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quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Jabuti 2024

O Prêmio Jabuti é a mais prestigiosa premiação do ambiente editorial brasileiro. Promovido pela Câmara Brasileira do Livro, inaugurou em 2020 a categoria: "Romance de Entretenimento", que contempla livros de  ficção científica, fantasia e horror, entre outros gêneros. Os finalistas de cada categoria são escolhidos por um juri de três especialistas na área, dentre uma lista de inscritos para o certame. 
Além do vencedor, vale a pena citar também todos os finalistas da categoria, pois o reconhecimento da CBL é por si muito significativo. Osvencedor e os demais finalistas de 2024 são:
Romance de Entretenimento
Vencedor: O crime do bom nazista, Samir Machado de Machado, Todavia.
Finalistas: A noite do cordeiro, Daniel Gruber, O Grifo; Mariposa vermelha, Fernanda Castro, Suma; O homem da Patagônia, Paulo Stucchi, Jangada; Os canibais da Rua do Arvoredo, Tailor Diniz, Citadel.
A relação completa dos vencedores de todas as categorias do 66º Prêmio Jabuti pode ser conferida aqui.

domingo, 15 de janeiro de 2023

64.o Prêmio Jabuti

O Jabuti é a mais prestigiosa premiação do ambiente editorial brasileiro. Desde 2020, a Câmara Brasileira do Livro, promotora do evento, introduziu a categoria "Literatura de Entretenimento", dedicada à literatura de gênero. 
Poderíamos até discutir se o título da categoria é representativo, uma vez que toda a literatura de ficção é, basicamente, de entretenimento. Além do mais, autores e editores de literatura fantástica têm pretensões para seus escritos que vão muito além do simples entretenimento. Mas, em vista das dificuldades intestinas dos gêneros em definir-se, talvez nunca se chegasse a uma solução melhor sem um grande desgaste e muito prejuízo. Só por existir, a categoria já é uma conquista significativa para o fandom, ainda que sua militância por certo não foi o que efetivamente motivou a CBL a criar a categoria.
Questões filosóficas a parte, o vencedor da categoria em 2022 foi o romance de ficção científica Olhos de pixel, de Lucas Mota, publicado pela Plutão Livros. Parabéns ao autor, que tem visto esse mesmo título  figurar também em diversas outras promoções do gênero. 
O feito não é desprezível: basta conferir os demais títulos finalistas na categoria: 
O céu entre mundos, Sandra Menezes, Malê;
O clube dos amigos imaginários, Glau Kemp, Verus;
O drible da vaca, Mario Prata, Record;
O leão do Oeste - Livro 2: A ascensão do amaldiçoado, André Carvalho, Independente;
O último ancestral, Ale Santos, HarperCollins Brasil;
Porco de raça, Bruno Ribeiro, Darkside;
Quando os mortos falam, Cláudia Lemes, Avec;
Quem me leva para passear, Elisa Lucinda, Malê;
Se a casa 8 falasse, Vitor Martins,Globo/Alt.
A relação completa dos vencedores de todas as categorias do 64º Prêmio Jabuti pode ser conferida aqui.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um Jabuti para a fantasia brasileira

Já há muito tempo que o fandom brasileiro espera que o mainstream literário reconheça o valor de seus autores. Durante um tempo, fizemos nossos próprios prêmios - como o Prêmio Nova, que ajudei a promover durante alguns anos - na expectativa que a divulgação dos ganhadores pudesse influir de alguma forma nessa relação. Funcionou apenas internamente e, mesmo assim, durante pouco tempo, sem ter chegado a causar interesse fora dos muros do fandom.
Encerrada a aventuras dos prêmios, os olhos dos fãs voltaram-se para os prêmios literários consagrados, como o Prêmio Jabuti, o mais importante do país. Como alguns de nossos autores começaram a ser publicados em grandes editoras, renovou-se a esperança que a FC&F brasileira finalmente ganhasse visibilidade e pelo menos ombreasse o sucesso dos autores da chamada primeira onda da ficção científica brasileira. Fausto Cunha, um dos líderes daquela geração, escritor, tradutor e editor, ganhou um Jabuti em 1971 pelo ensaio O Romantismo no Brasil. E eu gosto de pensar que a ficção científica brasileira ganhou um Jabuti em 1977, quando Herberto Sales levou o prêmio pelo romance O fruto do vosso ventre, ainda que se possa questionar se ele e seus pares reconheciam que o romance era ficção científica de fato.

Enfim, como não me incomodo com essas polêmicas, pra mim não há nenhuma ansiedade. O fandom já ganhou pelo menos dois Jabutis - sem falar nos de ilustração, que são importantes mas não contam aqui porque são do pessoal dos quadrinhos, não da literatura.
Mesmo assim, não posso deixar de festejar efusivamente esta grande notícia: Braulio Tavares, um dos mais convictos e expressivos autores do fandom, ganhador de diversos Prêmios Nova, acaba de levar um Jabuti na categoria livro infantil pelo conto de fantasia A invenção do mundo pelo Deus-Curumim, publicado pela editora 34 Letras, que há alguns anos até tentou emplacar uma coleção de FC, mas infelizmente só ficou em duas edições. A história é inspirada em lendas indígenas e vem acompanhada pelas ilustrações de Fernando Vilela.
Braulio Tavares é paraibano de Campina Grande, há anos radicado no Rio de Janeiro. Escritor, poeta, compositor e jornalista, autor dos livros O que é ficção científica, A espinha dorsal da memória/O mundo fantasmo e A máquina voadora, entre outros. Mantém uma coluna diária no Jornal da Paraíba, na qual fala de um bocado de coisas, inclusive ficção científica. Acompanho há anos esses textos divertidos, muitas vezes geniais, através de pacotes periódicos que Braulio gentilmente encaminha a minha caixa postal.

Braulio gosta de trabalhar com literatura infanto-juvenil e o faz muito bem. Em 1998 publicou, pela mesma editora, o livro infantil A pedra do meio-dia ou Arthur e Isadora, em que narra na forma de poemas de cordel uma aventura no estilo das histórias de fadas. Já merecia um Jabuti por ele, mas como se diz, o que é do homem o bicho não come. O prêmio é mais do que merecido.
Uma curiosidade – e não posso deixar de dizer que é motivo de orgulho para mim – é que o Hiperespaço foi a primeira publicação a veicular a ficção de Braulio Tavares, em sua edição 11, especial de contos, de 1986.
É bom saber que um autor que viajou no Hiperespaço e que acima de tudo é um amigo pessoal, realizou um feito dessa categoria.
Parabéns Braulio.


Cesar Silva e Braulio Tavares durante a III FantastiCon, em 2009.