paulo, 2011.

Um dos mais bem-vindos fenômenos da Segunda Onda da ficção científica brasileira foi o intercâmbio com os autores portugueses, efetivado inicialmente através dos fanzines brasileiros e robustecida pela presença de representantes brasileiros nos congressos de fc&f realizados em Portugal, eventos estes em tudo mais sofisticados que seus correlatos brasileiros, uma vez que contavam com a presença de ilustres autores anglófonos e até com a publicação de raras antologias bilíngues nas quais alguns autores brasileiros lograram estampar trabalhos. Essa convivência exigiu a criação do termo “ficção lusófona” para se referir aos trabalhos de fc&f em língua portuguesa, não importando a nacionalidade do autor. Hoje, essa convivência já não é tão próxima quanto foi nos anos 1990, mas ainda se observa em algumas antologias brasileiras e portuguesas.
De forma geral, a relação só trouxe benefícios para a ficção científica no Brasil, uma vez que os autores portugueses demonstram habilidade e sensibilidade superiores em relação ao trato da língua e do gênero, sendo bons exemplos de criatividade e técnica.
Entre os autores lusitanos que desenvolveram uma relação mais íntima com o fandom brasileiro está João Manuel Barreiros, que teve diversos trabalhos aqui publicados, em fanzines como o Somnium, Megalon e Scarium, alguns deles premiados. Por isso tudo, é surpreendente que tenha demorado tanto tempo para que um editor brasileiro percebesse o valor do texto de Barreiros.
A bondade dos estranhos está com toda a certeza entre os melhores textos de fc já publicados no Brasil, com altas doses de ação, aventura, emoção e maravilhamento, sem esquecer do estilo arrojado característico do autor. O romance foi publicado em Portugal em 2007 pela Escritório Editora e promete ser o primeiro volume de uma trilogia.
A narrativa é voluptuosa e sensual, repleta de um fremir ansioso por mais e mais, numa orgia de violência e escatologia. Mas não há sexo em A bondade dos estranhos. O apelo é muito mais básico: a fome e a gula.
Num futuro em que a Terra foi definitivamente colonizada por diversas raças alienígenas, vive Joana Mendes, uma adolescente que, quando criança, foi selecionada para participar do projeto experimental Candy-Man, que lhe legou uma habilidade empática especial, mas deixou sequelas psicológicas graves. Os danos causados pelo despertar das habilidades de Joana são usados como instrumento de chantagem para convencê-la a cuidar, durante 24 horas, dos filhotes de um dos mais altos dignitários de uma das raças alienígenas que agora dominam o planeta. A tarefa seria fácil, não fossem eles de uma espécie predadora cuja agressividade se manifesta mais abertamente durante a juventude.
O cenário desse futuro também não é dos mais alvissareiros. A Terra está dividida entre três raças alienígenas invasoras que são concorrentes entre si: os angsts e os spleens, ambos absolutamente misteriosos para a percepção humana; e os spiertvick’kaps, um tipo de escorpião gigante, também chamados de helloweens por causa de sua cabeça em forma de abóbora. Apesar das evidentes diferenças físicas e culturais, é a raça alienígena mais identificada com a percepção e psicologia humanas. A presença dessas raças no planeta causa inúmeras e imprevisíveis alterações no ecossistema e na biologia terrestres, suas genéticas interagindo com animais e plantas nativos, transformando o planeta num ambiente em efervescente mutação.
Para não ser ainda mais responsabilizada pela misteriosa tragédia que aconteceu quando do despertar de suas habilidades, Joana aceita o “convite” da embaixadora spiertvick’kap Vielmina Spratzt, que vai ausentar-se para uma conferência e precisa que alguém tome conta de sua ninhada de nada menos que 500 filhotes. Joana vai contar com a orientação e supervisão de Mr. Jeeves, um mordomo robô tão formal quanto rigoroso. Para ele, a jovem humana nada mais é que um grande aborrecimento.
Joana tem que usar toda a sua capacidade empática para se impor frente aos vorazes filhotes, o que por si já não é tarefa fácil. Mas não é tão simples assim. No processo, Joana descobre que nos bastidores da propriedade de Vielmina Prazt prospera algum tipo de conspiração, cuja necessidade é que ela não saia de lá viva, mas Joana está resoluta a não colaborar com o esquema.
O romance tem características cyberpunks óbvias, mas também apresenta contornos New Weird, sendo exemplo bem acabado do que há de mais moderno na ficção científica internacional, um caldo de informações tão abundante e rico que o leitor brasileiro, acostumado a dietas mais leves, pode ficar perturbado.
Não é por acaso. João Barreiros é um especialista em fc, dono de uma biblioteca invejável que parece ter lido integralmente. Além de escritor, é tradutor, editor e crítico, formado em Filosofia pela Universidade de Lisboa. Ganhou dois Prêmios Nova e é autor de alguns dos mais festejados romances de fc em língua portuguesa, como Disney no céu entre os Dumbos (E-nigma Pro, 2001), A verdadeira invasão dos marcianos (Presença, 2004), e o volumoso Terrarium: Um romance em mosaicos (Caminho, 1996), em parceria com o escritor português Luís Filipe Silva. Também publicou as coletâneas O caçador de brinquedos e outras histórias (Caminho, 1994), Duas fábulas tecnocráticas (do autor, 1997) e Se acordar antes de morrer (Gailivro, 2010).
Por tudo isso, A bondade dos estranhos é leitura obrigatória a todos aqueles que querem ter uma verdadeira experiência literária gnóstica e gastronômica. Se é que você me entende.

