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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Resenha: As crônicas da Unifenda

As crônicas da Unifenda
, André Caniato, Jana Bianchi & AJ Oliveira. Pontes Jestal: Plutão, 2020.

As crônicas da Unifenda é uma antologia de contos de fantasia de autores brasileiros, surgida a partir de uma dinâmica realizada durante uma mesa redonda no evento literário Flipop, em 2018, voltada a falar sobre a criação de mundos. A discussão foi mediada pelos escritores Jana Bianchi e AJ Oliveira, com participações dos também escritores Eric Novello, Eduardo Cilto e todo o público presente. No ato, foi proposto o seguinte tema: "E se uma fenda temporal surgisse no céu e desse poderes estranhos às pessoas próximas?" 
A partir dessa proposição, foi se construindo um enredo geral colaborativo que se definiu pelo cenário de uma universidade localizada na Ilha de Marajó – a tal Unifenda – voltada para a formação de jovens com habilidades incomuns geradas pelos eflúveos de uma "fenda temporal" surgida sobre o local. 
Após o encerramento da mesa – cuja gravação pode ser acompanhada aqui –, ficou no ar a proposta para uma antologia de contos nesse universo, que acabou por ser publicada pela Editora Plutão dois anos depois, organizada pelos mesmos escritores que mediaram a mesa redonda em 2018, Jana Bianchi e AJ Oliveira, com a participação do editor André Caniato. Muitos contos foram submetidos aos organizadores, que selecionaram quatorze textos.
O conto que abre a seleta é "O último ponto", de Camila Loricchio, monólogo da motorista do fretado da Unifenda. O texto serve como introdução ao ambiente, preparando o leitor para os textos seguintes. 
Em "É semideus, é seminu", Ana Victória Costa conta os problemas e ansiedades de estudantes da Unifenda na realização de uma festa junina. 
"Arquipélago e outros anteparos", de Auryo Jotha, conta um drama de salvamento depois que uma estudante sensitiva antecipa o afogamento de um menino. 
"A fenda tá fechando", de Mary C. Müller, trata de um detalhe complementar ao universo da Unifenda criado ainda durante a mesa redonda, que seria o fato de tal fenda dimensional estar se fechando, o que talvez poderia suspender todas as habilidades dos jovens super-heróis. 
"A versão perfeita de mim mesmo", de Denys Schmitt, conta sobre um jovem estudante que rejeita as próprias habilidades, até encontrar alguém que pode ajudá-lo a seguir adiante. 
"Predador", de Isa Prospero, é uma história de mistério sobre alguém que estaria usando suas habilidades para estuprar garotas da universidade. 
"Monocromático", de Vitor Nassar, conta sobre os problemas de um jovem cujo poder é fazer tudo a sua volta ficar em preto e branco. 
"O nosso tempo é feito de espera" de Roberta Spindler, toma uma jovem que não pode dormir para contar sobre a preservação dos mitos da floresta.
"Uma noite no elevador", de Camila Costa, conta sobre duas jovens de poderes aparentemente inconciliáveis que se encontrarm presas dentro do elevador e acabam ficando mais que amigas. 
"O ciclo da vida", de Tau Nagy, também aborda os mitos da floresta a partir de uma irmandade, não exatamente legal, de estudantes e graduados da Unifenda.
"Quantas novalginas você já tomou hoje?", de Pedro Poeira, conta o esforço de um grupo de estudantes em um seminário, sendo que um deles tem a habilidade de voltar ao passado para melhorar a apresentação. 
"Dissonâncias", de Eric Novello, é um compilado de relatórios da psicóloga da Unifenda sobre alguns de seus pacientes mais problemáticos. 
"Edição de amanhã", de AJ Oliveira, usa de um conceito recorrente na ficção fantástica, no qual um estudante tem o poder da clarividência. 
"Tipos de pessoa", de Jana Bianchi, também faz uso da viagem no tempo para abrir um diálogo entre duas estudantes separadas por vinte anos. 
A antologia tem o mérito de ser bastante regular, nenhum texto se destaca com evidência,embora se observe exemplos de ousadia formal em alguns dos autores. A maior parte das histórias se desenvolve em torno de algum tipo de relação homoafetiva, de um ponto de vista bastante individual. Nenhum dos contos se preocupou em desenvolver as relações sócio-políticas de uma instituição como essa num país de terceiro mundo como o Brasil e como isso alteraria o equilíbrio geopolítico internacional. Também não se interessaram em explicar o que seria essa tal "fenda temporal", por que ela daria poderes às pessoas e, afinal, qual qualificação seria necessária para um professor universitário ensinar alguma coisa para estudantes dotados de superpoderes? Como seria o TCC dessa galera? Para onde esses superestudantes iriam após a formatura? Quem controlaria esse exército disfuncional? Alguma força do governo brasileiro, a ONU, o professor Charles Xavier?
Criar universos não é tão difícil nem misterioso, que o digam os jogadores de RPG. O problema é dar-lhes consistência, ainda mais quando se trata de um mundo que ainda guarda relação com a realidade em que vivemos, como é o caso do mundo de As crônicas de Unifenda. Talvez possam surgir novos trabalhos que esclareçam esses aspectos em futuras publicações da franquia, ou talvez seja só mesmo uma interessante curiosidade pedagógica.
As crônicas de Unifenda pode ser adquirida no site da Editora Plutão ou lida gratuitamente no aplicativo BibliOn.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Resenha: O Mundo Resplandecente, Margaret Cavendish

