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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Lançamento: O sistema do Doutor Alcatrão e do Professor Pena, Edgar Allan Poe

A Sociedade das Relíquias Literárias - SRL é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. Uma assinatura mensal dá ao apoiador o direito de um novo ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas.
A relíquia de agosto é a novela de humor negro O sistema do Doutor Alcatrão e do Professor Pena  (The system of Doctor Tarr and Professor Fether), originalmente publicada em 1845, de autoria do escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849), um dos mais clássicos autores de toda a ficção fantástica, que inaugurou a arte do conto moderno e antecipou diversos dos gêneros que se tornariam sucesso décadas depois. 
Diz a sinopse: "Durante uma viagem pelo interior da França, um cavalheiro curioso decide visitar um hospício que segue o enigmático "sistema tranquilizador". Convidado para jantar com o diretor e seus inusitados amigos, ele se vê em meio a uma noite desconcertante, repleta de conversas absurdas, histórias grotescas e comportamentos bizarros.
O volume ocupa o número 65 da coleção SRL; tem 110 páginas, tradução de Oscar Nestarez e traz também uma biografia do autor. A capa tem uma ilustração de Mari Morgan. 
Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

A magnífica história do Tempos Fantásticos

Com 28 edições publicadas, Tempos Fantásticos foi um curioso fanzine de ficção fantástica editado por Angelo Dias entre 2017 e 2019. 
A apresentação gráfica da publicação simulava um jornal, diagramado de forma profissional e com toda a seriedade plástica que se espera de um periódico diário, porém o conteúdo fazia humor apoiado em notícias absurdas com ares futuristas e fantásticos. 
A maior parte da edições teve apenas duas páginas: uma única folha impressa em frente e verso; mas as edições finais já traziam um corpo mais voluptuoso, com oito páginas. Todas elas podem ser vistas aqui
E chega agora, pela editora Plutão, o livro A magnífica história do Tempos Fantásticos: O jornal satírico de ficção especulativa com notícias do passado, presente & futuro e material nunca antes publicado, que reúne todas as edições desse divertido fanzine. "Com notícias de futuros improváveis, passados alternativos e presentes que desafiam a realidade, o livro apresenta uma coleção rica em criatividade e humor. Das colunas opinativas às reportagens imaginárias, passando por quadrinhos, ilustrações e anúncios fictícios, cada página explora os limites da ficção científica, fantasia, horror e ficção histórica", diz o texto de divulgação do volume, organizado pelo próprio Angelo Dias e publicado em formato digital. 
O volume traz ainda artigos sobre a produção do fanzine, que também contou com a colaboração de Jana Bianchi, JP Lima, Raphael Andrade e Ludimila Honorato, entre outros. 
O livro tem 1029 páginas e já está disponível aqui.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

O misterioso caso de New Forest, Miguel Carqueija & Ronald Rahal

"O velho advogado criminal londrino Dr. Brian Max, homem melancólico e sorumbático, que chegou a ser apelidado 'O sombrio', é procurado pelo amigo de outros tempos, Andy Bancroft, que pede uma ajuda para o seu sobrinho, Adolph Bancroft, que estaria sendo acusado injustamente pelo assassinato da namorada. A contragosto Max tenta ajudar, embora não simpatize nem um pouco com o rapaz. Juntamente com Andy e o terceiro amigo Charles Bradbury, envolvem-se numa perigosíssima aventura que desvenda uma trama sinistra em torno de uma experiência científica". 
É com este texto que o escritor carioca Miguel Carqueija apresenta aos leitores seu novo livro de ficção fantástica, O misterioso caso de New Forest. Escrito em parceria com o escritor paulista Ronald Rahal, trata-se de uma aventura de crime com elementos de terror, ficção científica e humor.
O romance está disponível aqui para download gratuito em formato de arquivo de texto. 

Imagem: Pixabay

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Lançamento: 100 lugares para conhecer depois de morrer, Ken Jennings

Guias de viagem podem ser muito úteis se você for um viajante, mas costumam ser inúteis para quem nunca foi muito além da própria cidade, como é o meu caso. Mas este guia certamente eu, e todo mundo, vai aproveitar. Trata-se de 100 lugares para conhecer depois de morrer: Um guia de viagem para a vida após a morte, do escritor e apresentador americano Ken Jennings. 
Diz o texto de apresentação: "Um guia de viagem hilário para a vida após a morte, explorando destinos da literatura, mitologia e cultura pop. Com um texto leve, informativo e inteligente, Ken Jennings traz 100 breves relatos de diferentes versões da vida após a morte, imaginadas em diferentes religiões, mitologia, cenários de filmes, livros e até música. Partindo do Duat – o submundo dos mortos no Antigo Egito –, os “bardos” do Livro Tibetano dos Mortos, O Inferno, de Dante, universo de Harry Potter, Marvel e DC Comics, Música do Nirvana e até episódio de Simpsons, ele nos mostra inúmeras curiosidades sobre todos estes temas. Fascinante, engraçado e irreverente, este 'guia de viagem entusiasmado para o céu, ou inferno ou para o além' irá ajudá-lo a criar sua própria lista de desejos, para depois que partirmos desta, para melhor!
O volume tem 296 páginas, tradução de Denise de Carvalho Rocha e é uma publicação do selo Cultrix da Editora Planeta.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

