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terça-feira, 14 de julho de 2026

Resenha: O último continente, Simone Saueressig

O último continente
, Simone Saueressig. 166 páginas. Novo Hamburgo: da autora; 2021. 

Simone Saueressig é uma dessas escritoras que sempre merecem ser lidas. Ativa desde os anos 1980, escrevendo principalmente literatura infanto-juvenil, construiu um catálogo de obras relevantes, muitas adotadas por prefeituras e governos estaduais para compor bibliotecas escolares. Seu livro mais conhecido é A máquina fantabulástica (Scipione, 1997), que já superou a casa das centenas de milhares de exemplares vendidos. Os temas de sua literatura navegam entre a fantasia, o horror, o mistério e a ficção cientifica, com igual desenvoltura e qualidade. 
Nos últimos anos, a autora acelerou o rítmo de lançamentos por editoras, por editais públicos e também por autoedição. Entre esses lançamentos mais recentes, está O último continente, novela de ficção científica que se coloca como sequência a Padrão 20: A ameaça do espaço-tempo (Besouro Box, 2014), em que o casal de jovens protagonistas Maria do Céu e Shiaka se viu às voltas com uma trama que pretendia destruir o acelerador de partículas CERN, em Genebra. 
Em O último continente, Maria do Céu e Shiaka estão de férias em Torres, no litoral do Rio Grande do Sul, mas, ao investigar o comportamento suspeito de Helena, filha de um cientista desaparecido, literalmente embarcam numa aventura perigosíssima em alto mar a bordo de um barco de pesquisas conduzido por Félix, uma inteligência artificial muito eficiente, mas que tem suas limitações. 
Helena acredita que seu pai ainda esteja vivo, preso em algum lugar no meio do oceano, numa ilha artificial formada por resíduos plásticos, e ela não está de todo enganada. A viagem, repleta de perigos, com direito a navio fantasma, tempestades e até o ataque de um exército de ratazanas famintas, efetivamente chega à ilha plástica flutuante, onde PIANE – o barco perdido do pai de Helena – está encalhado. Félix assume o controle da embarcação mas os parâmentros da missão original do PIANE, que também era controlado por uma IA,  contaminam seu sistema e podem impedir o resgate dos sobreviventes perdidos no meio do Atlântico. 
A história apresenta personagens fortes e decididos, mas é preciso aceitar a situação em que os jovens se metem com alguma permissividade para aproveitar a emoção da aventura. Afinal, não é muito provável que três jovens consigam se apropriar com tanta facilidade de um barco com tais tecnologias. Mas Saueressig contorna bem a dificuldade encadeando uma sequência ininterrupta de cenas de ação intensa, que deixa pouco espaço para outras preocupações do leitor. Os momentos mais intensos da narrativa acontecem a bordo do navio fantasma Lyunov Orlova, e quando os jovens desembarcam na ilha flutuante e têm de enfrentar uma IA enlouquecida. O maior mérito da história, contudo, é trazer a discussão da poluição dos oceanos pelo lixo plástico, que é efetiva e muito séria, e nem sempre é tratada de forma consistente pelos autores brasileiros.
O último continente foi editado com recursos da autora e ganhou o Prêmio AGES 2022 na categoria Livro do Ano, além de uma Menção Honrosa no V Prêmio ASBREST de Literatura. A publicação ainda está disponível no blogue da autora, aqui, e vale muito a pena conferir.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Nós não gostamos de gente

Está novamente aberta a exposição A Arte da Animação Stop Motion, que apresenta ao público a técnica empregada na produção do longa de animação Bob Cuspe: Nós não gostamos de gente, dirigido por Cesar Cabral. 
Produzida pela Coala Filmes e lançada em 2021, a produção coleciona prêmios por todo o mundo, tendo sido reconhecida nos festivais de Havana, Annecy, Ottawa, Tokio Anime, Quirino, Cinanima, entre outros
O filme conta uma história absurdista na qual as mais célebres personagens de Angeli, capitaneadas por um envelhecido Bob Cuspe, se digladiam num cenário pós apocaliptico que, na verdade, é a mente em crise criativa do velho cartunista. 
Angeli também participa da história, com cenas que reproduzem seus estúdio e residência, sendo a própria voz do artista que dubla o personagem. O filme ainda conta com participações especiais, como por exemplo a cartunista Laerte, que também empresta a voz a si mesma. Também podem ser ouvidas as vozes de Paulo Miklos, Grace Gianoukas, André Abujamra, Milhem Cortaz, Hogo Passolo, Carol Guaycuru e Beto Hora nas bocas das demais personagens. 
A exposição apresenta toda a parafernália que, por trás das câmeras, simula a magia do movimento, incluindo os bonecos articulados de todos os personagens e os cenários originais e utilizados nas filmagens. 
A exposição pode ser visitada até o dia 15 de setembro, das 14h30 às 20h30, no Cine Sesc (Rua Augusta, 2075), em São Paulo.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Limit e Vitamin

