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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Resenha: Quimeras do agora, Ana Rüsche

Quimeras do agora: Literatura, ecologia e imaginação política no Antropoceno
, Ana Rüsche. 152 páginas. São Paulo: Bandeirola, 2025.

Só pelo título já dá para concluir: Quimeras do agora é um livro acadêmico. E é mesmo. Trata-se de um ensaio elaborado pela pesquisadora Ana Rüsche durante o pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP), publicado em 2025 pela Editora Bandeirola. Os temas do trabalho, como se pode imaginar, são as mudanças climáticas e a ficção científica. Um tema complexo, sem dúvida, uma vez que a crise climática não é consenso entre os  intelectuais. Muitos deles ainda afirmam que o aquecimento global é um fenômeno natural que nada tem a ver com a ação humana sobre o planeta e que é a leitura marxista do mundo que leva a essa interpretação radical. 
Rüsche não entra no mérito; seu objetivo é identificar exemplos do tratamento do tema na produção literária de ficção científica e nisso é um trabalho provavelmente pioneiro no ambiente acadêmico brasileiro. A pesquisadora tem se dedicado às questões ambientais na ficção científica, que ganharam fôlego com o surgimento de um tipo de ficção especificamente voltado às questões ambientais, que tem sido chamado de Solapunk, sobre o qual também ainda não há consenso. Tudo é muito novo e um tanto assustador, mas tem conquistado autores e muitas parte do mundo, como é possível conferir na antologia Como aprendi a amar o futuro, organizada por Francesco Verso e Fabio Fernandes, e publicada em 2023 pela Editora Plutão (com uma resenha disponível aqui). Mas a pesquisa de Rüsche tem objetivos mais profundos e tão interessantes quanto. 
O ensaio tem introdução do biólogo Marcos Rodrigues (Unicamp) e um apêndice de referência sobre obras citadas. O corpo principal do texto está dividido em oito capítulos. 
Os dois primieros, "Um demônio com muitos nomes" e "Antropoceno: um nome para o consenso científico?" – que abrangem praticamente metade do ensaio –, são dedicados a elaborar uma levantamento genealógico do termo "Antropoceno" que, na definição do senso comum, poderia significar uma era geológica marcada pela ação humana sobre o meio ambiente. Mas Rüsche não se limita a essa leitura superficial e se aprofunda em inúmeras definições outras, que passam pelo "Capitaloceno" de Andreas Malm, o "Plantationceno" de Anna Tsing, o "Chthuluceno" de Donna Haraway, entre outros. Trata-se da parte mais interessante e rica do ensaio, com muitos aspectos próprios para citações em pesquisas futuras.
Em "Monstros mostram: a fantasia de Frankenstein", Rüsche inicia a aproximação das questões ambientais com a fc propriamente dita, buscando detalhes da obra fundadora do gênero que possam ser vinculadas a conceitos antropocênicos, no qual teve de ser bastante criativa. 
"Um problema de cognição? A apatia e o capitalismo de vigilância" vai buscar vículos entre o Antropoceno e o capitalismo (reforçando a ideia de uma leitura marxista), cuja base mais evidente é a afirmação "é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo". Verdade. Isso leva a outra conclusão importante do ensaio, que identifica a absoluta inadequação da literatura realista em lidar com as questões climáticas. Logo, apenas a literatura especulativa – a ficção científica –, teria essa condição. E também é verdade. 
Em "Utopias e o paradoxo da quimera", "Ecocídio, devastação e resistência em Floresta é o nome do mundo" e "Distopias e colonialismo: a pedagogia da catástrofe" a pesquisadora finalmente mergulha na análise de obras de ficção científica (alguns diriam que nem tanto): Utopia, de Thomas More, Floresta é o nome do mundo, de Ursula K. Le Guin, e Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão – única obra de escritor brasileiro analisada.  
O trabalho é completado em "A petição pelo impossível", que conclui: "A literatura é um valioso campo de prova de nossas ideias mais delirantes, e precisamos justamente desse arroubos e delírios para nos devolver a capacidade de sonhar coletivamente." O que também é uma verdade.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Resenha: A vida das nebulosas, Olaf Stapledon

A vida das nebulosas
(Nebula maker), Olaf Stapledon, 168 páginas. Tradução de Gustavo Terranova Aversa. São Paulo: Andarilho, 2025. 