HQ Memories 19

HQ Memories
é um fanzine de e sobre quadrinhos editado pelo cartunista Luigi Rocco sob a chancela do selo Inumanos Agrupados, dedicado a resgatar trabalhos e autores esquecidos dos quadrinhos brasileiros e estrangeiros.
A edição de setembro resgata antigas histórias em quadrinhos de crime, ou policiais como são mais conhecidas por aqui. 
A seleta inclui "Agarre-se à vida" (1953), de Mike Peppe e Alex Toth; "Rostos falsos" (1965), de Luís “Merí” Quevedo; "Presuntinho" (1983), de Willy; "Forte mesmo" (1965), de Luís Merí, "Mr. A" (1968), de Steve Ditko; "Esquininha" (1984), de Guto Franco, Gilberto Garcia e Juarez Corrêa; e "O assassinato de amanhã" (1946), de Jack Kirby e Joe Symon. 
A edição tem 44 páginas, formato magazine com capa em cartão com uma bela ilustração do artista russo-americano Modest Stein. Imagens e detalhes de cada um dos trabalhos apresentados podem ser conferidos no blogue da publicação, aqui.
HQ Memories pode ser encomendado diretamente com o editor, pelo email luigirocco29@gmail.com.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Coração de cachorro, Mikail Bulgakov

O jornal curitibano Gazeta do Povo está distribuindo pela internet um ebook com a novela de ficção científica satírica Coração de cachorro (Собачье сердце), do médico e escritor russo Mikhail Bulgakov (1891-1940), que se insere na tradição das histórias sobre animais falantes, ao lado de A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, e Ápio e Virginia, de Gertrude E. Trevelyan. 
Diz o texto de apresentação; "O médico Filipe faz experiências com o transplante de órgãos entre humanos e animais. Um de seus experimentos, no qual implanta uma glândula humana no cérebro de um cachorro, dá mais certo do que ele esperava. A nova criatura que surge da cirurgia desenvolve traços e (maus) comportamentos humanos e encontra seu espaço dentro da máquina burocrática estatal."
Originalmente escrita em 1925, Coração de cachorro só foi efetivamente publicada nos anos 1980, pois toda obra de Bulgakov sofreu com censura durante o governo soviético, do qual era forte crítico. Seu romance mais famoso, O médico e a margarida, também foi publicado postumamente, em 1966.
A novela está diagramada para ser lida em smartphones, tem 260 páginas, tradução Leialdo Pulz, e pode ser baixada gratuitamente no saite do jornal, aqui.

