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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O tempo desconjuntado

O tempo desconjuntado (Time out of joint), Philip K. Dick. Tradução de Braulio Tavares, 268 páginas. Rio de Janeiro: Suma, 2018.

Enquanto aguardamos o lançamento de O tempo em Marte, romance de ficção científica do escritor americano Philip K. Dick (1928-1982), anunciado para 2020 pela Editora Aleph, vamos falar um pouco sobre os últimos livros desse autor publicados no Brasil.
PKD é um autor singular. Mais conhecido pelo livro Sonham androides com ovelhas elétricas, que deu origem ao filme Blade Runner: O caçador de andróides, de Ridley Scott, lançado no ano da morte do autor e um fracasso de bilheteria que aos poucos ganhou status de cult, Dick foi um autor prolífico no período da New Wave da fc americana. Seus romances e contos inspiraram uma leva de filmes e série de tv (como O vingador do futuro, Paycheck, Minority report, O homem do castelo alto e Electric dreams, entre outros), e pode dar a impressão que se trata de um escritor popular. Não é.
PKD tem  o desagradável hábito de escrever histórias difíceis. Seu estilo é desconfortável, muitas vezes beirando o insuportável, e seus temas são complexificados a um ponto hiperbólico. São raras as histórias do autor que permitem uma interpretação sequer objetiva, muito menos fácil. Além do mais, tem momentos de profunda incorreção moral, intolerância e até algum chauvinismo. Mesmo assim, consegue flutuar acima de seus pecados graças a criatividade galopante que não faz concessões aos leitores. Ler e, principalmente, publicar PKD pode até não ser muito lucrativo, mas garante uma boa reputação, semelhante como ao que acontece com Willian Gibson, um dos pais do cyberpunk.
A primeira vez que tive um PKD nas mãos foi uma experiência frustrante. Estava com 14 anos e em minha primeira fase de interesse na fc, quando encontrei um livro do autor no acervo da biblioteca pública, Espaço eletrônico (The unteleported man), na edição da Bruguera de 1971. Li o livro inteiro mas não entendi absolutamente nada. Não era um problema com o livro, mas com o leitor: eu não estava pronto para ele. E há muitos livros de PKD que são assim, então é difícil recomendar o autor para leitores iniciantes no gênero.
Contudo, entre tantas histórias indecifráveis, sempre há alguma que pode ser lida com menor esforço. Uma dessas é O tempo desconjuntado (Time out of joint), novela de 1959 publicada no Brasil em 2018 pelo selo Suma da Editora Companhia das Letras. O romance teve uma edição portuguesa em 1985, sob o título de O homem mais importante do mundo, mas até então estava inédito aqui.
Conta a história de Ragle Gumm, homem fracassado, de meia idade, que vive na casa da irmã e passa os dias resolvendo quebra-cabeças de um concurso do jornal local. Gumm está quebrando os recordes de acertos do concurso, o que pode lhe render uma bolada em prêmios que talvez resolva sua vida, além de alguma fama, mas também o mantém socialmente isolado.
Gumm está inquieto com a repetição de fenômenos visuais estranhos e recordações incongruentes, que até podem ser frutos de estresse por sua concentração nos enigmas diários cada vez mais complexos. Depois de testemunhar o desaparecimento de uma barraca de refrigerantes no parque – que deixou em seu lugar apenas um pedaço de papel com as palavras "barraca de refrigerantes" –, ele tem absoluta certeza que está enlouquecendo. Tudo fica ainda pior quando ele encontra, num terreno baldio, uma lista telefônica com números que não deveriam existir. Acossado pela paranoia, Gumm está disposto a comprometer sua fama e fortuna para descobrir o que há por trás dessa realidade que fica cada vez mais estranha.
A edição da Suma é caprichada, impressa em papel pólen e encadernada em capa dura. A tradução é de Braulio Tavares, um especialista no gênero, e a maravilhosa capa é de Deco Farkas.
Se eu tivesse que indicar um livro de PKD para alguém que nunca leu o autor, por certo que indicaria O tempo desconjuntado. Não que seja um texto fácil, mas em se tratando de PKD, não dá para fazer por menos que isso.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

