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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Faroeste e cangaço II

Está circulando o número 10 do Fanzine Ilustrado, a segunda edição especial dedicada ao tema Faroeste e cangaço. Editado por André Carim, a edição tem 52 páginas e traz seis hqs de Luiz Iório, mais uma de Arthur Filho, artigos de Zenaldo Nunes sobre o gênero do faroeste, poemas de Rouxinol do Rinaré e muitas ilustrações assinadas por Luiz Iório e Cayman Moreira. A capa traz uma ilustração do mestre Julio Shimamoto.
O fanzine pode ser baixado gratuitamente aqui, mas está também disponível em formato impresso, com direito a brindes exclusivos. Encomendas pelo email andrecarim@outlook.com.

sábado, 17 de março de 2018

Fanzine Ilustrado 6 e 7

Lançados quase simultaneamente, estão circulando os números 6 e 7 do Fanzine Ilustrado, editado por André Carim.
A edição 6 investe nos temas faroeste e cangaço, e traz, em 96 páginas, quadrinhos de Cayman Moreira, Talessa Kuguimiya, Luiz Iório, Julio Shimamoto, Haroldo Magno, Airton Marcelino e Adauto Silva. Ilustrações de Julio Shimamoto, Iório e Markony se intercalan entre as histórias, e a capa tem uma ilustração do mestre Shimamoto.
A edição 7 tem 44 páginas e homenageia as mulheres trazendo apenas trabalhos por elas realizados: quadrinhos de Roberta Cirne, Gisele Henriques, Betania Dantas e Josi OM, ilustrações de Yasmin Fernandes, Gisele Henriques, Michèlle Domit, Daiany Lima, Any Olliver, e Roberta Cirne. O editorial traz um texto de Betania Dantas, o prefácio é de Priscila Ramos e a capa é de Talessa Kuguimiya.
As edições podem ser baixadas gratuitamente e versões impressas estão disponíveis no Clube de Autores.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

QI 144

Está circulando o número 144 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz artigo sobre o super-herói brasileiro Escorpião, criado em 1966 por Wilson Fernandes, "Conselhos" do quadrinhista espanhol José Toutain, artigo de Lio Guerra Bercony sobre a revista Oscarito e Grande Otelo, quadrinhos de Luiz Cláudio Lopes Faria e do editor, e as colunas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa tem uma ilustração do editor, com uma discretíssima aplicação de cor executada manualmente.
Junto à edição, os assinantes recebem Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 6: Red Ryder, fascículo de 12 páginas com um estudo de autoria do colecionador português Carlos Gonçalves, com muitas capas de edições raras desses personagem muito popular nos anos 1930, também conhecido como Bronc Peeler.
Os assinantes recebem ainda, de brinde, o número 13 do fanzine Quadritos, editado por Marcos Freitas pela editora Atomic Books, uma edição luxuosa com 64 páginas e capas em cores, que destaca o trabalho de Elmano e traz quadrinhos de Mozart Couto, Julio Shimamoto, Calazans, Lafaiete, Edgar Franco, Guabiras, Paulo Paiva, além de muitos artigos interessantes sobre a Nona Arte.
O QI é distribuído exclusivamente por assinatura, mas sua versão digital estará disponível em breve no saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Mais informações com o editor pelo email edgard.faria.guimaraes@gmail.com.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

QI 143

Está circulando o número 143 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz a sequência do depoimento de José Ruy sobre o periódico português Tintin, artigo de Lio Guerra Bocorny sobre algumas experiências editoriais da Ebal nos anos 1960, e quadrinhos de Chagas Lima, Luiz Cláudio Lopes Faria, Eduardo Marcondes Guimarães e do editor. Completam a edição as colunas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa tem uma ilustração do editor, colorizada manualmente.
Junto à esta edição, os assinantes recebem Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 5: Roy Rogers/Dale Evans, fascículo de 12 páginas com um estudo de autoria do colecionador português Carlos Gonçalves, com muitas e belas capas de edições raras desses populares personagens.
O QI é distribuído exclusivamente por assinatura, mas sua versão digital estará disponível em breve no saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Algumas das edições anteriores recentes podem ser lá encontradas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

