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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Resenha do Almanaque: Sagas 1, 2 e 3

Sagas volume 1: Espada e magia (144 páginas), Sagas volume 2: Estranho oeste (144 páginas); Sagas volume 3: Martelo das bruxas (128 páginas), Cesar Alcázar & Duda Falcão, orgs. Porto Alegre: Argonautas, 2010 e 2011.

A Editora Argonautas, de Porto Alegre, como muitas outras editoras novas, é fruto da iniciativa de fãs de literatura de ficção científica e fantasia, no caso os escritores Duda Falcão e Cesar Alcázar. Entusiastas da clássica coleção portuguesa de fc&f Argonauta, da Editora Livros do Brasil, decidiram não apenas dar o mesmo nome à editora, mas estrear com uma publicação que segue a mesma tradição, a coleção Sagas, formada por livros de bolso com antologias temáticas. Trata-se de uma pequena joia em meio à barafunda que se tornou o espaço editorial da fc&f no Brasil, coalhado por antologias temáticas montadas a toque de caixa.
A primeira edição, dedicada à fantasia, foi publicada ainda em 2010, mas as edições 2 e 3, faroeste e bruxaria, respectivamente, saíram em 2011. A edição é cuidadosa e as capas, ilustradas por Nathan Milliner e Fred Macêdo, remetem aos quadrinhos e às revistas pulps.
Sagas volume 1: Espada & magia, tem 144 páginas, prefácio do escritor Roberto de Sousa Causo, e traz textos de autoria de Georgette Silen, Rober Pinheiro e dos próprios editores, explorando enredos na linha das histórias de Conan, O Bárbaro, e de Elric de Melniboné*.
O volume é despretensioso em sua proposta e equilibrado na organização. Os contos são simples, mas correspondem bem à proposta da edição, que é homenagear a Weird Fiction. O melhor texto do conjunto é “A cidadela de Ellan”, de Georgette Silen; de fato é o melhor texto da autora que já tive a oportunidade de ler, com elementos feministas e um enredo que escapa das convenções do gênero. Conta a história de uma guerreira psicologicamente problemática, que precisa recuperar um artefato que está sob a guarda de um velho conhecido, líder de um grupo de salteadores no momento escondidos num castelo. Velhos sentimentos vão emergir em meio à missão que tem tudo para resultar em tragédia.
Sagas Volume 2: Estranho oeste tem prefácio de Thomas Albornoz e apresenta, em suas 144 páginas, cinco histórias macabras de Alícia Azevedo, Christian David, Duda Falcão, M. D. Amado e Wilson Vieira, todas ambientadas no Velho Oeste norte-americano. Trata-se de um tema muito rico, pois no mesmo período podem ser contadas histórias em variados cenários e personagens: com nativos, dramas familiares em fazendas nas planícies, militaria da Guerra Civil, a Guerra da Independência, ou nas guerras indígenas, histórias com os pioneiros, sobre freakshows, sobre a corrida do ouro na Califórnia e no Alasca, sobre as caravanas, sobre os cowboys que atravessavam o país conduzindo seus rebanhos, sobre a construção das linhas de trens, caçadas de baleias, e até dramas urbanos vitorianos nas grandes metrópoles do leste, e muito mais. Mas faltou intimidade dos autores com o gênero. Todos acabaram contando histórias de pistoleiros metidos em confusões em saloons.
O melhor conto do volume é “Aproveite o dia”, de Christian David, com um protagonista patife e espirituoso que traz um colorido diferenciado à monocromia dos demais contos. Ele é um jogador que se mete numa situação da qual não terá chance de sair vivo, a não ser com muita sagacidade e um bocado de sorte.
A edição tem seus méritos, pois o tema é dos mais espinhosos para os autores brasileiros. Tanto que há poucos livros brasileiros nesse gênero, como os romances Areia nos dentes, de Antônio Xerxeneski (2008), e O peregrino, de Tibor Moricz (2011). Uma alternativa bastante razoável seria trocar o cenário do faroeste pelo cangaço, ou por bandeirantes, ou por jagunços modernos. As histórias poderiam ser exatamente as mesmas, mas ganhariam um colorido mais autêntico e imprevisível.
Finalmente, Sagas volume 3: Martelo das bruxas é o melhor da série, com 128 páginas e contos de Ana Cristina Rodrigues, Ana Lúcia Merege, Christopher Kastensmidt, Douglas MCT e Duda Falcão, com prefácio de Simone O. Marques.
“Cada história tem...”, de Christopher Kastensmidt, escritor norte-americano que vive no Brasil e aprecia trabalhar com os temas nativos, narra o duelo entre uma feiticeira e um caçador de bruxas no Brasil colonial, ambos acreditando estarem certos em seus pontos de vista. É o melhor conto publicado na série e, apesar do clima dramático, foi inevitável lembrar da épica luta entre Merlin e Madame Min no clássico desenho animado A espada era a lei (1963), de Walt Disney.
Ana Cristina Rodrigues também se apresenta com um bom trabalho. A história “O quão forte pode um gigante gritar” é ambientada na Irlanda medieval, onde o último sobrevivente de uma raça mágica envolve-se numa situação de risco para salvar uma jovem que está sendo torturada. O maior mérito do conto de Ana Cristina é a história de fundo, que demonstra riqueza suficiente para sustentar um texto bem mais longo. “Encruzilhada”, de Douglas MCT, apesar de não ser tão empolgante quanto os contos anteriores, destaca-se pelo estilo narrativo diferenciado. Conta a história de duas irmãs, meninas ainda, que precisam cumprir um ritual mágico de sacrifício mas, para isso, terão de enfrentar adversários poderosos.
A publicação é simpática e bem feita, contudo, depois do início alvissareiro, lançou apenas mais dois volumes: Sagas volume 4: Odisseia espacial (2013) e Sagas volume 5: Revolução (2014) que, infelizmente, encerraram a coleção. Uma revista similar, a Multiverso Pulp, voltaria em 2020, organizada pelo próprio Duda Falcão, agora pela Editora Avec. Sinal que o cancelamento de Sagas foi, decididamente, um tanto prematuro.
 
