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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Resenha: Quimeras do agora, Ana Rüsche

Quimeras do agora: Literatura, ecologia e imaginação política no Antropoceno
, Ana Rüsche. 152 páginas. São Paulo: Bandeirola, 2025.

Só pelo título já dá para concluir: Quimeras do agora é um livro acadêmico. E é mesmo. Trata-se de um ensaio elaborado pela pesquisadora Ana Rüsche durante o pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP), publicado em 2025 pela Editora Bandeirola. Os temas do trabalho, como se pode imaginar, são as mudanças climáticas e a ficção científica. Um tema complexo, sem dúvida, uma vez que a crise climática não é consenso entre os  intelectuais. Muitos deles ainda afirmam que o aquecimento global é um fenômeno natural que nada tem a ver com a ação humana sobre o planeta e que é a leitura marxista do mundo que leva a essa interpretação radical. 
Rüsche não entra no mérito; seu objetivo é identificar exemplos do tratamento do tema na produção literária de ficção científica e nisso é um trabalho provavelmente pioneiro no ambiente acadêmico brasileiro. A pesquisadora tem se dedicado às questões ambientais na ficção científica, que ganharam fôlego com o surgimento de um tipo de ficção especificamente voltado às questões ambientais, que tem sido chamado de Solapunk, sobre o qual também ainda não há consenso. Tudo é muito novo e um tanto assustador, mas tem conquistado autores e muitas parte do mundo, como é possível conferir na antologia Como aprendi a amar o futuro, organizada por Francesco Verso e Fabio Fernandes, e publicada em 2023 pela Editora Plutão (com uma resenha disponível aqui). Mas a pesquisa de Rüsche tem objetivos mais profundos e tão interessantes quanto. 
O ensaio tem introdução do biólogo Marcos Rodrigues (Unicamp) e um apêndice de referência sobre obras citadas. O corpo principal do texto está dividido em oito capítulos. 
Os dois primieros, "Um demônio com muitos nomes" e "Antropoceno: um nome para o consenso científico?" – que abrangem praticamente metade do ensaio –, são dedicados a elaborar uma levantamento genealógico do termo "Antropoceno" que, na definição do senso comum, poderia significar uma era geológica marcada pela ação humana sobre o meio ambiente. Mas Rüsche não se limita a essa leitura superficial e se aprofunda em inúmeras definições outras, que passam pelo "Capitaloceno" de Andreas Malm, o "Plantationceno" de Anna Tsing, o "Chthuluceno" de Donna Haraway, entre outros. Trata-se da parte mais interessante e rica do ensaio, com muitos aspectos próprios para citações em pesquisas futuras.
Em "Monstros mostram: a fantasia de Frankenstein", Rüsche inicia a aproximação das questões ambientais com a fc propriamente dita, buscando detalhes da obra fundadora do gênero que possam ser vinculadas a conceitos antropocênicos, no qual teve de ser bastante criativa. 
"Um problema de cognição? A apatia e o capitalismo de vigilância" vai buscar vículos entre o Antropoceno e o capitalismo (reforçando a ideia de uma leitura marxista), cuja base mais evidente é a afirmação "é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo". Verdade. Isso leva a outra conclusão importante do ensaio, que identifica a absoluta inadequação da literatura realista em lidar com as questões climáticas. Logo, apenas a literatura especulativa – a ficção científica –, teria essa condição. E também é verdade. 
Em "Utopias e o paradoxo da quimera", "Ecocídio, devastação e resistência em Floresta é o nome do mundo" e "Distopias e colonialismo: a pedagogia da catástrofe" a pesquisadora finalmente mergulha na análise de obras de ficção científica (alguns diriam que nem tanto): Utopia, de Thomas More, Floresta é o nome do mundo, de Ursula K. Le Guin, e Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão – única obra de escritor brasileiro analisada.  
O trabalho é completado em "A petição pelo impossível", que conclui: "A literatura é um valioso campo de prova de nossas ideias mais delirantes, e precisamos justamente desse arroubos e delírios para nos devolver a capacidade de sonhar coletivamente." O que também é uma verdade.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Lançamento: Contos do Reino Perigoso, J. R. R. Tolkien