QI 141

Está circulando o número 141 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz mais um depoimento de José Ruy, desta vez sobre o periódico português Tintin, artigo sobre o Homem-Lua (super herói criado em 1965 por Gedeone Malagola), um texto sobre aulas de história em quadrinhos, uma curiosa comparação entre dois formatos de uma tira do Fantasma, as colunas "Mistérios do colecionismo" sobre coleção de álbuns Thorgal, da editora VHD, e "Mantendo contato" com um levantamento bibliográfico de O Morto do Pântano (personagem criado em 1967 por Eugênio Colonnese).
A edição ainda traz quadrinhos de Chagas Lima, Eduardo Marcondes Guimarães, Luiz Cláudio Lopes Faria e do próprio editor, além das seções "Fórum" e "Edições independentes" com os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa tem uma ilustração do editor, sem cores desta vez.
Junto ao QI, os assinantes receberam Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 3: Ken Parker, Welcome to Springville, fascículo de 12 páginas, de autoria do colecionador português Carlos Gonçalves, comentando estas duas séries italianas de western.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas, mas sua versão digital pode ser encontrada no saite da editora Marca de Fantasia. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Steampunk ladies

Steampunk ladies: Vingança a vapor, de Zé Wellington & Di Amorim, é um faroeste de ficção científica que conta como duas mulheres oprimidas movem uma ação de vingança contra um bando ciborgues foras-da-lei que dominam a sociedade.
Diz o texto de divulgação: "Como saquear uma locomotiva blindada considerada indestrutível? O que um dos maiores inventores do país tem a ver com isso? Tudo é parte do plano diabólico para o maior roubo de trem da história, orquestrado por Lady Delillah. Mas em seu caminho estão Sue e Rabiosa, mulheres que têm em comum destinos trágicos pela mão da criminosa. Para elas, mais difícil do que evitar este assalto é provar que duas damas podem ser as protagonistas de sua própria história no ambiente hostil do velho oeste."
Steampunk ladies é um lançamento da Editora Draco, tem 72 páginas coloridas e está em pré-venda aqui.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

QI 123

Chegou recentemente aos assinantes o número 123 do fanzine Quadrinhos Independentes, editado por Edgard Guimarães. A edição vem com os artigos "Heróis brasileiros: Aba Larga", "Quadrinhos brasileiros bissextos: Tonico e Petrolino" e "Uatisdis?", todos estes por Guimarães, "Quadrinhos brasileiros ganham importância", por Lincoln Nery, "Histórias em quadrinhos e praticas educativas", por Elydio dos Santos Neto e Marta Regina Paulo da Silva, além das colunas "Mantendo contato", por Worney Almeida de Souza, "Mistérios do colecionismo", em que Guimarães destrincha a coleção Diversões Juvenis da Editora Abril, "Fórum", com a correspondência do editor, e "Edições independentes", com a relação de fanzines lançados no bimestre. Nos quadrinhos, mais quatro páginas da longa história da fazenda dos robôs, que já não tem nem fazenda nem robôs há muito tempo, e "Poeta Vital", fechando o exemplar, ambas de autoria do editor.
Mas o QI não fica só nisso. Também entrega mais duas lâminas da coleção Cotidiano alterado, e o primeiro de sete fascículos da novela gráfica de faroeste Buster from Texas Rangers: "Desperadoes", de Gus Peterson e José Pires, este um veterano ilustrador português que apresenta um trabalho belíssimo, valorizado, ainda que em p&b, pela ótima impressão digital do volume.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sob a bandeira da coragem