*Criações respectivas de Robert E. Howard e Michael Moorcock.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Mais sombras do sul

Desde os primeiros tempos da literatura de gênero no Brasil, o estado do Rio Grande do Sul é importante contribuidor na história da ficção fantástica brasileira e, mais recentemente, tem marcado sua relevância na realização de eventos e na publicação de livros, em que invariavelmente surgem autores de qualidade.
E é do sul que chegam duas novas antologias literárias: Estrada para o inferno e Tu Frankenstein III.
Estrada para o inferno, organizada por Duda Falcão e Cesar Alcázar para a editora Argonautas, reúne em 106 páginas oito textos de horror "on the road". Os autores publicados são Amanda Leonardi, Enéias Tavares, Gustavo Melo Czekster, Jo´se Franco Botelho, Laura Piovarova, Luciana Minuzzi, Paco Steinberg e Duda Falcão. A capa traz uma ilustração de Marcus Vinicius Rocha.
Tu Frankenstein III, também organizada por Falcão, é resultado de uma dinâmica realizada durante a Feira do Livro de Porto Alegre que, a exemplo da lendária noite em 1816, quando o clássico de Mary Shelley foi concebido, reúne vários autores para passar uma noite insone nas dependência da Biblioteca Pública de Porto Alegre, criando histórias soturnas. Nesta edição, de 136 páginas, aparecem contos de A. Z. Cordenonsi, Catharina Ingelman-Sundberg (Suécia), Christian David, Gustavo Nielsen (Argentina), Manel Loureiro (Espanha), Marcelo Almeida, Nikelen Witter, NIcolaj Frobeniu (Noruega), Rodrigo de Oliveira e o próprio organizador. Carlos Ferreira e Walter Pax contribuem com ilustrações que ajudam a criar o clima ideal para a leitura de cada texto, e a capa é de Marco Cena. Tu Frankenstein III é uma publicação da editora Besouro Box.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Horror e fantasia do sul


