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domingo, 20 de setembro de 2026

Lançamento: Eu, a necromante, André Vianco

"No litoral norte paulista, onde a Mata Atlântica sussurra sobre o mar, um domingo comum vira pesadelo. Riz, uma gerente de projetos anoréxica e refém de uma prima-chefe sem escrúpulos, recebe um chamado urgente: há um cadáver no porão. Na obra à beira-mar, conservado pelo salitre e pelo silêncio de décadas, o corpo espera. Ao vê-lo, algo se rompe dentro de Riz — uma fome antiga, visceral e incompreensível domina seus sentidos e turva sua sanidade. Os ossos falam. Os vagalumes pulsam. E aquela coisa morta parece ter esperado por ela. A ganância da prima pode calar a polícia, mas não pode calar os mortos. Entre visões que atravessam o sono e uma fome que cresce para além de qualquer razão, Riz descobre que foi escolhida — não encontrou o cadáver, foi encontrada por ele. Nessa jornada sombria e sem volta, ela ao menos tem a companhia de um rapaz com traços indígenas e cheiro de maré. Mas o destino é dela. Só dela."
Este é o texto de apresentação da série Eu, a necromante, folhetim de horror do escritor paulista André Vianco, autor bestseller que se notabilizou no gênero, com romances como Os sete e Bento.
Eu, a necromante está disponível unicamente em ebook, em três episódios: Os moradores, com 42 páginas, Ela estava aqui, com 74 páginas, e Mactare, com 43 páginas, com edição do próprio autor.

sábado, 5 de setembro de 2026

Lançamento: Efeito de rede, Martha Wells

"Depois de finalmente conquistar sua autonomia e o direito de passar dias trancado maratonando milhares de horas de suas séries de TV favoritas, o Robô-assassino assume a aparentemente simples missão de segurança de uma equipe de pesquisa. Porém, no universo corporativo, o sossego dura pouco: eles sofrem um ataque e a nave em que estavam é arrastada através de um buraco de minhoca direto para um sistema estelar esquecido e inóspito. Sem sinal de feed planetário, cercado por inimigos modificados e com seu próprio código de inteligência artificial em perigo, este segurança relutante precisará arquitetar um plano de resgate arriscado."
Este é o texto de apresentação de Efeito de rede (Network effect), quinto volume da série Diário de um robô-assassino da escritora americana Martha Wells. Antecedido por Alerta vermelho, Condição artificial, Protocolo rebelde e Saída estratégica, a série volta a ganhar interesse devido a uma adaptação para a tv, cujo episódio de estreia acaba de ganhar o prestigioso Prêmio Hugo, prêmio este já recebido pela própria série em si e por vários de seus livros individualmente.
Efeito de rede tem 400 páginas, tradução de Laura Phol e publicação pela Editora Aleph, com data de lançamento agendada para o dia 29 de setembro.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Lançamento: Saída estratégica, Martha Wells

"Após reunir provas cruciais contra a GrayCris, a Unidade de Segurança fugitiva retorna à estação HaveRatton. O plano é simples: entregar os dados à dra. Mensah e garantir a segurança de seus antigos clientes. O problema? Ele é um dos “objetos” mais procurados da galáxia, e a Autoridade Portuária está em alerta máximo. Entre disfarces precários e o risco constante de captura, o Robô-assassino enfrenta seu maior desafio: o reencontro com os humanos que foi obrigado a proteger (e, relutantemente, de quem aprendeu a gostar)."
Este é o texto de apresentação da novela Saída estratégica (Exit strategy), quarto volume da premiada série de ficção científica Diários de um robô assassino, da antropóloga e escritora texana Martha Wells.
O volume tem 240 páginas, formato de bolso, tradução de Laura Pohl, e está em pré-venda aqui pela Editora Aleph, com lançamento agendado para o dia 24 de março.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Os trabalhos de Hércules, Simone Saueressig

"Na Paris de 1889, Arsène Raoul Lupin está focado na sua vida de estudante – mas a aventura nunca está longe. De roubo de livros raros da biblioteca do Liceu, a uma vingança anarquista, ele se depara com um espetacular roubo em cena aberta, documentos perdidos, o cenário de uma de suas mais famosas futuras aventuras, e uma perseguição bizarra em plena Exposição Universal. Um ano da vida de Lupin – já disse o cronista – vale por dez."
Este é o texto de divulgação de Os trabalhos de Hércules, terceiro volume da série de fantasia O jovem Arsène Lupin, da premiada escritora gaúcha Simone Saueressig, inspirada nos trabalhos do escritor francês Maurice Leblanc (1864-1941).
O volume tem 144 páginas e está em pré-venda no saite da Editora Avec, aqui. Os dois primeiros números da série, A dança macabra (2021) e A coroa de ferro (2024) também estão disponíveis.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Lançamento: O crepúsculo das auras, Daniel Renattini

"Alex Cipriani precisa lidar com dois assuntos: o acidente da namorada e a descoberta de que é um elemental do fogo, capaz de conjurar chamas. Seu mundo se choca com novas realidades e ele precisa aprender o quanto antes como sobreviver a esse cenário fantástico. Agora, Alex se vê imerso no intenso treinamento de seus novos poderes. Ao mesmo tempo, precisa lidar com a dor e a fúria que o tomam por completo. A vitória ou a derrota de todos os elementais, ameaçados pela política de controle de Christian, depende de sua evolução. Para impedir que Christian continue em sua jornada obsessiva por poder, Alex e seus aliados terão de encontrar os últimos artefatos ancestrais ainda espalhados pelo mundo. Proteger aqueles que ama e restabelecer a paz em um mundo à beira do caos exigirá de Alex toda a sua força uma última vez."
Este é o enredo de O crepúsculo das auras, quarto e último volume de Hedeiros das estrelas, série de fantasia do escritor Daniel Renattini, que foi antecedido pelos romances O filho do Sol (2017), A melodia da chuva (2019) e O alvorecer das chamas (2023), todos viabilizados através de campanhas de financiamento direto.
Inspirado na saga Percy Jackson, de Rick Riordan, e na animação Avatar: A lenda de Aang, Herdeiros das estrelas tem um público fiel que já lhe rendeu no total mais de R$45 mil em todas as campanhas. A atual, para este quarto volume, receberá apoios até o dia 16 de julho, sendo possível adquirir combos com todos os volumes anteriores, além de brindes diversos. 
Para apoiar, visite a página do projeto, aqui.


