Mostrando postagens com marcador Ray Bradbury. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ray Bradbury. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ghost Writer bradburiano

Apresentado por Ricardo Herdy e Raphael Modena, o podcast literário Ghost Writer chega a sua 16ª edição, desta feita dedicada à obra do escritor Ray Bradbury (1920-2012).
O programa, que tem cerca de uma hora de duração, recebe Álvaro Domingues e Cesar Silva, fãs confessos de Bradbury para conversar sobre a carreira, a vida e os livros desse importante escritor norte americano.
Os demais episódios da série podem ser ouvido aqui.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Somnium 103

Está disponível para download gratuito o número 103 do fanzine de ficção científica Somnium, numa edição dedicada ao escritor norteamericano Ray Bradbury (1920-2012).
Além de um artigo de Marcello Simão Branco e depoimentos de fãs homenageando o autor – com uma participação especial do roteirista J. M. de Matteis –, a publicação traz contos de Roberto de Sousa Causo, Rita Maria Felix, Miguel Carqueija e Ronald Rahal e uma entrevista com o escritor Leonardo Brum.
Além disso, a edição destaca o Prêmio Argos, promoção interna do Clube de Leitores de Ficção Científica, que chancela a publicação.
A edição tem 61 páginas e capa é de Marcelo Bighetti.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

As crônicas marcianas em quadrinhos

Depois de escrever e publicar uma porção de contos ambientados em Marte, em 1950, Ray Bradbury (1920-2012) teve esses trabalhos reunidos no livro As crônicas marcianas, naquilo que se convencionou chamar de romance fix-up, ou seja, um livro formado pela junção de um conjunto de textos independentes porém articulados entre si. A história conta diversos dramas humanos sobre a colonização do planeta vermelho, porém de um ponto de vista pessoal, no restrito universo das personagem, que levam em si as alegrias e tristezas de viver num lugar estranho ao qual não pertencem. Devido a sensibilidade e sutileza próprias de Bradbury, As crônicas marcianas tornou-se um dos mais importantes romances da  literatura norte americana moderna. 
Outra coisa que sempre caracterizou o autor foi seu entusiasmo pelas histórias em quadrinhos, que lia e colecionava desde a infância. Ainda nos anos 1950, muitos de seus contos foram adaptados para a Nona Arte, e continuaram a ser ao longo das décadas seguintes.
Este é também o caso de As crônicas marcianas: Uma grafic novel autorizada por Ray Bradbury, com ilustrações de Dennis Calero, lançado há poucas semanas pela editora Globo Livros, em seu selo Graphics, originalmente publicado nos EUA em 2011 pela pequena editora Hill and Wang.
O álbum, que traz uma introdução escrita pelo próprio Ray Bradbury, acompanha as 15 histórias histórias do livro, sendo que em cada uma delas Calero altera ligeiramente o estilo do desenho, dando-lhes personalidade próprias.
O álbum faz parte de uma coleção dedicada a adaptar os trabalhos de Bradbury, dos quais tivemos publicado em 2011, também pela Globo Livros, a adaptação de Fahrenheit 451, outro importante romance do mestre, ilustrado por Tim Hamilton.
Por isso, é bom saber que a editora americana já publicou o terceiro volume, com a adaptação do maravilhoso Algo sinistro vem por aí (Something wicked this way comes), com ilustrações de Ron Wimberly. 
As crônicas marcianas: Uma grafic novel autorizada por Ray Bradbury, tem 160 páginas e custa R$39,90. Algumas amostras destes trabalhos podem sere vistos aqui.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ray Bradbury (1920-2012)

