A escritora gaúcha Simone Saueressig anuncia que já está disponível na plataforma de autoedição da Amazon seu romance inédito De ferro e de sal, fantasia densa destinada ao leitor adulto.
Diz o texto de divulgação: "Em torno da Forja, ergue-se Brutmir, a Cidade dos Ferreiros. O cenário perfeito para que a Reta e Cega se encontrem para seu baile macabro. A Reta e a Cega: os Potentados sinistros da Vingança e da Traição. As que nunca esquecem. As que jamais desistem".
Simone tem muita habilidade no trato dos gêneros fantásticos e também já demonstrou ser ótima autora para adultos, como se pode atestar na leitura do romance histórico aurum Domini: O ouro das missões e da ficção científica B9, e não erro em afirmar que é a melhor escritora do gênero no país.
Confira seu estilo elegante e agudo lendo gratuitamente aqui o conto "Muiraquitã", merecidamente vencedor do concurso A Bandeira do Elefante e da Arara RPG, promovido pela REDERPG, e veja se não tenho razão.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
sexta-feira, 23 de junho de 2017
O pitbull é manso, mas...
O romance de horror O pitbull é manso, mas o dono dele já mordeu uns quantos..., de Simone Saueressig, recebeu uma nova edição, com capa nova e texto revisado para contar a aventura de Deco, Bebel e Marcão e um lobisomem. E o melhor de tudo: gratuito. Baixe seu exemplar em formato pdf no saite da autora, aqui.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
As mulheres e a produção de fc no Brasil
Está "no ar" mais um episódio de Ghost Writer, podcast sobre literatura, produzido e a apresentado por Ricardo Herdy e Raphael Modena.
Nesta edição, as escritoras Simone Saueressig, Finisia Fideli e Marcia Olivieri, acompanhadas de Cesar Silva, debatem a presença feminina na ficção científica brasileira, com muitos dados históricos e recomendações de leitura.
O programa pode ser ouvido online ou baixado gratuitamente no saite do Ghost Writer, aqui.
Vale a pena explorar todo o acervo, que tem uma boa quantidade de episódios interessantes.
Nesta edição, as escritoras Simone Saueressig, Finisia Fideli e Marcia Olivieri, acompanhadas de Cesar Silva, debatem a presença feminina na ficção científica brasileira, com muitos dados históricos e recomendações de leitura.
O programa pode ser ouvido online ou baixado gratuitamente no saite do Ghost Writer, aqui.
Vale a pena explorar todo o acervo, que tem uma boa quantidade de episódios interessantes.
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terça-feira, 16 de junho de 2015
Menos do que um troco
A escritora Simone Saueressig, mais conhecida por seus textos de fantasia, anuncia a publicação de seu novo livro Menos do que um troco, editado pela Artes e Ofícios. Mas avisa que, desta vez, não não se trata de literatura fantástica, mas sim de um romance "o mais realista que consegui fazer", diz a autora.
O lançamento acontecerá no dia 19 de junho, às 19 horas, na livraria Sapere Aude (rua Lopo Gonçalves nº 33) em Porto Alegre/RS. Haverá um batepapo com a autora e com o também escritor Luís Dill.
O lançamento acontecerá no dia 19 de junho, às 19 horas, na livraria Sapere Aude (rua Lopo Gonçalves nº 33) em Porto Alegre/RS. Haverá um batepapo com a autora e com o também escritor Luís Dill.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Resenha: Livros para chamar o Sol
Os sóis da América III: O coração de jade, 184 páginas; Os sóis da América IV: A Pedra da História, 176 páginas, Simone Saueressig. Ilustrações e capas de Fabiana Girotto Boff. Edição da autora, Novo Hamburgo, 2014.
Em 2014, Simone Sauressig publicou, com recursos próprios, O coração de jade e A Pedra da História, partes finais da tetralogia Os sóis da América, saga de fantasia com as aventuras do menino Pelume por um continente americano mítico, em busca da história para chamar o Sol, sem a qual seu povo, que habita a longínqua Caverna Mais Alta do Mundo, localizada em uma ilha no Círculo Polar Antártico, jamais verá o astro nascer novamente.
Nos livros anteriores, O Nalladigua e A Flauta Condor, publicados em 2013, Pelume e seus amigos, a menina Misqui e o guarani Nimbó, atravessaram os territórios do sul, passando pelos pampas gaúchos, o Rio da Prata, as cataratas do Iguaçu, os campos de caçada e a grande cordilheira dos Andes, fazendo novos amigos e enfrentando perigos mortais, entre os quais o bruxo Machí que, tendo seus planos frustrados por Pelume, os persegue sem trégua, em busca de vingança a qualquer custo. Quando Pelume precipita-se nos abismos andinos, Misqui e Nimbó são obrigados a seguir viagem sozinhos.
O coração de jade inicia exatamente nesse momento. Miraculosamente, Pelume sobrevive a queda ao ser capturado, em pelo ar, por uma ave que pretende devorá-lo, mas o velho remo – que é um galho da lendária árvore Nalladigua – o protegeu do apetite da fera alada. Perdido na selva, Pelume é envolvido pelas promessas da traiçoeira Cobra Grande, que consegue convencê-lo a trocar seu coração puro de menino pelo transporte até a cidade de Tiahuanaco. No lugar, Pelume passa a ter um coração feito de jade, duro e frio, que a Cobra Grande lhe deu. Agora sem sentimentos, Pelume suporta sem muita dificuldade uma aterrorizante viagem no lombo da cobra, só para, no final da jornada, encontrar seus amigos aprisionados pelo poderoso Machí. O confronto com o bruxo revela o quanto o menino mudara. Pelume resgata seus velhos amigos, mas o custo emocional é enorme e a relação entre eles nunca mais seria a mesma. Na sequência da jornada para o norte, os meninos chegam à maravilhosa cidade Teothiuacán, onde se deparam com uma urbanidade inédita que deixa maravilhado até o insensível Pelume.
Ali eles conhecem um povo muito desenvolvido, mas que está passando por um momento delicado. Esta próxima a hora da cerimônia do Fogo Novo, quando todos os fogos da cidade são apagados e substituídos por uma nova chama. Para isso, é necessário o sacrifício de um homem honrado, ou então, de um pouquinho do fogo sagrado de Popocatepetl, o vulcão que se ergue sobre a cidade. Por trás do drama de Tenamaztli, o valente guerreiro que terá de ser sacrificado, está a história de ciúme de uma mulher egoísta que não se importa em colocar toda a cidade em risco de ser destruída apenas para satisfazer seus caprichos. Isso vai colocar os três jovens do sul na busca pelo fogo de Popocatepetl e numa luta infernal contra um exército de seres mágicos que prenunciam o fim do mundo.
