sexta-feira, 30 de junho de 2023

Juvenatrix 248

Está disponível a edição de julho do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. Em dez páginas, traz conto de Caio Alexandre Bezarias e resenhas aos filmes O rei dos zumbis (1941), O cérebro do planeta Arous (1957), The beach girls and the monster (1965) e O terror do Himalaia (1954), todas de autoria do editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de publicações alternativas e bandas de metal extremo.
A capa reproduz imagens do filme O cérebro do planeta Arous.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Lançamento: A vingança de Capitu

Ficção alternativa é um subgênero literário na qual a história toma uma outra, já conhecida, e traça rumos diversos aos seus personagens. O tempo da narrativa pode ser anterior, posterior ou simultâneo, investigando ou desdobrando aspectos não tratados na obra original. 
Não confundir com o mashup, que reproduz trechos da obra original misturados a inserções que alteram radicalmente o seu conteúdo. Apesar de ser uma releitura, a ficção alternativa não não reproduz trechos da obra original.
A vingança de Capitu é uma ficção alternativa de autoria do escritor carioca Miguel Carqueija, que retoma o clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis. Diz o texto de apersentação: "Revoltada com a persistente calúnia de seu marido Bento Santiago, que culminou com a publicação de um memorial infamante, Capitu escreve a sua resposta, a sua defesa, a sua versão dos acontecimentos, apenas lamentando que Bentinho já não esteja vivo para que ela possa confrontá-lo pessoalmente." 
O volume, que conta com prefácio da Professora Ana Paula Gomes, está disponível aqui em formato de texto para leitura gratuita.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Lançamento: A corneta

Ainda que o mercado editorial brasileiro esteja passando por uma crise profunda que talvez leve o livro a uma situação de insustentabilidade como produto, os estertores desse ambiente em esgotamento têm trazido uma série de títulos que em outras épocas dificilmente chegariam à lingua brasileira. 
É o caso de A corneta (The hearing trumpet), romance de fantasia da escritora e dramaturga mexico-britânica Leonora Carrington, originalmente publicado em 1974, considerado um clássico do gênero, com uma influência que se expande para fora do ambiente literário. 
Diz o texto de divulgação: "Aos noventa e dois anos e com a audição prejudicada, Marian Leatherby ganha uma corneta auditiva de sua melhor amiga. Com auxílio do aparelho, Marian descobre que seu filho, nora e neto têm planos soturnos: não suportando mais conviver sob o mesmo teto que ela, a família se articula para mandá-la a um asilo. Mas o lugar em questão não é uma instituição comum ― os edifícios residenciais têm formato de bolo de aniversário, de cogumelos e de iglus. Lá, Marian embarca em uma jornada imprevisível, em que descobre fenômenos como a Freira Piscando, a Rainha Abelha, a entrada para um submundo e um assassinato misterioso."
O livro tem 216 páginas, ilustrações de Pablo Weisz Carrington, tradução de Fabiane Secches, e é uma publicação do selo Alfaguara da Companhia das Letras.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Lançamento: Cultura pop e Filosofia

Muitos se perguntam, inclusive os filósofos, para que serve a filosofia, sem encontar uma resposta satisfatória. Contudo, continuamos a filosofar sobre  tudo, inclusive a cultura pop, que não é a mesma coisa que cultura popular, embora tanto uma quanto outra sejam campos férteis para o exercício da filosofia. Infelizmente, a maior parte dos livros publicados sobre a filosofia da cultura pop são traduções de títulos estrangeiros, notadamente anglo-americanos, com pouco espaço para o exercício filosófico brasileiro. Mas, perguntariam, existe filosofia no Brasil? Sim, existe, e de boa qualidade. Mas o pouco que é publicado circula, quase sempre, apenas no ambiente acadêmico. Por isso é importante registrar e divulgar a publicação de Cultura pop e Filosofia, Volume 2: Quadrinhos, cinema, seriados animações, internet e afins, antologia com dezesseis artigos organizada pelo professor Heraldo Aparecido Silva, publicada em 2023 em edição digital pela editora Marca de Fantasia como número 59 do selo Veredas.
Diz o texto de apresentação: "O livro está organizado em três partes interdependentes, com eixos temáticos distintos. A primeira parte concentra os textos sobre histórias em quadrinhos em suas diversas modalidades e gêneros. A segunda parte encerra os textos que versam sobre algumas das principais variantes cinematográficas. A terceira parte contempla um espaço temático mais amplo, advindo do universo dos videogames, internet, animações, músicas e afins." 
A antologia é fruto das atividades de pesquisa do Núcleo de Estudos em Filosofia da Educação e Pragmatismo (NEFEP), vinculado à Universidade Federal do Piauí (UFPI). Tem 222 páginas com textos assinados por Izabel Maria Gomes da Paz, Francisco Raimundo Chaves de Sousa, Robson Carlos da Silva, Maria Alcidene Cardoso de Macedo Passos, Fernanda Antônia Barbosa da Mota, Adna Lusane Nunes Ferreira, Izildete de Sousa Torres, Marcus Gabriel Coutinho Silva, Bruno Araújo Alencar, Lara Brenda Lima de Oliveira, Fábio Júnior Alves da Silva, Ramiro de Castro Cavalcanti, Jéssica Ágne Campêlo Nunes e Shéyron da Silva Rodrigues Magalhães, sempre em parceria com o organizador. 
Este volume 2 está disponível para download gratuito no saite da editora, aqui. O volume 1, publicado em 2021, também está disponível, aqui.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

