Impresso no Brasil: Dois séculos de livros brasileiros, Aníbal Bragança e Márcia Abreu, orgs. 664 páginas. São Paulo: Editora UNESP, 2011.
Em 1944, o escritor argentino Jorge Luiz Borges publicou na antologia Ficções o conto "A biblioteca de Babel". Nessa fantástica biblioteca imaginária, os pesquisadores encontram, perfeitamente alinhados em estantes idênticas e intermináveis, um exemplar de cada livro possível de ser escrito com as combinações dos dígitos dos quais dispomos para registrar nossas ideias. Ou seja, entre muitas obras ilegíveis também estariam ali todos os livros do mundo, de todos os tempos e culturas. Entre muitas leituras possíveis, Borges sublimou ali um intenso maravilhamento frente ao mercado livreiro e à imponderabilidade de suas gigantescas tiragens e variedade.
No romance Poeira: Demônios e maldições, de Nelson de Oliveira, publicado em 2010 pela editora Língua Geral e vencedor do prêmio Casa de Las Americas, um bibliotecário surta quando livros começam a brotar por todos os lados, numa volúpia que inviabiliza a sua devida classificação.
Ambas são ficções recheadas de espanto perante a importância do livro para a civilização. O fabuloso é a argamassa da ficção fantástica, está sempre lá. Por isso, quando se quer ser surpreendido, nada melhor que abrir um livro de ficção.
Mas isso também pode acontecer com um texto de não-ficção acadêmico?
Pode. Um exemplo disso é a antologia de ensaios Impresso no Brasil: Dois séculos de livros brasileiros, organizada por Aníbal Bragança e Márcia Abreu, publicada em 2010 pela Editora UNESP e Fundação Biblioteca Nacional, comemorando os 200 anos da instalação da Impressão Régia no Brasil. Em 2011, este trabalho editorial foi agraciado pela Câmara Brasileira do Livro com o Prêmio Jabuti, na categoria Comunicação.
Geralmente, as publicações acadêmicas têm um viés tão específico e rigorosamente formatado aos padrões escolásticos que pouco ou nenhum prazer dão ao leitor leigo. São compêndios de conceitos científicos, com uma linguagem difícil e jargões impenetráveis. Contudo, enquanto conta a história da indústria editorial brasileira, a leitura desta antologia revela, como em Borges e Oliveira, um ambiente deliciosamente espetacular, nas franjas do fantástico e do mitológico.
Os organizadores têm ampla autoridade do assunto. Aníbal Bragança é português, mas tem toda a sua atividade acadêmica no Brasil. É Doutor em Ciência da Comunicação pela Universidade de São Paulo, docente da Universidade Federal Fluminense, Coordenador-Geral de Pesquisa e Editoração da Fundação Biblioteca Nacional. É autor de Livraria ideal: Do cordel à bibliofilia (Com-Arte/Edusp, 2009), entre outros livros.
Márcia Abreu é professora do Departamento de Teoria Literária do IEL–UNICAMP, com doutorado em Teoria e História Literária na mesma Universidade, e pós-doutorado em História Cultural na Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. É autora dos livros Histórias de cordéis e folhetos (Mercado de Letras/ALB, 1999), Os caminhos dos livros (Mercado de Letras/ALB/FAPESP, 2003) e Cultura letrada: Literatura e leitura (UNESP, 2006), entre outros.
Impresso no Brasil tem a introdução do imortal da Academia Brasileira de Letras, José Mindlin (1914-2010), e em suas 664 páginas reúne 35 ensaios de autores diferentes, divididos em duas partes. A primeira, chamada "Uma nova história editorial brasileira: editores, tipógrafos e livreiros" trata da história das editoras no país. É a parte mais volumosa do livro, composta por 22 ensaios. O primeiro é de autoria do próprio Aníbal Bragança, que vai buscar os precursores da tipografia no Brasil, António Isidoro da Fonseca e Frei José Mariano da Conceição Veloso, ainda no século 18, e os motivos pelo qual seu trabalho foi interrompido por um decreto do Rei de Portugal que, por longo tempo, interditou o funcionamento de qualquer tipografia na colônia, até a instalação da Família Real aqui em 1808 e a criação da Impressão Régia.
Em seguida, Márcia Abreu trata dos primeiros livros impressos no Brasil, sendo que a estudiosa identifica O diabo coxo: Verdades sonhadas e novelas da outra vida (1707), do escritor francês Alain-René Lesage, como o primeiro deles, traduzido em 1810.
Nos capítulos seguintes, a história do livro brasileiro desdobra-se nos ensaios de um grupo selecionadíssimo de pesquisadores acadêmicos. Eliana de Freitas Dutra aborda a Editora Garnier, Alessandra El Far comenta a moda das edições baratas do fim do século 19, Marcia de Paula Gregorio Razzini insere na história as publicações didáticas que caracterizaram o início da indústria livreira paulista.
O ensaio mais empolgante do volume é o de Cilza Bignotto, "Monteiro Lobato: Editor revolucionário?", que conta como esse conhecido intelectual das letras montou a primeira rede distribuidora de livros no país.
Outra personalidade importante da nossa indústria livreira tratada neste trabalho é Ênio Silveira, da Editora Civilização Brasileira, cuja característica revolucionária, ao contrário de Lobato, não é questionada pelos ensaístas Guilherme Cunha Lima e Ana Sofia Mariz.
Já o ensaio de Gabriella Pellegrino Soares é inteiramente dedicado aos irmãos Weiszflog, fundadores da Editora Melhoramentos. Editoras que também mereceram atenção em ensaios específicos foram Companhia Editora Nacional (por Maria Rita de Almeida Toledo), Editora Abril (por Mateus Henrique de Faria Pereira) e Companhia das Letras (por Teodoro Koracakis). Outras tantas foram abordadas de forma mais genérica, em ensaios dedicados às editoras pequenas e médias (por Marília de Araújo Barcellos), editoras universitárias (por José Castilho Marques Neto e Flávia Garcia Rosa) e editoras regionais em Pernambuco (Denis Antônio de Mendonça Bernardes), Paraíba (Socorro de Fátima Pacífico Barbosa), Bahia (Luis Guilherme Pontes Tavares e Flávia Garcia Rosa) e Rio Grande do Sul (Elisabeth W. Rochadel Torresini).
Há ainda ensaios sobre a visualidade e tipologia dos livros nos séculos 19 e 20 (Isabel Cristina Alvez da Silva Frade), sobre a censura aos livros durante a ditadura militar (Sandra Reimão) e sobre a evolução do mercado editorial entre 1995 e 2006 (Fábio Sá Earp e George Kornis).
Dois ensaios destacam-se fechando esta primeira parte, por abordarem assuntos um tanto mais coloridos: Antonio Hohlfeldt trata das publicações dedicadas às crianças, citando O Tico-Tico, Sesinho, Suplemento Juvenil e Edição Maravilhosa, além de autores como Lobato, Viriato Corrêa, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Lygia Bojunga Nunes, Ana Maria Machado, Ziraldo e Maurício de Sousa, entre outros. O ensaio de Silvia H. S. Borelli é especialmente dedicado a analisar o fenômeno Harry Potter, série de livros infanto-juvenis de autoria da escritora britânica J. K. Rowling, a partir do seu desempenho no mercado europeu, com amplo espaço argumentativo conduzido por Humberto Eco, ferrenho defensor da série.
A segunda parte, intitulada "Cultura letrada no Brasil: autores, leitores e leituras" faz um levantamento histórico e geográfico das bibliotecas, salas de leitura, comunidades de leitores, organizações de autores, e trata também da obra de alguns deles.
