terça-feira, 31 de outubro de 2023

Lançamento: O caminho da dama, Margaret Oliphant

A Sociedade das Relíquias Literárias é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. Uma assinatura mensal dá ao apoiador o direito de uma novela em ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas. 
E uma dessas recompensas é um romance inédito por semestre. Aqueles que apoiam o projeto desde seu início, em 2020, já receberam seis: Abril encantado (1922) de Elizabeth Von Arnim; O anel dos Löwensköld (1925) de Selma Lagerlöf; Capitão Blood (1922) de Rafael Sabatini; A rosa e o anel (1854) de William Makepeace Thackeray; Peter Pan (1911) de J. M. Barrie; e Louis, a bruxa (1861) de Elizabeth Gaskell. O sétimo, entregue há poucos dias, é O caminho da dama, da escritora escocesa Margaret Oliphant (1828-1897), originalmente publicado em 1897. 
Diz o texto de apresentação da obra: "Uma morte sempre está para acontecer quando ela vai embora. Uma viagem para a casa de amigos que prometia tranquilidade e calmaria se transforma em uma descoberta assustadora. Os cessar dos passos de uma curiosa companhia são conhecidos como o prelúdio de uma tragédia. Certo dia, em meio a uma pacífica convivência, aqueles sons misteriosos haviam parado e não podiam mais ser ouvidos".
Além da novela, o volume traz a biografia da autora, que foi bastante popular em seu tempo, tendo publicado mais de cem obras de ficção, além de contos, biografias e artigos. O volume tem 357 páginas e tradução de Karine Ribeiro. 
Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Juvenatrix 251

Está circulando a edição de outubro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em onze páginas, traz resenhas do editor ao livro Evil dead, a morte do demônio: Arquivos mortos, de Bill Warren (2013, Darkside Books) e aos filmes Teenage monster (1957) e Night fright (1967). A capa traz uma ilustração de Angelo Júnior. 
A edição é completada com notícias e divulgação de publicações alternativas e bandas de metal extremo.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

domingo, 29 de outubro de 2023

Resenha do Almanaque: Os filhos de Anansi, Neil Gaiman

Os filhos de Anansi (Anansi boys), Neil Gaiman. 384 páginas. Tradução de Juliana Lemos. São Paulo: Conrad, 2006.

