Era a guerra de trincheiras (C'était la guerre des tranchées), Jacques Tardi. Tradução de Ana Ban, 128 páginas. Editora Nemo, 2011.
Com o fim da corrida espacial e a derrocada da visão positivista de um futuro limpo e luminoso, a atenção das pessoas volta-se para o passado. Os fatos da história têm ganhado audiência em todo o mundo e também no Brasil. Livros sobre a história têm se tornado bestsellers e há até um canal da tv a cabo exclusivamente dedicado a ela, muito adequadamente chamado de History Channel.
Histórias em quadrinhos documentais estão cada vez mais em pauta, tanto sobre o passado distante quanto recente. As guerras são um cenário recorrente e rico, e já sustentaram seriados importantes em todos os mercados do mundo, como a coleção Combate, publicada no Brasil nos anos 1960 pela Editora Taika. Clássicos como Maus de Art Spiegelman e Gen: Pés descalços, de Keiji Nakazawa, mostram que ainda há muito o que se dizer sobre os grandes conflitos humanos.
Entretanto, algumas guerras parecem interessar mais do que outras. A Guerra do Vietnã e a Segunda Guerra Mundial ocupam a maior parte das páginas publicadas, por isso é valiosa a tradução no Brasil do álbum Era a guerra de trincheiras, do multipremiado cartunista francês Jacques Tardi.
Tardi nasceu em 1930, em Valence, França. Começou a fazer quadrinhos aos 23 anos, na revista Pilote, em parcerias com Jean Giraud, Serge de Beketch e Pierre Christin. Um de seus maiores sucessos foi a série Les aventures extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec (iniciada em 1976), com histórias de uma investigadora paranormal ambientadas no início do século 20. Praticamente inédito no Brasil, Tardi teve publicado por aqui Le cri du peuple (O grito do povo, Conrad, 2005), álbum em dois volumes com roteiros de Jean Vautrin. Contudo, suas mais importantes contribuições para a arte dos quadrinhos são seus muitos relatos antibélicos, tais como Adieu Brindavoine (1974), Le trou d'obus (1984), e C'était la guerre des tranchées, vencedor do Eisner Awards 2011 em duas categorias.
Publicado originalmente em 1993 pela Casterman, Era a guerra de trincheiras chegou ao Brasil em 2011 pela Editora Nemo, com tradução de Ana Ban. Conta episódios dramáticos reais acontecidos nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, provavelmente o conflito mais sangrento e absurdo da história do mundo.
Tardi reproduz os relatos de seu avô, que participou dessa guerra e testemunhou o cotidiano terrível e brutalizante que os soldados enfrentaram no front, durante anos de imobilidade enterrados em buracos lamacentos e insalubres, apenas porque seus comandantes não sabiam como lutar com as novíssimas tecnologias disponíveis. Blindados, aviões, bombas cada vez mais poderosas, gás, metralhadoras, tudo era experimentado como num show de horrores mortal. A Tardi não importam os motivos e o desfecho do conflito, mas as histórias particulares de soldados mal preparados que, na maior parte do tempo, sequer sabiam o que estavam fazendo ali.
O traço caricato reforça o horror da guerra, com um estilo que não nos permite desviar o olhar, como talvez fizéssemos caso o desenho fosse mais realista. Também transmite uma sensação de instabilidade contínua, de sujeira e umidade, que impregna a percepção. Embora não tenha sido intenção do autor fazer um documentário, a reconstituição é cuidadosa, com arquitetura, armas, veículos e uniformes perfeitamente caracterizados.
O acabamento do álbum é primoroso, as 128 páginas impressas em preto e branco sobre papel cuchê, encadernadas em capa dura. Nas duas últimas últimas páginas, estampa uma lista com filmes e livros sobre a Primeira Guerra Mundial, que valem como um guia de pesquisa para quem quiser se aprofundar no assunto.
Como trabalho de arte, Era a guerra de trincheiras é incomparável. Como histórias em quadrinhos, contudo, deixa um pouco a desejar, já que sua narrativa é fragmentada e distante, sem protagonista fixo, na maior parte do tempo narrada por recordatórios. Os poucos balões que surgem têm textos longuíssimos, as vezes quase incompreensíveis, que estancam a dinâmica narrativa e tornam a leitura lenta e difícil, obrigando o leitor a olhar os desenhos com ainda mais atenção.
De qualquer forma, isso é irrelevante frente a qualidade da arte de Tardi que, por si só, justifica plenamente a publicação do álbum, além de sua leitura do conflito ser de todo procedente e significativa.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
sábado, 5 de janeiro de 2019
Animal'z, Enki Bilal
Animal'z, Enki Bilal. Tradução de Fernando Scheibe. São Paulo: Nemo, 2012.
A ideia do fim do mundo exerce um fascínio irresistível em todos nós. Muito já foi escrito sobre isso, mas o assunto não se esgota: o tema transformou-se num dos mais rentáveis filões da ficção científica, mas a linha que separa a especulação válida da completa tolice é determinada pela preocupação do texto em antecipar as consequências das atitudes que estão sendo tomadas hoje. Nesse aspecto, Animal'z está entre as melhores peças do gênero.
Trata-se de uma sofisticada novela gráfica do quadrinhista sérvio Enki Bilal, publicada originalmente em 2009 pela editora belga Casterman e lançada em 2012 no Brasil pela Nemo, um selo da Editora Autêntica.
A leviana interferência humana sobre a natureza causou um severo desequilíbrio ambiental que ficou conhecido como Golpe de Sangue, e lançou o planeta numa nova era glacial, aniquilando a civilização. Os poucos sobreviventes tentam atingir os Eldorados, regiões quase míticas nas quais se acredita ainda ser possível a vida, mas o caminho para lá é difícil e perigoso. A água potável é rara, os meios de comunicação caíram e não há transporte aéreo e terrestre; as únicas formas de viajar são a pé, no lombo de um animal ou, para os mais afortunados, nos barcos.
