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terça-feira, 2 de maio de 2023

HQ Memories 10

HQ Memories
é um fanzine de e sobre quadrinhos editado pelo cartunista Luigi Rocco sob a chancela do selo Inumanos Agrupados, dedicado a resgatar trabalhos e autores esquecidos dos quadrinhos brasileiros e estrangeiros. 
Esta edição, lançada ainda em abril de 2023, apresenta em 36 páginas os quadrinhos "A estátua do diabo", de Gutemberg, "Miguel Rei - Segunda aventura", de Getúlio Delphim, Paulo Hamasaki e Apa, "Raid sobre Ômega C-9", de Luís Diferr, "O Anjo: Todos os nossos caminhos" e "O Anjo: Tradições”, ambas de Arthur Garcia e João Pacheco, e uma reportagem em quadrinhos dobre o rapto do filho de Charles Lindbergh por V. T. Hamlin. 
A capa traz uma ilustração de Gutemberg Monteiro, colorizada posteriormente. Na contracapa, um episódio de "Coisas de futebol", de Edgard Herrero, publicado na Folha de S. Paulo em 1965.
Detalhes de cada trabalho apresentado podem ser conferidos no blogue da publicação, aqui
HQ Memories pode ser encomendado diretamente com o autor, pelo email luigirocco29@gmail.com.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

HQ Memories 9

HQ Memories
é um bem produzido fanzine de e sobre quadrinhos editado por Luigi Rocco sob a chancela do selo Inumanos Agrupados, dedicado a resgatar trabalhos e autores esquecidos dos quadrinhos brasileiros e estrangeiros. 
Este nono número, lançado em fevereiro de 2023, apresenta em 36 páginas, sequências de tiras das séries "Zumbi 3015", de Arthur Garcia e Carlos Pacheco, "Dr. Oculto, o detetive fantasma", de Jerry Siegel e Joe Shuster (antes de Superman), "O Urso", de Luís Diferr, "Ficção: Segunda aventura", de Paulo Ernesto Nesti e Paulo Hamasaki, "Capitão Cometa", de Gedeone Malagola e Fernando Almeida, e uma página da hq "Teobaldo, o detetive biruta", de Lyrio Aragão. A capa traz uma bela ilustração do mestre Manoel Victor Filho (1927 - 1995). Detalhes dos trabalhos apresentados podem ser conferidos no blogue da publicação, aqui
HQ Memories pode ser encomendado diretamente com o autor, pelo email luigirocco29@gmail.com

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Memórias do Tico-Tico

Nada melhor que comemorar o Dia do Quadrinho Nacional (30 de janeiro) que ler estas publicações especialíssimas sobre a arte dos nossos maiores quadrinhistas.
Memórias d’O Tico-Tico: Juquinha, Giby e Miss Shocking, é um belíssimo álbum publicado em 2013 no volume 123 das Edições do Senado Federal, com pesquisa e texto Athos Eichler Cardoso.
O livro tem 210 páginas fartamente ilustradas com imagens raras do saudoso semanário infantil, uma das publicações mais longevas dos quadrinhos brasileiros, que apresentou a nata dos artistas daqueles anos pioneiros. Nesta edição, o foco é a obra de J. Carlos, especialmente aqueles que são tidos como os primeiros personagens infantis dos nossos quadrinhos: Juquinha (inspirado em Buster Brown, mas que ganhou identidade própria com o tempo), Miss Shocking e o famigerado Giby que, de tanto sucesso que fez, acabou por emprestar o nome à própria arte como um todo. Além da versão impressa, o livro está integralmente disponível para download gratuito no site da Livraria do Senado.
Aproveite a visita para obter, também gratuitamente, a versão virtual de As aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883, volume 44 das Edições do Senado Federal, publicado em 2013. Este álbum de 202 páginas, também organizado por Cardoso, traz as duas principais histórias que o piermontês Angelo Agostini produziu para as revistas Vida Fluminense, Don Quixote e O Malho, sendo um dos primeiros exemplos da arte dos quadrinhos no mundo.
Ambas as edições impressas em acabamento de luxo valem muito a pena adquirir.