HQ Memories 11

HQ Memories
é um fanzine de e sobre quadrinhos editado pelo cartunista Luigi Rocco sob a chancela do selo Inumanos Agrupados, dedicado a resgatar trabalhos e autores esquecidos dos quadrinhos brasileiros e estrangeiros.
Esta edição, lançada em junho de 2023, apresenta em 36 páginas os quadrinhos "O Anjo e os Guerreiros Estelares", de Arthur Gracia e João Pacheco, "Capitão Átomo", de Joe Gill e Steve Ditko, "The Mad Monks", as tiras americanas dos Fradinhos de Henfil, "Blitz 66”, de Sérgio Macedo, "Tico e o tesouro do corsário", de Júlio Shimamoto, e "Margarida", tiras de Walt Disney publicadas e, 1987 na revista Cláudia. 
Detalhes de cada trabalho apresentado podem ser conferidos no blogue da publicação, aqui.
HQ Memories pode ser encomendado diretamente com o autor, pelo email luigirocco29@gmail.com.

sábado, 24 de junho de 2023

Lançamento: Guia de literatura fantástica

O escritor e agitador cultural Duda Falcão, que já conta com uma obra representativa no campo de ficção fantástica brasileira, está com um novo projeto em pré-venda. Desta vez não é ficção, mas algo ainda mais valioso para todos os que amam a ficção fantástica. Trata-se do Guia de literatura fantástica, um compêndio de artigos e ensaios sobre a arte da ficção fantástica, dirigida especialmente a professores que desejam trabalhar com o gênero em sala de aula, mas também pode ser útil para escritores, editores e pesquisadores, devido ao seu conteúdo amplo e variado.
Diz o texto de apresentação: "O Guia de literatura fantástica é uma obra fundamental para quem lê, escreve ou quer escrever literatura fantástica. Abrange discussões sobre produções literárias na área do fantástico, do horror, da fantasia e da ficção científica. Examina cruzamentos com a literatura policial e de mistério, os estágios da jornada do herói e da heroína, arquétipos para personagens, construção de mundos e cenários, categorização e utilização de monstros em narrativas ficcionais. Além de apresentar cânones em cada uma das áreas mencionadas, o Guia oferece sugestões de exercícios para a prática da escrita."
O livro está em pré-venda aqui e oferece diversos pacotes com descontos e brindes exclusivos, válidos até 15 de julho de 2023. O Guia de literatura fantástica é uma publicação da Editora Metamorfose. 

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Resenha do Almanaque: Areia nos dentes, Antônio Xerxenesky

Areia nos dentes, Antônio Xerxenesky. 144 páginas. Porto Alegre: Não Editora, 2008.

