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domingo, 8 de setembro de 2019

Terceira Escotilha

Escotilha, o clube de leitura de ficção fantástica da editora Novo Século, envia aos assinantes, a cada dois meses, uma caixa com um livro surpresa há anos fora de catálogo, sempre do gênero fantástico, em edições exclusivas, luxuosas, de capa dura e em novas traduções. Os livros vem acompanhados de agrados como fanzines sobre o autor e a obra, marcadores, colecionáveis e outros livros interessantíssimos.
Na primeira entrega, os assinantes receberam Histórias de horror e mistério, de Arthur Conan Doyle, e O castelo de Otranto, de Horace Walpole. A segunda entrega trouxe Sementes malditas, de Anthony Burgess.
Já na terceira entrega, que os assinantes estão recebendo nestes dias, o livro da vez é duplo romance A morte escarlate/A ravina toda de ouro, de Jack London (ao estilo "vira-vira"), mas a cereja do bolo é um livro formado por 18 cartões soltos com a versão original e a tradução de Machado de Assis para "O corvo", de Edgar Allan Poe, com ilustrações de Victor Seroque, tudo acondicionado num envelope negro personalizado.
Além de ser uma proposta muito bacana, como se pode perceber, os livros da Escotilha são de autores muito bem avaliados, que valem a pena serem lidos.
Mais informações no saite oficial do selo, aqui.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Segunda escotilha

Os assinantes acabam de receber a segunda caixa preta da Escotilha, clube de leitura de ficção fantástica da editora Novo Século.
Esta entrega trouxe o livro Semente maldita, de Anthony Burgess, autor do clássico A laranja mecânica, cuja raríssima edição da Artenova de 1975 estava esgotada há décadas. A edição tem acabamento de luxo em capa dura e nova tradução assinada por Fábio Fernandes. Acompanham três cartões postais, um marcador, um botton e um fascículo informativo com ensaios de Thaís Cavalcante e Fábio Fernandes sobre o livro, o autor, as ilustrações de Paua Cruz e o trabalho de tradução.
Para mais informações sobre a Escotilha, visite o saite, aqui.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Primeira Escotilha

Chegou há alguns dias a primeira caixa preta da Escotilha, clube de leitura de ficção fantástica da editora Novo Século.
Esta entrega trouxe os livros Histórias de horror e mistério, de Arthur Conan Doyle, em edição de luxo em capa dura, e O castelo de Otranto, de Horace Walpole, em uma simpática edição de bolso. Acompanham dois marcadores, um opúsculo com o fragmento de um diário de viagem aterrador e um fascículo informativo sobre os livros enviados, seus autores e o gênero do horror, com textos de Oscar Nestarez e Duda Menezes.
Para mais informações sobre a Escotilha, visite o saite, aqui.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Fc&f têm clube do livro

A editora Novo Século, que há anos abriga o selo Talentos da Literatura Brasileira, acaba de lançar a Escotilha NS, clube de leitura totalmente dedicado a fc&f. Trata-se de uma proposta inédita, pois embora clubes do livro sejam uma ideia antiga, nunca houve um dedicado exclusivamente ao fantástico.
O modelo é o mesmo: o leitor faz uma assinatura e, em troca, recebe luxuosos livros exclusivos e uma série de brindes. Também receberá a revista ESC e acesso a um podcast também exclusivo. O diferencial é que a periodicidade será bimestral, ou seja, serão seis entregas por ano.
O primeiro livro deve ser enviado aos assinantes somente em abril, mas já é possível fazer um pré-cadastro e garantir um desconto na primeira caixa. O título a ser entregue ainda é um mistério, mas a editora deu várias pistas: o livro foi publicado pela primeira vez no início do século 20 e, hoje, não tem edição no Brasil; trata-se de um autor consagrado que criou personagens icônicos da literatura universal e o Brasil aparece em uma das histórias do livro.
A editora criou uma série de canais de comunicação com os leitores e promete considerar as sugestões deles para futuros lançamentos.
Mais informações podem ser obtidas no saite do clube, aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Abdução: Relatório da terceira órbita