Ensaio crítico dos mangás Limit (2010) e Vitamin (2001), ambos de Keiko Suenobu, Miguel Carqueija escreveu as resenhas dos seis volumes de Limit e do volume único de Vitamin, enquanto Aparecida Ramos colabora com o ensaio "Bullying". 
O tema se justifica porque é o foco de ambas as obras, publicadas no Brasil em 2015. Diz o texto de divulgação: "estes mangás de Keiko Suenobu abordam de maneira corajosa a triste questão das perseguições escolares, o sinistro 'bullying'. Em Limit, cinco meninas adolescentes (Konno, Morishige, Usui, Kamiya e Haru) se veem perdidas num imenso boqueirão lutando pela sobrevivência, e os conflitos entre elas vão surgindo em consequência de uma situação anterior na escola. Em Vitamin a situação se concentra em Sawako, garota que tinha suas amizades no colégio mas todas se voltam contra ela ao ser flagrada em situação constrangedora".
O volume pode ser baixado gratuitamente aqui, em formato texto.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Os mistérios do Mundo Negro

"Alice Chantecler, a vidente dos cabelos cor de fogo, é chamada pelo administrador do satélite misterioso conhecido como o Mundo Negro, ou seja, Buckley Elizondo, e sua esposa Carmen, para tratar de novo problema relacionado com o Necronomicon. Carmen, aparentemente, mexeu com forças que não deveria ter perturbado. E agora uma terrível ameaça sobrenatural encontra-se à solta no Mundo Negro. Diante do inimigo que se apresenta, serão suficientes as habilidades de Alice?"
O escritor carioca Miguel Carqueija, que foi um dos mais freqüentes colaboradores do Hiperespaço enquanto fanzine, publicou pelo selo Hiperespaço uma série de novelas em formato de livros de bolso, sendo uma delas Os mistérios do Mundo Negro, escrita com a colaboração de Gabriel Coelho. A ilustração deste post foi justamente a capa dessa edição. 
Trata-se de uma aventura de ficção científica mística e muito bem humorada, com toques lovecraftianos, no mesmo universo de As luzes de Alice, outra das novelas publicadas pelo Hiperespaço, mas que pode ser lida independentemente sem qualquer prejuízo.
A novela está agora disponível gratuitamente para download aqui.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

A canção de Bêlit: A última jornada

Está em pré-venda pela editora Avec o segundo volume de A canção de Bêlit, subtitulado A última jornada, no qual o escritor espanhol Rodolfo Martinez completa a aventura iniciada em A tigresa e o leão, publicado em 2021. 
A obra expande o conto "A rainha da Costa Negra", de Robert E. Howard, contando três anos da vida conjunta de Conan e Bêlit, até se enlaçar de novo à história original escrita pelo criador do cimério.
Diz o texto de divulgação: "Depois de conhecer o arquipélago de Nakanda Wazuri, Conan e Bêlit se separam para empreender ataques que entregarão o governo da Estígia nas mãos dos irmãos monarcas Osuné e Isuné, cumprindo assim uma antiga profecia wazuri. Forças poderosas, porém, têm outros planos, baseados em profecias diferentes e ainda mais ancestrais; assim, sacerdotes e fiéis de Set operam nas sombras, usando todos os meios necessários – incluindo magia e criaturas ofídias – para frustrar os planos dos oponentes."
A canção de Bêlit: A última jornada tem 192 páginas, tradução de Jana Bianchi, e pode ser adquirido no site da editora, aqui. O volume 1 também está disponível, aqui.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Ignoto 3

Ignoto
é uma revista de ficção de gênero publicada através de uma plataforma de financiamento coletivo. Editada por G. G. Diniz e Dante Luiz pela Editora Corvus, teva suas duas primeiras edições comentadas aqui. A edição 3 saiu ainda em 2001 e troxe, em 81 páginas, doze contos assinados por Giu Murakami, Fábio Müller, J. Brandão, Sérgio Motta, Marcel Gervásio, Julio Ardaia, Litelton Firmiano, Gabriel Yared, Victor Marques, Dante Luiz, Julia A.R. Cunha e Guilherme Alaor. 
Infelizmente, esta foi sua derradeira edição, sendo o projeto encerrado logo em seguida. Mas vale o registro de mais uma iniciativa frustrada na história da fcf nacional ou, como dizia o saudoso editor Ruby F. Medeiros, editor do fanzine de fc Notícias do Fim do Nada: "mais uma publicação que vai para o cemitério da fc".