Depois das adaptações do cinema, Tolkien se tornou um poderso caçaníqueis para editores ao redor do mundo. Além de republicações de seus livros principais, surgiram novos textos, reescritos por seus herdeiros, que buscam a todo custo ampliar o mundo criado pelo autor inglês. 
Mas Tolkien não escreveu apenas histórias passadas na Terra-Média. Há uma série de outros livros do autor que não recebem a mesma atenção dos editores. 
Contos do Reino Perigoso é uma coletânea de novelas e contos não necessariamente ligados a Saga do Anel, que mostram outros viézes da obra tolkenia. 
Diz o texto de apresentação: "Contos do Reino Perigoso reúne pela primeira vez em um único volume as histórias mais imaginativas (e muitas vezes esquecidas) do mestre da fantasia, J.R.R. Tolkien: os clássicos infantis 'Roverando', 'Mestre Giles d’Aldeia' e 'Ferreiro do Bosque Maior', o conto 'Folha de Cisco' e uma tradução inédita do livro de poemas 'As aventuras de Tom Bombadil'. A edição ganha vida com as inconfundíveis ilustrações à lápis de Alan Lee, artista vencedor do Oscar que também assina o posfácio. O livro também inclui uma introdução do tolkienista Tom Shippey e o aclamado ensaio 'Sobre estórias de fadas', que oferecem aos fãs da Terra-Média e entusiastas da fantasia uma visão fascinante da genialidade de Tolkien e seu processo criativo."
O volume tem 432 páginas, tradução de Cristina Casagrande, Reinaldo José Lopes e Rosana Rios e é uma publicação da editora HarperCollins Brasil.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Filamentos

Filamentos
é um programa de leitura coletiva crítica com foco na ecologia que, desde 2022, atua através da internet em grupos de discussão, encontros virtuais e festivais, e já rendeu o livro Filamentos: Leituras ecológicas comentadas - Diário de campo, da escritora e pesquisadora Ana Rüsche, publicado em 2025 pela Editora Bandeirola. Rüsche também assina a curadoria do programa.
Diz o texto de apresentação: "Com encontros mensais, estruturados a partir da leitura de obras clássicas e contemporâneas de ficção e não ficção, são aprofundados temas nevrálgicos sobre a questão ecológica e a crise climática. Nos últimos quatro anos estivemos em contato com uma bibliografia atualíssima e impactante, discutindo textos teóricos e literários de forma concomitante, tudo para aguçar os sentidos, provocar estranhamentos, desfocar a obviedade do olhar para atingir mais longe e com mais clareza."
Filamentos mantém um programa de arrecadação permanente, através do qual os interessados podem se juntar ao grupo e ter acesso às discussões e aos eventos promovidos. O objetivo é "conseguir o apoio necessário para manter a pesquisa, a produção do pensamento independente e reflexivo. E ampliar ao máximo o alcance da discussão de tema tão urgente quanto o da crise climática". O projeto oferece descontos para professores das redes pública e privada.
Mais informações, bem como a programação do projeto para 2026, podem ser encontradas aqui.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Em campanha: Fã-autor, Mayara Barros

Fã-autor: Experiências colaborativas e criativas no universo das fanfics
é a tese de mestrado da pesquisadora Mayara Barros que está em uma campanha de financiamento direto. Trata-se de um estudo a respeito da produção de fanfics, atividade que se expandiu explosivamente a partir do advento da internet e das redes sociais.
Não que a prática seja uma novidade: desde o início do século XX que os fãs apaixonados por alguns tipos de literatura praticam a arte de se apropriar de seus universos favoritos para criar novas histórias, usando os mesmos personagens da aventura original ou aproveitando apenas sua ambientação, criando todo um novo núcleo dramático. Talvez o caso mais significativo e longevo dessa prática sejam as fanfics de Sherlock Holmes, algumas cometidas por fãs muito famosos, como Jô Soares, por exemplo.  Depois vieram fanfics do seriado de tv Star Trek, das séries de fantasia O senhor dos Aneis e Harry Potter, e a coisa toda só tem crescido, inclusive no Brasil. E é justamente esse o foco da pesquisa. 
Diz o texto de apresentação da obra: "O livro mapeia práticas narrativas, criativas e colaborativas possíveis na cultura digital a partir da relação dos fãs com os produtos de entretenimento no universo das fanfictions brasileiras. A partir de conceitos de cultura do fã, cultura participativa, teorias literárias e cognição atuada, a autora faz uma etnografia virtual para analisar as fanfics selecionadas e entrevistar os autores, numa tentativa de demonstrar que a prática da fanfic é dialógica, criativa e intertextual por natureza. Por ser um mergulho no universo dos fãs brasileiros, mostrando como a relação com o entretenimento pode ser mais profunda do que muitos assumem, esta obra é para todos que têm interesse em entender um pouco mais sobre as relações entre fãs e criatividade."
Mayara Barros é Doutora em Comunicação Social pelo PPGCOM/UERJ, escritora, ilustradora e designer de jogos. É autora da coletânea de contos Caleidoscópio (2016, Illuminare) e integra a equipe podcast Andarilhos do Imaginário
A publicação terá 96 páginas e publicação pela Editora Appris. Apoios podem ser confirmados até o dia 19 de fevereiro, aqui.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Lançamento: Entornos do gótico e do fantástico, Volume 2