Campos minados e radioatividade são perigos remanescentes dos tempos antigos, e as ruínas das cidades escondem canibais famintos a caça de carne fresca. Apesar das duras provas que a natureza impõe aos peregrinos, o verdadeiro perigo para o homem é mesmo o outro: encontros entre sobreviventes invariavelmente resultam em alguma morte, seja por acidente, por intolerância, ou mesmo por instinto de autopreservação.
A história começa a bordo de um luxuoso iate que navega em direção ao Estreito 17, um dos poucos acessos seguros a uma rota que se acredita levar até um dos Eldorados. A bordo, uma jovem sem muita perspectiva de chegar a qualquer lugar que seja: seu marido morreu num acidente improvável, empalado por um filhote de marlim arremessado por uma tempestade, e a moça agora viaja sob os cuidados de um servo eletrônico, um tipo de lagosta robótica, mistura de capitão e mordomo.
Quando um golfinho sobe a bordo e de suas entranhas emerge um homem desconhecido, é que realmente começa o pesadelo. Vamos descobrir que o Golpe de Sangue vai muito além de uma "simples" era do gelo. Os homens desse tempo não são mais como nós. Através de um milagre da tecnologia, eles podem alternar suas forma e natureza entre humano e animal.
Em outro ponto do oceano, um segundo iate também segue em direção ao Estreito 17, levando a bordo ninguém menos que o próprio inventor da tecnologia de hibridização, ele mesmo um híbrido que, assim como o inescrupuloso Doutor Morreau de H. G. Wells, ousou invadir o terreno do sagrado e, com isso, só colaborou para que as coisas ficassem ainda piores.
E, numa terceira linha narrativa, dois cavaleiros quase idênticos, separados entre si por exatos três quilômetros, caminham pela vastidão gelada em busca do local místico em que realizarão seu quarto e talvez definitivo duelo de morte. As narrativas vão se cruzar e determinar o futuro de cada um destes infelizes desesperados do fim do mundo.
A história tem o estilo descosturado que caracteriza as obras de Bilal, com personagens enigmáticos e atormentados que se debatem por algo que sequer sabem ser real. Isso, somado a ausência de uma contextualização sólida, dá a história tons claustrofóbicos estranhamente reforçados pela vastidão gelada do cenário, num diálogo muito próximo ao longa-metragem Quinteto (Quintet), ficção científica dirigida por Robert Altman em 1979.
Os desenhos são um espetáculo à parte, executados com habilidade de um mestre da anatomia, usando apenas lápis pastel sobre papel tonalizado, em cores frias que não variam muito além do cinza azulado, o preto e o branco. A arte é valorizada pelo acabamento gráfico da edição brasileira, que tem 104 páginas em papel cuchê fosco de boa gramatura e encadernação costurada em capa dura.
A Nemo investiu na publicação da obra de Bilal, um dos mais importantes ilustradores surgidos nos anos 1970 nas páginas da revista Metal Hurlant. Em 2012, a editora também trouxe aos leitores brasileiros a festejada Trilogia Nikopol, obra-prima que já tem inclusive uma adaptação para o cinema, Immortel (ad vitam), dirigida em 2004 pelo próprio Bilal.
Apesar das qualidades inegáveis, Animal'z não é uma história em quadrinhos fácil. A narrativa barroca e incômoda, ideias em estado bruto, texto fragmentado e a violência fria, quase gratuita, pode chocar os leitores que não estão acostumados ao estilo do autor, às especulações da ficção científica moderna ou aos modelos pós-modernos da narrativa literária. Ainda assim, é uma experiência muito recomendável.
A ideia do fim do mundo exerce um fascínio irresistível em todos nós. Muito já foi escrito sobre isso, mas o assunto não se esgota: o tema transformou-se num dos mais rentáveis filões da ficção científica, mas a linha que separa a especulação válida da completa tolice é determinada pela preocupação do texto em antecipar as consequências das atitudes que estão sendo tomadas hoje. Nesse aspecto, Animal'z está entre as melhores peças do gênero.
Trata-se de uma sofisticada novela gráfica do quadrinhista sérvio Enki Bilal, publicada originalmente em 2009 pela editora belga Casterman e lançada em 2012 no Brasil pela Nemo, um selo da Editora Autêntica.
A leviana interferência humana sobre a natureza causou um severo desequilíbrio ambiental que ficou conhecido como Golpe de Sangue, e lançou o planeta numa nova era glacial, aniquilando a civilização. Os poucos sobreviventes tentam atingir os Eldorados, regiões quase míticas nas quais se acredita ainda ser possível a vida, mas o caminho para lá é difícil e perigoso. A água potável é rara, os meios de comunicação caíram e não há transporte aéreo e terrestre; as únicas formas de viajar são a pé, no lombo de um animal ou, para os mais afortunados, nos barcos.
Campos minados e radioatividade são perigos remanescentes dos tempos antigos, e as ruínas das cidades escondem canibais famintos a caça de carne fresca. Apesar das duras provas que a natureza impõe aos peregrinos, o verdadeiro perigo para o homem é mesmo o outro: encontros entre sobreviventes invariavelmente resultam em alguma morte, seja por acidente, por intolerância, ou mesmo por instinto de autopreservação.
A história começa a bordo de um luxuoso iate que navega em direção ao Estreito 17, um dos poucos acessos seguros a uma rota que se acredita levar até um dos Eldorados. A bordo, uma jovem sem muita perspectiva de chegar a qualquer lugar que seja: seu marido morreu num acidente improvável, empalado por um filhote de marlim arremessado por uma tempestade, e a moça agora viaja sob os cuidados de um servo eletrônico, um tipo de lagosta robótica, mistura de capitão e mordomo.
Quando um golfinho sobe a bordo e de suas entranhas emerge um homem desconhecido, é que realmente começa o pesadelo. Vamos descobrir que o Golpe de Sangue vai muito além de uma "simples" era do gelo. Os homens desse tempo não são mais como nós. Através de um milagre da tecnologia, eles podem alternar suas forma e natureza entre humano e animal.
