segunda-feira, 31 de julho de 2023

Lançamento: Os que sobem à noite

Há pouco dias, a Editora Avec, de Porto Alegre, colocou em pré-venda Os que sobem à noite, romance de horror com 208 páginas de autoria de Thuder Dellú, que é autor de Tumular: A sete palmos do inferno, publicado em 2021 também pela Avec. 
Diz o texto de apresentação: "Uma morte inexplicável ocorre no topo da Pedra do Baú, um gigantesco monumento natural situado na Serra da Mantiqueira, interior de São Paulo. O evento sem precedentes assombra a bucólica cidade de São Bento do Sapucaí, colocando em jogo sua história, suas tradições e, principalmente, a vida dos seus moradores. A partir daí, três jovens, dois idosos, dois religiosos e um garoto começam a seguir seus instintos e medos mais íntimos, na tentativa de destrinchar um mistério que mostra desenhos, detalhes e características muito mais complexas do que os belos tapetes do dia de 'Corpus Christi' que enfeitam as ruas da cidade nos meses frios de junho."
Para mais informações sobre os livros citados, basta clicar nos títulos, que levam às respectivas páginas no saite da Avec.

domingo, 30 de julho de 2023

Lançamento: Mestre dos djinns

A editora Companhia das Letras, através do selo Suma, colocou em pré-venda Mestre dos djinns (A master of djinn), romance de fantasia steampunk do escritor novaiorquino P. Djèlí Clark, obra ganhadora dos Nebula e Locus, entre outros prêmios. 
Diz o texto de divulgação: "Cairo, 1912. Fatma el-Sha’arawi é a mais jovem mulher a trabalhar para o Ministério de Alquimia, Encantamentos e Entidades Sobrenaturais. Mas ela certamente não é nenhuma novata, ainda mais depois de ter impedido a destruição do universo no último verão. Após um assassinato envolvendo os membros da Sociedade Hermética de Al-Jahiz, irmandade secreta dedicada ao homem mais famoso da história, a agente é convocada para investigar o caso. Quarenta anos antes, al-Jahiz abriu o véu que isolava o mundo mágico ― trazendo os djinns, ou gênios, para a realidade humana ― e desapareceu sem deixar vestígios. Agora, o assassino alega ser o próprio al-Jahiz, que voltou para punir a sociedade moderna por suas injustiças sociais. Na companhia de Hadia, sua nova assistente, e de Siti, sua namorada e devota dos antigos deuses egípcios, Fatma precisará desvendar a identidade do impostor ― se é que ele é mesmo um impostor ― para reestabelecer a paz."
Com tradução de Solaine Chioro, o romance tem 352 páginas e tem lançamento previsto para 22 de agosto de 2023.

sábado, 29 de julho de 2023

Lançamento: Ânima

A editora Avec, de Porto Alegre, acaba de colocar em pré-venda o romance Ânima: Ameaça virtual, suspense de ficção científica de 192 páginas, de autoria de Carol Vidal, Ricardo Santos e Mariana Madelinn, que se passa num futuro próximo na diade de Salvador. Diz o texto de apresentação: "Ânima é um metaverso 100% brasileiro que se tornou um fenômeno global. Mas uma série de estranhos acontecimentos extrapola o mundo on-line, gerando perigos mortais em nossa realidade. Para piorar, Kelly Hashimoto, a co-criadora do Ânima, desaparece misteriosamente. Muitos acreditam que ela é a chave para pôr fim ao caos. Dá-se início a uma busca por seu paradeiro, dentro e fora do Ânima. Vagner, um agente secreto do governo, Lia, uma ex-operadora de telemarketing desempregada, e Niara, a namorada de Kelly, se veem no meio de uma trama cheia de segredos sombrios e identidades falsas."
Para mais informações, basta clicar no link do título que leva à página respectiva no saite da Avec.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Resenha do Almanaque: Coisas frágeis, Neil Gaiman

Coisas frágeis
(Fragile things), Neil Gaiman. 208 páginas. Tradução se Micheli de Aguiar Vartuni. São Paulo: Conrad, 2008.