O Mundo Resplandecente
(The Blazing World), Margaret Cavendish. Tradução de Milene Cristina da Silva Baldo. 151 páginas. São Paulo: Plutão, 2019. Originalmente publicado em 1666.

Cento e cinquenta anos antes do Frankenstein, de May Shelley, uma outra mulher, também britânica, ousou enveredar pela ficção fantástica em busca de uma utopia. Margaret Cavendish (1623-1673), também conhecida como Duquesa de Newcastle-upon-Tyne, foi uma filósofa e cientista muito respeitada, tendo sido a primeira mulher recebida na Royal Society of London, em 1667. Em sua época, Cavendish travou debates com contemporâneos importantes como Thomas Hobbes e René Descartes. 
Sua contribuição ao desenvolvimento da ficção científica se deu com o romance O Mundo Resplandecente, um texto incomum que reúne ensaio filosófico, feminismo, construção de mundos e aventura de ação a partir da descrição de um mundo ideal, aos moldes da Utopia de Thomas More (publicado em 1516) com contornos mais fantásticos, o que remete ainda a As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, publicado muito depois, em 1726.
A história conta como uma jovem inglesa é raptada por piratas e levada para longe num navio. Atingido por um inverno especialmente rigoroso no Círculo Polar Ártico, apenas ela sobrevive devido ao vigor de sua juventude. À deriva, o navio é arrastado por uma corrente marinha e chega ao Mundo Resplandecente, um lugar habitado por seres híbridos de homens e animais que vivem em paz e riqueza abundantes. 
No Mundo Resplandecente, que leva esse nome devido as estrelas especialmente luminosas que tornam suas noites tão claras quanto o dia, a beleza da jovem atrai a atenção do Imperador daquela terra, com quem acaba por se casar. Dotada de poderes de governança absolutos, a jovem Imperatriz implementa uma administração com resultados ainda mais fabulosos para seu povo. Amada pelo Imperador e por todos os súditos, requisita os conselhos de uma Duquesa de um outro mundo, que vem visitá-la em espírito e com ela empreende longos debates e uma missão de guerra contra o mundo dos homens, no qual as nações se uniram para destruir a Inglaterra. Dotada das tecnologias mais avançadas do Mundo Resplandecente, a Imperatriz subjuga todo o planeta com o uso de uma frota invencível de submarinos de ouro, fazendo do Rei da Inglaterra o governante plenipotenciário do mundo inteiro. 
O livro está dividido em duas partes, mas tem de fato três movimentos principais. Depois de poucas páginas explicando como a jovem dama se tornou a Imperatriz do Mundo Resplandecente, temos um longo trecho no qual a Imperatriz interroga todas as castas de homens-animais do reino a respeito de seus conhecimentos filosóficos, sendo cada uma especialista em uma área do conhecimento. Similar a um ensaio dialógico platônico, o texto expõe as ideias filosóficas de Cavendish, no qual ela defende o platonismo e ridiculariza a lógica aristotélica. A segunda parte conta como a Imperatriz convoca o espírito da Duquesa, que com ela chega a dividir o próprio corpo – bem como o marido da Duquesa – e as muitas viagens que fizeram juntas. A terceira parte narra a bem sucedida campanha militar da Imperatriz contra o mundo dos homens. 
Salta aos olhos a nulidade da ação masculina nas três realidades descritas no enredo. No Mundo Resplandecente, o Imperador é uma figura acessória e despersonalizada, uma vez que todo o poder está depositado nas mãos da Imperatriz. No mundo da Duquesa, o Duque é um homem endividado que só pode ser salvo da ruína com a ajuda da riqueza da Imperatriz. E, no nosso mundo, o Rei da Inglaterra só pode manter-se no poder com a ajuda militar das forças comandadas pela Imperatriz. 
Por conta de suas ideias inusitadas, muitos consideram O Mundo Resplandecente como o primeiro exemplo evidente de ficção científica na literatura, embora não estejam ali ainda as técnicas narrativas do romance moderno que podem ser aprecisadas em Frankenstein de Mary Shelley. Mas temos que reconhecer a primazia de Cavendish em muitos temas caros ao gênero, bem como a evidente proposta feminista muito antes de Mary Wollstonecraft (1759-1797) – mãe de Mary Shelley e filósofa respeitada, que primeiro desenvolveu textos em defesa dos direitos das mulheres. 
A edição da Plutão, em versão digital, é de alta qualidade, como também o é nos demais livros por ela publicados. Traz os prefácios das duas primeiras edições (1666 e 1668) e mantém o texto em sua forma original, sem divisões entre capítulos. As notas da tradutora Milene Cristina da Silva Baldo auxiliam no entendimento das muitas referências históricas do texto, que ficaria hermético sem elas. 
O Mundo Resplandecente recebeu outras edições no Brasil, como a da Rinocerote (2019, com tradução de María Fe González Fernández) e da Novo Século (2021, com tradução de Alcebíades Diniz). Talvez existam outras que não consegui identificar. 
Ainda que não seja uma leitura convencional, O Mundo Resplandecente não é difícil de ler, mesmo em seus trechos mais filosóficos. A autora certamente queria torná-lo um livro popular e obteve relativo sucesso nisso. Tanto que aqui estamos, quase quatrocentos anos depois, ainda a falar dele. Um livro que obriga a refletir nossas certezas a respeito das origens da ficção científica.