Minas Gerais recebe a atenção nos ensaios de Luiz Carlos Villalta e Christianni Cardoso Morais, sobre as bibliotecas privadas, e de Francisca Izabel de Oliveira Galvão sobre as histórias de Lili. Marisa Midori Deaecto faz um levantamento das instituições de leitura em São Paulo, Sandra Jatahy Pesavento investiga a vida literária em Porto Alegre, enquanto Felipe Matos faz o mesmo em Florianópolis, e Maria Luiza Ugarte Pinheiro, em Manaus. A Coleção Eurico Facó recebe a atenção de Giselle Martins Venancio, e Marcello Moreira estuda a nacionalização das letras da América portuguesa.
Os trechos mais emocionantes, contudo, estão nos ensaios de Lúcia Maria Bastos P. Neves e Tania Maria Bessone da Cruz Ferreira, sobre o direito autoral no Brasil do século 19, que é muito revelador sobre a tradição nacional de não respeitar esse princípio jurídico.
João Paulo Coelho de Souza Rodrigues recupera a história da Academia Brasileira de Letras, e Ana Maria de Oliveira Galvão trata do sempre bem vindo tema da literatura de cordel.
Fecham o volume os ensaios de Maria Tereza Santos Cunha, sobre a literatura erótica de Corin Tellado e Carlos Zéfiro, enquanto Richard Romancini avalia a obra de Paulo Coelho e seus predecessores.
Ficou faltando, entretanto, um capítulo que avaliasse o impacto das novíssimas tecnologias, especialmente as publicações virtuais, na arte literária, na indústria editorial e no hábito da leitura, visto que esta é certamente a mais significativa revolução editorial no país desde a instalação da Impressão Régia em 1808.
Mesmo sendo um estudo robusto e minucioso, Impresso no Brasil: Dois Séculos de Livros Brasileiros é uma leitura agradável e surpreendentemente leve, com temas variados que atraem a atenção de uma vasta gama de leitores, não apenas acadêmicos, mas de todos aqueles que trabalham com os livros, seja em bibliotecas, livrarias, editoras, comunidades de leitura e até mesmo do público leigo apaixonado pelos livros e por sua história. Provavelmente porque os próprios autores também sejam apaixonados por esses objetos prosaicos considerados por muitos como tecnologicamente ultrapassados, mas que, um por um, compõe uma Babel nacional que nem mesmo uma fabulação de Borges ou de Oliveira poderia retratar completamente.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Imaginário! 11
A editora Marca de Fantasia publicou a décima primeira edição da revista acadêmica Imaginário!, editada por Henrique Magalhães, dedicada a discussão da arte das histórias em quadrinhos e outras expressões da cultura pop imagética, através de artigos, ensaios, entrevistas e resenhas de Doutores, Mestres, pós-graduandos e graduandos brasileiros.
A edição tem 191 páginas e traz textos de Heraldo Aparecido Silva, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, Fernanda Simplício, Jainara Sabino, Alessandro Fernandes, Leilane Hardoim Simões, Edgar Cézar Nolasco, Jairo Macedo Júnior, Selma Regina Nunes Oliveira, Roberto Elísio dos Santos, Waldomiro Vergueiro, Gazy Andraus, Daniel Baz dos Santos, Guilherme "Smee" Sfredo Miorando e Ana Paula Rodrigues Ferro.
Imaginário! é editada em formato virtual e pode ser baixada gratuitamente aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.
A edição tem 191 páginas e traz textos de Heraldo Aparecido Silva, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, Fernanda Simplício, Jainara Sabino, Alessandro Fernandes, Leilane Hardoim Simões, Edgar Cézar Nolasco, Jairo Macedo Júnior, Selma Regina Nunes Oliveira, Roberto Elísio dos Santos, Waldomiro Vergueiro, Gazy Andraus, Daniel Baz dos Santos, Guilherme "Smee" Sfredo Miorando e Ana Paula Rodrigues Ferro.
Imaginário! é editada em formato virtual e pode ser baixada gratuitamente aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Revista Abusões 2
Depois da estreia em janeiro deste ano, está circulando o segundo número da revista virtual Abusões, editada pelos professores Dr. Flavio García e Dr. Júlio França, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro-UERJ. Trata-se de um periódico semestral acadêmico dedicado ao estudo da ficção gótica, fantástica e insólita de modo geral. A edição tem 2999 páginas e apresenta nove artigos e duas resenhas, além de entrevistas com os escritores David Roas e José Viale Moutinho. Destaque para o artigo "A ficção científica de Rachel de Queiroz", de Ramiro Giroldo.Abusões por ser lida e baixada aqui.
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terça-feira, 7 de julho de 2015
Imaginário!
A editora Marca de Fantasia publicou a oitava edição do periódico acadêmico Imaginário!, editado por Henrique Magalhães, dedicado à discussão da arte das histórias em quadrinhos e outras expressões da cultura pop ligadas à representação imagética, através de artigos, ensaios, entrevistas e resenhas de Doutores, Mestres, pós-graduandos e graduandos brasileiros.Esta edição tem 125 páginas e traz textos de Marcelo Soares de Lima, Heraldo Aparecido Silva, Sandra Keli F. V. dos Santos, Renato Donisete Pinto, Marcelo Bolshaw Gomes e Rubens César Baquião. A editora aceita submissões e suas normas estão expressas na própria revista.
Imaginario! é editada em formato virtual e pode ser baixada gratuitamente aqui. As edições anteriores também estão disponíveis no saite da editora.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
QI 131 e mais
Chegou aos assinantes o número 131 de Quadrinhos Independentes-QI, fanzine editado por Edgard Guimarães em Brasópolis-MG. A edição vem com 28 páginas de muito conteúdo. Além de quadrinhos de Chagas Lima e Arruda, Claudio Lopes Faria, Dennis Oliveira, Paulo Miguel dos Anjos e do próprio editor, artigos sobre plágio nos quadrinhos internacionais, sobre a série Lula e Zé Moita, de Henfil, e um necrológico do fanzineiro Waldir Dâmaso, e as seções fixas "Mistérios do colecionismo", "Mantendo contato", "Fórum" e a sempre valiosa lista "Edições independentes", com os lançamentos do bimestre. A capa é assinada por Guimarães.
Junto com a edição, os assinantes receberam como brinde o volume 2 da coleção Pequena biblioteca de histórias em quadrinhos, dedicada a apresentar um recorte da arte que o editor convencionou chamar de Quadrinhos brasileiros poéticos. A edição tem 56 páginas e reúne seis trabalhos de Ofeliano, José Angeli, Flavio Colin, Hayle Gadelha, Julio Shimamoto, Gustavo, Antonio Amaral e Watson Portela, reproduzidos a partir de suas edições originais em revistas e fanzines. A publicação é requintada, com impressão digital e capas em papel encorpado e imagens em cores.
Para obter exemplares destas publicações é necessário assinar o fanzine, ao preço módico de R$25,00 por seis edições, um custo amplamente compensado pelo material enviado, como se pode observar. Maiores informações pelo email edgard@ita.br.
Junto com a edição, os assinantes receberam como brinde o volume 2 da coleção Pequena biblioteca de histórias em quadrinhos, dedicada a apresentar um recorte da arte que o editor convencionou chamar de Quadrinhos brasileiros poéticos. A edição tem 56 páginas e reúne seis trabalhos de Ofeliano, José Angeli, Flavio Colin, Hayle Gadelha, Julio Shimamoto, Gustavo, Antonio Amaral e Watson Portela, reproduzidos a partir de suas edições originais em revistas e fanzines. A publicação é requintada, com impressão digital e capas em papel encorpado e imagens em cores.Para obter exemplares destas publicações é necessário assinar o fanzine, ao preço módico de R$25,00 por seis edições, um custo amplamente compensado pelo material enviado, como se pode observar. Maiores informações pelo email edgard@ita.br.