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Dixtopia

Dixtopia
é uma revista de arte e literatura, publicada ainda em 2001, que reúne trabalhos sobre o futuro selecionados entre mais de 500 obras inscritas em um concurso promovido pelo portal Cidadão Cultura, de Cuiabá/MT. 
Com edição da jornalista Marianna Marimon, Dixtopia apresenta 48 páginas com ilustrações, fotografias, contos e poemas de diversos artistas, destacando os doze premiados do certame: Ângela Coradini, Arthur Akira, Fabio Poquiviqui, Francimeire Ferreira, Katiana Pereira, Nyll M. N. Louie-Alicê, Odair de Morais, Paty Wolff, Silvano Júnior, Tayná Meirelles, Thiago Costa e Tiago Strassburger. 
A tiragem de quinhentos exemplares foi distribuída apenas para bibliotecas e universidades, mas sua versão digital está disponível aqui para download gratuito e leitura on-line.

sábado, 29 de janeiro de 2022

Expiração, Ted Chiang

Expiração (Exhalation)
, Ted Chiang. Tradução de Braulio Tavares. 416 páginas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021.

Expiração é uma coletânea do escritor norte-americano Ted Chiang, que chegou ao Brasil em 2021 pela editora Intrínseca, e tradução de Braulio Tavares. É o segundo título do autor, que estreou por aqui em 2016 com A história da sua vida e outros contos, coletânea de narrativas de ficção científica e fantasia, muitas delas premiadas, promovida pelo longa-metragem A chegada (Arrival), de 2016, dirigido por Denis Villeneuve, adaptando o conto título. 
Se na primeira coletânea havia o predomínio de temas ligados à religiosidade judaica, desta vez a preocupação central é o impacto da tecnologia na vida das pessoas: cada conto apresenta um novo dispositivo que altera dramaticamente as relações humanas. Houve críticos que compararam a coletânea ao seriado de tv Black Mirror porque pelo menos um dos textos dialoga bem de perto com o seriado, mas o mote principal é bem mais variado e até a religiosidade retorna em um dos contos.
A seleção traz nove textos de dimensões variadas, que vão de contos curtos a novelas; sete deles publicados anteriormente e dois inéditos, escritos para a coletânea. 
Abre a seleta a noveleta "O mercador e o portal do alquimista", vencedora dos prêmios Hugo e Nebula em 2008, primeiro publicada pela Subterranean Press em 2007 e republicada no mesmo ano pela revista Fantasy & Science Fiction. Conta uma emotiva história de viagem no tempo no ambiente das mil e uma noites: um homem descobre que é possível viajar no tempo através de um portal criado por um sábio mas, no passado ou no futuro, as alegrias e vantagens obtidas na aventura serão cobradas em algum momento.
O segundo texto é "Expiração", que empresta o nome a coletânea. O conto foi primeiro publicado em 2008 e ganhou os prêmios Hugo e BSFA no ano seguinte. Trata-se de um conto de difícil classificação, numa universo fechado na qual os seres vivos são eletromecânicos. Um cientista pesquisa o segredo da mente a partir de um fenômeno que causa um perturbador descompasso nos relógios. Nos comentários sobre os contos, Chiang relata que a inspiração para esse texto veio da leitura de "A formiga elétrica" (1969), de Philip K. Dick, mas não há aqui os elementos típicos da obra dickiana, como a paranoia e a natureza da realidade, mas o final é igualmente melancólico.
"O que se espera de nós" foi originalmente publicado em 2005, e conta os efeitos psíquicos e sociológicos advindos da invenção do preditor, um dispositivo tão simples quanto pequeno, que consiste de uma caixinha plástica com um botão e uma lâmpada de led que, não importa como seu usuário faça, a luz sempre pisca um instante antes do botão ser acionado, e somente neste caso, o que leva as pessoas a terem dúvidas se realmente existe livre-arbítrio.
O texto seguinte ganhou o Hugo e o Locus em 2011. Trata-se da novela "O ciclo de vida dos objetos de software", originalmente publicada em 2010. Conta, com muitos detalhes, o desenvolvimento de uma nova forma de inteligência artificial baseada em uma plataforma similar a de um jogo de realidade virtual, onde vivem seres fofinhos que podem crescer e aprender na interação com avatares humanos. Em alguns momentos, lembrou-me o seriado de animação Digimon, porém sem a narrativa aventureira. Trata-se de um drama sobre o reconhecimento da maturidade e dos direitos dessas criaturinhas, que passam por muito sofrimento nas mãos de seus proprietários humanos caprichosos. Não chega ao ponto de O homem bicentenário, de Isaac Asimov, mas a ideia segue mais ou menos o mesmo princípio. 
Educação também é o tema do conto seguinte, "A babá automática patenteada de Dacey", publicada originalmente em 2011. Trata-se de uma narrativa sobre o desenvolvimento de uma babá mecânica cujo objetivo é criar e educar crianças sem traumatizá-las, como geralmente ocorre com pais e mães naturais. Contudo, as coisas não progridem exatamente como seu inventor desejava. Anos depois, o filho do inventor resolve retomar a babá mecânica em um novo e polêmico experimento. Há também aqui ecos de outro conto de PKD, "Babá", de 1955, mas se houve influência o autor não diz.
