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sábado, 13 de setembro de 2025

Resenha: A morte da Terra, J. H. Rosny Aîné

A morte da Terra
(La mort de la Terre), J. H. Rosny Aîné. 128 páginas. Tradução de Julia da Rosa Simões. Ilustrações de Rodrigo Rosa. Prefácio de Mia Couto. Porto Alegre: Piu, 2019. Originalmente publicada em 1910.

Desde que os textos de ficção científica começaram a cair em domínio público, muitos autores famosos e obscuros têm atraído o interesse das editoras brasileiras, ampliando a variedade de conceitos disponíveis aos leitores neste início de século. É o caso do objeto desta resenha.
O escritor belga J. H. Rosny Aîne (1856-1940) é mais conhecido por A guerra do fogo (La guerre du feu, 1909), que chegou a ter uma versão filmada em 1982 por Jean-Jacques Annaud, mas o autor tem também uma vultosa produção literária ligada ao fantástico. 
A morte da Terra é uma novela de ficção científica publicada em 1910, e parece ter os cento e tantos anos que carrega. Trata-se de uma peça de leitura fácil mas extremamente descritiva e quase sem diálogos, que denota uma certa falta de jeito do autor com um gênero que ainda não estava plenamente estruturado, quase como se pedisse desculpas ao leitor por tratar o tema a partir de uma visão tão ficcional. Ainda assim, como se diz, é um trabalho "fora da curva". A começar pela preocupação com o meio ambiente, que só passou a ser considerada de modo efetivo a partir dos anos 1970. Apesar de afinada com a ficção romântica decadentista do final do século XIX, A morte da Terra mostra aspectos consistentes com os protocolos da ficção científica que, naquela época, ainda estavam em uma fase germinal. 
De um ponto de vista estético, esta novela de Rosny-Ainé lembra Quinteto, filme de 1979 de Robert Altman, no qual vastidões estéreis e silenciosas contrastam dolorosamente com espaços claustrofóbicos, embora em Quinteto tudo seja muito gelado, enquanto que em O fim da Terra é abrasador.
A história se passa cinco mil anos no futuro, num planeta Terra em crise climática profunda, no qual praticamente toda a água, doce e salgada, desapareceu. As derradeiras comunidades humanas, com poucas centenas de indivíduos, ainda que dotadas de tecnologia, só sobrevivem porque dispõem de cacimbas cuidadosamente preservadas, mas elas estão cada vez menores. Nesse ambiente inóspito, novas espécies prosperam, como uma espécie de ave inteligente com a qual os homens interagem, e seres microscópicos baseados em ferro – chamados de ferromagnéticos – que formam colônias enormes e de deslocamento lento, mas que pode matar humanos desavisados absorvendo o ferro de seus corpos. Quando um terremoto dá fim as reservas de água das comunidades humanas, os últimos homens enfrentam a morte num desapaixonado ritual de suicídio grupal. Porém, um pequeno grupo familiar recusa-se a morrer e empreende sucessivas explorações a procura de bolsões do líquido vital que podem estar escondidos nas profundezas da terra, em cavernas inexploradas.
Dessa forma, A morte da Terra dialoga com o contemporâneo subgênero do solarpunk em seus contornos gerais, e pode mesmo ser um primo distante de "Demônios", de Aluísio Azevedo. O que separa estes exemplos do solarpunk é que este traz aspectos de resistência civil deliberada contra as instâncias de poder, que não é tão evidente nestas histórias.
A novela é curta, possível de ler em menos de três horas, e conta com uma edição de 2023 pela Editora Piu, de Porto Alegre, com tradução de Julia da Rosa Simões e prefácio do escritor moçambicano Mia Couto.
Uma ótima oportunidade para visitar as origens da ficção científica deste autor tão pouco traduzido por aqui. 

sábado, 30 de agosto de 2025

Resenha: Como aprendi a amar o futuro

Como aprendi a amar o futuro: Contos solarpunk
Francesco Verso & Fabio Fernandes, orgs. 350 páginas. São Paulo: Plutão, 2023.

