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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O peculiar

A Terra Velha, também conhecida como o mundo das fadas, liga-se ao mundo dos homens por portais que surgem eventual e naturalmente. Nesses episódios, homens desatentos os atravessam para ficar para sempre presos nas florestas selvagens da magia, ou fadas vêm parar aqui, onde definham por causa da magia fraca. Mas, em raríssimas vezes, surgem portais grandes o suficiente para que muitas fadas atravessem para o nosso mundo. É quando as coisas realmente ruins acontecem. Foi o que ocorreu em Bath, uma pequena aldeia próxima de Londres, na noite de 23 de setembro de algum ano no século 19. Todos os aldeões desapareceram misteriosamente e uma horda fadas selvagens começaram a causar todo tipo de problemas nos arredores. O exército interveio e uma guerra feroz aconteceu. No início, foi um massacre, mas aos poucos os homens aprenderam a subjugar as fadas e acabaram por vencê-las. Com o fim do conflito, que ficou conhecido como Guerra Sorridente, o mundo mudou. As fadas se tornaram um recurso valioso entre os homens, como fonte alternativa à tecnologia, embora esta ainda predomine na maior parte do mundo. Máquinas movidas a carvão e magia são coisas corriqueiras. Na virada do século, homens e fadas desfrutam de uma convivência quase pacífica, embora estas ainda estejam, em sua maior parte, escravizadas ou segregadas em guetos insalubres. As fadas até são toleradas, ao ponto de terem representantes no Parlamento, mas uma categoria delas é odiada pela sociedade, tanto humana quanto mágica: os peculiares, popularmente chamados de medonhos. Filhos da união entre fadas e homens, sem ser nem homens nem fadas, os peculiares são odiados e perseguidos até a morte. Por isso, ninguém ligou quando corpos ocos de peculiares jovens começaram a surgir boiando no Tâmisa.
Na periferia favelada de Bath, no Beco do Velho Corvo, os irmãos peculiares Bartholomew e Hattie Kettle moram com sua mãe humana. Seu lema de vida é "não seja notado e não será enforcado". Por isso, vivem escondidos no barraco que chamam de casa, fora das vistas de todos. Mas como a curiosidade também é um traço forte nas crianças peculiares, Barth vê quando uma linda e elegante dama num vestido cor de ameixa leva embora um de seus poucos amigos, peculiar como ele, entregue pela própria mãe a troco de alguma coisa. Mas a bisbilhotice de Barth não passou despercebida.
Em Londres, o despreocupado Sr. Jelliby segue com sua vida confortável como representante no Parlamento. Sobreviver às tediosas reuniões políticas é o principal desafio de sua vida, sendo que passa o restante de seu tempo em festas, espetáculos e bons restaurantes da metrópole. Mas o destino tem outros planos para ele e as coisas começam a acontecer muito rápido quando é obrigado, muito a contragosto, a comparecer a uma reunião social protocolar na residência do Lorde Chanceler John Wednesday Lickerish, a mais bem posicionada fada do império. Quando mais um peculiar é encontrado no Tamisa, um turbilhão de acontecimentos sinistros colocará o Sr. Jelliby ao lado do jovem Bartholomew, empurrando-os literalmente em direção ao fim do mundo.
O peculiar (The peculiar) é o romance de estreia do jovem escritor americano Stefan Bachmann, publicado em 2012 pela Harper Collins quando tinha apenas 19 anos, sendo elogiado por autores como Rick Riordan e Christopher Paolini. Bachmann nasceu em 1993, no Colorado, e vive atualmente em Zurique, na Suiça, onde estuda música, tendo composto uma trilha sonora para o livro, disponível em ThePeculiarBook. A edição brasileira veio em 2014 pelo selo Galera Junior da editora Record, com tradução de Viviane Diniz.
O romance impressiona pela concisão e boas ideias, dialogando com obras vultosas como o premiado Jonathan Strange & Mr. Norrell, de Susanna Clarke. Há um toque steampunk secundário na trama, embora seja um elemento útil em vários momentos. Também há méritos do autor na habilidade em reconstruir o ambiente britânico, algo que nem todo americano consegue tão naturalmente.
Bachmann escreveu uma sequência, The whatnot, publicado em 2013 e já anunciado pela Record com o título de Não-sei-o-quê, cujo capítulo inicial está disponível para leitura aqui.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Geração subzero