Sob a bandeira da coragem (The red badge of courage) é um dos poucos livros escritos por Stephen Crane, autor norte-americano falecido aos 29 anos (1881/1900), que nunca participou de uma guerra mas redigiu um relato pungente do drama pessoal de um soldado que se vê, pela primeira vez, em meio a um combate de morte.
A edição em português que eu li foi da Coleção Western da editora portuguesa Europa-América, mas soube que há pelo menos uma edição brasileira, obviamente esgotada. O romance, publicado em 1895, deu a Crane o respeito que até então não gozava na literatura americana, sendo adaptado para o cinema por John Huston em 1951, com Audie Murphy no papel do covarde protagonista.
A história conta os dramas reais e imaginários do jovem soldado Henry Fleming que, por romantismo, se alistou no Exército na União, e teve o azar de ter como primeira experiência de combate, a sangrenta batalha de Gettysburg. O autor não cita o nome do local, mas é facilmente reconhecível por quem teve alguma informação a respeito dessa batalha da Guerra Civil Americana, acontecida em 1863.
O que mais surpreende é o estilo de Crane, moderníssimo e de um naturalismo exacerbado. Como a história é narrada pelo soldado, as cenas descritas no romance são apenas aquelas em que o personagem participa diretamente e, mesmo assim, de forma muito parcial, uma vez que a fumaça e o barulho enlouquecedor dos canhões, além da sensação contínua de iminência da morte, retirou da testemunha qualquer chance de uma visão concatenada.
As batalhas são descritas como se vistas pelo personagem, laivadas de interpretações parciais e inconclusivas, dúvidas, preconceitos, ódios e frustrações. O tempo se dilata e contrai conforme a percepção do personagem.
O próprio título do romance demonstra essa imprecisão ambígua que permeia o romance: ao mesmo tempo em que se pode referir às listras vermelhas da bandeira da União, hoje a bandeira dos EUA (uma leitura superficial e ufanista), também tem a ver com os ferimentos de guerra e o sangue derramado em combate, que é uma leitura bem mais profunda e tocante.
Outro detalhe é que os leitores não sabem que o personagem principal se chama Henry até mais ou menos um terço do romance, quando um companheiro de pelotão casualmente o chama pelo nome. Da mesma forma, só conhecemos os demais personagens pelo nome quando alguém os nomeia e muitos deles sequer chegam a ser apresentados. São apenas soldados de uniforme, padronizados e descartáveis, descritos pelo autor apenas por detalhes despersonalizados, como a altura, o modo de falar, o estado das roupas etc. A cena em que Henry, fugindo em pânico, encontra o cadáver de um soldado numa catedral natural na floresta, é antológica e muitas vezes citada em filmes, livros e até desenhos animados.
Bons livros de western são difíceis de encontrar. Este realmente merece a nossa atenção.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A cavalgada do morto

2012 foi um ano proveitoso para os fãs de Tex, com várias edições especiais publicadas, entre ela duas de Tex Gigante. Em março, a Editora Mythos lançou a edição 26, As hienas de Lamont, de Claudio Nizzi e do ilustrador argentino Garcia Seijas; e agora em outubro chegou às bancas o número 27, A cavalgada do morto, de Mauro Boselli e Fabio Civitelli, artistas italianos já bastante conhecidos dos leitores deste personagem.
A nova edição conta, em sua 244 páginas em preto e branco, uma história quase de horror, na qual a lenda de um cavaleiro sem cabeça assombra a região pradarias e desertos do sudoeste dos EUA. Tex e seus amigos são chamados para investigar o fenômeno quando assassinatos começam a ser creditados ao fantasma. Uma história que pode agradar também aos fãs de weird west, tema recorrente nas aventuras do ranger texano.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Faroeste para quem gosta