domingo, 6 de novembro de 2011

FCdoB no prelo

A BHB Eventos Culturais, organizadora da terceira edição do concurso Ficção Científica Brasileira: FCdoB - Panorama 2010-2011, divulgou há poucos dias a relação dos vinte contos selecionados para compor uma antologia de novos talentos do gênero no Brasil. São eles:
"Asas", de Alexandre Lobão;
"No passado", de Anderson Santos;
"Obsoleto", de Antonio Junior;
"Dialética da perfeição", de Antonio Bórgia;
"O patriarca", de Augusto Guimarães;
"Demiurgo", de B.B. Jenitez;
"Como jogar contra adversários mais fortes", de Carlos Abreu;
"A intervenção", de Carlos Sautchuk;
"Tiangwá e os pequenos guerreiros de Yoomandu-Açu", de Chico Pascoal;
"Imperfeito", de Denis Winston Brum;
"O sexto círculo", de Gustavo Coelho;
"Apotine gratinado", de Gustavo Rimoli;
"A inimaginável materialização de Samira", de João Paulo Vaz;
"Memorial", de Marcel Breton;
"Recomeço", de Mozart Almeida;
"Acorda e vem ver o luar", de Paulo Eduardo Mauá;
"Nulla in mundo pax sincera", de R. Lovato;
"Resíduos atômicos e as falhas nos microprocessadores Weltall", de Raul Rabesch;
"Controle remoto", de Ronaldo Brito Roque;
"Nanovidas", de Rubem Cabral.
Augusto Guimarães, Carlos Abreu, João Paulo Vaz, Alexandre Lobão, Denis Winston Brum e Anderson Santos também estiveram entre os selecionados nas edições 2006/2007 (Corifeu, 2007) e 2008/2009 (Tarja, 2009). Uma curiosidade é a presença de B. B. Jenitez, pseudônimo de Osame Kinouchi Filho, autor da Segunda Onda da FCB, ganhador de um Prêmio Nova em 1990. Isto pode sinalizar que a promoção está recebendo a atenção do fandom histórico, conhecido como Segunda Onda da FCB, que até hoje mantinha-se respeitosamente a distância.
A antologia será publicada brevemente pela Tarja Editorial, e a sua capa, que pode ser vista ilustrando este artigo, trará o desenho "Curumins" de Carlos Reno, vencedor do concurso na categoria ilustração.
Parabéns a todos os selecionados e aos organizadores do concurso por mais um trabalho bem executado.

domingo, 21 de agosto de 2011

Lançamento múltiplo

No próximo sábado, dia 27 de agosto, as editoras Tarja e Estronho promovem juntas o lançamento de nada menos do que cinco títulos: Tempo de Algória, de Richard Diegues, Reino das névoas, de Camila Fernandes, A bondade dos estranhos, de João Barreiros, e as antologias Time Out: Os viajantes do tempo e Sociedade da sombras. O evento acontece no Bar Pier, Rua Joaquim Távora, 1327, em São Paulo.
Aproveite para comprar e conhecer os autores, que estarão circulando por lá ente as 16 e as 22 horas. É um bocado de gente e vai parecer uma mini-convenção de FC&F, sem dúvida. Mais um sinal da robustez do fandom que, aos poucos, vai descolando das iniciativas centralizadas, com cada grupo e editora ganhando autonomia.
Em tempos não tão distantes, nem mesmo um ano inteiro de atividades em conjunto garantia tanta vitalidade.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Lançamentos reais