Duda Falcão tem provado ser um dos mais produtivos ativistas culturais no ambiente da ficção especulativa brasileira. Sócio da editora portoalegrense Argonautas, um dos mentores da Odisseia de Literatura Fantástica, escritor e organizador de antologias, Falcão não se abateu pelo discurso de crise que parece ter dominado o país e, neste momento, está promovendo o lançamento de mais um volume de contos fantásticos organizada por ele. Trata-se de Vampiros, antologia de contos de horror publicada pela editora Avec. O livro é belamente produzido, com 208 páginas em papel pólem e uma capa forte produzida por Marina Avila. Traz dez contos de alguns dos mais expressivos autores do moderno horror nacional: Giulia Moon, Fred Furtado, Simone Saueressig, Nazareth Fonseca, Alexandre Cabral, Ju Lund, Carlos Patati, Carlos Bacci, Marcelo Del Debbio e do próprio Falcão, além de um prefácio assinado por Lord A.  
Vampiros é o primeiro volume da Coleção Sobrenatural, e o organizador adianta que o volume 2, Fantasmas, já está em produção.
Duda Falcão também continua promovendo as antologias da sua Editora Argonautas. Herdeiros de Dagon é o segundo volume do Ciclo Lovecraftiano – iniciado em 2014 com Ascensão de Cthulhu – e tem o mesmo simpático formato de bolso de outras publicações da editora. Em 116 páginas, traz textos assinados por Carlos Silva, Gustavo de Melo Czekster, José Francisco Botelho, Guilherme da Silva Braga, Marcelo Augusto Galvão, Mariana Portella, Andrio Santos, A. S. Franskowiak, Carlos Ferreira e do próprio Falcão, que organizou a seleção junto ao seu sócio Cesar Alcázar.
Por sua vez, Alcázar promove o livro A fúria do Cão Negro, novela com o mesmo personagem visto no conto "O coração do Cão Negro", publicado na coletânea Bazar Pulp (Argonautas, 2012). Trata-se de uma história de fantasia heroica com guerreiros e feiticeiros, na clássica linha da revista Weird Fiction, que revelou autores como Robert Howard e H. P. Lovecraft. O volume tem 100 páginas e foi publicado em 2014 pela editora curitibana Arte & Letra. Para degustar a obra, vale a pena ler a história em quadrinhos que adapta o conto de estreia do personagem, com roteiro do autor e desenhos de Fred Rubim, gratuitamente, aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

4ª Odisseia de Literatura Fantástica

Começou hoje a 4ª Odisseia de Literatura Fantástica, encontro de leitores, autores e editores de literatura especulativa que acontece anualmente em Porto Alegre.
Esta edição oferece aos interessados uma ampla programação de três dias com bate papos, palestras e lançamentos de livros e quadrinhos de artistas de diversas partes do país, sem falar nas atividades lúdicas com jogos, músicas, cosplay, leituras partilhadas e outras atrações para os fãs de ficção científica, fantasia e horror.
O evento é uma iniciativa da Argonautas Editora e dos escritores Christopher Kastensmidt, Duda Falcão, Cesar Alcázar, Nikelen Witter, Christian David e Artur Vecchi.
O evento acontece no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, no centro de Porto Alegre. A entrada é franca, e as atividades vão das 13 às 19 horas.
Maiores informações no saite do evento, aqui.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Sagas 5: Revolução