sábado, 30 de agosto de 2025

Resenha: Como aprendi a amar o futuro

Como aprendi a amar o futuro: Contos solarpunk
Francesco Verso & Fabio Fernandes, orgs. 350 páginas. São Paulo: Plutão, 2023.

É incrível que não estejamos falando da antologia Como aprendi a amar o futuro desde o seu lançamento há dois anos. Pois trata-se da mais expressiva novidade no ambiente da fc desde o surgimento do cyberpunk, nos anos 1980. Porque ela é estranha e um pouco assustadora, como, aliás, toda a fc deveria ser. 
Desde a publicação em 2012 da antologia Solarpunk: Histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável, pela Editora Draco, ficou a impressão que o subgênero ali proposto não passava de uma variação ao cyberpunk com tecnologias verdes. Dizia-se que o solarpunk propunha uma ficção que apontava para um futuro no qual a humanidade daria certo, escapando do apocalipse e da distopia.
Se fosse mesmo isso, seria uma fc ingênua e equivocada, uma elegia a tecnocracia futura na qual todos os problemas causados ao meio ambiente planetário pela tecnologia seriam resolvidos, vejam só, pela própria tecnologia. Há, de fato, muita gente que pensa assim: para quê preservar o mundo hoje se a tecnologia irá nos salvar amanhã?
Bem, não é o que sugerem os treze contos e os três ensaios reunidos nas 350 páginas de Como aprendi a amar o futuro: Contos solarpunk, antologia organizada pelos pesquisadores Francesco Verso (Itália) e Fabio Fernandes (Brasil), publicada pela Plutão Livros em 2023.  
Para os autores presentes na antologia, a concepção do solarpunk não é, de forma alguma, positivista ou utópica.  Pelo contrário, é bastante pessimista, porque reconhece que o ponto sem volta já foi ultrapassado e o desastre ambiental é inevitável. Na verdade, já estamos vivendo suas consequências e não há como escapar, a não ser que aconteça alguma coisa muito radical e subversiva.
Tratam-se de histórias em que pessoas comuns tomam para si a tarefa de construir uma nova forma de viver num mundo devastado pela poluição e pela crise ambiental causadas pelas corporações e pelas elites que continuam fazendo o que sempre fizeram. Trata-se de uma ficção engajada, que pretende mostrar alternativas de sobrevivência dentro desse inevitável futuro ambiental destroçado. Uma fc politicamente militante, mais social e menos individual, que também discute aspectos ligados a diversidade étnica, cultural, de gênero e de pessoas com deficiência. Uma ação de guerrilha tecnológica, na qual grupos comunitários assumem a responsabilidade e o controle de sua sobrevivência em meio ao caos ambiental, a revelia das decisões de governo, que nos colocaram nessa enrascada para começo de conversa. 
Nas 350 páginas da antologia, textos de várias procedências, vindos de Argentina, EUA, China, Austrália, França e Espanha: "Empatia bizantina", de Ken Liu, "O zelador do Farol", de Andrew Dana Hudson, "Beton betularia", de Maria Antònia Martí Escayol, "Omnia sol temperat", de T. P. Mira-Echeverría e Guillermo Echeverría, "Contaminações", de Sylvie Denis, "Com uma bicicleta espacial vai-se a qualquer lugar", de Ingrid Garcia, "A terra-corpo", de Ciro Faienza, "A força da serpente é a força da gente", de Brenda Cooper, "Falácia efetiva", de Qiufan Chen, "O rancho espiral", de Sarena Ulibarri, "Linha de frente", de Gustavo Bondoni, e os brasileiros "Nina e o furacão", de Ana Rüsche e "Presságio de solidão", de Renan Bernardo. Também traz ensaios, assinados por Fabio Fernandes, Andrew Dana Hudson e Francesco Verso, conceituando o subgênero, citando precurssores e estabelecendo seus protocolos, tudo muito didático, embora o texto de Hudson tenha um quê de manifesto.