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segunda-feira, 31 de março de 2014
Megalon 42
Finalmente, volta a estar disponível uma das mais antológicas edições do fanzine de ficção científica e horror Megalon, editado por Marcello Simão Branco ainda no século passado. Trata-se da edição número 42, publicada originalmente em novembro de 1996, dedicada ao mestre do horror H. P. Lovecraft, escritor norte-americano que, ao longo de uma bibliografia que conta com mais de cem contos e novelas publicados, construiu um universo aterrorizante no qual o conhecimento dos segredos cósmicos invariavelmente leva à loucura e a morte.
Lovecraft foi um dos mais característicos autores da era Weird e sua ficção de laivos xenófobos e excessos literários ainda hoje é cultuada e imitada, tendo influenciado até alguns dos mais conhecidos contos de Jorge Luiz Borges.
A edição traz, em suas 50 páginas, ficções de Carlos Orsi e Fábio Fernandes – inspiradas na cosmologia do cavalheiro de Providence –, diversos ensaios sobre a vida e a obra lovecraftiana pelos especialistas Anna Creuza Zacharias, Fausto Cunha, Carlos Orsi e S. T. Joshi, além das colunas fixas "Terras alternativas", "Sagas", "Diário do fandom" e "Publicações recebidas", as duas últimas com notícias da cena fc&f da época.
O arquivo em formato pdf pode ser baixado gratuitamente aqui, sendo que também está disponível um arquivo bônus, aqui, com duas edições do Bulletim, newsletter editada por Fábio Fernandes para o CLFC - Rio, também publicadas em 1996.
Lovecraft foi um dos mais característicos autores da era Weird e sua ficção de laivos xenófobos e excessos literários ainda hoje é cultuada e imitada, tendo influenciado até alguns dos mais conhecidos contos de Jorge Luiz Borges.
A edição traz, em suas 50 páginas, ficções de Carlos Orsi e Fábio Fernandes – inspiradas na cosmologia do cavalheiro de Providence –, diversos ensaios sobre a vida e a obra lovecraftiana pelos especialistas Anna Creuza Zacharias, Fausto Cunha, Carlos Orsi e S. T. Joshi, além das colunas fixas "Terras alternativas", "Sagas", "Diário do fandom" e "Publicações recebidas", as duas últimas com notícias da cena fc&f da época.
O arquivo em formato pdf pode ser baixado gratuitamente aqui, sendo que também está disponível um arquivo bônus, aqui, com duas edições do Bulletim, newsletter editada por Fábio Fernandes para o CLFC - Rio, também publicadas em 1996.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Muito mais QI
Está circulando o 125º número do fanzine QI - Quadrinhos Independentes, editado em Brasópolis por Edgard Guimarães.
O fato de ser o mais premiado fanzine brasileiro não é um acaso. Além de ser uma publicação relevante que presta o importante serviço de divulgar a produção alternativa no País, o QI também investe continuamente em novos e surpreendentes projetos. Os assinantes receberam esta edição acompanhada de vários bônus interessantes. Além de um novo fascículo da novela gráfica de faroeste Buster e mais duas lâminas da coleção Cotidianos Alterados, acompanha o primeiro volume da Pequena Biblioteca de histórias em quadrinhos: Quadrinhos brasileiros de ficção científica e fantasia, ensaio de 38 páginas com quadrinhos e respectivas resenhas de seis importantes momentos da arte na opinião do editor, pelas mãos de Dirceu Amado e Leo ("A Terra"), Watson Portela ("Asa branca"), Louis Chilson ("Motoc"), Jayme Cortez ("A noite do invasor"), Mozart Couto ("Queda") e Ricardo Leite ("Epílogo"), que também assina a lustração da capa. Certamente que há muitos outros trabalhos a destacar, mas este é apenas o início de uma série que certamente vai ser importante para a memória do quadrinhos brasileiro.
Quando a edição do QI em si, também há novidades. Além da capa, que vem com um detalhe em cor, percebemos que a longa hq publicada nas páginas centrais ao longo de 50 edições, realmente terminou no número anterior com a página 200, um marco respeitável para um fanzine.
Seguem ainda as colunas "Mistérios do colecionismo", com a relação de edições extras da Disney no Brasil, "Heróis brasileiros", com Raimundo, "Quadrinhos brasileiros bissextos", com Nonô Jacaré, e as seções fixas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes". Completam a edição, artigos sobre o 30º Prêmio Angelo Agostini, sobre o quadrinhista português Carlos Gonçalves e sobre um artigo de Dave Gibbons comentando a obra de Jack Kirby, além de quadrinhos de Luiz Claudio Faria e do próprio editor.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
O fato de ser o mais premiado fanzine brasileiro não é um acaso. Além de ser uma publicação relevante que presta o importante serviço de divulgar a produção alternativa no País, o QI também investe continuamente em novos e surpreendentes projetos. Os assinantes receberam esta edição acompanhada de vários bônus interessantes. Além de um novo fascículo da novela gráfica de faroeste Buster e mais duas lâminas da coleção Cotidianos Alterados, acompanha o primeiro volume da Pequena Biblioteca de histórias em quadrinhos: Quadrinhos brasileiros de ficção científica e fantasia, ensaio de 38 páginas com quadrinhos e respectivas resenhas de seis importantes momentos da arte na opinião do editor, pelas mãos de Dirceu Amado e Leo ("A Terra"), Watson Portela ("Asa branca"), Louis Chilson ("Motoc"), Jayme Cortez ("A noite do invasor"), Mozart Couto ("Queda") e Ricardo Leite ("Epílogo"), que também assina a lustração da capa. Certamente que há muitos outros trabalhos a destacar, mas este é apenas o início de uma série que certamente vai ser importante para a memória do quadrinhos brasileiro.
Quando a edição do QI em si, também há novidades. Além da capa, que vem com um detalhe em cor, percebemos que a longa hq publicada nas páginas centrais ao longo de 50 edições, realmente terminou no número anterior com a página 200, um marco respeitável para um fanzine.
Seguem ainda as colunas "Mistérios do colecionismo", com a relação de edições extras da Disney no Brasil, "Heróis brasileiros", com Raimundo, "Quadrinhos brasileiros bissextos", com Nonô Jacaré, e as seções fixas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes". Completam a edição, artigos sobre o 30º Prêmio Angelo Agostini, sobre o quadrinhista português Carlos Gonçalves e sobre um artigo de Dave Gibbons comentando a obra de Jack Kirby, além de quadrinhos de Luiz Claudio Faria e do próprio editor.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Resenha: Ditadura do prazer
Desde que a geração chamada como Segunda Onda da ficção científica brasileira chegou às universidades, temos conhecido um bom número de trabalhos acadêmicos sobre o gênero. Até o final do século 20, eram poucos os casos e ainda mais raros os que chegavam a ser publicados em maior tiragem, por isso a grande importância que os estudiosos da literatura de gênero dão aos ensaios Introdução ao estudo da "science-fiction", de André Carneiro, Ficção científica, de Gilberto Schoereder, Ficção científica: Ficção, ciência ou uma épica de época, de Raul Fiker, e "Ficção científica no Brasil: Um planeta quase desabitado", de Fausto Cunha, citados em praticamente todos os estudos sérios sobre o gênero no Brasil.
Ainda que se possa levantar mais alguns bons títulos na bibliografia de referência do século passado, a maior parte dela era mesmo traduzida. O próprio ensaio de Cunha, citado acima, foi prefácio para um livro traduzido: No mundo da ficção científica, de L. David Allen.
Até a virada do século, a principal plataforma de discussão estava estruturada nos fanzines, que dedicavam muito espaço para abrigar ensaios e debates. Algumas dessas discussões realmente impactaram a produção nacional, mas praticamente não saíram dos muros do fandom.