Em outro ponto do oceano, um segundo iate também segue em direção ao Estreito 17, levando a bordo ninguém menos que o próprio inventor da tecnologia de hibridização, ele mesmo um híbrido que, assim como o inescrupuloso Doutor Morreau de H. G. Wells, ousou invadir o terreno do sagrado e, com isso, só colaborou para que as coisas ficassem ainda piores.
E, numa terceira linha narrativa, dois cavaleiros quase idênticos, separados entre si por exatos três quilômetros, caminham pela vastidão gelada em busca do local místico em que realizarão seu quarto e talvez definitivo duelo de morte. As narrativas vão se cruzar e determinar o futuro de cada um destes infelizes desesperados do fim do mundo.
A história tem o estilo descosturado que caracteriza as obras de Bilal, com personagens enigmáticos e atormentados que se debatem por algo que sequer sabem ser real. Isso, somado a ausência de uma contextualização sólida, dá a história tons claustrofóbicos estranhamente reforçados pela vastidão gelada do cenário, num diálogo muito próximo ao longa-metragem Quinteto (Quintet), ficção científica dirigida por Robert Altman em 1979.
Os desenhos são um espetáculo à parte, executados com habilidade de um mestre da anatomia, usando apenas lápis pastel sobre papel tonalizado, em cores frias que não variam muito além do cinza azulado, o preto e o branco. A arte é valorizada pelo acabamento gráfico da edição brasileira, que tem 104 páginas em papel cuchê fosco de boa gramatura e encadernação costurada em capa dura.
A Nemo investiu na publicação da obra de Bilal, um dos mais importantes ilustradores surgidos nos anos 1970 nas páginas da revista Metal Hurlant. Em 2012, a editora também trouxe aos leitores brasileiros a festejada Trilogia Nikopol, obra-prima que já tem inclusive uma adaptação para o cinema, Immortel (ad vitam), dirigida em 2004 pelo próprio Bilal.
Apesar das qualidades inegáveis, Animal'z não é uma história em quadrinhos fácil. A narrativa barroca e incômoda, ideias em estado bruto, texto fragmentado e a violência fria, quase gratuita, pode chocar os leitores que não estão acostumados ao estilo do autor, às especulações da ficção científica moderna ou aos modelos pós-modernos da narrativa literária. Ainda assim, é uma experiência muito recomendável.
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
Senna: Vinte anos do mito da velocidade
O Brasil tem poucos heróis. Dentre eles, os do esporte são os mais lembrados, principalmente aqueles que deram aos brasileiros a alegria de se sentirem os melhores do mundo, como Garrincha, Pelé, Romário, Ronaldo, Guga, Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, por exemplo. Mas o fato é que a maior parte deles não é unanimidade. Talvez a única exceção seja Ayrton Senna, três vezes campeão da maior categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1, que em vida foi um fenômeno midiático do porte de um membro da família real britânica. Senna foi elevado a categoria de mito no dia 1º de maio de 1994, quando toda a sua habilidade não foi suficiente para vencer a curva Tamburello, no GP de Ímola.
Senna tornou-se personagem de quadrinhos ainda em vida, quando foi lançada a revista infantil Senninha – coisa que Pelé também já teve –, mas faltava ao leitor brasileiro o acesso a um quadrinho mais sofisticado, que desse dignidade a carreira vitoriosa desses atletas maiúsculos. Não que isso já não tenha sido feito. Durante sua passagem pela escuderia McLaren/Honda, Senna tornou-se ídolo no Japão, e lá recebeu uma série de quadrinhos muito bem feita, que segue inédita no Brasil.
Coube a editora Autêntica, através do selo Nemo, dedicado à publicação de quadrinhos europeus, a tarefa de trazer ao país um emocionante e bem realizado álbum semi-documentário sobre a careira de Senna, que talvez seja o único herói unânime no País. Criação de uma inspirada equipe franco-belga formada pelo jornalista Lionel Froissart no roteiro, e os ilustradores Christian Papazoglakis e Robert Paquet (ambos do estúdio Graton, responsável pelas histórias de Michel Vaillant), Ayrton Senna: A trajetória de um mito homenageia os vinte anos do desaparecimento de Senna, com uma história que inicia com ele, ainda criança, disputando as primeiras corridas de kart, sua eterna busca pela perfeição e a gana por sempre vencer, passando pela estreia na F1, na pequena equipe Toleman, debaixo da chuva torrencial do histórico GP de Mônaco de 1984, quando disputou a chegada com ninguém menos que Alain Prost que seria, dali em diante, seu maior rival no esporte.
A hq segue contando outros fatos importantes, incluindo o seu tricampeonato mundial, sempre com desenhos de uma precisão histórica, sem perder a dinâmica vertiginosa das corridas de automóveis, que lembram os melhores exemplos do gênero nos quadrinhos. Uma amostra do excepcional trabalho pode ser apreciada aqui.
Ayrton Senna: A trajetória de um mito tem 48 páginas em cores e é publicado sob parceria com o Instituto Ayrton Senna.
Senna tornou-se personagem de quadrinhos ainda em vida, quando foi lançada a revista infantil Senninha – coisa que Pelé também já teve –, mas faltava ao leitor brasileiro o acesso a um quadrinho mais sofisticado, que desse dignidade a carreira vitoriosa desses atletas maiúsculos. Não que isso já não tenha sido feito. Durante sua passagem pela escuderia McLaren/Honda, Senna tornou-se ídolo no Japão, e lá recebeu uma série de quadrinhos muito bem feita, que segue inédita no Brasil.
