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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quadrinhos de fc&f com força total

Enquanto os quadrinhos brasileiros lutam para sobreviver as custas de financiamentos coletivos e verbas públicas, as bancas e gibiterias têm sido recheadas com lançamentos de diversos títulos de quadrinhos estrangeiros de todos os tipos, e parece haver um interesse especial dos editores pela ficção científica e fantasia. Além dos títulos em publicação já comentados aqui, como Juiz Dredd, X-O Manowar (que se desdobrou na revista Valliant), The walking dead e o mangá Ataque dos titãs, estão chegando vários novos títulos de interesse aos fãs do gênero.
Entre os mais esperados está o mangá Pretty guardian Sailor Moon, de Naoko Takeuchi, pela JBC, com a versão em quadrinhos de um dos maiores clássicos do anime que, curiosamente, continuava inédita no Brasil. Talvez tenha sido a proximidade do lançamento de um novo filme para o cinema que animou a publicação, embora isso seja um tanto incomum. Afinal, outros mangás importantes tiveram filmes recentes e seguem inéditos em português.
Saillor Moon fez grande sucesso no Japão e várias temporadas do anime foram exibidas no Brasil nos anos 1990. Conta a história de uma estudante secundária intelectualmente prejudicada, cujo grande coração é sua maior qualidade. Herdeira de uma tradição mística, a menina é auxiliada por um gato falante e um grupo de amigas na luta contra o mal milenar que destruiu o mítico Reino da Lua.
Também dos mangás vem Soel & Larg: As aventuras de Mokona Modoki, do estúdio Clamp, pela
editora New Pop. Clamp é um dos mas bem sucedidos estúdios de quadrinhos do Japão, responsável por sucessos como As guerreiras Mágicas de Rayearth e Sakura Card Captor, entre outros. Os dois curiosos bichinhos protagonistas da história são uma assinatura do estúdio, presentes em várias de suas produções, que aqui ganham uma aventura solo num álbum de 220 páginas em cores, que dialoga com as muitas histórias em que já participaram, algo que os fãs do Clamp certamente vão amar.

Da Europa vem Aâma: O cheiro da poeira quente, de Frederik Peeters, pela Nemo. Primeiro de uma série de álbuns três números já publicados, conta a história de um homem amnésico perdido num planeta alienígena que tem num diário e na companhia de um gorila robô, as pistas para desvendar seu passado misterioso.
Para fechar esta seleção, a editora HQM anunciou que também vai distribuir nas bancas o coletivo periódico Dark Horse apresenta, com uma seleção de personagens dessa editora americana que tem nos quadrinhos cult uma especialidade.
A edição de estreia traz histórias de Concreto e Xerxes, uma estrevista com Frank Miller e arte de muita gente boa, como se pode ver pelas chamadas da capa. A revista tem 84 páginas e já está disponível em algumas lojas especializadas – embora ainda não apareça no site oficial da HQM. Certamente ocupará o vácuo deixado pelo recente cancelamento da série Vertigo, da Panini, e deve disputar leitores com a já citada Juiz Dredd, também da HQM.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Metrópolis