FC de Plutão

Terceiro colocado no Prêmio Jerônimo Monteiro, concurso de contos realizado em 1991 pela Editora Record e publicado no número 14 da extinta edição brasileira da Isaac Asimov Magazine, Patrulha para o desconhecido, de Roberto de Sousa Causo, ganha sua primeira republicação no selo Ziguezague da Plutão Livros. Conta a história de soldados da FEB numa missão na Itália durante a segunda grande guerra, onde encontram muito mais do que era de se esperar. O título está disponível em formato ebook.
Outro ebook recente da editora é O ovo do tempo, primeiro título solo da prestigiada escritora brasileira Finisia Fideli, só publicado em 1994 na rara antologia Dinossauria tropicalia, da GRD. Diz o texto de divulgação: "Quando descobre uma pedra estranha na loja de cristais místicos, Mariana não faz ideia de que está prestes a sair em uma viagem para além de tudo o que já sonhou".
A Plutão Livros está especializando seu catálogo com obras raras da fc nacional. Em 2019 já republicou dois importantes livros do gênero: 3 meses no século 81, de Jeronymo Monteiro, e Eles herdarão a Terra, de Dinah Silveira de Queiroz, além da coletânea Sobre a imortalidade de Rui de Leão, com dois contos de fc de Machado de Assis, publicada em 2018. Recomendadíssimos.

A menina astronauta

O escritor Miguel Carqueija, anuncia a publicação da novela A menina astronauta, com a história de Christiane que, aos onze anos, se torna a primeira criança astronauta. O prefácio é assinado pela profª Ana Paula de Oliveira Gomes.
O autor define a história como ficção científica infantil, algo bastante incomum no Brasil e só por isso já vale a leitura, uma vez que a maioria esmagadora dos autores do gênero preferem reconhecer-se como escritores para adultos.
O livro está disponível em formato de texto e pode ser baixado gratuitamente aqui

domingo, 10 de novembro de 2019

Amália atrás de Amália

Terceiro volume da coleção Futuro Infinito, publicada pela editora Patuá, com curadoria de Luiz Brás, Amália atrás de Amália é uma novela de ficção científica escrita pelo professor acadêmico e poeta Marco Aqueiva, autor de Sob os próprios pelos: seres extraordinários (2014), Germes entre dias brancos (2016) e O azul versus o cinza & O cinza versos o azul (2012).
A história acompanha a luta de uma mãe em busca de sua filha, num panorama distópico em que o poder instituído tudo faz para barrar a jornada, numa narrativa fragmentada que exige a participação ativa do leitor.
O volume tem 88 páginas e pode ser encontrado aqui.

Maresia do rock

A maior parte dos artistas que tem esperança de viver de sua arte guarda entre seus tesouros o direito de imagem. Ao longo do séculos 19 e 20, a jurisprudência se voltou para garantir os direitos individuais de autoralidade, que hoje são muito detalhados, tornou conteúdos em marcas reservadas da indústria cultural e até a imagem pessoal se tornou objeto de garantias comerciais.
Mas tudo isso entrou na berlinda com a implementação da rede mundial de computadores, a internet. A facilidade da reprodução não autorizada fomentou uma verdadeira mania, que se intensificou com a popularização das redes sociais. Isso tem causado muita preocupação entre artistas e produtores que tentam garantir seus direitos na justiça, mas essa luta parece inglória a longo prazo.
Por isso, vejo como muito ousada a iniciativa do jornalista cearence Cláudio Portella, autor de mais de duas dezenas de livros de crônicas, poemas e contos, cujo trabalho mais recente é a novela Maresia do rock: Recriada parceria de Raul Seixas & Paulo Coelho, publicado pelo autor no selo Edições CP.
Trata-se de uma recriação ficcional que se apropria sem pudores das imagens dessas duas personalidades famosas para recontar livremente a história da parceria que legou um valioso patrimônio na música popular, porém sem qualquer pretensão historiográfica, quase como em uma realidade alternativa.
O livro tem 92 páginas e é formado por 180 capítulos curtíssimos, muitos deles com não mais que um único parágrafo. A capa, com imagens dos dois artistas, é outra ousadia temerária.
O livro pode ser encomendado diretamente com o autor pelo email cladio.portella@gmail.com. Aproveite antes que o homem reclame!