Essa mudança de paradigma para os estudos de não-ficção no Brasil é de todo bem vinda, pois está finalmente ampliando o alcance do tema a pesquisadores de outras áreas e construindo uma bibliografia de referência que leva em conta o material produzido no País e o impacto que ela causa em nossa sociedade, numa discussão em primeira-mão. Há que se festejar também a variedade dos temas de pesquisa, que têm avançado para além de estudos genéricos, definindo recortes interessantes que abrem janelas para discussões ainda mais especializadas. Este é o caso de Ditadura do prazer: Sobre ficção científica e utopia, primeiro livro de Ramiro Giroldo, Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo e professor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que lhe publicou o livro.
O autor explica, na introdução do ensaio, que se trata de um livro "calcado na dissertação de mestrado 'A ditadura do prazer: Ficção científica e literatura utópica em Amorquia, de André Carneiro', defendida em 2008 no Programa de Pós-Gradução (DLE-CCHS/UFMS) – Mestrado em Estudos de Linguagens", trabalho este que foi bastante comentado a época.
O livro está dividido em três partes: "Sobre ficção cientifica", "Sobre utopia" e "A ditadura de prazer". Na primeira parte, o autor levanta as origens do gênero e da expressão science fiction, creditada ao editor norte-americano Hugo Gernsback, bem como o termo abrasileirado e concensualizado, 'ficção científica'. Ainda hoje se discute a validade e abrangência do termo e não são poucos os que não gostam dele – tanto lá como cá –, mas nenhum outro se estabeleceu tão solidamente no mercado editorial e no imaginários dos leitores.
Giroldo evoca os estudos de Darko Suvin, acadêmico de origem croata, professor da McGill University de Montreal, que no ensaio Pour une poétique de la science fiction tem uma forma bastante técnica de definir o alcance do termo, baseado nos aspectos cognitivo e não-cognitivo da questão. Também invoca o conceito freudiano de unheimlich (algo como 'estranhamento') que, articulado às proposições de Zuvin, servirá de linha mestra à análise de Giroldo sobre o tema principal do seu ensaio: a utopia.
Na segunda parte, o autor busca por Tomas More e seu trabalho seminal, Utopia, amplamente estudada por diversos pesquisadores, para identificar seus aspectos originais. Quase sempre, ouvimos dizer que "utopia" significa "lugar nenhum" (ou-topos), mas Giroldo comenta que também pode ser "lugar bom" (eu-topos), o que já é suficiente para gerar uma ótima discussão.
Outro foco interessante do estudo de Giroldo é o confronto dos aspectos positivos e negativos das utopias de forma geral – como a falta de liberdade individual –, de forma que toda a utopia aciona imediatamente uma distopia, conforme o ponto de vista adotado, pois perfeição utópica implica na perda da liberdade e na formatação do ser humano num estado homogêneo sem expectativas. Para isso, Giroldo toma exemplos de importantes textos da ficção científica, como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, Nós, de Ivanovitch Zamiatin, A cidade e as estrelas, de Arthur C. Clarke, Fazenda Modelo, de Chico Buarque, A adaptação do funcionário Ruam, de Mauro Chaves, Piscina livre e Amorquia, ambos de André Carneiro, além de citar diversas outras obras igualmente relevantes.
Discussões sobre as já citadas ideias de Freud e More voltam a pautar a terço final do ensaio, com uma discussão ainda mais aprofundada sobre a busca pelo desprazer, agregando ao estudo os livros de 1984, de George Orwell, Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Os amantes do ano 3050, de Philip Jose Farmer, e a novela "Diário da nave perdida", de André Carneiro.
Em um texto breve, o autor faz suas considerações finais, colocando na balança as definições de bem e mal frente a visão da utopia e da distopia, que me fez pensar se existe de fato alguma fronteira entre a utopia, a distopia e a ficção científica como um todo, ideia esta que gerou um interessante debate com Giroldo pelas redes sociais. Sem dúvida, esta é uma discussão que está apenas começando.
Ainda que se possa levantar mais alguns bons títulos na bibliografia de referência do século passado, a maior parte dela era mesmo traduzida. O próprio ensaio de Cunha, citado acima, foi prefácio para um livro traduzido: No mundo da ficção científica, de L. David Allen.
Até a virada do século, a principal plataforma de discussão estava estruturada nos fanzines, que dedicavam muito espaço para abrigar ensaios e debates. Algumas dessas discussões realmente impactaram a produção nacional, mas praticamente não saíram dos muros do fandom.
Essa mudança de paradigma para os estudos de não-ficção no Brasil é de todo bem vinda, pois está finalmente ampliando o alcance do tema a pesquisadores de outras áreas e construindo uma bibliografia de referência que leva em conta o material produzido no País e o impacto que ela causa em nossa sociedade, numa discussão em primeira-mão. Há que se festejar também a variedade dos temas de pesquisa, que têm avançado para além de estudos genéricos, definindo recortes interessantes que abrem janelas para discussões ainda mais especializadas. Este é o caso de Ditadura do prazer: Sobre ficção científica e utopia, primeiro livro de Ramiro Giroldo, Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo e professor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que lhe publicou o livro.
O autor explica, na introdução do ensaio, que se trata de um livro "calcado na dissertação de mestrado 'A ditadura do prazer: Ficção científica e literatura utópica em Amorquia, de André Carneiro', defendida em 2008 no Programa de Pós-Gradução (DLE-CCHS/UFMS) – Mestrado em Estudos de Linguagens", trabalho este que foi bastante comentado a época.
O livro está dividido em três partes: "Sobre ficção cientifica", "Sobre utopia" e "A ditadura de prazer". Na primeira parte, o autor levanta as origens do gênero e da expressão science fiction, creditada ao editor norte-americano Hugo Gernsback, bem como o termo abrasileirado e concensualizado, 'ficção científica'. Ainda hoje se discute a validade e abrangência do termo e não são poucos os que não gostam dele – tanto lá como cá –, mas nenhum outro se estabeleceu tão solidamente no mercado editorial e no imaginários dos leitores.
Giroldo evoca os estudos de Darko Suvin, acadêmico de origem croata, professor da McGill University de Montreal, que no ensaio Pour une poétique de la science fiction tem uma forma bastante técnica de definir o alcance do termo, baseado nos aspectos cognitivo e não-cognitivo da questão. Também invoca o conceito freudiano de unheimlich (algo como 'estranhamento') que, articulado às proposições de Zuvin, servirá de linha mestra à análise de Giroldo sobre o tema principal do seu ensaio: a utopia.
Na segunda parte, o autor busca por Tomas More e seu trabalho seminal, Utopia, amplamente estudada por diversos pesquisadores, para identificar seus aspectos originais. Quase sempre, ouvimos dizer que "utopia" significa "lugar nenhum" (ou-topos), mas Giroldo comenta que também pode ser "lugar bom" (eu-topos), o que já é suficiente para gerar uma ótima discussão.
Outro foco interessante do estudo de Giroldo é o confronto dos aspectos positivos e negativos das utopias de forma geral – como a falta de liberdade individual –, de forma que toda a utopia aciona imediatamente uma distopia, conforme o ponto de vista adotado, pois perfeição utópica implica na perda da liberdade e na formatação do ser humano num estado homogêneo sem expectativas. Para isso, Giroldo toma exemplos de importantes textos da ficção científica, como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, Nós, de Ivanovitch Zamiatin, A cidade e as estrelas, de Arthur C. Clarke, Fazenda Modelo, de Chico Buarque, A adaptação do funcionário Ruam, de Mauro Chaves, Piscina livre e Amorquia, ambos de André Carneiro, além de citar diversas outras obras igualmente relevantes.
Discussões sobre as já citadas ideias de Freud e More voltam a pautar a terço final do ensaio, com uma discussão ainda mais aprofundada sobre a busca pelo desprazer, agregando ao estudo os livros de 1984, de George Orwell, Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Os amantes do ano 3050, de Philip Jose Farmer, e a novela "Diário da nave perdida", de André Carneiro.
