quarta-feira, 31 de maio de 2023

Prêmio Alambique

A revista acadêmica Zanzalá divulgou em seu saite a chamada do Prêmio Alambique, concurso literário internacional cujo objetivo é homenagear um livro acadêmico de ficção científica e/ou fantástico do mundo hispânico e luso-brasileiro. 
Os livros inscritos serão avaliados por um juri especializado formado por David Dalton (UNCC), M. Elizabeth Ginway (UFL), Pablo Brescia (USF), Miguel Ángel Fernández Delgado e Juan Carlos Toledano Redondo. Para concorrer, os títulos precisam ser encaminhados por seus autores ou editores aos membros do juri, em forma físca ou eletrônica. 
Esta edição do certame vai avaliar o que foi publicado em 2022. 
Mais informações, aqui

terça-feira, 30 de maio de 2023

Resenha do Almanaque: A estrela de Iemanjá, Simone Saueressig

A estrela de Iemanjá, Simone Saueressig. Ilustrações de Maurício Veneza. 168 páginas. São Paulo: Cortez, 2009.

A ficção fantástica produzida no Brasil, com honrosas exceções, não privilegia as características nacionais. Não que isso tenha sido sempre assim. Muitos fantasistas brasileiros não sentiram dificuldade em inserir o imaginário nos cenários brasileiros. Mas, no que se refere a fc&f contemporânea feita nos últimos quarenta anos dentro dos muros do fandom, havia a princípio uma grande dificuldade em enxergar a fantasia e a tecnologia no ambiente cotidiano local. Os autores costumeiramente apelavam para ambientes europeus e norte-americanos, aproveitando também para batizar os personagens com nomes associados a cultura anglo-europeia, pois o contrário lhes soava de tal modo deslocado que impedia que fosse levado a sério, o que o escritor Braulio Tavares veio a batizar como "Síndrome do Capitão Barbosa". Em 1986, o escritor-fã Ivan Carlos Regina (O fruto maduro da civilização, GRD, 1993), propôs nas páginas do fanzine Somnium um manifesto de valorização da brasilidade na ficção científica nacional, que ficou conhecido como Movimento Antropofágico da FCB, em referência ao Manifesto Antropofágico da Semana de 1922. Em torno do texto de Regina reagiram inúmeros autores, a favor e contra, e com os passar dos anos as imagens, nomes e culturas brasileiros emergiram em boa parte dos textos realizados pelos fãs, o que felizmente continua acontecendo hoje.
Contudo, muito disso deve-se a um esforço militante de um determinado setor que busca uma identidade para a ficção fantástica brasileira. A maior parte desses autores avançou sobre temas e conceitos que para si próprios não eram naturais. Não vou dizer aqui que isso não não funcionou, porque funcionou sim. Mas o "brasileirismo" vai muito além de ambientes.
Uma das maiores dificuldades dos autores é com os personagens. É muito difícil definir idiossincrasias pessoais sem cair na caricatura e no estereótipo. Na digna tentativa de evitar essa armadilha, os personagens acabam homogenizados, achatados num espaço de pouca manobrabilidade, que é ainda mais engessada nas mãos de autores menos experientes.
Então, para demarcar bem seus personagens, os autores costumam lançar mão dos arquétipos. Funciona, do ponto de vista dramático, mas os personagens ficam distantes do leitor, tão irreais como os personagens mitológicos.
Ainda há muita dificuldade em modular personagens e, entre os mais evitados, estão os personagens pretros. Isso porque a ampla maioria dos autores brasileiros que se exercita na fc&f são brancos. Não passaram e nunca passarão pelas dificuldades de ser uma pewssoa preta num país que aboliu a escravidão há pouco mais de um século. Talvez haja um certo mal estar entre esta legião de escritores brancos em se colocar no lugar de um preto brasileiro, então melhor nem tentar.