sábado, 30 de novembro de 2024

Silo

Por volta de dez mil pessoas vivem em uma torre subterrânea de cento e quarenta andares totalmente isolada da superfície. O complexo é autônomo, reciclando seu próprio oxigênio e água, e produzindo alimentos e energia para toda a população. Tudo isso porque a atmosfera do planeta é mortal para os seres humanos: um simples vazamento poderia trazer a morte para todos. Logo, a única alternativa para a continuidade da vida é manterem-se isolados dentro da torre. 
Décadas antes, um grupo de rebeldes se revoltou e tentou abrir caminho a força para a superficie. A revolta foi contida, mas abalou as relações político-sociais na torre. Desde então, dissidentes que manifestem o desejo de sair recebem permissão para isso desde que se comprometam a limpar a lente da câmera que vigia continuamente a superfície. Porém, todos morreram após alguns minutos de caminhada no exterior. Em todas as vezes, a população a torre assistiu aquelas breves jornadas na esperança de que, finalmente, a pessoa sobrevivesse. Mas isso nunca aconteceu.
Para que a população não aumente, a reprodução é mantida sob controle, e só alguns casais, a cada ano, obtém permissão para gerar filhos. Quando o xerife da torre e sua esposa conquistam essa benção e a alegria de ter um filho parece finalmente ser uma realidade, algo dá errado: a gravidez não se consolida e a mulher, uma importante técnica de TI, começa a desconfiar de que existe algum tipo de conspiração na torre. Isso a coloca em contato com um engenheiro que acredita ser possível obter informações do passado a partir de relíquias tecnológicas ilegais dos tempos pré-torre, para descobrir o que houve com o mundo e encontrar um modo de retornar para a vida na superfície em segurança. A investigação vai colocar em movimento uma série de ações dramáticas que podem por toda a torre em risco. 
Essa é a premissa da série de tv Silo, inspirada na série de romances do escritor americano Hugh Howey – que conta com três volumes: Silo (Wool), Ordem (Shift) e Legado (Dust), publicados no Brasil pela Intrínseca. A série de tv é produzida por Graham Yost e está em exibição desde 2023 no sistema de streaming Apple TV+, e recentemente estreou sua segunda temporada. É estrelada por Rebecca Ferguson, Rashida Jones, David Oyelowo, Common, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez Chinaza Uche e Tim Robbins, ator veterano que também assina a produção. 
A primeira temporada tem dez episódios muito bem produzidos, com cenografia deslumbrante e uma narrativa repleta de mistérios instigantes que vão se complicando a cada novo episódio. A história dialoga de perto com pelo menos dois clássicos da ficção científica: Plano Sete (Level 7, 1959), do escritor israelense Mordecai Roshwald, e A cidade dos asfixiados (La cité des asphyxiés, 1937), do escritor francês Régis Messac. Mas cada uma das histórias têm méritos próprios e valem ser conhecidas. 
Claro que nem tudo é perfeito em Silo. Muitas coisas são mostradas superficialmente, sem que se dedique o mínimo de tempo para explicar como aquilo tudo é possível. A tecnologia, em tudo similar a algo saido dos anos 1990, está em uso há mais de um século e continua funcionando perfeitamente. Mas, do mesmo modo que as histórias de ficção científica espacial não explicam como as naves podem fazer ruídos no vácuo do espaço, é preciso fazer vista grossa para tais inconsistências. Afinal, o que importa são os dramas humanos que se desenrolam ali. Mas algumas coisas são difíceis de ignorar.
Para dar um gostinho, veja aqui o trailer promocional da primeira temporada da série. Os quatro primeiros episódios estão disponíveis no pacote de assinatura da tv a cabo Now, da operadora Claro.

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Estreia: Astronauta

Está estreando hoje, 18 de outubro, uma série de animação que tem tudo para fazer um enorme sucesso. Trata-se de Astronauta, adaptação audiovisual do personagem criado por Maurício de Sousa e recriado por Danilo Beyruth em seis novelas gráficas publicadas na coleção Graphic MSP, entre 2012 e 2022. O Astronauta de Beyruth é mais realista e dramático que o original, mas caiu no gosto dos leitores e animou a HBO Max a investir na produção. 
A história não é exatamente uma transposição daquelas contadas por Beyruth nos quadrinhos, mas uma espécie de prequela, ou seja, algo que teria acontecido antes delas.
Diz a ninopse: "Após integrantes da renomada Agência de Pesquisa Espacial Brasileira, a BRASA, desaparecerem em uma misteriosa missão na Lua, visões estranhas começam a perturbar Pereira, um astronauta recém-afastado da organização. Agora, que seus colegas precisam de um resgate urgente, ele vê a oportunidade perfeita para seguir para o espaço buscando compreender a estranha abdução que vivenciou cinco anos antes. O que ele não imaginava era que estava indo para uma armadilha criado por uma entidade alienígena capaz de colocar em risco não só sua mente, como também toda a humanidade."
A dublagem conta com as vozes de Marco Pigossi, Mel Lisboa, Carol Crespo, Julia Ribas, Francisco Júnior, Marco França, Ricardo Sawaya, Nara Kelly e Francisco Freitas. 
O primeiro episódio de Astronauta já está disponível na plataforma de streaming Max, e o trailer pode ser visto abaixo. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Lançamento: Abdução, Parte VI, Pedroom Lanne

