terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Hugos e Nebulas entre nós

Quando eu era mais jovem, lá pelos idos de 1980, eu outros fãs de FC&F sonhávamos que um dia teríamos a mais moderna FC&F traduzida aqui. Que poderíamos ler, sem atraso, os mais importantes trabalhos recentes do gênero.
Até então, o que aparecia por aqui era coisa dos anos 1950 e 1960. As poucas novidades vinham de Portugal, mas eram difíceis de encontrar e comprar.
Havia pouquíssima FC&F nacional para ser lida e praticamente nenhum estudo de análise, exceção feita a um poucos e raros títulos, como o valioso Introdução ao estudo da science-fiction, de André Carneiro que, de qualquer forma, se refere muito mais a literatura estrangeira.

Então, o que referendava a qualidade da FC&F naqueles tempos – e ainda hoje – eram os principais prêmios norte americanos, o Hugo – o "Oscar" da FC&F votado pelos fãs e entregue durante as convenções mundiais – e o Nebula, prêmio da SFWA, que tem perfil mais acadêmico.

O que tirou um pouco do nosso atraso histórico foi, em 1990, a publicação no Brasil da Isaac Asimov Magazine, pela editora Record. Nela pudemos ler muitos dos contos e novelas indicados aos prêmios, bem como alguns ganhadores, e fizemos contato com os autores da mais moderna FC&F que se produzia nos EUA. Mas a IAM durou pouco mais de dois anos e desapareceu para nunca mais voltar. A partir daí, ficamos novamente sem referencial.

Quem lê em inglês ainda pode ter a possibilidade de comprar os livros e revistas originais e ficar mais ou menos atualizado, mas os demais dependem da boa vontade e do gosto das editoras.
Pelo menos neste século tivemos sorte. Alguns dos romances vencedores do Hugo foram aqui publicados no mesmo ano, ou quase, de seu lançamentos nos EUA.

A partir de 2001, quando a editora Rocco publicou Harry Potter e o cálice de fogo, de J. K. Rowling, ganhador do Hugo de melhor romance naquele ano, tivemos uma boa sequência de lançamentos simultâneos.
Em 2002, foi a vez da editora Conrad trazer ao Brasil o ganhador do ano, Deuses americanos, de Neil Gaiman. No anos seguinte, a Rocco traduziu a novela Coraline, também de Gaiman, vendecedora da categoria em 2003.

Voltamos a um romance vencedor em 2005, Jonathan Strange & Mr, Norrel, de Susanna Clarke, publicado pela Companhia das Letras. A mesma editora também publicou em 2009 o surpreendente Associação Judaica de Polícia, de Michael Chabon que, além do Hugo 2008, ganhou o Nebula da SFWA.

Em 2010, a Rocco reassumiu a dianteira publicando O livro do cemitério, de Neil Gaiman, vencedor do Hugo em 2009.
2010 teve dois vencedores empatados no Hugo: The city & the city, de China Miéville e The windup girl, de Paolo Bacigalupi, este também vencedor do Nebula. Até poucos dias não havia notícias da tradução de qualquer um deles, e parecia que os melhores romances de FC&F do ano não iam aparecer por aqui.

Mas a editora Devir Livraria acabou de anunciar que está traduzindo o romance de Bacigalupi para ser lançado em 2011, ainda sem título em português. Uma notícia excelente, que coloca a Devir na linha de frente da vanguarda editorial da FC&F e já garante o título nas resenhas do Anuário 2011. Que beleza!
Mas há muitos outros títulos interessantes a disposição das editoras, também chancelados por esses prêmios. Para uma visão mais completa, veja todos os vencedores do Hugo aqui, e do Nebula, aqui.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Revista CT

Já fazia algum tempo que eu tentava ler a Revista CT, editada por Cristiano Rosa e Emerson Marques para o saite Criando Testrálios, mas sempre dava com a cara na porta. O saite esteve fora do ar por vários meses, mas agora finalmente retornou e todas as doze edições da estão disponíveis para download gratuito.
Vale a pena baixá-las, pois trata-se de uma publicação despretenciosa e muito bem feita, cheia de informações interessantes sobre livros e cinema de FC&F, com artigos, resenhas, entrevistas e valiosíssimas divulgações de títulos difíceis de identificar em outros saites. Recomendo.

Duna em quadrinhos

Há cerca de trinta anos, quando as sagas de ficção científica começaram a bombar no cinema, havia muita expectativa pela adaptação do megarromance de Frank Herbert, Duna, publicado em 1966.
A revista francesa Metal Hurlant divulgara algumas imagens de pré-produção, de uma adaptação que estava sendo elaborada por Moebius e Jodorowsky que, infelizmente, nunca chegou a se efetivar.
Mas o filme viria em 1984, numa luxuosa produção de Dino di Laurentis, dirigida por David Linch; uma versão que não agradou aos fãs do livro e nem ao próprio diretor, que renega o título em seu portfólio, mas que fez a minha cabeça. O estilo de Linch deu um à história um sabor diferente, enigmático e perturbador. Depois de ver o filme, fiquei siderado por semanas e quando finalmente li o romance, minhas impressões ficaram ainda mais intensas.
Li com grande prazer toda a série, publicada no Brasil pela editora Nova Fronteira, e embora tenha lido muito outros livros impressionantes, Duna ainda é o livro que me causou maior impacto estético e emocional.
Por isso, tentei por todos os meios conseguir a adaptação em quadrinhos que a Marvel publicou, com desenhos de Bill Sienkiewicz e roteiro de Ralph Macchio, baseado no filme. Cheguei a ter um exemplar em mãos, mas era de um colega que não o queria vender. Essa é realmente uma peça que faz falta na minha coleção.
Agora posso pelo menos reler a publicação, que foi disponibilizada na internet pelo blogue Grantbridge Street. Aproveite e curta esta raridade, que vale muito a pena. O trabalho de Sienkiewicz ainda guardava o estilo realista, embora já apresentasse os sintomas do delírio gráfico que viria mais tarde. E talvez ficasse ainda melhor.
Mas se preferir ler o romance, que ganhou todos os prêmios da ficção científica, aproveite que a editora Aleph acaba de reeditá-lo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para o infinito e além!