Em um texto breve, o autor faz suas considerações finais, colocando na balança as definições de bem e mal frente a visão da utopia e da distopia, que me fez pensar se existe de fato alguma fronteira entre a utopia, a distopia e a ficção científica como um todo, ideia esta que gerou um interessante debate com Giroldo pelas redes sociais. Sem dúvida, esta é uma discussão que está apenas começando.
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não-ficção,
Ramiro Giroldo,
resenha
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
QI 123
Chegou recentemente aos assinantes o número 123 do fanzine Quadrinhos Independentes, editado por Edgard Guimarães. A edição vem com os artigos "Heróis brasileiros: Aba Larga", "Quadrinhos brasileiros bissextos: Tonico e Petrolino" e "Uatisdis?", todos estes por Guimarães, "Quadrinhos brasileiros ganham importância", por Lincoln Nery, "Histórias em quadrinhos e praticas educativas", por Elydio dos Santos Neto e Marta Regina Paulo da Silva, além das colunas "Mantendo contato", por Worney Almeida de Souza, "Mistérios do colecionismo", em que Guimarães destrincha a coleção Diversões Juvenis da Editora Abril, "Fórum", com a correspondência do editor, e "Edições independentes", com a relação de fanzines lançados no bimestre. Nos quadrinhos, mais quatro páginas da longa história da fazenda dos robôs, que já não tem nem fazenda nem robôs há muito tempo, e "Poeta Vital", fechando o exemplar, ambas de autoria do editor.
Mas o QI não fica só nisso. Também entrega mais duas lâminas da coleção Cotidiano alterado, e o primeiro de sete fascículos da novela gráfica de faroeste Buster from Texas Rangers: "Desperadoes", de Gus Peterson e José Pires, este um veterano ilustrador português que apresenta um trabalho belíssimo, valorizado, ainda que em p&b, pela ótima impressão digital do volume.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
Mas o QI não fica só nisso. Também entrega mais duas lâminas da coleção Cotidiano alterado, e o primeiro de sete fascículos da novela gráfica de faroeste Buster from Texas Rangers: "Desperadoes", de Gus Peterson e José Pires, este um veterano ilustrador português que apresenta um trabalho belíssimo, valorizado, ainda que em p&b, pela ótima impressão digital do volume.
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Atmosfera rarefeita
A coleção Enciclopédia Galáctica, de Devir Livraria, selo que chancela os Anuários, acaba de receber mais um título significativo, Atmosfera rarefeita: A ficção científica no cinema brasileiro, não-ficção do Prof. Dr. Alfredo Suppia que, como o próprio nome revela, se debruça no mapeamento do gênero dentro da produção cinematográfica nacional, seara de poucos mas importantes trabalhos.
Diz o texto de apresentação do livro: "...para além de uma noção conservadora de gênero cinematográfico, a ficção científica se oferece como interface de análise de um amplo conjunto de filmes, uma arena de debates sobre a sociedade brasileira, sua relação com a ciência e a tecnologia e a produção nacional de artefatos culturais. Nesse sentido, o cinema brasileiro de ficção científica se apresenta como importante plataforma para a investigação da 'cultura nacional', da história do país e de suas mais notórias contradições, produto de uma 'modernização conservadora' assombrada pelo antagonismo entre vetores arcaicos e ondas progressistas".
Suppia colaborou no Anuário 2011 com o ensaio "Cinema e literatura de ficção científica no Brasil: Apontamentos sobre uma tímida relação", que já revelava a profundidade com que domina o tema. Atmosfera rarefeita avança na análise crítica do cinema de fc brasileiro, em curta e longa metragens, de seus primeiros exemplos até os mais recentes. Entre suas 348 páginas, traz um caderno de 16 páginas com imagens em cores de raras produções nacionais nele comentadas.
Suppia é professor de Cinema na Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, e tem em sua bibliografia os livros A metrópole replicante: Construindo um diálogo entre Metropolis e Blade Runner (2011) e Cinema(s) independente(s): Cartografias para um fenômeno audiovisual global (2013), além de ser fundador e editor da revista eletrônica Zanzalá.
Atmosfera rarefeita é, sem dúvida, um dos mais importantes ensaios sobre fc já publicados no País. Recomendadíssimo.
Diz o texto de apresentação do livro: "...para além de uma noção conservadora de gênero cinematográfico, a ficção científica se oferece como interface de análise de um amplo conjunto de filmes, uma arena de debates sobre a sociedade brasileira, sua relação com a ciência e a tecnologia e a produção nacional de artefatos culturais. Nesse sentido, o cinema brasileiro de ficção científica se apresenta como importante plataforma para a investigação da 'cultura nacional', da história do país e de suas mais notórias contradições, produto de uma 'modernização conservadora' assombrada pelo antagonismo entre vetores arcaicos e ondas progressistas".
Suppia colaborou no Anuário 2011 com o ensaio "Cinema e literatura de ficção científica no Brasil: Apontamentos sobre uma tímida relação", que já revelava a profundidade com que domina o tema. Atmosfera rarefeita avança na análise crítica do cinema de fc brasileiro, em curta e longa metragens, de seus primeiros exemplos até os mais recentes. Entre suas 348 páginas, traz um caderno de 16 páginas com imagens em cores de raras produções nacionais nele comentadas.
Suppia é professor de Cinema na Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, e tem em sua bibliografia os livros A metrópole replicante: Construindo um diálogo entre Metropolis e Blade Runner (2011) e Cinema(s) independente(s): Cartografias para um fenômeno audiovisual global (2013), além de ser fundador e editor da revista eletrônica Zanzalá.
Atmosfera rarefeita é, sem dúvida, um dos mais importantes ensaios sobre fc já publicados no País. Recomendadíssimo.
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Argonáuticas
A Editora Argonautas animou-se com a proximidade da segunda edição da Odisseia, congresso de autores e editores de literatura fantástica que rola em Porto Alegre nos próximos dias 12 e 13 de abril, e me mandou um pacotaço de livros publicados em 2012, para serem divulgados, quiçá resenhados, aqui, assim que possível.
Vieram nada menos que quatro títulos, sendo o principal deles a antologia de não-ficção Fim do mundo: Guerras, destruição e apocalipse na história e no cinema, organizado por Cesar Augusto Barcellos Guazelli, Charles Sidarta Machado Domingues, José Orestes Beck e Rafael Hansen Quinsani. O livro reúne ensaios de perfil acadêmico sobre os filmes catástrofe que trabalham com o tema do fim da existência humana, tem 234 páginas e está dividido em duas partes principais. Na primeira estão 21 textos longos que desenvolvem argumentos sobre uma grande variedade de filmes e cineastas, tais como Dr. Fantástico, Contágio, Apocalipto, A noite dos mortos-vivos, A última esperança da Terra, Armageddon, Guerra de mundos, O sacrifício, Ensaio sobre a cegueira, entre outros, por um enorme elenco de ensaístas, entre os quais está Duda Falcão, um dos editores da Argonautas. A segunda parte, denominada "Extras" apresenta mais 13 ensaios curtos e as fichas técnicas dos filmes citados no livro.
Duas antologias completam o pacote: Autores fantásticos traz 16 histórias originais e inéditas, cada uma delas homenageando um importante autor de ficção fantástica, entre os quais dois brasileiros: Simões Lopes Neto e Monteiro Lobato. O livro tem 162 páginas e traz contos de Nikelen Witter, Duda Falcão, Celly Borges, Cesar Alcázar, Ju Lund, A. Z. Cordenonsi, Simone Saueressig, Christian David, Leon Nunes, Fabiano Vianna, Leonardo Colucci, Mario André Pacheco, Estevan Lutz, Leo Carrion, Suzy M. Hekamiah e José Aguilar García, que também assina a ilustração da capa. A edição não identifica um organizador, sendo que, assim, a responsabilidade fica com os editores Duda Falcão e Cesar Alcázar.