Antes disponível apenas em edição digital, o romance de ficção científica Abdução: Relatório da terceira órbita, de Pedroon Lane, ganha publicação real pela editora Novo Século, em seu selo Talentos da Literatura Brasileira.
Trata-se de um catatau de mais de 700 páginas, que investe na ficção ufológica, uma das mais fortes tradições da fc brasileira. Este não é o primeiro trabalho do autor, que já dispõe de certa notoriedade na internet, sendo Abdução uma sequência ao romance Adução: O dossiê alienígena.
Diz o texto de divulgação: "No passado, uma dupla de alienígenas chega à Terra com intenções desconhecidas. No futuro, um casal de irmãos dá a largada para uma nova vida em um estranho habitat paralelo ao Sistema Solar, um mundo hiperfuturista descrito como Universo Quântico. A vida da dupla e do casal parece convergir por caminhos distintos, mas sua conexão é tão forte que nem a distância que os separa tão longe no tempo evitará a cadeia de ações e a sequência de acontecimentos que colocarão em risco o destino do planeta e da inteira humanidade".
Abdução também está disponível em ebook, aqui.
O lançamento oficial do livro acontecerá no dia 14 de outubro, a partir das 16 horas, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509, São Paulo).

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Dezoito de Escorpião

No último sábado de outubro, no encontro mensal de autores e leitores de ficção científica realizado na livraria Terra Média, no bairro Cambuci, em São Paulo, tive o prazer de conhecer o simpático Alexey Dodsworth que, apesar do nome - autêntico - é brasileiro, mestre em Filosofia pela USP e estudante de Astronomia. Alexey está em pleno trabalho de divulgação de Dezoito de Escorpião, romance de ficção científica que marca sua estreia na literatura. Publicado em 2014 pela editora Novo Século na coleção Talentos da Literatura Brasileira, o livro tem 350 páginas e fala sobre a busca de vida inteligente fora da Terra, mais exatamente na décima oitava estrela da constelação de Escorpião, que pode ter em sua órbita um planeta semelhante à Terra.
Diz o texto da contracapa: "Analisar sistemas estelares pode ser bem arriscado. Dezoito de Escorpião, identificada como uma estrela gêmea do nosso Sol, é uma descoberta astronômica sem precedentes. Contudo, tal revelação põe em risco o maior segredo da Terra: Muhipu, uma comunidade secreta no coração da selva, protegida por tribos indígenas ancestrais, guardando experiências para além do conhecimento comum: a tentativa de contato com super inteligências cósmicas".
Alexey contou sobre sua experiência em escrever, publicar e vender o livro, que está sendo bem aceito nas livrarias, certamente por conta da bela capa assinada por Monalisa Morato, mas principalmente, porque os leitores e os livreiros acreditam que se trata de um livro de autor estrangeiro, confessou o autor que se diverte com isso.
O volume está nas livrarias, mas pode ser obtido diretamente na editora, aqui.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Super-heróis sem quadrinhos

Desde sua estreia, nos anos 1960, os super-heróis Marvel têm sido um estrondoso sucesso. Primeiro nos quadrinhos, com um universo coerente e a proposta de incorporar dramaticidade humana às histórias geralmente delirantes de heróis super humanos. Depois no cinema, com sagas cósmicas de diversos de seus personagens mais destacados, e agora também na tv, em séries de grande sucesso. Num espaço, contudo, os personagens Marvel nunca conseguiram se impor: o literário.
Não que nunca tenham existido tentativas de levar para os livros os personagens dos quadrinhos. Nos anos 1990, a editora Abril tentou emplacar nas bancas uma linha de livros de bolso com contos dos personagens da DC, Batman e Superman, inclusive através do talento de escritores importante como Robert Sheckley por exemplo, mas os resultados não passaram do pífio.
Em 2006, a Panini, editora que atualmente detém os direitos de toda a linha no Brasil, lançou uma pequena coleção de novelizações dos personagens Marvel (X-Men: Espelho negro; Homem-Aranha: Ruas de fogo; Wolverine: Arma X e Quarteto Fantástico: Zona de Guerra) que, mais uma vez, não causou impacto entre os fãs.
Mais recentemente, em 2013, a editora Casa da Palavra voltou aos personagens DC em duas adaptações literárias luxuosas: Wayne de Gothan, de Tracy Hickman e Os últimos dias de Kripton, de Kevin J. Anderson, mas ficou nisso.
Em 2014, a Novo Século, aproveitando o boom de novelizações que mais uma vez assola as livrarias brasileiras, promoveu uma nova tentativa de ocupar as estantes com adaptações literárias de personagens Marvel. A editora lançou três títulos: Guerra civil (Civil war prose novel), de Stuart Moore, adaptando os quadrinhos de Mark Millar; Homem-Aranha: Entre trovões (Spider-Man: Drowned in thunder), de Christopher L. Bennet, aproveitando a deixa do último filme de cinema, com uma história do Cabeça-de-Teia contra o supervilão Electro, e O toque da Vampira (Rogue touch), de Christine Woodward, com uma aventura romântica da sexy mutante dos X-Men. A editora disponibiliza, via Issuu, amostras para degustação, em pdf. Para acessá-los, basta clicar nos respectivos títulos.
Homem de Ferro: Vírus está prometido para breve, assim como republicações de alguns daqueles títulos da Panini. Isso se o projeto vingar, é claro.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ano novo a todo vapor