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Procura-se Elvis vivo ou morto

Depois do ótimo romance Deus, o diabo e os super-heróis no país da corrupção (2018, Viseu), o escritor catanduvense Fernando Fontana volta à carga com Procura-se Elvis vivo ou morto, desta vez uma noveleta na qual o detetive particular Lucca Carrara - o mesmo protagonista do romance anterior - segue uma pista quente para finalmente desvendar um dos maiores enigmas do universo: afinal, o Rei morreu ou não?
O livro vem num simpático formato de bolso (um pouco maior que os volumes da saudosa coleção Asas do vento, da Devir Livraria), 82 páginas e ilustrações internas de Sid Castro e Rodrigo Mazer, que também assina a capa. O volume se apresenta como o primeiro volume da Coleção Casos Supernaturais, da Fontana Books, e pode ser adquirido aqui.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Enterre seus mortos

Enterre seus mortos, Ana Paula Maia, 134 páginas. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

Edgar Wilson tem um emprego peculiar: ele participa de uma equipe de trabalhadores que recolhe animais mortos das estradas e vicinais de uma região genérica no interior do país. Seu trabalho é dirigir a caminhonete da empresa ao local para onde os atendentes determinam, recolher as carcaças e levá-las para a sede da empresa, onde serão processadas num grande moedor para serem transformadas em adubo. Seu colega de trabalho é Tomás, um padre excomungado que, além de coletor de corpos, dá atendimento espiritual aos moribundos e nos acidentes que eventualmente atendem. A vida deles está longe de ser um mar de rosas: além do serviço medonho, cada um tem sua própria dor para carregar.
Mesmo assim, Edgar Wilson é um funcionário dedicado, que recolhe toda coisa morta que se lhe aparece pelo caminho. E é por causa desse hábito pouco saudável que se envolve numa complicada trama de assassinato e corrupção, ao encontrar o corpo de uma mulher enforcada no meio do mato.
Ninguém parece querer o defunto. Não há família procurando pela falecida, a polícia está sem condições de investigar a morte e o IML local não tem uma viatura para transportar o cadáver. Por achar uma indignidade deixar o corpo ser devorado pelos animais selvagens, Edgar Wilson decide guardá-lo no velho frízer sem uso no galpão da empresa, pelo menos até que a polícia possa vir buscá-lo. Mas os dias passam e nada das autoridades fazerem sua obrigação.
Para piorar ainda mais a situação, outro cadáver, desta vez de um homem, vem se juntar ao primeiro. Quando o frízer repentinamente para de funcionar, Edgar Wilson é intimado pela gerência da empresa a dar um destino aos dois corpos. Ainda incomodado com a possibilidade de não dar aos cadáveres um destino digno, Edgar e Tomás colocam os corpos no porta-malas de uma caravan e decidem levá-los eles mesmos para o IML da cidade. E é aí que os problemas realmente vão se complicar.
Esta é a história que a escritora Ana Paula Maia conta em seu sétimo romance Enterre seus mortos, publicado em 2018 pela Companhia das Letras. Nascida em Nova Iguaçu em 1977, Ana Paula estreou com o romance O habitante das falhas subterrâneas, publicado em 2003 pela Editora 7 Letras. Também é autora de Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (2009), Carvão animal (2011) e Assim na terra como embaixo da terra (2017), entre outros romances que já ganharam edições na Alemanha, França, Itália, Estados Unidos, Espanha, Sérvia e Argentina. É, portanto, uma autora experiente, que domina bem as ferramentas narrativas. Seu estilo é brutalista e cruel, mas não chega a ser aterrorizante neste Enterre seus mortos, embora seja no terror que pareça mais adequadamente classificar este trabalho, embora a história tenha fortes aspectos de policial e até de faroeste.
Seguindo o conselho do mestre do horror Stephen King, na ausência do clima evidente de terror e de um monstro apavorante, Ana Paula evoca a escatologia e a morbidez com todo o requinte de seu arsenal, para causar nojo no leitor. Para obter resultados mais efetivos, associa as descrições de estripamentos e cheiros nauseantes aos alimentos que Edgar e Tomás consomem o tempo todo. Contudo, o efeito não é plenamente atingido e não incomoda a leitura, que progride com rapidez e leveza pois, de fato, Enterre seus mortos não é um romance, mas uma novela: é possível lê-la de cabo a rabo em pouco mais de duas horas.
Apesar do estilo naturalista, parece inadequado classificar a história como realista, devido a uma certa fabulação mais associada ao absurdismo e ao realismo fantástico. Isso porque, além da natureza improvável do trabalho de Edgar Wilson, e do fato das aves necrófagas serem insistentemente chamadas de abutres embora a história seja evidentemente passada no Brasil (o que temos aqui são urubus, que são de uma outra família), é um tanto bizarro que numa região onde nenhuma instituição funciona, na qual nem o IML nem a polícia cumprem suas obrigações fundamentais, um indivíduo de nuances marginais, fazendo uso irregular do equipamento de uma empresa privada que, contra todos os prognósticos, funciona com competência, faça sozinho e sem qualquer supervisão aquilo que é trabalho das autoridades. Numa perigosa leitura política, esse conceito legitima o discurso do neoliberalismo, que acusa o Estado de ser uma máquina funcional unicamente para promover corrupção, justifica a ação individual e condena toda a ação pública. Ainda bem que isso é apenas ficção e nunca aconteceria na vida real...
Quem tiver estômago fraco talvez não suporte bem a leitura de Enterre seus mortos, mas acredito que vale o esforço, pois o texto correto é fluido de Ana Paula Maia é muito bom e justifica plenamente a aventura. Para os especialistas, é um sopro de ar – ainda que não tão fresco, no caso – na recorrência de temas e estilos da nossa ficção fantástica.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Os fantasmas de Vênus

