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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Steampunk ladies

Steampunk ladies: Vingança a vapor, de Zé Wellington & Di Amorim, é um faroeste de ficção científica que conta como duas mulheres oprimidas movem uma ação de vingança contra um bando ciborgues foras-da-lei que dominam a sociedade.
Diz o texto de divulgação: "Como saquear uma locomotiva blindada considerada indestrutível? O que um dos maiores inventores do país tem a ver com isso? Tudo é parte do plano diabólico para o maior roubo de trem da história, orquestrado por Lady Delillah. Mas em seu caminho estão Sue e Rabiosa, mulheres que têm em comum destinos trágicos pela mão da criminosa. Para elas, mais difícil do que evitar este assalto é provar que duas damas podem ser as protagonistas de sua própria história no ambiente hostil do velho oeste."
Steampunk ladies é um lançamento da Editora Draco, tem 72 páginas coloridas e está em pré-venda aqui.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Resenha: Voos e sinos e misteriosos destinos

Posso dizer que este é um livro que me pegou pela capa. Quando a vi, sabia que tinha que lê-lo. A sinopse, divulgada pela Seguinte – um dos selos da editora Companhia das Letras, responsável pela publicação – contando uma interessante trama steampunk infantojuvenil, deu ainda mais certeza. E não me arrependi.
Com tradução de Álvaro Hattnher, Voos e sinos e misteriosos destinos (no original, Flights an chimes and mysterious times), da escritora norte americana Emma Trevayne, conta, em 306 páginas, a história de Jack Foster, garotinho mimado da alta classe londrina vitoriana que, ao mesmo tempo em que tem a vida controlada por uma governanta severa, vive distante de seu pai, um industrial ocupadíssimo de quem certamente herdará a fábrica quando adulto, e também da mãe, que passa os dias em recepções e jantares luxuosos às quais Jack não tem acesso. Entediado, ele espiona uma dessas reuniões e fica fascinado pelos truques de Lorcan Havelock, um estranho mágico que lá se apresentou.
Jack tem um talento natural para construir engenhocas a partir de peças de relógios e, acreditando que pode aprender alguns bons truques com aquele mágico, ele o segue, assim que surge a oportunidade, para tentar uma aproximação. Jack segue o homem por uma passagem mágica na base do Big Ben, mas perde-se na escuridão e, quando finalmente consegue sair, se depara com uma visão familiar mas, ao mesmo tenho, diferente. O ar está poluído por uma densa fumaça oleosa, todas as pessoas têm estranhos implantes metálicos e, para onde se olhe, há fadinhas mecânicas, constituídas de engrenagens e cordas minúsculas e finíssimas, fazendo estripulias com os transeuntes.
Assustado e arrependido de sua ousadia, Jack tenta voltar para casa, mas descobre que ela não está mais no lugar onde devia. Ele tenta falar com uma menina que ele encontra num parque, mas ela está paralisada, e só começa a falar depois que ele aciona uma chave em forma de borboleta que ela tem no pescoço. A menina mecânica se chama Beth, e conta a Jack que eles estão em Londinium, capital do grande Império das Nuvens, governado pela linda, imortal e poderosa Senhora, de quem ela mesma já foi um dia o brinquedo favorito. Beth conduz Jack para a casa de seu pai, o Dr. Cataplasma, mecânico genial que a construiu e a considera sua criação mais perfeita. Cataplasma recebe Jack bem, mas se preocupa depois que o menino conta que chegou a Londinium seguindo Lorcan Havelock. Ele sabe que se Jack não voltar urgentemente ao seu próprio mundo, todos ficarão na mira do malicioso Lorcan, que não é um mágico, mas sim o general de todos os exércitos de Londinium e está ansioso para mover uma guerra contra as colônias britânicas separatistas.
Enquanto Cataplasma pensa num modo de levar Jack de volta para seu mundo de origem, Lorcan é severamente pressionado pela Senhora, que exige um jovem perfeito para ser seu filho de carne e osso que é, obviamente, Jack. No passado, Lorcan também foi o amado filho perfeito da Senhora, mas ela se desinteressou dele depois que ficou mais velho. Lorcan tem ciúmes de Jack, mas não lhe resta outra opção a não ser cumprir a ordem da soberana. Sabedor que Jack o seguiu e está escondido em Londinium, decide executar alguns cidadãos em praça pública, fazendo disso uma enorme propaganda de forma a convencer o menino a se entregar para ele. E o plano funciona a perfeição.
Sentindo-se culpado pela morte dos inocentes cidadãos de Londinium, Jack se entrega para Lorcan e, finalmente, é levado à presença da Senhora, que o recebe com toda pompa e circunstância, que irrita ainda mais o enciumado Lorcan.
O que vai acontecer daí em diante é uma montanha russa de acontecimentos dramáticos, que envolvem as maquinações de Lorcan para se livrar de Jack, voltar às graças da Senhora e, finalmente, receber dela a autorização para atacar as colônias. Por seu lado, o inocente Jack vai sofrer, no corpo e na mente, os efeitos dos planos maquiavélicos de Lorcan mas, com a ajuda de alguns amigos e a utilização de seus raros talentos, ele pode vir a ser a chave para a redenção desse mundo poluído à beira de uma guerra, e das tragédias de sua própria vida infeliz.
Embora seja americana, Emma Trevayne escolheu o cenário londrino para caracterizar o modelo steampunk da história de Jack, que soa como uma releitura modernizada de Alice no País da Maravilhas. Contudo, a falta de um envolvimento emocional com a cidade deixa a narrativa menos expressiva do que poderia ser. Sendo Londres uma personagem tão importante à história quanto Jack e Lorcan, era de se esperar maior detalhamento desse cenário, o que autores britânicos nativos, como Neil Gaiman por exemplo, sabem fazer muito bem. Mas isso não interfere no enredo, que é dinâmico e envolvente, numa narrativa que se lê com prazer e rapidez.
O livro traz belas ilustrações de Glenn Thomas, de contrastes fortes que, em alguns momentos, lembram xilogravuras, embora não o sejam. Thomas também é autor da ilustração da capa que me chamou a atenção, realizada no mesmo estilo sombrio das ilustrações internas, mas em cores e com algumas colagens que remetem ao estilo do ilustrador inglês Dave McKean.
Para quem gosta e deseja desfrutar de uma boa aventura, Voos e sinos e misteriosos destinos é uma opção interessante. Também pode ser uma excelente introdução ao gênero da ficção científica para os leitores que vêm da fantasia que, neste momento, tem muito mais público. Contudo, leitores maduros que saibam apreciar as muitas qualidades dos textos infantojuvenis também não vão se decepcionar com esta movimentada aventura que guarda para eles algumas boas surpresas.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Geekzine steampunk