O mais interessante em se vasculhar peças artísticas anteriores à estruturação de um modelo comercial para um gênero é encontar propostas inovadoras que não tiveram continuidade. Ideias ousadas, não raro arriscadas, que navegam águas desconhecidas e perigosas e podiam em poucas palavras deixar de ser um coisa para se tornar outra. Nem todos os leitores gostam disso, pois essa instabilidade temática traz uma certa insegurança quanto aos parâmetros desejáveis num produto de consumo. No caso da ficção científica, falamos de qualquer coisa anterior ao final da década de 1930, a partir de quando se estabeleceu a chamada Era de Ouro da FC, que estabeleceu a maior parte dos protocolos do gênero pelos editores das revistas pulp.
O escritor inglês Olaf Stapledon (1886-1950) é um desses pioneiros do gênero. Pacifista e Doutor em Filosofia ela Universidade de Liverpool, quando trabalhou temas ligados à Ética, mas foi na fc que encontrou terreno fértil para desenvolver suas teses. Não foi um autor de muitos livros, tendo escrito pouco mais de uma dúzia de obras de ficção. A novela A vida das nebulosas (Nebula maker), escrita por volta de 1933 mas só publicada em 1976, foi uma espécie de rascunho para outro de seus romances, o bem mais conhecido Criador de estrelas (Star maker), de 1937.*
A vida das nebulosas ganhou edição no Brasil em 2025, pela Editora Andarilho, com tradução de Gustavo Terranova Aversa. Está dividida em quinze capítulos, separados em quatro momentos: "O surgimento do universo e das nebulosas" (5 capítulos); "A natureza física, mental e social das nebulosas" (3 capítulos); "As guerras cósmicas e as lideranças dissidentes" (5 capítulos) e "O fim da era das nebulosas" (2 capítulos). 
A narração é incomum: não há diálogos, tudo é contado através da intermediação de um narrador onisciente. Sua mente viaja através das eras até os primeiros momentos do contínuo espaço-tempo e o surgimento dos objetos cósmicos primitivos. 
O testemunho é dado em tom de sofrimento, pois o narrador não consegue abster-se de sua visão, que é insuportavelmente lenta para os padrões da percepção humana. Ele é obrigado a acompanhar cada momento através de bilhões de anos de evolução, até o aparecimento das nebulosas primitivas. Testemunha o surgimento da inteligência nesses belos e curiosos objetos cósmicos, que apresentam diversos modos de ser e existir. Algumas nebulosas são autocontidas, separadas do resto do universo por distâncias impossíveis, enquanto outras vivem em pequenos agrupamentos e desenvolvem uma relação social entre si. A sociedade das nebulosas floresce, desenvolve linguagem, cultura e tecnologias. Mas, dentre estas, há um tipo em especial, que são as nebulosas predadoras, que movem uma campanha de subjugação sobre as demais e, logo, toda a sociedade das nebulosas enfrenta guerras e morte, com seus heróis e mártires, até o inevitável fim. 
Trata-se, portanto, de uma peça sui-generis dentro da ficção científica, que se espraia entre o ensaio filosófico e a fábula, e diz muito mais sobre o ser humano do que sobre as nebulosas. Um texto a ser lido, sem dúvida, principalmente para que gosta de experimentar os diversos caminhos abandonados pelo desenvolvimento da ficção científica comercial.
Stapledon é considerado um dos grandes da ficção científica mundial e, em 2014, foi incluido no Science Fiction and Fantasy Hall of Fame. 