Roberto Schima, que nos anos 1990 era o grande nome da ficção científica brasileira, está disponibilizando sua novela Os fantasmas de Vênus, originalmente publicada em 1993 na coletânea Tríplice universo (GRD), agora pela plataforma de autoedição da Amazon. Trata-se de um drama familiar que se desenrola entre a ilha de Fernando de Noronha e a terraformação de Vênus.
Diz o texto de divulgação: "Pedro e Miguel, nascidos e criados no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha, apesar de gêmeos, cada qual alimenta sonhos diferentes. Pedro ama o mar e tudo ligado a ele. Seu desejo nada mais é do que seguir a tradição pesqueira da família, conviver ao lado de peixes, crustáceos e estrelas do mar. Miguel foi cativado pelas estrelas também, só que pelas estrelas do céu. E seus sonhos conduziram-no ao espaço".
Trata-se de um dos mais expressivos trabalhos do autor, exemplo de uma época que é avaliada por muitos especialistas como o ponto culminante da produção de fc no Brasil. Vale a pena conhecer.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Areia fugaz

Está disponível para download gratuito a novela inédita de ficção científica Areia fugaz, de autoria de Miguel Carqueija e Jorge Luiz Calife.
Com prefácio de Ronald Rahal e posfácio de Gabriel Solis, a publicação reedita a parceria entre Carqueija e Calife, experimentada em As portas do magma (Scarium, 2009). Calife é autor da bem avaliada série Padrões de contato, publicada em volume único pela Devir em 2009 e por muitos considerada como o marco inicial da Segunda Onda da ficção científica brasileira. Carqueija, por sua vez, é autor dos livros O estigma do feiticeiro negro (Ornitorrinco, 2012) e Farei meu destino (Giz, 2009).
Diz o texto de apresentação: "Antônio Gusmão de Campos, mais conhecido por Toni, ex-militar da Força Cósmica, chega à Roda Espacial Carl Sagan, na zona externa do Sistema Solar, em busca de um emprego. Reencontra seu amigo de outros tempos, Sigmund Halley, e conhece uma bela empresária de modas, altamente sedutora, Thais, que lhe arranja um emprego. Mas por trás disso está uma imprevisível aventura interplanetária e a onipresente ameaça dos piratas cósmicos".
Outros textos de Carqueija podem ser acessados através do mesmo portal Recanto das Letras que disponibiliza este trabalho.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Dunya