É incrível que não estejamos falando da antologia Como aprendi a amar o futuro desde o seu lançamento há dois anos. Pois trata-se da mais expressiva novidade no ambiente da fc desde o surgimento do cyberpunk, nos anos 1980. Porque ela é estranha e um pouco assustadora, como, aliás, toda a fc deveria ser. 
Desde a publicação em 2012 da antologia Solarpunk: Histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável, pela Editora Draco, ficou a impressão que o subgênero ali proposto não passava de uma variação ao cyberpunk com tecnologias verdes. Dizia-se que o solarpunk propunha uma ficção que apontava para um futuro no qual a humanidade daria certo, escapando do apocalipse e da distopia.
Se fosse mesmo isso, seria uma fc ingênua e equivocada, uma elegia a tecnocracia futura na qual todos os problemas causados ao meio ambiente planetário pela tecnologia seriam resolvidos, vejam só, pela própria tecnologia. Há, de fato, muita gente que pensa assim: para quê preservar o mundo hoje se a tecnologia irá nos salvar amanhã?
Bem, não é o que sugerem os treze contos e os três ensaios reunidos nas 350 páginas de Como aprendi a amar o futuro: Contos solarpunk, antologia organizada pelos pesquisadores Francesco Verso (Itália) e Fabio Fernandes (Brasil), publicada pela Plutão Livros em 2023.  
Para os autores presentes na antologia, a concepção do solarpunk não é, de forma alguma, positivista ou utópica.  Pelo contrário, é bastante pessimista, porque reconhece que o ponto sem volta já foi ultrapassado e o desastre ambiental é inevitável. Na verdade, já estamos vivendo suas consequências e não há como escapar, a não ser que aconteça alguma coisa muito radical e subversiva.
Tratam-se de histórias em que pessoas comuns tomam para si a tarefa de construir uma nova forma de viver num mundo devastado pela poluição e pela crise ambiental causadas pelas corporações e pelas elites que continuam fazendo o que sempre fizeram. Trata-se de uma ficção engajada, que pretende mostrar alternativas de sobrevivência dentro desse inevitável futuro ambiental destroçado. Uma fc politicamente militante, mais social e menos individual, que também discute aspectos ligados a diversidade étnica, cultural, de gênero e de pessoas com deficiência. Uma ação de guerrilha tecnológica, na qual grupos comunitários assumem a responsabilidade e o controle de sua sobrevivência em meio ao caos ambiental, a revelia das decisões de governo, que nos colocaram nessa enrascada para começo de conversa. 
Nas 350 páginas da antologia, textos de várias procedências, vindos de Argentina, EUA, China, Austrália, França e Espanha: "Empatia bizantina", de Ken Liu, "O zelador do Farol", de Andrew Dana Hudson, "Beton betularia", de Maria Antònia Martí Escayol, "Omnia sol temperat", de T. P. Mira-Echeverría e Guillermo Echeverría, "Contaminações", de Sylvie Denis, "Com uma bicicleta espacial vai-se a qualquer lugar", de Ingrid Garcia, "A terra-corpo", de Ciro Faienza, "A força da serpente é a força da gente", de Brenda Cooper, "Falácia efetiva", de Qiufan Chen, "O rancho espiral", de Sarena Ulibarri, "Linha de frente", de Gustavo Bondoni, e os brasileiros "Nina e o furacão", de Ana Rüsche e "Presságio de solidão", de Renan Bernardo. Também traz ensaios, assinados por Fabio Fernandes, Andrew Dana Hudson e Francesco Verso, conceituando o subgênero, citando precurssores e estabelecendo seus protocolos, tudo muito didático, embora o texto de Hudson tenha um quê de manifesto.
O time de tradutores também é grande: Jana Bianchi, Fernanda Castro, Morgana Feijão, Marina Scardoelli, Lina Machado, Thiago Ambrósio Lage, André Caniato. A capa traz um trabalho de Sávio Araújo.
Não que inexistam textos na fc tradicional que esbarram no tema, como os de Kim Stanley Robinson, que é citado nos ensaios publicados. No Brasil, escritores como Simone Sauressig ("O cuco de samaúma", em Universo Pulp: Multipunk, Avec, 2022) e Daniel Galera ("Tóquio" em O deus das avencas, Companhia das Letras, 2021) aproximaram-se do tema, mas a eles faltava o componente explosivo que abunda em Como aprendi a amar o futuro.
A edição só está disponível em ebook, e dá para ler de graça emprestando um exemplar na BibliON, aplicativo oficial da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo que, aliás, foi como eu li. 
Vale a pena conhecer a antologia e entender o que realmente vem a ser esse tal de solarpunk. É para mexer com os brios e dar vontade de começar sua própria guerrilha contra o capitalismo agora mesmo.
A luta continua!