Na última terça feira, dia 5 de junho, os 91 anos de idade, deixou a nossa convivência o influente escritor norte americano Ray Bradbury, um dos maiores autores de ficção fantástica que já existiram.
Bradbury compõe a trindade dos escritores de ficção científica na opinião dos brasileiros. Ao lado de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, forma o "ABC" do gênero, como é chamado pelos seus inúmeros leitores. Contudo, Bradbury é um estranho no ninho, pois não se conformava com as orientações impostas pelo mercado. Sua ficção científica, por exemplo, não é científica em quase nada, uma vez que lhe importava muito mais as pessoas do que a ciência. Bradbury também era mais versátil que seus colegas de gênero, enveredando com igual desenvoltura por terrenos tão pantanosos como o terror, a fantasia, o mistério e até o realismo, sem esquecer da poesia em prosa e verso.
Nascido em 22 de agosto de 1920 em Waukegan, Illinois, estado do meio-oeste americano, Ray Douglas Bradbury tinha tudo para ser um legítimo redneck. O que alterou sua caminhada foram as histórias em quadrinhos de Buck Rogers que, quando criança, colecionava recortando cuidadosamente dos jornais. Também era leitor ávido dos livros de Júlio Verne e H. G. Wells, das novelas de Edgar Rice Burrougs, Clark Ashton Smith e H. Ride Haggard, e fascinado com as maravilhas de seu mundo, especialmente parques de diversão itinerantes, circos, mágicos, trens, dinossauros e uma pletora de coisas simples que não era importante para mais ninguém.
Aos oito anos de idade, pressionado pelos colegas de escola que exigiam dele um comportamento mais "normal", o pequeno Ray rasgou toda a sua coleção de quadrinhos. Mas isso só serviu para que ficasse perdido num mundo que ele não compreendia e entendeu ali que o seu destino não era ter uma vida "normal". Voltou avidamente à sua coleção e decidiu que seria um escritor. Em 1938, publicou seus primeiros contos no personalzine Futuria Fantasia, e em 1941, chegou ao primeiro conto profissional na revista Super Science Stories. Seu primeiro texto a fazer sucesso foi "O lago" ("The lake", 1942).
Bradbury tornou-se um dos maiores escritores americanos, com uma produção de qualidade reconhecida pelo mainstream, apesar de instalada no que se chama de ficção de gênero que, de forma geral, é desprezada pela crítica. Entre seus grandes livros está o romance Fahrenheit 541 (1953), alegoria sobre a censura que conta a história de um homem apaixonado pelos livros cujo trabalho é justamente destruí-los. Levado ao cinema em 1966 pelo importante cineasta francês François Truffaut, tornou Bradbury uma personalidade conhecida no mundo inteiro.
Outros livros importantes de Bradbury são Crônicas marcianas (Martian chronicles, 1950), Algo sinistro vem por aí (Somethig wicked this way comes, 1952) e O vinho da alegria (Dandelion wine, 1957), além das coletâneas Os frutos dourados do Sol (The golden apples of the sun, 1953), O homem ilustrado (The illustrated man, 1951) e O país de outubro (The october country, 1955). Vários de seus contos estão entre os mais significativos da literatura mundial, devido a sua poética incomparável.
Suas histórias foram adaptadas para inúmeras outras mídias, principalmente o teatro, o cinema e a televisão. A melhor versão para os quadrinhos aconteceu nos anos 1950 pela lendária editora EC Comics de William Gaynes. Al Feldstein adaptou vários de seus contos, que foram ilustrados por grandes mestres como Frank Frazetta e Wallace Wood. Algumas dessas HQs foram publicadas no Brasil no início dos anos 1990 pela editora L&PM nos álbuns O papa-defuntos e O pequeno assassino.
O primeiro de seus livros aqui publicados foi O país de outubro, traduzido em dois volumes pela Editora GRD em 1963 e 1966, antologia que reúne alguns de seus contos mais destacados. Praticamente toda a sua obra foi traduzida no Brasil, sempre ficando em catálogo.
Bradbury tem creditado em seu nome cerca de 60 romances e mais de 600 contos, traduzidos no mundo inteiro. Recebeu diversos prêmios e homenagens, entre os quais estão o National Medal of Arts Award, World Fantasy Award, Prometheus Award, Stoker Award, SFWA Grand Master, Emmy Award e Sir Arthur Clarke Awards. Seu nome foi emprestado ao Science Fiction and Fantasy Writers of America para os prêmios da categoria Roteiro, e o autor ainda ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e uma citação especial ao Prêmio Pulitzer, em 2007.
Bradbury não foi um escritor convencional. Ele partia do princípio que o verdadeiro escritor não é aquele que escreve para viver, mas o que vive para escrever, como algo vital, necessário, terapêutico até. E isso é algo que não dá para ensinar como fazer, como se pode ver na coletânea de ensaios O zen e a arte da escrita (Zen in the art of Writing, 1990), publicado no Brasil em 2011 pela Editora Leya, em que o mestre resume a sua técnica criativa em uma frase brilhante: "Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é a sua vez. Pule!"