sábado, 30 de março de 2019

Renato Canini (1936-2013)

Um dos mais queridos cartunistas brasileiros, Renato Vinícius Canini nasceu em 22 de fevereiro de 1936, na cidade de Paraí, no Rio Grande do Sul. Desde jovem, interessou-se pela arte do traço e, aos 21 anos, já trabalhava como ilustrador na revista infantil Cacique, publicada pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado. Ainda nos anos 1960, participou ativamente da lendária CETPA - Cooperativa Editora de Trabalho de Porto Alegre, iniciativa que tinha como meta a nacionalização do quadrinho brasileiro e contou com o apoio do então Governador Leonel Brizola. Com roteiros de José Geraldo Barreto, Canini desenhava Zé Candango, um cangaceiro que lutava contras os super heróis estrangeiros.
Canini mudou-se para São Paulo em 1967, para trabalhar na revista infantil Bem-Te-Vi, publicada pela Igreja Metodista. Dois anos depois foi contratado pelo estúdio de quadrinhos da Editora Abril, para ilustrar a revista Recreio.
Logo passou a trabalhar com Zé Carioca, personagem popular criado em 1942 por Walt Disney. Aproveitando-se do controle frouxo que a Disney então mantinha sobre os quadrinhos de sua franquia feitos no País, Canini incorporou diversos aspectos da Cidade Maravilhosa às histórias, bem como trejeitos brasileiros ao personagem. Foram cerca de 135 histórias, produzidas entre 1971 e 1977, amplamente apreciadas pelos leitores brasileiros. Mas esse grande sucesso acabou atraindo a atenção da matriz americana, que desaprovou o trabalho, considerando-o demasiado distante do seu padrão original. Por muito tempo, o trabalho de Canini em Zé Carioca ficou proibido de ser republicado, situação que só mudou em 2005, quando a própria Editora Abril homenageou o artista com um volume da coleção Mestres Disney, equiparando-o assim aos ilustradores Don Rosa, Cavazzano, Gottfredson e Romano Scarpa, vistos nos outros volumes dessa coleção.
Em 1974, Canini criou para a revista Crás a sátira de faroeste "Koka Kid", rebatizada depois pelo editor como Kactus Kid. Inspirado na fisionomia de Kirk Douglas, Kactus Kid era um agente funerário que, quando necessário, transforma-se num pistoleiro elegante e boa-pinta, não sem alguma dificuldade, uma vez que tinha que passar pela picada dolorosa de uma agulha para fazer o indefectível furinho no queixo.
Outra criação importante de Canini é o psicólogo Dr. Fraud que, nos anos 1970, chegou a aparecer em várias edições da revista Patota, da Editora Artenova, e publicado em álbum em 1991 pela editora Sagra-DC Luzatto, sempre envolvido com problemas psicológicos dos mais famosos personagens dos quadrinhos.
Em 1978, criou o indiozinho Tibica para participar de projeto de tiras da Editora Abril, que não foi adiante. O personagem seria enfim publicado em 2010 no álbum Tibica: O defensor da ecologia, pela Editora Formato.
Canini também teve trabalhos publicados nos jornais Correio do Povo, Diário de Notícias, O Pasquim e nas revistas Mad e Pancada, entre outras publicações.
Também são seus os livros infantis Cadê a graça que tava aqui? (1983, Mercado Aberto), Um redondo pode ser quadrado? (2007, Formato) e O cigarro e o formigo (2010, Formato). Em 2012, publicou seu último trabalho, o álbum Pago pra ver (IEL/CORAG), reunindo 250 ilustrações sobre o Rio Grande do Sul e os pampas, realizadas ao longo dos últimos trinta anos.
Casado com a também desenhista Maria de Lourdes, Canini sofreu um mal súbito decorrente de um problema cardíaco e veio a falecer no dia 30 de outubro de 2013, aos 77 anos, sendo sepultado no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas, onde morava.
Entre as muitas homenagens que recebeu ainda em vida, Canini foi agraciado em 2003 com o título de "Grande Mestre" pelo Prêmio HQMix.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Sergio Toppi (1932-2012)