Coube a editora Autêntica, através do selo Nemo, dedicado à publicação de quadrinhos europeus, a tarefa de trazer ao país um emocionante e bem realizado álbum semi-documentário sobre a careira de Senna, que talvez seja o único herói unânime no País. Criação de uma inspirada equipe franco-belga formada pelo jornalista Lionel Froissart no roteiro, e os ilustradores Christian Papazoglakis e Robert Paquet (ambos do estúdio Graton, responsável pelas histórias de Michel Vaillant), Ayrton Senna: A trajetória de um mito homenageia os vinte anos do desaparecimento de Senna, com uma história que inicia com ele, ainda criança, disputando as primeiras corridas de kart, sua eterna busca pela perfeição e a gana por sempre vencer, passando pela estreia na F1, na pequena equipe Toleman, debaixo da chuva torrencial do histórico GP de Mônaco de 1984, quando disputou a chegada com ninguém menos que Alain Prost que seria, dali em diante, seu maior rival no esporte.
A hq segue contando outros fatos importantes, incluindo o seu tricampeonato mundial, sempre com desenhos de uma precisão histórica, sem perder a dinâmica vertiginosa das corridas de automóveis, que lembram os melhores exemplos do gênero nos quadrinhos. Uma amostra do excepcional trabalho pode ser apreciada aqui.
Ayrton Senna: A trajetória de um mito tem 48 páginas em cores e é publicado sob parceria com o Instituto Ayrton Senna.
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Quadrinhos de fc&f com força total
Enquanto os quadrinhos brasileiros lutam para sobreviver as custas de financiamentos coletivos e verbas públicas, as bancas e gibiterias têm sido recheadas com lançamentos de diversos títulos de quadrinhos estrangeiros de todos os tipos, e parece haver um interesse especial dos editores pela ficção científica e fantasia. Além dos títulos em publicação já comentados aqui, como Juiz Dredd, X-O Manowar (que se desdobrou na revista Valliant), The walking dead e o mangá Ataque dos titãs, estão chegando vários novos títulos de interesse aos fãs do gênero.
Entre os mais esperados está o mangá Pretty guardian Sailor Moon, de Naoko Takeuchi, pela JBC, com a versão em quadrinhos de um dos maiores clássicos do anime que, curiosamente, continuava inédita no Brasil. Talvez tenha sido a proximidade do lançamento de um novo filme para o cinema que animou a publicação, embora isso seja um tanto incomum. Afinal, outros mangás importantes tiveram filmes recentes e seguem inéditos em português.
Saillor Moon fez grande sucesso no Japão e várias temporadas do anime foram exibidas no Brasil nos anos 1990. Conta a história de uma estudante secundária intelectualmente prejudicada, cujo grande coração é sua maior qualidade. Herdeira de uma tradição mística, a menina é auxiliada por um gato falante e um grupo de amigas na luta contra o mal milenar que destruiu o mítico Reino da Lua.
Também dos mangás vem Soel & Larg: As aventuras de Mokona Modoki, do estúdio Clamp, pela
editora New Pop. Clamp é um dos mas bem sucedidos estúdios de quadrinhos do Japão, responsável por sucessos como As guerreiras Mágicas de Rayearth e Sakura Card Captor, entre outros. Os dois curiosos bichinhos protagonistas da história são uma assinatura do estúdio, presentes em várias de suas produções, que aqui ganham uma aventura solo num álbum de 220 páginas em cores, que dialoga com as muitas histórias em que já participaram, algo que os fãs do Clamp certamente vão amar.
Da Europa vem Aâma: O cheiro da poeira quente, de Frederik Peeters, pela Nemo. Primeiro de uma série de álbuns três números já publicados, conta a história de um homem amnésico perdido num planeta alienígena que tem num diário e na companhia de um gorila robô, as pistas para desvendar seu passado misterioso.
Para fechar esta seleção, a editora HQM anunciou que também vai distribuir nas bancas o coletivo periódico Dark Horse apresenta, com uma seleção de personagens dessa editora americana que tem nos quadrinhos cult uma especialidade.
A edição de estreia traz histórias de Concreto e Xerxes, uma estrevista com Frank Miller e arte de muita gente boa, como se pode ver pelas chamadas da capa. A revista tem 84 páginas e já está disponível em algumas lojas especializadas – embora ainda não apareça no site oficial da HQM. Certamente ocupará o vácuo deixado pelo recente cancelamento da série Vertigo, da Panini, e deve disputar leitores com a já citada Juiz Dredd, também da HQM.
Entre os mais esperados está o mangá Pretty guardian Sailor Moon, de Naoko Takeuchi, pela JBC, com a versão em quadrinhos de um dos maiores clássicos do anime que, curiosamente, continuava inédita no Brasil. Talvez tenha sido a proximidade do lançamento de um novo filme para o cinema que animou a publicação, embora isso seja um tanto incomum. Afinal, outros mangás importantes tiveram filmes recentes e seguem inéditos em português.
Saillor Moon fez grande sucesso no Japão e várias temporadas do anime foram exibidas no Brasil nos anos 1990. Conta a história de uma estudante secundária intelectualmente prejudicada, cujo grande coração é sua maior qualidade. Herdeira de uma tradição mística, a menina é auxiliada por um gato falante e um grupo de amigas na luta contra o mal milenar que destruiu o mítico Reino da Lua.
Também dos mangás vem Soel & Larg: As aventuras de Mokona Modoki, do estúdio Clamp, pela
editora New Pop. Clamp é um dos mas bem sucedidos estúdios de quadrinhos do Japão, responsável por sucessos como As guerreiras Mágicas de Rayearth e Sakura Card Captor, entre outros. Os dois curiosos bichinhos protagonistas da história são uma assinatura do estúdio, presentes em várias de suas produções, que aqui ganham uma aventura solo num álbum de 220 páginas em cores, que dialoga com as muitas histórias em que já participaram, algo que os fãs do Clamp certamente vão amar.
Da Europa vem Aâma: O cheiro da poeira quente, de Frederik Peeters, pela Nemo. Primeiro de uma série de álbuns três números já publicados, conta a história de um homem amnésico perdido num planeta alienígena que tem num diário e na companhia de um gorila robô, as pistas para desvendar seu passado misterioso.