Houve um tempo, não tão distante, quando um livro de ficção científica de um autor nacional era considerado um "tijolo" quando chegava perto de quatrocentas páginas. O feito era visto como algo incomum e admirável, que demonstrava a capacidade do autor não só em colocar palavras no papel, mas de conseguir um editor louco o bastante para investir na empreitada. 
Os tempos mudaram. Hoje não é tão incomum assim encontrarmos livros de fc&f de autores brasileiros que passam das quinhentas páginas, pois as tecnologias favorecem a produção e há inúmeras formas de financiá-la sem correr tantos riscos quanto os que estavam submetidos os editores de vinte ou trinta anos atrás.
Mas ainda é de se espantar que um autor brasileiro consiga dar conta de uma saga de ficção científica em nove volumes tendo cada um deles mais de setecentas páginas. 
Este é o caso de Pedroon Lane, que anunciou há poucos dias o lançamento de Abdução, Parte VI: O epílogo da epopeia terrestre, Livro 9 das série Adução & Abdução, pela editora Aliens. 
Diz o texto de apresentação: "A alienígena Willa é uma heroína anônima cuja presença clandestina na Terra salvou a humanidade do holocausto nuclear. O preço de seu heroísmo, todavia, é alto. Ela acaba confinada no planeta, restrita à companhia de um animal tão estranho como si, moribundo e sarcástico, na esperança de um resgate que tarda demais em chegar. Seu consolo, é manter um canal de comunicação com seu futuro originário. De suas múltiplas personalidades, ao relembrar o caminho que a trouxe ao longínquo pretérito de 1978, Willa retorna ao futuro de 834.456 d.C., na companhia de seu par mais íntimo e antagônico, na distante Caronte, lua de Plutão. Ambos se preparam para uma aventura aos confins mais gélidos e distantes do cosmo, a fim de encerrar uma contenda cujo fim, há muito deveria ter passado."
O livro tem 720 páginas e pode ser adquirido em ebook aqui. Mas, visto que todos os volumes anteriores tiveram edição impressa, é de se esperar que logo essa apresentação também esteja disponível para este título. 
Quem viver, verá.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Biopunk 3

A editora belenense Cyberus, que é lembrada aqui sempre que publica uma nova edição da revista Tricerata, está construindo um catálogo expressivo na área da ficção científica, especialmente aquela de autoria de escritores da região Norte.
Biopunk, série de antologias digitais que vem sendo montada por organizadores diversos desde 2022, está lançando agora sua terceira edição, que tem organização de Áurea Vieira e conta com contos de Amy Lee Blun, Chico Urutau, Daniel S. Cunha, Fabrício Lima, Lailton Garcia, Marcelo Henrique Pereira, Marcus Leite, Mauricio, R B Campos, Nilo Nobre e Uédson Fernandes, tratando de temas como "engenharia genética, memórias programáveis, implantes nanossintéticos e modificações no DNA". 
A publicação está com uma campanha de financiamento direto na modalidade "tudo ou nada", ou seja, o livro só será publicado se a meta mínima for atingida. 
A campanha vai até o final de outubro e pode ser  acessada aqui.

sábado, 9 de março de 2024

Resenha do Almanaque: A todo vapor

A todo vapor
, Enéias Tavares e Felipe Reis. Série de tv com oito episódios. Produção Cine Kings & Brasiliana Steampunk, 2020. 