Dia 27 de agosto, no bar e restaurante Pier 1327 (R. Joaquim Távora 1327, São Paulo) acontece o 3.o Encontro das editoras Traja e Estronho, quando serão lançados vários títulos das duas editoras.
Um deles é a coletânea Reino das névoas: Contos de fadas para adultos, de Camila Fernandes. Trata-se de uma releitura das histórias de fadas sob um caráter mais maduro e violento, como elas devem ter sido contadas originalmente. A coletânea é formada por sete contos, ilustrados pela própria autora.
Diz o relise: "O que nossos pais esconderam sutilmente de nós enquanto liam à cabeçeira de nossas camas? Agora que somos adultos, porcuramos por essas respostas. E aqui, neste livro, elas estão em cada linha".
Camila que teve contos publicados nas antologias Necrópole, Paradigmas, Visões de São Paulo, Extraneus: Quase inocentes e o recente A fantástica literatura queer. Esta é sua primeira coletânea e vem chancelada pelo Governo do Estado de São Paulo com o financiamento do Proac.

Outro lançamento do evento será a antologia Time out: Os viajantes do tempo, organizado por Ademir Pascale para a editora Estronho, com histórias de Roberto de Sousa Causo, Álvaro Domingues, Luciana Fátima, Estevan Lutz, Allan Pitz, Edgar Indalécio Smaniotto, Mariana Albuquerque e Miguel Carqueija, além do próprio Pascale. O volume é apresentado pelo decano escritor André Carneiro e traz ainda um texto do jornalista Jorge Luiz Calife. Enquanto espera a data do evento, a editora disponibilizou uma amostra aqui, com o conto "A máquina da insanidade", de Estevan Lutz. Aproveite.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A fantástica literatura queer

Dentre muitos projetos anunciados pelas editoras que se dedicam a trabalhar com a FC&F no Brasil, não há nenhuma dúvida que o mais corajoso e polêmico é a antologia A fantástica literatura queer, organizada por Cristina Lasaitis e Rober Pinheiro para a Tarja Editorial, lançada no último dia 24 de junho, em São Paulo, aproveitando as atividades ligadas ao Dia do Orgulho Gay.
A coragem da Tarja e dos organizadores em se meter nesse vespeiro se potencializa quando eles se envolvem com a questão homossexual dentro do perímetro da ficção fantástica, especialmente da ficção científica, herdeira do pensamento conservador e assexuado da Golden Age, ainda muito dominante no gênero.
Há pouquíssima FC&F que coloca em pauta, mesmo que transversalmente, a questão homossexual. Raramente aparecem personagens gays e, quando existem, eles são indecisos e inseguros, refletindo a dificuldade dos autores do gênero em abordar a questão.
Num exercício rápido de memória, na FC brasileira apenas um trabalho me vem a mente: o conto "Quando murgau A.M.A. murgau", de Ivan Carlos Regina, publicado na antologia O fruto maduro da civilização (1995, GRD), um autêntico trabalho de discussão da homossexualidade de uma forma que só mesmo a ficção científica poderia propor.
Na FC estrangeira há mais opções. Lembro-me das utopias homossexuais O planeta Esparta, de Bertram Chandler, e seu inverso, As exterminadoras, de Edmund Cooper. Outros livros que margeiam o assunto são A mão direita da escuridão, de Ursula Le Guin, Não temerei o mal, Robert Heinlein, e Gateway, de Fredrick Pohl, que apresenta um personagem homossexual bastante redondo.
Há mais. Contudo, o tema parece restrito a um nicho específico do mercado, um fandom dentro do fandom, que sustenta editoras, revistas e prêmios literários, como o Lambda Award, que tem categoria específica para FC&F&H. Trabalhos de Anne Rice, Samuel Dalaney e Octavia Buttler já foram indicados a esse prêmio, e Clive Barker o ganhou duas vezes, com trabalhos já traduzidos no Brasil (Sacrament, Galilee).
Apresentada em dois volumes de 178 páginas cada, A fantástica literatura queer traz textos inéditos de quinze autores brasileiros: Alliah, Camila Fernandes, Cesar Sinicio Marques, Claudio Parreira, Cristina Lasaitis, Cindy Dalfovo, Daniel Machado, Eric Novello, Kyran, Laura Valença Guerra, Monica Malheiros, Osíris Reis, Renato A. Azevedo, Rober Pinheiro e Rogério Paulo Vieira, todos autores ligados ao que se convencionou chamar de Terceira Onda da FC Brasileira, ou seja, surgidos principalmente na internet. Nota-se aqui um certo distanciamento dos autores das Primeira e Segunda Ondas, talvez fortuito, mas muito revelador. É claro que havia a possibilidade dos organizadores selecionarem material não inédito, mas deve ter sido uma opção consciente não fazê-lo.
O único detalhe que não me agradou foi a proposta militante com que a antologia é apresentada. Aparentemente, os mais de três milhões de participantes da Parada Gay não são suficientes para convencer que os homossexuais não são uma minoria social e que a questão pode ser colocada com maior naturalidade, sem manifestos e frases de efeito.
De qualquer forma, A fantástica literatura queer é uma obra a ser observada.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Isso que é novidade