A Pedra da História, volume final da série, vai levar os jovens aos limites setentrionais do continente. Perseguidos de perto pelo cada vez mais enfurecido feiticeiro Maquí, que agora tem um séquito de feras mágicas sob suas ordens, os do sul atravessam as grandes pradarias norte americanas, a Floresta Dourada e a Mata do Norte, conhecem povos nativos e civilizações mágicas, e encontram-se com a misteriosa Mulher-Aranha, que entrega a Pelume a misteriosa Pedra da História e faz revelações que o menino só poderia compreender se ainda tivesse um coração de verdade no peito. A fuga prolongada e cansativa, as constantes lutas e o frio cada vez mais intenso começam a minar a determinação de Pelume, e quando ele percebe que seus amigos estão muito próximos do completo esgotamento físico e emocional, ele mesmo dominado pela frieza de coração de jade, decide abandonar a busca e se entregar à ira de Maquí. Mas as revelações pelas quais tanto lutou, bem como o destino de seus amigos, estão para além da banquisas polares.
Assim como em O Nalladigua e A Flauta Condor, O coração de jade e A pedra da história são ilustrados por Fabiana Girotto Boff, que também assina as capas. Cada livro vem com um marcador de páginas que estampa um útil glossário de termos linguísticos e figuras mágicas, que ajuda a entender de onde veio a infinidade de criaturas fabulosas que aparece ao longo da narrativa e seu contexto no folclore das diversas culturas com as quais Pelume toma contato.
Apesar da invejável bibliografia da autora, que detém em seu currículo vários prêmios importantes e romances ousados como aurum Domini: O ouro das missões (2010), O jogo no tabuleiro (2010) e B9 (2011), Os sóis da América se destaca como um trabalho de fôlego, que certamente exigiu um esforço monumental de pesquisa. Seu maior mérito é ter ido além de qualquer bairrismo, reclamando todo o continente como o espaço sem as fronteiras que perdemos de vista por causa do apelo nacionalista, uma proposta corajosa e inovadora na ficção fantástica brasileira.
Em 2014, Simone Sauressig publicou, com recursos próprios, O coração de jade e A Pedra da História, partes finais da tetralogia Os sóis da América, saga de fantasia com as aventuras do menino Pelume por um continente americano mítico, em busca da história para chamar o Sol, sem a qual seu povo, que habita a longínqua Caverna Mais Alta do Mundo, localizada em uma ilha no Círculo Polar Antártico, jamais verá o astro nascer novamente.
Nos livros anteriores, O Nalladigua e A Flauta Condor, publicados em 2013, Pelume e seus amigos, a menina Misqui e o guarani Nimbó, atravessaram os territórios do sul, passando pelos pampas gaúchos, o Rio da Prata, as cataratas do Iguaçu, os campos de caçada e a grande cordilheira dos Andes, fazendo novos amigos e enfrentando perigos mortais, entre os quais o bruxo Machí que, tendo seus planos frustrados por Pelume, os persegue sem trégua, em busca de vingança a qualquer custo. Quando Pelume precipita-se nos abismos andinos, Misqui e Nimbó são obrigados a seguir viagem sozinhos.
O coração de jade inicia exatamente nesse momento. Miraculosamente, Pelume sobrevive a queda ao ser capturado, em pelo ar, por uma ave que pretende devorá-lo, mas o velho remo – que é um galho da lendária árvore Nalladigua – o protegeu do apetite da fera alada. Perdido na selva, Pelume é envolvido pelas promessas da traiçoeira Cobra Grande, que consegue convencê-lo a trocar seu coração puro de menino pelo transporte até a cidade de Tiahuanaco. No lugar, Pelume passa a ter um coração feito de jade, duro e frio, que a Cobra Grande lhe deu. Agora sem sentimentos, Pelume suporta sem muita dificuldade uma aterrorizante viagem no lombo da cobra, só para, no final da jornada, encontrar seus amigos aprisionados pelo poderoso Machí. O confronto com o bruxo revela o quanto o menino mudara. Pelume resgata seus velhos amigos, mas o custo emocional é enorme e a relação entre eles nunca mais seria a mesma. Na sequência da jornada para o norte, os meninos chegam à maravilhosa cidade Teothiuacán, onde se deparam com uma urbanidade inédita que deixa maravilhado até o insensível Pelume.
Ali eles conhecem um povo muito desenvolvido, mas que está passando por um momento delicado. Esta próxima a hora da cerimônia do Fogo Novo, quando todos os fogos da cidade são apagados e substituídos por uma nova chama. Para isso, é necessário o sacrifício de um homem honrado, ou então, de um pouquinho do fogo sagrado de Popocatepetl, o vulcão que se ergue sobre a cidade. Por trás do drama de Tenamaztli, o valente guerreiro que terá de ser sacrificado, está a história de ciúme de uma mulher egoísta que não se importa em colocar toda a cidade em risco de ser destruída apenas para satisfazer seus caprichos. Isso vai colocar os três jovens do sul na busca pelo fogo de Popocatepetl e numa luta infernal contra um exército de seres mágicos que prenunciam o fim do mundo.
A Pedra da História, volume final da série, vai levar os jovens aos limites setentrionais do continente. Perseguidos de perto pelo cada vez mais enfurecido feiticeiro Maquí, que agora tem um séquito de feras mágicas sob suas ordens, os do sul atravessam as grandes pradarias norte americanas, a Floresta Dourada e a Mata do Norte, conhecem povos nativos e civilizações mágicas, e encontram-se com a misteriosa Mulher-Aranha, que entrega a Pelume a misteriosa Pedra da História e faz revelações que o menino só poderia compreender se ainda tivesse um coração de verdade no peito. A fuga prolongada e cansativa, as constantes lutas e o frio cada vez mais intenso começam a minar a determinação de Pelume, e quando ele percebe que seus amigos estão muito próximos do completo esgotamento físico e emocional, ele mesmo dominado pela frieza de coração de jade, decide abandonar a busca e se entregar à ira de Maquí. Mas as revelações pelas quais tanto lutou, bem como o destino de seus amigos, estão para além da banquisas polares.
Assim como em O Nalladigua e A Flauta Condor, O coração de jade e A pedra da história são ilustrados por Fabiana Girotto Boff, que também assina as capas. Cada livro vem com um marcador de páginas que estampa um útil glossário de termos linguísticos e figuras mágicas, que ajuda a entender de onde veio a infinidade de criaturas fabulosas que aparece ao longo da narrativa e seu contexto no folclore das diversas culturas com as quais Pelume toma contato.