* Criador de estrelas, publicado em 2021 pela Editora Skull.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Insólita, volume 5, número 2

Lançado em 2021, Insólita: Revista Brasileira de Estudos Interdisciplinares do Insólito, da Fantasia e do Imaginário é um periódico acadêmico dedicado aos estudos do fantástico. Editado por Nara Lya Cabral Scabin, Genio de Paulo Alves Nascimento, Rogério Ferraraz e José Augusto Mendes Lobato, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi (PPGCOM-UAM), chegou a sua décima edição no último semestre de 2025. 
Insólita apresenta artigos e ensaios científicos, mas também traz entrevistas com personalidades do meio, além de poemas que ilustram os volumes.
Esta edição, identificada como número 2 do volume 5, tem 165 páginas e foi co-editada pelos pesquisadores Fabio Fernandes e Ellen Maria Vasconcellos. Traz o dossiê "Narrativas do insólito, distopia e utopia", com artigos sobre cinema e literatura de Eduardo Marks Marques, Luiz Felipe Voss Spinelli, Anderson Martins Pereira, Ariane Ávila Neto de Farias, Luiza Prates dos Santos, Eugênia Adamy Basso, Ana Clara de Freitas Soares, Rodrigo Luciano Faria, Lorena da Silva Figueiredo, Nathalia Matozo da Silva e Aline Rocha de Oliveira. Traz ainda uma resenha  ao filme Crimes do futuro (2022), de Cronenberg, e uma entrevista com Adirley Queiróz e Joana Pimenta, diretores do filme brasileiro Mato seco em chamas (2022). 
A edição pode ser acessada aqui, para leitura e download gratuitos. As edições anteriores também estão disponíveis.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Filamentos

Filamentos
é um programa de leitura coletiva crítica com foco na ecologia que, desde 2022, atua através da internet em grupos de discussão, encontros virtuais e festivais, e já rendeu o livro Filamentos: Leituras ecológicas comentadas - Diário de campo, da escritora e pesquisadora Ana Rüsche, publicado em 2025 pela Editora Bandeirola. Rüsche também assina a curadoria do programa.
Diz o texto de apresentação: "Com encontros mensais, estruturados a partir da leitura de obras clássicas e contemporâneas de ficção e não ficção, são aprofundados temas nevrálgicos sobre a questão ecológica e a crise climática. Nos últimos quatro anos estivemos em contato com uma bibliografia atualíssima e impactante, discutindo textos teóricos e literários de forma concomitante, tudo para aguçar os sentidos, provocar estranhamentos, desfocar a obviedade do olhar para atingir mais longe e com mais clareza."
Filamentos mantém um programa de arrecadação permanente, através do qual os interessados podem se juntar ao grupo e ter acesso às discussões e aos eventos promovidos. O objetivo é "conseguir o apoio necessário para manter a pesquisa, a produção do pensamento independente e reflexivo. E ampliar ao máximo o alcance da discussão de tema tão urgente quanto o da crise climática". O projeto oferece descontos para professores das redes pública e privada.
Mais informações, bem como a programação do projeto para 2026, podem ser encontradas aqui.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Psiu Psiu Psiu

Piscou e já estão disponíveis três novas edições do Psiu, tradicional fanzine de quadrinhos editado por Edgard Guimarães, através do selo EGO da Editora Marca de Fantasia, em formato exclusivamente digital. A publicação recupera trabalhos antigos nunca vistos pelos leitores desta geração, além de algum material inédito.
O número 19 foi publicado em julho de 2025 e tem 68 páginas; o número 20, de setembro, com 74 páginas; e o número 21, publicado em novembro, com 68 páginas. Cada edição traz trabalhos de Luiz Iório, Henrique Magalhães, Franquin, Glen Gravith, Joselito, Geny Marcondes, Jota Carlos, Marcatti, Alfredo Storni e do próprio editor. 
Todas as edições do Psiu, além de outras publicações do selo Ego, podem ser baixadas gratuitamente aqui.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Lançamento: Jardim noturno, Shirley Jackson