Intensa. Esta é a melhor definição para a arte de Sergio Toppi, ilustrador milanês falecido no dia 21 de agosto de 2012, pouco antes de completar 80 anos.
Toppi foi um ilustrador de traço impactante, considerado em todo o mundo como um dos maiores mestres dos quadrinhos. Senhor de um estilo moderno e arrojado, que valorizava os espaços brancos, influenciou muitos artistas importantes em todo o mundo, como Bill Sienkiewicz, Walt Simonson e Frank Miller, por exemplo.
Nascido em 11 de outubro 1932, Toppi apaixonou-se pelos quadrinhos em algum momento dos anos 1940, ao ver os desenhos de Dino Battaglia e Hugo Pratt em um exemplar da revista Asso de Picche.
Estudou na Escola de Arte do Castelo, mas não terminou o curso. Antes de se envolver com a arte que lhe daria prestígio, começou fazendo ilustrações publicitárias para a Enciclopedia dei Ragazzi, para a Unione Tipografico-Editrice Torinese, para a editora Mondadori e para a revista Topolino. Também trabalhou produzindo desenhos animados publicitários para a Caroselli Televisivi.
Estreou nos quadrinhos infantis no início dos anos 1960, com a hq Il mago Zurli, publicada no Corriere dei Piccoli. Trabalhou várias vezes com o roteirista Mino Milani, para quem ilustrou a série La Vera Storia di Pietro Micca, também publicada no Corriere dei Piccoli.
Sua grande chance surgiria em 1974, quando foi contratado por Sergio Bonelli para ilustrar Herman Lehmann: L'indiano bianco. Especializou-se então no quadrinho juvenil, publicando histórias avulsas nas revistas Sgt. Kirk e Il Giornalino, entre outras, numa qualidade que lhe valeu um Prêmio Yellow Kid em 1975, recebido no 11º Festival Internacional de Quadrinhos de Lucca.
No ano seguinte, também a convite de Bonelli, começou a ilustrar uma série de três álbuns para prestigiosa coleção Un uomo, un'avventura, com ficções históricas que passariam a caracterizar sua obra.
Entre 1978 e 1980, ilustrou História da França em quadrinhos e A descoberta do mundo para a editora francesa Larousse.
Sérgio Toppi colaborou com algumas das mais importante revistas europeias de quadrinhos, com trabalhos publicados na Linus, Alter Alter, Corto Maltese, L'Eternauta, Comic Art e Ken Parker Magazine. Também são títulos importantes de sua obra os álbuns Sharaz-De* e Il Colezzionista, o único personagem criado por ele.
Mais recentemente, Toppi colaboraria novamente com os estúdios Bonelli, ilustrando histórias para as séries Nick Rider e Julia Kendall, e passaria a ser publicado regularmente na revista francesa Mosquito.
No Brasil, a obra de Toppi foi vista em uma única edição da coleção Um homem/Uma aventura: O homem do Nilo (Ebal, 1978) e na edição nº11 da revista Júlia Kendall, As aventuras de uma criminóloga  (Mythos, 2005). Algumas de suas histórias curtas também puderam ser vistas nas revistas Eureka nº11 (1978) e Eureka Aventura (1977), da Editora Vecchi; Capitão América nº15 (1976) e O Tocha Humana: Blochinho espetacular nº13 (1976), da Editora Bloch. Em 2005, ilustrou as capas das edições americanas da minissérie 1602: New Word, da Marvel Comics, publicada no Brasil no ano seguinte em um único volume na coleção Marvel Apresenta.
Em 2003, o mestre esteve em Belo Horizonte, participando do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, que abrigou uma bela exposição de seus trabalhos.
Toppi faleceu em Milão, depois de uma longa luta contra o câncer que, apesar de dura, nunca o afastou da prancheta, numa carreira de quase sessenta anos. Entre suas últimas obras estão, pela Edizioni Papel, os portfólios Lo sono l'Erba (2008) e Divertissement (2009), ambos com ilustrações inspiradas na Irlanda, e Luce dell'Est (2012), sobre o Japão medieval. Intensos, como sempre.

* Dois números da série Sharaz-De foram publicados em 2016 e 2017 no Brasil pela editora Figura.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Megalon 72

Depois de lançar sua última edição em 2004, o fanzine de ficção científica e horror Megalon volta à cena com uma edição totalmente dedicada ao escritor britânico Arthur C. Clarke, um dos grandes mestres da ficção científica, cujo centenário de nascimento se comemora no próximo dia 16 de dezembro.
Quem conhece o Megalon sabe que as pesquisas que publica são muito bem produzidas, com profundidade sem paralelo no país.
A edição tem 60 páginas com uma extensa pesquisa bibliográfica sobre a obra do autor: sua ficção longa e curta, os livros de não-ficção e divulgação científica, e também os muitos trabalhos publicados sobre a sua obra.
A edição impressa pode ser adquirida com o editor pelo email marcellobranco@ig.com.br, mas uma versão em pdf está disponível gratuitamente aqui.

domingo, 29 de outubro de 2017

Douglas Quinta Reis (1954-2017)

Se há uma coisa que não gosto de escrever são obituários, que adio o máximo que posso. Fica ainda mais difícil quando se trata de uma pessoa é próxima, como é o caso. Mas não posso me furtar a testemunhar aqui o passamento de Douglas Quinta Reis que, por muitos anos, foi o meu principal editor.
Reis foi um dos fundadores da Devir Livraria que, ao longo dos anos 1980, montou um esquema próprio de distribuição de revistas importadas, para o qual criou o boletim Recado Devir, fanzine que marcou uma geração de leitores. A Devir também ficou conhecida pela publicação de livros de RPG e card games, jogos que se tornaram grandes coqueluches dos anos 1990. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, a Devir também se envolveu com a publicação de quadrinhos de artistas nacionais e estrangeiros - sempre apresentados na forma de álbuns de luxo -, e com a literatura fantástica, para a qual mantinha selos exclusivos para ficção científica, horror e fantasia, de autores brasileiros e estrangeiros, clássicos e modernos. Reis era como um malabarista que mantém muitos pratos girando ao mesmo tempo na ponta de varetas, sem derrubar nenhum e sem perder a classe. O trabalho adiante de todas essas linhas editoriais ao longo dos 30 anos da Devir colaborou decisivamente para estabelecer no Brasil um segmento hoje muito disputado, o da chamada cultura geek.
Conheci Reis em 1995 quando me lancei a tarefa de realizar a primeira de quatro convenções anuais de horror, as HorrorCons. Logo de cara, e com toda boa vontade e gentileza que sempre o caracterizaram, Reis se aproximou do evento, patrocinou cartazes de divulgação e esteve presente em todas elas. Mais tarde, acolheu a publicação do meu Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, do qual publicou cinco edições, sem falar em vários outros projetos dos quais participei direta e indiretamente. Neste momento estávamos envolvidos na preparação de uma antologia de contos de horror, que organizei ao lado de Marcello Simão Branco - que também foi meu parceiro nas HorrorCons e no Anuário -, e estávamos em contato quase diário. Foi um choque receber a notícia de sua morte repentina, vitimado por um ataque cardíaco fulminante na noite de 12 de outubro. Até porque Reis não tinha histórico algum, era jovem e ativo. Divertido, bem informado e sempre pronto para um bom papo - sem falar nas lições sobre edição que passava naturalmente durante as conversas - era um prazer compartilhar sua presença.
Seu corpo foi velado e enterrado no dia 14 de outubro no Cemitério da Quarta Parada, em São Paulo.
A Devir continua e torcemos por seu sucesso, mas por certo que não será a mesma sem a presença de Douglas Quinta Reis. Não há dúvida que testemunhamos aqui o fim de uma era.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Max Mallmann (1968-2016)

No dia 4 de novembro de 2016, aos 48 anos, perdemos o escritor e roteirista brasileiro Max Mallmann Souto-Pereira, uma das gratas revelações do final da Segunda Onda da ficção científica brasileira.
Mallmann era gaúcho de Porto Alegre e estreou em 1989 com o livro de realismo fantástico Confissão do minotauro, publicado pelo Instituto Estadual do Livro. Seu segundo romance foi o vencedor do Prêmio Açorianos Mundo bizarro (1996, editora Mercado Aberto), também na linha do realismo fantástico e com o qual ele foi definitivamente integrado ao fandom nacional da literatura de gênero.
No final dos anos 1990, Mallman iniciou seu trabalho como roteirista na TV Globo, onde atuou  em importantes seriados e novelas, tais como Malhação, A grande família e Carga pesada, mas não abandonou o ofício de escritor. Em 2000 publicou pela editora Rocco a novela Síndrome de quimera, finalista do Prêmio Jabuti e ganhadora do Prêmio Argos. Seus livros seguintes, também pela Rocco,  foram Zigurate: Uma fábula babélica (2003) e a ficção histórica  O centésimo de Roma (2010), e sua sequência, As mil mortes de César (2014). Seu último trabalho publicado foi Tomai e bebei, uma pequena novela sobre vampiros lançada em 2015 pela editora Aquario.
Dono de uma prosa agradável e divertida, Mallmann não abria mão do humor e da ironia em doses generosas, que eram também características de seu comportamento social, sendo assim um autor querido por seus colegas e leitores.
Sua morte foi decorrência do agravamento de um câncer de pulmão com o qual lutava desde 2015. O corpo foi cremado no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, e as cinzas levadas para sua cidade natal.


Mustafá Ali Kanso (1960-2017)

Uma grande perda para a ficção científica brasileira: deixou-nos em 26 de junho último, aos 57 anos, o escritor curitibano Mustafá ibn Ali Kanso.
Bacharel em Química e Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Kanso teve uma carreira breve nas letras fantásticas, contudo produtiva e bem avaliada. Suas primeiras contribuições surgiram no início do século, durante as oficinas de escrita criativa ministradas na capital paranaense pelo saudoso escritor André Carneiro, que foi seu grande mentor. Após a morte do mestre em 2014, Kanso assumiu a direção da atividade.
O autor conviveu com grandes nomes do gênero e com eles compartilhou várias antologias: Futuro presente (2009, Record), organizada por Nelson de Oliveira, Contos imediatos (2009, Terracota), Proibido ler de gravata (2010, Multifoco), Sagas: Odisseia espacial (2012, Argonautas), Estranhas histórias de seres normais (2015, Illuminata) e Possessão alienígena (2017, Devir), além de algumas edições do Projeto Portal, organizadas e editadas por Luiz Brás em 2009 e 2010.
Seus livros solo foram a coletânea A cor da tempestade (2011, Multifoco) e o romance O mesmo sol que rompe os céus (2016, Fragmentos).
Vítima de um ataque cardíaco fulminante, seu passamento repentino e precoce surpreendeu todo fandom nacional de literatura fantástica. O corpo foi cremado no Crematório Vaticano, em Curitiba.

sábado, 17 de setembro de 2016

Todas as Starlogs

Nos anos 1980, a grande fonte de informação dos fãs de ficção fantástica, especialmente sobre cinema e tv, era a revista americana Starlog que, mensalmente, trazia notícias e curiosidades sobre a produção de fc&f nos EUA, inclusive com artigos dedicados a literatura e outras mídias, embora o seu carro chefe sempre tenha sido a produção audiovisual. Era uma publicação valorizada, difícil de obter, especialmente por conta de seu alto custo. Chegou a ter uma versão brasileira nos anos 1990 que, assim como outras publicações do segmento, não vingou frente à concorrência da internet.
Mas agora, as facilidades da internet tornam a Starlog uma publicação ao alcance de todos: todas as edições estão disponíveis gratuitamente para leitura online aqui.
Recomendo especialmente a edição comemorativa número 100, que trouxe uma valiosa lista de personalidades da fc&f mundial que ainda pode servir de referência aos estudiosos do gênero.

domingo, 8 de maio de 2016

QI 138

Está circulando o número 138 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
Esta edição vem com 28 páginas e traz mais uma sequência do depoimento de José Ruy sobre o periódico português O Papagaio, artigo do editor sobre a rara revista Física com Martins e eu (ilustrada por Henfil), texto de Carlos Gonçalves sobre o Clube Português da Banda Desenhada, e uma interessante entrevista com Marcio Sidnei, transcrita de material da distribuidora ECAB (1978), com comentários sobre a esquecida lei de nacionalização dos quadrinhos, de 1963.
Também publica artes de Rafael Grasel, Assis Lima, Luiz Claudio Lopes Faria, Chagas Lima e do próprio editor, as seções "Fórum", "Mantendo contato" (com uma breve entrevista com o saudoso mestre Eugênio Colonnese) e o catálogo "Edições independentes", com os lançamentos do bimestre.
A capa tem uma ilustração do editor, com detalhes coloridos aplicados à mão.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas, mas uma versão digital poderá ser em breve encontrada no saite da editora Marca de Fantasia. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

sábado, 19 de março de 2016

QI 137

Está circulando o número 137 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
Esta edição vem com 32 páginas e traz sequência do depoimento de José Ruy sobre o periódico português Papagaio, artigos do editor sobre o Homem Força, a 32ª edição do prêmio Angelo Agostini realizada em janeiro último, mais um episódio da série "Quadrinhos brasileiros bissextos", e os artigos "Quadrinhos de fora", "Problemas de artistas nacionais" (transcrito de material da distribuidora ECAB de 1978) e "Coleção que vale CR$ 80 milhões" (transcrito da revista Superboy de 1966).
Também publica quadrinhos de Assis Lima, Chagas Lima e do próprio editor, além das seções "Fórum", "Mantendo contato" e o catálogo "Edições independentes" com os lançamentos do bimestre. A capa traz detalhe de uma ilustração de Guimarães, que vem completa num encarte maior, em papel amarelo.
Junto ao QI 137, os assinantes recebem o primeiro fascículo do Registro sobre publicações de quadrinhos: Publicações Bonelli no Brasil que, em 12 páginas, faz o levantamento dos trabalhos dessa editora italiana no País. O estudo é de autoria de Carlos Gonçalves, com colaboração de Guimarães.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas e não tem versão digital. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Somnium 65

Editado por Marcello Simão Branco e originalmente publicado em dezembro de 1996, o número 65 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, foi especialmente dedicado a discutir a "Vida em Marte", com depoimentos e artigos sobre o assunto. Também traz contos de Miguel Carqueija, Braulio Tavares e Ataíde Tartari (a história alternativa "Folha Imperial", um clássico da Segunda Onda), artigos de Arthur C. Clarke, Marcello Simão Branco, Gerson Lodi-Ribeiro, Fabio Fernandes e Marcos Akio Katsutani, e resenhas por Fabio Fernandes e Jeremias Moranu.  A capa traz um desenho de José Carlos Neves.
Somnium 65 está disponível para leitura online e download no Issuu e no 4shared.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Somnium 64

Editado por Marcello Simão Branco e originalmente publicado em agosto de 1996, o número 64 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, foi especialmente dedicado ao centenário do romance A máquina do tempo, de H. G. Wells.
Em 63 páginas, a edição tem contos de Carlos Orsi, Fabio Fernandes e Gerson Lodi-Ribeiro (a primeira publicação da novela "O vampiro de Nova Holanda"); artigos Alysson Fabio Ferrari, José Carlos Neves, Heitor Megale e Branco, além de resenhas assinadas por Fabio Fernandes e Branco. A capa traz um desenho de Cerito, inspirado no tema da edição.
Somnium 64 está disponível para leitura online e download no Issuu e no 4shared.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Somnium 73

Originalmente publicado em agosto de 1999, o número 73 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, tem 32 páginas e traz contos de Martha Argel e Simone Saueressig, artigos Lucio Manfredi e Eduardo Francisco Torres Ferreira. As seções "FC em notícias" e "Listserver"  montam um panorama da cena do fandom naquele ano. A capa traz um desenho de Edgar Franco.
A edição está disponível para leitura online e download no Issuu e no 4shared.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ondas não bastam

Todas as vezes que sou questionado a respeito da história da fc&f brasileira, fico perdido nas classificações cronológicas porque, nesta altura dos acontecimentos, o mapeamento já ultrapassou os limites das três "ondas" que antes pareciam ser suficientes para definir e entender a evolução da arte.
Há vasto material anterior à organização do fandom e, mesmo durante o período de ação deste, pelo menos um importante momento da fc&f nacional não fez parte de nenhuma das ditas ondas. Estas só fazem sentido de fato no restrito escopo da produção dos fãs e dos autores que se identificaram com sua ação.
Por mais que isso desagrade determinados grupos, a história da fc&f transcende o antes e o durante do fandom. Assim sendo, e por falta de uma classificação mais conveniente, montei a seguinte proposta, que conta com seis subdivisões principais:
Clássicos: refere-se aos autores dos primeiros exemplos da fc&f nacional, anteriores ao Movimento Modernista. Exemplos: Álvares de Azevedo, Augusto Zaluar, Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, Coelho Netto, Monteiro Lobato, Aluísio de Azevedo etc
Modernistas: autores contemporâneos e/ou identificados ao Movimento Modernista: Exemplos: Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Gastão Cruls, Humberto de Campos, João do Rio, Malba Tahan, Guimarães Rosa, Afonso Schimidt, Beliro Neves, Murilo Rubião etc.
Primeira onda ou Geração GRD: Autores claramente identificados com o movimento autoral e editorial de literatura de gênero, cuja obra apresenta vínculos claros com os protocolos da fc&f pulp. Exemplos: Jerônymo Monteiro, Rubens Teixeira Scavone, Fausto Cunha, Dinah Silveira de Queiroz, André Carneiro, Nilson Martello, Levy Menezes, Rubens F. Lucchetti etc.
Não alinhados: Autores contemporâneos não participantes da primeira e segunda ondas, cujas obras vinculam-se perifericamente aos gêneros e estão mais identificadas ao mainstream literário. Exemplos: José J. Veiga, Chico Buarque, Ariano Suassuna, Vitor Giudice, Érico Veríssimo, Paulo Leminski, Cassandra Rios, Ligia Fagundes Telles, Ignácio de Loyola Brandão, Ruth Bueno, Moacyr Scliar, Nilza Amaral, Herberto Sales, Julio Emilio Braz, João Ubaldo Ribeiro, Fausto Fawcett, Domingos Pelegrini, João Batista Melo, Neil de Castro, Nelson de Oliveira, etc.
Segunda onda ou Geração dos fanzines: Autores claramente vinculados ao fandom organizado nos anos 1980, cujos trabalhos desenvolveram-se especialmente em publicações amadoras. Exemplo: Daniel Fresnot, Jorge Luiz Calife, Roberto Schima, Roberto de Sousa Causo, Simone Saueressig, H. V. Flory, Braulio Tavares, Max Mallmann, José dos Santos Fernandes, Ivanir Calado, Gerson Lodi-Ribeiro, Fábio Fernandes, Carlos Orsi, Ivan Carlos Regina, Martha Argel, Miguel Carqueija, Carlos Patati, Gian Danton, Ataíde Tartari, Finisia Fideli etc
Terceira onda ou Geração internet: Autores surgidos no século 21, principalmente a partir da ação dos fãs em saites e redes sociais. Exemplo: Tibor Moricz, Ana Cristina Rodrigues, Giulia Moon, Cristina Lasaitis, Helena Gomes, Clinton Davisson, Andre Vianco, Luiz Bras etc.
É claro que há interstícios que podem agrupar autores identificados com mais de uma classificação, bem como grupos restritos de ação pontual mas, por hora, fiquei satisfeito com estas subdivisões. Seria interessante iniciar um amplo debate a respeito disto, para acertar arestas e afinar definições, identificando também as obras mais relevantes da cada ciclo e os temas mais praticados em cada uma, se houver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O incubado

No final do século, o fanzine Hiperespaço alterou sua estratégia editorial subdividindo-se em iniciativas especializadas. A parte ficcional foi direcionada para uma coleção de livros artesanais editada em parceria com o fanzine Megalon, a Coleção Fantástica, que teve seis edições entre 1999 e 2000 com novelas de ficção científica, fantasia e horror de autores brasileiros. A proposta voltou em 2002 sob o título de Nova Coleção Fantástica, com mais 6 volumes publicados até 2009.
Parte desse material está hoje em livros publicados por editoras profissionais, mas alguns deles não tiveram a mesma sorte e, eventualmente, surgem leitores interessados neles. Decidi então negociar com os autores no sentido de obter as devidas autorizações para disponibilizar essas edições em formato virtual.
O primeiro a concordar foi o escritor carioca Rogério Amaral de Vasconcellos que, há alguns anos, ousou publicar na internet uma longa série de ebooks de fc&f chamada Coleção Nave Profana, comentada aqui. Vasconcellos também foi um dos poucos a publicar pela extinta Editora Writers, com o romance Campus de guerra, de 1999.
O incubado aqui apresentado, foi publicado originalmente em 2003 sob o nº 3 da Nova Coleção Fantástica, sob o equivocado título de O encubado, novela de fc com toque de horror na qual colonos, pesquisadores e militares enfrentam uma situação inesperada durante uma ocupação planetária, que pode levar à toda civilização um perigo tão antigo como terrível.
A nova edição, corrigida, pode ser lida online ou baixada gratuitamente no Issuu e no 4shared.
O texto pode também ser lido em espanhol, no nº 141 da revista eletrônica argentina Axxón, com tradução de Claudia De Bella.

Somnium 72

Originalmente publicado em julho de 1999, o número 72 do Somnium, boletim do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, tem 32 páginas e traz contos de  Edgard Powell, João Ventura e Dario Alberto de Andrade Filho, artigos Gerson Lodi-Ribeiro e Fabio Barreto, e as seções "FC em notícias" e "Listserver", com um panorama da cena do fandom naquele ano. A capa traz um desenho de Marcelo Rodrigues, responsável por marcar a edição no Issuu como recomendável para leitores adultos...
Somnium 72 está disponível para leitura online e download no Issuu e no 4shared.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Somnium 71

Originalmente publicado em março de 1999, o número 71 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, tem 32 páginas e traz contos de António de Macedo (Portugal), Carlos Orsi e Lucio Manfredi, artigos Gerson Lodi-Ribeiro e Hindemberg Alves da Frota, e a seção "FC em notícias", com um panorama do fandom naquele ano. A capa traz uma ilustração de Alex Coimbra.
A edição está disponível para leitura online e download em dois links: Issuu e 4shared.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Somnium 70

Originalmente publicado em dezembro de 1998, o número 70 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, tem 24 páginas e traz contos de Simone Saueressig e Norton Coll, artigo Gerson Lodi-Ribeiro, e as seções "FC em notícias" e "Listserver". A capa traz uma ilustração de Angelo Ribeiro.
A edição está disponível para leitura online e download em dois links: Issuu e 4shared.