Completa o lote a antologia Passado imperfeito, organizada por Ademir Pascale, volume de 104 páginas com oito textos inéditos de história alternativa de autoria de Christian David, Luciana Fátima, Daniel Borba, Marcelo Biguetti, Estevan Lutz, Tibor Moricz, Mariana Albuquerque e do próprio Pascale, com prefácio de Christopher Kastensmidt.Com certeza, não vai me faltar o que ler.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Nós, ciborgues
Graças ao trabalho de Fátimas Regis, a pesquisa de ficção científica não vai passar em branco em 2012. Acaba de ser publicado o livro Nós, ciborgues: Tecnologias de informação e subjetividade homem-máquina, tese de doutorado da autora que é professora de comunicação da UERJ, além de esposa do escritor e roteirista Sylvio Gonçalves.Nós, ciborgues tem 222 páginas e é uma publicação da Editora Champagnat – PUC-PR.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Nau Literária: crítica e teoria de literaturas
O escritor de ficção científica Roberto de Sousa Causo anunciou que a revista acadêmica Nau literária: crítica e teoria de literaturas – ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul –, publicou em sua edição do primeiro semestre de 2012, um ensaio sobre a noveleta "Harmonia", de sua autoria, recentemente vista na antologia Cidades indizíveis (Llyr, 2011). Trata-se de "Dossiê: A cidade e o romance contemporâneo", desenvolvido pelo acadêmico Ramiro Giroldo, jovem pesquisador que acaba de obter o título de doutor pela Faculdade de Letras da USP.O estudo pode ser baixado gratuitamente aqui. No mesmo saite também estão disponíveis as edições anteriores da revista, que vale a pena conhecer.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Anuário na Fantasticon
Silvio Alexandre, curador da Fantasticon, acaba de confirmar: Cesar Silva e Marcello Simão Branco, autores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, estarão presentes ao evento nos dias 15 de setembro, sábado, às 18h30, e no dia 22, também um sábado, às 17h.
O Anuário comparece à Fantasticon desde a sua primeira edição. Trata-se uma publicação de discussão, registro e memória da literatura fantástica brasileira, que acompanha atentamente a evolução do gênero no Brasil desde o ano de 2004 (publicado em 2005), sendo esta é a sua oitava edição, a terceira sob o selo da Devir Livraria.
A Fantasticon acontece nos dias 15, 16, 22 e 23 de setembro, no auditório da Biblioteca Viriato Correa (Rua Sena Madureira, 298, São Paulo).
Aproveito para reproduzir, a seguir, o relise de divulgação preparado pela editora:
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2011
Autores: Marcelo Simão Branco e Cesar Silva
Capa: Rogério Vilela
Selo Enciclopédia Galáctica, setembro 2012.
194 páginas PB em papel off-set 75 g/m²
Formato: 14,0 cm × 21,0 cm
Numa iniciativa dos jornalistas e pesquisadores de ficção científica e fantasia Marcello Simão Branco e Cesar Silva, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica foi publicado pela primeira vez em 2005. Apresenta um amplo e profundo panorama do cenário fantástico nacional, em suas três manifestações principais, a ficção científica, a fantasia e o horror, além de contemplar também as criações híbridas entre estes gêneros e os chamados trabalhos de “fronteira”, isto é, o fantástico abordado a partir da perspectiva do mainstream literário.
Contém notícias sobre prêmios e personalidades, artigos sobre o mercado editorial, listas dos livros recomendados lançados durante o ano. Para esta edição de 2011 apresenta um resenhador convidado, que vem a somar com as resenhas dos autores do Anuário aos vários dos principais livros de autores brasileiros e estrangeiros publicados em 2011. Apresenta também ensaio de um especialista convidado, e uma seção histórica com datas e resenhas de livros importantes. A Personalidade do Ano de 2011 é o legendário editor Gumercindo Rocha Dorea, descobridor de talentos e responsável pelas principais coleções de livros de fc do país, nos anos 1960 e 1990. Dorea é contemplado com uma extensa entrevista sobre a sua obra.
O Anuário tem por meta realizar um registro do estado dos gêneros no país, além de auxiliar tanto os leitores em busca do que há de novo, como aos escritores que desejam destrinchar as tendências do mercado. E também a editores e pesquisadores, que estão em busca de um conhecimento mais sistematizado e amplo do que está surgindo e das perspectivas para o fantástico no Brasil.
O Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica recebeu em 2010 o Prêmio “Melhores do Ano”, na categoria “Melhor Não-Ficção”, concedido pelo site Ficção Científica e Afins, da escritora Ana Cristina Rodrigues.
Repercussões:
“Embora a literatura fantástica enfrente muitos desafios no Brasil, um trabalho árduo de crítica e pesquisa como o do Anuário permite uma base sólida para o desenvolvimento de pesquisas e publicações”.
— Rachel Haywood Ferreira, Iowa State University.
“As suas carreiras críticas — existentes há anos em várias publicações, e há seis anos no Anuário —, são o balanço global dos gêneros literários que vocês analisam, o mais competente, sério e abrangente, dentro do universo crítico brasileiro.”
— André Carneiro, autor de Confissões do Inexplicável.
“O Anuário é uma das publicações de crítica de ficção especulativa mais independentes e de maior personalidade no país. Editores, pesquisadores, colecionadores de livros, escritores e fãs devem encontrar uma fonte de consulta, de avaliações e de opiniões críticas inestimável para dar perspectiva ao momento atual.”
— Roberto de Sousa Causo, Terra Magazine.
“Um projeto raro e ambicioso, que apresenta uma perspectiva global e sistematizada a respeito do mercado no Brasil e confere-lhe uma unidade na qual os autores poderão posicionar-se. Além disso, contribui para o crescimento da crítica profissional e do estudo acadêmico, essenciais ao desenvolvimento de qualquer literatura."
— Luís Filipe Silva, site Efeitos Secundários (Portugal).
Sobre o selo Enciclopédia Galáctica:
Em 2010, a Devir Livraria inaugurou o selo “Enciclopédia Galáctica”, destinado a obras de não-ficção voltadas para a discussão, análise e registro dos gêneros ficção científica, fantasia e horror na literatura, quadrinhos, jogos, cinema e televisão. O selo busca fomentar a produção crítica a respeito desses gêneros e formas de expressão, em um momento em que cresce muito o interesse pela literatura de ficção científica, fantasia e horror no ambiente acadêmico e literário nacional. O primeiro livro do selo foi Visão Alienígena: Ensaios sobre Ficção Científica Brasileira, de M. Elizabeth Ginway, brasilianista e professora de língua portuguesa e literatura e cultura brasileira na Universidade da Flórida (em Gainesville).
Mais informações sobre o Anuário e suas edições anteriores podem ser obtidas no saite da Devir Livraria, e pelo email marialuzia.devir@gmail.com.
O Anuário comparece à Fantasticon desde a sua primeira edição. Trata-se uma publicação de discussão, registro e memória da literatura fantástica brasileira, que acompanha atentamente a evolução do gênero no Brasil desde o ano de 2004 (publicado em 2005), sendo esta é a sua oitava edição, a terceira sob o selo da Devir Livraria.
A Fantasticon acontece nos dias 15, 16, 22 e 23 de setembro, no auditório da Biblioteca Viriato Correa (Rua Sena Madureira, 298, São Paulo).
Aproveito para reproduzir, a seguir, o relise de divulgação preparado pela editora:
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2011Autores: Marcelo Simão Branco e Cesar Silva
Capa: Rogério Vilela
Selo Enciclopédia Galáctica, setembro 2012.