A escritora americana Shirley Jackson (1916-1965), conhecida por sua literatura gótica repleta de mistério, que tem no romance A assombração da Casa da Colina seu texto mais conhecido e diversas vezes adaptado para o cinema, também escreveu muitos contos embora não sejam tão conhecidos no Brasil. Até agora, porque a editora Darkside está lançando Jardim noturno, coletânea de contos da autora com um apanhado de sua extensa ficção curta. 
Diz o texto de apresentação: "Um diabo inquieto, uma velha maliciosa e um Jack, o Estripador do pós-guerra; uma perseguição por uma paisagem urbana sinistra e uma cidadezinha onde o mal espreita por trás de roseiras impecáveis. Em cada conto de Jardim noturno, Shirley Jackson atesta por que é considerada uma das grandes mestres da narrativa curta, capaz de extrair o extraordinário da rotina, o absurdo do familiar, o horror do que se apresenta como inofensivo. Publicada postumamente a partir de manuscritos encontrados por seus filhos, Laurence Jackson Hyman e Sarah Hyman DeWitt, esta antologia reúne contos inéditos ou esquecidos da autora. Aqui estão tanto os textos macabros e perturbadores que consagraram Jackson quanto cenas de humor doméstico, sempre com uma dose de ironia que desnuda a natureza humana em seus gestos mais triviais."
O volume tem 576 páginas, tradução de Sonia Moreira, e pode ser adquirido no saite da editora, aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Lançamento: Voltas ao redor do Sol 2025

A série de antologias anuais Voltas ao redor do Sol, que estreou em 2023, chega a terceira edição mais uma vez organizada por Rubens Angelo. Publicada pelo Clube de Leitores de Ficção Científica - CLFC, o volume também assinala os quarenta anos de fundação do clube, apresentando em 173 páginas contos de autores brasileiros convidados especialmente para a publicação. São eles: Gian Danton, Maira M. Moura, David Machado, Liana Zilber Vivekananda, Gerson Lodi-Ribeiro, Ale Santos, Fábio Fernandes, Ivan Carlos Regina, João Barreiros e Roberto Causo.
Diz o texto de apresentação: "Nestas páginas você poderá saborear histórias de alguns dos grandes nomes da ficção científica nacional, narrativas essencialmente fantásticas que extravasam as fronteiras da ciência, explorando com humor, horror ou ironia os mais diversos temas: distopia, New Weird, inteligência artificial, história alternativa, horror cósmico, multiverso, exploração espacial, space opera… Voltas ao redor do Sol vai agradar todos aqueles que gostam de boa literatura fantástica."
O livro tem edição unicamente digital e pode ser encontrado aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A política da fantasia: Entrevista exclusiva com China Miélville

Para registrar o lançamento do romance A cicatriz, A TV Boitempo, canal do Youtube da Editora Boitempo, promoveu uma extensa entrevista com o escritor britânico China Miéville, com as participações dos entrevistadores brasileiros Pétala e Isa Souza (as afrofuturas), Fábio Kabral, Felipe Castilho e Thiago Guimarães e a mediação da pesquisadora Ana Rüsche, todos eles também escritores dedicados à ficção fantástica. 
A proposta da entrevista, que pode ser acompanhada aqui, é tratar de assuntos relacionados a obra do autor, sua técnica, suas ideias sobre literatura, arte, política, internet e temas correlatos. As respostas de Miéville, sempre muito densas e profundas, têm tradução de Kim Doria.
Vale muito a pena ouvir com atenção os noventa e dois minutos da entrevista, pois as perguntas e as respostas são todas muito interessantes e didáticas. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Lançamento: A liga de cromo