Entretanto, há tentativas bem sucedidas mas, de forma geral, os personagens pretos só o são porque o autor decidiu descrevê-los assim. No mais, eles se comportam exatamente como qualquer outro, não há muita da etnia em sua vida. Uma das desculpas recorrentes entre os autores é querer reafirmar a igualdade entre pretos e brancos, que a cor da pele não faz diferença. Mas faz: interfere de maneira importante na psiquê do indivíduo e na forma como ele é tratado na sociedade. Talvez apenas os próprios autores pretos tenham suficiente sensibilidade para construir personagens pretos palpáveis mas, infelizmente, estes são minoria no fandom. Por isso, não é de se surpreender que tenham sido tão poucas as tentativas de usar o panteão africano como base de histórias especulativas. Talvez haja aqui alguma preocupação com o fato desse imaginário ser base de religiões vivas no país, como a umbanda e o candomblé.
Mesmo assim, a corajosa escritora gaúcha Simone Saueressig, autora de A noite da grande magia branca (Cortez, 2006) e A fortaleza de cristal (L&PM, 2006), ousou investir nesse tema em seu romance A estrela de Iemanjá, publicado pela editora paulista Cortez em uma edição ilustrada por Maurício Veneza, com acabamento luxuoso até então  pouco visto nas letras nacionais.
A história, indicada pela editora para aulas de língua portuguesa, geografia e história, conta como três jovens pescadores pretos, Tomás, Cosme e Daniel, inadvertidamente capturam em sua rede a poderosa estrela do mar de Iemanjá, roubada de sua proprietária por Joelho e Benevides, dois salafrários que para isso usaram um submarino. Durante a fuga, a estrela causou problemas na máquina e, morto de medo, Benevides jogou a estrela por uma escotilha, justamente quando a rede dos meninos flutuava por ali. 
Os poderes da estrela provocam uma tempestade furiosa que arremessa os garotos na praia de Aganjú, uma ilha desconhecida que não devia estar ali. Eles ajudam Ubatá, uma garota que está numa importante missão e, para isso, teve de roubar o amuleto de uma raça de seres ferozes. Para voltar para casa, os meninos terão de acompanhar Ubatá para o interior da ilha, em busca de ajuda. Mas eles não imaginam que Joelho e Benevides estão logo atrás deles, pois querem recuperar a estrela, que eles carregam sem saber do que se trata. A ilha de Aganjú esconde um universo maravilhoso, repleto de magia, perigos e mistérios que os meninos terão de superar caso queiram escapar dessa armadilha mortal, que envolve o próprio fim dos tempos para todo o planeta.
Não é a primeira vez que Simone conta uma história com orixás. Em O palácio de Ifê (L&PM, 1989), a autora enveredou pelo tema, numa aventura que também tem contornos juvenis, mas é algo mais dramática.
Simone não evita temas regionalistas e folclóricos, ao contrário, ela os persegue com rara criatividade e poesia. Talvez tenha sido por isso que a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil selecionou A estrela de Iemanjá para representar o Brasil na Feira do Livro Infantil de Bolonha 2010, junto a outros 210 títulos que foram apresentados a editores, escritores, ilustradores e estudiosos do mercado internacional. Foi a primeira vez que a autora de Novo Hamburgo teve um de seus livros selecionados para a mostra.
A simples presença do trabalho de Simone entre os leitores jovens cria uma boa expectativa para as futuras gerações de escritores, que terão nela uma excelente referência criativa. Ainda que muita gente sofra, por convicção, da Síndrome do Capitão Barbosa, está bastante claro que não há nenhuma dificuldade ou facilidade agregada ao texto apenas pelo fato dele fazer uso de imagens e etnias brasileiras. Não é preciso disfarçar a origem cultural para ser "melhor recebido" pelo mainstream, seja no mercado nacional seja no internacional. Faça-se o que quiser, tanto faz. O que conta a qualidade do trabalho realizado e, sem dúvida, isso não falta a Simone.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Lançamento: Nova