Como já comentei aqui, domingo que vem, dia 29 de setembro, acontece o SBC Geek, encontro de fãs da cultura nerd em São Bernardo do Campo. O tema da vez é o steampunk, subgênero da ficção científica que tem muitos fãs no Brasil.
Tal como fiz na edição anterior, preparei um novo número do Fanzine SBC Geek, cuja versão real, em papel, será distribuída durante o encontro. Mas, para quem não puder estar lá, disponibilizei uma versão digital, que pode ser visualizada aqui ou baixada aqui. O fanzine apresenta a programação do encontro, comentando cada uma de suas atrações.
A grande novidade do fanzine, contudo, é a seção "E no próximo episódio", com a prévia não-oficial da programação do SBC Geek de 27 de outubro, que será dedicado ao horror. Vamos nessa?
Mais informações na fanpage do SBC Geek, aqui.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As horas com Júlio Verne

A dica vai para aqueles que são fanáticos por este escritor francês que é considerado o pai da ficção científica. Trata-se de um elegante relógio de bolso que homenageia Júlio Verne, distribuído junto ao segundo volume da coleção Relógios Históricos, da Editora Planeta De Agostini, neste momento nas bancas de revistas de São Paulo.
Além do relógio, o fascículo apresenta um estudo sobre o design da peça e sobre o escritor homenageado, com uma vantagem valiosa: o relógio vem acompanhado de uma corrente com o grampo de fixação. Um bom retorno para o custo de R$ 29,99.
Além de Verne, a coleção prevê relógios em homenagem a Edgar Allan Poe, Charles Darwin, Oscar Wilde, Isaac Newton, Lord Byron, Buffalo Bill, Napoleão Bonaparte, Abraham Lincoln e muitas outras importantes personalidades da história do mundo. Maiores informações no saite da coleção, aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