"A verdade dos fatos, a verdade dos sentimentos" foi originalmente publicado em 2013. Este é o conto que mais se familiariza com Black Mirror. Conta duas histórias entrelaçadas: uma acontece em algum momento no passado, em que os exploradores europeus entraram em contato com uma comunidade autóctone que não conhecia a escrita, e como a transferência dessa tecnologia alterou a cultura desse povo. A outra narrativa fala sobre os desentendimentos entre uma jovem mãe e sua filha a partir do desenvolvimento de uma tecnologia digital conhecida como remen, um motor de busca que consegue compilar na rede mundial de computadores toda a informação sobre uma determinada pessoa e recriar em detalhes os fatos de sua vida, de forma que a memória humana passa a ser um instrumento quase obsoleto. 
"O grande silêncio" foi escrito em 2014 para uma instalação artística, e depois publicado em 2016. É o texto mais curto da coletânea e tem estilo de fábula, pois é narrado por um papagaio porto-riquenho, membro de um bando dos últimos indivíduos da sua espécie, que convive com a presença humana em seu habitat por causa do rádio-observatório de Arecibo. O papagaio sabe que sua espécie vai desaparecer, mas sua admiração e carinho pelos seres bípedes faz a narrativa assumir cores de uma sensibilidade que os humanos, na mesma circunstância, certamente não compartilhariam, assim como nunca se sensibilizaram com a destruição de centenas de espécies por sua sanha progressista. O conto tem muito a dizer a nós, brasileiros, neste momento em que se acirra a destruição de florestas e povos nativos sob patrocínio de um governo que, devemos sempre lembrar, foi eleito democraticamente.
Os textos finais foram ambos escritos em 2019, para a coletânea e chegaram a ser indicados ao Hugo. 
Em "Ônfalo", Chiang retoma o tema religioso apresentando ao leitor uma realidade em que o criacionismo foi cientificamente provado. Essas provas vieram, a princípio, dos estudos de botânica que identificaram amostras fósseis de árvores que não tinham anéis de crescimento, bem como fósseis de conchas que também não os presentavam, culminando na descoberta de múmias de homens e mulheres sem umbigos que seriam, portanto, humanos primordiais criados diretamente por Deus. É lógico, portanto, que a cosmogonia aristotélica, que tem a Terra como centro imóvel do universo, se perpetuou até os nossos dias, bem como a convicção de que o homem é o centro de toda a criação. Mas as coisas começam a complicar quando uma cientista descobre que valiosos fósseis de conchas sem anéis, pertencentes ao acervo de um importante museu, estavam sendo vendidos numa pequena loja de como souvenires turísticos. A investigação vai levá-la a descobertas desconcertantes que mudarão para sempre a percepção da natureza da criação. 
Na novela "A ânsia e a vertigem da liberdade" o dispositivo da vez é o prisma, uma espécie de tablet cuja função é colocar uma pessoa em contato com versões de si mesma em universos paralelos. No seriado de tv Fringe, produzido entre 2008 e 2013, pudemos ver um dispositivo similar inventado pelo cientista maluco que é protagonista da história. Mas Chiang foi mais longe com a ideia: cada prisma só pode se conectar com um universo específico e sua capacidade de comunicação é finita: uma vez esgotada, a conexão é interrompida para sempre; outro prisma irá necessariamente se conectar a outra realidade. 
O prisma se tornou um equipamento popular, mas seu uso intensivo trouxe riscos à saúde mental dos usuários, que passaram a desenvolver problemas emocionais graves. Como há pequenas diferenças entre as realidades, as pessoas ficam inseguras com relação às próprias decisões. 
Na história, acompanhamos uma trapaceira que está tentando convencer um desses viciados a vender o seu dispositivo pois descobriu que o aparelho está conectado a uma realidade em que o amante de um figurão, que morreu num acidente, ainda está vivo, o que torna aquele prisma num objeto muito valioso. Ela mesma, contudo, também tem seus problemas, pois carrega a culpa de, com um ato egoísta, ter lançado uma amiga numa espiral de decadência moral da qual não conseguiu sair nunca mais. Será que, em outras realidades, teria acontecido o mesmo?
Para quem leu A história de sua vida e outros contos, a leitura de Expiração pode ser um pouco frustrante por não ter os mesmos ritmo e potência literária mas, deixando de lado a comparação, que é inevitável, também é um grande livro, com vários dos contos reconhecidos pelos principais prêmios do gênero. 
O livro tem uma cadência mais lenta, mas as ideias e as reflexões são ainda mais profundas, poéticas, quase filosóficas. Num ano em que muitos bons títulos de ficção foram publicados aqui, este foi um dos mais importantes. Recomendadíssimo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Paciente 63