Com uma estratégia de marketing de mestre, foi lançado no último dia 11 de julho, no Rio de Janeiro, a antologia Geração subzero, organizada por Felipe Pena para a Editora Record. Trata-se de mais uma antologia de ficção fantástica brasileira, em nada diferente das boas antologias do gênero, mas que ganhou relevo na mídia devido principalmente ao seu título, que faz referência declarada à bem sucedida antologia mainstream Geração zero zero, organizada pelo escritor Nelson de Oliveira.
Apesar de comentários divulgados na internet sugerirem uma confrontação acadêmica entre esta antologia e aquela organizada por Oliveira, na verdade isso também é uma estratégia de visibilidade, pois o próprio Nelson de Oliveira está entre os autores subzerianos selecionados, assinando com seu heterônimo fabulista Luiz Bras.

Pena, que é doutor em Literatura, selecionou vinte textos de ficção fantástica para demonstrar que existe toda uma geração de autores que trafegam pela literatura de entretenimento, atendendo ao seu público, mas que não tem sido observada pelo jornalismo cultural, como afirma no próprio subtítulo do volume "20 autores congelados pela crítica, mas adorados pelos leitores”. Uma frase um tanto exagerada, convenhamos. Entre os autores publicados estão, de fato, grandes vendedores de livros, como André Vianco e Eduardo Sphor, mas a ficção fantástica brasileira está longe de ser "adorada" pelo público. Não deixa de ser uma ótima frase de efeito, contudo, tanto que já reflete resultados, o que é bom para a antologia e para todo o gênero, alcance que se mostra ainda mais amplo devido ao fato dos direitos da venda do volume terem sido doados pelos autores à ONG Ler é Dez, Leia Favela.
Além dos já citados Braz, Vianco e Spohr, compõem a antologia textos de Thalita Rebouças, Carolina Munhóz, Martha Argel, Delfin, Eric Novello, Raphael Draccon, Ana Cristina Rodrigues, Juva Batella, Estevão Ribeiro, Pedro Drummond, Luis Eduardo Matta, Sérgio Pereira Couto, Julio Rocha, Helena Gomes, Vera Carvalho Assumpção, Janda Montenegro e Cirilo S. Lemos. Muitos deles são experientes na literatura de gênero, especialmente no campo infanto juvenil, aos quais o organizador também gosta de definir com outra máxima: “Escrever fácil é muito difícil”.
O livro terá lançamento também em São Paulo, no dia 17 de julho, às 19 horas, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073). Sem entrar no mérito da qualidade intrínseca da obra, Geração subzero já é, sem dúvida, um dos mais importantes lançamentos da literatura fantástica brasileira em 2012.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ficção estrangeira em destaque

Durante muito tempo, as editoras brasileiras esqueceram que FC&F existia. E não estou falando da nacional, pois essa continua esquecida, mas da estrangeira mesmo, escrita por autores consagrados do gênero. De vez em quando vinha um Clarke, um Asimov, ou em Bradbury temporão. Com um pouco de insistência, a gente até achava um Dick ou um Ballard, mas quase sempre o que aparecia eram edições do tipo "veja o filme e leia o livro". Ainda há editoras que pautam seus lançamentos conforme a bola da vez do cinema, mas as coisas estão melhorando.
Nas últimas semanas, quatro lançamentos interessantes foram anunciados. Da pequena editora Hedra, que tem feito um ótimo trabalho editorial com textos clássicos, chegam dois títulos do mestre do horror H. P. Lovecraft: A cor que caiu do espaço e Nas montanhas da loucura. Ambos foram editados antes por outras editoras, mas os volumes da Hedra vêm acompanhados de textos complementares inéditos, que valem a edição.
Já a Editora Suma das Letras traduziu Ao cair da noite (Just after sunset), coletânea de 400 páginas com treze contos inéditos de Stephen King.
Nos últimos anos, King tem publicado principalmente romances, mas sabendo da grande qualidade de sua ficção curta, é um volume recomendadíssimo.
A poderosa Editora Record resolveu traduzir Pequeno irmão (Little brother), ficção cyberpunk de Cory Doctorow, autor conhecido por liberar seus textos na internet, inclusive tendo ganhado, em 2010, uma edição em português pelo blogue Capacitor Fantástico.
Não sei como fica a questão comercial agora, já que a Record não pode exigir exclusividade de uma obra que tem copyleft, e talvez seja por isso que liberou o primeiro capítulo do livro na internet, aqui.
Desta forma, fica comprovada a teoria de Doctorow que liberar livros na internet não é um entrave para convencer grandes editoras estrangeiras a traduzirem seus livros.
Assim, o leitor escolhe: se quiser ler sem pagar, pode, mas se quiser ler no formato elegante com que os livros se tornaram tão populares, a Record ficará feliz em ser paga por isso.