Está disponível um segundo volume de Entornos do gótico e do fantástico, antologia de ensaios acadêmicos organizada pelos pesquisadores Cido Rossi, Stéfano Stainle, Laís Rodrigues Alves Martins e Jonathan Eliã de Almeida Nunes para a Editora Pedro & João.
Diz o texto de divulgação: "São doze capítulos, os quais trazem abordagens teórico-críticas diversas tanto sobre o universo ficcional de Harry Potter quanto sobre outros universos ficcionais. Da Literatura à Arquitetura, passando pela Poesia e pelas Poções, esses textos enriquecem a fortuna crítica das obras neles analisadas ao se voltarem à perspectivas e ideias inovadoras."
O livro tem 256 páginas e está disponível em formato ebook aqui, para leitura e download gratuitos. 
O primeiro volume, publicado em 2023 pela mesma editora, continua disponível.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Lançamento: Vertentes do insólito ficcional – Ensaios III

Está disponível a antologia de ensaios acadêmicos Vertentes do insólito ficcional - Ensaios III, organizada por Flavio García e Bruno Anselmi Matangrano para a Editora Dialogarts. 
A obra reúne textos que trabalham "sobre as variadas manifestações do gótico, passando também pela fantasia e pelo fantástico estrito senso", com os seguintes textos: "À volta do insólito ficcional", de Flavio García; "Nas fronteiras do insólito ficcional pelos mirantes do gênero, modo e categoria", de Marisa Martins Gama-Khalil; "As poéticas do mal na literatura brasileira: fundamentos de pesquisa", de Júlio França e Daniel Augusto P. Silva; "O medo admoestatório: 'A missa do galo' (1839),de Maciel da Costa, e a literatura de medo anterior à Noite na taverna (1855), de Álvares de Azevedo", de Laura Cardoso; "A figura da mulher monstruosa em 'A feiticeira' (1849) de Antônio Joaquim da Rosa", de Ana Giulia Mussury Ruas Tostes; "A espada da surpresa: uma filosofia chestertoniana do terror e do horror", de Luís Guilherme Comar Freza; "Personagens traumatizados na literatura pós-primeira guerra: uma breve análise", de Bernardo Rapp; "Nossa parte do gótico: duas abordagens do gótico pós-colonial contemporâneo', de Emannuel Gonçalves Gomes; "Terror cósmico em 'Sinos da tormenta', de Larissa Prado: entre tradição e subversão", de Nathalia Sorgon Scotuzzi;  "Sigurd, o Volsungo reconstruído por Tolkien", de Samuel Renato Siqueira Sant’Ana, "Mundos insólitos de Haruki Murakami: um estudo da representação do empírico e do metaempírico em 1Q84", de Ananda Maria Ferreira Missailidis; e "Figurações do insólito na literatura contemporânea", de Shirley de Souza Gomes Carreira. 
O volume tem 282 páginas e está disponível unicamente e, formato difital, que pode ser baixado gratuitamente aqui.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Quadrinhos e cultura pop: Estudos interdisciplinares