Mantendo a sua proposta de ousadia, a Tarja Editorial, que foi a primeira editora a abrigar o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, publicou o escatológico Fome de Tibor Moricz e antecipou uma onda com a antologia Steampunk, mais uma vez investe numa proposta arrojada na ficção fantástica brasileira, divulgando a preparação de uma antologia de contos de ficção fantástica de conteúdo homossexual.
Chamada de A fantástica literatura Queer, o volume será organizado por Cristina Lasaitis e Rober Pinheiro, e a data de publicação prevista é junho de 2011, durante o mês do orgulho gay.
Por enquanto há apenas o projeto divulgado no saite da Tarja, que apresenta um tipo de manifesto, conclama os autores a enviarem material para seleção e estabelece regras para a apresentação dos trabalhos.
Diz o projeto: "A Fantástica Literatura Queer será a primeira coletânea de contos de ficção científica e fantasia brasileira dedicada à diversidade sexual, e esclarecemos que nosso objetivo não é meramente publicar um livro, mas criar um marco para a literatura de gênero e sobre gêneros ao compor uma aliança de escritores fantásticos pela promoção da diversidade sexual na cultura brasileira, incluindo não somente a luta pela cidadania de gays, lésbicas e transgêneros, mas também a derrubada de tabus e preconceitos enferrujados dentro da nossa própria literatura."
Os homossexuais têm sofrido ataques nas ruas das cidades brasileiras, isso todo mundo sabe, e a publicação de um trabalho desses pode contribuir para colocar a questão em foco, mas eu não me lembro de nenhum tipo de agressão ou preconceito ao homossexualismo dentro da literatura fantástica brasileira, a não ser que se considere preconceito o fato de haver poucos trabalhos dessa linha no Brasil.
Nos EUA, a ficção gay forma um mercado segmentado, com revistas e editoras especializadas no nicho. O gênero tem até um prêmio anual, o Lambda Literary Award, que tem categorias específicas para fantasia, ficção científica e terror. É possível que o mesmo acabe acontecendo aqui, uma vez que não podemos dizer que o tema seja propriamente popular.
Contudo, a FC gay não é inédita no Brasil. Alguns contos traduzidos apareceram na meia-antologia Futuro proibido [Semiotext(e)], parcialmente publicada pela Conrad em 2003 e resenhada aqui. E mesmo na ficção científica brasileira, há pelo menos o excelente conto "Quando murgau ama murgau", de Ivan Carlos Regina, que mesmo não sendo inédito, merecia figurar na antologia.
Tomara que A fantástica literatura Queer tenha boa receptividade e seja o início de um novo mercado para a atividade literária no Brasil.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A situação

A editora Tarja também divulga seus futuros lançamentos, anunciando a tradução da novela A situação (The situation), do escritor americano Jeff VanderMeer, uma história estranha e perturbadora que se desenrola dentro de uma corporação futurista, na qual as pessoas podem ser gente normal ou pós-humana, incluindo ciborgues das mais variadas formas, e até pessoas artificiais. Lembra um bocado o clima insano de filme Brazil, de Terry Gillian, com uma dose generosa de cyberpunk.
Diz uma citação de Margo Lanaganno, publicada no saite: “Pegue Dilbert, ponha-o dentro de Gormenghast, acrescente pesadelos biotecnológicos em abundância e você terá algo com sabor de A situação de Jeff VanderMeer. A sombriamente hilária história conta as horríveis verdades do trabalho e do local de trabalho modernos. Qualquer um que já tenha tido um colega disfuncional ou tenha trabalhado para uma organização falida vai reconhecer facilmente as maquinações e os monstros aqui".
O livro terá 120 páginas e deve ser lançado em fevereiro, mas ainda não está em pré-venda. Para uma pequena mas saborosíssima degustação, visite a página do livro aqui, onde é possível ler um trecho.
O expediente revela que o autor da bela ilustração da capa é Marcelo Tonidandel, mas não credita a tradução da obra.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Três anos de Tarja