A editora Aleph, bastante conhecida por seu catálogo especializado em grandes clássicos da ficção científica, anunciou o lançamento do romance "space opera" Nova, originalmente publicado em 1968, indicado ao Prêmio Hugo e inédito no Brasil, criação do Grande Mestre Samuel R. Delany, premiadíssimo escritor do gênero que, incrivelmente, tem poucos trabalhos de sua vasta obra publicados no Brasil.*
Diz o texto de divlgação: "No século 32, a humanidade expandiu seus domínios para além de seu planeta natal, estabelecendo-se em múltiplos mundos. É nesse contexto que uma velha rivalidade de infância entre o capitão Lorq Von Ray, filho de uma importante família mineradora, e os herdeiros da empresa que controla a estrutura de transportes interplanetária evolui para uma guerra econômica e pessoal entre dois modelos de sociedade. Para vencer essa disputa, o capitão parte em busca de um valioso combustível diretamente de sua fonte: o núcleo de uma nova, explosão estelar capaz de gerar quantidades inimagináveis desse elemento."
O livro tem tradução de Petê Risatti e está em pré-venda aqui, com brindes especiais. 

*O Catálogo de ficção científica e fantasia em língua portuguesa de R. C. Nascimento, relaciona Prisoneiros das chamas (La Selva, 1964), A cidade dos mil sóis (RGE,1967), Metagaláxia (Bruguera, 1971), As torres de Toron (Bruguera, 1972) e A balada de Beta-2 (Tecnoprint, 1977), todos fora de catálogo. Somente em 2019 conheceríamos Babel 17/Estrela imperial, volume com duas novelas do autor, pela Morro Branco.

sábado, 27 de maio de 2023

Lançamento: A última da festa

Futuros apocalípticos são, desde sempre, um tema popular no âmbito da ficção fantástica, e depois do enorme sucesso da série The walking dead, essas histórias estão ficando frequentes também na televisão. 
Tratam-se de aventuras de pessoas solitárias por ambientes perigosos de uma civilização devastada por algum tipo de catástrofe. Histórias de séries recentes como as de The last of us, originalmente um jogo de computador, e Station Eleven, baseado no romance de Emily St. John Mandel, demonstram que o estilo é propício para reflexões profundas sobre a condição humana e o caráter das pessoas. 
É nessa linha que também se instala A última da festa (Last one at the party), romance de estreia da escritora britânica Bethany Clift, publicado originalmente em 2021, que chega ao Brasil pela Editora Jangada, com tradução de Jacqueline Damásio Valpassos.
Diz o texto de divulgação: "Em dezembro de 2023, o mundo como o conhecemos acabou! A raça humana foi exterminada por um vírus chamado 6DM (até seis dias) que indica o máximo de tempo que a pessoa pode durar antes que seu corpo se autodestrua. Mas, de alguma forma, em Londres, uma mulher ainda vive! Ela passou a vida inteira abrindo mão do que queria, tentando desesperadamente se encaixar na sociedade. Uma mulher totalmente despreparada para enfrentar o futuro sozinha. Agora, num mundo apocalíptico e com apenas um golden retriever como companhia, ela precisa viajar por cidades em chamas, desviando de cadáveres em decomposição e ratos vorazes, em uma jornada para descobrir se de fato é a última sobrevivente na Terra. Quem ela se tornará agora que está completamente sozinha?"
O livro tem 392 páginas e já está a venda no site da editora, aqui.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Resenha do Almanaque: Poe 200 anos

Poe 200 anos: Contos inspirados em Edgar Allan Poe, Maurício Montenegro & Ademir Pascale, orgs. 140 páginas. São Paulo: All Print, 2010.

2009 marcou o duplo centenário do nascimento de Edgar Allan Poe, escritor americano que morreu na miséria, mas cuja obra influenciou toda a literatura moderna e é hoje muito respeitada.
Poe reuniu em si um vórtice criativo do qual emergiram as bases de toda a ficção fantástica, qual seja, a ficção científica, a fantasia e o terror, além do romance de mistério e investigação. Como Poe tem um grande contingente de fãs, isso facilitou o trabalho de Maurício Montenegro e Ademir Pascale em reunir vinte e dois textos de autores de todo o Brasil nesta antologia comemorativa que se pretendia fosse publicada em 2009, mas acabou saindo no ano seguinte.