Que carnaval que nada! A Editora Novo Século não quis saber de folia e já divulgou um pacote de lançamentos de janeiro em sua coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, que há anos tem recheado as listas de publicações do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica.
Pelo jeito, o ímpeto editorial não arrefeceu por causa da mudança do calendário e a editora apresenta nada menos que sete títulos nacionais inéditos de fc&f em janeiro.
São eles: os romances de fantasia Os segredos de Landara: Redescobrindo o passado, de B. Camporezii, A rosa e o dragão, de Vanessa Pereira, A linhagem, de Camila Dornas, e A ordem perdida, de Gabrile Schmidt, a ficção científica Rio 2054: Os filhos da revolução, de Jorge Lourenço, e o horror Demônios da noite, de M. K. Takenada. E ainda, a coletânea de contos fantásticos Corpos para um vitral, de Ana Julia Poletto.
Todos os títulos contam com amostras gratuitas para degustação, basta acionar o link, experimentar e escolher aquele que irá preencher suas próximas horas de leitura. Bom apetite!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Escuridão eterna

André Vianco, autor de alguns dos romances mais vendidos da história do horror nacional, como Os sete e Vampiro Rei, tem se dedicado bastante a promover a adaptação de seus trabalhos para outras mídias. Fã confesso de cinema e hq, Vianco teve publicado em 2007 dois álbuns de quadrinhos com a história original Vampiros do Rio Douro, e ainda podem ser vistos na internet trechos de um seriado dirigido pelo próprio autor, baseado em outro de seus grande sucessos literários, a trilogia O turno da noite.
Agora é a vez de O turno da noite chegar à arte sequencial na novela gráfica Escuridão eterna, com ilustrações de Santtos e roteiro do próprio Vianco. Conta a história de um grupo de jovens vampiros que é arregimentado pelo ancião Ignácio para fazer parte de um grupo de assassinos de aluguel, ao mesmo tempo em que uma epidemia de vampirismo se espalha pela cidade.
Escuridão eterna tem 126 páginas em cores, é uma publicação da editora Novo Século e custa R$39,90. Um trecho da história pode ser visto aqui.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quentinhos na estante

A editora Novo Século divulgou diversos lançamentos recentes e alguns dos títulos podem interessar ao leitor de fantasia e horror.
Entre os livros de autores estrangeiros, aparecem os romances Febre de Sangue (Feverblood), de Karen Marie Moning, e Caçadores de zumbis 2: A ameaça continua (The zombie chasers: Undead ahead), de John Kloepfer.
Febre de Sangue é o primeiro volume da série Darkfever, que conta a história de uma jovem que é arrastada para um perigoso mundo de feitiçaria e tem que lutar para sobreviver. Ela terá de encontrar o misterioso livro de um milhão de anos enquanto resiste aos encantos de seus perigosos companheiros de aventura. Febre de Sangue tem a tradução de Sérgio Marcondes.
Caçadores de zumbis 2: A ameaça continua, dá continuidade a série juvenil iniciada em 2011, na qual um grupo de estudantes enfrentam um apocalipse zumbi. A tradução é de Caio Pereira.
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De autores brasileiros, chegam às livrarias Sohuen, de L. E. Haubert, e Sereias: O segredo das fadas, de Mirella Ferraz.
Sohuen é o segundo volume da Trilogia da Meia Noite, série de fantasia iniciada com Calisto em 2012. Conta a luta de Draco, Lucas e Kalí para livrar o mundo de Arrarock dos ataques dos demônios ancestrais. 