A editora Tarja, casa que publicou as edições 2007 e 2008 do Anuário, está convidando todo mundo para comemorar os três anos de atividades num grande encontro de confraternização nesta sexta-feira, dia 2 de julho, no seu tradicional point de lançamentos, o Bardo Batata, na Rua Bela Cintra, 1333, em São Paulo/SP, a partir das 19 horas.
Os editores Richard Diegues e Gianpaolo Celli aproveitarão o evento para divulgar os 14 títulos que estão em preparação para futuro lançamento, entre eles antologia com vários autores Cyberpunk – Histórias de um futuro extraordinário, os romances Memórias desmortas de Brás Cubas, de Pedro Vieira, Os anos de silício, de Fábio Fernandes, Casas de vampiro, de Flávio Medeiros, Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues e Cyber Brasiliana, coletânea de Richard Diegues a ser lançada dentro de alguns dias. Eles também esperam receber novos projetos de autores interessados em publicar. Uma ótima oportunidade para quem estiver a procura de uma editora. Falem com eles, os caras são gente fina e trabalham bem.
De minha parte, já vão aqui os meus parabéns à Tarja, com profunda gratidão por ter abrigado o projeto do Anuário.
Sucesso, parceiros!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Paradigmas 4


No princípio, era o fanzine, e ele era bom. Veio então o grande inverno, longo e rigoroso, e ele não suportou e morreu. Sua semente ficou sob a neve e os homens tiveram muita fome. Mas a primavera veio enfim e a semente brotou. Mas não era mais fanzine: era livro.

Esta é a lenda que corre na tradição oral sobre o fenômeno das antologias em 2009. Observa-se que boa parte das publicações em formato de antologias comerciais tem sido publicada com o mesmo espírito independente e militante dos fanzineiros de outrora, porém com doses bem mais generosas de acabamento gráfico. Tecnicamente contudo, não são diferentes de seus extintos antecessores, sendo inclusive publicadas de forma periódica e numerada, como eram também os fanzines.
Percebe ainda o mesmo discurso, revolucionário, grandiloquente, quase sempre introduzido por um manifesto. É justamente este o caso da série de antologias Paradigmas, da Tarja Editorial, casa publicadora dirigida por autores-fãs que têm se empenhado em construir um catálogo exclusivo de ficção fantástica.
Paradigmas publicou três volumes em 2009 e o número 4 foi lançado há poucos dias, inaugurando as atividades da editora no ano. O volume, organizado por Richard Diegues, tem 120 páginas e reúne 13 contros inéditos, assinados por Georgette Silen, Ronaldo Luiz Souza, Leonardo Pezzella Vieira, Ana Lúcia Merege, Marcelo Jacinto Ribeiro, Roberta Nunes, Adriana Rodrigues, Carlos Abreu, M. D. Amado, Rober Pinheiro, Sandro Côdax, Fábio Fernandes e o próprio organizador, Diegues.
O livro pode ser comprado aqui, e está bem em conta. No mesmo site, podem ser também encontrados os volumes anteriores, além de um amplo catálogo de títulos de interesse.
Se Paradigmas realmente quebra paradigmas como se propõe, ainda não sei, mas certamente proporcionará algumas horas de lazer sadio regado a boas ideias. Portanto, vale a pena experimentar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

FCdoB volume 2


Conforme já havia comentado aqui, há alguns meses fui contatado por um dos coordenadores do concurso literário FCdoB, Pedro Rangel, interessado em usar um antigo texto meu como prefácio do livro que publicaria os ganhadores da segunda edição do concurso, realizado ao longo de 2009.
Fiquei um pouco surpreso a princípio, porque achava que o texto estava superado. Mas Rangel insistiu que ele estava perfeito e como não vi motivo para atualizá-lo, autorizei a publicação "in natura". Desde então estava na espera pelos resultados do concurso que, conforme Rangel confidenciou, recebeu perto de 250 trabalhos.
Finalmente, os ganhadores foram apresentados aqui, e o livro, cuja primeira edição foi publicada com recursos próprios, desta vez saiu pela editora Tarja, a mesma que tem publicado o Anuário Brasileiro da Literatura Fantástica, e tem realizado um surpreendente trabalho editorial ao longo dos últimos anos.
A capa da nova edição, produzida por MilaF e Verena Peres, está mais vibrante e focada no gênero do que a do primeiro volume. A antologia tem 208 páginas e traz 26 trabalhos de autores novos, entre eles alguns nomes já vistos em outras publicações, como Hugo Vera e Maria Helena Bandeira.
Uma amostra da edição, com direito aos prefácios e dois contos, pode ser obtida no site da editora, aqui, e o livro real pode ser pré-adquirido aqui.
Parabéns aos vencedores e aos organizadores do concurso, que se firma como evento do calendário do fandom brasileiro, e a editora Tarja, que demonstra não ter medo de investir no novo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Anuários