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Resenha: O zen e arte da escrita

Possivelmente um dos lançamentos mais importantes de 2011, O zen e a arte da escrita, de Ray Bradbury, é uma pequena joia.
Bradbury dispensa apresentações, visto ser um dos mais expressivos nomes da literatura norte americana contemporânea. Hoje com 81 anos, é autor de Farenheit 451, O vinho da alegria, O país de outubro, Crônicas marcianas, Algo de sinistro vem por aí, Os frutos dourados do Sol e muitos outros títulos entre romances, coletâneas, peças de teatro e poemas, navegando pela ficção científica, a fantasia, o horror e o mistério e o realismo com igual talento e desenvoltura, sendo respeitado pelo mainstream. Sua ficção continua atual e impactante, e influencia autores em todo o mundo. Então devemos prestar muita atenção nos seus conselhos.
O livro, de apenas 168 páginas, reúne onze ensaios deste mestre, alguns deles originalmente apresentações ou prefácios de outros livros. São eles: "A alegria da escrita", "Corra, pare, ou a coisa no topo da escada, ou novos fantasmas de mentes antigas", "Como manter e alimentar a Musa", "Bêbado e no comando de uma bicicleta", "Investindo moedas: Fahrenheit 451", "Apenas este lado de Bizâncio: O vinho da alegria", "Sobre os ombros de gigantes", "Crepúsculo nos museus de robô: o renascimento da imaginação", "A mente secreta", "O zen e arte da escrita" e "Sobre criatividade", este último um conjunto de sete poemas. A certa altura, um pequeno bônus: um trecho alternativo inédito para Farenheit 451, a cereja deste bolo bradburiano.
Diz o relise: "Neste livro exuberante, o incomparável Ray Bradbury compartilha sua sabedoria, experiência e estímulo de uma vida de escritor. Aqui estão dicas sobre a arte da escrita dadas por um mestre do ofício. Um livro que reúne tudo, desde encontrar ideias originais até desenvolver a própria voz e o estilo, bem como leituras, impressões da infância e os bastidores da notável carreira de Bradbury como um autor fecundo de romances, contos, poemas, roteiros de filmes e peças de teatro. O zen e a arte da escrita é mais do que um simples manual para o aspirante a escritor, é uma celebração do ato da escrita, que vai encantar, exaltar e inspirar o escritor em você".
O livro é quase uma autobiografia, já que Bradbury trabalha o conteúdo a partir de sua própria vida, contando o modo como funciona a sua mente - ele lembra detalhes de sua mais tenra infância, quando ainda sequer sabia falar - e as experiências traumáticas pelas quais passou e que o levaram a se tornar o poeta que aprendemos a apreciar.
Em tese, é um manual de escrita criativa que orienta a escrever melhor. Mas vai muito além disso, discutindo questões filosóficas de grande profundidade que podem melhorar não apenas a forma como se escreve, mas o modo como vivemos.
Uma frase do autor resume brilhantemente o conselho de Bradbury para os leitores: “Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é a sua vez. Pule!”.
Não entendeu? Então não perca mais tempo e leia o livro.