Na edição de 2008 da Festa Literária Internacional de Parati, a participação do escritor e roteirista britânico Neil Gaiman surpreendeu a todos, centralizando o assédio da imprensa e dos fãs, que formavam filas imensas para conseguir um autógrafo do escritor. Gaiman chegou a ficar mais de cinco horas numa seção de autógrafos.
Houve alguma ciumeira quanto a isso, afinal a maior parte dos fãs de Gaiman eram então leitores de histórias em quadrinhos, um tipo de literatura não muito bem visto nos meios mais eruditos e até bem pouco tempo, os roteiristas de quadrinhos e os escritores de livros viviam em universos bem diferentes. Gardner Fox, que durante anos escreveu roteiros para a editora de quadrinhos DC, publicou muitos romances de gênero, e um e outro escritores ficaram mais conhecidos pelas adaptações de seus livros à nona arte, como os americanos Robert E. Howard (de Conan, o bárbaro) e Edgar Rice Burrougs (de Tarzan dos macacos).
Essa história começou a mudar depois que o roteirista inglês Alan Moore estreou nos EUA escrevendo para a revista O monstro do pântano. O grande sucesso de Moore motivou a editora DC a contratar seu colega Neil Gaiman, escritor nascido em 1960 em Portchester, Inglaterra, para reformular a personagem Orquídea Negra, que resultou numa minissérie ilustrada por seu parceiro de projetos anteriores, o também inglês Dave McKean.
Em seguida, Gaiman recebeu da DC a missão de reformular Sandman, super-herói de pouca profundidade e quase nenhum apelo. Ao longo da série, publicada entre 1988 e 1996, Gaiman elaborou uma narrativa cheia de drama e mistério com doses maciças de referências literárias, e tornou a revista no maior sucesso dos quadrinhos em todo o mundo. As histórias tinham um tom fantástico e melancólico que agradava leitores de todas as idades e sexos – tanto que Sandman é ainda hoje uma das histórias em quadrinhos mais lidas entre as mulheres. Em 1991, Gaiman ganhou o prêmio literário Fantasy World com o roteiro de Sandman “Sonhos de uma noite de verão”.
A primeira experiência literária de Gaiman foi o romance Belas maldições (Good omens), escrito em parceria com Terry Pratchett (1948-2015) e publicado em 1990, uma sátira às histórias de horror escatológico. Em 1999, publicou a minissérie em quadrinhos Livros de Magia, que muitos acreditam ser precussor de Harry Potter, da também britânica J. K. Rowling.
Gaiman escrevia roteiros cada vez mais literários para o mercado de quadrinhos, ficando na periferia da literatura, como Stardust, ilustrado por Charles Vess, e Sandman: Os caçadores de sonhos, ilustrado por Yoshitaka Amano. Em 1996, novelizou a série de TV britânica Lugar nenhum (Neverwhere).
Em 2002, Gaiman finalmente entrou pela porta da frente do mercado literário com o romance Deuses americanos (American gods), agraciado com os prêmios Hugo e Nebula. No ano seguinte repetiu a dose com a novela infantil Coraline.  Em 2005 publicou o romance Os filhos de Anansi (Anansi boys) e, no ano seguinte, a antologia Fumaça e espelhos (Smoke and mirrors). Enfim, em 2008, foi publicada no Brasil a coletânea Coisas frágeis (Fragile things), que é objeto desta resenha. 
Publicada em 2006 na Inglaterra e premiada com o Locus 2007, Coisas frágeis contava originalmente com trinta e dois textos, entre contos, noveletas e poemas, entre eles um miniconto na apresentação. Gaiman declarou não ter gostado do tratamento que a editora Conrad deu a coletânea, pois a edição brasileira traduziu apenas nove textos, ignorando o restante não se sabe por quais motivos. Entre os textos cortados, havia dois contos também premiados com o Locus: "Forbidden brides of the faceless slaves in the secret house of the night of dread desire" (2005) e "Closing time" (2004). Por aí já imaginamos o que perdemos os leitores brasileiros.*
