"Não é fácil definir a Quimera. É uma área enorme na Paraíba, tomada por uma cor cinzenta, fungos com formas humanas, casebres abandonados e carcaças, aranhas albinas e lagartos de múltiplas cabeças. Seu perímetro é incerto e, quando a pessoa que o adentra se dá conta, já foi atingida pelo vento carregado de esporos. A Quimera, ou 'O Terreno', na linguagem local, nasceu de uma catástrofe biológica nas instalações da empresa Mircalla S.A., dez anos atrás. Nunca se soube ao certo o que a companhia, financiada por civis e militares, estudava ali; após o incidente, os dados da pesquisa desapareceram, talvez ocultados pelas Forças Armadas. Mas o que é, exatamente, a Quimera? Território dominado por fungos sencientes, Chernobyl barroca afligida por um acidente radioativo, fruto de pesadelos? Guias locais ainda conduzem visitantes às terras contaminadas, mas nenhum relato de quem volta é totalmente confiável. Aparelhos de medição não funcionam no local; fotos saem distorcidas. Osman perdeu a mãe para a Quimera. Glória Lins, docente do departamento de Química da Universidade Federal de Campina Grande, foi uma das principais pesquisadoras do laboratório antes do acidente. Desde então, vive em estado de paralisia, descolada da realidade. Agora, ele decide levá-la de volta ao local, na esperança de que a Quimera, com todos os seus mistérios, a traga de volta.
A narrativa, trançada por diferentes pontos de vista e carregada de imagens, aos poucos leva o leitor para dentro do Terreno. E acompanha os devaneios e a loucura de seus personagens, conforme a realidade se reorganiza e se confunde."
Este é o texto de apresentação de A Quimera, primeiro romance do experiente escritor e crítico literáro paraibano Cristhiano Aguiar, que já nos ofereceu a coletânea de contos Gótico Nordestino, publicado em 2022 pela Alfaguara, livro vencedor do Prêmio Clarice Lispector da Biblioteca Nacional.
A Quimera dialoga de forma bastante próxima com alguns importantes textos do gênero da ficção científica, como a trilogia "New Weird" Comando Sul (Aniquilação, Autoridade e Aceitação), e os clássicos Piquenique na estrada, dos russos Arkády e Boris Strugatski, e O mundo de cristal, do britânico J. G. Ballard, nos quais um determinado território torna-se perigoso e imprevisível aos seres humanos devido a algum tipo de influência perniciosa incompreensível.
A narrativa, trançada por diferentes pontos de vista e carregada de imagens, aos poucos leva o leitor para dentro do Terreno. E acompanha os devaneios e a loucura de seus personagens, conforme a realidade se reorganiza e se confunde."
Este é o texto de apresentação de A Quimera, primeiro romance do experiente escritor e crítico literáro paraibano Cristhiano Aguiar, que já nos ofereceu a coletânea de contos Gótico Nordestino, publicado em 2022 pela Alfaguara, livro vencedor do Prêmio Clarice Lispector da Biblioteca Nacional.
A Quimera dialoga de forma bastante próxima com alguns importantes textos do gênero da ficção científica, como a trilogia "New Weird" Comando Sul (Aniquilação, Autoridade e Aceitação), e os clássicos Piquenique na estrada, dos russos Arkády e Boris Strugatski, e O mundo de cristal, do britânico J. G. Ballard, nos quais um determinado território torna-se perigoso e imprevisível aos seres humanos devido a algum tipo de influência perniciosa incompreensível.
A Quimera tem 280 páginas, publicação pelo solo Alfaguara da editora Companhia das Letras e lançamento agendado para o dia 10 de novembro.



