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Lançamento: Vilão iniciante, John Scalzi

Vilão iniciante
(Starter villain) é o um romance de ficção científica do escritor americano John Scalzi (mesmo autor de A guerra do velho); publicado originalmente em 2023, o romance foi finalista do Hugo e vencedor do Dragon Award. 
A história tem o seguinte contexto: "Depois de um divórcio conturbado, Charlie abandonou o trabalho como jornalista e passou a se dedicar ao ensino, mas não tem nem muito dinheiro, nem amigos ou parentes próximos, só sua gata um tanto indiferente lhe faz companhia. A verdade? Ele anda mesmo é tendo uma vida de cão.
Quando é incumbido de atender ao último pedido de seu recém-falecido tio Jake, uma pessoa que não via ― nem desejava ver ― desde pequeno, Charlie descobre que é o único herdeiro de uma enorme fortuna. Mas toda essa grana foi acumulada graças aos negócios secretos do tio como supervilão, com covil em uma ilha vulcânica e tudo. No entanto, o novo cargo de vilão iniciante não é só alegrias, laser gigantes e poços de lava. É também dar conta de todos os adversários ricaços atraídos pelo tio durante os anos, verdadeiros Ernst Stavro Blofeld, Raoul Silva e Auric Goldfinger, arqui-inimigos de 007. Entre desavenças e facadas nas costas, agora cabe a Charlie tomar um partido nessa disputa centenária pelo controle do planeta enquanto lida com seu novo estilo vilanesco de vida."
Vilão iniciante, que tem 288 páginas, chega agora ao Brasil pela editora Aleph, com tradução de Giu Alonso e lançamento previsto para o dia 19 de agosto.

sábado, 21 de junho de 2025

Saga Vagary, Fernanda Martins

Uma das mais importantes ações que a literatura de fcf deveria sustentar é a produção de ficção para crianças e jovens. Isso porque é fundamental, para o futuro do gênero, que haja leitores quando a atual geração tiver passado. E isso não está longe: o alto preço dos livros demonstra que, hoje, o principal grupo leitor são os adultos. Num futuro próximo,  quando esse grupo desaparecer, quem ficará para manter a bandeira em pé?
O mercado de literatura infanto-juvenil busca manter sua valiosíssima produção, embora seja praticamente invisível no fandom, que tem por ela um inexplicável preconceito.
A Saga Vagary é um desses exemplos. Trata-se de uma série de sete livros de fantasia para crianças, de autoria da escritora potiguar Fernada Martins, que esteve presente este ano no estande do coletivo Escreva Garota!, na Feira do Livro do Pacaembu. Fernanda promoveu os três primeiros volume da série: O poder das luvas mágicas (2022), Malu, cadê você? (2023) A profecia (2025).
Diz o texto de divulgação: "A autora usa sua experiência como mãe para falar sobre medos e desafios que fazem parte da infância. As personagens principais são inspiradas nas suas filhas, que, juntas, enfrentam medos, mas também boas surpresas. Tudo isso num mundo mágico, cheio de seres encantados e descobertas. Em O poder das luvas mágicas, Malu descobre um segredo da mamãe, conhece o mundo mágico e ajuda a sua irmã Bia a perder o medo gigantesco que sentia por luvas. No segundo livro, Malu, cadê você?, as gêmeas exploram um lago cristalino repleto de seres encantados e se divertem bastante". 
As ilustrações são de Carlos Varejão e a edição é da própria escritora. Para mais informações, a autora mantém um perfil nas redes sociais, aqui.