Não é como em outros tempos, mas o faroeste ainda ocupa um lugar importante no espaço editorial de quadrinhos no Brasil. Grandes personagens do passado, como Zorro, Red Rider, Matt Dilon, Bat Masterson, Rocky Lane, Lone Ranger, Cisco Kid e tantos outros, não têm mais títulos nas bancas e alguns são até desconhecidos dos novos leitores, mas pelo menos dois deles seguem firmes e fortes no imaginário do gênero: Tex, do estúdio italiano Sergio Bonelli, e Jonah Hex, da editora americana DC. Ambos frequentam as bancas com alguma regularidade, mais favorável ao personagem italiano, contudo.
Tex, criação de Bonelli e Galepinni, publicado pela Editora Mythos, está entre os quadrinhos mais vendidos no país, com diversos títulos simultâneos nas bancas. Neste momento, chama atenção o número 44 da série Almanaque Tex, na verdade uma antologia com seis histórias curtas do personagem, o que é uma raridade, pois Tex geralmente estrela novelas longas. A edição tem 200 páginas em preto e branco, e as histórias foram produzidas entre 1975 e 1998, todas vistas na extinta coleção Tex e os Aventureiros, sendo a primeira vez que aparecem juntas. O que faz a edição se diferenciar é que cada história vem acompanhada de um texto explicativo com informações e curiosidades sobre sua criação. Os roteiros são assinados por Gianluigi Bonelli e Claudio Nizzi, e os desenhos por Galep, Giovanni Ticci e Fabio Civitelli. A capa, de Cláudio Villa, tem uma interpretação diferenciada, em preto e branco na frente e colorida no verso. Completam a edição, 11 páginas com as todas as capas de Almanaque Tex publicadas até agora. Sem dúvida, uma edição histórica.
Por sua vez, Jonah Hex volta às bancas numa edição especial da série Os Novos 52!, intitulada Grandes Astros do Faroeste: Onde começa o inferno, publicada pela editora Panini. Trata-se da compilação das edições 1 a 6 de All-Star Western, resultando num volume com 180 páginas em cores. O roteiro de Justin Gray e Jimmy Palmiotti, associado aos desenhos de Moritat, conta uma história no estilo weird west passada na Gothan City do século 19. Lá, Hex envolve-se com famigerado pesquisador Amadeus Arkhan e tem que enfrentar um povo estranho e perigoso que vive nos subterrâneos da cidade. A edição também publica histórias com El Diablo, por Jordi Bernet, e Espírito Bárbaro, por Phil Winslade. Com as especulações sobre o possível cancelamento da série de Jonah Hex, pode ser a última chance dos fãs do pistoleiro mais bonito do oeste curtirem uma aventura inédita deste que é um dos poucos quadrinhos norte americanos de faroeste ainda em publicação.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Tributo a Sergio Bonelli


No próximo sábado, dia 19 de maio, a partir das 14 horas, a exposição Quadrinhos'51, que acontece no Museu Belas Artes, em São Paulo, vai prestar um tributo ao saudoso editor italiano Sergio Bonelli (1932-2011), num batepapo com Álvaro de Moya, Sidney Gusman e Gervásio de Freita, com mediação de Adriano Rainho, o maior colecionador de Tex Willer no Brasil.
O MuBA fica na Rua Dr. Álvaro Alvim, 76, Vila Mariana, São Paulo, e a entrada é gratuita.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A história da minha vida