194 páginas PB em papel off-set 75 g/m²
Formato: 14,0 cm × 21,0 cm
Numa iniciativa dos jornalistas e pesquisadores de ficção científica e fantasia Marcello Simão Branco e Cesar Silva, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica foi publicado pela primeira vez em 2005. Apresenta um amplo e profundo panorama do cenário fantástico nacional, em suas três manifestações principais, a ficção científica, a fantasia e o horror, além de contemplar também as criações híbridas entre estes gêneros e os chamados trabalhos de “fronteira”, isto é, o fantástico abordado a partir da perspectiva do mainstream literário.
Contém notícias sobre prêmios e personalidades, artigos sobre o mercado editorial, listas dos livros recomendados lançados durante o ano. Para esta edição de 2011 apresenta um resenhador convidado, que vem a somar com as resenhas dos autores do Anuário aos vários dos principais livros de autores brasileiros e estrangeiros publicados em 2011. Apresenta também ensaio de um especialista convidado, e uma seção histórica com datas e resenhas de livros importantes. A Personalidade do Ano de 2011 é o legendário editor Gumercindo Rocha Dorea, descobridor de talentos e responsável pelas principais coleções de livros de fc do país, nos anos 1960 e 1990. Dorea é contemplado com uma extensa entrevista sobre a sua obra.
O Anuário tem por meta realizar um registro do estado dos gêneros no país, além de auxiliar tanto os leitores em busca do que há de novo, como aos escritores que desejam destrinchar as tendências do mercado. E também a editores e pesquisadores, que estão em busca de um conhecimento mais sistematizado e amplo do que está surgindo e das perspectivas para o fantástico no Brasil.
O Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica recebeu em 2010 o Prêmio “Melhores do Ano”, na categoria “Melhor Não-Ficção”, concedido pelo site Ficção Científica e Afins, da escritora Ana Cristina Rodrigues.
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“Embora a literatura fantástica enfrente muitos desafios no Brasil, um trabalho árduo de crítica e pesquisa como o do Anuário permite uma base sólida para o desenvolvimento de pesquisas e publicações”.
— Rachel Haywood Ferreira, Iowa State University.
“As suas carreiras críticas — existentes há anos em várias publicações, e há seis anos no Anuário —, são o balanço global dos gêneros literários que vocês analisam, o mais competente, sério e abrangente, dentro do universo crítico brasileiro.”
— André Carneiro, autor de Confissões do Inexplicável.
“O Anuário é uma das publicações de crítica de ficção especulativa mais independentes e de maior personalidade no país. Editores, pesquisadores, colecionadores de livros, escritores e fãs devem encontrar uma fonte de consulta, de avaliações e de opiniões críticas inestimável para dar perspectiva ao momento atual.”
— Roberto de Sousa Causo, Terra Magazine.
“Um projeto raro e ambicioso, que apresenta uma perspectiva global e sistematizada a respeito do mercado no Brasil e confere-lhe uma unidade na qual os autores poderão posicionar-se. Além disso, contribui para o crescimento da crítica profissional e do estudo acadêmico, essenciais ao desenvolvimento de qualquer literatura."
— Luís Filipe Silva, site Efeitos Secundários (Portugal).
Sobre o selo Enciclopédia Galáctica:
Em 2010, a Devir Livraria inaugurou o selo “Enciclopédia Galáctica”, destinado a obras de não-ficção voltadas para a discussão, análise e registro dos gêneros ficção científica, fantasia e horror na literatura, quadrinhos, jogos, cinema e televisão. O selo busca fomentar a produção crítica a respeito desses gêneros e formas de expressão, em um momento em que cresce muito o interesse pela literatura de ficção científica, fantasia e horror no ambiente acadêmico e literário nacional. O primeiro livro do selo foi Visão Alienígena: Ensaios sobre Ficção Científica Brasileira, de M. Elizabeth Ginway, brasilianista e professora de língua portuguesa e literatura e cultura brasileira na Universidade da Flórida (em Gainesville).
Mais informações sobre o Anuário e suas edições anteriores podem ser obtidas no saite da Devir Livraria, e pelo email marialuzia.devir@gmail.com.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
E por falar em Anuário...
Está no prelo a nova edição do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2011, com um levantamento do estado do mercado editorial da literatura de gênero no país.
O conteúdo passou por algumas reformulações para ganhar agilidade, mas ainda investe em informação e memória, agora com mais resenhas. A edição homenageia, com uma longa entrevista, o legendário editor Gumercindo Rocha Dorea, da GRD, que ao longo da segunda metade do século 20, e ainda hoje, construiu um valioso catálogo nos gêneros fantásticos. A capa recebe uma ilustração belíssima de Rogério Vilela.
O livro estará disponível em algumas semanas no saite da Devir Livraria.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
O lado b da literatura
Há alguns anos surgiu na internet uma lista de discussão sobre a fc&f no espaço acadêmico, e um dos grandes debates de então era a viabilidade de se criar uma publicação, possivelmente periódica, para abrigar ensaios e monografias acadêmicas sobre o gênero. Apesar de ter muita gente graúda no debate, a proposta não passou disso e foi enterrada no "cemitério da fc", como dizia o saudoso fanzineiro e colecionador de livros Ruby F. Medeiros. Mas é fato que, cada vez mais pesquisadores têm se dedicado a estudar os gêneros em suas muitas manifestações midiáticas; já há algum tempo que são publicados pelo menos três bons livros a cada ano. Por isso, enfim, podemos festejar que aquelas longas discussões começam a dar frutos. Literatura Lado B tem 180 páginas e pode ser obtido gratuitamente, em formato digital, aqui.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
Revolução do gibi
Quem é mais jovem não pode imaginar como era comprometedor gostar de quadrinhos há uns 60 anos. Os gibis formavam então um mercado pujante e forravam as bancas, mas ninguém que quisesse ser levado a sério podia ser pego lendo quadrinhos. Nenhum acadêmico brasileiro se prestaria ao papel de elaborar estudos sobre a arte a não ser que fosse para desqualificá-la. Afinal, a cultura de massa era, e ainda é em algumas escolas, o símbolo maior do imperialismo capitalista no mundo. É o caso da coletânea Revolução do gibi: A nova cara dos quadrinhos no Brasil, de autoria do jornalista e professor universitário Paulo Ramos, que compila artigos e entrevistas publicados pelo autor no Blog dos Quadrinhos, saite de divulgação que tem acompanhado atentamente a indústria das hqs no Brasil nos últimos anos. Dividido em vinte capítulos, cada um deles analisa um momento da evolução recente do mercado dos quadrinhos, tal como o jogo das cadeiras nas bancas, a migração dos quadrinhos brasileiros para as livrarias, o crescimento do mangá, a evolução dos quadrinhos na internet, e por aí vai.
Ramos também é autor de A leitura dos quadrinhos (Contexto, 2009) e Bienvenido: Um passeio pelos quadrinhos argentinos (Zarabatana, 2010), ambos premiados com o Troféu HQMix.
Revolução do gibi tem 520 páginas e é uma publicação da Devir Livraria.
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Arte de Edgar Franco é tema de ensaio acadêmico
A editora alternativa Marca de Fantasia anunciou o lançamento de Os quadrinhos poéticos e filosóficos de Edgar Franco, ensaio acadêmico de autoria de Elydio Santos Neto, pós-doutor em artes pela UNESP e professor da UFPB, dedicado a analisar a obra do quadrinhista Edgar Franco, artista bem relacionado no meio dos fanzines e cujas ideias vão ao encontro de muitas discussões próprias da ficção científica, especialmente o pós-humanismo.
A publicação é ligada ao programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba e o lançamento acontece no próximo dia 2 de março, às 19 horas, na Comic House em João Pessoa/PB.