sábado, 30 de novembro de 2024

Silo

Por volta de dez mil pessoas vivem em uma torre subterrânea de cento e quarenta andares totalmente isolada da superfície. O complexo é autônomo, reciclando seu próprio oxigênio e água, e produzindo alimentos e energia para toda a população. Tudo isso porque a atmosfera do planeta é mortal para os seres humanos: um simples vazamento poderia trazer a morte para todos. Logo, a única alternativa para a continuidade da vida é manterem-se isolados dentro da torre. 
Décadas antes, um grupo de rebeldes se revoltou e tentou abrir caminho a força para a superficie. A revolta foi contida, mas abalou as relações político-sociais na torre. Desde então, dissidentes que manifestem o desejo de sair recebem permissão para isso desde que se comprometam a limpar a lente da câmera que vigia continuamente a superfície. Porém, todos morreram após alguns minutos de caminhada no exterior. Em todas as vezes, a população a torre assistiu aquelas breves jornadas na esperança de que, finalmente, a pessoa sobrevivesse. Mas isso nunca aconteceu.
Para que a população não aumente, a reprodução é mantida sob controle, e só alguns casais, a cada ano, obtém permissão para gerar filhos. Quando o xerife da torre e sua esposa conquistam essa benção e a alegria de ter um filho parece finalmente ser uma realidade, algo dá errado: a gravidez não se consolida e a mulher, uma importante técnica de TI, começa a desconfiar de que existe algum tipo de conspiração na torre. Isso a coloca em contato com um engenheiro que acredita ser possível obter informações do passado a partir de relíquias tecnológicas ilegais dos tempos pré-torre, para descobrir o que houve com o mundo e encontrar um modo de retornar para a vida na superfície em segurança. A investigação vai colocar em movimento uma série de ações dramáticas que podem por toda a torre em risco. 
Essa é a premissa da série de tv Silo, inspirada na série de romances do escritor americano Hugh Howey – que conta com três volumes: Silo (Wool), Ordem (Shift) e Legado (Dust), publicados no Brasil pela Intrínseca. A série de tv é produzida por Graham Yost e está em exibição desde 2023 no sistema de streaming Apple TV+, e recentemente estreou sua segunda temporada. É estrelada por Rebecca Ferguson, Rashida Jones, David Oyelowo, Common, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez Chinaza Uche e Tim Robbins, ator veterano que também assina a produção. 
A primeira temporada tem dez episódios muito bem produzidos, com cenografia deslumbrante e uma narrativa repleta de mistérios instigantes que vão se complicando a cada novo episódio. A história dialoga de perto com pelo menos dois clássicos da ficção científica: Plano Sete (Level 7, 1959), do escritor israelense Mordecai Roshwald, e A cidade dos asfixiados (La cité des asphyxiés, 1937), do escritor francês Régis Messac. Mas cada uma das histórias têm méritos próprios e valem ser conhecidas. 
Claro que nem tudo é perfeito em Silo. Muitas coisas são mostradas superficialmente, sem que se dedique o mínimo de tempo para explicar como aquilo tudo é possível. A tecnologia, em tudo similar a algo saido dos anos 1990, está em uso há mais de um século e continua funcionando perfeitamente. Mas, do mesmo modo que as histórias de ficção científica espacial não explicam como as naves podem fazer ruídos no vácuo do espaço, é preciso fazer vista grossa para tais inconsistências. Afinal, o que importa são os dramas humanos que se desenrolam ali. Mas algumas coisas são difíceis de ignorar.
Para dar um gostinho, veja aqui o trailer promocional da primeira temporada da série. Os quatro primeiros episódios estão disponíveis no pacote de assinatura da tv a cabo Now, da operadora Claro.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Oráculo inverso e outras histórias sobre a independência do Brasil

Curioso projeto, publicado em 2023, bancado pelo Centro de Estudios Brasileños de la Universidad de Salamanca. Trata-se de uma antologia de contos em português de autores brasileiros sobre o tema "O bicentenário da independência do Brasil".
A antologia é organizada por Elisa Tavares Duarte e Esther Gambi Giménez, e reúne textos selecionados na sexta edição do concurso “Cuéntame un cuento”, com objetivo de estimular o conhecimento da realidade brasileira através da literatura.
O volume tem 190 páginas e traz textos de Mario Daniel Martín, Angela Drummond, Di Flores, Cláudia Cristina Guelfi Faga, Rogério Amaral de Vasconcellos, Jacqueline Gama de Jesus, Karina Mendonça, Darío Alejandro Poyanco Bravo, José Eduardo Marco Pessoa, J. C. M. Magalhães e Diego Cavalcante Sampaio, e apresentação de Pedro Serra. 
Não se trata de uma antologia específica de ficção fantástica mas, como traz pelo menos um nome vinculado ao fandom brasileiro de fc – o amigo Rogério Amaral de Vasconcellos –, é possível esperar que o gênero também esteja ali representado. 
O volume pode ser lido online ou baixado gratuitamente no site da Ediciones Universidad Salamanca, aqui.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Imerso nas sombras, Roberto Schima

Imerso nas sombras
é uma megacoletânea de contos de horror do escritor paulistano Roberto Schima. O volume teve publicações anteriores por diversas plataformas de auto-edição, sendo esta a mais atualizada. São 701 páginas com mais de cinquenta histórias originais deste que é um dos mais elogiados escritores da segunda onda da ficção científica brasileira, que também tem um belo portfólio em contos de fantasia e terror. 
Diz o texto de apresentação do próprio autor: "Dizer tratar-se de uma antologia de horror é um tanto exagerado. Antes de mais nada, preciso deixar claro que, de um modo geral, meus contos e noveletas estão longe de serem assustadores. Alguns beiram mais à fantasia, outros são singelos, nada havendo de terrível, constituindo-se apenas situações fora do normal, ou digamos, sobrenatural. Certas histórias são juvenis, outras, mais adultas, mas, de um modo geral, os monstros (vampiros, lobisomens, fantasmas e afins), quando surgem, fazem mais os papéis de heróis, revelando no ser humano o verdadeiro aspecto monstruoso que procuro apontar. Afinal, desde criança, fui alguém que amava os monstros, fossem eles sobrenaturais, mitológicos, pré-históricos, abissais ou do espaço. Desenhava meus monstros e, como tem sido de praxe em meus livros, colocarei algum exemplos na seção 'Galeria' no final do livro. Ah! Apesar do que escrevi acima, se eventualmente alguma história causar um calafrio ou até fizer perder o sono, prometo não ficar preocupado e deliciar-me-ei prazerosamente com isso."
O volume está disponível aqui, exclusivamente em formato digital.