Em 2010, a coleção Sagas inaugurou as atividades da Editora Argonautas, fundada pelos escritores Cesar Alcázar e Duda Falcão, em Porto Alegre. Os editores não esconderam sua admiração pela saudosa coleção de livros de bolso Argonauta, da editora portuguesa Livros do Brasil que, por décadas, foi a fonte principal de publicação de ficção científica em língua portuguesa. Como todos os brasileiros que cresceram lendo esses livrinhos, eles também sonharam criar sua própria coleção no país, e a Sagas foi a solução que escolheram para realizar esse sonho.
Sagas é uma série de antologias que, a cada edição, adota um tema base para a seleção dos contos. O primeiro número foi Espada & magia, o segundo, Estranho oeste, o terceiro, Martelo das bruxas, e, o quarto, Odisseia espacial, deixando claro o gênero abordado: fantasia heróica, faroeste, horror e ficção científica, respectivamente. Desde o princípio, os editores deixaram claro que não tinham grandes pretensões literárias para a coleção. A ideia era que Sagas se situasse no nicho das publicações populares, com textos acessíveis e temas instigantes. As capas coloridas e chamativas, ao estilo das histórias em quadrinhos, revelam a intenção pulpesca.
Em 2014, Sagas chegou a sua quinta edição, num volume de 92 páginas subtitulado Revolução. Trata-se do tema mais aberto da coleção até o momento, que não deixa claro ao leitor para que lado a seleção pretende levá-lo. E, de fato, as histórias são bem variadas. O prefácio traz um ensaio assinado por Rafael Hansen Quinsani, mestre em História e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que justifica o valor do tema escolhido, embora deixe transparecer que provavelmente não tenha lido os contos previamente, prática comum nas antologias publicadas no país.
O primeiro conto, "A Batalha das Garras Negras", do escritor gaúcho André Cordenonsi, parece ser parte de um projeto maior. No final do texto o autor faz constar o subtítulo "As crônicas de Thandor, Volume 1, Tomo 5", que parece confirmar esta suspeita. A história conta como uma comitiva soldados humanos que pretende negociar um acordo com seus inimigos – uma tribo de lobisomens que habita as florestas – acaba num banho sangue depois de uma traição. Quem foi o traidor é o grande mistério. O texto é ágil e repleto de imagens típicas das histórias de fantasia medieval, ao estilo Guerra dos tronos e O senhor dos anéis. O problema é que tudo acontece muito rápido e não há tempo para o leitor identificar os personagens que, para piorar, têm nomes complicados que dificultam o reconhecimento. É preciso prestar muita atenção para entender quem está matando, quem está morrendo e quem, afinal, é o traidor. Sinal que nem sempre funciona tomar um fragmento de um texto maior como um conto independente.
O segundo trabalho é "Nas nuvens", ficção científica de Fábio Fernandes, tradutor experiente e autor surgido nos fanzines do final do século, no caldeirão que ficou conhecido como Segunda Onda da ficção científica brasileira. Fernandes é autor de alguns textos muito bem avaliados entre os fãs do gênero, mas infelizmente não é o caso deste conto, que não disfarça o tom intolerante e preconceituoso. Narra uma sessão de tortura de um subversivo que, de fato, é um cavalo de Tróia através do qual será implantado um vírus nos computadores do governo, um estado policial formado por fanáticos religiosos. A cena final é tão constrangedora que somente posso tomar este texto como uma piada que não deu certo.
O terceiro conto é "Atrás das muralhas, atrás das cortinas", de Felipe Castilho, autor paulista que está construindo uma obra interessante inspirada na mitologia brasileira, como se vê nos livros Ouro, fogo & megabytes e Prata, terra & Lua cheia. O texto em questão, contudo, escapa desse viés. Trata-se de uma mistura de fantasia que coloca Robin Hood num contexto distópico no qual uma sociedade hedonista despreza e explora as pessoas que não atingem um padrão mínimo de beleza. A história é contada pela ótica de João Pequeno, um faxineiro gordo que, por acaso, tem uma belíssima voz. O envolvimento da música na trama é o melhor ponto do trabalho, lembrando o já clássico "Sonata desacompanhada", do escritor americano Orson Scott Card.
Fecha a edição o conto "Não confie em ninguém quando a revolução vier", da gaúcha Nikelen Witter, o melhor texto do conjunto. Trata-se de uma fantasia de história alternativa situada em algum momento do século 19. Uma espiã a serviço do governo entrega o objeto de sua missão ao seu empregador, uma arma secreta tão poderosa que pode por fim a revolução popular que grassa nas ruas. Mas o que ela não diz é que ter a tal arma nas mãos pode não ser a melhor forma de vencer a guerra. Nikelen é historiadora e, junto com Alcázar, Falcão e outros colaboradores, faz parte da equipe que organiza a Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre.
A capa traz uma ilustração de Fred Rubim, que reúne detalhes de cada um dos contos publicados.
Sagas 5: Revolução cumpre o objetivo de entreter o leitor com textos inéditos de bons autores brasileiros.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Argonautas 2014

Duda Falcão é um dos valentes autores de fc&f que um dia tomou a iniciativa de também editar textos do gênero num mercado refratário e indiferente. Fundou, em 2010, ao lado de César Alcázar, a Editora Argonautas, com a publicação do primeiro volume da coleção Sagas, antologias temáticas dedicadas a explorar e homenagear os diversos subgêneros da ficção científica, fantasia e terror. Desde então, a Argonautas tem oferecido um catálogo de bons livros – com lançamentos todos os anos – e contribuído de forma decisiva para o estabelecimento de um produtivo pólo editorial em Porto Alegre, cidade em que está baseada.
Em 2014, o desempenho da Argonautas foi bastante satisfatório, com a publicação de duas boas antologias, que foram gentilmente encaminhadas a este blogue por Duda Falcão.
Seguindo com seu carro-chefe, a editora publicou o quinto volume da coleção Sagas: Revolução, com textos de André Cordenonsi, Fábio Fernandes, Felipe Castilho e Nikelen Witter, num volume muito simpático, de 92 páginas em papel reciclato e formato de bolso, com capa de Fred Rubim.
No mesmo formato, publicou também a antologia Ascenção de Cthulhu, dedicado a homenagear o mestre do horror H. P. Lovecraft, com textos de Leon Nunes, Romeu Mastins, Carlos Patati, Marcelo Augusto, Arthur Vecchi, Carlos Orsi e do próprio Duda Falcão, que transferem os tenebrosos mitos de Cthulhu para o ambiente brasileiro. A capa tem a arte de Pedro Elefante. Livros altamente recomendáveis, portanto.
Maiores informações, no blogue da Editora Argonautas, aqui.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Agenda: Argonautas em Sampa