O coletivo Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro-NLCAC, sediado em Curitiba, acaba de anunciar a publicação de A liga de cromo, antologia de ficção científica organizada por Bertoldo Schneider Jr e Simone S. Miranda. A seleta reúne contos inéditos de autores brasileiros veteranos e iniciantes: André Carlos Moraes, Bertoldo Schneider Jr., Eduardo Yoshikazu Nishitani, Matheus Ramalho Campos, Meire Lima, Osvaldo Meza, Rafael Bertozzo Duarte, Rodrigo Ortiz Vinholo, Simone S. Miranda, Gerson Lodi-Ribeiro, José Eduardo Vargas, Laura Costa de Souza, Rogério A. Vasconcellos e Rubens Angelo.
Diz o texto de divulgação: "Descubra o que aconteceria em um primeiro contato onde houvesse 'problemas de comunicação'; como um velho sozinho que luta não só por sua vida, mas por todo um setor da galáxia, lida com um evento capaz de despedaçar muitos anos-luz do espaço. Veja cientistas que criam geneticamente a solução definitiva para salvar o planeta; o amor que atravessa fronteiras de espaço, espécies e lados de uma guerra; batalhas épicas narradas de um modo que te deixa sem fôlego; um mundo que transgride escalas de espaço e de tempo que vai te encantar, e que pode estar ao seu lado; o que acontece quando a solidão faz sua vida se esvair, mas também te faz entrar em contato consigo mesmo; um robô que luta para entender o que vê; um gato que revoluciona sistemas estelares só para voltar para o conforto de sua poltrona; a tentativa de um novo começo em um planeta que se nega a funcionar, até que a menos provável das soluções acontece. Essas e muitas outras ideias são apresentadas aqui com excelente qualidade. Mas deixamos um alerta: Você não será mais a mesma pessoa após ler esse livro."
A liga de cromo tem 238 páginas, ilustrações de Rubens Angelo  e está disponível aqui, unicamente em versão digital.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Abusões do fim do mundo

Em circulação desde 2015, chega ao 27º número a revista virtual Abusões, publicada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e editada pelos professores Flavio García, Júlio França e Regina Michelli. Trata-se de um periódico acadêmico dedicado ao estudo da ficção gótica, fantástica e insólita de modo geral. 
Esta edição tem 605 páginas e comemora os dez anos da publicação com quinze trabalhos acadêmicos dos pesquisadores Alexander Meireles da Silva, André de Sena, Carla Portilho, Cido Rossi, Daniel Augusto Pereira Silva, Fábio Lucas Pierini, Flávio García, Júlio França, Laura Loguercio Cánepa, Marcio Markendorf, Maria Cristina Batalha, Marisa Martins Gama-Khalil, Oscar Nestarez e Pedro Sasse, Sylvia Maria Trusen, que passam por diversos assuntos, tais como o Weird, a oralidade no fantástico, a ficção detetivesca, o decadentismo, o sobrenatural, as mídias mortas, os slasher movies, a narrativa criminal e a alteridade no maravilhoso amazônico.
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Prêmio Argos 2025

O Prêmio Argos de Literatura Fantástica, provido anuamente desde 2000 pelo Clube dos Leitores de Ficção Científica-CLFC, reconhece os melhores trabalhos em romance, antologia e história curta de ficção científica, fantasia e horror escritos em língua portuguesa publicados no ano anterior. 
A escolha dos vencedores é realizada em um primeiro turno com votação exclusiva entre os membros do Clube, que indica cinco finalistas depois votados publicamente através de formulários divulgados nas redes sociais. 
Os vencedores da edição 2025 foram anunciados no último dia 20 de dezembro no auditório da Acaso Cultural, na cidade do Rio de Janeiro. São eles:
Romance: Garras, Lis Vilas Boas, Editora Rocco.
Coletânea: Revista Literatura Fantástica Vol. 20, Jean Gabriel Álamo, org., Álamo Edições.
Conto: "Pista Norte", Ursulla Mackenzie, in Cidades inversas, Editora Nebula.
A cerimônia foi transmitida ao vivo pela internet e seu vídeo, na íntegra, pode ser visto aqui.
Parabéns aos premiados.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Lançamento: Casas estranhas 2, Uketsu