sábado, 20 de janeiro de 2024

Teatro de horror em dose dupla

A temporada de espetáculos teatrais de 2024 começou com duas estreias sensacionais para quem gosta de boas histórias de horror.
Para sentir medo de verdade, está em cartaz Misery, peça inspirada no romance de 1987 do escritor americano Stephen King, considerado o mestre do horror moderno. Misery já teve montagens anteriores para o teatro brasileiro e também um filme de cinema em 1990, que valeu o Oscar para a atriz Kathy Bates. 
Diz a sinopse: "Após sofrer um grave acidente de carro, o famoso escritor Paul Sheldon, conhecido pela série de best-seller sobre a personagem Misery Chastain, é resgatado pela enfermeira Annie Wilkes. Autointitulada a principal fã do autor, Annie se revolta com o desfecho trágico da personagem Misery descoberto em um manuscrito de Sheldon e o submete a uma série de torturas e ameaças."
A montagem traz no elenco Marcello Airoldi, Mel Lisboa e Alexandre Galindo. O roteiro original é de William Goldman, adaptado por Claudia Souto e Wendell Bendelack e direção de Eric Lenate. 
Em exibição no TUCA (Teatro da PUC-SP), que fica na Rua Monte Alegre, 1024, em São Paulo. A temporada vai até o dia 31 de março, com sessões às sexta às 20h30, sábados às 20h, e domingos às 17h.
A outra peça, esta bem menos assustadora, é a comédia musical O jovem Frankenstein, adaptação do espetáculo da Broadway inspirado no ótimo longa metragem homônimo de 1974 dirigido por Mel Brooks que, por sua vez, foi inspirado na obra seminal de 1818 da escritora britânica Mary Shelley, sendo considerado uma das melhores adaptações já realizadas. 
A peça "conta a história do Dr. Frederick, neurocirurgião que dá aulas em uma Faculdade de Medicina sobre o sistema nervoso central. Ao descobrir que recebeu de herança de seu avô, Victor Frankenstein, um castelo na Transilvânia, o médico viaja até lá e conhece o livro deixado pelo parente ilustre sobre a experiência em reanimar mortos. Ele resolve, então, fazer uma experiência e reativar a teoria do avô, mas as coisas não saem muito como o esperado."
A montagem brasileira também traz nomes conhecidos no elenco, como Marcelo Serrado (Frederick Frankenstein), Dani Calabresa (Elizabeth Benning), Totia Meireles (Frau Blücher), Malu Rodrigues (Inga), Fernando Caruso (Igor), Bel Kutner (Inspetora Hans Kemp), Claudio Galvan (o ermitão) e Hamilton Dias (o monstro), com traduão de Claudio Botelho e direção de Charles Möeller. 
O espetáculo está em exibição no Teatro Bradesco (R. Palestra Itália, 500, São Paulo), até 10 de março, com sessões de quinta a domingo Às 16 e às 21 horas.

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Resenha: Naquela época tínhamos um gato/Os saltitantes seres da Lua, Olyveira Daemon

Naquela época tínhamos um gato/Os saltitantes seres da Lua
, Olyveira Daemon. 216 páginas. São Paulo: edição de autor, 2023. Ebook.

Afinal, quem é Olyveira Daemon? 
Não há mistério. Trata-se da personalidade pós-lobotômica do ser fragmentário antigamente conhecido por Nelson de Oliveira, escritor mainstream, ou quase isso, que logrou ganhar o Prêmio Fundação Cultural da Bahia por sua primeira coletânea, Os saltitantes seres da Lua, publicada em 1997. E, como se não fosse suficiente, abiscoitou também o importante Prêmio Casas de Las Américas em 1998 pela coletânea Naquela época tínhamos um gato (escrita antes, publicada depois), ambas reunidas agora em uma única edição, "parcialmente revisada", como diz o próprio Olyveira na página de rosto da nova edição. 
Quando ganhei uma cópia deste livro, o autor mandou jogar fora as edições anteriores. Talvez as revisões não tenham sido tão parciais assim. De qualquer forma, foi uma ótima iniciativa recuperar essas duas publicações que estavam esgotadas e eram difíceis de encontrar. Embora eu me recorde de ter lido Naquela época tínhamos um gato por volta de dez anos atrás, todos os contos, de ambos os títulos, me pareceram tão fresquinhos como se tivessem sido escritos agorinha mesmo. 
Lembro que, na primeira leitura, já havia ali o indisfarçável experimentalismo com estilos de discurso e linguagem, que me causou mais estranhamento do que os enredos propriamente ditos. Desta vez, os experimentos estão ainda mais acentuados e levam o leitor desavisado ao quase desespero cognitivo. Sobrevivi porque já esperava por isso mas, mesmo assim, a leitura desta reedição é uma experiência estética incomum. 
Olyveira Daemon não dá trégua ao leitor. De um texto em que todas as letras "i" são substituídas por "y" e as "c" por "k", segue-se outro escrito em portunhol, e outro no qual os pontos finais são trocados por barras verticais, sinais de parágrafo (§) e outros grafismos, ou em que as letras "o" viram círculos pretos, ou certas palavras são substituídas por falsos cognatos muito marotos, ou os nomes dos personagens antecedem suas falas como em um roteiro de teatro, e assim por diante. Quanto mais avança a leitura, mais profundas as ousadias. 
Mas não só de experimentos de linguagem vive o heterônimo de Nelson de Oliveira. As histórias também são arrojadas, indo do realismo naturalista de "Éramos todos bandoleiros", e ">Os insetos , o silêncio", passando pelo absurdismo de "Kadáver kauteloso eskondido num baú" e "Encanador", pela fantasia de "A vysão vermelha de Vyctor, ao vento", pelo humor escrachado de "Qüiprocó na Sé", até pela ficção científica de "The body snatchers". Alguns são curtinhos, praticamente vinhetas de duas ou três páginas, outros são robustos, ocupando dezenas delas, formando uma seleta de trinta contos no total. Em alguns intervalos entre os contos, surgem comentários espirituosos do autor, chamados de "Notas-anedotas" que ajudam a contextualizar os textos quanto às propostas do autor. O volume é completado por um prefácio assinado pelo jornalista e também escritor André Cáceres.
A coletânea é empolgante quanto as perspectivas que propõe para a estética literária, especialmente com relação a ficção fantástica que tem na suspensão da descrença um fundamento considerado incontornável e que é extemamente vulnerável ao mais leve experimentalismo na linguagem. 
Olyveira Daemon prova que a fcf brasileira engatinha no que se refere a ousadia formal, mas temo que os autores do gênero talvez não comprem a ideia com facilidade. Um dia, quem sabe? 
Enquanto isso, festejamos o fato de existir um Olyveira Daemon para sacudir os protocolos embolorados da velha pulp fiction.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Resenha: Novela