Para quem estiver na cidade de São Paulo neste sábado, dia 7 de junho, uma boa pedida é comparecer à Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158, Pinheiros) onde, às 16 horas, acontece o lançamento paulista das antologias de ficção fantástica Sagas, Volume 5: Revolução e Ascensão de Cthulhu, publicações da editora gaúcha Argonautas, com a presença dos escritores Carlos Orsi, Fábio Fernandes, Felipe Castilho e Marcelo Augusto Galvão.
Mais informações na fanpage do evento, aqui.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mausoléu

Tenho acompanhado o trabalho da editora Argonautas e o empenho com que seus editores, Cesar Alcázar e Duda Falcão, têm atuado em favor da ficção fantástica nacional, em especial a fantasia ao estilo Weird. E acho que foram as minhas resenhas a respeito que motivaram Duda Falcão a me convidar para escrever o prefácio de sua primeira coletânea, Mausoléu.
O livro, que tem ilustrações de Fred Macêdo e projeto gráfico de Roberta Scheffer, será lançado durante a Feira do Livro Porto Alegre, no dia 10 de novembro próximo, às 18 horas, no Centro Cultural Erico Veríssimo, como parte do evento Tu Frankenstein. Falcão informa que a atividade vai ser encerrada por uma sessão coletiva de autógrafos, com as presenças de Christopher Kastensmidt, Cesar Alcázar, Felipe Castilho, Marcelo Amado, Celly Borges e outros escritores, além do próprio Duda Falcão, é claro.
E para apresentar o trabalho, nada melhor que adiantar aqui justamente o prefácio, devidamente autorizado pelo autor:

O homem que construiu seu próprio mausoléu
A ficção fantástica brasileira tem na forma curta sua mais bem acabada tradução. Um dos motivos é porque sempre foi difícil ao autor popular chegar a publicação de romances; então a publicação de contos e folhetins em jornais e revistas foi uma possibilidade bem mais viável. Mesmo nos anos recentes, ainda são os contos, reunidos em seletas de diversas temáticas, que têm permitido que um grande número de autores experimentem as dores e as delícias da arte literária.
Que não se enganem os leitores, contudo: escrever um conto não é mais fácil que escrever um romance. Cada formato tem sua linguagem e estrutura, que precisam ser trabalhadas devidamente para atingir a excelência. Só é mais fácil de publicar.
Por isso, é comum que autores novos, antes de se aventurarem na produção de textos longos, trabalhem algum tempo na forma curta. Aos leitores parece também agradar um volume com várias narrativas, pois a publicação de coletâneas tem sido intensa nos últimos anos. E disso se aproveitou Duda Falcão, jovem autor portoalegrense que, desde 2005, tem frequentado as mais diversas coletâneas temáticas organizadas pelas editoras brasileiras.
Duda Falcão é professor, graduado em História com mestrado em Estudos Culturais. Ao lado de César Alcázar, outro escritor gaúcho, fundou a Editora Argonautas, com o firme propósito de contribuir para com o crescimento da literatura fantástica brasileira. Tanto que a dupla foi além da simples atividade editorial e associou-se a outros autores para promover o congresso literário Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, realizado em 2012 e 2013 com grande sucesso.
A paixão declarada de Falcão é pelo período Weird da ficção fantástica, que leva esse nome devido a revista Weird Tales, publicada nos EUA entre 1923 e 1954. O periódico ajudou a estabelecer as fundações da ficção fantástica através da publicação de autores como Robert E. Howard, H. P. Lovecraft, Fritz Leiber, Theodore Sturgeon, Robert Bloch, Clark Ashton Smith, August Derleth e Thomas Ligotti, entre outros, num estilo que navega livremente entre os gêneros, indo da fantasia à ficção científica regadas com doses generosas de horror sobrenatural.
Essa é a textura que também caracteriza a ficção curta de Duda Falcão apresentada nesta coletânea: nada menos que 36 contos, a maior parte deles vistos em antologias de editoras como Andross, Estronho, All Print, Multifoco e Literata, publicadas entre 2009 e 2012, bem como em fanzines e na revista Sagas, principal projeto editorial da Argonautas. A variedade de temas também é grande, passando por zumbis, fantasmas, vampiros, bruxas, faroeste, mitologia indígena, jornada pós-apocalíptica, guerreiros pré-históricos, fantasia medieval e muitas outras.
Podem ser lidos aqui alguns dos textos com os quais o autor se revelou, como "Emplumado" e "Museu do terror", este parte de uma série de histórias publicadas originalmente na internet.
Os contos também revelam a admiração do autor pela obra de Edgar Allan Poe, homenageado em diversos textos, e pela literatura gótica de Mary Shelley e John Polidori, citados textualmente no conto "Humanos, monstros e máquinas". A coletânea conta ainda com uma boa quantidade de textos inéditos.
É este o Mausoléu que Duda Falcão construiu para si mesmo, devidamente povoado por seus próprios pesadelos que, a partir de agora, vão também assombrar as noites dos valentes que se aventurarem em seus meandros.
Recomendo que levem uma lanterna. Boa sorte.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Agenda: Lançamentos de Crônicas de Espada e Magia