Os professorres Ivan Carlo Andrade Oliveira e Rafael Senra Coelho organizaram para a Editora da Universidade Federal do Amapá o primeiro volume do livro Quadrinhos e cultura pop: Estudos interdisciplinares, com artigos apresentados no V Aspas Norte - Congresso Internacional de Cultura Pop da Amazônia, que aconteceu em 2023 em Macapá.
Estes são os artigos e ensaios publicados: 
- "Narrativa sobrenatural na região amazônica: encantamento na história em quadrinhos Cobra Sofia (2021), de Rafael Senra", Vinicius Guido Leal Juarez e Rafael Senra; 
- "Cobra Sofia, de Rafael Senra: uma HQ para se falar dos bichos e do folclore brasileiro", Elidiomar Ribeiro Da-Silva;
- "História em quadrinhos – esse boto tem história!", Glória Maria Carvalho Cunha e Neurizete de Almeida Duate;
- "Jeremy Strong e as técnicas hiper-reais de atuação: o espaço da ficção no imaginário profissional", Mickael Marques Nobre;
- "O arquétipo do amante e sua correspondência na tirinha falando da vida alheia", Ezequias Corrêa e Lorenna Braga;
- "Análise comparativa da representação negra em quadrinhos paraenses: Zagaia e Turma do Açaí", Kátia Anaiane Soares Passarelli Gyselle Kolwalsk Cruz de Lima e Netília Silva dos Anjos Seixas;
- "O psicodélico nas histórias em quadrinhos do Doutor Estranho", João Pedro Duarte Ferreira e Ivan Carlo Andrade de Oliveira; 
- "O cinema na politização da arte em O gabinete do Doutor Caligari", Paulo Rafael Santos Silva.
O volume tem 177 páginas e está disponível para download gratuito no site da Editora Unifap.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

A história do livro: Marcos e transformações, Ana Lúcia Merege

Além do evidente interesse deste blogue pela ficção fantástica, outro tema que apaixona os fãs da literatura é a indústria editorial. E, neste campo, a história do livro é um dos assuntos mais instigantes, mas que conta com pouca literatura disponível. 
Há alguns anos, resenhei aqui o livro de ensaios Impresso no Brasil: Dois séculos de livros brasileiros, organizado por Aníbal Bragança e Márcia Abreu, e publicado pela Editora Unesp em 2011.
E o tema volta, agora pela Fundação Biblioteca Nacional - FBN, com a publicação de A história do livro: Marcos e transformações, reunindo trinta e oito artigos da fantasista e pesquisadora carioca Ana Lúcia Merege, que tratam justamente da história do livro e sua chegada ao Brasil.  
Diz o texto de divulgação: "Os artigos foram publicados anteriormente na página oficial e nas redes sociais da instituição, a maior parte entre 5 de maio de 2020 e 26 de junho de 2021, e trazem também imagens do acervo digitalizado da Biblioteca Nacional, por meio da BNDigital e da Hemeroteca Digital."
O volume tem 202 páginas, prefácio do Professor Dr. Fabiano Cataldo, e está disponível gratuitamente, em versão digital, aqui.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Imaginários tecnocientíficos 3

Está disponível aqui para leitura e download gratuitos a terceira edição do periódico acadêmico Imaginários tecnocientíficos, uma publicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - FEUSP, organizada por Juliana Michelli S. Oliveira, Rogério de Almeida e Jean-François Chassay. 
A edição tem 335 páginas e traz uma seleta de artigos e ensaios que investigam a relação entre ciência e ficção, entre as ciências da natureza e de humanidades. 
Diz o editorial: "este volume busca explorar as contribuições mútuas entre a ciência e a ficção, com foco especial na literatura. Os textos apresentados completam a trilogia da coleção Imaginários Tecnocientíficos, dedicada a investigar as imagens que ciên­cia e técnica atribuem a seus objetos de estudo, refletindo sobre as caracterís­ticas que as aproximam — ou diferenciam — do imaginário de outros campos, como a literatura e as artes. Com textos de pesquisadores do Brasil e do Cana­dá, oriundos de estudos relacionados a literatura, educação, artes, design e co­municação, esta obra estrutura-se em quinze capítulos distribuídos em três seções: Horizontes imaginados, explora a complexa relação entre ciência e ficção, examinando como os dois campos se influenciam mutuamente; Horizontes pa­ralelos, com foco na representação na ficção científica; e Horizontes disruptivos, que reflete sobre os impactos culturais e sociais das tecnologias atuais". 
Entre os autores, reconhecemos os ficcionistas Fábio Fernandes da Silva e André Cáceres, com artigos sobre inteligência artificial e as ferramentas de compreeensão da fc, respectivamente, além de um artigo assinado por Marcos N. Beccari sobre O homem do castelo alto, de P. K. Dick.
O Volume 1 e o Volume 2 também estão disponíveis.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Uma realidade do além: O terror cósmico como conceito, Nathalia Sorgon Scotuzzi