Continuando sua missão de levar aos infiéis a mensagem da ficção científica, o escritor Tibor Moricz lança um novo título em ebook, desta vez o inédito Dunya. 
Conta a história de uma colônia de mineradores num planeta inóspito habitado por uma raça igualmente hostil.
Moricz, que já colocou a disposição alguns de seus livros anteriores (Fome, Síndrome de cérbero, O peregrino, Filamentos iridescentes) é conhecido pela ousadia temática e crueza com que apresenta os dramas humanos, sempre muito agudos e contundentes.
Dunya está disponível para os leitores Kindle e pode ser adquirido aqui.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O castelo dos homens mecânicos

Está disponível a aventura de ficção científica O castelo dos homens mecânicos, quarta parte da série Liga Mundial, que já conta com os volumes O fantasma do apito, O clube da Luluzinha e O olho mortal.
Dessa vez, as estudantes Fátima, Andréia e Carol, acompanhadas da detetive vidente Irina, seguem num dirigível rumo ao castelo do vilão Conde Bruxelas, nos Alpes, para o que pode vir a ser um confronto definitivo.
Escrita por Miguel Carqueija e Melanie Evarino, a novela tem prefácios de Cesar Silva e Chico Martellini, e um posfácio de Ronald Rahal.
O arquivo, em formato de texto, pode ser baixado gratuitamente aqui.

domingo, 5 de novembro de 2017

Honey Bel na Electron

O escritor carioca Miguel Carqueija há algum tempo tem se dedicado à tarefa de editar ele mesmo os seus escritos. A maior parte dessa produção tem sido disponibilizada pelo autor em forma digital em diversos saites de autoedição, mas Carqueija decidiu dar um novo e ousado passo em sua carreira criando um selo próprio, através do qual pretende publicar livros impressos, ainda que confeccionados artesanalmente.
O selo foi batizado de Edições Electron e a primeira publicação sob essa chancela é a novela de ficção científica humorística As aventuras de Honey Bel, que teve edição virtual anterior, mas faz agora sua estreia em formato real. Com prefácio de Francisco Martinelli, conta a história de Honey Bel, garota romântica, desastrada e biruta que, num futuro distante, tenta a sorte como vendedora na Terra II, mas seu sonho é encontrar um Príncipe Encantado. O acaso a joga num roubo audacioso e agentes da Cosmopol – a Interpol do futuro – e Honey decide se tornar uma agente secreta.
A edição é impressa digitalmente, tem 64 páginas, formato 10,5 x 21cm e capa em cores. Carqueija já teve publicações anteriores em formato similar, pelos selos editoriais Scarium e Hiperespaço, sendo que este lhe prestou assessoria nesta nova fase; não é um salto no vazio, portanto. O autor tem experiência com venda direta e podemos esperar mais títulos no futuro.
Mais informações sobre como e onde adquirir o livro com o autor, pelo email mcarqueija@gmail.com.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O olho mortal

"Andréia, Fátima e Carol, em companhia da detetive Irina, chegam à pequena cidade de Lucasville onde finalmente localizam o tenebroso Conde Bruxelas. Entretanto alguém vem no encalço delas: o teimoso detetive Anselmo, desafeto de Irina mas enamorado por Fátima. Anselmo farejou alguma coisa grande e não aceita ser deixado para trás na aventura.
Neste mundo alternativo e de tecnologia menos avançada, sociedades secretas, como a Liga Mundial e a Rede, disputam o controle da sociedade. Irina faz parte, secretamente, da Liga Mundial, e Bruxelas é membro da Rede. Os dois têm contas a ajustar, mas as três meninas querem apenas justiça".
Este é o texto de apresentação de "O olho mortal", terceira parte da série Liga Mundial, aventura de ficção juvenil de contornos steampunk do escritor carioca Miguel Carqueija. A novela dá continuidade a "O fantasma do apito" e "O Clube da Luluzinha", mas não é inédita: teve uma edição real em 2009 no volume Tempo das caçadoras (Coleção Scarium Fantástica nº4), já esgotado.
O texto, agora disponível em edição virtual do autor pelo saite Recanto das Letras, pode ser lido gratuitamente aqui.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

As luzes de Alice

Publicado em 2004 em edição real na coleção Hiperespaço, a novela As luzes de Alice, do ficcionista carioca Miguel Carqueija, foi disponibilizada gratuitamente pelo autor no saite Recanto das Letras. Trata-se de uma aventura de ficção científica com toques de horror lovecraftiano. Diz o texto de apresentação: "Dentro do universo ficcional dos 'Mitos de Cthulhu', criados pelo prestigiado autor norte-americano H. P. Lovecraft (1890-1937) dei início a uma série em torno de Alice Chantecler, uma jovem vidente de cabelos vermelhos. Convido os leitores a adentrarem o ambiente misterioso e opressivo do Mundo Negro, um satélite artificial que orbita a grande distância da Terra e onde sucedem coisas estranhas e terríveis".
O arquivo, em formato de texto, pode ser baixado aqui.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

De jogos e festas

De jogos e festas, José J. Veiga. 190 páginas. Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2016.