Novela
é uma série brasileira de fantasia e humor que estreou em 2023 na plataforma de streaming Amazon Prime. Foi criada e escrita por Valentina Castello Branco e Gabriel Esteves, com direção de Renata Pinheiro e Gigi Soares, e produção do Porta dos Fundos. 
Esta primeira temporada tem oito episódios e o elenco conta com nomes conhecidos da televisão, como Monica Iozzi, Miguel Falabela, Tarcísio Filho, Caio Menk, Herson Capri, Suzy Rego, Marcello Antony, Maria Bopp, entre outros, muitos deles interpretando dois ou até três papéis.
Claramente inspirada em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Novela conta a história da roteirista iniciante Isabel (Monica Iozzi) que, no evento de estréia de sua primeira novela, Rebote do destino, descobre que seus créditos foram usurpados por seu mentor, o novelista decadente Lauro Valente (Miguel Falabela). Aturdida, Isabel vaga pelo estúdio e é sugada por um monitor, indo parar justamente no primeiro capítulo que acabava de ir ao ar. E o que é visto pelo público na televisão não é o que foi gravado pelo elenco, mas sim uma história metalinguística totalmente divergente, na qual a presença de Isabel subverte o enredo e transforma a vida de Lauro e do elenco da novela numa montanha russa imprevisível. 
Ao longo dos primeiros capítulos, Isabel conclui que o único modo de escapar da loucura na qual mergulhou é forçando o desfecho recorrente das histórias de Lauro Valente, fazendo a mocinha (ela mesma) e o galã se casarem pois, com o fim da história, acredita que voltará automaticamente para a realidade. 
Mas as interferências de Isabel fizeram a novela bater recordes de audiência e, pressionado pela direção da emissora e pelos anunciantes, Lauro terá que sustentar a farsa e esticar a novela, sem ter a menor ideia do que pode acontecer quando o próximo capítulo for ao ar. 
A série trabalha com muitas situações de bastidores da teledramaturgia, além de homenagear várias novelas e brincar com os cacoetes desse tipo de produção, com figurinos bizarros, situações esterotipadas e muito nonsense, como quando entram os intervalos comerciais e tudo se congela, exceto a própria Isabel. 
Novela vem somar um conjunto de boas ideias às séries brasileiras, um novo tipo de produto televisivo que tem investido em histórias fantásticas como Cidades invisíveis, Espectros, 3% e Vale dos esquecidos, e pode contribuir decisivamente para renovar o modelo tradicional das novelas da televisão brasileira.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Nós não gostamos de gente

Está novamente aberta a exposição A Arte da Animação Stop Motion, que apresenta ao público a técnica empregada na produção do longa de animação Bob Cuspe: Nós não gostamos de gente, dirigido por Cesar Cabral. 
Produzida pela Coala Filmes e lançada em 2021, a produção coleciona prêmios por todo o mundo, tendo sido reconhecida nos festivais de Havana, Annecy, Ottawa, Tokio Anime, Quirino, Cinanima, entre outros
O filme conta uma história absurdista na qual as mais célebres personagens de Angeli, capitaneadas por um envelhecido Bob Cuspe, se digladiam num cenário pós apocaliptico que, na verdade, é a mente em crise criativa do velho cartunista. 
Angeli também participa da história, com cenas que reproduzem seus estúdio e residência, sendo a própria voz do artista que dubla o personagem. O filme ainda conta com participações especiais, como por exemplo a cartunista Laerte, que também empresta a voz a si mesma. Também podem ser ouvidas as vozes de Paulo Miklos, Grace Gianoukas, André Abujamra, Milhem Cortaz, Hogo Passolo, Carol Guaycuru e Beto Hora nas bocas das demais personagens. 
A exposição apresenta toda a parafernália que, por trás das câmeras, simula a magia do movimento, incluindo os bonecos articulados de todos os personagens e os cenários originais e utilizados nas filmagens. 
A exposição pode ser visitada até o dia 15 de setembro, das 14h30 às 20h30, no Cine Sesc (Rua Augusta, 2075), em São Paulo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