sábado, 18 de maio de 2024

Legendas HQ

Estão disponíveis as edições 3 e 4 do fanzine digital Legendas HQ, resultado da combinação de esforços dos fanzines Cabal, Múltiplo, Profecia, Quadritos, QI e Tchê. A ideia é que cada editor contribua com conteúdo por ele mesmo montado. Trazem quadrinhos, artigos, entrevistas, resenhas e pinups de diversos artistas. O resultado é incomum mas confortável para leitores acostumados com as ousadias editoriais dos fanzines. 
O número 3, publicado em dezembro de 2023, traz 60 páginas com quadrinhos de Oscar Suyama, Edgar Franco, Denilson Reis, Julio Shimamoto, Jerry Souza, Fernando Merlo, Luis Claudio Rodrigues e Clodoaldo, além de artigos de Edgard Guimarães, Marcos Freitas, Denilon Reis e Ciberpajé. A capa traz uma arte do mestre Shimamoto.
O número 4 saiu em março de 2024 e tem 76 páginas com quadrinhos de Luiz Iório, Shimamoto, Marcos Freitas, Luga, Joacy Jamys, Jerry Souza, Jader Correa e artigos de Edgard Guimarães, Denilson Reis e Marcos Freitas. A arte da capa não foi creditada, mas que parece ser de Antônio Eder.
Nota-se a ausência absoluta de artistas femininas entre os publicados, o que confirma o grande distanciamento dos fanzines de quadrinhos (só aqui são seis) dos ideiais de uma sociedade mais inclusiva, algo que ainda está por ser feito. 
Ambas as edições do Legendas HQ podem ser baixadas gratuitamente aqui.

terça-feira, 19 de março de 2024

Renan Bernardo é indicado ao Nebula 2023

A Science Fiction and Fantasy Writers Association (SFWA) anunciou na semana passada os finalistas do 59º Nebula Award, prêmio que reconhece a excelência dos trabalhos de ficção científica publicados em língua inglesa no ano anterior na opinião dos seus associados. 
Este ano, a novidade é a indicação do trabalho de um autor brasileiro na categoria Noveleta. Trata-se de “A short biography of a conscious chair”, de Renan Bernardo, publicado na web magazine Samovar e disponível para leitura aqui
Renan Bernardo é escritor e tradutor, nascido no Rio de Janeiro em 1988. Sua estreia aconteceu em 2015 na plataforma Wattpad, com a novela A sala do tempo. Teve contos publicados no fanzine digital A Taverna (2019) e na antologia digital Como aprendi a amar o futuro (Plutão, 2023), bem como a noveleta O rio que passou em minha vida, publicada digitalmente em 2021 pela editora Dame Blanch. Foi finalista do Prêmio Odisseia 2020 e do Prêmio Argos 2020. A partir de então, passou a escrever em inglês e teve trabalhos publicados pela Tor.com, Apex Magazine, Podcastle e outras. 
Os vencedores do Nebula 2023 serão anunciados no dia 8 de junho, em Pasadena, Califórnia, com transmissão ao vivo pela internet.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Miragens circulares do miraculoso quadrado, Sofia Soft

Publicado ainda em 2023, Miragens circulares do miraculoso quadrado é um texto altamente experimental de contornos próximos à ficção científica, de autoria de Sofia Soft.
Diz o Soft sobre seu trabalho: "{miragens circulares do miraculoso quadrado} é a invocação mediúnica de uma espiral de livros & filmes que ressoam em mim, filtrada pela minha imaginação e esmagada por uma tonelada de inquietações sobre a natureza da Realidade."
A obra tem duas partes essenciais: a literária, chamada pela autora de "ficção-enigma", pode ser lida online ou baixada gratuitamente em vários formatos aqui. Já a parte impressa é composta de "seis gravuras digitais em papel opaline 180g, no formato 21 x 21 cm, mais doze cartões de 8 x 8 cm que, reunidos na ordem correta, contam a fabulosa história do milagroso emplastro MetaPhenomenon"; esta parte pode ser encomendada diretamente com a autora, cujo contato está aqui. Sofia Soft é um dos inúmeros heterônimos do escritor paulista Nelson de Oliveira, que é garantia de uma experiência narrativa e literária incomum.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Coração de cachorro, Mikail Bulgakov

