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sábado, 3 de setembro de 2011

Ruby F. Medeiros (1924-2011)


Chegou hoje a triste notícia do passamento de um dos mais destacados fãs e colecionadores de livros de ficção científica no Brasil, o Dr. Ruby Felisbino Medeiros. Nascido em 31/08/1924, em Caxias do Sul, era formado em Ciências Contábeis e medicina (UFRGS), e desde a infância interessou-se pela FC. Ao longo de sua vida construiu uma das maiores biblioteca do gênero no Brasil, que incluía livros em diversas línguas.
Medeiros residia em Porto Alegre e, junto com sua esposa Norma, falecida em 2002, fundou o Laboratório Escola de Ficção Científica Robert A. Heinlein, através do qual promovia encontros com fãs e escritores da região.
Medeiros era um fã de espírito conservador e recusava-se a usar computadores na produção de seu fanzine Notícias... do Fim do Nada, que produziu com uma máquina de escrever de 1992 até 2009, quando lançou a derradeira edição número 82, comentada aqui.
Contudo, considero sua principal contribuição a publicação do Acervo Bibliográfico em língua portuguesa de ficção científica de Ruby F. Medeiros, trabalho de pesquisa único no gênero, que relaciona, por autor, a ficção curta publicada nas muitas antologias, revistas e fanzines brasileiros e portugueses. Não é completo e está bastante desatualizado, mas ainda é um volume de referência valioso.
Dr. Ruby faleceu em Porto Alegre, na manhã de seu aniversário, aos 87 anos, em decorrência de complicações causadas por um AVC.
A foto que ilustra este artigo foi publicada originalmente na Revista ZH, em 12/03/1995 e reproduzida no fanzine Notícias do Fim do Nada 59, de onde foi capturada.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Noticias... do Fim do Nada


Há alguns dias, rolou na lista de Literatura Fantástica do CLFC informações sobre a descontinuação, no número 82 (julho a setembro de 2009), de um dos últimos fanzines brasileiros de ficção científica em papel, o Notícias... do Fim do Nada, editado pelo médico aposentado e colecionador de livros de ficção científica Dr. Ruby Felisbino de Medeiros, de Porto Alegre.
O fanzine surgiu por volta de 1990 como órgão oficial da Laboratório Escola de Ficção Científica Robert Heinlein coordenada por Medeiros e manteve uma invejável regularidade, publicando quatro volumes por ano, sem falhas.
Nos primeiros tempos do fanzine, Medeiros costumava apresentar amplas listas de pesquisa, a partir do que publicou em fascículos o ousado Acervo Bibliográfico em Língua Portuguesa de Ficção Científica que pretendia relacionar, em ordem alfabética por autor, todos os contos do gênero publicados em português. Mais tarde, Medeiros os reuniu em um único volume e, mesmo incompleto e desatualizado, ainda é uma ferramenta valiosa e sem paralelo para os pesquisadores do gênero. O NFN também abriu um espaço enorme para autores novos e muitos trabalhos significativos foram publicados em suas páginas.
O editor fazia questão de uma apresentação limpa e organizada, meticulosa nos detalhes, mantendo sempre o mesmo formato em cópias perfeitamente legíveis. O fanzine também era rigoroso no conteúdo, de modo que as edições apresentavam sempre a mesma aparência geral. A linha editorial era conservadora e apegada a FC golden age, com uma generosa dose de tecnofobia: Medeiros recusou-se terminantemente a adotar a tecnologia digital. Nunca montou um site ou em blog e sequer teve um endereço eletrônico.
A certa altura, depois de uma consulta aos leitores, o fanzine reduziu a publicação de notícias e resenhas, privilegiando ficção e artigos de pesquisa. Aos poucos, deixou de publicar também as famosas listas, restringiu o corpo de colaboradores e ocupou a maior parte das páginas com reproduções de textos obscuros vistos revistas antigas e cópias de recortes de jornais. Nos últimos tempos, a divulgação e as resenhas de livros haviam retornado timidamente.
Um dos mais frequentes colaboradores do NFN foi o escritor carioca Miguel Carqueija. Eis aqui um trecho de sua mensagem na lista acima referida: "Num lacônico editorial, Ruby Felisbino Medeiros dá vagamente as razões: 'Várias causas obrigam-me a encerrar diversas tarefas'. O que provavelmente está pesando é a idade do editor (85 anos). E embora ele diga 'Procura-se outro editor', acho pouco provável que alguém mais assuma... Quem acompanha, como eu, a FCB desde os anos 80, pode constatar como os tempos mudaram e como a internet mudou os hábitos de autores e editores, no plano amador."
Dr. Ruby dedicou-se também a ajudar os colecionadores amigos a conseguirem livros raros de FC&F, e foi o criador da expressão "Cemitério da FC", o lugar para onde iriam as extintas publicações brasileiras de FC . Lamentavelmente, o NFN também para lá agora se encaminha.