O Capitão Barbosa e outras histórias

O Capitão Barbosa e outras histórias
é uma coletânea de contos do escritor carioca Miguel Carqueija, publicada com recursos próprios ainda em 2022. 
Com prefácio do pesquisador Marcello Simão Branco, o volume traz dezoito histórias curtas de ficção científica humorística, muitas delas publicadas em fanzines.
Diz o próprio autor sobre a obra: "É ponto pacífico que poucos escritores brasileiros de ficção científica produzem textos humorísticos. Hoje estou apresentando uma coletânea rara, uma coleção de contos de humor dentro do gênero ficção científica. Alguns contos avulsos e outros, na segunda parte, com histórias do meu personagem recorrente, o Capitão Barbosa, com a participação do Doutor Mexilhão numa delas."
O conceito "Capitão Barbosa está na ponte de comando da nave estelar", apropriado por Carqueija nesta coletânea, foi proposto pelo pesquisador e também escritor Bráulio Tavares, para demonstrar a resistência dos leitores a personagens de nomes brasileiros na ficção científica nacional.
A coletânea está disponível aqui para download gratuito, em formato de arquivo de texto.
Imagem: Pixabay.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Lançamento: Mestres do traço

Mestres do traço
é uma antologia de entrevistas que o jornalista Rafael Spaca realizou com os principais quadrinhistas e cartunistas do país, originalmente publicadas na revista Bravo!.
Nele estão transcritas conversas com Álvaro de Moya (1930-2017), Renato Aroeira, João Spacca, Orlandeli, Arnaldo Branco, André Dahmer, Caco Galhardo, Custódio Rosa, Júlio Shimamoto, Paulo Caruso, Gustavo Machado, Allan Sieber, Adão Iturrusgarai, Chico Caruso, Jaguar, Leonardo, Cynthia Bonacossa, Marcello Quintanilha, Bira Dantas, Rafael Coutinho, Mauricio de Sousa, Denison e Fabiane Langona. Uma maravilha!
O livro tem 296 páginas é é uma publicação da editora Avec.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

A noite dos insensatos, Simone Saueressig

A noite dos insensatos e outras histórias bizarras
, Simone Saueressig. Novo Hamburgo: edição de autor, 2023. 

Houve um tempo em que os textos escritos pelos autores de fandom brasileiro de fc&f eram efetivamente lidos e causavam debates furiosos nas redes sociais analógicas da época, que aconteciam nas páginas dos fanzines que também veiculavam os textos em si. 
As redes digitais pareciam, a princípio, acenar com um acirramento desse tipo de debate, mas foi uma expectativa frustrada rapidamente na medida em que os autores abandonaram as discussões para evitar os melindres em seus seguidores. O encarregado de uma grande editora, hoje já fora do mercado, chegou a anunciar uma lista negra para os autores que fizessem comentários polêmicos nas redes. 
Portanto, é de se comemorar a iniciativa da fantasista gaúcha Simone Saueressig, que publicou com seus próprios recursos a coletânea A noite dos insensatos e outras histórias bizarras, com seis contos imprevisíveis e absolutamente fora do espaço de conforto da autora. 
Conhecida por sua ficção de viéz folclórico voltada principalmente para o público juvenil, Simone investe aqui em textos de forma e natureza totalmente diversos de suas características, com um forte conteúdo humorístico, quase sempre negro, e ataques declarados a comportamentos da sociedade brasileira recente. 
A coletânea tem apenas 37 páginas, mas seu conteúdo é explosivo e de alta octanagem, que levou legiões de usuários das redes sociais a mover uma verdadeira campanha contra o volume, algo que não se via no fandom desde que as redes decidiram limar Monteiro Lobato da literatura brasileira. 
O conto título abre a antologia e é o mais longo da seleta. Trata-se de uma farsa engraçadíssima, um tipo de charge literária, sobre dois alienígenas que atuam em segredo na proteção do planeta Terra e decidem fazer uma visita não autorizada à uma região ao sul do Brasil em meio a campanha eleitoral de 2022. Sendo charge, o texto exige uma certa contextualização para fazer sentido, mas acredito que os brasileiros não terão problema com relação a isso. 
"Buraco de minhoca" narra o drama de uma dona de casa que tem em sua máquina de lavar roupas a extremidade de chegada de um buraco de minhoca de onde surgem todos os pés de meias perdidos no mundo.
"Pleonasmos" é uma narrativa metalinguística que surpreende porque a autora desrespeita sua própria filosofia de escrever corretamente e comete repetidos e deliberados pleonasmos, tudo a serviço do desfecho da história. 
"Infestação" é a história mais poética do conjunto, sobre uma jovem que passa a ser incomodada pela presença cada vez mais intensa de variados tipos de insetos em sua casa, prenúncio de importantes transformações na sua vida.
Em "A reforma" temos uma narrativa de horror, uma especialidade da autora. Durante uma reforma em sua residência, o pedreiro abre um buraco na parede que se transforma em uma gigantesca bocarra faminta. 
"Tsundoku" fecha o volume com a história de uma amante dos livros que compra muito mais do que consegue ler. A certa altura, os volumes começam a brotar expontaneamente até ocuparem toda a casa, que se torna então num labirinto de livros empilhados onde as pessoas desaparecem para sempre. 
Como se vê, a autora flerta com o modelo de fantasia de Murilo Rubião e Jorge Luis Borges, com textos curtos e poderosos que não permitem que o leitor fique impassível a eles. Com exceção do conto título, todos os demais têm protagonistas femininas em meio ao cotidiano urbano, o que certamente deve significar alguma coisa importante.
O volume foi publicado apenas em formato virtual para leitores Kindle e pode ser adquirido aqui. Contudo, quem não tiver o dispositivo poderá ler o livro no aplicativo online da própria plataforma. 
Recomendo fortemente a leitura, por ser um ponto de virada na obra da autora, pelas discussões que suscita e porque é uma leitura bastante rápida. Dessa forma, mais gente pode entrar na discussão. Afinal, "A noite dos insensatos" é ou não proselitista? Não vou responder, mas que é divertidíssimo, lá isso é.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Astrogildo