O jornal curitibano Gazeta do Povo está distribuindo pela internet um ebook com a novela de ficção científica satírica Coração de cachorro (Собачье сердце), do médico e escritor russo Mikhail Bulgakov (1891-1940), que se insere na tradição das histórias sobre animais falantes, ao lado de A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, e Ápio e Virginia, de Gertrude E. Trevelyan. 
Diz o texto de apresentação; "O médico Filipe faz experiências com o transplante de órgãos entre humanos e animais. Um de seus experimentos, no qual implanta uma glândula humana no cérebro de um cachorro, dá mais certo do que ele esperava. A nova criatura que surge da cirurgia desenvolve traços e (maus) comportamentos humanos e encontra seu espaço dentro da máquina burocrática estatal."
Originalmente escrita em 1925, Coração de cachorro só foi efetivamente publicada nos anos 1980, pois toda obra de Bulgakov sofreu com censura durante o governo soviético, do qual era forte crítico. Seu romance mais famoso, O médico e a margarida, também foi publicado postumamente, em 1966.
A novela está diagramada para ser lida em smartphones, tem 260 páginas, tradução Leialdo Pulz, e pode ser baixada gratuitamente no saite do jornal, aqui.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Lançamento: Verões fantásticos

Verões fantásticos
é uma antologia organizada por João De Lucca para o selo Picolé de Antimatéria, que foi publicada no finalzinho de 2023, com contos que abordam a estação mais quente do ano (pelo menos era, até antes das mudanças climáticas) sob a ótica do fantástico. 
O volume reúne textos de Ana Lúcia Merege, Luiz Felipe Vasques, Liana Zilber Vivekananda, Oghan N’Thanda, Sabine Mendes Moura, Ísis Marques, Klaus Provenzano, Juliana Berlim, Rodrigo Ortiz Vinholo, Lu Evans, Gustavo Whiters, Lucas Serafim, Rodrigo Koehler, Claudia Dugim, Guilherme Dizniz, e do próprio organizador, navegando da fantasia à ficção científica e ao terror. 
Diz o texto de apresentação: "Algo inesperado acontece e entramos no Verão. Isso mesmo! Com “V” maiúsculo, pois não vamos tratar aqui de uma mera estação do ano. É sobre um momento mágico, dourado, lisérgico, surreal, no qual nossas vidas ganham contornos, cores e cheiros que pertencem a esse mundo somente. Eu desejo muitas coisas boas para todos, mas se eu pudesse escolher uma só pra te dar de presente, ah… Seria um dia de Verão! Com sorte, um Verão inteiro. Agora leve isso para outros tempos, outros mundos, planetas, reinos. Fechem os olhos, sintam a brisa do mar, ouçam as cigarras ecoando na mata, e sintam-se abraçados pelo calor apolíneo. Permitam-se delirar!"
A antologia Verões fantásticos tem 365 páginas e pode ser adquirida aqui, unicamente em formato digital.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Literartes 18

Ainda em 2023, foi lançada a edição 18 da revista acadêmica LiterArtes, publicação eletrônica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, dedicada ao estudo dos diálogos contemporâneos da literatura infantil e juvenil com outras linguagens, sob coordenação editorial das professoras Karin Volobuef, Maria Zilda da Cunha Nathalia Xavier Thomaz. 
Junto à edição anterior, este número compõe um painel amplo sobre a ficção científica contemporânea. Em 265 páginas traz dez artigos e três resenhas, assinadas por Rhuan Felipe Scomacao da Silva, Jucélia de Oliveira Martins, Samuel Renato Siqueira Sant’Ana, Cido Rossi, Fernanda Aquino Sylvestre, Alexander Meireles da Silva, Ana Carolina Lazzari Chiovatto, Gabriele Cristina Borges de Morais, Damásio Marques da Silva, Gabriella Menczel, Raquel Mayne Rodrigues e Amanda Berchez. Ainda apresenta uma entrevista com a escritora e pesquisadora Ana Rüsche, que também assina uma das resenhas. A ilustração da capa é de Raphael Berthoud Oliveira. 
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