Muitos autores do fandom brasileiro de fc&f já tiveram oportunidade de ver suas criações em live action, na verdade isso nem é tão incomum mas, geralmente, são filmes de curta ou longa metragem, e sabemos que, assim como a literatura, o cinema nacional tem dificuldades históricas em impor-se no mercado interno. Mas ainda pior é a situação da fc&f nos seriados de televisão, que raramente obtiveram espaço, exceto como alguma bizarrice nas novelas, geralmente de viés cômico. Mas há algum tempo se tem experimentado propostas mais dramáticas, como as séries Animal e 3%.
O sucesso desta última em especial animou o mercado nacional a se aventurar em mais produções no gênero, como O escolhido (2019, Netflix), Onisciente (2020, Netflix) Spectros (2020, Netflix), Desalma (2020, Globlo Play) e Cidade invisível (2021, Netflix). Contudo, todas estas produções guardam ainda uma respeitável distância dos autores do fandom. Mesmo O escolhido, que teve roteiros de Raphael Draccon e Carolina Munhóz – autores que de certa forma estão vinculados ao fandom –, foi adaptada de uma série mexicana chamada Niño Santo (2011), ou seja, não é uma história originalmente nacional e os autores brasileiros envolvidos são apenas um acidente. Por isso é que A todo o vapor (2020, Amazon Prime) merece este destaque. 
Trata-se de uma série de ficção científica bastante original pois se identifica com a estética steampunk, subgênero da ficção científica que pressupõe que, em algum momento no século XIX, ocorreu uma revolução científica que antecipou a era tecnológica ainda no período da máquina a vapor. O romance inaugural dessa linha foi A máquina diferencial (1990), de Bruce Sterling e Willian Gibson, no qual o computador mecânico idealizado por Charles Babbage teria sido efetivamente realizado, estabelecendo o florescer da revolução digital em plena Era Vitoriana. O estilo acabou por estabelecer todo um padrão estético que une o vestuário característico do final do XIX, com cartolas, fraques, bengalas, relógios de bolso, polainas, vestidos bufantes e espartilhos, convivendo com traquitanas tecnológicas com muitas engrenagens e parafusos a mostra. 
No rastro da moda, surgiram no Brasil uma série de grupos de fãs que, devidamente paramentados, se reuniam em eventos especiais para exaltar o steampunk como um estilo de vida. Com o movimento, vieram também os fanzines eletrônicos, sites, clubes e autores, dentre os quais Enéias Tavares, escritor gaúcho de Santa Maria que, em 2014, publicou pela Editora LeYa o romance A lição de anatomia do temível Dr. Louison, que apresenta uma história movimentada na qual personagens da literatura brasileira, como Simão Bacamarte, Solfieri, Isaias Caminha, Rita Baiana e Pombinha, têm de enfrentar muitos perigos para capturar um psicopata assassino. A ele, seguiu-se Juca Pirama: Marcado para morrer (Jambô, 2019) e Parthenon Místico (Darkside Books, 2020), todos ambientados no mesmo universo. O enredo de A todo vapor é baseado nessas histórias e se passa exatamente após os fatos narrados no segundo livro. O próprio Tavares se responsabiliza pelos roteiros. 
A primeira temporada de A todo vapor conta com oito episódios de vinte minutos cada. Ambientada em 1910, narra a história de um grupo peculiar de detetives do sobrenatural que vai à Vila Antiga dos Astrônomos, vilarejo imaginário localizado em algum lugar no interior do Brasil, investigar uma série de crimes inspirados nas cartas do tarô. O principal suspeito é um culto de matizes lovecraftianas liderado pelo malévolo Pamu. Entre os personagens, além do próprio Juca Pirama (interpretado pelo diretor da série, Felipe Reis), estão Capitu de Machado (Thais Barbeiro), Victória Acuã (Pamela Otero), Doutor Benignus (Luiz Carlos Bahia), Bento Alves (Claudio Bruno) e Sergio pompeu (Pedro Passari). O elenco ainda conta com Bruna Aiiso, Paulo Balteiro e Yoram Blaschkauer.
A produção é modesta e teve evidentes dificuldades técnicas. Muitas carcaças enferrujadas de trens antigos (alguns movidos a diesel), um balão de ar quente com queimadores moderníssimos e a cenografia em ruas e pousadas de algum vilarejo estilo colonial contemporâneo, deixaram a ambientação repleta de anacronismos. Os efeitos especiais não são muito convincentes e é intrigante o motivo de todos carregarem óculos de soldador se nunca ninguém os usa. Há um esforço evidente para ampliar a representatividade, com mulheres assumindo a linha de frente nas lutas e até cenas de beijo entre homens, contudo, não há um único negro no elenco. As inúmeras citações a personagens da literatura, incluindo uma breve aparição da "boneca" Emília, soam mais como uma homenagem à série de quadrinhos A liga extraordinária, de Alan Moore e Kevin O'Neill, declaradamente citada numa cena, do que a uma necessidade dramática, uma vez que os personagens, além dos nomes, não carregam nenhuma característica dos personagens originais.
Mas é muito divertido ver uma produção legítima do fandom finalmente chegar ao mercado de streaming. Mesmo com toda a improvisação, passa um sentimento delicioso de identificação nunca obtido pelos demais seriados aqui citados. Tomara que tenha continuidade e conquiste recursos financeiros suficientes para melhorar tecnicamente a produção. Mas espero que nunca percam a expontaneidade desta primeira temporada, que é seu maior trunfo.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Resenha do Almanaque: 3%

3%
, Pedro Aguilera.  Série de tv com 33 episódios. Produção Boutique Filmes/Netflix, 2016-2020.