Uma das brincadeiras literárias mais divertidas é a produção de biografias fictícias. O escritor argentino Jorge Luiz Borges era praticante dessa rara arte e escreveu uma porção delas, que são muito bem conceituadas. Também há quem escreva autobiografias que, se não são de gente que nunca existiu, pelo menos inventam muita coisa, para melhorar a imagem do autor.
Agora temos a chance de experimentar o melhor dos dois mundos: uma autobiografia fictícia, porque quem a "escreveu" é um personagem de histórias em quadrinhos, da italiana Sergio Bonelli Editore.
Trata-se de Tex Willer: A história da minha vida (Il romanzo della mia vita, 208 pág.), o famoso ranger que habitou a região do Texas, nos Estados Unidos, no século 19. Além de homem da lei, Willer era muito bem relacionado com os nativos, dos quais recebeu o nome de Águia da Noite, sendo considerado um chefe entre eles. Diz o relise: "Nesse relato, Tex revela suas origens, as histórias de seus parceiros, o encontro com o aparentemente mal-humorado Kit Carson e com o altivo navajo Jack Tigre, além do nascimento do filho Kit, depois do casamento com Lilyth, a filha do chefe Flecha Vermelha. Ele narra os acontecimentos que, no passado distante, por muito tempo o etiquetaram como fora da lei.
Tex conta como, apesar de ser texano, lutou na Guerra Civil do lado do Norte e narra sua participação na luta pela libertação do México ao lado do amigo Montales. Ele enfrenta bandidos, donos de terras inescrupulosos, políticos corruptos, militares ambiciosos, índios em revolta. É um defensor dos fracos e dos oprimidos, fortemente antirracista e amigo dos peles-vermelhas".
É claro que Tex Willer não escreveu nada disso. O autor real do livro é roteirista Mauro Boselli, que escreve suas histórias desde 1994. O personagem nasceu de fato em 1948, criação de Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, e desde então vem sendo continuamente publicado, sendo no Brasil o personagem de quadrinhos estrangeiro mais bem sucedido do mercado.
O volume ainda conta com ilustrações do excelente Fabio Civitelli e um prefácio assinado pelo próprio Sergio Bonelli.
Tex Willer: A história da minha vida é uma publicação da Mythos Editora e custa R$24,90.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Resenha: Oeste vermelho

Embora tenha uma grande quantidade de clássicos no cinema e na TV, as histórias de faroeste parecem ter sido inventadas para serem contadas em quadrinhos. O gênero dispõe de uma longa lista de personagens populares no mundo inteiro e tem uma história rica e movimentada. Apesar de já não ser o que foi no passado, o faroeste ainda detém no Brasil o mérito de contar com a mais bem vendida revista de quadrinhos estrangeiros, que é Tex, atualmente publicado pela Editora Mythos.
O quadrinho brasileiro também fez suas incursões bem sucedidas no gênero, seja ele com tonalidades sertanejas, como Jerônimo, o Herói do Sertão, ou no estilo italiano, com Chet.
Por isso, não é nada estranho que os gêmeos paranaenses Magno e Marcelo Costa tenham optado em instalar sua fábula Oeste Vermelho no violento velho oeste norte americano. Mais ou menos como na obra prima Maus, de Art Spiegelman, Oeste Vermelho mistura características próprias do faroeste com personagens fofinhos e simpáticos: gatos e camundongos.
Diz Magno Costa na orelha do álbum: “Um dia, Marcelo me pediu para escrever uma história para ele. Eu disse que tinha uma ideia antiga para um curta de poucas páginas sobre uma cidade do Velho Oeste de ratinhos ameaçada por gatos malvados. Ele odiou. Mas, para minha surpresa, começou a esboçar personagens e a perguntar como seria. A ideia tomou vida. O que começou como brincadeira cresceu e virou algo sério. De vinte páginas, chegou a pouco mais de setenta. Assim, aquele ratinho franzino se transformou em um personagem forte e determinado que, por um longo tempo, foi nosso melhor amigo.”
A história não traz grandes novidades para os leitores veteranos no gênero, mas o surpreendente estilo gráfico de Marcelo compensa com folga, apresentando personagens expressivos e um colorido climático que remete aos filmes de Sérgio Leone e Clint Eastwood.
Além da história principal, o álbum de 88 páginas traz uma HQ curta desenhada por Magno, que demonstra também ser muito talentoso a arte, e alguns portfólios de diversos ilustradores.
Oeste vermelho é uma publicação de Devir Livraria em parceria com o Quanta Estúdio.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Falta de sorte

Está nas bancas uma nova revista com as histórias do pistoleiro mais feio, sujo e malvado do oeste. Trata-se de Jonah Hex volume 5: Falta de sorte, que apresenta a tradução dos números 25 a 30 da série original, publicada nos EUA pela DC.
A edição tem 148 páginas em cores, com histórias de Justin Gray e Jimmy Palmiotti e desenhos de Jordi Bernet, Russ Heath, Rafa Garres, Giuseppe Camuncoli e John Higgins. Uma revista para quem gosta de histórias movimentadas e bem feitas. Só a arte estilosa de Bernet já justifica plenamente o investimento.
Jonah Hex volume 5: Falta de sorte é uma publicação da Editora Panini e custa R$14,90