O ano passado eu combinei com a Editora Tarja que não iria concorrer com ela vendendo exemplares do Anuário, mas este ano a editora liberou. Então, adquiri um lote de exemplares e, dessa forma, quem preferir pode comprar comigo. Tenho exemplares das edições de 2007 e 2008. Quem se interessar, entre em comigo pelo e-mail ceritosilva@yahoo.com.br para ter mais informações.
A Tarja continua vendendo os livros no seu site. Aliás, está com uma promoção, que inclui os dois Anuários mais outros cinco títulos por apenas R$75,00. Uma bagatela!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Steampunk


Um dos livros que adquiri durante a III FantastiCon foi este lançamento da Editora Tarja, Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, antologia organizada por Gianpaolo Celli, com nove histórias de ficção científica escritas por autores brasileiros, seguindo um modelo algo popular nos dias de hoje, conhecido como steampunk.
O modelo não é novo, de fato ele já estava presente nos primeiros trabalhos de FC do final do século XIX, quando a revolução industrial ainda não estava totalmente consolidada e o sonho da tecnologia estava nas máquinas movidas a vapor. Jules Verne e H. G. Wells sempre são citados como referência quando se trata do steampunk, mas eles não o eram de fato. Verne e Wells escreviam ficção científica, ponto. O steampunk é um tipo de revival daquela fantasia tecnológica de final de século, porém transposto para os nossos dias, como se a tecnologioa do vapor tivesse de fato ido além das locomotivas e chegado aos computadores e ao espaço, tudo na base do vapor. Absurdo? Pode ser, mas muito romântico. Autores como Bruce Sterling e William Gibson, os papas do cyberpunk, modernizaram os contornos criativos desse modelo quando publicaram The difference engine, um romance que fala sobre o surgimento da tecnologia digital ainda nos tempos vitorianos e o impacto que isso causaria na civilização.
Outros autores vieram unir-se a essa proposta e o cinema em especial, com filmes como As loucas aventuras de James West e A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, auxiliou na popularização do modelo entre o público leigo antes mesmo que ele se tornasse maduro no gênero.
Dispostos a não serem deixados para trás, nove autores brasileiros dedicaram-se a compor a primeira antologia brasileira específica no estilo. São eles: Fábio Fernandes, Antonio Luis M. C. Costa, Alexandre Lancaster, Roberto de Sousa Causo, Claudio Villa, Jacques Barcia, Romeu Martins e Flávio Medeiros, além do organizador Gianpaollo Celli que arriscou ele mesmo um conto.
O conceito é instigante e o time de autores anima a leitura imediata. Mas não vou fazer uma análise crítica agora, que deve sair no Anuário 2009. Por enquanto, fica aqui apenas a divulgação.
O livro pode ser encomendado diretamente no site da Editora Tarja.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Habemos Anuário 2008


Somente dois dias depois, estou achando tempo para atualizar as notícias sobre o lançamento do Anuário 2008, o meu livro em parceria com o jornalista Marcello Simão Branco, que acaba de ser publicado pela Editora Tarja.
O lançamento aconteceu na noite do dia 21 de julho num bar do centro de São Paulo, e considerando o trânsito da cidade e as dificuldades inerentes a um evento de meio de semana, até que tinha bastante gente por lá. É que, junto com o Anuário 2008, a Tarja lançou no mesmo evento o terceiro volume de seu periódico literário Paradigmas, que reúne vários autores, e parte desse povo, junto com seus convidados, também estava lá.

Da esquerda para a direita, Roberto de Sousa Causo, Marcello Simão Branco e Matias Perazolli

Mas o que interessa é que e tive a grata felicidade de receber alguns amigos, entre eles alguns que eu não via há anos, como a blogueira e poetisa Elise Garcia, o colega de CLFC Matias Perazolli, o escritor Roberto de Sousa Causo, o escritor e tradutor Fábio Fernandes, além de ter a satisfação de conhecer pessoalmente o escritor Clinton Davisson, o blogueiro Álvaro Domingues, do HomemNerd, e o escritor Hugo Vera e esposa, que moram na mesma cidade que eu - São Bernardo do Campo - mas nunca havíamos nos encontrado antes.
Levei uma máquina fotográfica e fiz algumas imagens, mas sou um farsante como repórter e não fiz uma cobertura completa. Então, aqui estão duas apenas para ilustrar este relato.