A indústria audiovisual é o grande fetiche dos autores de ficção fantástica. Mal escrevem os primeiros textos, já pensam em quais seriam os atores mais indicados para representarem os seus personagens, quase sempre artistas de Hollywood porque, afinal, sonhar não custa nada. Muitas vezes vezes essa mania é movida apenas pelo sentimento de veneração ao estrangeiro, mas não devemos nos enganar: chegar a indústria audiovisual ainda é o melhor caminho para se obter reconhecimento, fama e algum dinheiro extra. Pelo menos, é assim que funciona nos EUA: os autores geralmente ganham muito mais pelo licenciamento de direitos para cinema e para a tv do que com a venda direta dos seus escritos. Portanto, se é assim que funciona na matriz, deve funcionar aqui também. 
A internet, especialmente após o advento da banda larga, pareceu ser o canal que todos estavam esperando para a distribuição de obras audiovisuais, uma vez que prescinde das salas exibidoras e de um sistema de transmissão televisiva para fazer chegar o conteúdo ao expectador. Mas, infelizmente, não emergiram projetos bem sucedidos assim, embora tenham existido tentativas, como a série Animal, produzida em 2014 para a tv a cabo. Alguma coisa ainda faltava e parece que, finalmente, temos o caminho das pedras: o serviço de conteúdo por streaming
O primeiro seriado brasileiro de fc&f a despontar nesse ambiente foi 3%, distopia futurista original criada por Pedro Aguilera, cujo episódio piloto foi lançado no Youtube em 2011. Adquirida pela Netflix em 2016, tornou-se a primeira série brasileira na plataforma, com quatro temporadas e um total de 33 episódios produzidos. Na direção, revezam-se César Charlone, Daina Giannecchini, Dani Libardi e Jotagá Crema.
Trata-se de uma produção sofisticada, com um elenco enorme que conta com atores conhecidos da teledramaturgia brasileira: João Miguel, Bianca Comparato, Zezé Mota, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Rafael Lozano, Viviane Porto, Samuel de Assis, Cynthia Senek, Laila Garin, Bruno Fagundes, Thais Lago, Fernando Rubro e Amanda Magalhães – até Ney Matogrosso faz uma participação especial – além de uma infinidade de coadjuvantes e figurantes que formam a população de uma favela miserável chamada Continente, que parece ser a única coisa que sobrou do Brasil num futuro pós holocausto, cuja explicação não é fornecida. 
Porém, há um lugar chamado Maralto onde uma elite vive em luxo e abundância. Uma vez por ano, ao longo dos últimos cem anos, o governo (que tem contornos corporativos) promove o Processo, uma espécie de "vestibular" cujo objetivo é selecionar, entre os jovens com vinte anos completos do Continente, os novos cidadãos para Maralto. Os testes são severos, em muitos casos, mortais, e valorizam aspectos físicos, intelectuais, morais e psicológicos dos candidatos. Apenas três por cento dos inscritos serão aprovados. A concorrência é feroz e trapacear é permitido. Na verdade, uma personalidade trapaceira é até valorizada, como vamos descobrir ao longo do extenuante processo, que também vai revelar a personalidade e a motivação de cada um dos candidatos. Também vamos descobrir que há um movimento revolucionário subterrâneo, pesadamente reprimido pela administração, cujo objetivo é acabar com o Processo. Mas não são apenas os candidatos que escondem esqueletos no armário: entre aqueles que estão "do lado de lá" também há segredos comprometedores, além de intrigas e traições veladas. Ninguém está plenamente seguro, nem mesmo em Maralto.
A cenografia é elegante, com uma estética futurista econômica. Muitas sequências foram gravadas nas dependências da Arena Corinthians, em Itaquera (SP). Também foram usados como locações o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), e a comunidade Heliópolis (SP). Os efeitos especiais são competentes, assim como o desenho de produção. O roteiro tem bons diálogos, e uma narrativa tensa, que fica ainda mais perturbadora pela lentidão com que o Processo avança.
A série está disponível em 190 países e é elogiada no exterior, com uma avaliação muito boa no site de resenhas Rotten Tomatoes: 85% de aprovação na primeira temporada. Também é muito inclusiva, com atores de todas as etnias, além de um cadeirante entre os personagens principais. 
O sucesso de 3% foi efeivamente convincente. Depois dele, parece que finalmente o campo se abriu para a produção brasileira: O escolhido (2019, Netflix), Onisciente (2020, Netflix) Spectros (2020, Netflix), Desalma (2020, Globlo Play), A todo vapor (2020, Prime) e Cidade invisível (2021, Netflix) são alguns dos exemplos que se seguiram e a tendência não arrefeceu nem durante a pandemia. Isso já é, por si, um grande mérito para 3%, que merece ser lembrado como o ponto de virada da fc&f na indústria audiovisual brasileira.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Resenha do Almanaque: Os corvos de Mana'Olana

Os poucos & amaldiçoados: Os corvos de Mana'Olana; Felipe Cagno & Fabiano Neves; minissérie em 6 edições, 204 páginas. Timberwolf, 2020.

Desde que o mercado brasileiro de quadrinhos entrou em colapso, com a quebra de distribuidoras, bancas e livrarias, não restou aos artistas nenhum outro caminho que não o da produção independente através de financiamento direto, também chamado de crowdfunding, modalidade de comercialização antecipada que se assemelha a prosaica "vaquinha" entre amigos. Várias plataformas na internet oferecem o serviço, sendo a mais popular o Cartarse, que promove campanhas para todo tipo de proposta, desde livros e quadrinhos, até jogos, brinquedos e projetos sociais. Qualquer pessoa pode propor um projeto e também apoiar os projetos ofertados. E isso parece que tem dado muito certo para os artistas, pois há ótimos trabalhos sendo publicados assim, como nunca antes se viu. Infelizmente, as tiragens são bastante limitadas, pois são voltadas apenas para atender ao conjunto específico de apoiadores que o projeto conquistou na campanha. O material não entra em circulação, portanto, e sai das mãos dos autores diretamente para seus leitores. Uma vez esgotada a tiragem, é preciso propor uma nova ação de financiamento para reimprimir o material. 
Este é o caso de Os poucos & amaldiçoados: Os corvos de Mana'Olana, série de ficção científica criada pelo roteirista Felipe Cagno e o ilustrador Fabiano Neves, ambos profissonais experientes. Cagno é cineasta, formado pela FAAP, agraciado em 2015 com o Prêmio Angelo Agostini, da AQC-SP. Neves atua desde 2000 como ilustrador nos quadrinhos estrangeiros, tendo trabalhado com personagens como Red Sonja, Xena Princess Warrior, Marvel Zoombies e outros. A eles se uniram vários outos artistas, principalmente coloristas e letristas, para viabilizar o projeto proposto em 6 episódios financiados individulamente entre 2019 e 2020, com cerca de 1000 apoiadores por edição e metas superadas em até quinhentos por cento.
A história é um faroeste futurista, que recebe influências evidentes de Apenas um peregrino, de Garth Ennis e Carlos Ezquerra, publicado no Brasil no início do século pela Devir Livraria, e também da série de romances A Torre Negra, de Stephen King – especialmente o volume Os lobos de Calla –, bem como a sua adaptação em quadrinhos publicada no Brasil pela Panini. Mas com uma importante diferença: o protagonista de Os corvos de Mana'Olana é uma mulher. Trata-se de uma pistoleira sem nome, chamada por todos de "Ruiva" devido a cor dos cabelos. Ela caça monstros num futuro em que os oceanos da Terra desapareceram e abundam feras sobrenaturais que ameaçam os poucos sobreviventes que herdaram o interminável  deserto em que o planeta se tornou. Dentre outras abominações, a Ruiva está a caça de uns corvos gigantes que sequestram crianças, e ela vai encontrá-los em Mana'Olana – região que antes era conhecida como o Havaí –, não sem ter que superar muitos contratempos no caminho, entre os quais se inclui alguma traição. 
Curiosamente, o futuro de Os poucos & amaldiçoados é em tudo similar a estética do velho oeste americano, com pistoleiros cavalgando pelos desertos em busca de riqueza e aventura, passando por vilarejos de mineiros e colonos mexicanos com seus saloons e prostíbulos, ruas de terra e nenhuma lei, mas com navios abandonados aqui e ali. Até as armas que a Ruiva usa são Colts Paterson. Explica-se: o momento em que o mundo "foi adiante", como diria Stephen King, foi no século XIX. Mas, de qualquer forma, uma história de ficção científica pós-apocaliptica que ainda tem demônios e assombrações, a última coisa que se pode exigir é verossimilhança. Isso fica a cargo da capacidade do autor em construir um ambiente que sustente a suspensão de incredulidade do leitor, no que ele consegue ser razoavelmente bem sucedido. 
Cada um dos cinco primeiros episódios tem trinta e duas páginas, e o último tem quarenta e quatro. Além da história em si, cada edição traz diversas pinups da Ruiva realizadas por artistas variados. As revistas têm ilustrações em cores impressas em papel cuchê e capas cartonadas com laminação brilhante. Quando foi lançada a sexta edição, o projeto ofereceu a opção de adquirir todos os seis volumes juntos em uma caixa especial. Mais tarde, o trabalho também foi ofertado em um único volume encadernado reunindo todas as edições. 
Os corvos de Mana'Olana foi apenas o primeiro arco de histórias do universo de Os poucos & amaldiçoados. Os autores promoveram campanhas para outras história no mesmo universo, como as edições encadernadas Nação sombria (2020) e Ambição sem volta (2021), e Dilúvio, segunda minissérie com a Ruiva, ainda em publicação.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Lançamento: Tehanu, Ursula K. Le Guin