Mas antes pouco do que nada. Os nove contos publicados nessa edição têm todos excelente qualidade e muitos dialogam com outros trabalhos de Gaiman e com obras de outros autores. A começar pela noveleta "Um estudo em esmeralda" ("A study in emerald") escrita sob encomenda para uma antologia temática. Trata-se de uma ficção alternativa envolvendo Sherlock Holmes - a famosa personagem de Sir Arthur Conan Doyle - e a cosmologia mística de H. P. Lovecraft. O detetive e seu assistente-narrador são chamados pela polícia de Londres para investigar o assassinato de um membro da realeza européia que visitava a cidade. A rainha estava especialmente interessada na solução desse caso politicamente constrangedor. As investigações levam a dupla a um teatro, onde encontram entre os atores os suspeitos do crime, ativistas políticos que combatem a monarquia britânica e mundial, uma vez que a Terra dessa realidade não pertence mais aos homens. Trata-se de uma raras histórias inteligentes de final surpresa, em que tudo o que se viu revela não ser de fato o que se pensava. A moldura lovecraftiana dá um ar moderno à peça, que pode ser perfeitamente alinhada a onda steampunk. O trabalho ganhou merecidamente o prêmio Hugo para melhor noveleta em 2004.
"A vez de Outubro" ("October in the chair") foi escrito para a antologia Conjunctions, de Peter Straub, e recebeu o prêmio Locus de melhor conto em 2003. Os meses do ano encontram-se anualmente numa floresta para contarem suas experiências. Há alguma confusão, já que os meses não se entendem muito bem quanto a ordem de apresentação. Alguns são expansivos e falastrões, outros introspectivos e melancólicos, e cada um vai contando a sua história. Outubro conta sobre um menino que, oprimido pela presença superior de seu irmão gêmeo, decide fugir de casa. Alguns quilômetros de caminhada e logo depois do pôr-do-sol, ele encontra um vilarejo arruinado e ali conhece o fantasma de um outro garoto. Ambos passam a noite se divertindo entre as ruínas e, quando chega o dia e a hora de dizer adeus, o jovem terá de tomar a mais importante decisão da sua vida. Um conto suave e de aparência singela, mas extremamente assustador, como caberia à Ray Bradbury a quem Gaiman dedicou o conto.
"Lembranças e tesouros" ("Keepsakes and treasures")  foi escrita originalmente para uma antologia de histórias em quadrinhos e é a história mais barra-pesada do livro. Quem conta a história é Smith, leão de chácara de um figurão do submundo londrino chamado Sr. Alice, que está negociando a compra do lendário Tesouro dos Shahinai por um valor astronômico em diamantes e não quer que nada dê errado, pois os vendedores são gente perigosa e desconfiada. A compra sigilosa é realizada num prédio antigo e labiríntico em que paira um clima de irrealidade. O tesouro é o homem mais lindo do mundo, um jovem perfeito criado especialmente para esse fim, o qual o Sr. Alice pretende usar como seu preciso objeto sexual.
"Os fatos no caso da partida da senhorita Finch" ("The facts in the case of the departure of Miss Finch") é mais divertido, embora tenha uma boa carga de horror. Escrito sob inspiração de um desenho de Frank Frazetta – a famosa ilustração em que uma jovem belíssima caminha entre dois tigres dentes-de-sabre  – o conto é narrado por um homem que foi convidado a acompanhar um casal de amigos a uma peça de teatro circense experimental, cuja única seção será apresentada nos subterrâneos de Londres. Ele deve acompanhar a esquisita senhorita Finch, uma intelectual retraída, especialista em biogeologia, na presença da qual ninguém fica muito a vontade. O espetáculo desloca-se por vários salões decrépitos e mal iluminados, com a apresentação de números estranhos e perigosos, nem sempre bem sucedidos. O público acredita que tratam-se de truques e segue se divertindo na medida do possível. Já no fim do espetáculo, a senhorita Finch é convidada para participar de um dos números que propõe realizar seu maior sonho, porém o maior sonho da biogeóloga está extinto há alguns milhares de anos.
"O problema de Susan" ("The problem of Susan") tem um fundo metalingüístico elegante e bem armado, pois toda a história se desenrola durante uma entrevista que uma jornalista faz com uma velha senhora especialista em livros infantis. Por outro lado, trata-se também de uma ficção alternativa, uma vez que Gaiman toma emprestado aqui a personagem Susan de As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis. Enquanto a conversa segue, a envelhecida Susan retoma de alguma maneira sua aventura no guarda-roupa e reencontra a feiticeira e o leão. Mas eles agora estão ali para selar o seu destino, depois que ela cresceu e continuou.