Finalmente, Sereias: O segredo das águas conta a história de Coral, uma jovem encantada e dividida entre sua natureza e seu amor.
Ambos os títulos fazem parte da coleção Novos Telentos da Literatura Brasileira.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Resenha: A batalha dos deuses

Anunciada aqui no final de 2011, a primeira antologia da Editora Novo Século, A batalha dos deuses, organizada pelo escritor Juliano Sasseron (Crianças da noite, Novo Século, 2008), propõe especular sobre os diversos panteões de deuses mitológicos ao longo da história.
O volume de 176 páginas tem um boa apresentação, em papel pólen e capa com orelhas enormes e elegantes. A ilustração da capa não foi creditada.
Entre os nove contos selecionados, está o excelente "A menina que olhava", de Albarus Andreos, é um dos melhores conto que li nos últimos anos, poderoso e perturbador, conta a história de uma menina que é incitada por um demônio a desejar o mal das pessoas a sua volta. Bem escrito e com bom desfecho, lembra os dramas existenciais e espiritualistas de Orson Scott Card.
Outro bom conto é "Ragnarok", de Sid Castro, que conta a aventura de um grupo de vikings em viagem para suas colônias na América do Norte; mas eles se perdem e acabam chegando ao Rio Amazonas. O conto sustenta várias linhas de diálogo com outras obras da fantasia nacional, como A sombra dos homens (2004), de Roberto de Sousa Causo e A lendária Hy-Brasil (2005), de Michelle Klautau. Aos poucos, a fantasia heróica brasileira vai construindo um padrão, e isso é bom.
"Popol Vuh", de Sérgio Pereira Couto, também é um texto curioso, investindo no relato de um jovem que, sob influência de alucinógenos, tem visões com deuses do panteão maia. Reporta ao ponto alto do clássico romance de ficção científica Amazônia misteriosa (1925), de Gastão Crulz.
Mas a qualidade da antologia é comprometida pelo recorrente discurso anticristão dos demais textos, que torna a leitura muito cansativa e antipática. "Consciência quântica", o conto que fecha a antologia, de autoria do próprio organizador Juliano Sasseron, reforça a proposta dando ao conjunto o corpo de um manifesto em favor do ateísmo, um proselitismo inadequado porque antagônico à proposta fundamental da própria antologia.
Ainda assim, o livro vale pelos três textos destacados, que merecem ser lembrados em referência futuras.

domingo, 6 de novembro de 2011

A batalha dos deuses

A efervescência dos autores de ficção fantástica é tamanha que até editoras maiores começam a prestar atenção à tendência das antologias temáticas. A editora Novo Século, que mantém atividade intensa no gênero na coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, marcou para o dia 17 de dezembro na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista 509, São Paulo), o lançamento de sua primeira antologia. Trata-se de A batalha dos deuses, organizada por Juliano Sasseron, reunindo contos de autores brasileiros sobre deuses de mitologias antigas. Os autores presentes na antologia são Sidemar de Castro, Simone O. Marques, Felipe Santos, Fernando Henrique de Oliveira, Sérgio Pereira Couto, Albarus Andreos, Estevan Lutz, Márson Alquati e do próprio Sasseron.
Diz o organizador: "Ao longo de milhares de anos, diversos panteões disputaram corações e mentes dos mortais, numa batalha que ainda não terminou, culminando no advento da ciência, para muitos, o novo deus único. Mas qual seria o destino de tantos deuses e deusas quando seus crentes e adeptos perdem a fé neles? Desaparecem num limbo de deuses perdidos, perdem a imortalidade ou simplesmente somem, como se nunca tivessem existido?"
Percebe-se alguma inspiração no multipremiado romance American gods (Deuses americanos, Conrad, 2002), do escritor britânico Neil Gaiman, que tem exatamente essa mesma proposta. Geralmente não é muito interessante para autores novos ter um comparativo desse calibre a assombrar a leitura de seus textos, mas nunca se sabe, talvez o organizador tenha percebido potencial no tema filtrado pela cultura brasileira. Vamos então conferir como os nossos heróis se saíram nessa.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O poder do fogo