Apesar da invejável bibliografia da autora, que detém em seu currículo vários prêmios importantes e romances ousados como aurum Domini: O ouro das missões (2010), O jogo no tabuleiro (2010) e B9 (2011), Os sóis da América se destaca como um trabalho de fôlego, que certamente exigiu um esforço monumental de pesquisa. Seu maior mérito é ter ido além de qualquer bairrismo, reclamando todo o continente como o espaço sem as fronteiras que perdemos de vista por causa do apelo nacionalista, uma proposta corajosa e inovadora na ficção fantástica brasileira.
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sábado, 14 de junho de 2014
Agenda: Padrão 20
A escritora Simone Saueressig convida todos os amigos e leitores para o lançamento oficial do seu romance de ficção científica Padrão 20: a ameaça do espaço-tempo, publicado pela editora Besourobox. O evento acontece no dia 18/06, à partir das 19h, na Livraria da Feevale Campus II, que fica na Rodovia ERS 239 nº 2755, em Novo Hamburgo/RS.
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sexta-feira, 18 de abril de 2014
Simone Saueressig em dose dupla
Dona de uma índole ativa e irriquieta, a escritora gaúcha Simone Saueressig não se acomoda nunca, e dá continuidade a sua obra literária com dois títulos simultâneos, ambos lançados durante a III Odisseia de Literatura Fantástica, recentemente realizada em Porto Alegre.
O coração de jade é o terceiro volume da série de fantasia Os sóis da América, com a saga do jovem Pelume, nativo de uma ilha perdida no Círculo Polar Antártico, em peregrinação por uma América mítica em busca da história que fará o Sol se levantar sobre sua gente. A história segue agora pela América Central, com Pelume e seus amigos confrontando criaturas da mitologia asteca.
Ao contrário do que eu pensava, não é a última parte: o título do volume 4 será A pedra da história, em que os heróis irão avançar pelo norte do continente.
O livro tem 184 páginas e, como nas edições anteriores, tem ilustrações de Fabiana Girotto Boff. Mais informações no blogue da série, aqui.
O outro livro de Simone é Padrão 20: A ameaça do espaço-tempo, ficção científica juvenil editada pela Besouro Box, na qual a protagonista, Maria do Céu, durante férias em Genebra, se depara com situações insólitas dignas de um episódio de Além da imaginação. Os títulos dos dezessete capítulos que compõem o romance são uma atração a parte, pois muitos deles fazem referência a outros textos do gênero, nacionais e estrangeiros. O livro pode ser encontrado em diversas livrarias.
O coração de jade é o terceiro volume da série de fantasia Os sóis da América, com a saga do jovem Pelume, nativo de uma ilha perdida no Círculo Polar Antártico, em peregrinação por uma América mítica em busca da história que fará o Sol se levantar sobre sua gente. A história segue agora pela América Central, com Pelume e seus amigos confrontando criaturas da mitologia asteca.
Ao contrário do que eu pensava, não é a última parte: o título do volume 4 será A pedra da história, em que os heróis irão avançar pelo norte do continente.O livro tem 184 páginas e, como nas edições anteriores, tem ilustrações de Fabiana Girotto Boff. Mais informações no blogue da série, aqui.
O outro livro de Simone é Padrão 20: A ameaça do espaço-tempo, ficção científica juvenil editada pela Besouro Box, na qual a protagonista, Maria do Céu, durante férias em Genebra, se depara com situações insólitas dignas de um episódio de Além da imaginação. Os títulos dos dezessete capítulos que compõem o romance são uma atração a parte, pois muitos deles fazem referência a outros textos do gênero, nacionais e estrangeiros. O livro pode ser encontrado em diversas livrarias.
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Resenha: A Flauta Condor
Segundo volume da série Os sóis da América, A Flauta Condor dá continuidade às aventuras do menino Pelume em peregrinação pelas terras de uma América mítica em busca da história para chamar o Sol, que pode salvar seu povo do que ele acredita ser a extinção certa.
No primeiro volume, O Nalladigua (também publicado em 2013), Pelume abandona sua terra natal, uma ilha no oceano antártico e, literalmente, voando nas asas do vento – que na sua tradição do povo Do Fogo é um pássaro chamado Furufuhué –, chega às terras meridionais do continente, onde conhece a menina Misqui que o acompanha em sua caminhada para o norte. Depois de enfrentar muitos perigos e tristezas, mas também vitórias, os jovens chegam às cataratas do rio Iguaçu e, de lá, embarcam novamente nas costas de Furufuhué em direção à coluna vertebral da América, a Espinha Branca.
A Flauta Condor inicia com Pelume, Misqui e Nimbó, garoto guarani que se uniu aos peregrinos, voando sobre o coração do continente a bordo de uma canoa equilibrada nas costas do Urubu-Rei, uma das muitas formas que Furufuhué assume entre os povos americanos. Mas, sendo vento, Furufuhué é sensível aos processos climáticos e, quando ele se transforma numa violenta tempestade, tem que deixar os garotos no chão para mantê-los a salvo, e a viagem é interrompida antes que a gigantesca cordilheira seja alcançada: os jovens terão de concluir a jornada a pé.
Caminhando por uma terra árida, exaustos e famintos, os jovens encontram um casebre calcinado pelo sol inclemente da região. Ali encontrar mais dois adolescentes, Taki e Sisa, filhos de nobres incas que até ali foram levados por um servo depois que sua casa foi atacada por revoltosos que mataram seus pais.
Auxiliados pelos espíritos da natureza Pombero e Coquena, os cinco jovens seguem viagem em busca das raízes da cordilheira. Ao atravessarem uma floresta encantada, o galho da Nalladigua – que Pelume carrega desde o início de sua jornada e na qual amarra suas lembranças – começa a revelar seus poderes, que ainda não são entendidos pelo garoto.
Quando, enfim, chegam à cidade inca de Potosi, encontram Uturunku, um antigo amigo da família real, que diz também estar sendo perseguido pelos revoltosos. Ele e seu filho Sonkoy passam a proteger os jovens herdeiros, que precisam escapar dos rebeldes e chegar à Cuzco, onde poderão ser protegidos pelas forças leias do império. Com os soldados em seus calcanhares, Uturunku guia os jovens pelo labirinto de túneis escuros das minas de prata de Potosi. Um dos perseguidores os alcança e, na mortal luta que se segue, Pelume consegue tirar dele um pequeno instrumento, a Flauta Condor, que tem o poder de transportar as pessoas instantaneamente para outros locais. Uma das notas pode levar à Cuzco, mas até que encontrem a nota certa, perigos ainda maiores esperam por Pelume, Misqui, Nimbó, Taki, Sisa, Uturunku e Sonkoy, incluindo a traição de quem menos se espera e o destino trágico para de um dos caminheiros.
