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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Resenha: Manual de sobrevivência na escrita

Manual de sobrevivência na escrita
, Ana Rüsche e George Amaral. 112 páginas. São Paulo: Bandeirola, 2024. 
Recebi há algumas semanas, da própria Editora Bandeirola, um exemplar de Manual de sobrevivência na escrita, de autoria dos escritores e pesquisadores Ana Rüsche (A telepatia são os outros, 2019) e George Amaral (Um estranho tão familiar, 2023), que me comprometi a ler e comentar. 
É um livro curioso. Não é um manual de escrita, pois não dá dicas de métodos e modelos narrativos, nem de modelagem de personagens e universos, e não dá exemplos para melhorar a criatividade nem históricos e definições de gêneros literários. Trata-se, isto sim, de um guia para escritores iniciantes que querem escrever de forma profissional mas não sabem como se organizar para isso. 
O trabalho está dividido em três partes principais: "Antes de colocar a mão na massa", "Mãos à obra" e "Terminei, e agora?", cada uma delas subdivididas em capítulos curtos que procuram dar ao leitor uma panorâmica ampla do processo da escrita, especialmente em relação à disposição do autor, ambiente de trabalho, rotinas e objetivos, e outros detalhes tão intuitivos que a maioria dos escritores nem chega a pensar a respeito.
O resultado é um compêndio de práticas para tornar o ato da escrita mais produtivo e eficiente, com conselhos do tipo: por que escrever, o que se pretende alcançar escrevendo, como montar uma rotina produtiva, o que comer e o que não comer antes e durante o trabalho, quais recursos técnicos, materiais e psicológicos utilizar, como não se deixar vencer pela preguiça etc. Alguns desses conselhos são especialmente úteis como, por exemplo, não beber enquanto se usa um notebook, e realizar backups constantes do material produzido, coisas que todo mundo sabe que deve fazer, mas não faz até se dar mal. E, mesmo depois, continua não fazendo.
Cada capítulo traz ainda depoimentos dos autores falando, de modo bastante intimista, sobre a forma como agem para seguir escrevendo mesmo em momentos de desânimo e pane criativa.  
Manual de sobrevivência na escrita tem 112 páginas, é uma publicação de 2024 e está disponível nos formatos digital e impresso.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Lançamento: Não ficções e Um estranho tão familiar

Ainda dá tempo para apoiar o projeto da Editora Bandeirola no Catarse, que propõe a edição de dois livros de não ficção que discutem os aspectos, caminhos e valores da ficção científica. São eles, Não ficções, de Braulio Tavares, e Um estranho tão familiar, de George Amaral.
É importante dar uma olhada nesses títulos, primeiro porque são publicações raras com estudos importantes sobre o campo literário e suas especificidades no que se refere ao gênero da ficção científica – que muita gente boa diz que não é gênero, e eu concordo, mas essa é uma discussão para os dois autores desenvolverem.
Além disso, os autores são pessoas muito sérias com carreiras ligadas ao gênero. Braulio Tavares é jornalista, compositor, escritor e organizador com muitos títulos do gênero publicados, e George Amaral é um psicalista e escritor, mestre e doutorando no curso de Teoria literária e literatura comparada pela USP. 
Com prefácio do jornalista e escritor André Cáceres, Não ficções é composto de vinte e cinco ensaios de Tavares, que passam por Jorge Luis Borges, Malba Tahan, Guimarães Rosa, Ray Bradbury, Colin Wilson, Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Tim Powers, Jerônymo Monteiro e Emilia Freitas, entre outros. 
Um estranho tão familiar  analiza a história do estranhamento na literatura, do século XIX até a contemporaneidade, tratando o gênero a partir da filosofia, psicologia, psiquiatria e semiótica. O acadêmico Alexander Meirelles da Silva assina o seu prefácio.
Os volumes dão início a uma coleção, que promete para o futuro títulos de Roberto de Sousa Causo, Elizabeth 'Libby' Ginway e Bruno Matangrano. 
Mais informações estão disponíveis na página do projeto, através da qual é possível conferir as alternativas de apoio propostas e suas respectivas recompensas.