Mais um lançamento brasileiro a vista neste mês de maio. Trata-se do romance de fantasia O poder do fogo, estreia do escritor paulistano Khêder Henrique, publicado pela Editora Novo Século em sua coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira.
Khêder é mais um autor novo surgido no ABC paulista, mas exatamente em São Bernardo do Campo, cidade do escritor e organizador Hugo Vera (Space opera, Draco) e na qual também sou residente.
Diz a sinopse de divulgação: "O Grande Teste - uma série de provas práticas e teóricas realizadas para definir o rumo profissional de um estudante – será realizado dentro de um mês em Diaspos, uma vila rural que fica ao sudeste do mítico continente de Myruna. Todos os jovens estão empolgadíssimos com a aproximação desse evento. Menos Kiara Ancessus. Entretanto, tudo pode mudar quando o forasteiro Lucius Veniaga chega ao vilarejo com o desejo de estudar com a misteriosa Elemiah Mirone, uma elementar aposentada. Dividida entre o desejo de agradar a seus familiares e a vontade de encontrar uma atividade na qual sinta prazer e desenvoltura em desempenhar, Kiara iniciará uma jornada de aventuras e descobertas onde enfrentará surpreendentes desafios."
O lançamento vai acontecer no dia 21 de maio de 2011, às 14 horas, na Saraiva Mega Store do Shopping Metrópole (Pç. Samuel Sabatini, São Bernardo do Campo).
Mais informações sobre o autor e sua obra, aqui.

sábado, 30 de abril de 2011

Resenha: O incrível homem que encolheu

2010 foi um ano especial no que se refere a edição de livros de FC&F no Brasil. Há muito tempo que não se via tantos e tão bons volumes publicados, sem contar no enorme volume de estreias que chegaram às livrarias, por uma quantidade recorde de editoras, algumas fundadas nesse mesmo ano.
Entre as editoras mais ativas esteve a Novo Século, que há alguns anos sustenta a publicação de livros de FC&F de autores novos na Coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, mas, além dela, tem editado títulos de autores estrangeiros importantes, entre eles o norteamericano Richard Matheson. Em 2010, traduziu O incrível homem que encolheu (The shrinking man), coletânea na qual se destaca a novela título. Na minha opinião, este foi o melhor livro de FC publicado no ano no Brasil.
O incrível homem que encolheu entrou na minha seletíssima lista de histórias que só é possível ler uma vez, ao lado de Planeta 8: Operação salvamento, de Doris Lessing e 1984, de George Orwell. Especialmente por conta da dita novela, que toma dois terços do volume e conta a história de Scott, um homem que, depois de ser atingido por uma estranha névoa durante um passeio de barco, começa a diminuir lentamente, ao ritmo de alguns milímetros por dia.

Matheson constrói uma personalidade redonda para Scott que, mesmo antes do fenômeno, era inseguro e não encontrara seu lugar no mundo. Orgulhoso, não aceita a sua condição bizarra, não se deixa ajudar e foge das poucas alternativas que lhe restaram. Humilhado, ele se empenha em sustentar o orgulho apenas para ser humilhado ainda mais.
A narrativa salta entre os últimos dias de Scott, com um centímetro de altura e diminuindo, com fome, sede, doente, ferido, aprisionado num porão infecto e assediado por uma aranha viúva negra, e os inúmeros incidentes que enfrentou enquanto ia encolhendo, que vem a ser as partes mais pungentes da história. Sua relação cada vez mais deteriorada com a esposa e com um mundo do qual ele não pode mais se defender.
A novela foi levada ao cinema em 1957, dirigido por Jack Arnold. Apesar de ser um dos grandes clássicos da FC cinematográfica, a adaptação audiovisual não guarda o mesmo impacto de sua versão literária.