O estranhismo do misterioso youtuber japonês Uketsu continua dando frutos sombrios nas livrarias brasileiras. Acaba de ser publicado o segundo volume de Casas estranhas: O mistério das onze plantas baixas, que dá sequência às histórias de casas assombradas iniciadas no primeiro volume, publicado em maio de 2025 pela mesma editora Intrínseca. 
Diz o texto de divulgação: "Após finalizar uma investigação sobre uma casa repleta de detalhes bizarros, um autor fascinado por ocultismo passa a receber inúmeros relatos acerca de outras construções 'incomuns'. Em pouco tempo, ele se dá conta não apenas de que existe um enorme número de imóveis do tipo no país, mas também de que, embora a princípio não fique claro que exista qualquer relação entre eles, alguns parecem compartilhar uma estranha ligação. Ele reúne, então, onze histórias em que certas características se repetem e se completam, todas envolvendo propriedades com descrições misteriosas ― desde quartos que desaparecem e corredores sem destino a apartamentos de onde é impossível fugir e casas projetadas para matar. Munido desses documentos, o escritor se junta com o projetista Kurihara, que o ajudou a resolver mistérios anteriores, para tentar descobrir a verdade por trás desses locais. Enquanto os dois personagens analisam plantas baixas, entradas de diário, entrevistas e registros jornalísticos e literários, uma alarmante sensação de desconforto vai se insinuando."
O volume tem 336 páginas, tradução de Jefferson José Teixeira, e pode ser adquirido no saite da Editora Intrínseca, aqui.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Hiperespaço, o fanzine mais rápido que a velocidade da luz


Nesta sexta-feira, 19 de dezembro a partir das 21h, o programa Café Especulativo, dos pesquisadores Edgar Smaniotto e Carlos Relva, em seu  terceiro episódio dedicado aos periódicos brasileiros de ficção fantástica, dará espaço à trajetória do fanzine Hiperespaço, que circulou em formato impresso entre 1983 a 2003 e, ainda hoje, segue atuando através de diversas iniciativas, entre as quais está este blogue. Para contar esta história e responder perguntas dos espectadores, o editor Cesar Silva (euzinho) será entrevistado numa live em tudo imprevisível. Recordar é viver. Após a exibição, o vídeo ficará disponível no mesmo link por tempo indeterminado.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Megalon forever


Na noite da última sexta-feira, 12 de dezembro, o programa Café Especulativo, apresentado pelos pesquisadores Edgar Smaniotto e Carlos Relva, abriu seus microfones para o também pesquisador, jornalista e editor paulistano Marcello Simão Branco, como parte de um ciclo de matérias sobre os fanzines de ficção científica do século passado. 
Branco foi editor do prestigioso fanzine Megalon que, entre 1988 e 2004, foi o principal canal de divulgação e suporte das ações do fandom brasileiro de ficção científica, com mais de setenta edições publicadas. 
Vale a pena investir as três horas da entrevista aqui para conhecer a profundidade e importância desse fanzine para a cena brasileira da ficção científica, que ainda repercute na atualidade. A maior parte, senão todos os exemplares do Megalon estão disponíveis gratuitamente aqui em versão digital. 
Outros episódios do videocast também são interessantes, vale dar uma garimpada no acervo do canal.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Em campanha: Mystério Retrô 22

Mystério Retrô
é uma revista periódica dedicada à literatura de mistério, terror e ficção de crime, editada por Tito Prates. Publicada desde 2019, tem edição exclusivamente impressa viabilizada através de financiamento direto na plataforma Catarse. 
Neste momento, está aberta a campanha para o número 22, edição inteiramente dedicada à categoria Prêmio ABERST Inéditos - Narrativa curta, do VIII Prêmio ABREST 2025, com a publicação do vencedor Renato Dutra, dos finalistas Schleiden Nunes Pimenta, Rafael Esteque, Vera Carvalho Assumpção, Diego Betiolli e Loma Rodrigues, e dos semifinalistas Eduardo Oliveira dos Santos, Cynthia D. Jonas, Vincento Hughes, Djalma Maruqesani, Carlos Castelo, Pablo Amaral Rabello e Renata Madeo (que também foi ganhadora da categoria Revelação na mesma edição do prêmio). Completam a publicação, artigos assinados por Maria Vitória Lopes da Silva e Chrystal Siqueira.
Um dos diferenciais das campanhas da Mystério Retrô é a entrega imediata, uma vez que a revista já está impressa. 
Mystério Retrô 22 pode ser adquirida aqui até o dia 12 de janeiro de 2026. Há ofertas para aquisição de combos com várias edições.

