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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Lançamento: O selo amarelo, Robert W. Chambers

A Sociedade das Relíquias Literárias - SRL é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. Uma assinatura mensal dá ao apoiador o direito de um novo ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas.
A relíquia de junho é a novela de horror O selo amarelo (The yellow sign), clássico da weird fiction do escritor novaiorquino Robert W. Chambers (1865-1933), publicada originalmente em 1895 como parte do ciclo de histórias de O rei de amarelo (The king in yellow), coletânea de contos e novelas que giram em torno de uma peça de teatro que enlouquece a todos os que a assistem, embora seja muito mais do que isso. 
Diz a sinopse: "Entre visões doentias, sonhos premonitórios e a presença sinistra de um vigia cadavérico, um artista luta para manter a sanidade enquanto pinta sua modelo favorita. Entretanto, uma presença constante espreita das sombras e seus sussurros arrastarão os dois para um horror impossível de nomear."
O selo amarelo ocupa o número 63 da coleção SRL; tem 104 páginas, tradução de Paulo Noriega e traz também uma biografia do autor. A capa tem uma ilustração de Eduardo Hy Mussi. 
Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

O rei de amarelo, Robert W. Chambers

O rei de amarelo (The king in yellow), Robert W. Chambers. Tradução de Edmundo Barreiros, comentários de Carlos Orsi. 256 páginas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.

A história da ficção fantástica começou com a literatura gótica, passou pelo decadentismo e pelo romantismo, e só se tornou o que é hoje depois da crise econômica de 1929, que favoreceu o desenvolvimento explosivo das publicações pulp nos EUA, publicações estas que já existiam de forma incipiente desde o final do século 19. Devido ao seu caráter algo alienante (que permitia aos que sofriam com as agruras da vida algumas horas de distanciamento) e aos processos de repodução mais acessíveis, as revistas pulp tornaram-se o principal espaço de entretenimento aos que não tinham dinheiro para obter acesso à cultura, frequentar cinemas elegantes ou comprar um rádio. Os editores desses periódicos criaram e promoveram diversas estratégias para otimizar as vendas; uma delas foi criar protocolos de produção para cada gênero, de modo a promover nichos de mercado e fidelizar os consumidores. Temas, abordagens, conteúdos, tudo era cuidadosamente manipulado para que as vendas fossem as melhores possíveis. Assim, surgiram aquilo que hoje chamamos de gêneros fantásticos: a fantasia, a ficção cinetífica e o terror, que se somaram ao faroeste, que já era bastante popular. Mais tarde viriam ainda as aventuras de guerra e de espionagem, mas isso é uma outra história.
O caso é que, devido a essa operação comercial muito bem elaborada, um certo tipo de literatura acabou por desaparecer do mercado, embora continuasse a ser praticada em ambientes não "civilizados" pela literatura pulpesca. Uma literatura que não respeita os protocolos comerciais e mistura os gêneros ao ponto de não ser possível determinar a qual deles o texto pertence. Foi dessa literatura "selvagem" que se originou toda a literatura de gênero como a conhecemos hoje. 
Escritores identificados com uma das primeiras publicações do gênero, a Weird Tales – lançada em 1923 nos EUA –, foram os construtores das bases da fc&f contemporânea, como H. P. Lovecraft, Robert E. Howard, Clark Ashton Smith, entre outros. Mas eles não inventaram a roda. Antes deles, autores como Edgard Alan Poe, Ambrose Bierce, M. R. James, Lord Dunsany, Jan Potocki, Evgeni Zamiátin, entre outros, já enveredavam por esses caminhos obscuros. A maior parte é bastante conhecida e respeitada, mas há muitos que ainda não tiveram suas contribuições devidamente valorizadas. É o caso de Robert W. Chambers (1865-1933), escritor americano que escreveu dezenas de novelas populares, sendo O rei de amarelo uma de suas primeiras obras, publicada originalmente em 1895. O livro reúne vários contos mais ou menos amarrados por citações e referências interligadas à ideia de uma peça, chamada justamente "O rei de amarelo", cuja leitura leva à loucura. 
A edição da Intrínseca, publicada em 2014, traz nove contos mais um conjunto de dez poemas em prosa, e a excelente introdução de Carlos Orsi que acrescenta comentários e referências ao longo de todos os textos, apontando vínculos nem sempre tão evidentes como, por exemplo, a recorrência de nomes de personagens e cenários – que o comentador indica como sintoma de uma realidade paralela na própria mitologia da obra. 
Alguns dos contos têm o raro talento de nos fazer ter pesadelos, como "O reparador de reputações", "O emblema amarelo", "A máscara", No pátio do dragão" e "A demoyselle d'Ys". Outros são terror em estado primitivo, como "A rua da primeira bomba" um pungente drama de guerra que, a certa altura, torna-se um pesadelo. E ainda, textos de caráter realista, como "A rua dos quatro ventos", "A rua de Nossa Senhora dos Campos" e "Rua Barrée", cuja relação com o conceito de "O Rei de Amarelo" é bastante transversal.
O que causa tanto interesse nessa obra de Chambers é o conceito de universo compartilhado em torno de um livro amaldiçoado que, no caso, é uma peça de teatro. Em 1970, o escritor americano James Blish publicou uma versão pessoal para a peça maldita, ainda não traduzida para o português: apesar de Chambers estar em domínio público, Blish não está. 
Lovecraft, que cita Chambers em seu famoso ensaio O horror sobrenatural na literatura, emprestou do autor, com o "Necronomicon"  livro de segredos arcanos escrito por um místico árabe –, a ideia de um livro cuja leitura enlouquece, bem como a de uma mitologia antiga que ecoa no presente. Outro mestre do horror que confessou ser influenciado por Chambers foi Stephen King, e encontramos em A torre negra referências evidentes como, por exemplo, o Rei Rubro. 
O New Weird, movimento criado em 1990 por escritores como China Miéville, Paul Di Filippo e Jeff VanderMeer, entre outros, recuperaram o estilo Weird com algum sucesso, mas são rejeitados por muitos dos leitores formados pela leitura pulpesca, uma vez que suas histórias não obedecem os protocolos aos quais estes estão habituados e ainda vêm carregadas de questões políticas incômodas. 
Apesar de não estarem vinculados ao New Weird (encerrado nos primeiros anos do século 21), outros autores conseguem trabalhar de forma bastante similar ao estilo de Chambers, como a escritora russa Liudmila Petruchevskaia e o novaiorquino David Foster Wallace, entre outros. No Brasil, os casos mais bem sucedidos são os contos de Murilo Rubião e o romance Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron.  
A Editora Avec anunciou, há poucos meses, a publicação de uma outra antologia, Carcosa: Contos do Rei de Amarelo, republicando alguns dos textos de Chambers vistos na edição da Intrínseca, ao lado de contos de Poe, Bierce e Lovecraft.
A leitura de Chambers hoje se reveste de significado na medida que aponta para soluções narrativas não alinhadas aos protocolos de gênero criados pela industria editorial, servindo pois como boa influência para fugir das cansativas e previsíveis estratégias literárias ensinadas nos cursos e oficinas de literatura criativa que pululam por aí. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O rei de amarelo na faixa