Na trilha do Oregon

Está nas bancas a 25.a edição de Tex Edição Gigante, a mais importante série de quadrinhos de faroeste em publicação no Brasil. Trata-se da tradução da série italiana Tex Albo Speciale, carinhosamente chamada de Texone, publicada pelo prestigioso estúdio Sergio Bonelli com o ranger Tex, personagem criado em 1948, muito popular tanto na Itália quanto no Brasil.
Tex é um homem da lei nos Estados Unidos do século XIX, que, ao lados de seus amigos, se envolve em todo tipo de ação, dentro e fora do país. O personagem conta com várias séries de revistas nas bancas brasileiras, sendo que Tex Gigante é a mais sofisticada artisticamente. Publicando apenas uma edição inédita por ano num formato diferenciado, a série conta com ilustradores convidados que fazem toda a diferença, além de ter textos dos melhores escritores da casa.
"Na trilha do Oregon" ("Verso l'Oregon", no original) tem a história creditada a Gianfranco Manfredi, autor da ótima coleção Mágico Vento, e desenhos do ilustrador argentino Carlos Gomez. Ambos são apresentados ao leitor em ótimos artigos que prefaciam a edição.
Diz o relise: "Tex e Carson estão na caça de um assassino serial psicopata que já fez diversas vítimas no Texas sem motivo aparente. As últimas notícias dão conta que ele fugiu em direção ao Oregon. Enquanto buscam o assassino, os dois rangers se deparam com uma caravana em dificuldades: algumas mulheres estão se dirigindo a Oregon City, onde deverão encontrar seus futuros maridos, que conheceram por correspondência, através de uma estranha agência de matrimônios. Propondo-se a serem guias e protetores das noivas, nossos heróis encontrarão inúmeras dificuldades: trilhas nunca antes percorridas, rios em cheia, desastres naturais e ataque de índios rebeldes. Mas é apenas em Oregon City que todos os pecados serão pagos".
A edição brasileira, da Editora Mythos, tem 240 páginas e custa R$19,90; sem dúvida uma excelente relação custo-benefício.

domingo, 5 de junho de 2011

Jonah Hex 4

Mais uma edição do nosso pistoleiro favorito chegou às bancas em maio. Jonah Hex: Apenas os bons morrem jovens é o quarto encadernado da coleção, reunindo as edições 19 a 24 do original americano. El Diablo e Bat Lash voltam a dar o ar de suas graças nas histórias do desfigurado caçador de recompensas, que têm os roteiros assinados por Justin Gray e Jimmy Palmiotti, desenhados por David Michael Beck, Phil Noto e Jordi Bernet. Só o trabalho deste último justifica plenamente a aquisição do exemplar, que custa a módica quantia de R$14,90, uma bagatela se considerarmos que a edição tem 148 páginas em cores.
Depois de Texone e Mágico Vento, Jonah Hex é sem dúvida a melhor série de quadrinhos em publicação no país.