Uma campanha de financiamento direto foi lançada pela Editora Diário Macabro para viabilizar a publicação do livro Uma realidade do além: o terror cósmico como conceito, tese de doutorado da pesquisadora Nathalia Sorgon Scotuzzi, abordando a obra do escritor americano H. P. Lovecraft. 
Diz o texto de divulgação: "A ideia deste trabalho é a de definir o terror cósmico como uma categoria estética que pode estar presente em diferentes gêneros literários, em especial o horror e a ficção científica. A autora defende o uso do termo “terror” — e não “horror” — para se referir a esse conceito, pois o terror é uma emoção de apreensão diante do desconhecido, enquanto o horror se refere a uma emoção mais direta e visceral. Scotuzzi compara o terror cósmico ao conceito de sublime e explora como ele afeta leitores e personagens, a partir de temas diversos, como seres extraterrestres, arte, exploração científica e ameaças incompreensíveis. Além disso, a autora lista quais recursos narrativos propiciam a criação do efeito do terror cósmico no leitor. A base para a investigação é construída tanto pela obra de Lovecraft quanto de outros autores, como Algernon Blackwood, Frank Belknap Long e Arthur Machen. O referencial teórico inclui autores como Edmund Burke, João Pedro Lima Bellas, Vivian Ralickas, David Roas, Noël Carroll, Wolfgang Iser e S. T. Joshi."
Scotuzzi é doutora Estudos Literários pela UNESP/FCL-Ar, editora e tradutora da Diário Macabro. Publicou em 2019 o ensaio Relances vertiginosos do desconhecido, que foi sua tese de mestrado e faz parte das muitas recompensa oferecidas aos apoiadores da campanha de seu novo livro.
Para apoiar, até o dia 7 de janeiro de 2025, visite a  página da campanha, aqui.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Silverberg ao alcance de todos

Conforme foi adiantado aqui, está disponível a nova edição de Os mundos abertos de Robert Silverberg, ensaio de autoria do Professor Doutor Marcello Simão Branco que, em 208 páginas, faz um levantamento crítico da ficção curta desse importante e prolífico escritor americano. Trata-se de uma publicação da editora Mojunganide, em seu selo Yhade, especializado em obras nesse estilo. 
Diz o texto de divulgação "Um dos grandes nomes da ficção científica no século XX, o autor americano Robert Silverberg tem a sua ficção curta disponível em português avaliada em profundidade neste notável Os mundos abertos de Robert Silverberg, originalmente publicado em 2004. Uma pesquisa de fôlego, e ensaio crítico entusiástico e perspicaz enriquecido com extenso levantamento bibliográfico disposto em listas e tabelas."
O volume está disponível aqui, unicamente em formado digital.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Lançamento: Os mundos abertos de Robert Silverberg, Marcello Simão Branco

Está chegando, em uma belíssima edição revisada e ampliada, o ensaio Os mundos abertos de Robert Silverberg: Ficção científica curta em língua portuguesa, que o pesquisador Marcello Simão Branco publicou em 2004 em uma versão mais modesta, produzida de forma artesanal pelo selo Hiperespaço. Na época, foram publicados apenas cinquenta exemplares que logo esgotaram, mas o material não foi reeditado. Até agora. 
O ensaio ganha hoje uma merecida edição profissional pela editora Mojunganide em seu selo Yhade, marcando os vinte anos da publicação original. 
O volume tem 156 páginas e traz diversos estudos sobre a ficção curta (contos e novelas) do escritor americano Robert Silverberg traduzida para o português e publicada no Brasil e em Portugal. Além de artigos, o livro traz muitas tabelas de referência, com dados detalhados da publicação de cada texto, bem como informações de toda a sua extensa obra. 
O volume ainda conta com belíssimas aquarelas de Daniel Abrahão – que também assina a capa –, prefácio de Cesar Silva e design de Taira Yūji. 
Marcello Simão Branco é jornalista, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Professor da Universidade Federal de São Paulo, é autor de Democracia na América Latina: Os desafios da construção (2007) e coeditor, com Claudia Moraes de Souza, da reunião de ensaios Brasil 200 anos: Trajetória, identidade e desafios (2022). Com Cesar Silva, produziu várias edições do Anuário brasileiro de literatura fantástica (2005 a 2015) e, mais recentemente, do Almanaque da arte fantástica brasileira (2022). Branco editou a antologia internacional Assembleia estelar: Histórias de ficção científica política (2011), e, com Silva, a antologia seminal As melhores histórias brasileiras de horror (2018). 
Este é o segundo livro do selo Yhade, dedicado a estudos sobre autores de ficção científica. O primeiro, lançado em 2023, foi André Carneiro nos quânticos da incerteza: O centenário, do pesquisador Ramiro Giroldo. 
Os Mundos Abertos de Robert Silverberg estará disponível em maio na Amazon.com, exclusivamente em formato digital.