sábado, 13 de janeiro de 2024

Horror e ficção científica clássicas têm periódicos

A editora Tramatura, que em meados de 2023 lançou o primeiro número do periódico literário Científica Ficção, anunciou para breve a publicação do primeiro número do também periódico Gritos de Horror, igualmente apoiado na publicação de contos de autores estrangeiros, muitos dos quais caídos em domínio público. Essa parece ser uma tendência do mercado, que já oferece diversos projetos editorais nessa linha, e deve se ampliar, visto que muitos autores importantes de ficção científica, fantasia e horror também atingirão, em breve, setenta e cinco anos de suas mortes. 
A editora promete uma primeira edição de Gritos de Horror com mais de 250 páginas, com textos de Algernon Blackwood, Orville R. Emerson, Ambrose Bierce, Arthur Leo Zagat, Robert Bloch, August Derleth, Paul Compton e ainda, um texto do autor brasileiro Jefferson Sarmento. Completarão o volume uma coluna sobre o cinema de horror e uma entrevista com Edilton Nunes, editor do saite Stephen King Brasil
Mais informações no saite da editora, aqui.
E está disponível aqui a segunda edição de Científica Ficção, lançada no final de 2023, com 266 páginas e contos de Isaac Asimov, Frederik Pohl, Bradner Buckner, Tom Godwin, Ross Rocklynne, Paul W. Fairman, John W. Campbell Jr. e o escritor brasileiro Rubens Angelo.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Lançamento: O fantástico como gênero e modo atemporal

Está disponível para download gratuito a antologia O fantástico como gênero e modo atemporal, organizada por Fernanda Aquino Sylvestre (UFU) e Aparecido Donizete Rossi (UNESP) para a Editora Projetium, de Uberlândia. 
O livro tem 268 páginas e reúne nove ensaios acadêmicos sobre o fantástico na literatura, dos pesquisadores Silvia T. Zangrandi, Lúcio Reis Filho, Alexander Meireles da Silva, Luciana Colucci, Débora Furtado Moraes, Josilene Pinehiro-Mariz, Cynthia Beatrice Costa e Cinthia Raquel de Castro Silva, com a participação dos organizadores em alguns deles. 
Diz Cido Rossi na apresentação do volume: "As narrativas insólitas, em seus mais variados modos e gêneros, têm envolvido tanto leitores quanto espectadores – um fenômeno de longa data, que descende das narrativas orais de cunho maravilhoso, como contos de fada e outras manifestações do folclore, o que abarca
vampiros, bruxas, monstros, gênios, dragões, demônios, seres mitológicos e outras tantas personagens intrigantes, misteriosas e assustadoras que habitam um universo no qual nos confrontamos com o impossível. [...] Pensando nessa permanência dos diversos “fantásticos” e na sua extensão para diversos suportes, o livro O fantástico como gênero e modo atemporal acolheu textos do fantástico de maneira ampla, em suas diversas manifestações artísticas."
Este é o segundo livro publicado pelo Grupo de Pesquisa Vertentes do Fantástico na Literatura (CNPq/UNESP). O primeiro foi Entornos do gótico e do fantástico, publicado no primeiro semestre de 2023.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Axxón 305

Os editores do periódico argentino Axxón, voltado à ficção científica literária, anunciaram nas redes sociais que, por motivos financeiros, devem desativar seu saite online dentro de algumas semanas, de modo que o acervo de mais de 300 edições publicadas desde 1989 ficará indisponível. Já há algum tempo que a Axxón enfrenta dificuldades. Tanto que só publicou duas edições entre 2022 e 2023, uma a cada ano. 
Diz a mensagem dos editores em sua página oficial no Facebook: "Amigos: Este é o último mês do Axxón On Line. Não vou poder pagar a taxa de seis meses em fevereiro. Estou descobrindo onde posso hospedar meus domínios (são três), apenas para manter meus endereços de e-mail. Caso contrário, terei que usar o Gmail e fazer um trabalho enorme em meus acessos por email/chave. Ouço ideias, propostas, ajuda, sugestões. A taxa anterior foi 147 dólares. Sugiro que baixem o que for importante para vocês."
As edições da Axxón têm extremo valor, porque publicam textos de praticamente toda a América Latina e Espanha, além de traduções de autores de outras línguas. Algumas edições até trouxeram autores brasileiros. 
Axxón 305, publicada em setembro de 2023, demonstra bem o conteúdo multinacional que caracteriza a publicação, com contos de Zacarías Zurita Sepúlveda (Chile), Dennis Mombauer (Sri Lanka), Louis Evans (EUA), Sanmartín Espada (Espanha) e Saurio (Argentina). A capa é de Marina Sol Abdala.
Todas as edições, do número zero até o 300, ainda estão disponíveis para download gratuito aqui. As edições 301 em diante não podem ser baixadas mas podem ser conferidas online no saite da revista.
É sempre lamentável quando uma publicação desta área tão desfavorecida deixa de existir, especialmente uma do porte e da tradição da Axxón, mas esse é um fenômeno algo familiar ao fandom brasileiro que, desde há muito tempo, convive com o apagamento deliberado de sua memória. Como diria o saudoso Dr. Ruby Felisbino Medeiros, editor do fanzine Notícias do Fim do Nada: "Mais uma publicação que vai para o cemitério da FC."*