Geralmente, as histórias de continuação costumam perder um pouco do fôlego nos volumes intermediários, uma vez que se tratam de "histórias de miolo", que ligam o início, em que os personagens e as situações se apresentam, e a conclusão, no volume final. Mas a experiente escritora Simone Saueressig, autora de livros como A máquina fantabulástica (Scipone) e A estrela de Iemanjá (Cortez), não permitiu que isso acontecesse em A Flauta Condor. A história é movimentada e ainda mais dramática que a do volume inicial, com muitos personagens novos interessantes que serão muito bem-vindos se retornarem à aventura mais adiante. Outras lendas sobre a origem do Sol são relatadas pela autora que vai, assim, construindo um atlas mitológico da América, com histórias colhidas em diversas culturas nativas.
Na resenha ao primeiro volume, citei o fato que numa América pré-colombiana não poderia existir a imagem do cavalo, usada para representar anhangá, uma vez que o animal só veio a ser conhecido por aqui com a chegada das caravelas europeias. Mas a autora contestou essa opinião dizendo que a América de sua história não é a nossa, mas uma outra, de um universo alternativo em que os animais mitológicos realmente existem e a história humana se passou de forma diferente. Portanto, também podem aparecer animais de outras partes do mundo. E, novamente em A Flauta Condor, a autora usa esse recurso ao descrever o guardião do Eldorado, uma enorme espécie de dinossauro que sobrevive nas regiões perdidas da floresta amazônica e é chamado pelos personagens de lagarto-tigre. Como a licença poética de tomar um dinossauro – que não existe em parte alguma – talvez seja ainda mais ousada do que citar um tigre – animal nativo da Ásia que não existe naturalmente na América real – cito aqui o fato só para antecipar ao leitor que na América de Simone Saueressig tudo pode acontecer, inclusive a presença das plantas antropófagas que estrelam o momento mais dramático do volume.
A ilustradora Fabiana Girotto Boff, que fez a capa e ilustrações internas do primeiro volume, retorna em A Flauta Condor, com desenhos mais detalhados e adequados à narrativa. A produção gráfica e editorial é da própria autora, num volume de 152 páginas com capa em cartão plastificado, com orelhas. Um marcador de páginas personalizado acompanha cada exemplar, com um útil glossário de termos incomuns citados na história, o que facilita bastante a busca uma vez que o marcador está sempre à mão. Na página final do volume está anunciado o título de Os sóis da América, Volume 3: O coração de jade, que deve ser lançado em 2014.
Mais informações sobre a saga de Pelume podem ser encontradas no blogue da série, aqui.
No primeiro volume, O Nalladigua (também publicado em 2013), Pelume abandona sua terra natal, uma ilha no oceano antártico e, literalmente, voando nas asas do vento – que na sua tradição do povo Do Fogo é um pássaro chamado Furufuhué –, chega às terras meridionais do continente, onde conhece a menina Misqui que o acompanha em sua caminhada para o norte. Depois de enfrentar muitos perigos e tristezas, mas também vitórias, os jovens chegam às cataratas do rio Iguaçu e, de lá, embarcam novamente nas costas de Furufuhué em direção à coluna vertebral da América, a Espinha Branca.
A Flauta Condor inicia com Pelume, Misqui e Nimbó, garoto guarani que se uniu aos peregrinos, voando sobre o coração do continente a bordo de uma canoa equilibrada nas costas do Urubu-Rei, uma das muitas formas que Furufuhué assume entre os povos americanos. Mas, sendo vento, Furufuhué é sensível aos processos climáticos e, quando ele se transforma numa violenta tempestade, tem que deixar os garotos no chão para mantê-los a salvo, e a viagem é interrompida antes que a gigantesca cordilheira seja alcançada: os jovens terão de concluir a jornada a pé.
Caminhando por uma terra árida, exaustos e famintos, os jovens encontram um casebre calcinado pelo sol inclemente da região. Ali encontrar mais dois adolescentes, Taki e Sisa, filhos de nobres incas que até ali foram levados por um servo depois que sua casa foi atacada por revoltosos que mataram seus pais.
Auxiliados pelos espíritos da natureza Pombero e Coquena, os cinco jovens seguem viagem em busca das raízes da cordilheira. Ao atravessarem uma floresta encantada, o galho da Nalladigua – que Pelume carrega desde o início de sua jornada e na qual amarra suas lembranças – começa a revelar seus poderes, que ainda não são entendidos pelo garoto.
Quando, enfim, chegam à cidade inca de Potosi, encontram Uturunku, um antigo amigo da família real, que diz também estar sendo perseguido pelos revoltosos. Ele e seu filho Sonkoy passam a proteger os jovens herdeiros, que precisam escapar dos rebeldes e chegar à Cuzco, onde poderão ser protegidos pelas forças leias do império. Com os soldados em seus calcanhares, Uturunku guia os jovens pelo labirinto de túneis escuros das minas de prata de Potosi. Um dos perseguidores os alcança e, na mortal luta que se segue, Pelume consegue tirar dele um pequeno instrumento, a Flauta Condor, que tem o poder de transportar as pessoas instantaneamente para outros locais. Uma das notas pode levar à Cuzco, mas até que encontrem a nota certa, perigos ainda maiores esperam por Pelume, Misqui, Nimbó, Taki, Sisa, Uturunku e Sonkoy, incluindo a traição de quem menos se espera e o destino trágico para de um dos caminheiros.
Geralmente, as histórias de continuação costumam perder um pouco do fôlego nos volumes intermediários, uma vez que se tratam de "histórias de miolo", que ligam o início, em que os personagens e as situações se apresentam, e a conclusão, no volume final. Mas a experiente escritora Simone Saueressig, autora de livros como A máquina fantabulástica (Scipone) e A estrela de Iemanjá (Cortez), não permitiu que isso acontecesse em A Flauta Condor. A história é movimentada e ainda mais dramática que a do volume inicial, com muitos personagens novos interessantes que serão muito bem-vindos se retornarem à aventura mais adiante. Outras lendas sobre a origem do Sol são relatadas pela autora que vai, assim, construindo um atlas mitológico da América, com histórias colhidas em diversas culturas nativas.