Não é comum que um autor brasileiro se arrisque a escrever faroeste, e é ainda mais raro que o misture com horror pois a chance de sair algo muito errado é grande. Ainda mais arriscado por ser o primeiro romance de Antônio Xerxenesky, escritor portoalegrense que estreou  com a coletânea de contos Entre (Editora Movimento, 2006). Mas o potencial para a ficção fantástica era promissora: o autor já havia participado da antologia Ficção de polpa volume 1 (Editora Fósforo, 2007) com o bom conto “O desvio”, no qual um casal viaja num automóvel em alta velocidade assustando-se mutuamente.
Areia nos dentes conta a história de duas famílias rivais – os Ramírez e os Marlowes – que se enfrentam cotidianamente no pequeno vilarejo de Mavrak, (corruptela de Maverick) perdido no deserto norte-americano. Os motivos da rixa perderam-se no tempo, mas os sobreviventes continuam a se odiar com todas as forças. O jovem Martín, por ordem de Miguel Ramírez, seu pai, invade sorrateiramente a residência dos Marlowes na intenção de descobrir o que seus desafetos estão fazendo em segredo no porão, mas um tiro perdido o assusta e ele foge sem descobrir nada. No dia seguinte, Martín é encontrado morto e ninguém sabe quem foi o assassino, embora as suspeitas do velho Miguel recaiam, obviamente, nos odiados Marlowes. Ele então incumbe Juan, seu filho mais novo, a vingar o irmão assassinado mas, antes que isso aconteça, um delegado chega a Mavrak para apurar os fatos, aplicar a lei e impedir um banho de sangue naquele lugar esquecido.
Juan Ramírez estudou na cidade grande e não é exatamente um pistoleiro, e a pressão de seu pai parece não ser suficiente para convencê-lo a agir. O que vai motivá-lo é a desconfiança em relação a preferência que sua namorada secreta, a linda Vienna Marlowe, parece demonstrar por Samuel, um de seus próprios primos. Sem coragem para enfrentar Samuel de arma em punho, ele busca pela ajuda de um velho xamã que usa um poderoso feitiço herdado dos antigos astecas para levantar os mortos dos túmulos. No clímax da história, finalmente veremos o duelo entre os jovens Ramírez e Marlowe e o destino sanguinolento de Mavrak.
Xerxenesky, entretanto, não conta apenas essa história; intercala a narrativa épica – que, em alguns momentos, parece ter sido inspirada nos mais escandalosos westerns spaguetti já filmados – com o esforço do solitário Juan Ramírez que, na cidade do México dos dias de hoje, tenta registrar um memorial de sua família, especialmente do antepassado de quem herdou o nome. A princípio datilografando numa velha máquina de escrever, depois num computador que não quer funcionar direito, o Juan Ramírez moderno constrói uma história que é muito mais invenção do que realidade.
Articulando o trabalho de memorialista improvisado com a sua narrativa fantástica, o romance ganha aspectos metalinguísticos interessantes, com o que colaboram alguns experimentos concretistas que ilustram a diagramação do volume. A narrativa é ágil e divertida, ainda que nada confiável: o faroeste de Xerxenesky/Ramírez soa tão falso quanto as fachadas cenográficas dos filmes que o inspiram.
Como ficção, o trabalho de Xerxenesky não tem muita profundidade. A história é pueril, de um clima falso e afetado. Apesar da recheada de ação, não emociona e não transmite nem o maravilhamento que se espera de um épico nem o estranhamento que se espera de uma história de horror. Mas, ainda assim, Areia nos dentes é uma jogada de mestre, pois não há como acusar Xerxenesky de pecar nesse aspecto. Afinal, é Juan Ramírez o verdadeiro autor do romance e ele não é um escritor, além de estar sempre bêbado e empenhado em tornar a história de sua família em algo espetacular, mesmo que para isso tenha que mentir um pouquinho.
O maior mérito de Areia nos dentes está no experimentalismo gráfico. Por exemplo, numa certa altura o autor usa uma diagramação de roteiro de teatro, com fontes diferenciadas do corpo do texto, como se fosse um diálogo ensaiado. Noutra, contrapõe duas colunas simultâneas, sendo que na primeira a ação é praticada por Juan Ramírez e na segunda, por Samuel Marlowe. E quando o computador dá defeito, o texto transforma-se em sinais ilegíveis. Apesar de não contribuírem em nada para a construção do clima de ficção – ao contrário, prejudicam-no enormemente – estes experimentos gráficos são muito divertidos.
Dessa forma, Areia nos dentes, ainda que seja um faroeste de horror rasgado com tudo o que tem direito, acaba não sendo nem faroeste nem ficção de horror, mas uma peça de experimentalismo que pouco tem a ver com a literatura fantástica. Mesmo assim, não decepciona e vale a pena ser lido.