terça-feira, 29 de março de 2011

Resenha: O peregrino


Um homem sem memória desperta no interior de uma caverna de um deserto desconhecido. Ao seu lado, uma pistola Colt do século XIX. Com um tiro certeiro dela, o homem esfarrapado e sedento mata o primeiro cavaleiro que vê a distância, para dele roubar as roupas, as botas e, principalmente, o cavalo.
Sonhos enigmáticos povoam a mente do pistoleiro, reconstruindo aos poucos as memórias perdidas, nos quais ele se vê ora como prisioneiro dos índios, ora como um rico investidor de uma ferrovia.
Depois de uma breve refrega num posto comercial a beira do deserto, John Doe, um jovem de 12 anos, passa a seguir o desconhecido, num misto de admiração, medo e ódio. A cada parada, tiros e mortes. E a cada partida, um crescente contingente de seguidores, esperançosos das mudanças que a jornada do peregrino anuncia.
Esta é a história de O peregrino: Em busca das crianças perdidas, novela inédita escrita pelo paulistano Tibor Moricz, autor de Síndrome de Cérbero (2007) e Fome (2008).
Imediatamente salta aos olhos a identificação com a saga de A Torre Negra, de Stephen King, que parece ter realmente inspirado o autor. Mas os objetivos de Moricz são mais modestos que os do escritor americano. Contudo, o formato de jornada também está presente, uma espécie de road novel, típico do gênero. O peregrino ainda reporta ao longa metragem O estranho sem nome (High plains drifter, 1973), o faroeste mais lynchiano da filmografia de Clint Eastwood.
Ainda que não seja intencional, O peregrino dialoga de várias formas com outro romance de faroeste da FC&F brasileira recente: Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky, publicado em 2008 pela Não Editora, e republicado em 2010 pela Editora Rocco. Porém, enquanto os zumbis de Xerxenesky voltam-se para os leitores de horror, os ciborgues de Moricz escolhem especificamente os fãs de ficção científica.
O mundo enlouquecido de O peregrino apresenta apenas três cidades: Downtown, o vilarejo decadente dos explorados, Middletown, a cidade da tecnologia e da escravidão operária, e Uptown, que parece ser a fonte de toda a opressão. A primeira parte da história é centrada em Downtown, e a narrativa predominante é de faroeste clássico. Depois, em Middletown, assume aspecto steampunk, em um cenário cosmopolita com muita atividade industrial e máquinas a vapor.
Coisas estranhas como as balas do Colt que nunca se acabam, homens e animais ciborgues e uma montanha consciente que caminha pelo deserto, tornam aceitável a dieta minimalista do pistoleiro, que só ingere bourbon e adora tomar banho.
Apesar de um ambiente de faroeste convencional, com saloons, índios, xerifes e tiroteios, Tibor não fez uma história previsível. O desfecho surpreende, com a narrativa deslocando-se para um plano onírico em que as leis naturais deixam de se aplicar e tudo pode acontecer. A estrutura técnica do trabalho é muito boa, mais acessível que o escatológico Fome, romance anterior de Moricz.
O peregrino é um bom entretenimento com um leve toque existencial, mas seu maior mérito é deixar várias interpretações abertas ao leitor. E isso é muito mais do que a maioria da ficção fantástica brasileira tem oferecido.
O peregrino: Em busca das crianças perdidas, Tibor Moricz. Editora Draco, 2011. 196 páginas. OBS.: Esta resenha é fruto de um pedido pessoal de Tibor Moricz que, para esse fim, cedeu-me uma cópia identificada do arquivo de pré-impressão da Editora Draco, a publicadora do livro.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Crás Editora

Há alguns dias descobri o trabalho da Editora Crás, um belo conjunto de publicações de quadrinhos que vale a pena conhecer. Tem títulos humor, policial, aventura na selva, fantasia, e até faroeste, como Vendetta, de Thalles Gaspari.Tive a chance de falar pessoalmente com o editor Thiago Spyked, autor da revista de humor Rafe, que me apresentou suas publicações, impressas digitalmente, muito bem acabadas e de custo acessível. Rafe é o título mais vendido da editora.
Spyked ainda me apresentou a dois dos jovens artistas da editora, Wilson Kohama da revista World Police, e a simpática Valéria Yuuki, da Deus Céu, histórias de personalidade e com bons desenhos.
As editora vende em algumas gibiterias e também atende pelo saite.
Sem dúvida, uma boa alternativa ao mercado monomaníaco das bancas e a sofisticação exagerada do quadrinho nas livrarias.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nas bancas