A série Terramar, da multipremiada escritora americana Ursula K. Le Guin, acaba de receber um quarto episódio que ainda estava inédito em português. Trata-se de Tahanu, também pela editora Morro Branco, que já publicou a edição anterior, A última margem, e republicou os dois primeirios, O feiticeiro de Terramar e As tumbas de Atuan.
Diz o texto de apresentação: "Anos se passaram desde que Tenar e Ged escaparam juntos das Tumbas de Atuan. Agora, a Sacerdotisa é uma viúva conhecida como Goha e leva uma vida comum no campo, enquanto o feiticeiro e Senhor dos Dragões vive em depressão após perder todos os seus poderes. 
Tudo muda quando Goha adota uma garotinha queimada viva e abandonada para morrer. A viúva dá à criança o nome de Therru, e juntas elas viajam por Gont em diferentes e desafiadoras empreitadas. 
Enquanto ajuda Ged a recuperar a saúde, Tenar também deverá concentrar suas forças para atravessar uma jornada pessoal sem deixar de lado Therru, cujo destino ainda será revelado."
O volume tem 240 páginas, tradução de Heci Regina Candiani, ilustrações de Charles Vess, e está em pré-venda no saite da editora, aqui.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Resenha: Novela

Novela
é uma série brasileira de fantasia e humor que estreou em 2023 na plataforma de streaming Amazon Prime. Foi criada e escrita por Valentina Castello Branco e Gabriel Esteves, com direção de Renata Pinheiro e Gigi Soares, e produção do Porta dos Fundos. 
Esta primeira temporada tem oito episódios e o elenco conta com nomes conhecidos da televisão, como Monica Iozzi, Miguel Falabela, Tarcísio Filho, Caio Menk, Herson Capri, Suzy Rego, Marcello Antony, Maria Bopp, entre outros, muitos deles interpretando dois ou até três papéis.
Claramente inspirada em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Novela conta a história da roteirista iniciante Isabel (Monica Iozzi) que, no evento de estréia de sua primeira novela, Rebote do destino, descobre que seus créditos foram usurpados por seu mentor, o novelista decadente Lauro Valente (Miguel Falabela). Aturdida, Isabel vaga pelo estúdio e é sugada por um monitor, indo parar justamente no primeiro capítulo que acabava de ir ao ar. E o que é visto pelo público na televisão não é o que foi gravado pelo elenco, mas sim uma história metalinguística totalmente divergente, na qual a presença de Isabel subverte o enredo e transforma a vida de Lauro e do elenco da novela numa montanha russa imprevisível. 
Ao longo dos primeiros capítulos, Isabel conclui que o único modo de escapar da loucura na qual mergulhou é forçando o desfecho recorrente das histórias de Lauro Valente, fazendo a mocinha (ela mesma) e o galã se casarem pois, com o fim da história, acredita que voltará automaticamente para a realidade. 
Mas as interferências de Isabel fizeram a novela bater recordes de audiência e, pressionado pela direção da emissora e pelos anunciantes, Lauro terá que sustentar a farsa e esticar a novela, sem ter a menor ideia do que pode acontecer quando o próximo capítulo for ao ar. 
A série trabalha com muitas situações de bastidores da teledramaturgia, além de homenagear várias novelas e brincar com os cacoetes desse tipo de produção, com figurinos bizarros, situações esterotipadas e muito nonsense, como quando entram os intervalos comerciais e tudo se congela, exceto a própria Isabel. 
Novela vem somar um conjunto de boas ideias às séries brasileiras, um novo tipo de produto televisivo que tem investido em histórias fantásticas como Cidades invisíveis, Espectros, 3% e Vale dos esquecidos, e pode contribuir decisivamente para renovar o modelo tradicional das novelas da televisão brasileira.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Guilty: guia de episódios