Apresentada há algumas semanas na 2ª Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, a antologia de contos Crônicas de espada e magia, publicada por uma parceria das editoras Arte & Letra e Argonautas, reúne autores nacionais e estrangeiros em torno de um tema em comum: a fantasia heróica. São eles: Michael Moorcock, George R. R. Martin, Robert E. Howard, Fritz Leiber, Karl Edward Wagner, Saladin Ahmed, Carlos Orsi, Max Mallmann, Roberto de Sousa Causo, Thiago Tizzot e Ana Cristina Rodrigues. A organização é de Cesar Alcázar e a inspiradora capa é de autoria do ilustrador Kekai Kotaki.
O lançamento carioca acontece no dia 10 de maio, a partir das 19 horas, na Livraria da Travessa – o endereço está no próprio convite. O livro terá também um lançamento em São Paulo, no dia 16 de maio, das 18h30 às 21h30, na Livraria Martins Fontes, Av. Paulista, 509.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Argonáuticas

A Editora Argonautas animou-se com a proximidade da segunda edição da Odisseia, congresso de autores e editores de literatura fantástica que rola em Porto Alegre nos próximos dias 12 e 13 de abril, e me mandou um pacotaço de livros publicados em 2012, para serem divulgados, quiçá resenhados, aqui, assim que possível. 
Vieram nada menos que quatro títulos, sendo o principal deles a antologia de não-ficção Fim do mundo: Guerras, destruição e apocalipse na história e no cinema, organizado por Cesar Augusto Barcellos Guazelli, Charles Sidarta Machado Domingues, José Orestes Beck e Rafael Hansen Quinsani. O livro reúne ensaios de perfil acadêmico sobre os filmes catástrofe que trabalham com o tema do fim da existência humana, tem 234 páginas e está dividido em duas partes principais. Na primeira estão 21 textos longos que desenvolvem argumentos sobre uma grande variedade de filmes e cineastas, tais como Dr. Fantástico, Contágio, Apocalipto, A noite dos mortos-vivos, A última esperança da Terra, Armageddon, Guerra de mundos, O sacrifício, Ensaio sobre a cegueira, entre outros, por um enorme elenco de ensaístas, entre os quais está Duda Falcão, um dos editores da Argonautas. A segunda parte, denominada "Extras" apresenta mais 13 ensaios curtos e as fichas técnicas dos filmes citados no livro.
Bazar pulp: Histórias de fantasia, aventura e horror é uma coletânea de contos inéditos de Cesar Alcázar – outro editor da Argonautas –, mais um título interessante do lote. Em formato de bolso, com 96 páginas impressas em papel reciclado, o livro apresenta sete contos na linha clássica da Weird Fiction, fazendo jus ao título. A capa traz uma ilustração de Fred Macêdo homenageando as histórias de fantasia heróica típicas desse período.
Duas antologias completam o pacote: Autores fantásticos traz 16 histórias originais e inéditas, cada uma delas homenageando um importante autor de ficção fantástica, entre os quais dois brasileiros: Simões Lopes Neto e Monteiro Lobato. O livro tem 162 páginas e traz contos de Nikelen Witter, Duda Falcão, Celly Borges, Cesar Alcázar, Ju Lund, A. Z. Cordenonsi, Simone Saueressig, Christian David, Leon Nunes, Fabiano Vianna, Leonardo Colucci, Mario André Pacheco, Estevan Lutz, Leo Carrion, Suzy M. Hekamiah e José Aguilar García, que também assina a ilustração da capa. A edição não identifica um organizador, sendo que, assim, a responsabilidade fica com os editores Duda Falcão e Cesar Alcázar.
Completa o lote a antologia Passado imperfeito, organizada por Ademir Pascale, volume de 104 páginas com oito textos inéditos de história alternativa de autoria de Christian David, Luciana Fátima, Daniel Borba, Marcelo Biguetti, Estevan Lutz, Tibor Moricz, Mariana Albuquerque e do próprio Pascale, com prefácio de Christopher Kastensmidt.
Com certeza, não vai me faltar o que ler.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Para ler FC e fantasia brasileira