*Boa notícia: Após a publicação desta nota, os editores da Axxón divulgaram nas redes sociais que receberam dações suficientes para sustentar a hospedagem do banco de dados da publicação por mais um ano. Dessa forma, o acesso ao acervo está garantido pelo menos até fevereiro de 2025. 

domingo, 31 de dezembro de 2023

Lançamento: A caixa verde, Gertrude Barrows Bennett

A caixa verde
(Claimed) é o 15º volume da coleção Andarilhos, clube de assinaturas da Editora Andarilho dedicado à publicação mensal de livros de bolso de ficção fantástica clássica e inédita, de autores pouco conhecidos. 
Esta novela de horror é de autoria da escritora americana Gertrude Barrows Bennett (1884-1948), publicada originalmente em 1920 sob o psedônimo de Francis Stevens. Considerada a mãe da Dark Fantasy, Bennett é reconhecida por influenciar a ficção de H. P. Lovecraft, sendo esta novela uma espécie de precursora dos mitos de Cthulhu desse autor.
Diz o texto da quarta capa: "O excêntrico milionário Jesse J. Robinson está obcecado por seu mais novo item de colecionador, a misteriosa caixa verde que parece provocar visões paranormais a todos que a possuem, e envolve sua sobrinha e o Dr. Vanaman em uma trama sombria das profundezas do oceano". 
O livro tem 348 páginas, tradução de Gustavo Terranova Aversa e, junto ao volume, os assinantes recebem, além de um marcador de páginas personalizado, um mapa do "mundo há cerca de um milhão de anos", onde se pode ver, entre outras coisas, o continente perdido de Atlântida.
Os livros do Clube Andarilhos são comercializados inicialmente por assinaturas, mas após algumas semanas são oferecido para venda no saite da editora, aqui.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Lançamento: Wyna, daqui a três estrelas

Romance de estreia de Gabriele Sapio, O peregrino de Antares: Wyna, daqui a três estrelas traz uma história de ficção científica mística que conta como um terráqueo foi escolhido e preparado por seres dos planos cósmicos mais altos para o contato com uma fascinante mulher do sistema estelar de Antares, ambos destinados a uma união de almas que transcende o tempo e o espaço para, com essa relação, garantir a ocorrência da linha do tempo positiva para a humanidade da Terra.
A autora informa que seu romance "reúne elementos comuns tanto ao gênero da Ficção Científica como de uma modalidade especial de romantismo que somente pode ser evidenciado em poucas obras de Ficção Científica da atualidade que é o denominado Romantismo Cósmico".
Gabriele Sapio é Mestre em Direito Constitucional (UFC) e Doutora em Ciências Jurídicas e Sociais (UMSA), e publicou antes o livro A educação no Brasil e o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (Ícone, 2017). 
Wyna, daqui a três estrelas tem 240 páginas, ilustrações de Wilton Kleyton da Silva, e é uma publicação da Editora Dialética. Disponível aqui nos formatos físico, ebook e audiobook.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Poranduba tem saite

Enquanto os apoiadores do jogo de cartas Poranduba aguardam o recebimento dos decks adquiridos quando da campanha de financiamento direto, os editores inauguraram o saite Cartas de Cultura, com referências completas sobre o jogo e os conteúdos de cada carta criada para essa primeira edição.
O saite foi produzido por Leonardo Tremeschin, do blogue Mitografias, também uma referência para a pesquisa sobre folclore. Lá estão todas as cartas para baixar, regras e os relatórios de pesquisa, num total de quase 130 páginas de textos inéditos, além de uma demo para Android, que permite jogar uma versão do Modo Padrão um contra um.  
Ainda é possível registrar-se na fila de espera para adquirir os decks da segunda edição. Vale a pena visitar, e as cartas são todas muitos bonitas.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Tapioca Fantástica 2: Populário

Está circulando mais uma edição da revista literária eletrônica Tapioca Fantástica, editada por Diogo Andrade, voltada a publicação de textos de ficção fantástica de escritores brasileiros. A edição, qeu segue o tema "Populário" e busca inspiração nos elementos da cultura popular, traz dez contos de autoria de Ian Fraser, Mariana Madelinn, Bernardo Stamato, Elias Flamel, Anderson Shon, Bruno Crispim, Clecius Duran, Ana Lúcia Merege, Carolina Mancini e do editor. Mancini também é responsável pelas ilustrações internas e da capa da edição. 
Tapioca Fantástica está disponível aqui para leitores Kindle, mas pode ser lida online no aplicativo do próprio saite.
A edição anterior, publicada em abril de 2023 e subtitulada "Piratas", continua disponível aqui.