domingo, 31 de março de 2024

Estrelas: Mulheres pioneiras da ficção científica

A ficção científica tem uma enorme dívida com as escritoras mulheres. Para começar, foi uma mulher, a escritora inglesa Mary Shelley, que produziu o texto que muitos consideram a obra fundadora do gênero: Frankenstein ou O Prometeu moderno. Depois dela, muitas outras escritoras contribuíram de forma relevante para com a formação do gênero, mas foram apagadas ou simplesmente deixadas de lado diante da produção avassaladora de ficções para meninos adolescentes escritas por homens. O gênero se tornou um Clube do Bolinha, no qual menina não entrava. Algumas autoras inclusive disfaçavam seus nomes - a ainda fazem isso hoje - citando apenas as iniciais e o sobrenome e, até mesmo, deixavam seus maridos assumirem a autoria das peças. 
Tocado por esse vergonhoso paradigma, o organizador e editor Rubens Angelo selecionou oito contos de autoras marcantes para formar a antologia Estrelas: Mulheres pioneiras da ficção científica, publicada pelo selo Sci-Fi Tropical. São elas: “O mortal imortal” (1833), de Mary Shelley; “Uma nova sociedade” (1841), de Betsey Guppy; “Sequência da visão de Bangor no século XX” (1848), de Jane Sophia Appleton; “Florina” (1883), de Emília Freitas; “Uma viagem à Lua” (1884), de Polly Cabell; “A curiosa experiência de Thomas Dunbar” (1904), de Gertrude M. Barrows; “O sonho da sultana” (1905), de Rokeya Sakhawat Hossain; “Bogotá no ano 2000: um pesadelo” (1905), de Soledad Acosta de Samper.
Além disso, o volume conta com ensaios de Lu Evans, Romy Schinzare, Ursulla Mackenzie, Lady Sybylla e prefácio da Ana Lúcia Merege.
O volume tem 202 páginas e pode ser adquirido aqui, disponível unicamente em formato digital.

terça-feira, 26 de março de 2024

Revista USP e a literatura de entretenimento

Todo mundo concorda que a Universidade de São Paulo, a USP, é uma das mais importantes instituições de ensino do Brasil, logo, uma revista por ela publicada também é respaldada por essa tradição. 
A Revista USP é um periódico trimestral da Superintendência de Comunicação Social da USP, editado por Jurandir Renovato e dedicado a publicar trabalhos de pesquisa acadêmica nas mais diversas ciências. Ter um texto publicado nessa revista é sinônimo de excelência na pesquisa.
O que não se pode dizer, portanto, quando uma publicação desse gabarito dedica praticamente uma edição inteira à ficção de gênero? No mínimo, é algo a não se perder.
Pois é este o caso da edição número 140 desse periódico, que acaba de ser disponibilizado aqui em edição virtual. Sob o subtítulo de "Literatura de entretenimento – Cultura de massa e reflexão: Um panorama dos gêneros literários contemporâneos", a revista traz oito ensaios assinados por Jean Pierre Chauvin, Sandra Reimão, Romy Schinzare, Oscar Nestarez, Caio Alexandre Bezarrias, Cleber Vinicius do Amaral Felipe, Ricardo Iannace e Sandra Trabuco Valenzuela, abordando literatura policial, ficção científica, horror e fantasia. Também traz textos sobre direitos humanos, cultura, arte e resenhas.
A versão virtual tem 193 páginas (sem contar a capa, que não vem no pdf) e também está disponível em versão impressa. Uma ótima razão para não se perder a próxima Festa do Livro da USP.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Lançamento: História e ficção científica