Resenha: O peregrino


Um homem sem memória desperta no interior de uma caverna de um deserto desconhecido. Ao seu lado, uma pistola Colt do século XIX. Com um tiro certeiro dela, o homem esfarrapado e sedento mata o primeiro cavaleiro que vê a distância, para dele roubar as roupas, as botas e, principalmente, o cavalo.
Sonhos enigmáticos povoam a mente do pistoleiro, reconstruindo aos poucos as memórias perdidas, nos quais ele se vê ora como prisioneiro dos índios, ora como um rico investidor de uma ferrovia.
Depois de uma breve refrega num posto comercial a beira do deserto, John Doe, um jovem de 12 anos, passa a seguir o desconhecido, num misto de admiração, medo e ódio. A cada parada, tiros e mortes. E a cada partida, um crescente contingente de seguidores, esperançosos das mudanças que a jornada do peregrino anuncia.
Esta é a história de O peregrino: Em busca das crianças perdidas, novela inédita escrita pelo paulistano Tibor Moricz, autor de Síndrome de Cérbero (2007) e Fome (2008).
Imediatamente salta aos olhos a identificação com a saga de A Torre Negra, de Stephen King, que parece ter realmente inspirado o autor. Mas os objetivos de Moricz são mais modestos que os do escritor americano. Contudo, o formato de jornada também está presente, uma espécie de road novel, típico do gênero. O peregrino ainda reporta ao longa metragem O estranho sem nome (High plains drifter, 1973), o faroeste mais lynchiano da filmografia de Clint Eastwood.
Ainda que não seja intencional, O peregrino dialoga de várias formas com outro romance de faroeste da FC&F brasileira recente: Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky, publicado em 2008 pela Não Editora, e republicado em 2010 pela Editora Rocco. Porém, enquanto os zumbis de Xerxenesky voltam-se para os leitores de horror, os ciborgues de Moricz escolhem especificamente os fãs de ficção científica.
O mundo enlouquecido de O peregrino apresenta apenas três cidades: Downtown, o vilarejo decadente dos explorados, Middletown, a cidade da tecnologia e da escravidão operária, e Uptown, que parece ser a fonte de toda a opressão. A primeira parte da história é centrada em Downtown, e a narrativa predominante é de faroeste clássico. Depois, em Middletown, assume aspecto steampunk, em um cenário cosmopolita com muita atividade industrial e máquinas a vapor.
Coisas estranhas como as balas do Colt que nunca se acabam, homens e animais ciborgues e uma montanha consciente que caminha pelo deserto, tornam aceitável a dieta minimalista do pistoleiro, que só ingere bourbon e adora tomar banho.
Apesar de um ambiente de faroeste convencional, com saloons, índios, xerifes e tiroteios, Tibor não fez uma história previsível. O desfecho surpreende, com a narrativa deslocando-se para um plano onírico em que as leis naturais deixam de se aplicar e tudo pode acontecer. A estrutura técnica do trabalho é muito boa, mais acessível que o escatológico Fome, romance anterior de Moricz.
O peregrino é um bom entretenimento com um leve toque existencial, mas seu maior mérito é deixar várias interpretações abertas ao leitor. E isso é muito mais do que a maioria da ficção fantástica brasileira tem oferecido.
O peregrino: Em busca das crianças perdidas, Tibor Moricz. Editora Draco, 2011. 196 páginas. OBS.: Esta resenha é fruto de um pedido pessoal de Tibor Moricz que, para esse fim, cedeu-me uma cópia identificada do arquivo de pré-impressão da Editora Draco, a publicadora do livro.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Vaporpunk

Surgem as primeiras notícias consistentes sobre a antologia Vaporpunk: Relatos steampunk publicados sob as ordens de
Suas Majestades, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro e Luís Filipe Silva para a Editora Draco, cujo lançamento está anunciado para acontecer na FantastiCon 2010, entre 27 e 29 de agosto.
Trata-se da segunda antologia brasileira dentro do tema steampunk – a primeira foi Steampunk: Histórias de um passado extraordinário, publicada pela Tarja Editorial em 2009 –, porém desta vez com autores brasileiros e portugueses. A antologia tem 312 páginas e reúne oito trabalhos, entre contos e novelas, de Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi, Lodi-Ribeiro, Jorge Candeias, Yves Robert e João Ventura.
A divulgação da imagem da capa causou frisson entre os fãs, e sugere que, tal como na antologia da Tarja, os trabalhos selecionados devem seguir mais ou menos a mesma toada, com dirigíveis navegando o espaço aéreo da virada do século XIX para o XX.
O que me assustou foi o preço de capa divulgado: R$49,90. Com tantos lançamentos anunciados para o evento, vai fazer estragos no bolso dos leitores.

sábado, 10 de abril de 2010

Atrações da semana

Duas das mais interessantes iniciativas de FC&F na internet tiveram atualização nesta semana e justificam a atenção de fãs e interessados no gênero.