Desde 2015, quando se comemorou o centenário do nascimento do fantasista goiano José J. Veiga (1915-1999), e o catálogo do autor passou a integrar o acervo da Companhia das Letras, que iniciou a republicação de suas obras em uma coleção dedicada ao autor. Foram publicados em 2015 a coletânea Os cavalinhos do Platiplanto e os romances A hora dos ruminantes e Sombras de reis barbudos. Depois de um pequeno hiato, a coleção seguiu em frente em 2016 com o lançamento da coletânea De jogos e festas, publicada originalmente em 1980. O acabamento segue o padrão da coleção, com a capa ilustrada por Deco Frakas, mas sem capas duras desta vez.
Trata-se de uma seleta com apenas três textos, sendo duas novelas e um conto, além de um posfácio assinado por José Castello, em que comenta curiosidades sobre o autor e sua obra, principalmente a amizade com o também escritor João Guimarães Rosa.
Em respeito a opinião do autor, o volume não tem prefácio – o que é explicado por Castello –, e entra de cara na novela que dá nome ao livro e toma quase a metade de suas páginas. Esta é uma história de contornos realistas, em torno do mistério da morte de Vicente, cuja solução passa a ser o obsessão de seu irmão mais novo, Mário, que retornou à cidade natal depois de um período de afastamento. Há uma série de detalhes que o autor tece em torno desse mistério e de suas consequências familiares e sociais, mistérios estes que vão alterando a percepção e o comportamento de Mário que, aos poucos, vai assumindo a personalidade do irmão para tentar entender os motivos e o causador de sua morte, envolvendo-se com seus amigos, e demais pessoas de sue passado. A narrativa tem momentos oníricos característicos das obras de Veiga, mas sem a proposital indefinição do tempo da ação: desta vez, quando é sonho, sabemos que é.
Bem no centro do livro, temos o conto curto "Quando a Terra era redonda", o texto mais fantástico do volume. É escrito em forma de um artigo, como se fosse um texto de estudo acadêmico. Nele, o estudioso comenta, em algum momento do futuro distante, sobre as característica do mundo no tempo em que a Terra era redonda, pois em sua época ela não é mais: tornou-se chata assim com o tudo o que antes era arredondado. Assim, discute como, no passado, deveria ser a percepção de um mundo redondo, algo quase incompreensível para os habitantes do futuro. O texto é divertidíssimo, e dialoga com o clássico da ficção científica Planolâdia, do escritor britânico Edwin A. Abbott (1838-1926).
A segunda metade do volume é ocupada pela novela "O trono no morro", uma espécie de versão veiguiana a Grande Sertão: Veredas, de seu grande amigo Guimarães Rosa. O início do texto tem um tom de fantasia medieval, que vai se justificar ao final da leitura. A história é sobre Quintino que, quando jovem, foi "recrutado" pelo bando de Gumercindo Frade, cangaceiro violento que o inicia na arte da bala. Quintino sonha em voltar a vida pacífica e previsível de agricultor da qual foi sequestrado, mas seu talento com as armas acaba por torná-lo uma referência no grupo cangaceiro. Até o dia em que, depois de uma tocaia à traição que dizimou o bando, Quintino consegue escapar e se torna um pacato comerciante numa cidadezinha esquecida. O rumo da história muda radicalmente, saindo das correrias e tiroteios para uma relação social estável com a comunidade, onde Quintino vai encontrar o amor e a realização pessoal, bem como as tragédias da vida ordinária, que são tão ou mais dolorosas que aquelas enfrentadas no cangaço. Resta a Quintino a fuga para dentro de si mesmo.
Veiga nunca decepciona seus leitores. Trata-se de um verdadeiro gigante da narrativa, que faz emergir o maravilhoso das situações mais corriqueiras. Porque, afinal, a vida é por si só um milagre e cada detalhe dela é, em si, um fato tão fantástico quanto improvável, conforme o ponto de vista. Ponto de vista este que Veiga, como um experiente fotógrafo, é mestre em focalizar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