Seguindo sua prática favorita, os autores brasileiros de ficção fantástica apresentam duas novas seletas temáticas com contos de FC e fantasia.
Estranhas invenções, antologia organizada por Ademir Pascale, foca a obra do artista, arquiteto, cientista e engenheiro renascentista Leonardo da Vinci para falar sobre inventos ainda mais malucos desse famoso e genial personagem histórico, alguns bons, outros nem tanto.
Além do próprio organizador, os autores selecionados para a esse desafio foram Tibor Moricz, Ana Lúcia Merege, Miguel Carqueija,  Maurício Montenegro, Marcelo Bighetti, Alícia Azevedo, Cesar Alcázar, Jorge Luiz Calife e Daniel Borba, que também assina o prefácio. O volume tem 120 páginas e é uma publicação da Editora Ornitorrinco. Mais sobre este coletânea pode ser lido aqui.
A conferir também a coletânea Bazar pulp, com sete contos de fantasia, aventura e horror, todos de autoria de Cezar Alcázar, na linha de Robert E. Howard e H. P. Lovecraft. O volume tem formato de bolso, 96 páginas e traz na capa uma ilustração de Fred Macêdo. É uma publicação da Editora Argonautas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Odisseia já!

Finalmente, depois de muita expectativa, será inaugurada em Porto Alegre, nesta sexta-feira, a 1ª Odisseia de Literatura Fantástica, evento dedicado ao encontro de leitores, autores e editores de fantasia, ficção científica e horror. Estão programadas as presenças de 80 escritores de oito estados brasileiros e da Argentina, realizando palestras, debates e sessões de autógrafos.
Também está programada a presença de 17 editoras comercializando seus livros diretamente ao consumidor, muitas delas promovendo o lançamento de novos títulos.
O evento foi idealizado pela editora porto-alegrense Argonautas, criada por Duda Falcão e César Alcázar, e pelo escritor norte-americano Christopher Kastensmidt, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.
A abertura será às 19h do dia 27 de abril (sexta-feira) com a palestra "Simões Lopes Neto e o fantástico em Lendas do Sul", com o mestre e doutor em história Cesar Augusto Barcellos Guazelli. O grosso da programação, contudo, rola ao longo de todo o dia 28 (sábado), a partir da 10h30min.
A 1ª Odisseia de Literatura Fantástica e acontece no Memorial do Rio Grande do Sul, Rua Sete de Setembro, 1020, em Porto Alegre. A entrada é franca e a programação completa pode ser obtida aqui.

segunda-feira, 12 de março de 2012

1ª Odisseia de Literatura Fantástica

Longe vão os tempos em que, com alguma sorte, o fandom brasileiro podia contar com um evento de FC&F no ano. Atualmente, há muitos deles acontecendo periodicamente, cada vez mais especializados mas, de forma geral, instalados no eixo Rio-São Paulo.
Em abril isso vai mudar: acontece em Porto Alegre/RS, a I Odisseia de Literatura Fantástica, congresso da escritores e editores de ficção fantástica organizada pela Editora Argonautas.
O trabalho de divulgação começou ainda em 2011, e muita gente conhecida já confirmou a participação: uma ampla lista de nomes pode ser vista aqui.
A programação inclui palestras e painéis sobre o panorama  editorial da FC&F no Sul e no Brasil, sobre como escrever e publicar, e sobre a atividade crítica no meio dos fãs, bem como diversos lançamentos, mas o objetivo parece mesmo ser o congraçamento entre autores e leitores. Ainda que, historicamente, nunca aconteça a integração ideal entre todos os participantes nos eventos do fandom, o espírito festivo deve ser suficiente para justificar uma visita ao local.
O evento acontecerá nos dias 27 e 28 de abril no Memorial Rio Grande do Sul (R. Sete de Setembro, 1020,  Praça da Alfândega, Porto Alegre/RS), com entrada fraqueada ao público.
Mais informações no blogue do evento, aqui.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Aberta a temporada 2012 de antologias