Quadrinhos interessantes

As editoras estão reservando seus melhores cartuchos para os formatos encadernados, com histórias longas embora não necessariamente completas. Como acontece na literatura, a publicação é facilitada quando o título vem apoiado numa fraquia, num filme de cinema, ou ambos, como é o caso de Resident evil, franquia dos videogames que chegou ao cinema várias vezes e conta histórias de sobreviventes em meio a um apocalipse zumbi causado por um experimento militar secreto. No álbum em quadrinhos, publicado originalmente pelo selo Wildstorm e traduzido no Brasil pela editora Panini, a história se passa em meio a selva amazônica. Com roteiro de Ricardo Sanchez e arte de Kevin Sharpe, a edição tem 148 páginas e custa R$14,90.
Cowboys e aliens vem subsidiado por um longa no cinema, mas é originalmente uma série em quadrinhos mesmo, se é que podemos dizer que uma história que mistura cowboys e aliens seja original. Afinal de contas, um dos maiores clássicos da FC, Uma princesa de Marte (A princess of Mars, 1917) de Edgar Rice Burrougs, já tinha esse mesmo escopo.
Mas os autores Scott Mitchell Rosenberg, Fred Van Lente e Andrew Foley devem ter feito um bom trabalho também, para animar Jon Favreau a adaptar a história para o cinema. Então, é claro, a editora Record apressou-se em trazê-lo para o Brasil, a tempo de aproveitar a maré de interesse pelo filme. O álbum tem 112 páginas e custa a bagatela de R$42,90. Fica a dúvida: será que a história se aguentaria sem o filme? Mistério...
A Torre Negra: Traição inaugura o terceiro arco de histórias da juventude do pistoliero Roland Deschain, às voltas com o Rei Rubro e a Toranja de Merlin, seja lá o que isso for — eu ainda não entendi patavina, vou ter que avançar na leitura dos romances originais de Stephen King para tentar compreender melhor esse imbróglio todo. A arte repete a equipe das edições anteriores, A Torre Negra: Nasce o pistoleiro e A Torre Negra: O longo caminho para casa, com argumento de Robin Furth, roteiro de Peter David e arte de Jae Lee e Richard Isanove. A edição publicada pela Panini é a primeira de seis, tem 36 páginas e custa inacreditáveis R$3,99.
A mesma editora também publica o álbum de capa dura Sandman apresenta: As Fúrias, mais um spinn-off da série Sandman, um dos grandes sucessos dos quadrinhos em todos os tempos, desta vez detalhando a história subsequente de Lyta Hall, mãe do jovem Daniel que se tornou o novo senhor do Sonhar. Com roteiro de Mike Carey e arte pintada de John Bolton, o álbum tem 96 páginas e custa R$22,90. Só pelo trabalho de Bolton, já vale a pena.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Príncipes da Pérsia

Está nas bancas a edição 3 da série Disney Cinema em Quadrinhos, da Editora On Line que, há poucos meses, distribuiu a quadrinhização do longa Alice no País das
Maravilhas, de Tim Burton, comentado aqui. Desta vez, a revista quadrinhiza a história de Príncipe da Pérsia: Areias do tempo, de Mike Newell, longa metragem recentemente distribuído nos cinemas, baseado num famoso videogame. O roteiro é assinado por Alessandro Sisti e os desenhos, muito bons por sinal, são de Slava Panarin. A revista tem 76 páginas, é totalmente colorida e, como podemos perceber, trata-se de uma versão italiana.

Também podemos encontrar nas livrarias a versão americana em quadrinhos desse mesmo filme, publicada há algumas semanas pela Editora Record na Coleção Galera. A edição foi lançada originalmente pela First Second Books, tem roteiro de A.B. Sina e Jordan Mechner, o criador do game, e desenhos de LeUyen e Alex Puvilland. Esta versão pode agradar mais aos leitores que apreciam desenhos estilizados, pois têm jeito de cartum, quase cômico.
Contudo, as duas versões são muito boas e merecem uma olhadinha. E para quem, como eu, se divertiu jogando o vidogame, com certeza será uma bela viagem no tempo.