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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Resenha: Uma estrela vermelha, Alexander Bogdánov

Uma estrela vermelha
(Красная звезда), Alexander Bogdánov. 322 páginas. Tradução de Thais Rocha. São Paulo: Cartola, 2020. Edição original de 1908.

Uma estrela vermelha é uma coletânea de textos especulativos do escritor russo Alexander Bogdánov (1873-1928) que, por um bom tempo, foi ativista no processo revolucionário que levou a Rússia do regime czarista para o comunismo soviético. Também foi um homem interessado em conceitos ligados à imortalidade, e todo o seu pensamento está retratado nas novelas e poemas que compõem o volume organizado e publicado pela Editora Cartola em 2020. São eles "Uma estrela vermelha" (novela), "O engenheiro Menni" (novela), "Festival da imortalidade" (noveleta) e os poemas "Um marciano preso na Terra", "Natasha", "Nina", "No céu da juventude brilha...", "O sino afundado de Hauptmann" e "Vozes do destino". O volume ainda conta com uma longa introdução história sobre o autor e sua obra, assinada pelo pesquisador e professor Alexander Meireles da Silva (UFG).
A parte principal do livro é composta pelas novelas "Uma estrela vermelha" e "O engenheiro Menni". A primeira narra a aventura de um russo do início do século XX que é levado a Marte e todas dificuldades físcas e psicológicas que enfrenta para se enquadrar na sociedade comunista marciana. Em "O engenheiro Menni", o melhor momento da coletânea, somos levados ao passado da história marciana, quando o grande engenheiro Menni, uma espécie de herói planetário, propôs e executou a construção dos canais marcianos que levaram o planeta de uma sociedade capitalista para o comunismo. A novela e os poemas que completam a seleta são peças livres, mais ou menos correlacionadas com as narrativas principais, mas que podem ser apreciadas individualmente. 
Apesar do que se espera do discurso de um ativista comunista, o texto das novelas não é proselitista. Era de se esperar que Bogdánov pensasse no comunismo como uma evolução política natural do capitalismo, uma uma vez que o comunismo proletário só pode surgir em um ambiente em que houvesse a guerra entre classes. Contudo, em muitos momentos, o discurso de Bogdánov soa ambíguo e inseguro, como se o autor não tivesse muita certeza das benesses do socialismo, mesmo em comparação com os vícios perversos do sistema capitalista, muito bem delineados na novela "O engenheito Menni". A questão fica como tema para reflexão dos leitores, que continua intrigante mesmo à luz do "capitalismo vitorioso" deste do século XXI. 
Uma estrela vermelha não é um livro fácil de ler. O texto é demasiadamente descritivo, os conflitos são internalizados, não há muita ação e os aspectos filosóficos ocupam as discussões de forma mais evidenciada. A edição da Cartola, infelizmente, não é das melhores pois apresenta muitos muitos erros ortográficos que poderiam ter sido corrigidos com uma revisão mais atenta. Minha leitura foi na versão digital, disponível no acervo da biblioteca digital BibliOn, mas imagino que as falhas ortográficas também devam estar presentes na edição impressa. Apesar das dificuldades, é um livro significativo que merece a leitura atenta. 
Há ainda uma outra edição do título no Brasil, publicada pela Boitempo em 2020 – e também disponível na BibliOn – contudo, apresenta apenas a novela que lhe dá título. Para uma visão mais ampla do trabalho de Bogdánov, vale a pena procurar pela edição da Cartola.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Lançamento: Relatos de pesadelos, Helena Blavatsky

A escritora russo-ucraniana Helena Blavatsky (1831–1891) é mais conhecida por seus livros metafísicos, mas aqui temos um exemplo de como a ficção fantástica foi, e ainda é, usada como suporte metafórico para dar corpo a discursos filosóficos. Publicado originalmente em 1892, Relatos de pesadelos (Nightmare tales) é um texto raro na obra da autora, que envereda pela literatura de horror para discutir teses das doutrinas teosóficas. 
Diz o texto de divulgação: "um cético europeu educado no materialismo e na negação de tudo que escapa à lógica científica, vê seu mundo ruir após um encontro com um misterioso monge japonês, um Yamabushi, que o conduz a uma experiência de clarividência devastadora. Movido pelo desespero de descobrir o paradeiro da irmã, o narrador se submete a um ritual que rompe os limites entre corpo e espírito, pagando um preço alto demais por desafiar aquilo que sua razão se recusa a aceitar. Após negar o ritual de purificação proposto pelo monge, o narrador sela assim o seu destino: a visão espiritual permanece aberta, tornando-se uma maldição."
Relatos de pesadelos tem tradução de Fernanda Miranda e está em campanha de financiamento direto aqui, pela Editora Cartola, que ainda não finalizou a diagramação, mas promete um volume com 150 páginas. A campanha se encerra no dia 12 de julho.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Os horrores de Mary Shelley

Até o dia 15 de fevereiro, está aberta aqui para apoios uma campanha de financiamento direto para vabilizar a publicação da coletânea de contos Os horrores de Mary Shelley, da escritora britânica considerada fundadora do gênero da ficção científica com o romance Frankenstein. Mas a obra da autora é bem maior e esta coletânea prova isso.
Diz o texto de apresentação: "No sombrio universo criado pela autora de Frankenstein, Mary Shelley nos conduz por uma jornada fascinante aos recantos mais obscuros da condição humana e da imaginação. Nesta coletânea de contos góticos, o medo, o desejo e a morte se entrelaçam em narrativas que revelam sua genialidade ao explorar o sobrenatural, as transformações e a fragilidade da alma. Com maestria incomparável, Shelley combina a beleza das narrativas sombrias com reflexões profundas sobre o amor, a perda e as consequências das escolhas humanas."
O volume reunirá dez contos: "A garota invisível", "Ferdinando Eboli", "O herdeiro de Mondolfo", "O luto", "O mortal imortal", "O sonho", "Os peregrinos", "Sobre fantasmas", "Transformação" e "Valério, o romano reanimado", tratando de assuntos como invisibilidade, mundo dos mortos, maldições, mundo dos sonhos, troca de identidades e outros temas ligados à ficção fantástica. 
Promete-se um livro com aproximadamente duzentas páginas, com organização e tradução de F. T. Rossi e publicação da Editora Cartola.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Relançamento: O dia de Saturno, Diego Mendonça

"Cansada, faminta e solitária, Liliane vaga pelo Norte brasileiro em busca de recursos para sobreviver ao Dia de Saturno. Quando o sábado chega, 'eles' despertam para o mundo. A melhor opção, nesse caso, é se esconder.
Liliane vaga por um mundo devastado pelas bombas-nucleares, poder bélico usado no desespero de conter a 'Praga de Saturno'; armas que aniquilaram a humanidade até quase o pó, criando um novo ecossistema de aves carniceiras e outras criaturas parasitas. Ao lado do fiel amigo, o cachorro Fenrir, usa de toda a tenacidade e teimosia para resistir ao mundo vazio."
Esta é a sinopse de divulgação de O dia de Satuno, romance de estreia do escritor gaúcho Diego Mendonça, primeiro publicado pela Editora Cartola em 2019, que agora chega em versão totalmente reelaborada pelo autor, em um projeto de financiamento direto da Editora O Grifo, que conta com uma série de recompensas para animar os apoiadores. 
A edição original tinha 120 páginas mas, devido a revisão, a nova versão certamente deverá ser diferente. 
Para mais informações e apoios, visite a página do projeto, aqui.