Para fechar esta seleção, a editora HQM anunciou que também vai distribuir nas bancas o coletivo periódico Dark Horse apresenta, com uma seleção de personagens dessa editora americana que tem nos quadrinhos cult uma especialidade.
A edição de estreia traz histórias de Concreto e Xerxes, uma estrevista com Frank Miller e arte de muita gente boa, como se pode ver pelas chamadas da capa. A revista tem 84 páginas e já está disponível em algumas lojas especializadas – embora ainda não apareça no site oficial da HQM. Certamente ocupará o vácuo deixado pelo recente cancelamento da série Vertigo, da Panini, e deve disputar leitores com a já citada Juiz Dredd, também da HQM.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Nemo para crianças
Ainda que o foco principal da Editora Nemo seja o quadrinho sofisticado, em edições de luxo, o editor Willington Srbek tem se esforçado em ampliar o espectro de propostas publicando trabalhos voltados ao público infantil. Este é o caso dos álbuns Força Animal e Monstros e heróis.
Força Animal investe num grupo de super-heróis adolescentes, criação do próprio Srbek com os competentes desenhos de Kris Zullo, frequente colaborador da revista Recreio. O álbum narra a origem do grupo, formado por jovens atletas que são convocados pela mística Árvore da Vida para enfrentar o Lorde Decano, vilão que usa criaturas constituídas a partir da poluição humana para dominar a natureza. A história é simples e não vai muito além da distribuição dos poderes aos personagens. O líder Jonathan recebe o amuleto Jaguaruna, que lhe confere supervelocidade e camuflagem; Helena recebe o amuleto Harpia, com os poderes de voar e lançar raios; Tales recebe o amuleto Tatu, que lhe dá garras afiadas e uma couraça invulnerável, e Arthur, o mais jovem do grupo, recebe o amuleto Aruanã, podendo nadar como um peixe e manipular a água. Não se explica muito bem o que vêm a ser a Árvore da Vida e quais as motivações de Lorde Decano, o que torna a história um tanto banal e previsível.
Monstros e heróis faz parte da coleção Mitos Recriados em Quadrinhos, que já conta com quatro volumes publicados: Ciranda Coraci (sobre mitologia indígena brasileira), O senhor das histórias (mitologia africana) e Das areias do tempo (mitologia egípcia). Monstros e heróis inspira-se em mitos gregos muito conhecidos, como a luta de Hércules contra a Hidra de Lerna, de Ulisses contra o Cíclope, de Belerofonte contra a Quimera e Édipo contra a Esfinge, que são relatados por um senhor idoso à um jovenzinho apaixonado por histórias de super-heróis. O roteiro também é assinado por Srbek, com desenhos do cartunista Will, que ilustra todos os demais volumes da coleção.
Tanto Força animal como Monstros e heróis têm as mesmas características editorais, com apresentação luxuosa, 24 páginas em cores impressas em papel brilhante de alta gramatura e capas em cartão plastificadas. A ampliação exagerada das ilustrações sugere que as histórias talvez tenham sido originalmente planejadas para compor uma publicação de formato bem menor. Ampliadas para seguir o padrão dos demais álbuns da editora, ficaram deselegantes, ressaltando deficiências que passariam despercebidas no formato reduzido.
O custo de R$14,90 para Força animal e de R$19,00 para Monstros e heróis são mais acessíveis se comparados às demais publicações da editora, mas ainda parece um custo salgado para o leitor infantil.
Força Animal investe num grupo de super-heróis adolescentes, criação do próprio Srbek com os competentes desenhos de Kris Zullo, frequente colaborador da revista Recreio. O álbum narra a origem do grupo, formado por jovens atletas que são convocados pela mística Árvore da Vida para enfrentar o Lorde Decano, vilão que usa criaturas constituídas a partir da poluição humana para dominar a natureza. A história é simples e não vai muito além da distribuição dos poderes aos personagens. O líder Jonathan recebe o amuleto Jaguaruna, que lhe confere supervelocidade e camuflagem; Helena recebe o amuleto Harpia, com os poderes de voar e lançar raios; Tales recebe o amuleto Tatu, que lhe dá garras afiadas e uma couraça invulnerável, e Arthur, o mais jovem do grupo, recebe o amuleto Aruanã, podendo nadar como um peixe e manipular a água. Não se explica muito bem o que vêm a ser a Árvore da Vida e quais as motivações de Lorde Decano, o que torna a história um tanto banal e previsível.
Monstros e heróis faz parte da coleção Mitos Recriados em Quadrinhos, que já conta com quatro volumes publicados: Ciranda Coraci (sobre mitologia indígena brasileira), O senhor das histórias (mitologia africana) e Das areias do tempo (mitologia egípcia). Monstros e heróis inspira-se em mitos gregos muito conhecidos, como a luta de Hércules contra a Hidra de Lerna, de Ulisses contra o Cíclope, de Belerofonte contra a Quimera e Édipo contra a Esfinge, que são relatados por um senhor idoso à um jovenzinho apaixonado por histórias de super-heróis. O roteiro também é assinado por Srbek, com desenhos do cartunista Will, que ilustra todos os demais volumes da coleção.
Tanto Força animal como Monstros e heróis têm as mesmas características editorais, com apresentação luxuosa, 24 páginas em cores impressas em papel brilhante de alta gramatura e capas em cartão plastificadas. A ampliação exagerada das ilustrações sugere que as histórias talvez tenham sido originalmente planejadas para compor uma publicação de formato bem menor. Ampliadas para seguir o padrão dos demais álbuns da editora, ficaram deselegantes, ressaltando deficiências que passariam despercebidas no formato reduzido.
O custo de R$14,90 para Força animal e de R$19,00 para Monstros e heróis são mais acessíveis se comparados às demais publicações da editora, mas ainda parece um custo salgado para o leitor infantil.