O prefácio do volume é assinado pelo próprio editor, Prof. Henrique Magalhães, que é doutor em Sociologia pela Universidade Paris VII e professor do curso de Comunicação Social da UFPB.
A publicação é ligada ao programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba e o lançamento acontece no próximo dia 2 de março, às 19 horas, na Comic House em João Pessoa/PB.
O prefácio do volume é assinado pelo próprio editor, Prof. Henrique Magalhães, que é doutor em Sociologia pela Universidade Paris VII e professor do curso de Comunicação Social da UFPB.
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Resenha: O zen e arte da escrita
Possivelmente um dos lançamentos mais importantes de 2011, O zen e a arte da escrita, de Ray Bradbury, é uma pequena joia.
Bradbury dispensa apresentações, visto ser um dos mais expressivos nomes da literatura norte americana contemporânea. Hoje com 81 anos, é autor de Farenheit 451, O vinho da alegria, O país de outubro, Crônicas marcianas, Algo de sinistro vem por aí, Os frutos dourados do Sol e muitos outros títulos entre romances, coletâneas, peças de teatro e poemas, navegando pela ficção científica, a fantasia, o horror e o mistério e o realismo com igual talento e desenvoltura, sendo respeitado pelo mainstream. Sua ficção continua atual e impactante, e influencia autores em todo o mundo. Então devemos prestar muita atenção nos seus conselhos.
O livro, de apenas 168 páginas, reúne onze ensaios deste mestre, alguns deles originalmente apresentações ou prefácios de outros livros. São eles: "A alegria da escrita", "Corra, pare, ou a coisa no topo da escada, ou novos fantasmas de mentes antigas", "Como manter e alimentar a Musa", "Bêbado e no comando de uma bicicleta", "Investindo moedas: Fahrenheit 451", "Apenas este lado de Bizâncio: O vinho da alegria", "Sobre os ombros de gigantes", "Crepúsculo nos museus de robô: o renascimento da imaginação", "A mente secreta", "O zen e arte da escrita" e "Sobre criatividade", este último um conjunto de sete poemas. A certa altura, um pequeno bônus: um trecho alternativo inédito para Farenheit 451, a cereja deste bolo bradburiano.
Diz o relise: "Neste livro exuberante, o incomparável Ray Bradbury compartilha sua sabedoria, experiência e estímulo de uma vida de escritor. Aqui estão dicas sobre a arte da escrita dadas por um mestre do ofício. Um livro que reúne tudo, desde encontrar ideias originais até desenvolver a própria voz e o estilo, bem como leituras, impressões da infância e os bastidores da notável carreira de Bradbury como um autor fecundo de romances, contos, poemas, roteiros de filmes e peças de teatro. O zen e a arte da escrita é mais do que um simples manual para o aspirante a escritor, é uma celebração do ato da escrita, que vai encantar, exaltar e inspirar o escritor em você".
O livro é quase uma autobiografia, já que Bradbury trabalha o conteúdo a partir de sua própria vida, contando o modo como funciona a sua mente - ele lembra detalhes de sua mais tenra infância, quando ainda sequer sabia falar - e as experiências traumáticas pelas quais passou e que o levaram a se tornar o poeta que aprendemos a apreciar.
Em tese, é um manual de escrita criativa que orienta a escrever melhor. Mas vai muito além disso, discutindo questões filosóficas de grande profundidade que podem melhorar não apenas a forma como se escreve, mas o modo como vivemos.
Uma frase do autor resume brilhantemente o conselho de Bradbury para os leitores: “Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é a sua vez. Pule!”.
Não entendeu? Então não perca mais tempo e leia o livro.
Bradbury dispensa apresentações, visto ser um dos mais expressivos nomes da literatura norte americana contemporânea. Hoje com 81 anos, é autor de Farenheit 451, O vinho da alegria, O país de outubro, Crônicas marcianas, Algo de sinistro vem por aí, Os frutos dourados do Sol e muitos outros títulos entre romances, coletâneas, peças de teatro e poemas, navegando pela ficção científica, a fantasia, o horror e o mistério e o realismo com igual talento e desenvoltura, sendo respeitado pelo mainstream. Sua ficção continua atual e impactante, e influencia autores em todo o mundo. Então devemos prestar muita atenção nos seus conselhos.
O livro, de apenas 168 páginas, reúne onze ensaios deste mestre, alguns deles originalmente apresentações ou prefácios de outros livros. São eles: "A alegria da escrita", "Corra, pare, ou a coisa no topo da escada, ou novos fantasmas de mentes antigas", "Como manter e alimentar a Musa", "Bêbado e no comando de uma bicicleta", "Investindo moedas: Fahrenheit 451", "Apenas este lado de Bizâncio: O vinho da alegria", "Sobre os ombros de gigantes", "Crepúsculo nos museus de robô: o renascimento da imaginação", "A mente secreta", "O zen e arte da escrita" e "Sobre criatividade", este último um conjunto de sete poemas. A certa altura, um pequeno bônus: um trecho alternativo inédito para Farenheit 451, a cereja deste bolo bradburiano.
Diz o relise: "Neste livro exuberante, o incomparável Ray Bradbury compartilha sua sabedoria, experiência e estímulo de uma vida de escritor. Aqui estão dicas sobre a arte da escrita dadas por um mestre do ofício. Um livro que reúne tudo, desde encontrar ideias originais até desenvolver a própria voz e o estilo, bem como leituras, impressões da infância e os bastidores da notável carreira de Bradbury como um autor fecundo de romances, contos, poemas, roteiros de filmes e peças de teatro. O zen e a arte da escrita é mais do que um simples manual para o aspirante a escritor, é uma celebração do ato da escrita, que vai encantar, exaltar e inspirar o escritor em você".
O livro é quase uma autobiografia, já que Bradbury trabalha o conteúdo a partir de sua própria vida, contando o modo como funciona a sua mente - ele lembra detalhes de sua mais tenra infância, quando ainda sequer sabia falar - e as experiências traumáticas pelas quais passou e que o levaram a se tornar o poeta que aprendemos a apreciar.
Em tese, é um manual de escrita criativa que orienta a escrever melhor. Mas vai muito além disso, discutindo questões filosóficas de grande profundidade que podem melhorar não apenas a forma como se escreve, mas o modo como vivemos.
Uma frase do autor resume brilhantemente o conselho de Bradbury para os leitores: “Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é a sua vez. Pule!”.
Não entendeu? Então não perca mais tempo e leia o livro.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Caligari: do cinema aos quadrinhos
Recebi diretamente do autor Gian Danton, o arquivo completo de Caligari: do cinema aos quadrinhos, ebook de 44 páginas, número 19 da Série Veredas da Editora Marca de Fantasia, agora em sua fase virtual.Caligari tem dois focos principais, complementares e interessantíssimos. O primeiro é um ensaio assinado por Danton sobre O gabinete do Dr. Caligari, clássico expressionista alemão, dirigido por Robert Wiene em 1920 que, por si, já vale totalmente a edição. Contudo, as páginas finais deste volume trazem ainda uma adaptação do filme em sete páginas de quadrinhos, com roteiro de Danton e os irrepreensíveis desenhos de José Aguiar, originalmente produzida para a revista Manticore, mas que persistia inédita até esta publicação.

Diz o relise: "Em Caligari: do cinema aos quadrinhos, o roteirista Gian Danton (Ivan Carlo Andrade de Oliveira) analisa o filme desde a elaboração do roteiro à sua influência para o cinema mundial e em especial para o cinema alemão. Aborda também questões polêmicas, como a moldura introduzida no roteiro por Fritz Lang, e os cenários pintados com a técnica expressionista, que permitiu à película mostrar uma realidade mental, absolutamente revolucionária para a época."
A publicação pode ser conseguida gratuitamente, bastando solicitar uma cópia do arquivo ao editor, aqui.
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