Além da poderosa novela título, contos como "Encurralado" e "Xô, mosca!" também são textos para se ler só uma vez. O cenário de inadequação e inutilidade dos personagens contamina a gente, em experiências que não queremos repetir. "Encurralado" foi adaptado para o cinema em 1971, sendo o longa de estreia de Steven Spielberg na telona. O filme consegue ser ainda mais angustiante que o texto original.
"Xô, mosca!" é uma história exasperante na qual um homem perde o controle emocional pressionado por seus problemas pessoais e por uma mosca que o perturba no escritório.
"O homem dos feriados" também é um conto incômodo e um dos raríssimos exemplos em que um final surpresa se justifica.
O conto mais bizarro da antologia é "O distribuidor", em que um o novo morador de uma rua de classe média, através de mentiras e intrigas remove, camada após camada, o verniz de civilização de seus moradores, levando desespero, crime e morte à toda a comunidade.

Contudo, o melhor conto do livro é "O teste". Poucos autores têm coragem de tratar do preconceito contra os idosos e este, nas mãos de Matheson, é uma obra prima emotiva e corajosa, na qual um ancião reveste-se de toda a sua dignidade para enfrentar um exame que se vai avaliar sua capacidade produtiva. Não passar é uma sentença de morte, literalmente.
"Pesadelo a 20.000 pés", "Montagem", "Apenas com hora marcada" e "A caixa" são os contos mais convencionais do livro. Lembram episódios do seriado Além da imaginação. Aliás, "Pesadelo..." é, de fato, uma das quatro histórias que compõem o longa No limite da realidade (Twilight zone), de 1983, dirigida por George Miller. Os demais segmentos do filme foram dirigidos por Joe Dante, John Landis e Steven Spielberg.
A quem só gosta de histórias de entretenimento, recomendo que passe longe desta antologia de Matheson, porque ela certamente não é destinada a esse fim. Mas quem aprecia uma experiência literária forte, como se alguém estivesse apertando o seu coração e remexendo suas tripas, é o livro ideal.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O voo de Icarus


Publicado em novembro de 2010 pela Editora Novo Século, O voo de Icarus é o romance de estreia de Estevan Lutz, jovem escritor de São Sebastião do Caí/RS que antes havia participado das antologias temáticas Invasão (Giz, 2009) e Draculea (All Print, 2009).
A história trabalha com alguns elementos geralmente associados à escola cyberpunk, contando sobre um rapaz que, submetido a uma droga nanotecnológica, adquire a capacidade de projetar sua consciência.
Entretanto, nem tudo que se pensa cyberpunk realmente o é. Na FC, os elementos citados são anteriores ao movimento inaugurado nos anos 1980 por Willian Gibson e Bruce Sterling.
O uso de drogas e a projeção de consciência já eram temas importantes na geração New Wave, nos anos 1960 e 1970, sendo recorrente na obra de Philip K. Dick, por exemplo — não por acaso frequentemente citado como um dos inspiradores do cyberpunk.
Mas isso não importa muito. O que interessa é que seja uma boa história de ficção científica; cyberpunk, New Wave ou qualquer outro movimento formal, está valendo.
Diz a sinopse: "Num futuro próximo, na cidade marítima de Agartha, a vida do jovem Icarus oscila entre dois vícios: a realidade virtual e uma droga alucinógena denominada nirvana. Em busca de tratamento médico, ele acaba se tornando voluntário para a experimentação de um avançado medicamento baseado na nanotecnologia, o Sinaptek, o qual, posteriormente, lhe causa uma extraordinária reação adversa: a projeção de sua consciência, o que lhe permite viajar por diversos lugares do planeta e para outros mundos, empreendendo uma jornada do centro do universo ao centro da inconsciência humana. Estaria tudo, apenas, na mente de Icarus?"
O voo de Icarus faz parte da coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, e pode ser adquirido diretamente com o autor aqui, aonde também se pode obter mais informações sobre o autor e sua obra.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O senhor da chuva, André Vianco