O mágico pode estar logo além da esquina. A cada minuto acontece um milagre sobre a Terra, muitos deles são documentados e testemunhados. Acontecimentos inusitados podem estar prestes a maravilhar a existência de qualquer um. É claro que na maior parte das vezes esses pequenos milagres são apenas impressões, frutos de uma percepção alterada da realidade, esta sim, uma ilusão de nossos sentidos. Uma breve pane sensorial pode fazer o mundo virar literalmente do avesso, para voltar ao normal pouco depois. A impressão forte pode ser interpretada como uma epifania, uma revelação divina. Dificilmente uma pessoa voltará ao seu estado normal depois de uma experiência como essa.
Mas, e se não for apenas uma impressão? E se não for somente uma falha dos sentidos? E se for... real?
É isso que parece estar acontecendo com Charles Nansi – ou Fat Charlie, um apelido de infância –, um jovem afro-americano que vive no subúrbio londrino, tem um emprego numa agência de artistas, um patrão de quem ele decididamente não gosta e uma noiva inglesa de quem ele acha que gosta e que acredita que gosta dele. Nada de muito diferente da rotina de qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Fat Charlie vai levando sua vida, aguentando o mau-humor do patrão, a rabugice da futura sogra e a resistência puritana da noiva, que só vai permitir maiores intimidades depois do casamento, marcado para breve. Ela insiste que ele convide o pai para a cerimônia e isso deixa Charlie em pânico.
O pai de Fat Charlie é o que se pode chamar de bon-vivant, um negro sorridente e simpático, que vive curtindo, cantando, dançando e namorando. E é o cara mais constrangedor do mundo. Charlie guardava lembranças ruins de seu pai e se tinha uma coisa que ele não queria era um constrangimento gigante no dia de seu casamento. Mas a noiva tanto insiste que ele decide entrar em contato com a parentela, na Flórida. Viaja para os EUA e descobre, mais aliviado que surpreso, que seu pai morreu. Obviamente, numa situação constrangedora.
Mas havia algo que Charlie não sabia: ele tem um irmão gêmeo. As vizinhas de seu pai, umas velhas assustadoras que agora eram as únicas referências da sua infância, contaram a novidade e estranharam que ele não se lembrasse do irmão. Era uma peste, diziam. Foi morar em outro lugar. Mas, se ele quisesse, poderia chamá-lo. Bastava pedir a uma aranha, qualquer aranha, que ele viria.
Charlie, acreditando que as velhotas estavam esclerosadas, volta para a Inglaterra satisfeito por não ter o pai no casamento. Retorna para o seu emprego medíocre e sua noiva certinha. Numa noite especialmente confusa, enche a cara de vinho branco e faz aquilo que devia – ou não, se quisesse manter sua vida medíocre – ao encontrar uma aranha enorme na banheira, pede a ela que mande um alô para o irmão. Na manhã seguinte, Spider está diante do seu portão.
Spider, o irmão de Fat Charlie, é completamente diferente dele. Parece ser mesmo um filho do velho Nansi, pois é alegre, atraente e muito desencanado. Mas, além de tudo, sabe fazer uns truques maneiros, como tornar um armário num quarto enorme equipado com os mais caros e avançados sonhos de consumo do mercado. Spider é uma espécie de mago-rebelde-sem-causa, que herdou os poderes mágicos que seu falecido pai sempre teve.
Através de Spider, Charlie descobre que ambos são filhos de Anansi, um deus africano que faz com que a realidade mantenha-se nos eixos. Anansi é aquele trapaceiro de quem as lendas falam: a aranha, o macaco, o coelho e outras personificações de um ser esperto que sempre se dá bem no final das histórias. Mas se assim é, como pode ter morrido?
Este é um dos muitos mistérios transcendentais a serem desvendados por Charlie, assim como deve descobrir qual é o seu lugar no plano geral do universo. Isso tudo enquanto manobra a noiva que tem uma aventura voluptuosa com Spider; o chefe, que planeja dar um grande desfalque nos clientes e lançar a culpa em Charlie; as velhotas, que ainda não lhe contaram nem metade da história; Spider que, apesar de ser seu irmão, parece ser um furacão de problemas... e o tigre. Tigre? Bom, pode também ser um leão ou uma onça, dá no mesmo.
Assim são as coisas no universo de Os filhos de Anansi, romance de fantasia do escritor e roteirista britânico Neil Gaiman. Antes de ficar conhecido como romancista, Gaiman já mostrava talento no mercado de história em quadrinhos. Foi de sua pena que saíram os roteiros de uma das mais bem sucedidas, premiadas e cultuadas séries: Sandman, da DC Comics. Gaiman pegou um personagem aparentemente sem substância, ridículo até, e o tornou num caldeirão de ideias bem desenvolvidas. Mesmo depois de encerrada, com mais de setenta episódios publicados, Gaiman voltou ao universo de Sandman várias vezes, em séries curtas e novelas ilustradas. De repente, estava publicando romances.
Geralmente, os leitores de fc&f não recebem muito bem os escritores que vem dos quadrinhos. Gardner Fox e Stan Lee que o digam. Por isso, foi mesmo uma surpresa quando Gaiman começou a faturar Hugos e Nebulas um atrás do outro. A começar por American gods (Prêmios Hugo, Nebula, Locus e British S.F. de melhor romance de 2002), e Coraline (Prêmios Hugo, Nebula e Locus de melhor novela de 2003), além de vários outros prêmios para contos e noveletas em 2003 e 2004.
Era possível esperar que Os filhos de Anansi tivesse o mesmo sucesso. E não decepcionou: conquistou o Prêmio Locus de melhor romance de fantasia de 2006 e Prêmio British Fantasy de melhor romance de 2006.
Os filhos de Anansi surpreende em muitos aspectos. Para começar, os personagens principais são negros. É claro que Gaiman deixou esse detalhe bastante submerso na narrativa, talvez porque conheça bem as regras não escritas do mercado editorial no qual transita. De qualquer forma, um romance em que o protagonista é negro sem qualquer estereótipo já é, por si, uma variação muito importante. Além do mais, Gaiman usou e abusou da mitologia africana para montar o background sobrenatural de seu romance. Um aproveitamento muito sofisticado e sem proselitismos. Algumas das histórias que ele conta sobre as aventuras do velho Anansi têm paralelos idênticos na mitologia brasileira. Bem, Gaiman esteve no Brasil algumas vezes...
A tradução, assinada por Juliana Lemos, foi muito feliz. Algumas figuras literárias florescem aqui e ali, como se o autor as tivesse criado para serem lidas em português. É claro que isso é mérito da tradução, mas fornece uma boa ideia de como deve ser prazerosa a leitura no inglês original.
O romance não é longo e a leitura agradável o torna ainda mais ligeiro. Rapidamente, as páginas se esgotam no inevitável fim e, com ele, vem a sensação que sucede a última página de todos os bons livros: bem que poderia ter se demorado mais um tantinho. Neste caso, faça como eu: leia de novo. E de novo.