Miguel Carqueija disponibilizou em sua página no saite Recanto das Letras um guia para os onze episódios da série de japonesa Culpada (Guilty), produzida em 2010 pela Meteor Dramas, com direção de Yoshinori Kobayashi e Yasushi Ueda. É uma série live action, isto é, com atores, com Kanno Miho no papel da protagonista, além de Tamaki Hiroshi, Kichise Michiko e grande elenco.
Trata-se de uma história de suspense e mistério com um toque sobrenatural, como bem revela o subtítulo "A mulher que fez pacto com o demônio".
Diz a sinopse: "Nogami Meiko é uma jovem de pouco mais de trinta anos, há pouco saída da prisão. Quinze anos atrás ela foi considerada culpada pela morte do cunhado e do sobrinho, vítimas de uma torta envenenada que ela trouxera da confeitaria. Todavia Meiko era inocente. Agora livre ela dá início a um elaborado e perigoso jogo de vingança contra todos os homens que conspiraram, num festival de mentiras, para que ela fosse condenada e tida como uma pessoa monstruosa. Mashima Takuro, excêntrico e sorumbático detetive, começa a investigar suicídios misteriosos e descobre que todos os suicidas estão ligados ao caso Meiko. Entretanto Mashima acaba se envolvendo sentimentalmente com Meiko, provocando os ciúmes de Enomoto Mari, sua colega detetive e ex-namorada". 
O guia foi publicado em 2022 e está disponível em forma de arquivo de texto, que pode ser baixado gratuitamente aqui.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Limit e Vitamin

Ensaio crítico dos mangás Limit (2010) e Vitamin (2001), ambos de Keiko Suenobu, Miguel Carqueija escreveu as resenhas dos seis volumes de Limit e do volume único de Vitamin, enquanto Aparecida Ramos colabora com o ensaio "Bullying". 
O tema se justifica porque é o foco de ambas as obras, publicadas no Brasil em 2015. Diz o texto de divulgação: "estes mangás de Keiko Suenobu abordam de maneira corajosa a triste questão das perseguições escolares, o sinistro 'bullying'. Em Limit, cinco meninas adolescentes (Konno, Morishige, Usui, Kamiya e Haru) se veem perdidas num imenso boqueirão lutando pela sobrevivência, e os conflitos entre elas vão surgindo em consequência de uma situação anterior na escola. Em Vitamin a situação se concentra em Sawako, garota que tinha suas amizades no colégio mas todas se voltam contra ela ao ser flagrada em situação constrangedora".
O volume pode ser baixado gratuitamente aqui, em formato texto.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Avenger: Guia de Episódios

Análise crítica produzida por Miguel Carqueija dos treze episódios da ficção científica Avenger, série original de animação produzida em 2003 pelo Estúdio Beetrain/Xebec com direção de Koichi Mashimo. 
Diz o texto de apresentação: "Num futuro distante, a colonização de Marte chegou a um beco sem saída. A sociedade tornou-se medieval e dirigida por 'avatares', os sobreviventes dos 'Doze Originais' que chegaram ao planeta. Quase não existem recursos naturais, o povo vive em geral na miséria e as cidades promovem torneios de luta pelo poder. Uma estranha garota de nome Layla, que quase não fala, percorre os caminhos áridos acompanhada por Speedy, mestre consertador de bonecas, e pela boneca ou robota Nei, num mundo onde pequenos robôs substituem as crianças e, há dez anos, não nascem crianças. Layla participa dos torneios, mas seu objetivo é Volk, o sinistro ditador de Marte, com quem tem contas a ajustar."
O Guia, em formato de arquivo de texto, pode ser baixado gratuitamente aqui.

terça-feira, 25 de abril de 2023

Lançamento: O resgate sobre trilhos

A. Z. Cordenonsi tem desenvolvido uma interessante carreira no âmbito da literatura fantástica, especificamente no subgênero do steampunk, cenário geralmenre retrofuturista no qual tecnologias modernas surgiram muito antes na história. 
De muitos modos, o steampunk está na gênese da ficção científica, em obras de escritores como Edgar Allan Poe, Júlio Verne, H. G. Wells e seus contemporâneos, que não ficam tão distantes das aventuras de Sherlock Holmes – escritas por Arthur Conan Doyle –, personagem irresistível a todo escritor da ficção fantástica, ainda que não o seja na origem. Tanto é que falar sobre a juventude de Sherlock não está entre os temas mais originais, o que de forma alguma incomoda seus fãs que têm verdadeiro culto a tudo o que foi escrito sobre o personagem, e ainda mais pelo que não foi. 
Por isso, é perfeitamente legítimo que Cordenonsi invista na série Sherlock e os aventureiros, publicada pela editora Avec, uma divertida brincadeira com o mestre dos detetives ao lado de personagens históricos e ficcionais. A série já apresentou três volumes: O mistério dos planos roubados (2017), O problema dos cálculos maquinares (2019) e O caso da conspiração biológica (2020). Agora está em lançamento o quarto episódio, O resgate sobre trilhos
Diz o texto de divulgação: "O cerco começa a fechar-se quando o Barão da Silésia resolve colocar o terrorista Fantômas no encalço de Sherlock Holmes, Irene Lupin e Nikola Tesla. Enquanto os jovens aventureiros descobrem mais sobre o seu misterioso inimigo e seus objetivos sinistros, Arsène
Lupin atravessa o Canal da Mancha disposto a levar a filha para a França. Enquanto investigam o interesse do Barão em um garoto singular do Wapping, uma armadilha mortal é preparada para Sherlock e seus amigos. E no trem real que circula pela Grande Londres, a jovem Maria Skłodowska é coagida a ajudar o Barão sob a ameaça da navalha de Fantômas."
Este novo episódio tem 192 páginas que, assim como os volumes anteriores, pode ser adquirido no saite da editora, aqui.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Lançamento: A última margem de Terramar