Uma coisa que sempre me anima é encontrar fc&f em formatos diferenciados. Não há como inovar muito  quando se trata de produtos editoriais e audiovisuais, pois são mídias extremamente concorridas. Mesmo com toda a criatividade, não se consegue escapar do trivial; geralmente as novidades vem na forma de estilos narrativos ou de temas incomuns, o que anda cada vez mais raro também. 
Já a dramaturgia radiofônica é um campo inabitado, totalmente aberto para inovações, no qual só me recordo da série de audiozines Hurray Mister S3!, produzida do início do século pelo escritor Rudyard C. Leão, com a dramatização de um seriado de ficção científica space opera em forma de fitas K7 e CDs. 
Paciente 63 é um estimulante projeto nessa linha radiofônica. Trata-se de uma audionovela de ficção científica que conta a história de Pedro Roiter, homem encontrado desorientado em uma via pública que, devido a sua condição delirante, é encaminhado a um hospital psiquiátrico onde passa por uma série de entrevistas terapêuticas, justamente os áudios que formam a narrativa. Pedro afirma convictamente ter vindo do ano 2062 para cumprir em nosso tempo uma missão importante que pode garantir o futuro da humanidade. Cabe a Dra. Elisa, a psiquiatra cética que o atende, distinguir entre realidade e delírio para ajudar Pedro e, talvez, garantir que humanidade tenha alguma chance.
A dramatização é protagonizada por atores experientes, ninguém menos que Seu Jorge e Mel Lisboa, enquanto que o roteiro é assinado por Julio Rojas, um dos mais aclamados roteiristas do Chile e um entusiasta da ficção científica. Rojas adaptou a história da audiossérie chilena Caso 63, também roteirizada por ele. 
Lançada em 22 de julho de 2021, Paciente 63 é apresentada em dez episódios disponíveis gratuitamente na plataforma Spotfy, aqui.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Fantástica Caligo

"Fantástica" é, sem dúvida, o termo mais recorrente para nomear ações no fandom brasileiro de fc&f. Já identifiquei pelo menos seis que levaram esse nome: duas coleções de livros, um evento e três revistas. 
A eles soma-se agora a revista Fantástica Caligo, publicação corporativa da Editora Caligo editada por Bia Machado, que lançou seu número zero, o único até o momento, em maio de 2021. 
A revista tem 160 páginas e propõe ser um prolongamento da produção da editora, ou seja, o foco é a publicação de ficção fantástica. A edição traz contos assinados por Pedro Cruvinel, Tânia Souza, Davenir Viganon, Maria Eduarda Amadeu, Fil Felix, Giselle Fiorini Bohn, Leo Jardim, Amana, Bruno de Andrade e Thais Lemes Pereira. 
Fantástica Caligo está disponível para venda aqui.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

2021

Ainda que tenha sido lançada no final de 2020, mais exatamente no dia 14 de outubro, a antologia 2021, organizada por Edgar Franco – o Ciberpajé – e publicada pela Editora Marca de Fantasia, foi reconhecida pelos filiados ao Clube dos Leitores de Ficção Científica-CLFC como a melhor de 2021. 
O volume reúne sete contos de ficção científica inspirados nas ilustrações pós-humanísticas do organizador. Outra regra para submeter os contos foi que deveriam ter, no máximo, 2021 palavras. No mais, os escritores tiveram toda a liberdade para criar. 
Os autores presentes na obra são Edgar Smaniotto, Fábio Fernandes, Fabio Shiva, Gazy Andraus, Gian Danton, Nelson de Oliveira e Octavio Aragão. 
Disponível em formato digital, o ebook pode ser baixado gratuitamente no saite da editora, aqui.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Revista Avessa

A revista literária eletrônica Avessa tinha objetivo de ser "autoral, criativa e diferente", como afirmava seu subtítulo. Surgida em 2016, teve publicação contínua até o inicio de 2021 quando, em sua edição de número 25, anunciou a suspensão das atividades. 
Ao longo desse período, a Avessa investiu na publicação de poemas e contos dos mais variados temas e estilos, eventualmente flertando com a literatura de gênero que pode ser percebida entremeando os textos mainstream que formavam seu escopo principal. Contudo, pelo menos duas edições foram voltadas exclusivamente aos textos de fc&f: o número 16, de 2017, foi dedicado ao horror, e a edição 24, de 2020, foi inteiramente voltada à ficção científica no estilo hopepunk
Vale visitar o site da revista aqui, que ainda oferece todas as edições para download gratuito, incluindo, é claro, as duas citadas. 