sábado, 13 de dezembro de 2025

VIII Prêmio ABERST de Literatura - 2025

Criado em 2018, o Prêmio ABERST é uma promoção da Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, e aponta os melhores trabalhos especificamente inscritos para o certame,  publicados pela primeira vez entre 1 de julho do ano anterior e 30 de junho do ano corrente. 
Os vencedores da edição de 2025 foram anunciados no dia 12 de dezembro de 2025, em evento presencial transmitido pela internet, cujo vídeo completo pode ser assistido aqui
E os ganhadores são: 
Prêmio Sebastião Salgado – Projeto Gráfico: Mau Noronha e a onça cabocla, Larissa Brasil.
Prêmio Catacumba – Quadrinhos de Crime ou Terror: Le Chevalier e a volta ao mundo em oitenta horas, A.Z. Cordenonsi & Fred Rubim.
Prêmio Lúcia Machado de Almeida – Narrativa curta de ficção de crime: Arranha céu, Mário Bentes.
Prêmio Stella Carr – Narrativa curta de suspense: Portais para o vazio, Renata Madeo.
Prêmio Lygia Fagundes Telles – Narrativa curta de terror: Fruto podre; Lucas Santana.
Prêmio Lygia Bojunga – Narrativa curta juvenil/juvem adulto: Tremores, Nicole Annunciato.
Prêmio Rubem Fonseca – Narrativa longa de ficção de crime: Legítima defesa, Iza Artagão.
Prêmio Cláudia Lemes – Narrativa longa de suspense: A relíquia de Judas, André Alves.
Prêmio Rubens Lucchetti – Narrativa longa de terror: Sim, tenha medo, Sheize Piezentini.
Prêmio Marcos Rey – Narrativa longa juvenil/jovem adulto: O jovem Arséne Lupin e a coroa de ferro, Simone Saueressig.
Prêmio revelação 2025: Renata Madeo.
Prêmio Grand ABERST: Caixa de silêncios, Marcella Rosetti.
Prêmio ABERST Inéditos - Narrativa curta: "O espelho da minha mãe", Renato Dutra.
Prêmio ABERST Inéditos - Narrativa longa: "O dia em que eu conheci um assassino"; Stefany Borba.
As categorias Prêmio Maria Firmina dos Reis – Narrativa curta século XXI e Prêmio Eliana Alves Cruz – Narrativa longa século XXI não foram apuradas nesta edição. A divulgação oficial não forneceu os detalhes editorais dos trabalhos premiados.
Parabéns a todos.

Lançamento: Minha véspera de Ano-Novo entre as múmias, Grant Allen

A Sociedade das Relíquias Literárias - SRL é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. Uma assinatura mensal dá ao apoiador o direito de um novo ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas.
A relíquia de dezembro é a novela de horror Minha véspera de Ano-Novo entre as múmias (My new year's eve among the mummies), do escritor canadense Grant Allen (1848-1899), publicada originalmente em 1880. O autor produziu muitos textos de ficção científica e de mistério, com algumas das primeiras detetives mulheres. 
Diz a sinopse: "Durante uma viagem ao Egito, um jovem inglês vagueia pela noite até uma misteriosa pirâmide. Ao descobrir uma passagem selada há séculos, ele se vê diante de um cenário impossível: um salão iluminado, um faraó coroado, uma corte completa… e uma princesa que desperta nele uma paixão avassaladora. Por um único dia, a cada mil anos, aquelas múmias despertam em um banquete de mortos-vivos. Mas o que acontece se, cego por amor, ele decidir ficar entre as múmias?
Minha véspera de Ano-Novo entre as múmias ocupa o número 69 da coleção SRL; tem 85 páginas, tradução de Andrea Coronado e traz ainda uma biografia do autor. A capa tem uma ilustração de Mari Fonseca. 
Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Lançamento: Alchemised, SenLinYu