"Golias" ("Goliath") foi escrito sob encomenda para o site do filme Matrix, antes que ele estreasse. Gaiman diz que leu o roteiro do filme e então escreveu esta história, em que um homem tem sua vida de fracasso reconstruída pela Matrix, uma vida que agora ele goza plenamente e na qual realiza todos os seus sonhos, mas cujo objetivo é que ele se sacrifique pelo planeta quando chegar a hora. E ela chegou.
"Como conversar com garotas em festas" (How to talk to girls at parties) foi publicado primeiro nesta antologia e indicado ao prêmio Hugo 2007 de melhor conto. Narra a aventura de dois adolescentes – um tímido e outro despachado – que vão a uma festa que eles não sabem exatamente onde acontece. No caminho, o jovem despachado instrui o seu colega tímido em como se aproximar das garotas. Quando estão na região da festa, escutam o sons de música e imediatamente concluem ser ali o lugar que procuram. Logo estão paquerando as garotas, o despachado avançando o sinal enquanto o tímido faz tentativas com várias meninas. Mas a paquera dos garotos vai ficando cada vez mais estranha porque aquela não era exatamente a festa que eles estavam procurando.
"Pássaro-do-Sol" ("Sunbird") ganhou o prêmio Locus 2006 de melhor conto. Gaiman confessa que tentou emular o estilo do escritor americano R. A Lafferty, pouco publicado em língua portuguesa. Esta divertida história trata de um grupo de gourmets que formam uma sociedade secreta dedicada a devorar toda a espécie de comida. Depois de muito anos de experiências bizarras, parece tudo já foi deglutido e não há mais nenhum prato novo no cardápio. Então um deles, justamente o mais pobre – na verdade, um mendigo – propõe que eles comam o lendário pássaro do sol da Cidade de Sol, no Cairo. Por absurda que soasse a sugestão, ela acaba aceita pelo grupo, que monta uma custosa expedição ao Egito em busca da iguaria, que o mendigo conhece muito bem por motivos que serão explicados na altura devida.
Em "O monarca do vale" ("The monarch of the glen"), Gaiman retoma Shadow, o personagem de seu romance Deuses americanos, ao lado de Smith e o Sr. Alice, vistos em "Lembranças e tesouros", para recontar a luta de Beowulf e Greendel no seu cenário original, as regiões remotas da Escócia. Shadow está vagando pela região e seu tamanho e habilidade são notados por um aldeão, que o convida para trabalhar de segurança numa festa de ricaços que vai acontecer num castelo ali por perto. Ele é alertado por uma funcionária do hotel para que não aceite o serviço, que é muito mais perigoso do que parece, mas Shadow está sem dinheiro e acaba aceitando. Quando chega o dia do evento e Shadow comparece para o serviço, é aceito com muita cortesia e instruído nas normas de conduta de uma festa dessa natureza. Mas suas funções ali vão muito além de simplesmente proteger os ricaços da antipatia dos aldeões. Trata-se do trabalho mais longo da coletânea.
Em todas as peças Gaiman demostra habilidade plena nas ferramentas narrativas e nos protocolos dos gêneros. Os contos dialogam com peças importantes da fantasia mundial, dando-lhes um especial toque contemporâneo.
O carisma de Neil Gaiman emana das reais e palpáveis qualidade e sinceridade de seu trabalho. Mas é impossível não comparar a ficção de Gaiman com a de Ray Bradbury – pra quem o autor dedicou o volume, juntamente com Harlan Ellison e Robert Sheckley – com a significativa diferença que Bradbury trata do meio-oeste americano e Gaiman fixa-se nos cenários britânicos que são o seu berço.
Gaiman caminha a passos largos para se tornar o grande nome da literatura de fantasia nos próximos anos, mesmo sem contar com uma heptalogia adaptada para o cinema, embora já tenha algumas de suas histórias filmadas, como o romance infantil Coraline (2009) e a hq Stardust (2007), o roteiro para a animação Beowulf, dirigida por Robert Zemeckis, enquanto Deuses americanos, Belas maldições e, recentemente, Sandman, tornaram-se séries de televisão. 