As aventuras de Luke Skywalker, cavaleiro jedi

Frente à inundação de caçaníqueis que têm surgido por todos os lados nos últimos meses, a franquia Star wars confirma que já não ter mesmo mais nada a dizer. Novelizações, quadrinhos, desenhos animados e até mesmo o "novo" longa metragem não fazem além de repetir exaustivamente a história da trilogia original produzida por George Lucas. Se algo ainda mantém algum valor, é aquele material vinculado aos primeiros filmes que, a sua época, revolucionaram a indústria do entretenimento em nível mundial.
Por isso, é de elogiar a iniciativa da Pixel Media, selo vinculado a editora Ediouro, em publicar Star wars: As aventuras de Luke Sakywalker, cavaleiro jedi, lindo volume com a novelização resumida da história vista nos filmes Uma nova esperança, O império contra-ataca e O retorno de jedi, escrita pelo premiado autor de livros infantojuvenis Tony DiTerlizzi.
O livro tem 64 páginas e parece ser dirigido aos leitores mais jovens, mas são os marmanjos que vão gostar mais dele. Isso porque as ilustrações que decoram todas as páginas são nada mais nada menos que as imagens originais de pré-produção feitas pelos lendário Ralph McQuarrie (1929-2012). Estas fabulosas pinturas foram as principais responsáveis pelo visual arrebatador que caracterizou o universo de Star wars desde a sua primeira cena.
Praticamente todas as pinturas de McQuarrie foram reproduzidas, com cores vibrantes muito bem calibradas para o papel fosco que a editora escolheu para esta edição de luxo, que tem capas duras e um formato diferenciado, na horizontal, que fica com quase 60 cm quando aberto.
Essas imagens ganharam prints especiais no mercado americano, mas nunca foram publicas aqui de forma tão bem apresentada. E, enquanto isso não acontece, esta certamente é a melhor edição que um fã da saga pode encontrar no Brasil sobre o incomparável trabalho de McQuarrie.
Enfim, algo que vale a pena elogiar nessa desgastada franquia.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O incubado

No final do século, o fanzine Hiperespaço alterou sua estratégia editorial subdividindo-se em iniciativas especializadas. A parte ficcional foi direcionada para uma coleção de livros artesanais editada em parceria com o fanzine Megalon, a Coleção Fantástica, que teve seis edições entre 1999 e 2000 com novelas de ficção científica, fantasia e horror de autores brasileiros. A proposta voltou em 2002 sob o título de Nova Coleção Fantástica, com mais 6 volumes publicados até 2009.
Parte desse material está hoje em livros publicados por editoras profissionais, mas alguns deles não tiveram a mesma sorte e, eventualmente, surgem leitores interessados neles. Decidi então negociar com os autores no sentido de obter as devidas autorizações para disponibilizar essas edições em formato virtual.
O primeiro a concordar foi o escritor carioca Rogério Amaral de Vasconcellos que, há alguns anos, ousou publicar na internet uma longa série de ebooks de fc&f chamada Coleção Nave Profana, comentada aqui. Vasconcellos também foi um dos poucos a publicar pela extinta Editora Writers, com o romance Campus de guerra, de 1999.
O incubado aqui apresentado, foi publicado originalmente em 2003 sob o nº 3 da Nova Coleção Fantástica, sob o equivocado título de O encubado, novela de fc com toque de horror na qual colonos, pesquisadores e militares enfrentam uma situação inesperada durante uma ocupação planetária, que pode levar à toda civilização um perigo tão antigo como terrível.
A nova edição, corrigida, pode ser lida online ou baixada gratuitamente no Issuu e no 4shared.
O texto pode também ser lido em espanhol, no nº 141 da revista eletrônica argentina Axxón, com tradução de Claudia De Bella.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O clube da Luluzinha