Na resenha ao primeiro volume, citei o fato que numa América pré-colombiana não poderia existir a imagem do cavalo, usada para representar anhangá, uma vez que o animal só veio a ser conhecido por aqui com a chegada das caravelas europeias. Mas a autora contestou essa opinião dizendo que a América de sua história não é a nossa, mas uma outra, de um universo alternativo em que os animais mitológicos realmente existem e a história humana se passou de forma diferente. Portanto, também podem aparecer animais de outras partes do mundo. E, novamente em A Flauta Condor, a autora usa esse recurso ao descrever o guardião do Eldorado, uma enorme espécie de dinossauro que sobrevive nas regiões perdidas da floresta amazônica e é chamado pelos personagens de lagarto-tigre. Como a licença poética de tomar um dinossauro – que não existe em parte alguma – talvez seja ainda mais ousada do que citar um tigre – animal nativo da Ásia que não existe naturalmente na América real – cito aqui o fato só para antecipar ao leitor que na América de Simone Saueressig tudo pode acontecer, inclusive a presença das plantas antropófagas que estrelam o momento mais dramático do volume.
A ilustradora Fabiana Girotto Boff, que fez a capa e ilustrações internas do primeiro volume, retorna em A Flauta Condor, com desenhos mais detalhados e adequados à narrativa. A produção gráfica e editorial é da própria autora, num volume de 152 páginas com capa em cartão plastificado, com orelhas. Um marcador de páginas personalizado acompanha cada exemplar, com um útil glossário de termos incomuns citados na história, o que facilita bastante a busca uma vez que o marcador está sempre à mão. Na página final do volume está anunciado o título de Os sóis da América, Volume 3: O coração de jade, que deve ser lançado em 2014.
Mais informações sobre a saga de Pelume podem ser encontradas no blogue da série, aqui.
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terça-feira, 17 de setembro de 2013
A flauta Condor
A escritora Simone Saueressig acaba de lançar A flauta Condor, segundo volume da série de fantasia Os sóis da América, sequência de O Nalladigua (resenhado aqui), com a história de Pelume, jovem nativo da Caverna Mais Alta do Mundo que está peregrinando pelo continente americano em busca da história para trazer o Sol, sem qual o astro nunca mais se levantará sobre sua terra natal, uma ilha no círculo polar antártico. Superadas as Cataratas do Iguaçu, é hora de avançar para o noroeste do continente e encarar as maravilhas e os perigos a Espinha Branca, que nós conhecemos como os Andes.
Simone explica que a América de Pelume não é exatamente a nossa, pois nela os seres mitológicos de todas as culturas nativas realmente existem e interagem o tempo todo com o aventureiro e seus companheiros de viagem.
O livro tem 152 páginas, é ilustrado por Fabiana Girotto Boff, vem acompanhado de um marcador-glossário – para dissipar as dúvidas, diz a autora – e pode ser adquirido através do saite Porteira da Fantasia, aqui.
Simone explica que a América de Pelume não é exatamente a nossa, pois nela os seres mitológicos de todas as culturas nativas realmente existem e interagem o tempo todo com o aventureiro e seus companheiros de viagem.
O livro tem 152 páginas, é ilustrado por Fabiana Girotto Boff, vem acompanhado de um marcador-glossário – para dissipar as dúvidas, diz a autora – e pode ser adquirido através do saite Porteira da Fantasia, aqui.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Resenha: O Nalladigua
Cumpro agora a promessa que fiz à escritora Simone Saueressig, resenhando aqui o seu novo livro, O Nalladigua, primeiro volume da série Os sóis da América, ousada proposta autoral desta escritora gaúcha que depois de uma vida dedicada a construir uma fantasia familiarizada com a cultura regional brasileira, sobe de nível e investe numa geografia mais abrangente, que pretende – e não duvido que cumprirá – assenhorar-se do continente, numa aventura pela mitologia de toda a América, da Terra do Fogo ao Alasca.
Lançado em abril, durante a 2ª Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, O Nalladigua é uma publicação da própria autora, que decidiu não esperar pela disposição de uma editora estabelecida, embora seja uma escritora experiente e tenha publicado muitos livros profissionalmente, tais como A noite da grande magia branca (1988, Kuarup), O palácio de Ifê (1989, L&PM), A máquina fantabulástica (1997, Scipione), A estrela de Iemanjá (2009, Cortez), e o premiado aurum Domini: O ouro das missões (2010, Artes e Ofícios), entre outros.
O Nalladigua conta a história de Pelume, jovem da tribo d'Os do Fogo, que habita a Caverna Mais Alta do Mundo, numa ilha em algum lugar do círculo polar antártico, terra onde os dias e as noites duram seis meses cada. A vida d'Os do Fogo é dura mas feliz, um cotidiano limitado e familiar que parece estar sob total controle. Mas, uma noite, a vida do Homem Mais Que Velho, o contador de histórias da tribo que vivia há mais tempo que qualquer outro homem sobre o mundo, finalmente chega ao fim. E a aldeia entra em crise, pois eram as histórias do Homem Mais Que Velho que regulavam as atividades da tribo. Sem a sabedoria dele, ninguém sabe quando é hora de fazer o quê. Além do mais, Pelume teme que o dia nunca mais volte, já que o Homem Mais Que Velho era o único que sabia contar a História Para Chamar o Sol. Apavorado com a ideia de nunca mais ver a luz do Sol, Pelume decide sair da ilha e procurar pela História Para Chamar o Sol no longínquo e mítico norte. Ele pretende remar seu barquinho com um galho seco que encontrou na praia, e chegar ao lugar de onde vêm as histórias que o Homem Mais Que Velho contava. Porém, mal havia saído da caverna, uma tempestade fortíssima o derruba do alto de um penhasco e Pelume cai nas costas de uma ave gigante, que vem a ser Furufuhué, o Vento. Penalizada com a história do menino, a ave decide levá-lo até às estepes da Terra do Fogo, às portas da Elelín, a Cidade Errante. Lá, Pelume reencontra os dias e as noites que, naquelas regiões estranhas, não demoram tanto quando em sua terra natal. Ele é bem recebido pelos habitantes de Elelín e logo vai perguntando sobre a História Para Chamar o Sol, mas ninguém parece conhecê-la. Ele é então encaminhado para a casa da Velha das Palavras, a anciã que guarda a sabedoria da cidade. Com ela, Pelume descobre que o seu remo, o galho seco que carrega desde o início da jornada, é na verdade um pedaço da Nalladigua, uma árvore muito antiga e poderosa, embora ela nada mais saiba a respeito. A Velha das Palavras conhece, de fato, algumas histórias sobre o Sol, mas nenhuma delas é a história que Pelume busca, e ele terá de continuar sua jornada para o norte, onde talvez alguém a conheça. Agora acompanhado de um camahueto – uma espécie de unicórnio – e da despachada menina Misqui, Pelume avança pelos pampas para encontrar a História Para Chamar o Sol. Ao longo de sua jornada rumo ao Velho Norte, Pelume coleciona lendas sobre a origem do Sol e faz amigos valorosos, mas também tem de enfrentar inimigos poderosos, como monstros antropófagos e um perigoso feiticeiro que pretende roubar o chifre encantando do camahueto.