Cesar Silva e a jovem blogueira Elise Garcia

Dia 25 próximo, a partir das 14 horas, estarei representando o Anuário na FantastiCon, cuja divulgação está no post anterior, e acredito que nessa oportunidade vou reencontrar outros amigos que não vejo muito tempo, e curtir alguma nostalgia dos tempos de HorrorCon, que aconteciam no mesmo local.

sábado, 11 de julho de 2009

Convite para o lançamento do Anuário 2008


Aqui está o convite oficial, divulgado há pouco pela Editora Tarja (clique na imagem para ver em tamanho maior).
O editor informa que a tiragem é limitada, por isso o preço de R$30,00. Apesar de um pouco apimentado, está abaixo do preço do lançamento do Anuário 2007, que se justifica pela exclusividade da obra.
Durante o lançamento será oferecido um pacote com as duas edições por um preço muito interessante, que vale a pena aproveitar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Lançamento do Anuário 2008


Enfim, tenho a data do lançamento da edição 2008 do AnuárioBrasileiro de Literatura Fantástica: 21 de julho, às 18h30 no Bardo Batata, Rua Bela Cintra, 1333, São Paulo, Capital, próximo a estação Consolação do Metrô.
Richard Diegues, da editora Tarja, publicadora do livro, avisou-nos que os exemplares estarão prontos ainda esta semana e que o lançamento do Anuário vai acontecer paralelo ao lançamento do volume 3 da série de antologias Paradigmas, na mesma bat-hora e no mesmo bat-canal. Ótima oportunidade para quem quer adquirir ambos os livros em primeira mão e, talvez, aproveitar alguma promoção envolvendo o Anuário 2007 e os volumes anteriores da Paradigmas.
E pode ainda rolar promoções da casa - o Bardo Batata é um restaurante bem bacana, com um cardápio interessante. Durante o lançamento da Paradigmas 2, por exemplo, quem comprasse os dois volumes ganhava dois chopps. Isso é que é promoção de primeira!
Mas quem quiser, poderá encontrar comigo, com o Marcello Branco e com o pessoal da Tarja durante a III FantastiCon, dia 25 de julho a partir das 14 horas, pois vamos estar por lá fazendo a divulgação dos livros da Tarja, entre eles o Anuário.
A FantastiCon é um encontro de autores, editores e fãs de FC&F que este ano acontece na Biblioteca Viriato Correia, Rua Sena Madureira, 298, São Paulo, Capital, próximo a estação Vila Mariana do Metrô.
Além do Anuário e do Paradigmas, a Tarja anuncia o lançamento da antologia Steampunk – Histórias de um passado extraordinário, o primeiro livro de contos brasileiro com a temática da moda. Vale a pena dar uma passadinha em um desses dois eventos para conhecer as novidades. Ou então, dar um passeio no site da Tarja.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Anuário 2008


Ainda não tenho informações completas sobre o lançamento da nova edição do Anuário Brasileiro de Literatura fantástica, que está no prelo pela editora Tarja, mas já fui autorizado a divulgar a imagem de sua capa, que dá seguimento ao padrão inaugurado na edição anterior, publicada em meados de outubro de 2008. Esta nova edição, referente ao panorama de 2008, tem a publicação prevista para julho e estou na expectativa pelo lançamento oficial.
Nesta edição, resenhamos os lançamentos Amor vampiro, Areia nos dentes, O caminho do poço das lágrimas, Fábulas do tempo e da eternidade, FCdoB - Ficção científica brasileira panorama 2006-2007, Fome, O par - Uma novela amazônica, A pulp fiction de Guimarães Rosa, Coisas frágeis, Nevasca e Tempo fechado, os clássicos "O alienista", Esfinge e O homem que viu o disco voador, entrevistamos longamente o escritor André Vianco, completando com registros de premiações internacionais, análises de mercado de livros e periódicos, ensaios críticos e listas completas de lançamentos nos gêneros da ficção científica, fantasia e horror.
Assim que eu receber notícias da editora quanto a sua disponibilidade, darei o recado aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Paradigmas e Ficção de Polpa