O time de tradutores também é grande: Jana Bianchi, Fernanda Castro, Morgana Feijão, Marina Scardoelli, Lina Machado, Thiago Ambrósio Lage, André Caniato. A capa traz um trabalho de Sávio Araújo.
Não que inexistam textos na fc tradicional que esbarram no tema, como os de Kim Stanley Robinson, que é citado nos ensaios publicados. No Brasil, escritores como Simone Sauressig ("O cuco de samaúma", em Universo Pulp: Multipunk, Avec, 2022) e Daniel Galera ("Tóquio" em O deus das avencas, Companhia das Letras, 2021) aproximaram-se do tema, mas a eles faltava o componente explosivo que abunda em Como aprendi a amar o futuro.
A edição só está disponível em ebook, e dá para ler de graça emprestando um exemplar na BibliON, aplicativo oficial da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo que, aliás, foi como eu li. 
Vale a pena conhecer a antologia e entender o que realmente vem a ser esse tal de solarpunk. É para mexer com os brios e dar vontade de começar sua própria guerrilha contra o capitalismo agora mesmo.
A luta continua!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

A magnífica história do Tempos Fantásticos

Com 28 edições publicadas, Tempos Fantásticos foi um curioso fanzine de ficção fantástica editado por Angelo Dias entre 2017 e 2019. 
A apresentação gráfica da publicação simulava um jornal, diagramado de forma profissional e com toda a seriedade plástica que se espera de um periódico diário, porém o conteúdo fazia humor apoiado em notícias absurdas com ares futuristas e fantásticos. 
A maior parte da edições teve apenas duas páginas: uma única folha impressa em frente e verso; mas as edições finais já traziam um corpo mais voluptuoso, com oito páginas. Todas elas podem ser vistas aqui
E chega agora, pela editora Plutão, o livro A magnífica história do Tempos Fantásticos: O jornal satírico de ficção especulativa com notícias do passado, presente & futuro e material nunca antes publicado, que reúne todas as edições desse divertido fanzine. "Com notícias de futuros improváveis, passados alternativos e presentes que desafiam a realidade, o livro apresenta uma coleção rica em criatividade e humor. Das colunas opinativas às reportagens imaginárias, passando por quadrinhos, ilustrações e anúncios fictícios, cada página explora os limites da ficção científica, fantasia, horror e ficção histórica", diz o texto de divulgação do volume, organizado pelo próprio Angelo Dias e publicado em formato digital. 
O volume traz ainda artigos sobre a produção do fanzine, que também contou com a colaboração de Jana Bianchi, JP Lima, Raphael Andrade e Ludimila Honorato, entre outros. 
O livro tem 1029 páginas e já está disponível aqui.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Relançamento: Olhos de pixel, Lucas Mota