A história de Pelume segue uma tradição na fantasia, que é a narrativa de jornada, história sobre uma longa e atribulada viagem ao longo da qual o protagonista reúne amuletos mágicos, faz amigos e descobre a si mesmo e ao seu destino. O que diferencia esta histórias de tantas outras que seguem o mesmo formato é justamente o fato da autora ter instalado a narrativa nas paisagens de uma América mítica, fazendo uso mais ou menos livre das muitas lendas dos povos que habitaram o continente. Volta e meia surgem cenários familiares ao leitores. Neste primeiro volume, acompanhamos Pelume pelos pampas argentinos, passando pela foz do Prata até às Cataratas do Iguaçu, e encontramos histórias, seres e personagens mitológicos que povoam a imaginação dos povos americanos.
A América de Pelume parece ser pré-colombiana, contudo, algumas pistas levam a pensar que talvez não seja de um tempo tão recuado assim. Por exemplo, a imagem emprestada por Simone ao Anhangá é a de um selvagem garanhão branco. Sabemos que os cavalos só chegaram à América com Cortez, no século 16, e devem ter demorado ainda mais para se tornarem familiares aos povos da região sul do continente. Guaranis trajados de bombacha e tomando chimarrão também remetem a um tempo mais recente, mas vamos ter que aguardar a sequência da história para confirmar essa impressão.
De qualquer forma, O Nalladigua é uma leitura prazerosa e repleta de histórias surpreendentes, mesmo para nós, sul-americanos. As imagens descritas por Simone são poderosas e inspiradoras, e só posso imaginar o quanto elas impressionariam os leitores europeus ou norte-americanos, menos familiarizados com as lendas e cenários destas exóticas latitudes.
O Nalladigua tem ilustrações em preto e branco da estreante Fabiana Girotto Boff, que dão ao volume um aspecto infanto-juvenil, o que não é demérito algum. Os desenhos ainda carecem de segurança, mas acompanham bem a história e contribuem para torná-la mais acessível aos leitores jovens. Outro colaborador foi o revisor Saint-Clair Stocler, escritor identificado com a Terceira Onda da ficção fantástica brasileira, falecido em abril último.
Para encomendar este e outros livros de Simone Saueressig, visite o saite da autora, Porteira da Fantasia.
Lançado em abril, durante a 2ª Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, O Nalladigua é uma publicação da própria autora, que decidiu não esperar pela disposição de uma editora estabelecida, embora seja uma escritora experiente e tenha publicado muitos livros profissionalmente, tais como A noite da grande magia branca (1988, Kuarup), O palácio de Ifê (1989, L&PM), A máquina fantabulástica (1997, Scipione), A estrela de Iemanjá (2009, Cortez), e o premiado aurum Domini: O ouro das missões (2010, Artes e Ofícios), entre outros.
O Nalladigua conta a história de Pelume, jovem da tribo d'Os do Fogo, que habita a Caverna Mais Alta do Mundo, numa ilha em algum lugar do círculo polar antártico, terra onde os dias e as noites duram seis meses cada. A vida d'Os do Fogo é dura mas feliz, um cotidiano limitado e familiar que parece estar sob total controle. Mas, uma noite, a vida do Homem Mais Que Velho, o contador de histórias da tribo que vivia há mais tempo que qualquer outro homem sobre o mundo, finalmente chega ao fim. E a aldeia entra em crise, pois eram as histórias do Homem Mais Que Velho que regulavam as atividades da tribo. Sem a sabedoria dele, ninguém sabe quando é hora de fazer o quê. Além do mais, Pelume teme que o dia nunca mais volte, já que o Homem Mais Que Velho era o único que sabia contar a História Para Chamar o Sol. Apavorado com a ideia de nunca mais ver a luz do Sol, Pelume decide sair da ilha e procurar pela História Para Chamar o Sol no longínquo e mítico norte. Ele pretende remar seu barquinho com um galho seco que encontrou na praia, e chegar ao lugar de onde vêm as histórias que o Homem Mais Que Velho contava. Porém, mal havia saído da caverna, uma tempestade fortíssima o derruba do alto de um penhasco e Pelume cai nas costas de uma ave gigante, que vem a ser Furufuhué, o Vento. Penalizada com a história do menino, a ave decide levá-lo até às estepes da Terra do Fogo, às portas da Elelín, a Cidade Errante. Lá, Pelume reencontra os dias e as noites que, naquelas regiões estranhas, não demoram tanto quando em sua terra natal. Ele é bem recebido pelos habitantes de Elelín e logo vai perguntando sobre a História Para Chamar o Sol, mas ninguém parece conhecê-la. Ele é então encaminhado para a casa da Velha das Palavras, a anciã que guarda a sabedoria da cidade. Com ela, Pelume descobre que o seu remo, o galho seco que carrega desde o início da jornada, é na verdade um pedaço da Nalladigua, uma árvore muito antiga e poderosa, embora ela nada mais saiba a respeito. A Velha das Palavras conhece, de fato, algumas histórias sobre o Sol, mas nenhuma delas é a história que Pelume busca, e ele terá de continuar sua jornada para o norte, onde talvez alguém a conheça. Agora acompanhado de um camahueto – uma espécie de unicórnio – e da despachada menina Misqui, Pelume avança pelos pampas para encontrar a História Para Chamar o Sol. Ao longo de sua jornada rumo ao Velho Norte, Pelume coleciona lendas sobre a origem do Sol e faz amigos valorosos, mas também tem de enfrentar inimigos poderosos, como monstros antropófagos e um perigoso feiticeiro que pretende roubar o chifre encantando do camahueto.
A história de Pelume segue uma tradição na fantasia, que é a narrativa de jornada, história sobre uma longa e atribulada viagem ao longo da qual o protagonista reúne amuletos mágicos, faz amigos e descobre a si mesmo e ao seu destino. O que diferencia esta histórias de tantas outras que seguem o mesmo formato é justamente o fato da autora ter instalado a narrativa nas paisagens de uma América mítica, fazendo uso mais ou menos livre das muitas lendas dos povos que habitaram o continente. Volta e meia surgem cenários familiares ao leitores. Neste primeiro volume, acompanhamos Pelume pelos pampas argentinos, passando pela foz do Prata até às Cataratas do Iguaçu, e encontramos histórias, seres e personagens mitológicos que povoam a imaginação dos povos americanos.
