sábado, 27 de julho de 2013

Como foi a Fanzinada do Rock

No último 13 de julho, sábado, dia mundial do rock, editores independentes se reuniram na gibiteca da Biblioteca Nair Lacerda, em Santo André, para realizar mais uma edição da Fanzinada, uma ampla grade de atividades que se iniciou às 11hs com uma oficina de gravuras.
Embalada pela trilha sonora de um show musical que rolou ao longo de toda a tarde no estacionamento da Prefeitura, a oficina coordenada pelo arte-educador Cerito fez uso de matrizes de isopor para ensinar um público formado por crianças, jovens e adultos, a produzir impressões de desenhos com essa técnica barata, acessível e útil aos editores independentes, franqueando aos presentes o uso irrestrito da improvisada mesa de impressão, que foi bastante utilizada.
A atividade avançou até às 13hs, dividindo o espaço com o representante do grupo Chroma que promoveu um bate-bapo com os presentes sobre a produção e publicação alternativa de quadrinhos.
Às 15 horas, foi exibido o documentário Fanzineiros do século passado II, de Márcio Sno, focando a atividade dos fanzines brasileiros de rock e música em geral. O filme pode ser assistido online, aqui.
Após a exibição, Cerito, agora na identidade secreta do fanzineiro Cesar Silva, falou sobre os trinta anos do fanzine Hiperespaço, distribuindo aos presentes exemplares fac-símiles do primeiro número originalmente publicado em 1983, contextualizando assim a exposição montada na Gibiteca, que ficará em exibição até meados de agosto.
Passado um pouco das 17hs, o acadêmico, quadrinhista e fanzineiro Gazy Andraus, vindo diretamente de um evento em São Paulo, trouxe aos presentes suas considerações sobre os quadrinhos e o rock a partir de uma palestra que, devido a ampla participação dos presentes, acabou sendo concluída do lado de fora da Biblioteca, que fechou as portas às 18 horas. Usando um surpreendente aparelho semelhante a um telefone celular, Gazy projetou na parede externa uma rica apresentação com dezenas de exemplos da relação dinâmica entre os quadrinhos e a música, principalmente o rock, com imagens inspiradoras de obras de vários momentos históricos e das mais diversas origens.
Mesmo depois que Gazy encerrou a apresentação, por volta das 19hs, o pessoal ainda demorou a dispersar, pois ninguém queria dar fim ao agradável encontro que, esperamos, volte a se repetir em breve.

Contos do Absurdo 4

Está disponível para leitura online e download gratuito mais uma edição da revista eletrônica de terror Contos do Absurdo, editada por Mario Mancuso, Daniel Vardi e Alexandre Winck pelo selo PubliGibi.
Em 100 páginas eletrizantes, Contos do Absurdo 4 traz contos de JB Alves, Pat Kovacs e Marcelo Martinez, entrevista com a jovem cineasta Fabiana Servilha (diretora de Estrela radiante), e muitas histórias em quadrinhos de um grande grupo de artistas, entre os quais Bira Dantas e Carlos Henry, e personagens icônicos do gênero, como Zé do Caixão e Toninho do Diabo. A capa tem uma ilustração de Wagner Souza.
Obs: Para baixar a revista, aqui, é preciso antes selecionar a visualização em tela cheia, cujo menu dispõe de um ícone para download.

Hit-Girl

A editora Panini entregou às bancas o novela gráfica Hit-Girl, de Mark Millar e John Romita Jr, prelúdio a Kick-Ass 2, que deve vir num futuro próximo.
No primeiro volume de Kick-Ass, o atrapalhado candidato a super-herói passou poucas e boas ao lado da competente dupla de justiceiros mascarados Big Daddy e Hit-Girl. Todo mundo que leu a hq – ou assistiu o filme que adaptou a história para o cinema – concorda que a pequena Hit-Girl roubou a cena com seu carisma enorme e bem merecia ter a história contada.
Enfim, ficamos sabendo que, depois da dramática morte de Big Daddy em Kick-Ass, Hit-Girl teve de abandonar a carreira de vingadora urbana ir morar com a mãe. Mas será mesmo possível a inata justiceira levar uma vida normal?
Hit-Girl tem 132 páginas em cores e o preço de R$21.90.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Antes de Watchmen