2020 versus 2021: os números da fc&f no Brasil

Ao fechar a relação de livros de fc&f publicados no Brasil em 2021, revelou-se uma boa notícia: a queda de lançamentos que caracterizou o movimento editorial dos últimos cinco anos quase que estacionou: os números deste ano estão razoavelmente semelhantes aos de 2020. 
Entre os lançamentos inéditos de escritores brasileiros em 2020, haviam sido 87 romances, 97 coletâneas e 4 não-ficção, mais 1 livro de arte: total de 189 títulos. Em 2021, foram 91 romances, 61 coletâneas e 8 não-ficção: total de 160 títulos; uma retração de aproximadamente 15%.
Entre os lançamentos inéditos de autores estrangeiros traduzidos, haviam sido, em 2020, 154 romances, 13 coletâneas e 1 não-ficção; total de 225 títulos. Em 2021, foram 153 romances, 24 coletâneas, 3 novelizações e 6 não-ficção; total de 244 títulos, um crescimento de 8%. Somando os números nacionais e estrangeiros, foram 372 títulos em 2020 contra 346 títulos em 2021, retração de apenas 7%. Considerando-se a tragédia cultural, política e sanitária que assolou o país, até não é tão mal. 
O grande número de lançamentos de romances estrangeiros se deve à coleção Perry Rhodan, da editora SSPG, que tem publicado de noventa a cem títulos inéditos anualmente nas diversas séries da franquia. A propósito, a nota mais importante com relação ao mercado brasileiro de livros de fc&f é o fato da editora SSPG ter patrocinado, em 2021, a publicação de livros impressos, até então unicamente digitais. 
Sobre o desempenho da cena nacional, o maior tombo foi do gênero da ficção científica, que caiu de 59 romances e antologias inéditos em 2020 para 35 em 2021 (recuo de mais de 40%). A fantasia foi de 76 em 2020 para 63 em 2021 (recuo de 17%), e o horror de 49 em 2020 para 54 em 2021 (um avanço de 10%!).
A fantasia foi o gênero mais praticado, mas com uma liderança discreta, reflexo da ausência de grandes blockbusters do gênero no cinema e na tv nos últimos anos. Talvez, mais do que a ausência de grandes sucessos, a causa de um maior equilíbrio entre os gêneros seja a migração do público da tela grande para os serviços de streaming, que geram impacto menor no imaginário popular.
Uma evidência interessante em 2021 foi a queda do número de títulos ofertados exclusivamente no formato digital. Isso porque a maior parte da plataformas de autoedição estão disponibilizando também exemplares impressos por encomenda, contudo, não fazem muito mais do que isso. Não revisam, não produzem, não distribuem, não divulgam. Tudo fica por conta dos autores que têm de se virar para serem vistos e lidos. É a meritocracia em sua face mais perversa. Ainda restam algumas editoras de verdade tentando sobreviver dignamente neste ambiente tóxico, mas fica cada vez mais difícil com a concorrência desleal dessas plataformas que invertem a lógica do processo editorial. Certamente isso trará reflexos negativos para o mercado no futuro.
Outro tiro no pé são as campanhas de autofinaciamento no Catarse. Reconheço que muitos autores (e também editoras) têm garantido o leite das crianças através dessa plataforma, mas isso não está contribuindo para a criação de público e mercado. A maior parte dos livros têm poucas centenas de apoiadores que, temo, sejam sempre os mesmos. E a própria plataforma tem ficado cada vez mais inóspita para os autores trabalharem diretamente. As editoras estão tomando os espaços dos autores e, dessa forma, comprometendo a renovação. 
Como leitor, até gosto. Enquanto puder, apoiarei os projetos, mas por interesse puramente egoísta, pois tenho consciência de que isso não ajuda a restaurar o mercado editorial, pelo contrário, está minando-o ainda mais.
Vamos esperar para conferir o que 2022 tem a oferecer. 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Bang! Bangcast!

Ainda que estas referências não sejam de produção nacional, penso que sempre vale muito conhecer e acompanhar o que anda por outros lugares do mundo que não os centros produtivos de língua inglesa. Não que o material anglo-americano não interesse, ao contrário, interessa demasiado. Por isso mesmo, é importante voltar os olhos para outras regiões, em especial aquelas que também se exercitam em língua portuguesa. E a produção portuguesa é o meu primeiro interesse depois do que se faz no Brasil. 
Dentre as diversas publicações portuguesas, a mais importante atualmente é a revista Bang!, publicação corporativa da Editora Saída de Emergência editada por Luís Corte Real que, inclusive, teve duas edições no Brasil no breve período e, que a editora se instalou no país.
Trata-se de uma publicação impressa sofisticada que aborda a produção mundial de fc&f em todas as mídias, distribuída gratuitamente nas livrarias portuguesas mas também acessível através de arquivos digitais disponibilizados no saite da revista, aqui
Em 2021, a Bang! entregou dois números: o 29, em abril, e o 30, em outubro, ambos com 124 páginas ricamente ilustradas, com artigos sobre livros, cinema, música, série de tv, quadrinhos, RPGs e outros jogos, além de ficção original. 
Além disso, a Bang! inaugurou um videocast muito interessante, que já conta com diversos episódios disponíveis aqui
Quem cresceu lendo os livrinhos das coleções lusas, não poderia querer um sotaque melhor.