Depois das bem sucedidas campanhas de venda de duas edições de O rei de amarelo, clássica antologia de horror de Robert W. Chambers, a editora Clock Tower disponibiliza para todos os interessados e edição completa desse livro em ebook, totalmente de graça. Além dos contos de Chambers, a edição ainda traz a biografia do autor e um apêndice com textos de Ambrose Bierce, Edgar Alan Poe e Gustave Nadaud.
A edição está disponível nos formatos pdf, epub e azw3: basta escolher e baixar sem qualquer custo.
Para favorecer a mais ampla divulgação da Clock Tower e da obra em questão, o editor Denilson E. Ricci motiva o compartilhamento. Então, aproveite.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O rei de amarelo em 3 tempos

Já convivemos, há alguns anos, com uma face ainda suave de um fenômeno que vai mudar radicalmente a maneira como editores e leitores se relacionarão com a literatura de fc&f no futuro. Não se trata dos dispositivos eletrônicos nem de qualquer outro gadget tecnológico, mas sim da cada vez mais próxima era em que as comportas do direito autoral das grandes obras da literatura de fc&f serão rompidas. Conforme os dias passam, a obra de mais autores entra em domínio público e livros esquecidos há décadas, por conta dos altos custos que seus herdeiros praticavam, voltarão a moda.
Este ano podemos testemunhar um caso típico. A obra do escritor americano Robert W. Chambers (1865-1933) entrou em domínio público e nada menos que três editoras apresentaram traduções simultâneas de seu trabalho mais célebre, The king in yellow, originalmente publicado em 1895, obra que influenciou os autores do período weird e contribuiu decisivamente para a formação dos gêneros fantásticos.
A obra apareceu primeiro no início de 2014 pela Editora Intrínseca, sob o título de O rei de amarelo, logo seguida pela tradução da Editora Arte & Letra, O sí­mbolo amarelo e outros contos. Agora é a vez da editora independente Clock Tower apresentar a sua versão para a coletânea.
O diferencial da edição da Clock Tower é o requinte de um volume dirigido ao leitor apaixonado por livros. Isso porque terá capa dura, fita marca-página, contos extras adicionados por Chambers ao livro original, ilustrações internas, além de ser uma edição numerada. Nada poderia ser mais exclusivo, portanto.
Diz o editor, Denilson Ricci, ele mesmo um fã de fc&f: "Existe uma lenda em torno desse tomo que dizem ser maldito, influenciando psicologicamente quem o possuir por guardar secretos terríveis do universo".
O volume está em pré-venda no loja da Clok Tower, aqui. Mas é preciso correr, porque a tiragem é limitadíssima.