A partir da crise dos jornais impressos, na virada do século, as tiras de quadrinhos se tornaram um produto cada vez mais raro. Para não sumir de vez, a maioria dos autores de tiras migrou para a internet. E, dentre as que ainda sobrevivem, são ainda mais raras aquelas de ficção científica.
Este é o caso de Astrogildo, do cartunista Rafael Bento. Inspirado em Calvin e Haroldo, de Bill Watterson, Astrogildo é um estudante ingênuo e sonhador que deseja se tornar astronauta e no seu caminho vai encontrando diversos desafios que muito revelam sobre o nosso tempo.
Astrogildo chegou a centésima tirinha em 2019 e já tem dois volumes impressos publicados, que podem ser adquiridos diretamente com o autor pelo email rafaelbento@gmail.com.
Mais do personagem no perfil do autor, aqui.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Interferências

Interferências (Crosstalk), Connie Willis, tradução de Viviane Diniz Lopes. 464 páginas. Editora Companhia das Letras, selo Suma, São Paulo, 2018.

Conheci o texto de Connie Willis no periódico Isaac Asimov Magazine (carinhosamente chamada de IAM), publicação tradicional nos EUA que teve 25 edições no Brasil nos anos 1990, pela editora Record. Ao lado de monstros da ficção científica recente, como Charles Sheffield, Kim Stanley Robinson, James Tiptree Jr., Geoffrey Landis, Bruce Sterling, Judit Moffet, George R. R. Martin e Lucius Sheppard, entre outros, Connie Willis era autora frequente e seus textos sempre interessantes e contundentes, como a novela “O último dos Winnenbagos” – publicado na edição número 11 de abril de 1991 e ganhador dos prêmios Hugo e Nebula –, sobre um casal idoso em viagem nas estranhas estradas do uma América futurista. Willis é uma das autoras mais premiadas de sua geração, com nada menos que sete Nebulas e onze Hugos no currículo (e contando).
Connie Willis é, então, uma paixão do passado. Se alguém diz que há uma nova história dela no mercado, meu coração já começa a bater mais forte. Ler Willis hoje é como voltar no tempo e reviver a emoção de ler uma IAM inédita. Velhos tempos.
Interferências, romance de 2016 traduzido no Brasil em 2018 pela Companhia das Letras no selo Suma, é o segundo romance de Connie Willis no Brasil. O anterior foi O livro do juízo final, publicado pela mesma editora em 2017 e resenhado aqui. Fiquei um pouco receoso de que Connie não tivesse acertado a mão em Interferências, pois ouvi opiniões que davam conta de que esta não seria uma história de ficção científica, a especialidade da autora. Mesmo assim, confiava que o talento literário de Willis não me decepcionaria. Eu estava certo e as opiniões, erradas, é claro.
A história acompanha a confusão que se torna a vida de Briddey Flanningan, jovem executiva de uma indústria de celulares que aceita o pedido de Trent, seu noivo e chefe na empresa, para realizarem com um importante cirurgião da moda o implante de um tipo de chip cerebral que permitirá ao casal compartilhar as emoções um do outro e, dessa forma, ter uma relação mais intensa e transparente. Muitos casais felizes atestam as vantagens do procedimento, que é um tipo de prova de amor nesse futuro próximo, sendo uma operação simples e corriqueira, sem riscos à saúde. Mas essa não é a opinião de um dos colegas de Briddey, o engenheiro de desenvolvimento C.B., mais conhecido nos corredores da empresa como “Corcunda de Notre Dame” devido ao seu aspecto desengonçado e anti-social, sempre isolado em sua oficina no subsolo. C.B. usa todos os seus piores argumentos para demover Briddey de sua decisão pelo implante, apela até para um discurso de terror explícito dando exemplos de cirurgias aparentemente simples que levaram os pacientes a óbito, mas a jovem está convencida do amor de Trent e briga com C.B., pois acredita ele está com ciúmes e tentando sabotar seu sonho de conto de fadas.