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Shakespeare em quadrinhos
Quando se fala em literatura, em qualquer parte do mundo, o trabalho do dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616) é logo lembrado. Autor de alguns dos mais significativos textos da literatura ocidental, o também chamado Bardo fez sua fama com peças populares, cheias de ambição, traição e vingança. Toda a produção dramática angloamericana faz referência, em maior ou menor grau, à obra shakespeareana, e muitas outras culturas também, visto que todos consideram que Shakespeare simplesmente contou todas as histórias possíveis.Há alguma polêmica sobre a real autoria do Bardo sobre suas obras. Muitos dizem que ele apenas deu dignidade artística a histórias que já circulavam em tradição oral, inclusive vindas de outras partes da Europa, mas isso não diminui a importância da obra, que influencia todas as artes dramáticas até os nossos dias.
Por isso, não é de surpreender que a Nemo, selo editorial do Grupo Autêntica que ao longo dos últimos dois anos construiu um invejável catálogo de história em quadrinhos de luxo, tenha investido na coleção Shakespeare em Quadrinhos, com adaptações de boa qualidade feitas por artistas brasileiros.
A coleção conta com cinco títulos publicados: Romeu e Julieta, Otelo, Sonhos de uma noite de verão, A tempestade e Macbeth, dos quais os dois últimos me chegaram às mãos, juntamente com Hamlet, que parece não fazer parte da coleção oficial.
A tempestade conta a história de Próspero, Duque de Milão, que junto com sua filha Miranda foi exilado numa ilha depois de ser traído por seu irmão, que usurpou suas propriedades. Sendo versado nas artes ocultas, Próspero conseguiu cooptar o serviço das criaturas mágicas que ali habitavam, tais como o monstruoso Caliban, e Ariel, o espírito do vento que fora aprisionado na ilha pela bruxa Sicorax. Depois de anos de exílio, Próspero usa os poderes de Ariel para fazer naufragar um navio e trazer à terra os seus tripulantes, justamente aqueles que haviam conspirado contra ele no passado. Ao lado de Sonhos de uma noite de verão, A tempestade é considerado um dos textos mais fantasiosos do Bardo e ecos de seu enredo podem ser percebidos, por exemplo, no popular seriado de televisão Lost. A adaptação ficou a cargo do roteirista Lillo Parra e do ilustrador Jefferson Costa, que foram extremamente felizes em suas escolhas. O texto enxuto e coloquial lê-se com prazer, e os desenhos têm um estilo moderno e despojado, com muito movimento e um colorido intenso que remete à natureza exuberante da ilha. Este é o segundo trabalho de Parra para a Nemo, uma vez que ele também fez o roteiro da adaptação de Sonhos de uma noite de verão, publicado na mesma coleção. Jefferson Costa é um velho conhecido dos leitores, tendo participado de coletivos importantes como os álbuns Quebra Queixo Technorama, Front e Bang Bang.
O segundo álbum é Macbeth, herói de guerra que recebe de antigas bruxas a profecia que um dia se tornará rei. Ao relatar o acontecido à sua ambiciosa esposa, Macbeth é incitado por ela a dar uma "ajudinha" ao destino, assassinando o rei e seus descendentes. O plano dá certo, mas a culpa por essa e outras traições necessárias à manutenção do poder vai, aos poucos, minando a moral e a sanidade do casal. Este trabalho tem o ótimo texto de Marcela Godoy, escritora experiente, autora dos romances Relato da queda de um demônio e Liah e o relógio. Como roteirista de quadrinhos, Marcela tem no currículo os álbuns Fractal e A dama do Martinelli, bem como a adaptação de Romeu e Julieta, também publicada na coleção Shakespeare em Quadrinhos. Os desenhos, um pouco mais realistas e comedidos que no álbum anterior, mas ainda assim cheios de estilo, são de Rafael Vasconcellos, um jovem artista do Espírito Santo, também é conhecido como Abel na minissérie Ditadura no ar. As cores são neutras e sóbrias, contribuindo com o clima dramático da história.
Fecha o conjunto, a tragédia incestuosa Hamlet, que relata a decadência moral da família real dinamarquesa depois que o rei é assassinado pelo próprio irmão, que lhe usurpa o trono e a rainha. Hamlet, o príncipe herdeiro do falecido rei, recebe do fantasma de seu pai a revelação do crime do tio e, a partir disso, elabora um plano de vingança contra ele e sua mãe, caindo num estado de compulsão monomaníaca que o torna no novo alvo do usurpador. Esta história tem algumas das frases mais famosas da obra shakespeareana, como "Há algo de podre no reino da Dinamarca" e "Ser ou não ser, eis a questão". O roteiro é assinado pelo próprio editor da Nemo, Wellington Srbek, quadrinhista experiente e premiado que optou por manter no texto um estilo similar ao da obra original, com uma sintaxe floreada que infelizmente interfere demais na fluidez narrativa. Os desenhos são do ilustrador editorial Alex Shibad, num estilo natural e minimalista, remetendo à cenografia de uma montagem teatral que, somado ao texto rebuscado, faz os personagens parecerem sobreinterpretar. Se tal textura foi decisão consciente dos autores para emular a experiência dramatúrgica, o resultado foi atingido, mas a leitura não é fácil. Embora mantenha os mesmos contornos gráficos, este álbum não se assume como parte da coleção Shakespeare em Quadrinhos.
Assim, a Nemo facilita, ao público dos quadrinhos, acessibilidade aos textos shakespeareanos, iluminando o seu valor, o que talvez motive os leitores à busca pelos textos originais que também devem ser conhecidos, uma vez que a leitura da adaptação não substitui, de forma alguma, a experiência com o texto original. Esperamos que seja bem sucedida.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Quadrinhos do fim do mundo
A editora Autêntica, através de seu selo de quadrinhos Nemo, investiu no lançamento de uma leva de novos títulos, entre eles alguns que chamam a atenção dos leitores de ficção científica.O mais expressivo deles é o álbum Animal’Z (104 páginas), drama existencial de autoria de Enki Bilal, com um trabalho de arte diferenciado, todo produzido em lápis pastel sobre papel tonalizado, num resultado expressivo e dramático bem ao gosto desse conhecido artista europeu. A história conta como alguns sobreviventes a um desastre ecológico que se abateu sobre a Terra tentam chegar a uma região segura vencendo os perigos de um mundo dominado pelo gelo e pela selvageria, em que a fronteira entre homens e animais não mais existe. O estilo narrativo pós-moderno típico do autor se impõe, com personagens perturbados, cenas descosturadas e quase nenhuma contextualização, que o leitor terá de construir por sua própria conta.