Na sexta-feira da semana passada estive reunido com os meus editores, Richard Diegues e Gianpaolo Celli, proprietários da Tarja Editorial, e com o meu colega Marcello Simão Branco, para acertarmos os detalhes da publicação da edição 2008 do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, que está em progresso, com possibilidades fortes de ser lançada durante a FantastiCon, em julho, na Biblioteca Viriato Correa, em São Paulo. A parte redacional foi concluída e revisada, a diagramação está pronta e estão sendo realizados apenas alguns ajustes técnicos para a a saída de gráfica. Em algumas semanas teremos uma prova da nova capa, que deve seguir o padrão da edição de 2007, porém com uma nova imagem.
Desta vez o Anuário vem com as resenhas dos livros Amor vampiro, Areia nos dentes, O caminho do poço das lágrimas, Fábulas do tempo e da eternidade, FCdoB – Ficção Científica Brasileira Panorama 2006/2007, Fome, O par: uma novela amazônica, A pulp fiction de Guimarães Rosa, Coisas frágeis, Nevasca, Tempo fechado, Esfinge e O homem que viu o disco voador, uma longa entrevista com o escritor André Vianco e um texto de Ramiro Giroldo sobre a obra de André Carneiro, além das listas de lançamentos, análises de mercado e todas as outras coisas que o leitor que acompanha o Anuário desde a sua primeira edição em 2005 já está acostumado.

No mesmo dia, aproveitei para prestigiar o lançamento do volume 2 da coleção de antologias Paradigmas organizada pelos editores da Tarja, com um apanhado de textos de ficção fantástica de diversos escritores brasileiros novos. Embora não tenha permanecido por muito tempo, adquiri meu exemplar, aproveitei o preço camarada (apenas R$13,00!) para comprar também o volume 1 que eu ainda não tinha, e cumprimentei alguns dos autores presentes, entre eles o meu amigo Ataíde Tartari, que eu não via há um bom tempo e não me canso de dizer que é um dos melhores escritores de FC&F do nosso meio. Pena que ele não exercite sua ficção com mais frequência, pois é um artista de mão cheia. Mas estou sendo um tanto injusto, uma vez que Tartari tem aparecido com alguma regularidade em antologias mainstream e está construindo uma reputação muito favorável.
Os volumes da coleção Paradigmas têm aparência gráfica inspiradora, que reporta aos experimentalismos de Dave McKean, cheia de detalhezinhos interessantes que atraem o olhar. Meus parabéns aos artistas que viabilizaram a publicação destes livros que, ombreados à coleção Ficção de Polpa – organizado por Samir Machado de Machado para a Não Editora –, sinalizam um renascimento dos periódicos de autores nacionais, agora num formato semiprofissonal que dá gosto ver. Ficção de Polpa também está num preço muito favorável, de forma que dá para comprar todos os volumes sem pesar no orçamento.

A propósito, o volume 3 de Ficção de Polpa, só com contos de fantasia, está à venda na Livraria Cultura da Avenida Paulista, onde também se podem encontrar os volume 1 – dedicado ao horror – e o volume 2 – dedicado à ficção científica. Com certeza, não temos do que reclamar em relação a o quê ler neste primeiro semestre de 2009.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Anuário no HQ&Cia


No dia 4 de abril estive no estúdio da AllTV, acompanhado do jornalista Marcello Simão Branco, para a transmissão de um dos programas da emissora, o divertido HQ&Cia , comandado pelo jornalista César Freitas e dirigido por Edu Fernandez. O tema da nossa participação foi o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, cuja edição referente a 2007 foi publicada em outubro de 2008 pela Editora Tarja.
A AllTV é uma emissora digital cujo sinal só pode ser captado pela internet, e o HQ&Cia vai ao ar, ao vivo, todos os sábados às 15 horas. No site do programa podem ser acessadas muitas entrevistas com personalidades ligadas ao mundo do entretenimento, entre escritores, editores, quadrinhistas, fãs e muito mais, basta acionar os links correspondentes. Recomendo, para os interessados em literatura fantástica, a ótima participação da brasilianista Lybby Ginway, acadêmica norte-americana especialista em ficção científica brasileira, entrevistada pelo programa em 2007.
Chegamos lá cerca de 15 minutos antes do nosso horário e pudemos ver o final da gravação do programa anterior, uma movimentada mesa com artistas da luta-livre, que mesclava falas dos participantes com cenas clássicas dos saudosos programas de telecatch da TV brasileira. E depois da gente, veio um programa muito bacana sobre seriados de TV que eu fiquei muito interessado em assistir.
Na nossa vez, falamos sobre um bocado de coisas ligadas a FC&F e acabamos tocando só de leve no assunto principal – o Anuário. Tudo bem, porque a conversa ficou mais leve e abrangente.
Não vou falar mais nada sobre a nossa participação porque ela pode ser vista na íntegra aqui. O estúdio teve problemas em um dos microfones da mesa - justamente aquele que deveria pegar as nossas vozes - por isso perdoem o volume baixo das nossas falas.