O conhecido escritor carioca Miguel Carqueija, autor de Farei meu destino (Giz, 2008), assina o prefácio, em que apresenta a vida e a obra de Poe. Ele também participa com um conto, "O quarto caso de Dupim", um texto simples, elegante e divertido no qual o detetive criado por Poe ajuda a polícia francesa a encontrar um empresário americano desaparecido em Paris. Um ótimo contraponto ao clima predominantemente funesto da antologia.
O volume também traz trabalhos dos dois organizadores e de Alex Lopes, Alícia Azevedo, André Catarinacho Boschi, Deborah O'Lins de Barros, Dimitry Usiel, Duda Falcão, Frank Bacurau, Georgette Silen, Gil Piva, Jocir Prandi, Kathia Brienza, Luicana Fátima, M. D. Amado, Mariana Albuquerque, Márson Alquati, O. A. Secatto, Ronaldo Luiz Souza, Roseli Princhatto Arruda Nuzzi e Thiago Félix.
Além do texto de Carqueija, também se destacam os contos comentados a seguir, nos quais os autores encontraram uma forma pessoal de homenagear Poe.
"Relíquia", de Duda Falcão, homenageia o conto "O gato preto", e narra a história de um menino curioso que visita uma espécie de show de aberrações literárias. Metalinguagem realizada com talento e sensibilidade poética, num estilo que lembra mais o estilo de Ray Bradbury – outro grande mestre da ficção fantástica.
"Um homem afortunado", de Kathia Brienza, embarca numa homenagem a "O barril de Amontillado", contando sobre um professor oportunista que progride na profissão às custas de trapaças. Ao ganhar um concurso de monografias acadêmicas roubando o trabalho de seu rival, sente que chegou ao ápice de sua carreira. Mas nem tudo vai ser sempre como ele deseja. Um ótimo trabalho, saboroso e bem realizado.
Mariana Albuquerque é um nome conhecido do fandom, participou de vários fanzines e antologias, e publicou os livros Coração de demônio (Writers)  e O pássaro e o rochedo (Nativa). Ela assina "A máscara de Vênus", um texto curto que homenageia "A máscara da morte rubra", sendo a única ficção científica em todo o volume. Conta o que acontece ao que resta da civilização, refugiada na Antártida depois do fim do mundo. O conto que tem a melhor primeira frase da antologia: "No equador, os oceanos ferviam". Muito inspirador.
"Inferno no circo" é um conto simples e efetivo, dentro do que se pode esperar de uma homenagem a Poe, com a bem mais que emocionante estreia no circo do orangotango de "Os crimes da Rua Morgue". O autor, Jocir Prandi, é gaúcho de Vacaria e participou de várias antologias. Seu primeiro livro é Inspiração à beira do abismo (Evangraf).
"Louco, eu?", de Ademir Pascale, baseia-se no conto "O coração delator" e conta a história de um psicopata que acredita ver demônios e falar com animais. Apesar de previsível, é um trabalho bem redigido e tem um momento brilhante, quando o protagonista dialoga com fantasmas dos autores dos livros que lê.
Fecha a antologia o texto "Memórias póstumas de Edgar Allan Poe", de Roseli Princhatto Arruda Nuzzi, que não é exatamente um conto, mas uma biografia romanceada na qual um Poe desencarnado narra uma série de fatos de sua vida que podem ou não ser verdade, pois a credibilidade foi comprometida pela mistura com ficção.
Os demais trabalhos seguem uma narrativa algo recorrente, centrada na primeira pessoa e imitando, às vezes bem, o estilo de Poe, mas que resulta em histórias previsíveis e de pouco brilho próprio.
O livro é bem editado, com erros mínimos de revisão, e são homenageados vários outros contos do "Poeta Louco". É justamente esse diálogo com a obra maiúscula de Poe que "contamina" a antologia dando-lhe contornos nobres e clássicos.
Para quem conhece o trabalho de Edgar Allan Poe, a leitura de Poe 200 anos é divertida. Contudo, quem não conhece deve ler os textos originais do autor antes de embarcar nesta verdadeira tietagem literária pois, de outro modo, a maior parte da graça será perdida.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Resenha do Almanaque: Lua negra, Laura Elias

