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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quadrinhos do fim do mundo

A editora Autêntica, através de seu selo de quadrinhos Nemo, investiu no lançamento de uma leva de novos títulos, entre eles alguns que chamam a atenção dos leitores de ficção científica.
O mais expressivo deles é o álbum Animal’Z (104 páginas), drama existencial de autoria de Enki Bilal, com um trabalho de arte diferenciado, todo produzido em lápis pastel sobre papel tonalizado, num resultado expressivo e dramático bem ao gosto desse conhecido artista europeu. A história conta como alguns sobreviventes a um desastre ecológico que se abateu sobre a Terra tentam chegar a uma região segura vencendo os perigos de um mundo dominado pelo gelo e pela selvageria, em que a fronteira entre homens e animais não mais existe. O estilo narrativo pós-moderno típico do autor se impõe, com personagens perturbados, cenas descosturadas e quase nenhuma contextualização, que o leitor terá de construir por sua própria conta.
Hip Flask: Seleção natural (48 páginas), de Richard Starkings, Ladrönn e John Casey, tem um cenário pós-humano similar ao de Animal'Z, mas com um enfoque bem menos filosófico. Um empresário tão poderoso quanto inescrupuloso, investe todos os seus recursos na criação de uma raça híbrida de humanos e animais, que ele pretende seja um novo tipo de força escrava particular. Marcadas a fogo, as quimeras são treinadas desde o nascimento para serem fortes, obedientes e implacáveis. Mas algo dá errado: a empresa desmorona e há um violento combate no qual muitas quimeras são mortas, e as sobreviventes são integradas à sociedade. Salta aos olhos o meticuloso trabalho de arte, com cores de efeito tridimensional que remetem à pintura do mestre italiano Tanino Liberatore, obtido em Ranxerox a partir de canetas hidrográficas. A história, contudo, soa como uma introdução a qual se deveria somar algum enredo, o que deve acontecer numa sequência oportuna.
Finalmente, As férias do Major (72 páginas) é o quinto e último volume da Coleção Moebius, uma coletânea de histórias curtas do saudosos mestre dos quadrinhos, falecido em 2012. Entre os trabalhos está a clássica hq “Escala em Pharagonescia”, que o autor produziu quadro a quadro, sem roteiro prévio, conforme a criatividade do momento. A Coleção Moebius, da Nemo, conta ainda com os álbuns A Garagem Hermética, O homem é bom?, Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias, e Arzach.
Todos os álbuns têm apresentação de luxo, com capa dura e grande formato, peças de interesse para os colecionadores e uma verdadeira festa para os sentidos de qualquer leitor.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Incal Integral

No início dos anos 1980, o grande nome dos quadrinhos era, sem dúvida, Moebius (1938-2012). Autor de uma porção de histórias lisérgicas na revista francesa Metal Hurlant e em sua versão americana Heavy Metal, Moebius tinha um estilo incomum e elegante que influenciou artistas em todo o mundo. Quando uniu seu talento ao do roteirista, escritor e cineasta chileno Alejandro Jodorowsky na criação de O Incal negro, primeiro volume da saga espacial de John Difool, estava lançada a pedra fundamental de uma saga épica de ficção científica no estilo surrealista dos dois autores; uma sinergia perfeita que potencializou o talento de cada um deles, que já não era pequeno.
A história da alucinada investigação de John Difool sobre os mistérios do Incal não tem um enredo fácil de resumir. Diz o relise da editora: "A história gira em torno de John Difool, um detetive particular de quinta categoria, num amanhã totalmente corrupto. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele encontra um antigo e misterioso artefato chamado “Incal”. Em pouco tempo, ele se vê envolvido num conflito de proporções épicas entre o Meta-Barão, considerado o maior guerreiro da galáxia, e os poderes do Tecno-Papa". Mas isso é só o começo.
A Devir Livraria, que anteriormente trouxe para o Brasil a saga completa de O Incal (O Incal negro, O Incal luminoso, O que está e cima, O que está em baixo, A quintessência: A galáxia que sonha e Planeta Difool), publicada em três volumes, agora apresenta Incal integral, edição definitiva com tudo em um único e poderoso volume de 308 páginas em cores, capa dura e, de quebra, a mesma colorização da edição original. Sem dúvida uma linda homenagem a este artista maiúsculo que acabou de deixar todos nós um pouco órfãos.
Incal integral é uma publicação da Devir Livraria e custa R$95,00. E vale cada centavo.