Hip Flask: Seleção natural (48 páginas), de Richard Starkings, Ladrönn e John Casey, tem um cenário pós-humano similar ao de Animal'Z, mas com um enfoque bem menos filosófico. Um empresário tão poderoso quanto inescrupuloso, investe todos os seus recursos na criação de uma raça híbrida de humanos e animais, que ele pretende seja um novo tipo de força escrava particular. Marcadas a fogo, as quimeras são treinadas desde o nascimento para serem fortes, obedientes e implacáveis. Mas algo dá errado: a empresa desmorona e há um violento combate no qual muitas quimeras são mortas, e as sobreviventes são integradas à sociedade. Salta aos olhos o meticuloso trabalho de arte, com cores de efeito tridimensional que remetem à pintura do mestre italiano Tanino Liberatore, obtido em Ranxerox a partir de canetas hidrográficas. A história, contudo, soa como uma introdução a qual se deveria somar algum enredo, o que deve acontecer numa sequência oportuna.Finalmente, As férias do Major (72 páginas) é o quinto e último volume da Coleção Moebius, uma coletânea de histórias curtas do saudosos mestre dos quadrinhos, falecido em 2012. Entre os trabalhos está a clássica hq “Escala em Pharagonescia”, que o autor produziu quadro a quadro, sem roteiro prévio, conforme a criatividade do momento. A Coleção Moebius, da Nemo, conta ainda com os álbuns A Garagem Hermética, O homem é bom?, Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias, e Arzach.
Todos os álbuns têm apresentação de luxo, com capa dura e grande formato, peças de interesse para os colecionadores e uma verdadeira festa para os sentidos de qualquer leitor.
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
O Coronel
Ficção científica não é muito a praia do quadrinho brasileiro e raramente surgem publicações nacionais nesse gênero que chamem a atenção. Contudo, 2012 tem sido profícuo nesse ambiente, com alguns bons trabalhos disponíveis.Além do comercialmente bem sucedido Astronauta: Magnetar, de Danilo Beyruth, chegou às livrarias O Coronel, de Osmarco Valladão e Manoel Magalhães, ficção científica no mesmo estilo espacial visto na releitura do personagem de Maurício de Sousa, porém com uma proposta conceitual mais ousada.
E não poderia ser diferente, uma vez que Osmarco Valadão tem experiência no gênero: foi um dos participantes do projeto literário Intempol, coordenado por Octávio Aragão, para o qual escreveu o conto "The long yesterday", adaptado para os quadrinhos na novela gráfica homônima publicada em 2005 pela editora Comic Store, também com desenhos de Magalhães – ilustrador de estilo econômico e iconográfico que fica muito bem em cores.
Este novo trabalho conta a história de um soldado numa guerra espacial, e ele tem uma nova arma que pode mudar os rumos do conflito e sua própria relação com o pai. Ecos dos premiados romances Tropas estelares (Starship troopers), de Robert Heinlein, e Guerra sem fim (The forever war), de Joe Haldeman, atestam a vivência do autor no gênero.
O Coronel tem 56 páginas em cores, custa R$29,00 e é uma publicação da Editora Nemo.
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sábado, 3 de novembro de 2012
Ficção fantástica em alta na HQB
Ao mesmo tempo em que se festeja o ressurgimento do Astronauta, de Maurício de Sousa, chegaram às livrarias especializadas dois álbuns que merecem igual atenção e elogios. Tratam-se de 20.000 léguas submarinas, publicado pela Nemo, e Undeadman: Idade Média, publicado pelo selo independente Quarto Mundo.
Undeadman: Idade Média é uma coletânea de histórias primeiramente vistas na revista independente Quadrinhópole. Fala sobre um homem imortal que, depois de um século sendo barbaramente torturado, sai pelo mundo em busca de redenção. A obra tem roteiros de Leonardo Melo e arte de André Caliman, que atualmente dá sequência à série no saite Quadrinhópole Digital Comics.Undeadman: Idade Média foi lançado na Gibicon, evento dedicado aos quadrinhos realizado em outubro em Curitiba. O álbum tem 144 páginas e será distribuído pela Devir Livraria.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Resenha: O incrível Cabeça de Parafuso e outros objetos curiosos
O humor na ficção fantástica é um tema incômodo. De fato, o humor não é comum no ambiente literário, embora a situação seja bem diferente em outras artes, como o cinema, que está repleto de títulos que tratam os gêneros fantásticos com bom humor, indo da paródia escrachada à ironia tão sofisticada que muita gente sequer a entende. Na televisão não é incomum que a ficção científica, o humor e a fantasia sejam tratados de forma divertida. Nas histórias em quadrinhos o assunto também não é raro, embora seja desconfortável para certos leitores encararem seus personagens preferidos em situações cômicas, mesmo que de leve.
Por isso é tão interessante a leitura de O incrível Cabeça de Parafuso e outros objetos curiosos (The amazing Screw-On Head and other curious objects), obra autoral de Mike Mignola publicada no Brasil pela Editora Nemo.O álbum reúne histórias curtas que Mignola produziu para publicações diversas, junto com algumas peças feitas especialmente para a edição. Os trabalhos têm o mesmo clima gótico e selvagem das histórias de Hellboy, mas o personagem de maior sucesso do autor não comparece em nenhuma delas.
E não é que Mignola é um hábil manipulador do humor? O que já podia ser vislumbrado nas histórias de Hellboy, aparece aqui com toda a sua criatividade, agregado ao já rico caldo de mistura de gêneros com o humor nonsense que, por falta de uma definição melhor, vamos classificar como humor negro.