Alchemised
é um, denso romance de dark fantasy que marca a estreia do escritor americano SenLinYu, publicado no Brasil há poucas semanas, ainda no mesmo ano em que foi lançado nos EUA.
Diz o texto de apresentação: "Helena Marino é uma prisioneira de guerra ― e também da própria mente. Outrora considerada uma alquimista de futuro promissor, ela viu o mundo ruir e seus poderes se esvaírem quando seus aliados foram brutalmente assassinados. Após um longo e violento conflito, Paladia tem uma nova classe dominante, formada por guildas corruptas e necromantes depravados. Suas criaturas vis e mortas-vivas foram essenciais para a vitória na guerra, e o uso da necromancia se tornou o modus operandi. Os novos governantes mantêm Helena em cativeiro. De acordo com os registros, ela era uma figura de pouca importância na hierarquia. Mas, quando seus carcereiros descobrem que a memória da prisioneira foi alterada, surge a dúvida se o papel dela na Resistência era tão irrelevante quanto se imaginava. Talvez o esquecimento esconda algo poderoso, o gatilho para uma ofensiva derradeira. Para revelar o que as profundezas sombrias de sua memória ocultam, a mulher é enviada ao comando de um dos mais implacáveis necromantes do novo mundo. Aprisionada em meio a ruínas, Helena luta para proteger seu passado perdido e preservar os últimos resquícios de quem foi um dia. Mas o martírio está apenas começando, pois sua prisão e seu captor têm os próprios segredos… E ela terá que desvendá-los."
Alchemised tem 960 páginas, edição de Intrínseca, com tradução de um time formado por Helen Pandolfi, Laura Pohl, Ulisses Teixeira e Sofia Soter.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Lançamento: Baikal, Roberto Campos Pellanda

Baikal
é o primeiro volume da série de ficção científica Céu de Chumbo, de autoria do escritor Roberto Campos Pellanda, mais conhecido pela série Mar interno, publicada pela editora Avec.
Diz o texto de divulgação: "Alana Kestamir é física de partículas e vive no Baikal, um pequeno prédio na periferia de Katrinstad. Tudo o que Alana deseja é viver em paz e manter distância dos Fiscais, os temidos agentes do Diretorado. A vida de Alana muda para pior quando um Fiscal a visita e a obriga a se tornar síndica do Baikal para espionar um novo morador. O problema é que Alana tem um segredo — algo que ela a tanto custo vem tentando esconder. No papel de síndica, ela logo percebe que não é a única no Baikal a guardar segredos." 
O autor explica ainda que toda a história acontece nas dependências do edifício Baikai, e que ela abriga uma outra narrativa interna, "Engenharia proibida", radionovela que a personagem acompanha ao longo da trama.
Baikal tem 459 páginas e está disponível aqui, unicamente em formato digital.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Lançamento: Os agentes do caos, Fábio Fernandes

Com a boa aceitação de As aventuras de January Purcell: O Torneio das Sombras, publicado em 2024, que recebeu indicações aos principais prêmios da ficção científica brasileira, a editora Avec acelerou a publicação do segundo volume da série, Os agentes do caos, de autoria do professor e tradutor carioca Fábio Fernandes. 
Diz o texto de apresentação: "Londres, 1890. Dois anos antes, January Purcell ajudou a defender o planeta de uma invasão marciana. Agora, a agente oneironauta enfrenta um novo desafio: uma máquina infernal capaz de transportar seu usuário para o futuro distante… e provocar uma reação em cadeia capaz de destruir a realidade conforme a conhecemos. Cabe novamente a January evitar uma tragédia, desta vez com a ajuda de sua nêmese, a anarcronista Marie Sklodowska, e do misterioso John Symonds, que não viaja pelos sonhos mas afirma ter vindo do futuro, além do inventor do dispositivo infernal, um certo senhor Wells."
Os agentes do caos tem 304 páginas e já está disponível aqui.