Desde o final de maio, os brasileiros têm acesso a uma das mais polêmicas publicações do quadrinho americano recente. Trata-se de Antes de Watchmen, coleção de minisséries inspiradas naquela que é considerada a melhor hq de super heróis já feita, Watchmen, obra encomendada pela editora americana DC aos artistas britânicos Alan Moore (roteiro) e David Gibbons (desenhos).
Originalmente publicada em 1986, Watchmen foi resultado da releitura de alguns personagens da era clássica – entre os quais o Questão e o Besouro Azul – e estabeleceu um novo paradigma para o gênero, com uma narrativa pós-moderna realista e dramática que trata a questão dos vigilantes mascarados com um pouco mais de arte e responsabilidade do que até então era o padrão das editoras americanas.
Watchmen tornou-se, ao longo do tempo, motivo de culto para os fãs, entre eles o próprio Alan Moore, que rejeitam por definição toda e qualquer derivação da obra. A versão cinematográfica da história, filmada por Zack Snyder e lançada em 2009, mesmo sendo extremamente respeitosa, foi recebida com frieza pelos fãs, que reagiram com antipatia às notícias de que a DC preparava Antes de Watchmen. Mas quem pagou para ver não está arrependido, pois Antes de Watchmen é um trabalho de qualidade e muito respeitoso à obra original.
A versão brasileira, da Editora Panini, acertadamente escolheu apresentar as minisséries que compõem a coleção em encadernados com as histórias completas, oferecendo os exemplares com 3 versões diferentes de capa que o leitor pode escolher na hora da compra.
O primeiro volume publicado foi Coruja, reunindo as edições de 1 a 4 de Before Watchmen: Nite Owl. Trata-se do último trabalho em que o saudoso mestre Joe Kubert colocou as mãos, artefinalizando as ilustrações de seu filho Adam para o texto do festejado J. M. Straczynski, famoso pelos roteiros do ótimo seriado de tv Babylon 5. Coruja tem aqui revelado detalhes de sua vida, sua relação com o primeiro Coruja e a parceria com o paranoico e perigoso Rorshach.
O volume 2, Espectral, traz a compilação das edições 1 a 4 de Before Watchmen: Silk Spectre, de Darwyn Cooke e Amanda Conner. Da mesma forma, vemos aqui detalhes da relação entre a jovem Laurie Jupiter e a primeira Espectral, sua mãe Sally, ao longo dos anos 1960.
Ambos os álbuns, que têm 108 páginas em cores e papel brilhante, são complementados com capítulos da história de piratas "A condenação do Corsário Carmesim", de Len Wein e John Higgins, e trazem ainda as imagens de todas as capas originais.
A Panini anuncia em seu saite a publicação dos volumes Comediante, de Brian Azzarello e J. G. Jones, e The Minutemen, de Darwyn Cooke, ambas originalmente publicadas em 6 edições cada. Não há confirmação se todos os volumes da coleção americana serão traduzidos, mas seria bem interessante se fossem: Ozymandias, de Len Wein e Jae Lee; Doutor Manhattan, de J. Michael Straczynski e Adam Hughes; Rorschach, de Brian Azzarello e Lee Bermejo; Moloch, de J. Michael Straczynski e Eduardo Risso; Dollar Bill, de Len Wein e Steve Rude, e, fechando a coleção, Antes de Watchmen: Epílogo, com a participação de diversos artistas. Eu não gostaria de ficar sem ler nenhum deles.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Megalon 27

Está disponível, para download gratuito, o número 27 do fanzine de ficção científica e horror Megalon, editado por Marcello Simão Branco e Renato Rosatti, publicado originalmente no trimestre julho/agosto/setembro de 1993.
A edição traz ficção de Roberto de Sousa Causo, uma história em quadrinhos por Luiz Zatar a Laudo, artigos de Gerson Lodi-Ribeiro e Jorge Luiz Calife, resenhas de livros por Cesar Silva e Orson Scott Card, uma entrevista com o saudoso Dr. Ruby Medeiros, editor do fanzine de fc Notícias do fim do nada, além do valioso noticiário nacional e internacional. A capa traz uma ilustração de Alexandre Ramos Mastrella, que tece comentários sobre a obra num pequeno artigo no interior da edição.
O editorial, assinado por Branco, reveste-se de importante significado histórico, ao descrever o retrato da crise que se instalou no mercado brasileiro de fc com a descontinuidade da revista Isaac Asimov Magazine, e a preocupação com a imobilidade do fandom. Apesar de sabermos que muitas coisas importantes aconteceram nos anos seguintes, através de ações dos fãs nas quais os editores do Megalon contribuíram decisivamente, lembramos que os anos 1990 foram, de fato, marcados pelo recuo progressivo da ficção científica no País, enquanto que os mercados de horror e, principalmente, de fantasia, se fortaleceram enormemente, situação que se mantém até os dias de hoje.
Megalon 27 tem 34 páginas e pode ser baixado aqui. Também está disponível, aqui, um arquivo bônus com interessantes documentos de época.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Todos os livros de fc&f em 2012

Está disponível, para leitura online e download, a edição especial do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2012: Lançamentos, com a lista mais completa quanto foi possível obter, dos livros de fantasia, ficção científica e horror publicados no Brasil ao longo de 2012. A edição exibe uma relação recorde, com mais de 900 títulos, entre inéditos, ebooks e relançamentos nacionais e estrangeiros.
Os números confirmam o bom momento da fc&f nacional, com um predomínio amplo da produção nativa frente às traduções, pelo menos do ponto de vista dos títulos publicados, na proporção aproximada de dois por um. Não há informações sobre as tiragens, mas desconfio que, apesar do domínio dos brasileiros nesses números, ainda circulam no mercado muito mais exemplares de autores estrangeiros mesmo.
Elaborada pelos autores Cesar Silva e Marcello Simão Branco, a lista serviu como guia para a produção do Anuário 2012 – que deve ser publicado em algumas semanas pela Devir Livraria – mas ela não será publicada integralmente na edição real, que apresentará apenas uma restrita lista de títulos recomendados, por isso este ebook se reveste de importância complementar à publicação em papel, sendo de especial interesse aos pesquisadores do gênero.
Para os mais entusiasmados, a lista de 2011 também está disponível para leitura online e download.
Será que seu livro favorito está lá? Confira, é gratuito.