Finalmente é publicado no Brasil, num lançamento da editora Morro Branco, o romance de fantasia A última margem (The farthest shore), da multipremiada escritora americana Ursula K. Le Guin (1929-2018), terceira parte da saga de Terramar, cujos volumes iniciais, O feiticeiro de Terramar e As tumbas de Atuan já tiveram diversas edições por aqui, inclusive pela própria Morro Branco.
Originalmente publicada nos EUA em 1972, A última margem completa o primeiro e principal arco da saga, que teve continuidade décadas mais tarde nos livros Tehanu (1990), Tales from Earthsea (2001) e The other wind (2001). A edição brasileira tem capa dura, tradução de Heci Regina Candiani e traz as ilustrações de Charles Vess premiadas com o Hugo em 2019. 
Diz o texto de divulgação: "A ordem foi rompida. Cantores esqueceram suas canções, feiticeiros não lembram mais como evocar seus poderes, habitantes mergulham em uma prometida imortalidade e as fontes vitais da magia estão secando. Ged, feiticeiro e Senhor dos Dragões, decide adentrar em mares sem fim para encontrar a fonte dessa ruína e conter o inexplicável mal que se espalha rapidamente. Com a ajuda do jovem príncipe de Enlad, Arren, ele embarca pelas águas que circundam as ilhas do continente em uma jornada traiçoeira que testará suas forças e desejos. Para restaurar a magia e trazer de volta o equilíbrio às terras afligidas pela destruição, os dois precisarão desbravar os cantos mais remotos do mundo, ultrapassando sua última margem — até os confins do reino da morte, de onde talvez não consigam mais voltar."
Ursula K. Le Guin é uma das mais prestigiadas autoras de ficção científica em todos os tempos, dona de um estilo limpo e preciso, e de uma obra vasta que trata de questões tão importantes e sensíveis como política, alteridade e identidade de gênero. Foi agraciada com vários prêmios Hugo, Nebula, Locus, Jupiter e o National Book Award, entre outros. 
A última margem já se encontra em pré-venda, aqui.

quinta-feira, 9 de março de 2023

Spectros

Spectros
, série de tv em sete episódios. Roteiro e direção Douglas Petrie. São Paulo: Moonshot Pictures, 2020. 

A grande contribuição dos serviços de televisionamento por streaming foi a abertura de espaços mais generosos à produção local independente, antes só acessível a produtoras calçadas por grandes corporações econômicas, como as redes de tv aberta, por exemplo. 
Desde que o canal Netflix exibiu, em 2016, a primeira temporada da série de ficção científica 3%, mais e mais produções nacionais têm chegado ao público, muitas vezes com relativo sucesso. Foi nessa mesma plataforma que estreou, em 2020, a série de horror sobrenatural Spectros, criação do roteirista e diretor Douglas Petrie, produzida pela Moonshot Pictures. 
Conta a história de duas estudantes adolescentes que se envolvem com um marginal justamente na noite em que ele pretende roubar o templo de uma bruxa no bairro paulistano da Liberdade. As coisas complicam quando um homem em chamas surge e derruba uma velha boneca japonesa, objeto que parece ter o poder de reduzir as fortes dores de cabeça que há tempos torturam uma das garotas. Na fuga, num automóvel roubado, o grupo atropela e mata o tocha humana e todos acabam presos pela polícia. Mas há muitos segredos obscuros por trás daquela singela boneca e praticamente tudo o que circula pela Liberdade naquela noite concorre para complicar ainda mais a chances dos jovens chegarem vivos ao próximo nascer do Sol. 
Fantasmas, mortos-vivos, maldições ancestrais e necromantes psicopatas são ingredientes que alteram a percepção do delicado ambiente da Liberdade, bairro tão conhecido e querido dos paulistanos.
A série de sete episódios tem um elenco baseado em atores jovens, como Danilo Mesquita (Pardal), Claudia Okuno (Mila), Mariana Sena (Carla), Enzo Barone (Zeca) e Drop Dashi/Pedro Carvalho (Zeca), além de atores veteranos como Carlos Takeshi (Celso), Miwa Yanagizawa (Zenóbia), Norival Rizzo (o pipoqueiro Mário) e Daniel Rocha (o detetive Ricardo). 
A narrativa é movimentada, com muita correria e variação cenográfica, que vai de prédios abandonados e comunidades carentes, até construções históricas e cemitérios antigos. Mas exagera na amplitude geográfica do bairro, sugerindo uma extensão territorial muito acima da real: para aproveitar a cenografia da Rua da Glória, o grupo de jovens circula por ela continuamente de automóvel, num bairro que se atravessa a pé em meia hora, se muito. Talvez quem não conheça a Liberdade não perceba, mas isso prejudica muito a narrativa, alongando uma história que ficaria bem melhor em três ou quatro episódios.
Deixando tais detalhes de lado, Spectros engrossa a tendência da produção fantástica nacional inspirada em mitologia e folclore, que está fortemente presente na literatura de ficção e agora também na teledramaturgia, que já conta com outras séries nos canais de streaming como Cidade invisível (2021, Netflix), Desalma (2020, HBO Max), A todo vapor (2020, Amazon Prime) e Vale dos esquecidos (2022, HBO Max). Não deixa de ser interessante, afinal, tais iniciativas vinculam-se mais fortemente à cultura nacional e exploram aspectos raramente tratados por obras estrangeiras do segmento, mas é preciso muito cuidado para não se apropriar de culturas alheias e até em tratar crenças ainda vivas como se folclore fossem. Spectros, contudo, escapa bem desse risco, na medida que incorpora um elenco variado com predomínio de atores japoneses. 
Como produção, Spectros entretém e traz para o debate uma série de temas significativos, como a tortura, a intolerância e o racismo, bem como a diversidade étnica e cultural do povo brasileiro. Os efeitos visuais são muito bons e todos os atores funcionam muito bem em seus papéis. Vale a pena assistir, desde que se tenha em mente que não se trata de um seriado americano: o ritmo é bem mais lento, mas o prazer de reconhecer os espaços e a realidade ali representados garante uma boa diversão.