Osamu Tezuka (1928-1989), um dos mais influentes quadrinhistas japoneses, é considerado o pai do mangá moderno. Isso porque ele transformou a arte dos quadrinhos no Japão, dando-lhe identidade cultural e tornando-a um verdadeiro fenômeno de massa.
Contudo, Tezuka não atingiu esses objetivos através de uma proposta nacionalista, ao contrário. Ele abraçou com vontade as características do quadrinho ocidental, especialmente o norte-americano, que era extremamente influente no seu país nos anos pós-guerra.
E isso fica muito claro na leitura de um de seus clássicos, Metrópolis, publicado originalmente em 1949, traduzido no Brasil em 2010 pela editora New Pop.
Metrópolis foi confessamente inspirado no filme homônimo de Fritz Lang, de 1927, mas Tezuka conta, no posfácio da edição brasileira, que não tinha visto o filme, mas apenas uma imagem estática da cena em que Maria, a robô, é criada. Tezuka ainda conta que queria realmente mudar o panorama do mangá japonês, então dominado pelo que ele chama de "akahon", a literatura juvenil masculina. Para isso, investiu numa longa saga de ficção científica com uma personagem feminina, ou quase isso: Michi é um androide andrógino, criado a partir de moléculas artificiais de proteína sensibilizadas pela radiação de um raro fenômeno solar. Dr Lawton, o cientista que criou Michi, o fez a mando de uma corporação criminosa internacional controlada pelo mafioso Duque Red, que domina a tecnologia dos robôs e os escraviza em suas fábricas secretas, mas anseia pela criação do super-homem, um passo adiante na tecnologia robótica. Contudo, no último momento, Lawton engana Red incendiando o laboratório e dizendo que o protótipo fora destruído no acidente mas, na verdade, o leva em segredo e passa a cuidar dele como um filho, sem lhe revelar a origem artificial. Anos depois, Red vai descobrir que foi enganado por Lawton e fará de tudo para retomar o controle sobre Michi.
Em meio à história, há referências a outras obras clássicas ocidentais, como a pobre vendedora de flores, inspirada no romance Os miseráveis, de Victor Hugo, a ilha em que Red promove experiências genéticas, que reporta a Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells, e A ilha misteriosa, de Júlio Verne, assim como a revolta final dos robôs, que vimos primeiro na novela R.U.R, de Karel Capek, e no próprio Metropolis de Fritz Lang.
Além disso, fica patente a forte influência ocidental na estética dos desenhos de Tezuka, especialmente do trabalho de Walt Disney, de quem Tezuka emprestou Mickey Mouse sem a menor cerimônia, numa legítima sequência de antropofagia modernista. É verdade, portanto, o que o mestre falava sobre os grandes olhos dos personagens dos mangás – sua mais importante herança na arte – terem sido inspirados nos estilo da Disney.
No roteiro também percebemos a influência do quadrinho ocidental, desenvolvido em espasmos narrativos, como nas tiras dos jornais. Sem esquecer que Metrópolis adianta alguns dos temas que se tornariam frequentes na arte de Tezuka, como a troca de identidades e da luta pela liberdade.
Metrópolis atinge assim o status de um verdadeiro 'elo-perdido' na história da evolução do mangá e também do quadrinho moderno em todo o mundo, na medida em que o Japão agora realimenta a arte com sua própria estética. É Osamu Tezuka, vivo e influente.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Supernatural em quadrinhos

Mais um seriado de TV chega aos quadrinhos. Agora é a vez dos caçadores de demônios Sam e Dean Winchester, do seriado Supernatural (Sobrenatural, no Brasil), produzido pela Warner.
Geralmente, os seriados de TV não vão muito longe em suas versões quadrinhizadas. Talvez seja por isso que desta vez, já na versão original do selo Wildstorm da editora americana DC, as histórias foram publicadas em álbuns volumosos ao invés de revistinhas, de forma a ter um destino comercial claramente dirigido ao leitor adulto. Não que Supernatural seja, em tese, um seriado adulto, até porque não é mesmo, mas porque os leitores de quadrinhos hoje são veteranos em sua grande maioria e não se importam em desembolsar uns trocados a mais para dispor de seus fetiches ilustrados. Os dois álbuns chegaram a o Brasil pela editora New Pop por módicos R$39,00 o exemplar, uma bagatela para quem afinal já está pagando a faculdade dos filhos.
O volume 1, chamado Supernatural - Origem, desembarcou em outubro de 2010, e o volume 2, subtitulado Ascenção, chegou agora em abril de 2011. Ambos têm 144 páginas e contam histórias passadas antes daquelas vistas no seriado, quando os irmão Winchester ainda são crianças sendo treinadas pelo pai. Os roteiros são de Peter Johnson e os desenhos de Matthew Dow Smith. Mas não se engane com o desenho estiloso das capas: estes são assinadas por Tim Sale.
Eu até compraria, porque sou fã do seriado, mas por esse preço não dá. Minha filha ainda não está na faculdade.