sábado, 28 de outubro de 2023

Argos 2023 tem segundo turno

O Prêmio Argos de Literatura Fantástica, provido anuamente desde 2000 pelo Clube dos Leitores de Ficção Científica-CLFC, reconhece os melhores trabalhos em romance, antologia e história curta de ficção científica, fantasia e horror escritos em língua portuguesa publicados no ano anterior. 
Em 2023, o certame realizou uma consulta prévia entre os membros do CLFC que definiu cinco indicados para cada uma de suas três categorias. São eles:
Melhor romance:
- Baluartes: Terra sombria, Clinton Davisson, Avec;
- Bem mal me quer, Hache Pueyo, Dame Blanche;
- Estação das moscas, Cirilo S. Lemos, Draco;
- O fantasma de Cora, Fernanda Castro, Gutenberg;
- Paradoxo de Theséus, Alexey Dodsworth, Draco.
Melhor antologia ou coletânea
- A study in ugliness e outras histórias, Hache Pueyo, Lethe Press;
- Fator Morus, Lu Evans, org., Nebula;
- Mafaverna: Democracia, Jana Bianchi e Diogo Ramos, orgs., NDI;
- Os pilares de Melkart, Ana Lucia Merege, Draco;
- Outros Brasis da ficção a vapor, Davenir Viganon, Caligo.
Melhor conto:
- Fica com Mi-go esta noite, Carlos Relva, do autor;
- Jogo do destino, Ana Lucia Merege, Draco;
- O renascer dos deuses, Oghan N'thanda, do autor;
- "Planeta Quilombo", G .G. Diniz, Mafagafo 5;
- Sankofa, Juliane Vicente, da autora.
Este ano, entre 25 de outubro e 15 de novembro, o Argos passará por uma fase final pública, aberta a todos os que se interessarem em participar, sendo que a cédula de votação está disponível online aqui. 
Parecia, a princípio, uma boa estratégia para dar mais representatividade ao resultado, mas o que se percebeu nos primeiros dias deste "segundo turno" foi a mobilização em lobby de autores e editores de forma a levar determinados títulos à premiação. 
Ainda que qualquer dos indicados seja representativo diante da opinião do CLFC, uma vez que todos foram escolhidos pelos seus membros, a fase final do certame pode se tornar apenas uma disputa sem valor para decidir quem tem o lobby mais eficiente. 
Ainda não foi divulgada a data da cerimônia para a entrega do prêmios aos vencedores. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Barbárie Fantástica 1