A América de Pelume parece ser pré-colombiana, contudo, algumas pistas levam a pensar que talvez não seja de um tempo tão recuado assim. Por exemplo, a imagem emprestada por Simone ao Anhangá é a de um selvagem garanhão branco. Sabemos que os cavalos só chegaram à América com Cortez, no século 16, e devem ter demorado ainda mais para se tornarem familiares aos povos da região sul do continente. Guaranis trajados de bombacha e tomando chimarrão também remetem a um tempo mais recente, mas vamos ter que aguardar a sequência da história para confirmar essa impressão.
De qualquer forma, O Nalladigua é uma leitura prazerosa e repleta de histórias surpreendentes, mesmo para nós, sul-americanos. As imagens descritas por Simone são poderosas e inspiradoras, e só posso imaginar o quanto elas impressionariam os leitores europeus ou norte-americanos, menos familiarizados com as lendas e cenários destas exóticas latitudes.
O Nalladigua tem ilustrações em preto e branco da estreante Fabiana Girotto Boff, que dão ao volume um aspecto infanto-juvenil, o que não é demérito algum. Os desenhos ainda carecem de segurança, mas acompanham bem a história e contribuem para torná-la mais acessível aos leitores jovens. Outro colaborador foi o revisor Saint-Clair Stocler, escritor identificado com a Terceira Onda da ficção fantástica brasileira, falecido em abril último.
Para encomendar este e outros livros de Simone Saueressig, visite o saite da autora, Porteira da Fantasia.
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
Os sóis da América
A escritora gaúcha Simone Saueressig, que trabalhou durante um bom tempo com a mitologia brasileira em diversos livros de ótima aceitação no ambiente escolar, dá agora um passo além com a série Os sóis da América, cujo primeiro volume, O Nalladigua, foi recentemente apresentado em Porto Alegre.A série foi oferecida para diversas editoras, mas a autora decidiu publicar a obra de forma independente quando percebeu que a busca por uma casa editorial iria atrasar muito a sua disponibilização pública. "É um trabalho complexo. Exigiu muita pesquisa, até agora, e continuará a exigir. Mas se tudo der certo, creio que terá um resultado muito bacana, capaz de ganhar leitores por todo o país. Talvez, até, sair dos limites tupiniquins e adquirir, quem sabe, outros contornos”, diz a autora.
Para promover a obra, Simone produziu o blogue Sóis da América, que acompanha a produção e repercussão dos livros e permite a interação dos leitores.
O Nalladigua tem 160 páginas e conta com ilustrações de Fabiana Girotto Boff, que também ilustra a capa do livro.
Mais informações sobre Simone Saueressig e seus livros podem ser obtidas no saite Porteira da Fantasia.
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domingo, 7 de abril de 2013
Agenda: Lançamento de O Nalladigua
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Resenha: Fantasia com sabor de caju e medo
Entre os muitos lançamentos de fantasia de 2012, recebemos o terceiro volume da série Duplo Fantasia Heroica, da coleção de livros de bolso Asas do Vento, da Devir Livraria. Como nas edições anteriores, trata-se de um volume com duas histórias de fantasia de autores diferentes, ambas com predominantes aspectos brasilianistas.No primeiro número, lançado em 2010, foram publicadas as noveletas "O encontro fortuito de Gerard van Oost e Oludara", que inaugurou a série A Bandeira do Elefante e da Arara de Christopher Kastensmidt, autor norteamericano radicado no Brasil, e "A travessia", de Roberto de Sousa Causo, uma história da série do índio Tajarê, iniciada no livro A sombra dos homens (Devir, 2004).
O número dois, lançado no finalzinho de 2011, trouxe "A batalha temerária contra o capelobo", sequência da história de Kastensmidt com a dupla de aventureiros Gerard e Oludara no Brasil colonial, e "Encontros de sangue", de Causo, também uma sequência à aventura de Tajarê vista no primeiro volume.Nesta terceira edição, aparece mais um episódio da série de Kastensmidt, "O desconveniente casamento de Oludara e Arani", fazendo par com a novela "O relato do herege", da experiente fantasista gaúcha Simone Saueressig.
Na história de Kastensmidt, o escravo liberto Oludara está ansioso para se casar com a tupinambá Arani, mas ela hesita, embora também o ame. De fato, todos os membros da aldeia ficam perturbados com a notícia do casamento, mas ninguém revela o por quê. Irredutível, Oludara insiste e o casamento é marcado. Em clima de apreensão, a cerimônia começa, para logo ser interrompida pela aparição assustadora e violenta de uma nova entidade da natureza, o Curupira, que reivindica a primazia no casamento com Arani. As feras que o acompanham quase acabam com as vidas de Gerard e Oludara, mas Arani os salva aceitando desposar o Curupira, porém pede dois dias para se preparar. O monstro aceita, e esse é o tempo que os dois amigos terão para evitar que a promessa de Irani se cumpra. Para isso, terão de invadir os domínios de um ser ainda mais terrível, a Iara, no que serão auxiliados pela tímida Flor-do Mato, uma outra entidade das florestas.Uma pequena correção talvez deveria ser aplicada a descrição que Gerard faz do caju, fruta natural do Brasil que todos nós conhecemos muito bem, mas que deve ter parecido realmente estranha para um europeu do século 16. Quando Gerard vê a fruta no pé, o autor a descreve como "uma fruta vermelha com um estranho caracol marrom crescendo no topo." A descrição até que está bem próxima da visão que um estranho teria de um caju numa bandeja mas, no pé, o "caracol" deveria ser visto em baixo, e não no topo da fruta. No mais, está tudo muito bem, e o texto é bastante satisfatório para o leitor brasileiro.
O texto leve e bem humorado de Kastensmidt contrasta fortemente com o conto de Simone Saueressig, que deixa bem claro, logo de cara, que não está para brincadeiras. Trata-se de uma história de horror sobrenatural, território muito familiar da autora, que estreia na Devir, mas tem uma sólida carreira literária. Simone já publicou dezenas de títulos por editoras como a L&PM e Scipione, sendo que tem em seu currículos alguns títulos de grande vendagem, como A noite da grande magia branca e A máquina fantabulástica. Em 2012, Simone publicou a antologia Contos do Sul, com cinco histórias de horror apoiadas no folclore brasileiro, linha na qual "O relato do herege" também está inserida.A história conta, em forma de diário, o drama de Indigo Ruiz Lopes, um herege espanhol desterrado no sul do Brasil, em 1637. Em meio a um cenário desolador, ele testemunha a truculência do ambicioso capitão de uma missão, que abusa de sua autoridade na exploração de seu pequeno império, sustentado com mão de ferro. O odioso líder sabe das acusações que pesam sobre o herege e, quando descobre que ele realmente pode conjurar demônios, manobra as coisas de forma a tê-lo em suas mãos para chamar a maior de todas a entidades sobrenaturais da mitologia indígena e usá-la em seu próprio benefício.