* Em 2010, a editora Conrad publicou os textos cortados em um segundo volume, Coisas frágeis II.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Limit e Vitamin

Ensaio crítico dos mangás Limit (2010) e Vitamin (2001), ambos de Keiko Suenobu, Miguel Carqueija escreveu as resenhas dos seis volumes de Limit e do volume único de Vitamin, enquanto Aparecida Ramos colabora com o ensaio "Bullying". 
O tema se justifica porque é o foco de ambas as obras, publicadas no Brasil em 2015. Diz o texto de divulgação: "estes mangás de Keiko Suenobu abordam de maneira corajosa a triste questão das perseguições escolares, o sinistro 'bullying'. Em Limit, cinco meninas adolescentes (Konno, Morishige, Usui, Kamiya e Haru) se veem perdidas num imenso boqueirão lutando pela sobrevivência, e os conflitos entre elas vão surgindo em consequência de uma situação anterior na escola. Em Vitamin a situação se concentra em Sawako, garota que tinha suas amizades no colégio mas todas se voltam contra ela ao ser flagrada em situação constrangedora".
O volume pode ser baixado gratuitamente aqui, em formato texto.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Os mistérios do Mundo Negro

"Alice Chantecler, a vidente dos cabelos cor de fogo, é chamada pelo administrador do satélite misterioso conhecido como o Mundo Negro, ou seja, Buckley Elizondo, e sua esposa Carmen, para tratar de novo problema relacionado com o Necronomicon. Carmen, aparentemente, mexeu com forças que não deveria ter perturbado. E agora uma terrível ameaça sobrenatural encontra-se à solta no Mundo Negro. Diante do inimigo que se apresenta, serão suficientes as habilidades de Alice?"
O escritor carioca Miguel Carqueija, que foi um dos mais freqüentes colaboradores do Hiperespaço enquanto fanzine, publicou pelo selo Hiperespaço uma série de novelas em formato de livros de bolso, sendo uma delas Os mistérios do Mundo Negro, escrita com a colaboração de Gabriel Coelho. A ilustração deste post foi justamente a capa dessa edição. 
Trata-se de uma aventura de ficção científica mística e muito bem humorada, com toques lovecraftianos, no mesmo universo de As luzes de Alice, outra das novelas publicadas pelo Hiperespaço, mas que pode ser lida independentemente sem qualquer prejuízo.
A novela está agora disponível gratuitamente para download aqui.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Lançamento: Mulheres que os homens não veem

O trabalho de James Tiptree Jr. (1915-1987) sempre foi elogiado no fandom brasileiro, apesar de não haver muito o que se ler de sua autoria em português. Excetuando-se os contos "A Terra age tal como uma serpente renascida", publicado na Isaac Asimov Magazine 10 (Record, 1991) e "Os falsáurios", presente na antologia Dinossauros (Aleph, 1993), talvez só houvessem textos publicados em Portugal, mesmo assim não muitos. Mas o que chamava a atenção dos fãs era o fato de James Tiptree Jr. ser o pseudônimo masculino da escritora Alice Bradley Sheldon, que o usava muito provavelmente para ampliar suas chances num meio editorial sabidamente dominado por homens. Essa atitude de Tiptree/Sheldon influenciou autoras brasileiras de ficção científica a adotar, pelos mesmos motivos, um expediente similar por aqui, se não com um pseudônimo, pelo menos com uma assinatura ambígua como A. B. Maciel e M. R. Olivieri, por exemplo.
Tiptree/Sheldon foi reconhecida pelos fãs com diversos prêmios Hugo e Nebula. Contudo, o fim trágico de sua vida, num pacto suicida com o marido, causo tanta polêmica no ambiente reacionário que dominou o fandom internacional nos últimos anos, que o prêmio que levava o seu nome acabou mudado em 2019 para Otherwise Award.
O lançamento de Mulheres que os homens não veem, pela editora Imã, vem corrigir essa ausência sentida, com uma coletânea com três novelas de ficção científica da autora. Diz o texto de divulgação: "Alice Bradley Sheldon ― a escritora por trás do renomado e misterioso 'James Tiptree Jr.' ― inova com abordagem feminista no gênero, em tramas ousadas e instigantes. Neste livro, uma garota transforma-se num anúncio publicitário vivo; mulheres preferem invasores alienígenas a continuar no mundo dos homens e uma epidemia religiosa provoca femicídios em massa."
O livro, que tem 212 páginas e tradução de Braulio Tavares, está em pré-venda no saite da editora, aqui. Os envios estão prometidos para a partir do dia 5 de agosto.