Investi alguns dias deste ano na leitura dos livros de André Vianco, escritor de Osasco que tem aparecido muito bem nas livrarias, pela Editora Novo Século. Seu livro de estreia, o romance vampiresco Os sete, publicado há coisa de dez anos, foi muito bem recebido pelos leitores e inaugurou uma nova era no acesso dos autores de FC&F às editoras brasileiras.
Apesar do sucesso, o autor é um camarada muito simples e simpático, que não se furta a comparecer aos eventos sobre horror organizados pelos fãs. Há poucas semanas ele cedeu uma longa entrevista ao Anuário Brasileiro de Arte Fantástica, entrevista esta que vai ser publicada na edição deste ano. Pretendia ler alguns livros para me preparar para a entrevista, mas acabei me entusiasmando com o autor e já li quatro títulos, que comentarei aqui nos próximos dias.
Agora vou falar do último que li, O senhor da chuva (Novo Século, 2001) que na verdade foi o primeiro que o autor escreveu. Conforme confessou na entrevista dada ao Anuário, Vianco não gosta muito desse livro porque o considera muito amador, mas ainda assim não pretende reescrevê-lo. De fato, o romance apresenta algumas inconsistências, mas nada que destoe exageradamente. É um livro que entretém, tem bons personagens – uma característica em todos os livros de Viancoótima narrativa e até meritórios objetivos filosóficos.
A história é sobre dois irmãos gêmeos separados pela vida. Samuel tornou-se fazendeiro e toca uma plantação de milho na imaginária cidade de Belo Verde, no interior de São Paulo, enquanto o outro, Gregório, caiu no mundo e se tornou um pequeno traficante de drogas na capital do estado. Gregório pretende voltar para sua antiga vida em Belo Verde tão logo encerre seu último grande negócio, que lhe irá render muito dinheiro. Mas as coisas não dão certo e ele acaba fuzilado pela gangue que ia lhe comprar a droga.
Neste ponto insere-se o maravilhoso, quando Thal, um anjo da guarda que toma conta de algumas boas almas da região, tocado pelos sentimentos sinceros do traficante, tenta interferir na tragédia e acaba vitimado por uma horda de demônios que acompanhava a gangue assassina. No momento da morte de ambos, um milagre acontece e o espírito combalido do anjo entra no corpo físico de Gregório, devolvendo-lhe a vida ao mesmo tempo que o arremessa ao local em que ele mais pretendia estar, Belo Verde. Encontrado no meio da plantação de milho do irmão, um desmemoriado Gregório acredita que poderá viver tranquilamente dali em diante, mas as hostes demoníacas farejam o destino do anjo Thal que agora habita o seu corpo, enquanto velhos inimigos de Gregório, que também querem sua pele, encaminham-se à pequena cidade, onde se prenuncia um holocausto de proporções cósmicas, cujo desfecho trágico e previsível só poderia ser evitado pela intervenção divina.
O senhor da chuva tem, portanto, um enredo movimentado, com muita ação, tiroteio, batalhas violentas e sanguinárias em dimensões que se superpõe (homens x homens; anjos x demônios), interferindo uma na outra através do vínculo entre Gregório e Thal. Além dos anjos e dos demônios, outros seres sobrenaturais aparecem no livro, que por exemplo não deixa de dar sua própria versão para os objetos voadores não identificados.
O que mais surpreende em O senhor da chuva é a coragem do autor em usar a doutrina cristã na composição da cosmologia do romance, num momento em que o niilismo ateu predomina os discursos literários. Explica-se: André Vianco passou sua juventude na igreja Batista, e tem uma forte formação religiosa. O senhor da chuva reveste-se, portanto, de um caráter evangélico explícito, ainda que um tanto permissivo, derivando em alguns momentos para o gnosticismo e até o espiritismo kardecista. Não deixa de ser, contudo, um exemplo raro desse tipo de ambiente na literatura fantástica, principalmente no Brasil, abrindo um leque de possibilidades novas ao gênero. Também é muito louvável o fato do autor não ter evitado expôr essa visão, perfeitamente autêntica dentro de suas convicções pessoais.
E ninguém poderá dizer que não fez bonito. Ainda que não seja seu maior sucesso, O senhor da chuva emplacou várias tiragens (o meu exemplar, de 2007, é a 11ª reimpressão) e continua a ser bem vendido nas livrarias brasileiras. Recomendo.