Está circulando o primeiro número da revista Barbárie Fantástica, editada por Jean Gabriel Álamo,  inteiramente dedicada à aventura de fantasia, também chamada de Espada e Feitiçaria. É uma produção do selo FantasticHub em parceria entre as publicações Revista Literatura Fantástica, Fórum Conan e Explorando Segredos e Mistérios.
A revista tem 373 páginas e traz contos de Robert E. Howard, B. B. Queiroz, Ricardo Quartim, Tony V. Lopes, Oghan N'Thanda, Robilam C. Jr., Romeu Martins, Cesar Alcázar, Daniel Dutra e do editor, quadrinhos de Douglas Freitas, artigos de Fábio Ochoa, Domenico Gay e R. F. Luchetti, além de entrevistas com Michael Moorcock, Rob Delatorre e Mozart Couto. A capa traz uma ilustração de Gio Guimarães.
Barbárie Fantástica é publicada unicamente em formato digital e pode ser adquirida aqui.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Lançamento: Hyperion, Dan Simmons

A editora Aleph finalmente colocou em pré-venda o clássico romance de ficção científica Hyperion, do escritor americano Dan Simmons, publicado em 1989 e galardoado com os prêmos Hugo e Locus. 
A publicação vinha sendo adiada desde seu primeiro anúncio em 2015, mas foi confirmada depois que circulou a informação que o canal SyFy prepara uma série para a tv baseada no romance. E esse é um apelo irresistível para as editoras brasileiras.
Hyperion é o primeiro volume da série Hyperion Cantos, ao qual seguem The Fall of Hyperion (1990), Endymion (1996) e The Rise of Endymion (1997).
Diz o texto de apresentação: "Em um mundo chamado Hyperion habita uma criatura chamada Shrike. Há aqueles que a idolatram. Há aqueles que a temem. E há aqueles que se comprometeram em destruí-la. No Vale dos Túmulos do Tempo, Shrike apenas aguarda por todos eles. Às vésperas do Armageddon, com a galáxia em guerra, sete peregrinos rumam a Hyperion em busca de respostas para os enigmas de suas vidas. Cada qual levando uma esperança e um segredo, mas um deles pode estar carregando o destino da humanidade em suas mãos".
O volume tem 560 páginas, tradução de Leonardo Alves e está em pré-venda aqui até o dia 5 de novembro. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Relatório Quadrinhopédia

Relatório Quadrinhopédia do mercado editorial brasileiro de quadrinhos (2021-2022)
é uma publicação de perfil acadêmico voltada à análise da publicação de quadrinhos no Brasil, com muitas tabelas e gráficos comparativos que buscam revelar uma radiografia do estado do mercado brasileiro de quadrinhos. A pesquisa foi realizada por Lucio Luiz e publicado pela Editora Quadrinhopédia, de Curitiba, que lhe deu o nome. 
Houve seriedade do pesquisador, a metodologia usada é explicitada na introdução e acredito que suas conclusões são confiáveis e relevantes. Contudo, o maior problema desse tipo de levantamento é que ele é feito unicamente a partir dos títulos publicados, o que pode até ser representativo mas não é fiel quanto à situação efetiva do mercado, uma vez que não leva em consideração o que é mais importante: as tiragens e as vendas. Tais dados são mantidos em absoluto segredo pelas editoras e não é possível aos pesquisadores realmente identificarem quem é que manda no negócio. Uma editora com menos títulos pode ter maior cobertura nos pontos de venda caso invista em tiragens mais volumosas, enquanto uma editora de muitos títulos pode na verdade estar tentando compensar as vendas reduzidas por título ofertando maior quantidade dos mesmos. 
Outro campo desprezado pelo lavantamento é o das publicações virtuais. Ainda que a arte dos quadrinhos ainda não tenha encontrado nos ebooks sua melhor solução e continue sendo dependente da mídia impressa, a publicação digital é uma realidade que já predomina no mercado livreiro em geral. Mais cedo ou mais tarde, os quadrinhos terão de considerar o virtual sob o risco de desaparecer completamente, como já aconteceu com as tiras, por exemplo. Aliás, o próprio Relatório foi publicado em ebook, sinal que se trata de um ambiente editorialmente relevante. 
A publicação tem doze páginas, é gratuita e pode ser baixada aqui.