Jean Giraud (1938-2012)

A Nona Arte perdeu um de seus maiores nomes. No dia 10 de março de 2012, depois de um longo período de dificuldades com a saúde, morreu ao 73 anos o genial ilustrador Jean Giraud, o Moebius.  
Jean Henri Gaston Giraud, o Gir, foi um dos mais completos artistas do traço da segunda metade do século 20. Nascido em 1938 em Nogent-sur-Marne, subúrbio de Paris, Giraud foi criado pelos avós depois que seus pais se divorciaram. Cumpriu serviço militar na Argélia e estudou sozinho a arte do desenho. Começou a trabalhar com quadrinhos aos 18 anos, fazendo a série de tiras Frank et Jeremie para a revista Far West. Em 1961 tornou-se aprendiz do cartunista belga Jijé (Jerry Spring). No ano seguinte, Gir iniciou uma frutuosa parceria com o roteirista Jean Michel Charlier na tira de faroeste Fort Navajo, na qual surgiria seu personagem de maior sucesso, Tenente Blueberry.
Em 1963, Gir criou o pseudônimo Moebius para assinar trabalhos de fantasia e ficção científica na revista Hara-Kiri. Abandonado por alguns anos, Moebius voltaria em 1974 na revista Metal Hurlant, publicada pela Les Humanoides Associes, editora criada por ele mesmo ao lado dos também quadrinhistas Jean-Pierre Dionnet, Philippe Druillet e Bernard Farkas. A garagem hermética e Arzach, publicados na Metal Hurlant, tornaram o artista uma verdadeira franquia dos quadrinhos. As histórias de enredo caótico e fragmentado, bem como os desenhos exaustivamente detalhados, foram creditados à influência de alucinógenos que o Gir teria experimentado em uma viagem ao México, mas o fato é que esse estilo de narrativa e traço influenciou artistas no mundo inteiro.
Em 1981, mais um grande sucesso: com roteiro do escritor chileno Alejandro Jodorowsky, Moebius lançou o álbum O Incal Negro, que seria a gênese de um rico universo de fantasia científica.  Em 1988, seu incomparável estilo de desenhar foi incorporado ao universo dos comics na grafic novel Surfista Prateado, da Marvel Comics, com roteiro de Stan Lee.
Além dos quadrinhos, Moebius esteve diversas vezes envolvido com o cinema. Primeiro, ao trabalhar na pré-produção de um filme de Jodorowsky pretendia fazer para o mega romance de ficção científica Duna, de Frank Herbert, que pode ser considerado o mais influente filme de cinema jamais produzido. Algumas das ideias de Moebius para esse projeto seriam finalmente aproveitadas no filme realizado por David Linch em 1984, com produção de Dino di Laurentis.
Moebius esteve na equipe de Alien (1979), de Ridley Scott, e a HQ The long tomorrow (com roteiro de Dan O'Bannon) forneceu o visual para Blade Runner (1982) também de Scott, baseado em um romance de Philip K. Dick. O longa O quinto elemento (1997), de Luc Besson, também usou e abusou das concepções visuais de Moebius nessa mesma história. Moebius também teve participação nos filmes O segredo do abismo (1989, James Cameron), Tron (1981, Steven Lisberger) e Willow (1988, Ron Howard).

 Nos desenhos animados, Moebius trabalhou intensamente em Heavy Metal: Universo em fantasia (1981, Gerald Potterton) e no fenomenal O garoto do espaço (1982) de Rene Laloux, baseado em um romance de Stephan Wull, entre outros.
A série Incal está disponível integralmente pela Devir Livraria, e a editora Nemo publicou recentemente dois álbuns luxuosos (Arzach e Absoluten Calfeutrail e outras historias) com algumas das primeiras histórias de Moebius. Contudo, a maior parte da obra de Giraud, seja como Gir ou como Moebius, está indisponível no Brasil. Sua maior obra, a série de 28 volumes de O Tenente Blueberry, continua quase toda inédita no Brasil.