Já está disponível aqui o livro História e ficção científica: locomotivas, androides e outras viagens do metaverso, ensaio acadêmico de Luiz Aloysio Rangel, publicado pela editora Contexto.
O volume de 224 páginas traz, como anuncia o título, um estudo sobre a relação da ficção científica com a História. Diz o texto de apresentação "É possível entender o mundo em que vivemos a partir de obras de ficção científica? Articulando diversas áreas, como Antropologia, Sociologia e Semiótica, além da História, este livro aborda o processo histórico de formação da contemporaneidade a partir de livros e filmes de ficção científica. As obras escolhidas expressam de maneira singular o contexto mental e cultural dos autores que as conceberam e das sociedades que as fruíram. Assim, fornecem pistas de ideias, desejos e anseios manifestados em face do fervor do desenvolvimento científico, bem como das respectivas transformações sociais e políticas que definiram os contornos do mundo atual." 
Luiz Aloysio Rangel é bacharel e mestre em História Social pela PUC-SP. Uma boa entrevista com o autor, conduzida por Tiago Meira, pode ser acompanhada no podcast Viva Sci-Fi, aqui.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Relatório Quadrinhopédia

Relatório Quadrinhopédia do mercado editorial brasileiro de quadrinhos (2021-2022)
é uma publicação de perfil acadêmico voltada à análise da publicação de quadrinhos no Brasil, com muitas tabelas e gráficos comparativos que buscam revelar uma radiografia do estado do mercado brasileiro de quadrinhos. A pesquisa foi realizada por Lucio Luiz e publicado pela Editora Quadrinhopédia, de Curitiba, que lhe deu o nome. 
Houve seriedade do pesquisador, a metodologia usada é explicitada na introdução e acredito que suas conclusões são confiáveis e relevantes. Contudo, o maior problema desse tipo de levantamento é que ele é feito unicamente a partir dos títulos publicados, o que pode até ser representativo mas não é fiel quanto à situação efetiva do mercado, uma vez que não leva em consideração o que é mais importante: as tiragens e as vendas. Tais dados são mantidos em absoluto segredo pelas editoras e não é possível aos pesquisadores realmente identificarem quem é que manda no negócio. Uma editora com menos títulos pode ter maior cobertura nos pontos de venda caso invista em tiragens mais volumosas, enquanto uma editora de muitos títulos pode na verdade estar tentando compensar as vendas reduzidas por título ofertando maior quantidade dos mesmos. 
Outro campo desprezado pelo lavantamento é o das publicações virtuais. Ainda que a arte dos quadrinhos ainda não tenha encontrado nos ebooks sua melhor solução e continue sendo dependente da mídia impressa, a publicação digital é uma realidade que já predomina no mercado livreiro em geral. Mais cedo ou mais tarde, os quadrinhos terão de considerar o virtual sob o risco de desaparecer completamente, como já aconteceu com as tiras, por exemplo. Aliás, o próprio Relatório foi publicado em ebook, sinal que se trata de um ambiente editorialmente relevante. 
A publicação tem doze páginas, é gratuita e pode ser baixada aqui.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Insólita 2023

Insólita: Revista Brasileira de Estudos Interdisciplinares do Insólito, da Fantasia e do Imaginário
é um periódico acadêmico dedicado aos estudos do fantástico. Editado por Laura Loguercio Cánepa, Nara Lya Cabral Scabin e Genio de Paulo Alves Nascimento, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi (PPGCOM-UAM), foi lançado em 2021 como publicação semestral que chega agora a sua quinta edição. 
Insólita apresenta artigos e ensaios científicos, mas também traz entrevistas com personalidades do meio, além de poemas que ilustram os volumes.
Esta edição, identificada como número 1 do volume 3, tem 145 páginas e publica o dossiê "A filosofia do horror; o horror da filosofia", organizado por Yuri Garcia e Erick Felinto, o artigo "Mulher-Maravilha e uma nova subjetividade feminista contemporâneaa", de Natalia Engler Prudencio; resenhas de Rafael Malhado ao livro O cartógrafo sem bússola: Vilém Flusser, Prolegômenos a uma teoria do pensamento líquido (2022), de Erick Felinto, e de Bernardo Demaria Ignácio Brum sobre a série Dahmer: Um canibal americano (2022), além de uma entrevista (em inglês) com Angus McFadzean, professor e pesquisador da Universidade de Oxford, criador do conceito “suburbanismo fantástico”. A capa traz uma ilustração do designer Marco A.
A edição pode ser acessada aqui, para leitura e download gratuitos. As edições anteriores também estão disponíveis.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Na literatura, o insólito