Escarafunchado na internet, encontrei dois belos modelos de papel que vão interessar aos fãs de ficção científica literária.
Um deles é a gigantesca espaçonave esférica Entdecker, inspirada nos romances Perry Rhodan, uma dos mais bem sucedidas séries de ficção científica em todo o mundo. As peças e as instruções de montagem da nave estão disponíveis no saite oficial do seriado alemão, aqui.
Outro modelo muito curioso e elegante é o Stubby Rocket, que nada mais é que o logotipo da Tor Books, disponível no saite da própria editora. O desenho lembra os foguetes imaginados pelos ilustradores dos anos 1930, como os vistos nas histórias em quadrinhos de Buck Rogers e Flash Gordon.
Vale a pena imprimir e montar. São modelos de baixa dificuldade, que até uma criança consegue armar, e o resultado é uma belíssima peça decorativa.

"Bistrô" Moon Shadows

Os valentes que compareceram ao batepapo do Anuário 2009 na Livraria Moon Shadows na cálida tarde do último dia 4 de dezembro não se arrependeram. A casa preparou uma linda e deliciosa mesa redonda para o evento, recheada de pães de queijo irresistíveis, que deram o tom descontraído da conversa.
Lá estiveram, além dos autores do Anuário, Cesar Silva e Marcello Simão Branco, os amigos Alexandre Yudenitsh, Alfredo Kepler - ex-presidente do CLFC - e os escritores Adriano Siqueira, Daniel Borba e Fernanda Matias, que nos apresentou seu romance de estréia Almas gêmeas, que a autora afirma não ser chiquelite, mas sim uma história de fantasia com toques de ficção científica, uma vez que a Fernanda é cientista profissional da área de microbiologia.
O papo rolou solto, e conversamos sobre as origens e a evolução do Anuário, sobre os critérios de avaliação, o processo de elaboração de cada edição, e sobre o atual momento da literatura fantástica no país. Foi um dos eventos mais agradáveis dos quais já participei: as duas horas programadas voaram.
A seguir, alguns instantâneos tomados durante o evento, que mostram o cenário maravilhoso da Moon Shadows, que é uma das lojas especializadas em FC&F mais sortidas de São Paulo.
Muito obrigado pela excelente recepção.




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

B9 tem publicação real


O folhetim de ficção científica B9, de Simone Saueressig, já comentado aqui, ganha este mês uma versão real, em papel, pela editora por demanda Clube de Autores.
Simone conta em seu blogue, que se trata de uma promoção de Natal da editora, que antecipou o o lançamento como uma oferta especial para o mês, disponível apenas entre os dias 1 e 20. Depois, o livro sai de catálogo e volta somente em 2011.
Por isso, quem está ansioso para saber como termina a saga do jovem piloto Douglas Carges e seus amigos na movimentada jornada a bordo da gigantesca, avariada e dacadente espaçonave NCA4468 encalhada na órbita de um buraco negro, é a hora certa para fazer um bom negócio.
O volume tem 312 páginas e está sendo comercializado aqui ao preço de R$ 40,25 mais despesas de frete.
A editora Clube de Autores também dispõe do romance de fantasia O jogo no tabuleiro, da mesma autora. Aproveite seu décimo terceiro e compre os dois, que estão entre os melhores textos de FC&F publicados no Brasil nos últimos anos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Os melhores da FC

Listas de melhores em qualquer campo são sempre um rico material de debates e controvérsias. Mesmo quando se fazem pesquisas de preferência, sempre há alguma contaminação pela popularidade de algum trabalho que está bombando, ou por alguém que goza de um prestígio sazonal.
Então eu achei bem legal a lista que o saite da revista argentina Cuasar publicou, relacionando os 50 maiores clássicos da ficção científica. Isso porque os pesquisadores americanos James Wallace Harris e Anthony Bernardo analisaram um grande número de obras de referência e tabularam a quantidade de vezes que cada trabalho foi citado, um critério que parece bastante mais confiável.
A maior parte dos livros está disponível em língua portuguesa, seja em edições brasileiras, seja em lusitanas, e pode ser encontrada com um pouco de esforço. Mas há na relação um bom número de títulos inéditos que pode servir de indicação para as editoras que pretendem ganhar relevância em seus catálogos dento do gênero.
Minhas preferências pessoais são um pouco diferentes, mas não posso deixar de concordar com o significado inquestionável de todas essas obras para a FC.
Quer saber o que você tem que ler antes de morrer? Não perca mais tempo: confira essa interessante lista aqui.