Miguel Carqueija mostra que está disposto a passar por cima da crise e lança mais um ebook, o terceiro neste início de ano. Trata-se de O clube da Luluzinha, publicado em formato de texto no saite Recanto das Letras, sequência imediata à novela O fantasma do apito (Coleção Scarium Fantástica nº2, 2007) dentro da série Liga Mundial, história policial passada numa realidade alternativa menos tecnológica que a nossa. Depois de conseguirem escapar das tramas sórdidas do Conde Bruxelas, as universitárias Andréia, Carol e Fátima, estudantes da Faculdade Modelo da Serra dos Órgãos, auxiliadas pela delegada Irina, partem em perseguição do vilão através uma São Paulo anacrônica e, em decorrência de uma forte tempestade, precisam se deter numa estalagem de beira de estrada onde acontecimentos sinistros irão se verificar.
O texto, já visto no livro Tempo das caçadoras (Coleção Scarium Fantástica nº4, 2009), conta agora com prefácios de Leti Ribeiro e Ísis Dumont, e posfácio da jornalista Glaucia Ribeiro.
O autor promete disponibilizar em breve as sequências O olho mortal e O castelo dos homens mecânicos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Espaço negro

Novela de ficção científica de autoria de Miguel Carqueija, Espaço negro dá sequência a A face oculta da galáxia, recentemente divulgado aqui.
O agente da Cosmopol, Horácio Castelo Azul, é enviado ao planeta Sombrio para recuperar a arma que pertencera ao mafioso Bengala. Para isso, Castelo Azul, na companhia da agora lendária Vésper, terá de se envolver de corpo e alma na guerra contra a organização anarquista Terror Cósmico.
O novela, que vem referendada por comentários do escritor Ronald Rahal e a poetisa Leti Ribeiro, está disponível em formato de texto no saite Recanto das Letras, aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Horror e fantasia do sul


Duda Falcão tem provado ser um dos mais produtivos ativistas culturais no ambiente da ficção especulativa brasileira. Sócio da editora portoalegrense Argonautas, um dos mentores da Odisseia de Literatura Fantástica, escritor e organizador de antologias, Falcão não se abateu pelo discurso de crise que parece ter dominado o país e, neste momento, está promovendo o lançamento de mais um volume de contos fantásticos organizada por ele. Trata-se de Vampiros, antologia de contos de horror publicada pela editora Avec. O livro é belamente produzido, com 208 páginas em papel pólem e uma capa forte produzida por Marina Avila. Traz dez contos de alguns dos mais expressivos autores do moderno horror nacional: Giulia Moon, Fred Furtado, Simone Saueressig, Nazareth Fonseca, Alexandre Cabral, Ju Lund, Carlos Patati, Carlos Bacci, Marcelo Del Debbio e do próprio Falcão, além de um prefácio assinado por Lord A.  
Vampiros é o primeiro volume da Coleção Sobrenatural, e o organizador adianta que o volume 2, Fantasmas, já está em produção.
Duda Falcão também continua promovendo as antologias da sua Editora Argonautas. Herdeiros de Dagon é o segundo volume do Ciclo Lovecraftiano – iniciado em 2014 com Ascensão de Cthulhu – e tem o mesmo simpático formato de bolso de outras publicações da editora. Em 116 páginas, traz textos assinados por Carlos Silva, Gustavo de Melo Czekster, José Francisco Botelho, Guilherme da Silva Braga, Marcelo Augusto Galvão, Mariana Portella, Andrio Santos, A. S. Franskowiak, Carlos Ferreira e do próprio Falcão, que organizou a seleção junto ao seu sócio Cesar Alcázar.
Por sua vez, Alcázar promove o livro A fúria do Cão Negro, novela com o mesmo personagem visto no conto "O coração do Cão Negro", publicado na coletânea Bazar Pulp (Argonautas, 2012). Trata-se de uma história de fantasia heroica com guerreiros e feiticeiros, na clássica linha da revista Weird Fiction, que revelou autores como Robert Howard e H. P. Lovecraft. O volume tem 100 páginas e foi publicado em 2014 pela editora curitibana Arte & Letra. Para degustar a obra, vale a pena ler a história em quadrinhos que adapta o conto de estreia do personagem, com roteiro do autor e desenhos de Fred Rubim, gratuitamente, aqui.