Eventos de fc&f para assistir online

Mora longe? Não tem dinheiro nem tempo para fazer viagens? Sente-se excluído das ações do fandom? Seus problemas acabaram!
Ao longo da pandemia, os eventos e congressos ligados aos gêneros fantásticos tiveram que se adaptar para não desaparecer, e a alternativa mais adotada foi justamente a virtualização: eventos realizados através de transmissões ao vivo pela internet. 
Esse tipo de ação não é ideal em se tratando de um congresso, mas criou um efeito secundário interessante: canais que mantém vídeos das palestras e debates disponíveis para além do evento em si. 
Um deles é o Odisseia de Literatura Fantástica, que oferece os vídeos gravados durante a realização dos congressos virtuais de 2020 e 2021.  
Outro evento de destaque é o Relampeio, festival internacional literário sobre fantasia, ficção científica e horror com participantes de vários países. O canal oferece vídeos das edições de 2020 e 2021.
A editora Companhia das Letras tem se esforçado, há alguns anos, em estabelecer um diálogo mais pessoal com os leitores através de diversas ações na internet e nas redes sociais, e aproveitou a pandemia para também montar seus próprios eventos virtuais. 
Foram realizados muitos eventos de vários assuntos durante a pandemia, sempre ligados aos livros, é claro, mas os que mais nos interessam aqui são dois, em especial. O primeiro é o Show de Horrores, dedicado a obras de terror, com mesas temáticas, concursos, sorteios e clubes de leitura. O evento acontece no final de outubro, início de novembro (época do Halloween) e teve edições em 2020 e 2021.
O segundo é festival Na Janela Quadrinhos, realizado em 2020, com encontros transmitidos pelo canal da Companhia das Letras. 
O festival contou com a participação de diversos artistas brasileiros, abertura com a quadrinhista sueca Liv Strömquist, além de homenagens à Marjane Satrapi e ao Angeli.
Então, não tem mais desculpa. Se o que você deseja é estar perto das pessoas que fazem a fc&f no Brasil e no mundo, divirta-se!

domingo, 16 de janeiro de 2022

I Prêmio Machado Darkside

Com um forte trabalho de fidelização de público, a Darkside Books, editora especializada em livros de horror, crime e dark fantasy, promoveu em 2020 o I Prêmio Machado Darkside de Literatura, Quadrinhos e Outras Narrativas, que seleciona os vencedores a partir de trabalhos inéditos inscritos exclusivamente para o certame, com distribuição de troféus, contratos e prêmios em dinheiro. 
Na primeira edição, a promoção recebeu nada menos que 5849 inscrições. E os vencedores são:
Romance: Porco de raça, Bruno Ribeiro, publicado em 2021 pela própria Darkside.
Quadrinhos: "Aurora", Rafael Calça e Diox.
Outras narrativas: "Dores do parto", Jessica Gonzatto (roteiro curta metragem).
Desenvolvimento de projetos: "Imaginários pluriversais: Narrativas representativas na ficção", Isa e Pétala Souza.
Não ficção: "O monstro no cinema", Alex Barbosa. 
Parabéns aos vencedores.

Prêmio Jabuti

O Jabuti é a mais prestigiosa premiação do ambiente editorial brasileiro. Desde 2020, a Câmara Brasileira do Livro, promotora do evento, introduziu a polêmica categoria "Literatura de Entretenimento" que, em tese, privilegia a literatura de gênero. Muita gente do ambiente da literatura fantástica não gostou do termo pois, por definição, toda literatura é de entretenimento. Além do mais, autores e editores de literatura fantástica têm pretensões para seus escritos que vão muito além do simples entretenimento. Ainda assim, vale a pena festejar a iniciativa. 
Devido à importância do prêmio, vale a pena citar, além do vencedor, todos os demais finalistas. 
62º edição (2020):
Vencedor: Uma mulher no escuro, Raphael Montes, Companhia das Letras. 
Demais Finalistas: A telepatia são os outros, Ana Rüsche, Monomito; Olhos bruxos, Eliezer Moreira, Penalux; Serpentário, Felipe Castilho, Intrínseca; Viajantes do abismo; Nikelen Witter, Avec.
63º edição (2021):
Vencedor: Corpos secos, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso, Samir Machado de Machado & Luisa Geisler, Alfaguara.
Demais finalistas: DVD: Devoção verdadeira a D., Cesar Bravo, DarkSide Books; Senciente nível 5, Carol Chiovatto, Avec; Tortura branca, Victor Bonini, Coerência; Velhos demais para morrer, Vinícius Neves Mariano, Malê.
Também é justo comemorar os prêmios entregues nesta edição aos livros Ciência no cotidiano: Viva a razão. Abaixo a ignorância!, Carlos Orsi & Natalia Pasternak, Contexto na categoria "Ciências"; e Tupinilândia, Samir Machado de Machado, Editions Métailié/Todavia, na categoria "Livro Brasileiro Publicado no Exterior". Isso porque Carlos Orsi e Samir Machado de Machado são personalidades muito conhecidas no fandom brasileiro, que merecem ser reconhecidas.
Parabéns aos vencedores.