O medo foi uma das primeiras emoções exploradas pela literatura fantástica e se formou como um gênero estruturado a partir da obra de Edgar Allan Poe (1809-1849), embora muitos autores anteriores tenham desenvolvido textos que apelavam para o insólito, como Hamlet (1601), de William Shakespeare, O castelo de Otranto (1764), de Orace Walpolle, O manuscrito de Saragoça (1815), de Jan Potocki, e Frankenstein (1818), de Mary Shelley. Séculos de produção que se espalham em múltiplos subgêneros expandidos para além da literatura em diversas mídias e em praticamente todas as culturas e públicos. 
É claro que todo esse material merece, e efetivamente recebe, a atenção dos pesquisadores na academia, como por exemplo na antologia Na literatura, o insólito,  publicada em 2022 pela editora O sexo da Palavra, de Uberlândia/MG. Com organização de Ana Lúcia Trevisan, esta antologia de ensaios tem 182 páginas e traz textos dos pesquisadores Cristhiano Aguiar, Daniele Zaratin, Flavio García, Oscar Nestarez e Luana Barossi. 
O livro pode ser baixado gratuitamente aqui e também está disponível em edição impressa.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Lançamento: Literatura de ficção científica brasileira

Literatura de ficção científica brasileira: perspectivas críticas modernas e contemporâneas
é uma antologia de ensaios acadêmicos organizada pelos pesquisadores Naiara Sales Araújo, Alexander Meireles da Silva e Jucélia de Oliveira Martins através do grupo de pesquisa Ficção Científica, Gêneros Pós-modernos e Representações artísticas na Era Digital – FICÇA, ligado à Universidade Federal do Maranhão - UFMA, e publicado pela editora dessa mesma universidade. 
Trata-se de um volume de 234 páginas com textos tratando de temas diversos ligados à produção de ficção científica no Brasil pelos pesquisadores Octavio Carvalho Aragão Júnior, Victor José Pinto de Almeida, Kelson Rubens Rodrigues Pereira da Silva, Silvana Maria Pantoja dos Santos, Walter Cavalcanti Costa, Késia Rafaelle Ribeiro Andrade, Thalita Ruth Sousa, Gladson Fabiano de Andrade Sousa,  Rita de Cássia Oliveira e Fábio Fernandes da Silva, além dos próprios organizadores. O pesquisador Roberto de Sousa Causo assina a apresentação, na qual apresenta um breve histórico da pesquisa em ficção científica no país e comenta os artigos presentes na edição. A belíssima capa está creditada a Stephane Thayane dos Santos Serejo.
O livro está disponível aqui para download gratuito, sendo também possível adquiri-lo em formato impresso.

sábado, 19 de agosto de 2023

Abusões 21

Em circulação desde 2015, chega ao 21º número a revista virtual Abusões, publicada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e editada pelos professores Flavio García , Júlio França e Regina Michelli. Trata-se de um periódico acadêmico dedicado ao estudo da ficção gótica, fantástica e insólita de modo geral. 
Esta edição tem 401 páginas e apresenta o dossiê "As escritoras latino-americanas e o Insólito Ficcional", que reúne catorze artigos que abordam a obra das autoras Silvina Ocampo, Maria Fernanda Ampuero, Mariana Enriquez, Lygia Fagundes Telles, Conceição Evaristo, Lia Neiva, Elena Garro, Júlia Lopes de Almeida, Marina Colasanti e Raymunda Torres y Quiroga, além de uma entrevista com a jovem escritora brasileira Roberta Spindler, autora dos romances A torre acima do véu (Giz, 2014) e Heróis de Novigrath (Suma, 2018). 
Participam da produção os pesquisadores Raul da Rocha Colaço, Daiane de Moura Rodrigues, Lilian Lima Gonçalves dos Prazeres, Helenice Farias de Brito Silva, Giovanna Suleiman das Dores, Fernanda da Cunha Correia, Laís Gerotto de Freitas Valentim, Tânia Mara Antonietti Lopes, Caio Vitor marques miranda, Ana Lúcia Trevisan, Jucélia de Oliveira Martins, Alexander Meireles da Silva, Natália Pereira Martins, Luiz Manoel da Silva Oliveira, Joaz Silva de Melo, Luciana Mazzutti, Raquel da Silva Ortega, Maria de Fátima Albuquerque, Felipe Krul Bettiol, Diógenes Buenos Aires de Carvalho, Érica Sousa Torres, Daniele Ap. Pereira Zaratin, Rodrigo de Freitas Faqueri, Alexandre da Silva Carvalho e Daniele Ap. Pereira Zaratin. 
Abusões pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui.