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terça-feira, 20 de abril de 2010

Hollandidades


Recebi correspondência do quadrinhista carioca Roberto Hollanda dando noticias sobre suas decisão de retomar os fanzines, e já mandou de cara exemplares de seus mais novos trabalhos: Arlequim 18 e Nouvelle Magique 2, que mantêm a qualidade narrativa vista nas edições anteriores.
Na nova edição de Arlequim, os filhos mutantes de Dorothy falham na missão de resgate de Arlequina, e acabam aprisionados junto com ela, nas masmorras do Marquês de Rabicó. Dorothy assume então o seu destino, manifesto anos antes – e aqui descobrimos como a Dona Benta recuperou sua mocidade – e entra em ação no momento em que um de seus filhos é ameaçado de morte. Agora é Dorothy quem está com a palavra, e ela pode dizer o que quiser. A edição traz textos sobre a orixá Iansâ e sua correlata sincretista Santa Bárbara, que tem tudo a ver com a história em questão.

Já no segundo número de Nouvelle Magique, as jovens quadrinhistas Livia e Miele são abordadas por um casal que revelam ser quadrinhistas europeus de intenções nada amistosas. As meninas terão de fazer uso dos conhecimentos secretos recém-adquiridos para sair dessa sinuca de bico.

Nouvelle Magique tem pressupostos interessantíssimos. A começar, trata-se de uma aventura que ocorre no inicio do século XX e o autor utiliza recursos gráficos que emulam os quadrinhos da época. Na realidade dessa história, a arte dos quadrinhos é mais que simples comunicação, é um atributo mágico poderoso, atrás do qual se esconde uma perigosa sociedade secreta.
Guardadas as devidas proporções, lembra ligeiramente alguns conceitos do mangá ROD, com o uso de garotas jovens como protagonistas e a magia emanando de uma atividade artística (no caso de ROD, é a literatura). Mas Nouvelle Magique tem personalidade própria e deve evoluir nas próximas edições graças ao talento e a inteligência de seu autor.
Tanto Arlequim como Nouvelle Magique são ótimas como quadrinhos, mas eu fico me perguntando o que Roberto Hollanda poderia inventar se resolvesse trabalhar unicamente com a palavra, escrevendo novelas e romances. Não tenho dúvidas de que seria algo muito original no ambiente literário brasileiro.
Hollanda inaugurou há poucas semanas o blogue bilingue Hollanda Comics, através do qual pretende compartilhar materiais de sua criação. Contudo, os fanzines não estão disponíveis online, é preciso solicitar ao autor através do endereço Rua Sousa Aguiar, 322, casa 5, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20720-035. Os zines são baratinhos, aproveite e compre a coleção inteira, que está disponível e vale muito a pena.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Novos fanzines de Roberto Hollanda


Há alguns dias recebi a edição 17 do fanzine Arlequim, de Roberto Hollanda, com mais um capítulo da curiosa história de Emília, Narizinho e Pedrinho depois que ficaram adolescentes, quase adultos. Emília agora é Arlequina, uma entidade mágica poderosa que trafega pelos mundos da literatura, convivendo com personagens e ambientes de fantasia de diversas procedências. Narizinho, agora chamada simplesmente de Lúcia, tornou-se uma bela jovem também iniciada nas artes da magia, e Pedrinho, agora Pedro Malazartes, é um delinquente juvenil que deseja apenas satisfazer seu próprio ego.
Nos últimos episódios, acompanhamos a queda de Arlequina que, acusada de adultério por seu marido legal, o Marquês de Rabicó, foi atirada numa espécie de prisão, um limbo onde são lançadas as ideias abandonadas. Neste episódio, Lúcia e Pedro voltam ao Sítio do Picapau Amarelo em busca de ajuda para resgatar a amiga, e conseguem cooptar quatro super-heróis mirins, os filhos de Dorothy, de O mágico de Oz. O grupo invade a prisão e luta com os guardas, mas as coisas não saem muito bem e Dorothy decide interceder para salvar seus filhos.
Hollanda mantém o projeto de concluir este arco de histórias na edição 20, mas no editorial já deu a entender que suas ideias voltaram a fervilhar e, ainda que vá definir a aventura dessa forma, deve publicar mais edições futuramente.

Juntamente com Arlequim 17, recebi o primeiro e único número publicado até o momento do fanzine Nouvelle Magique, igualmente produzido por Roberto Hollanda. Desta vez, Hollanda homenageia os pioneiros dos quadrinhos, numa história que também envolve uma boa dose de fantasia. Ela acontece no início do século XX. A jovem Lívia, apaixonada pelos avanços da arte e da tecnologia, está entusiasmada com a nova arte das Histórias em Quadrinhos. Ela faz aulas de desenho e produz suas histórias, mas seu professor rejeita os trabalhos e a alerta para que não as faça mais. Um pouco desorientada, a menina acompanha Miele, sua colega de classe, para ver Madame Jollit, uma artista que percebe nela um grande talento e a inicia na verdadeira arte secreta dos Quadrinhos, que tem o poder de manipular a realidade.
O desenho de Hollanda, que não é nada realista, pode desagradar os leitores que pensam que o realismo é componente imprescindível nas HQs. Quem pensa assim, infelizmente vai perder um grande trabalho. Não consigo imaginar uma imagem melhor para as histórias que o Hollanda cria, pois os desenhos combinam perfeitamente com o clima de irrealidade do enredo. É possível que o realismo até prejudicasse esse clima.
Para conhecer o trabalho de Roberto Hollanda, leia este post que disponibiliza links para baixar as primeiras edições de Arlequim. Mas quem realmente valoriza o trabalho, não vai se incomodar em escrever para o editor e comprar o fanzine em papel: Rua Sousa Aguiar, 322, casa 5, Rio de Janeiro, RJ. CEP 20720-035.