Não é só a literatura que está recebendo boas novidades estes dias, os quadrinhos também têm o que mostrar. Nas bancas já podem ser adquiridos alguns títulos interessantes - pelo menos do meu ponto de vista. O que mais me chamou a atenção foi, de
longe, Jonah Hex: Marcado pela violência, edição da Panini com a história que inspirou o recente filme de cinema com o personagem. Fazia muito tempo que não era publicada uma nova história com o pistoleiro mais mal encarado do velho oeste. A última da qual me lembro foi publicada em 1995 pela Abril Jovem, na revista Vertigo, posteriormente republicada pela Opera Graphica: tinha os dois pés no horror sobrenatural e muita gente não gostou. Desta vez, a história está mais faroeste mesmo, ainda que o brutalismo seja igualmente assustador. A história é de Justin Gray e Jimmy Palmiotti, e os desenhos são do brasileiro Luke Ross, com a participação especial em algumas páginas do veterano ilustrador filipino Tony de Zuniga, que foi o primeiro a trabalhar o personagem nos anos 1970. Uma bela homenagem. O álbum tem 148 páginas em cores, em papel especial e custa R$14,90.
Outro lançamento que eu estava ansioso por adquirir é Who fighter: O coração das trevas, mangá para adultos, publicado pela HQ Maniacs Editora. Trata-se de uma edição única, com uma seleta de três contos de guerra de viés fantástico, de autoria de Seiho Takinazawa. Os desenhos têm um estilo hiperrealista que lembra a série Ás de Espadas, de Ricardo Barreiro e Juan Gimenez, um dos maiores clássicos do gênero. O formato da edição remete ao original japonês, em preto e branco e com a leitura invertida, mas foi produzido com uma capricho superior às edições vulgares de mangás no Brasil, com papel de qualidade e capa cartonada e laminação fosca. Tem 212 páginas e custa R$14,90.

sábado, 3 de abril de 2010

Texone 1 relançado


Faroeste é um dos meus gêneros prediletos, principalmente nos quadrinhos. Mas só comecei a apreciar Tex a partir das edições gigantes, chamadas Texones na Itália. São edições anuais, com roteiros mais realistas e ilustrações de artistas especialmente convidados.
Foi a Editora Globo que começou com a coleção no Brasil. Publicou quatro ou cinco volumes, sem numeração, até que o personagem passou para a Editora Mythos, que decidiu colocar a casa em ordem. Lançou, em 1999, Tex Edição Gigante nº1 - O homem de Atlanta, com roteiro de Claudio Nizzi e desenhos do espanhol Jordi Bernet, mais conhecido entre nós pela HQ Torpedo 1936. Como havia uma certa folga, a Mythos publicou a coleção em edições semestrais. A mais recente foi a de número 23, Patagônia, de Boselli e Frisenda.
Agora anual, já que está na mesma edição que a Itália, a Mythos muito acertadamente decidiu lançar uma segunda edição dessa espetacular série, que todo fã de faroeste deve conhecer.
Acaba de chegar as bancas o relançamento de O homem de Atlanta, uma excelente oportunidade para quem não tem a coleção completa ou ainda não teve a chance de apreciar as histórias deste personagem. A numeração e a capa forma mantidas em respeito aos colecionadores. A única diferença notável é uma cor mais escura no fundo da última capa.
Tex tem uma textura mais pulp que o padrão dos westerns europeus. Nada da sutileza e poesia de outros faroestes como Ken Parker e Tenente Blueberry. Tex é quase um super-herói, invencível e implacável com os vilões, não leva desaforo para casa e resolve os problemas à bala, sem remorsos. Neste aspecto, Tex assemelha-se muito mais a outro personagem popular entre os leitores masculinos, Conan, o Bárbaro, da editora americana Marvel, também publicado pela Mythos no Brasil.
Mas as histórias de Tex Edição Gigante são mais sofisticadas, a começar dos roteiros de Nizzi, que são excelentes, coroadas com os desenhos de grandes artistas dos quadrinhos. A receita deu tão certo que outras edições especiais de Tex também surgiram no mercado, como Tex Almanaque e Tex Anual, ambas coleções diferenciadas dentro do universo deste justiceiro casca-grossa.
A edição chega às bancas ao preço de R$19,90, mas pode ser comprada com descontro diretamente na Editora Mythos.