O tom da novela de Simone é trágico e perturbador, como numa história de H. P. Lovecraft, em que a simples visão de um desses seres poderosos pode levar a loucura, na melhor das hipóteses. O cenário insalubre, gelado, úmido e miserável, contribui para que o leitor se sinta ainda menos confortável com toda a situação do pobre herege que, por si, já seria suficientemente desagradável. Mas as cenas de ação são tão poderosas e impactantes que fazem valer todo o desconforto da situação.
Duplo fantasia heroica afirma-se como um projeto editorial consistente e interessante, muito bem conduzido pelo editor Douglas Quinta Reis, e deve ser privilegiada na lista de leituras de todos aqueles que desejam conhecer uma das melhores propostas já apresentadas para uma ficção fantástica autenticamente brasileira.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Duas Asas do Vento
A Devir Livraria dá continuidade à sua coleção de livros de bolso Asas do Vento com mais dois títulos inéditos. São eles Encontro com o destino (Rendez-vouz avec la destinée), do francês Jean-Pierre Laigle, e o terceiro volume de Duplo Fantasia Heróica.
Já o novo número de Duplo Fantasia Heróica traz mais um episódio da série de Christopher Kastensmidt, "O desconveniente casamento de Oludara e Arani", ao lado da estréia na editora da fantasista gaúcha Simone Saueressig com "O relato do herege". A capa tem uma ilustração de Jonathan “Jay” Beard.Mais informações sobre estes e outros títulos da Devir no saite da editora, aqui.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Contos do Sul
Com lançamento anunciado para a Odisseia de Literatura Fantástica, que acontece em Porto Alegre nos dias 27 e 28 de abril, a coletânea Contos do sul, da fantasista Simone Saueressig, já está disponível com a autora.Os demais textos, contudo, não deixam por menos. "O cemitério dos cães" conta a história de um homem que tem que lutar contra um lobisomem numa situação que a maior parte de nós não teria coragem de enfrentar. "O galpão" não tem um monstro sobrenatural, pelo contrario, a monstruosidade é a mais natural de todas: a humana. "O farol" aborda o mito da Mula-sem-cabeça, enquanto "O saci", cujo título já denuncia o nome do monstrinho, é o texto mais ilustre do volume, pois em 2003 foi premiado no 3º Prêmio Habitasul Revelação Literária e publicado na antologia do evento.
Simone é gaúcha de Novo Hamburgo, escritora muitipremiada com diversos livros publicados por editoras importantes como L&PM, Scipione e Cortez, sempre com o foco no público juvenil, que também é o caso deste volume, que desde já é um dos mais importantes lançamentos de 2012 no gênero do horror.
Mais informações sobre este e outros livros de Simone Saueressig podem ser obtidas no saite da autora, aqui.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O jogo no tabuleiro sai do papel
Para quem leu, a aranha amarela é de arrepiar. Senti falta do grande dragão, mas é porque ele está está aqui no meu próprio tabuleiro.
Parabéns Simone.
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sábado, 30 de abril de 2011
B9
Depois de uma rápida promoção no final de 2010, o romance de ficção científica B9, de Simone Saueressig, agora está definitivamente disponível no saite da editora Clube de Autores. Anteriormente disponibilizado em capítulos no blogue NCA 4468, editado pela própria autora, o romance foi retirado da rede e agora só pode ser lido em sua versão comercial.
Conta a história de uma gigantesca astronave encalhada numa órbita descendente em torno de um buraco negro, com uma tripulação de jovens sob o comando de um psicopata pedófilo que pretende sustentar seu poder a qualquer preço. O romance tem muita ação e uma grande quantidade de personagens, cada um deles muito bem instalado na trama.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
B9 tem publicação real

O folhetim de ficção científica B9, de Simone Saueressig, já comentado aqui, ganha este mês uma versão real, em papel, pela editora por demanda Clube de Autores.
Simone conta em seu blogue, que se trata de uma promoção de Natal da editora, que antecipou o o lançamento como uma oferta especial para o mês, disponível apenas entre os dias 1 e 20. Depois, o livro sai de catálogo e volta somente em 2011.
Por isso, quem está ansioso para saber como termina a saga do jovem piloto Douglas Carges e seus amigos na movimentada jornada a bordo da gigantesca, avariada e dacadente espaçonave NCA4468 encalhada na órbita de um buraco negro, é a hora certa para fazer um bom negócio.
O volume tem 312 páginas e está sendo comercializado aqui ao preço de R$ 40,25 mais despesas de frete.
A editora Clube de Autores também dispõe do romance de fantasia O jogo no tabuleiro, da mesma autora. Aproveite seu décimo terceiro e compre os dois, que estão entre os melhores textos de FC&F publicados no Brasil nos últimos anos.
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Simone Saueressig
terça-feira, 23 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Aurum Domini: O ouro das Missões

Recebi da escritora Simone Saueressig um exemplar de seu mais recente livro, aurum Domini: O ouro das Missões, romance histórico que se apropria da mitologia gauchesca para contar as aventuras de um casal improvável, Adélia Fonseca, filha de comerciantes de São Leopoldo, e Chico Dias, um índio mestiço criado nas Missões, durante o sonho da República Farroupilha.
Publicado pela Editora Artes e Ofícios, com um acabamento elegante e refinado, o livro foi recentemente apresentado na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre.
O romance está dividido em duas partes, a primeira, "Os namorados", e a segunda, "A casa de M'bororé", e vem recomendado pela historiadora Carla Renata Antunes de Souza Gomes nas largas orelhas.
Simone me avisou que não se trata de uma fantasia infanto juvenil. É, portanto, a sua estreia no mainstream, em que ela agora se coloca ao lado de tantos autores brasileiros que trataram dos pampas gaúchos, uma região que naturalmente remete ao mitológico e ao imaginário. Por isso, acredito que quem trafegou tanto no gênero fantástico, deve ter deixado escapar algum mistério para temperar a leitura ao longo das 238 páginas da narrativa.
Vale a pena conferir.
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