Depois de uma verdadeira operação de guerra para evitar as fofocas no trabalho e as invasivas mulheres de sua família irlandesa, Briddey e Trent internam-se secretamente no hospital para receber o implante. Tudo vai bem até que a anestesia passa e Briddey descobre que alguma coisa deu muito errado com a cirurgia: em vez de sentir as ondas de amor emanadas por Trent, começa a ouvir em sua mente a voz de C.B., com quem agora têm um vínculo telepático. E isso é muito mais que um inconveniente, pois o que Trent vai pensar quando souber que sua amada tem com o “Corcunda de Notre Dame” uma ligação mais íntima que com ele próprio? Mas isso é só o início dos problemas de Briddey, pois o seu dom telepático pode colocar em perigo não só a si, mas a toda sua família, que é disfuncional mas a qual ela ama sinceramente.
A história tem, em boa parte, o tom de uma comédia romântica, e em alguns momentos iniciais realmente lembra o enredo do longa-metragem Do que as mulheres gostam (What women want, 2000). Mas é só superficialmente, porque Interferências tem um panorama efetivamente de ficção científica, com muitas teorias voando por todos os lados, com direito a conspirações e cientistas malucos que tornam a narrativa uma verdadeira montanha-russa. O tom humorístico é delicioso e raro tanto no trabalho de Willis – que geralmente é dramático – quanto no gênero da ficção científica de modo geral. Uma peça literária valiosa portanto.
E as epígrafes que abrem cada capítulo são um charme à parte, transcrevendo frases inspiradoras de filmes, seriados de tv e livros como Graça infinita, Artemis Fowl, Alice no País das Maravilhas, O jardim secreto e outros, que fazem o delírio dos fãs de citações.
Por tudo isso, Interferências é um livro que pode ser lido com prazer tanto pelo leitor veterano, fã de ficção científica, como também pelo leitor não especializado no gênero, incluindo aquele que acredita não gostar dele. Porque, no fim das contas, Connie conseguiu com louvor fazer aquilo que muitos perseguem sem sucesso: escreveu uma ficção científica para quem não gosta de ficção científica. E isso é um feito e tanto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Tempos fantásticos.com

Depois de dois anos e 24 edições publicadas, o jornal satírico Tempos Fantásticos suspendeu suas operações em meados de 2018. Ao contrário de outros órgãos de imprensa não noticiam com clareza os motivos da própria descontinuidade, Tempos Fantásticos revelou que foi tudo descorrente de uma intensa perseguição de seus inimigos, embora não cite os nomes dos mesmos. Mas parece que a publicação pode voltar em breve, e o primeiro sinal dessa recuperação é o lançamento do novo saite do jornal, que disponibiliza, para download gratuito, as versões eletrônicas de todas as suas 24 edições.
Editado por Angelo Dias, Jana P. Bianchi, João P. Lima, Ludmila Honorato e Raphael Andrade, Tempos Fantásticos é uma ideia interessante mas não inédita. Nos anos 1990, duas publicações de igual natureza circularam entre os fãs brasileiros de ficção fantástica: o Zominum – autocaricatura do fanzine Somnium, boletim do Clube de Leitores de Ficção Científica –  e o Hiperespaço TNG, ambas publicadas no Rio de Janeiro e que também tiveram existência curta. A diferença é que enquanto estes eram fanzines da era pré-internet, Tempos Fantásticos traz a sofisticação gráfica dos tempos digitais, emulando a diagramação dos jornais modernos.
Enquanto o lobo não vem, aproveite para passear no bosque, isto é, para baixar e ler as edições antigas de Tempos Fantásticos. Afinal, sendo um jornal atemporal, ele tem a vantagem de nunca ficar desatualizado.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