Lua negra, Laura Elias. 190 páginas. Capa: Altair Sampaio. São Paulo: Mythos, 2010.

Lua negra é o segundo volume da série Red kings, sequência de Crepúsculo vermelho, publicado em 2009 pela mesma editora. Mas a leitura deste volume prescinde daquele e o leitor não terá dificuldade em acompanhar a história sem ter lido o primeiro volume, como foi o meu caso.
A protagonista da série é Megan Grey, jovem de dezessete anos de idade que mantém um relacionamento emocionalmente intenso com Bill Stone, líder da banda de sucesso The Red Kings of Dark Paradise e, não por acaso, também um descendente da linhagem dos rovdyr, raça inumana de caçadores de vampiros que sustentam uma guerra secreta com poderosas e tradicionais famílias de sugadores. Envolvida na disputa, Megan foi mortalmente ferida no primeiro romance da série e sobreviveu graças ao sangue de Bill que lhe foi administrado.
A história de Lua negra inicia durante um inverno especialmente severo, que tornou branca a paisagem da pequena cidade de Red Leaves, onde Megan vive com sua família, enquanto Bill está fora em excursão com sua banda. Mas o rigor desse inverno não é natural e sim decorrente do despertar de forças antigas e poderosas. Um exército feroz de monstros do Ártico está marchando para o sul, disposto a aniquilar tudo o que encontrar pelo caminho, e a onda de baixas temperaturas e tempestades violentíssimas é apenas seu cartão de visitas.
O risco de aniquilamento une vampiros e rovdyrs contra o inimigo comum, numa batalha sangrenta nos campos nevados de Red Leaves. Segredos de família, intrigas e fantasmas do passado vão tornar a relação de Megan e Bill uma montanha russa de acontecimentos trágicos, com muita ação e violência. Megan ainda enfrentará o despertar de estranhos poderes herdados do sangue rovdyr de Bill, que ela não entende e nem controla.
Laura Elias tem uma narrativa ágil, fluida e agradável, apesar do tema mórbido. A linha principal da história acompanha o ponto de vista da Megan mas salta, eventualmente, para plots paralelos. Há uma grande quantidade de personagens coadjuvantes orbitando a relação de Megan e Bill, que os mantém quase sempre afastados e levam a impetuosa Megan a meter-se em enrascadas mortais para ficar perto de seu amado.
Nem todos os mistérios apresentados na trama são explicados, uma vez que Lua negra não é uma conclusão e a história deve ter pelo menos mais um volume, provisoriamente intitulado Luz na noite, sem data de publicação definida*.
Laura Elias é fluminense de Barra Mansa, radicada em Santo André, no ABC paulista. Apesar de pouco conhecida, é uma autora experiente, com mais de 35 livros publicados sob diversos psedônimos, tais como Loreley Mackenzie, Sophie H. Jones, Suzy Stone, Laura Brightfield. A maior parte de sua obra é formada por romances populares realistas, mas a autora também navega no fantástico – como nos livros da série Red kings – e no infanto-juvenil, como no livro Tristin Mckey e o mistério do dragão dourado, assinado como Elizabeth Carrol, publicado em 2007 também pela Mythos. Sua produtividade autoral é invejável, e ela afirma com tranquilidade que consegue produzir um romance do porte de Lua negra em poucas semanas, pois esta é uma exigência comum no mercado em que ela atua.
A autora revelou, numa de suas muitas palestras e entrevistas, que o título e os nomes dos personagens de Crepúsculo vermelho foram definidos pelo editor, originalmente eram outros. Isso porque a Mythos não sabia se um romance de horror iria emplacar entre o seu público e Laura nunca havia trabalhado no gênero, embora sempre tivesse gostado dele. Quando Crepúsculo vermelho finalmente foi distribuído, em 2009, tornou-se o seu livro mais vendido, o que lhe deu maior liberdade em Lua negra.
Os livros da coleção Mythos Books seguem o padrão dos romances de banca tradicionais, como os das populares coleções Harlequim, Bianca e Sabrina, com capas envernizadas em papel mole e miolo em papel jornal impresso em rotativa. A produção é modesta, mas caprichada, com boa apresentação e revisão, e um preço ao consumidor bastante acessível.
Laura Elias foi pioneira nos romances fantásticos brasileiros dirigidos às mulheres e distribuídos em banca. Antes dela, tivemos apenas livros de pequeno porte dirigidos aos leitores masculinos, como os da Coleção Mini Bolso, da Editora Opera Graphica, da Coleção Império, publicada pela Editora MC, e da série Pocket Suspense, da Editora Fittipaldi. Contudo, o sucesso deste trabalho da Laura Elias não se confirmou como tendência de mercado, devido aos inúmeros problemas que assolaram a indústria editorial nos anos seguintes, bem como às mudanças radicais do modelo do negócio, se é que ainda podemos chamá-lo assim. Tanto é que a autora desapareceu desse ambiente e há anos não apresenta novos trabalhos. O que é uma grande pena, em todos os sentidos.

* O romance foi publicado em 2013 pela Editora Literata sob o título de A rainha vermelha.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Lançamento: Sem tempo a perder

A editora Goya acaba de anunciar o pré-lançamento de Sem tempo a perder, uma coletânea de artigos publicados no blogue da autora. 
Diz o texto de apresentação: "Por anos, a escritora Ursula K. Le Guin conquistou gerações de leitores com seus mundos imaginários. Durante a última parte de sua vida, a velhice, ela explorou um novo território: ensaios para o público geral, publicados em seu blog. Esses textos estão reunidos aqui e representam a junção perfeita da escrita envolvente e evocativa de suas narrativas ficcionais com temas universais como envelhecimento, família e... amor, seja por seus amigos, seja por seus animais de estimação. Com maestria ímpar e um domínio narrativo sem igual, Le Guin conduz o leitor por seus questionamentos e reflexões sobre como envelhecer muda a percepção que temos do mundo à nossa volta. Sem cair em um monólogo piegas nem em uma glorificação infundada, ela consegue mostrar com clareza os sofrimentos e as grandezas de um período da vida tão pouco explorado na literatura."
Ursula K. Le Guin está entre as mais premiadas escritoras da ficção fantástica mundial. Falecida em 2018, aos 88 anos, Le Guin deixou uma obra extensa e valorizada por suas posições feministas e libertárias. A mão esquerda da escuridãoOs depossuídos e Floresta é o nome do mundo são bestsellers do gênero e verdadeiras unanimidades entre os leitores. Ainda que Sem tempo a perder não seja necessariamente um texto ligado a fc&f, vindo de Le Guin certamente ecoa aspectos de sua carreira que devem interessar aos fãs.
O volume tem 272 páginas e tem a data de publicação anunciada em 7 de junho, mas já é possível reservar aqui um exemplar com desconto.