É só Outro Blogue, editado pelo escritor Tibor Moricz e recentemente comentado aqui, disponibilizou mais uma entrevista de sua série "De Bar em Bar", desta vez com o escritor e jornalista pernambucano Braulio Tavares.
As entrevistas dessa coluna têm estilo personalizado, mistura de ficção e não-ficção, uma brincadeira bacana e bem humorada. As vezes fica a impressão que Tibor modulou as respostas dos seus entrevistados para que eles pareçam mais agressivos do que geralmente são. Mas com o sempre muito tranquilo Tavares, isso não chega a acontecer, ainda mais porque a arma do autor contra a "violência" do ambiente - pois os cenários da entrevista sempre são algo insalubres - é a poesia.

A outra peça importante da semana é o novo episódio do Podespecular, "Vapores eletrônicos", um título inspirador para que os debatedores Paulo Elache, Edgar Smaniotto, Carlos Alberto Machado, Marco Ortiz e Rogério Brito diuscutam os contornos do steampunk, subgênero da ficção científica que tem recebido alguma atenção da mídia e dos fãs, e já se configura como um movimento tão importante quanto o dos fãs de Star Trek, Star Wars e vampiros. De fato, a onda steampunk dialoga de perto com a vampiromania, ao ponto do RPGMMO Vampire Wars, comentado aqui, dispôr adereços no estilo steampunk para decorar seus avatares.
Os debatedores têm idéias muito específicas sobre o que vem a ser steampunk e passam boa parte do programa definindo o que é e o que não é parte do subgênero, nem sempre concordando entre si, gerando uma tonelada de citações cujos links são disponibilizados na página que abriga o arquivo. O programa é longo, quase 90 minutos, mas vale a pena escutá-lo na integra. Os episódios anteriores também estão disponíveis e vale a pena escutar todos eles.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Steampunk


Um dos livros que adquiri durante a III FantastiCon foi este lançamento da Editora Tarja, Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, antologia organizada por Gianpaolo Celli, com nove histórias de ficção científica escritas por autores brasileiros, seguindo um modelo algo popular nos dias de hoje, conhecido como steampunk.
O modelo não é novo, de fato ele já estava presente nos primeiros trabalhos de FC do final do século XIX, quando a revolução industrial ainda não estava totalmente consolidada e o sonho da tecnologia estava nas máquinas movidas a vapor. Jules Verne e H. G. Wells sempre são citados como referência quando se trata do steampunk, mas eles não o eram de fato. Verne e Wells escreviam ficção científica, ponto. O steampunk é um tipo de revival daquela fantasia tecnológica de final de século, porém transposto para os nossos dias, como se a tecnologioa do vapor tivesse de fato ido além das locomotivas e chegado aos computadores e ao espaço, tudo na base do vapor. Absurdo? Pode ser, mas muito romântico. Autores como Bruce Sterling e William Gibson, os papas do cyberpunk, modernizaram os contornos criativos desse modelo quando publicaram The difference engine, um romance que fala sobre o surgimento da tecnologia digital ainda nos tempos vitorianos e o impacto que isso causaria na civilização.
Outros autores vieram unir-se a essa proposta e o cinema em especial, com filmes como As loucas aventuras de James West e A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, auxiliou na popularização do modelo entre o público leigo antes mesmo que ele se tornasse maduro no gênero.
Dispostos a não serem deixados para trás, nove autores brasileiros dedicaram-se a compor a primeira antologia brasileira específica no estilo. São eles: Fábio Fernandes, Antonio Luis M. C. Costa, Alexandre Lancaster, Roberto de Sousa Causo, Claudio Villa, Jacques Barcia, Romeu Martins e Flávio Medeiros, além do organizador Gianpaollo Celli que arriscou ele mesmo um conto.
O conceito é instigante e o time de autores anima a leitura imediata. Mas não vou fazer uma análise crítica agora, que deve sair no Anuário 2009. Por enquanto, fica aqui apenas a divulgação.
O livro pode ser encomendado diretamente no site da Editora Tarja.