O ditador honesto

O que viria a ser um ditador honesto? Isso existe? Por incrível que pareça, houve época que esse personagem era louvado pelos intelectuais mas, naqueles tempos, recebia o nome de "déspota esclarecido". Não são poucos os pensadores iluministas do século 18 que viam nessa figura contraditória a luz de um futuro redentor para a humanidade, e sabemos para onde isso nos trouxe. Contudo, O ditador honesto também pode ser muito divertido, pois trata-se do romance satírico de ficção política - e arrisco dizer científica - do escritor baiano Matheus Peleteiro, autor do romance Mundo cão (2016) e da coletânea Pro inferno com isso (2017). O ditador honesto é narrado por um secretário escandalizado com as práticas do chefe de estado de numa distopia não muito diferente dos nossa...
A preocupação com o crescimento do fascismo no Brasil é o principal motivador de uma série de livros que têm ganhado a luz nos últimos meses, como os já resenhados Ninguém nasce herói, de Eric Novello, e Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron.
O livro tem 172 páginas e é uma publicação independente. Para obter um exemplar, entre em contato com o autor pelo email matheus_peleteiro@hotmail.com, ou pelo nas redes sociais, aqui.

sábado, 12 de maio de 2018

Risografia: Figurinhas Carimbadas

No tempo em que os dinossauros andavam sobre a Terra, uma das atividades mais praticadas entre esses gigantes era a produção de fanzines, publicações clandestinas feitas em copiadoras de fundo de quintal, enviadas pelos correios para os leitoressauros, muitas vezes em troca de outros fanzines. Foi a mais ativa rede social daquela era até o impacto do asteroide em Yucatán.
Um artistassauro daquele tempo remoto foi Angelo Júnior que, além de publicar seus próprios fanzines, colaborou com ilustrações e histórias em quadrinhos para diversos outros, sendo um traço bastante conhecido do fandom cretáceo.
Resgatado por paleontólogos modernos, Angelo está de volta no livro Risografia: Figurinhas carimbadas, com "25 mini-biografias e caricaturas de peças raras que circulam por aí. Um universo de tipos desajeitados, tresloucados, paspalhos, bobocas, imbecis e outros bichos", nas palavras do próprio autor.
A publicação tem 53 páginas em preto e branco, capa em cores, e pode ser adquirida em formato impresso aqui, ou com o próprio autor pelo email angelomsjunior@yahoo.com.br.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Honey Bel na mão

Miguel Carqueija avisa:
"As aventuras de Honey Bel será lançada no próximo sábado, dia 11 de novembro, a partir das 15 horas, na Papelaria Áurea, situada na Rua Barata Ribeiro, 645, em Copacabana, Rio de Janeiro. Todos estão convidados."
A novela, uma ficção científica humorística anunciada aqui há poucos dias, é a primeira publicação sob a chancela do selo Electron, de propriedade do autor, com apoio das Edições Hiperespaço.

domingo, 5 de novembro de 2017

Honey Bel na Electron

O escritor carioca Miguel Carqueija há algum tempo tem se dedicado à tarefa de editar ele mesmo os seus escritos. A maior parte dessa produção tem sido disponibilizada pelo autor em forma digital em diversos saites de autoedição, mas Carqueija decidiu dar um novo e ousado passo em sua carreira criando um selo próprio, através do qual pretende publicar livros impressos, ainda que confeccionados artesanalmente.
O selo foi batizado de Edições Electron e a primeira publicação sob essa chancela é a novela de ficção científica humorística As aventuras de Honey Bel, que teve edição virtual anterior, mas faz agora sua estreia em formato real. Com prefácio de Francisco Martinelli, conta a história de Honey Bel, garota romântica, desastrada e biruta que, num futuro distante, tenta a sorte como vendedora na Terra II, mas seu sonho é encontrar um Príncipe Encantado. O acaso a joga num roubo audacioso e agentes da Cosmopol – a Interpol do futuro – e Honey decide se tornar uma agente secreta.
A edição é impressa digitalmente, tem 64 páginas, formato 10,5 x 21cm e capa em cores. Carqueija já teve publicações anteriores em formato similar, pelos selos editoriais Scarium e Hiperespaço, sendo que este lhe prestou assessoria nesta nova fase; não é um salto no vazio, portanto. O autor tem experiência com venda direta e podemos esperar mais títulos no futuro.
Mais informações sobre como e onde adquirir o livro com o autor, pelo email mcarqueija@gmail.com.