Um dos grandes vencedores da categoria Literatura de entretenimento do Prêmio Jabuti acaba de ser relançado em edição impressa pela editora Rocco. Trata-se de Olhos de pixel, novela de ficção científica do escritor paranaense Lucas Mota, publicado em 2022 unicamente em formato digital pela Plutão Livros.
Diz o texto de divulgação: "Nina, Tera e Iza são mercenários que fizeram o root, ou seja, usaram um software para burlar o sistema de monitoramento do governo. No entanto, ter um pouco mais de liberdade traz consequências: os roots vivem à margem da sociedade, têm seus direitos restringidos e sofrem uma contínua perseguição da todo-poderosa Santa Igreja de Salomão, que condena seu modo de vida. Quando Nina é presa, o trio se vê obrigado a aceitar um acordo com a polícia: ajudar a capturar Kalango, o maior hacker do país, em troca de passagens para a colônia espacial Chang'e, onde poderão ter uma vida mais digna. Se tudo der certo, Nina conseguirá um recomeço e uma oportunidade de se reaproximar do filho adolescente. Mas será que vale mesmo a pena trabalhar a favor de um sistema que sempre desprezou sua existência? Ao buscar estratégias entre o virtual e o real para concluir essa missão, Nina, Tera e Iza descobrem cada vez mais tramas e manipulações entre a polícia, a igreja e o governo. E entendem que, por trás dos pixels, a realidade é ainda mais suja do que parece."
Esta nova edição de Olhos de pixel, que traz um epílogo inédito, tem  272 páginas e pode ser adquirida aqui.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Lançamento: Tom, o menino de lata, Rodrigo Van Kanpen

Está disponível a nova novela de fantasia de Rodrigo Van Kampen, Tom, o menino de lata, pela Editora Plutão. 
Diz o texto de divulgação: "Tom é uma criança órfã comum. Depois de perder tia Fernanda, é forçado a mudar toda a vida para morar com uma parenta do pai, a megera Dolores. Tudo o que ele quer é não sentir mais nada, e esse desejo é concedido de uma forma estranha: partes do seu corpo começam a se transformar em metal. Quando essa transformação o coloca em um perigo muito maior, Tom vai descobrir que sentimentos são muito mais poderosos do que ele imaginava. E que talvez a coisa que mais o assusta seja exatamente aquilo que é capaz de salvá-lo.
Entre 2013 e 2022, Van Kampen teve uma rápida carreira como editor adiante do fanzine digital Trasgo, mas também desenvolveu uma ótima carreira como escritor, tendo publicado o romance Trabalho honesto em 2016 e contos em diversas antologias. Tom, o menino de lata é seu segundo livro solo.
O volume tem 105 páginas, traz inspiradas ilustrações de Letícia Moreno e está disponível aqui, apenas em formato digital.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

FC de Plutão

Terceiro colocado no Prêmio Jerônimo Monteiro, concurso de contos realizado em 1991 pela Editora Record e publicado no número 14 da extinta edição brasileira da Isaac Asimov Magazine, Patrulha para o desconhecido, de Roberto de Sousa Causo, ganha sua primeira republicação no selo Ziguezague da Plutão Livros. Conta a história de soldados da FEB numa missão na Itália durante a segunda grande guerra, onde encontram muito mais do que era de se esperar. O título está disponível em formato ebook.
Outro ebook recente da editora é O ovo do tempo, primeiro título solo da prestigiada escritora brasileira Finisia Fideli, só publicado em 1994 na rara antologia Dinossauria tropicalia, da GRD. Diz o texto de divulgação: "Quando descobre uma pedra estranha na loja de cristais místicos, Mariana não faz ideia de que está prestes a sair em uma viagem para além de tudo o que já sonhou".
A Plutão Livros está especializando seu catálogo com obras raras da fc nacional. Em 2019 já republicou dois importantes livros do gênero: 3 meses no século 81, de Jeronymo Monteiro, e Eles herdarão a Terra, de Dinah Silveira de Queiroz, além da coletânea Sobre a imortalidade de Rui de Leão, com dois contos de fc de Machado de Assis, publicada em 2018. Recomendadíssimos.