Prêmio ABERST na pandemia

Criado em 2018, o Prêmio ABERST é uma promoção da Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, que aponta os melhores trabalhos especificamente inscritos para o certame,  publicados pela primeira vez entre 1 de julho do ano anterior e 30 de junho do ano corrente. 
Os vencedores da edição de 2020 já foram noticiados aqui. Os de 2021 são: 
Narrativa curta de Crime – Prêmio Lúcia Machado de Almeida: Mata-Mata, Zé Wellington, Draco.
Narrativa Longa de Crime – Prêmio Rubem Fonseca: Assassinato na Rua da Ajuda, Amilton Alves, Luva.
Narrativa Curta Terror – Prêmio Lygia Fagundes Telles: Águas mortas, Jorge Alexandre Moreira, edição de autor.
Narrativa Longa Terror – Prêmio Rubens Lucchetti: Secretária de Satã, Karine Ribeiro, Rocket.
Narrativa Curta Suspense – Prêmio Stella Carr: Tr3s: Uma história em três atos, Larissa Brasil e Larissa Prado, edição de autor
Narrativa Longa Suspense – Prêmio Cláudia Lemes: Birman Flint: A maldição do czar, Sérgio Rossani, Avec.
Projeto Gráfico – Prêmio Sebastião Salgado: Assombracontos, Kiko Garcia e Roberto Beltrão, Kikomics.
Infanto-Juvenil – Prêmio Marcos Rey: Jack London e a criatura de Salmon Pond, Allana Dilene & Ana Lúcia Merege, Draco
Prêmio Gran ABERST: "Só o fogo purifica", Úrsula Antunes, Brasil macabro, Diário Macabro.
Revelação: Alysson Steimacher e Cassandra T. Eegal
Selos Destaque: Marina, Fernanda Braite; Cliente regular, Gabriela Leão; Tortura branca, Victor Bonini; Amor partido, Átila Guilherme; Crime permitido, José Rozinei da Silva; Soneterror, Eduardo Maciel.
Parabéns aos vencedores.

Prêmio Odisseia na pandemia

Criado em 2019, o Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica é extensão do congresso de ficção fantástica Odisseia. O prêmio homenageia os favoritos de um júri composto por escritores convidados, selecionados em uma relação de obras publicadas no ano anterior especificamente inscritas para o certame.
Os escolhidos em 2020 foram:
Narrativa Longa Literatura Juvenil: Terra vazia, Otávio Definski, Metamorfose. 
Narrativa Longa Horror: O inverno do vampiro, Júlio Ricardo da Rosa, edição de autor.
Narrativa Curta Horror: "Sete cordas", Márcio Benjamin, Agouro, Escribas.
Narrativa Longa Ficção Científica: Viajantes do abismo, Nikelen Witter, Avec.
Narrativa Curta Ficção Científica: A telepatia são os outros, Ana Rüsche, Monomito.
Narrativa Longa Fantasia: Porém Bruxa, Carol Chiovatto, Avec.
Narrativa Curta Fantasia: "Jeremejevite", Cristina Pezel, Duendes, Draco.
Projeto Gráfico: O inferno é aqui, André Schuck, Coerência.
E em 2021:
Narrativa Longa Literatura Juvenil: Ubuntu 2048, Raphael Silva; Kitembo.
Narrativa Longa Horror: A outra casa, Clecius Alexandre Duran, edição de autor.
Narrativa Curta Horror: "O alinhamento das estrelas", Juliane Vicente, Lovecraft re-imaginado, Diário Macabro.
Narrativa Longa Ficção Científica: Parthenon místico; Enéias Tavares; Darkside.
Narrativa Curta Ficção Científica: Não podemos esperar, Israel Neto, Nua.
Narrativa Longa Fantasia: Guirlanda rubra, Erick Santos Cardoso, Draco.
Narrativa Curta Fantasia: Lágrimas de carne, Fernanda Castro, Damme Blanche.
Capa e Projeto Gráfico: Parthenon místico; Darkside.
Quadrinhos: A cor que caiu do espaço; Romeu Martins, Val Oliveira & Sandro Zambi, Script.
Parabéns aos vencedores.

Prêmio Le Blanc na pandemia

Criado em 2018, o Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial, Animação e Literatura Fantástica é promovido pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro-ECO/UFRJ e pela Universidade Veiga de Almeida-UVA, e apurado em consulta popular pela internet. 
Os vencedores de 2020 já foram divulgados aqui. Os de 2021, são:
Romance: Não esqueça, Carol Façanha, Caligari.
Antologia: Terror na Amazônia, Giroto Brito, org., Parágrafo.
História em quadrinhos: Anel Cardenale: As aventuras de Fabrício Bomtempo, Christian David, Physalis.
História em quadrinhos independente: Orixás: Os nove Eguns, Alex Mir.
Série de tiras: Hotel Maravilha, Douglas Mct.
Série de animação: Qualquer filme pra mim tá ótimo, Beto Gomez e Rafa Rosa.
Animação longa metragem: Miúda e o guardachuva, Amadeu Alban.
Animação curta metragem: De onde vem os dragões?, Grace Luzzi/Zumbi Filmes.
Animação curta metragem independente: Tom, Filippe Stephens.
Portfólio: He won't hold you Jacob, Daniel Bruson.
Jogo mobile: Adore, Cadabra Games.
Parabéns aos vencedores.