A primeira história, que dá nome ao álbum, conta uma aventura – a única que Mignola fez até hoje – do agente secreto Cabeça de Parafuso, uma espécie de robô que troca de corpo conforme a necessidade da missão. Ele é convocado pelo presidente Abrahan Lincoln para recuperar o antigo Fragmento do Kalakistão, intraduzível manuscrito de Gung o Magnífico, roubado pelo Imperador Zumbi, gênio morto-vivo que almeja dominar o mundo, é claro. Esta história, publicada em edição única, ganhou o prêmio Eisner de Melhor Publicação de Humor em 2003.
A segunda peça da seleção é "Abu Gung e o pé de feijão", uma narrativa da juventude de Gung o Magnífico, releitura macabra do conto de fadas "João e o pé de feijão", originalmente publicada em 1998 na antologia Scatterbrain, da Dark Horse, especialmente redesenhada para esta publicação.
Em seguida, temos "O mágico e a cobra", curiosa adaptação para os quadrinhos que Mignola fez a partir de uma história criada por sua filha aos sete anos de idade. Conta sobre um mago, sua cobra e três sólidos simples. A história, também ganhadora do prêmio Eisner 2003 de Melhor História Curta, foi publicada originalmente em 2002 no álbum Happy endings.
"A bruxa e sua alma" é a história curta de dois marionetes criados por uma velha bruxa que são amaldiçoados pelo demônio.
Em "O prisioneiro de Marte", a mais divertida de todas as histórias do volume, um homem relata animadamente aos amigos sua experiência com a morte e consequente viagem ao planeta Marte, onde frustrou os preparativos dos traiçoeiros alienígenas para uma invasão à Terra – citação óbvia ao clássico Guerra dos mundos, de H. G. Wells.
Completa a coletânea "A capela dos objetos curiosos", um tour visual por uma macabra exposição que reforça a tessitura intertextual dos contos publicados.
Além de tudo, o álbum traz um caderno de 11 páginas com esboços do autor, desenhos de concepção das histórias tão divertidos de olhar quanto as próprias hqs.
O incrível Cabeça de Parafuso e outros objetos curiosos tem 104 páginas em cores, encadernação em capa dura e preço sugerido de R$49,00. Uma obra de arte para quem gosta de humor incomum e principalmente para aqueles que são fãs do traço deste que é um dos maiores quadrinhistas da atualidade.
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quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Lovecraft em quadrinhos no Brasil
Em domínio público, o escritor americano Howard Phillips Lovecraft volta aos quadrinhos no Brasil. Ainda não é exatamente uma adaptação da obra do cavalheiro de Providence, que chegou a ter algumas histórias publicadas aqui nos tempos da saudosa revista Kripta – título que teve duas edições especiais em 2011 pela Editora Mythos e está em vias de voltar pela Devir Livraria – mas vale uma boa olhada devido aos artistas envolvidos.A primeira delas já está nas livrarias. Trata-se de O incrível Cabeça de Parafuso e outros objetos curiosos, álbum de histórias inéditas de Mike Mignola, mais conhecido como o criador de Hellboy, que nunca escondeu seu fascínio pela cosmologia criada por Lovecraft. Publicado originalmente pela Dark Horse, o trabalho chega ao Brasil pela Editora Autêntica através do selo Nemo. Traz cinco histórias de Mignola, duas delas premiadas, em 104 páginas em cores e encadernação em capa dura.
O outro título que justifica expectativa é Neonomicon, álbum com a minissérie completa originalmente publicada nos EUA pela Avatar Press. Com roteiro de Alan Moore e desenhos de Jacen Burrows, apresenta uma história original inspirada na tenebrosa mitologia lovecraftiana, mais uma história avulsa escrita por Antony Johnston, esta sim adaptando um conto de Lovecraft. O álbum, de 188 páginas e capas em cartão, é uma publicação da Editora Panini e será distribuído nas bancas.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Trilogia Nikopol
A editora Nemo que, desde 2011, tem distribuído alguns dos mais elegantes álbuns de quadrinhos no Brasil, recupera agora para os leitores brasileiros A trilogia Nikopol, obra prima do quadrinhista sérvio Enki Bilal.O volume reúne a saga completa com A feira dos imortais (La foire aux immortels, 1980), A mulher armadilha (La femme piège, 1986) e a até agora inédita no Brasil, Frio Equador (Froid Équateur, 1992). As duas primeiras partes foram anteriormente vistas no final dos anos 1980 pela editora Martins Fontes, sob os títulos Os imortais e A mulher enigma.
A história mostra uma Europa futurista formada por uma decadente sociedade de pós-humanos e alienígenas, dominada por um governo fascista e corrupto. No céu de Paris, uma pirâmide que é a astronave de alienígenas imortais que já foram tidos como deuses no antigo Egito. Apesar de poderosos, esses seres com corpos de homens e cabeças de animais, precisam da colaboração do governo humano para reabastecer o seu veículo estelar. Enquanto isso, uma antiga cápsula espacial que estava em órbita da Terra há décadas, cai no subúrbio da cidade. Dentro dela está o corpo congelado de Alcide Nikopol, condenado a trinta anos de exílio por desafiar o governo. O corpo é capturado por um dos alienígenas, o sociopata Horus, que tem um plano para mudar as coisas na estagnada hierarquia alienígena. As ações de Horus e Nikopol desencadeiam uma crise que vai revolucionar a situação política da Europa, não necessariamente para melhor.
Bilal desenvolveu o trabalho também para o cinema, dirigindo a adaptação da história de Nikopol no longa metragem Imortal [Immortel (ad vitam), 2004], um cult entre os fãs. E em 2008, a saga também chegou aos videogames com Nikopol: Secrets of the immortals, com roteiro do próprio Bilal, baseado no filme.
A trilogia Nikopol tem 184 páginas totalmente em cores, capas duras e custa R$69,00.
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