Seguindo a tendência dos últimos dois anos, 2012 parece indicar que as antologias temáticas continuarão em alta no mercado editorial.
Caminhos fantásticos, organizada por Tiago Lobo, traz histórias fantásticas inseridas na Idade Média. Isso pode não ser exatamente uma novidade, afinal a maior parte da fantasia mais conhecida é ambientada no medievalismo, mas talvez os trabalhos de Alícia Azevedo, Andrio J.R. dos Santos, Antônio Augusto Fonseca Jr., Bruno Schlatter, Christian David, Daniel L. Werneck, Fernando Salvaterra, Helena Gomes, Khatia Brienza, Marco Rigobelli, Madô Martins, Maria Apparecida S. Coquemala, Marlon Teske e Raphael Draccon conseguiram encontrar maneiras novas e inusitadas de tratar o tema.
Diz o prefácio assinado pela experiente escritora Rosana Rios: "Histórias de guerra, de vingança, de amor e de magia; de encantamentos que cobram altos preços, de criaturas ambiciosas que fariam qualquer coisa para obter poder; e de outras que, ao perceber a futilidade de tal demanda, renunciam ao poder e buscam a redenção. Gárgulas ganham voz e mortos voltam à vida; guerreiros erguem espadas e lanças para travar batalhas perdidas; dragões aterrorizam, zumbis se multiplicam".
Caminhos Fantásticos é uma publicação da Jambô Editora e custa R$25,00.
Por sua vez, a antologia Passado imperfeito, organizada pro Ademir Pascale, foi mais arrojada e investiu no uso de alguns dos grandes personagens da história brasileira para fazer fantasia. Marcelo Bighetti, Luciana Fátima, Tibor Moricz, Estevan Lutz, Christian David, Mariana Albuquerque, Daniel Borba e o próprio organizador, que criam narrativas inacreditáveis para complicar a vida já movimentada de Lampião, Antônio Conselheiro, Tiradentes, Bartolomeu de Gusmão e outros.
No prefácio da antologia, diz o escritor americano Christopher Kastensmidt: "Em cada um desses contos, brasileiros famosos enfrentam corajosamente poderes sobrenaturais em realidades alternativas. Ou será que somos nós que vivemos na realidade alternativa deles?"
Passado imperfeito é uma publicação da Editora Argonautas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sagas

A Editora Argonautas, através do simpático editor Duda Falcão, enviou-me os três primeiros volumes da série Sagas, coleção de livros de bolso com contos de FC&F organizada por Cesar Alcázar e Duda Falcão.
Cada edição é dedicada a um tema específico. A primeira foi Espada & Magia, com 144 páginas e textos de Cesar Alcázar, Giorgette Silen, Rober Pinheiro e Duda Falcão, explorando enredos na linha das histórias de Conan o bárbaro e Elrick de Melniboné. O segundo número é dedicado ao faroeste e apresenta 144 páginas com histórias macabras de Alícia Azevedo, Christian David, Duda Falcão, M. D. Amado e Wilson Vieira. Finalmente, o volume 3, sobre as bruxas, com 128 páginas e contos de Ana Cristina Rodrigues, Ana Lúcia Merege, Christopher Kastensmidt, Douglas MCT e Duda Falcão. As capas remetem aos quadrinhos e às revistas pulps, e a edição é cuidadosa.
Fiquei satisfeito com a leitura do primeiro volume, que é despretensioso em sua proposta e equilibrado na organização. Os contos são simples mas correspondem bem à proposta da edição, que é homenagear a Weird Fiction. O volume dois estou pela metade e o padrão geral é similar.
Sagas é o tipo de periódico que possivelmente se daria bem nas bancas. Só não sei se seria ideal manter os temas, pois a tematização gera nichos de consumo e isso prejudicaria a compra sequenciada. Mas eu ficaria muito feliz se pudesse ter um desses por mês para comprar numa banca.