Escrevi este artigo para a derradeira edição do fanzine Megalon, publicada em maio de 2004. Já estávamos, naquele momento, discutindo a publicação do primeiro volume do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, que seria efetivamente publicado no ano seguinte, avaliando a produção editorial de fc&f no País em 2004. Era um momento importante, em que o crescimento da produção já se manifestava, como se pode perceber no otimismo deste artigo. Os números de 2003 podem parecer modestos quando comparados ao mercado de 2013, exponencialmente maior, mas é interessante resgatar este texto para uma visão comparativa destes dois momentos da fc&f no Brasil.
FCB em 2003: Será que abriu a porteira?
O leitor deve recordar que, na última edição, eu fiz nesta coluna algumas provocações apoiado no fato do Prêmio Argos 2003 não ter apurado a categoria de livros por falta de indicações dos fãs, o que me deixou muito aborrecido porque o ano de 2002, a qual se referiu o prêmio, havia conhecido uma quantidade expressiva de títulos de boa qualidade. Ao final do artigo, prometi que voltaria ao tema com os títulos de 2003.
O infausto atraso que a edição 70 do Megalon sofreu, ainda que não tenha nada de positivo em si, serviu para que eu pudesse completar o levantamento total dos livros de fc&f de autores nacionais publicados ao longo deste ano e, para minha surpresa, 2003 foi ainda mais produtivo que o ano passado, com listas extensas tanto de publicações reais quanto virtuais, nada menos que 40 títulos, que classifiquei entre ficção e não-ficção. Antes de mais considerações, vamos a lista que é muito interessante (as editoras foram citadas quando possível).
Lançamentos 2003
FICÇÃO
Romance
Fantasia
- Angus, Orlando Paes Filho. Editora Arxjovem.
- Zigurate, uma fábula babélica, Max Mallman. Editora Rocco.
- Velta, Emir Ribeiro. Edição do autor.
- O prisioneiro da sombra, Luiz Roberto Mee. Editora 34.
Ficção científica
- A caverna de cristais, Helena Gomes. Devir Livraria.
- O encubado, Rogério Amaral Vasconcellos. Edições Hiperespaço, Nova Coleção Fantástica 3.
- O anjo da morte, Gian Danton. Edições Hiperespaço.
- A Esfinge Negra, Miguel Carqueija. Edições Hiperespaço, Nova Coleção Fantástica 2.
- O último portal: o segredo das pedras, Eliana Martins e Rosana Rios. Editora Cia. das Letras.
- Escuridão, Alexandre Moreira. Editora Papel&Virtual.
- No começo de tudo, Domingos Pelegrini. Editora Nova Alexandria.
- Abismos do tempo, Lucio Manfredi. Site Intempol. (ebook)
- Melissa, meretriz do mal, Carlos Orsi Martinho. Site Intempol. (ebook)
- Vaca profana: Encruzilhada, Rogério Amaral Vasconcellos. Projeto SLEV. (ebook)
- Vaca profana: A nave, Rogério Amaral Vasconcellos. Projeto SLEV. (ebook)
- Três reis magos, Larissa Redeker. Projeto SLEV.(ebook)
- Tempo de animais, Paffomilof der Engel. Projeto SLEV. (ebook)
- D. Pedro I e último, Gabriel Bozano. Projeto SLEV. (ebook)
- Prova oral, Rogério Amaral Vasconcellos. Projeto SLEV. (ebook)
- Iroha, Ernesto Nakamura. Projeto SLEV. (ebook)
- Maya, Alexis Lemos. Projeto SLEV. (ebook)
- Templos e tempos, Maurício Wojciekowski. Projeto SLEV. (ebook)
- Pátria de chuteiras, Gerson Lodi-Ribeiro. Site E-Nigma. (ebook)
Horror
- Luar de vampiros, Julia Moon. Editora Scortecci.
- Bento, André Vianco. Editora Novo Século.
- O discípulo, Walther Alvarenga. Editora Expresso.
- O mal está entre nós 1: O covil dos lobos, Isabel Vasconcelos de Mendonça. Editora Quarto Cavaleiro. (ebook)
Antologia
Fantasia
- Vinte anos no hiperespaço, Cesar Silva, org. Editora Virgo.
- Os extraordinários, Rubens F. Lucchetti. Editora Opera Graphica.
Ficção científica
- Trilogia do Eral, Maria Helena Bandeira. Editora Via Literária. (ebook)
Horror
- Páginas de sombra, Braulio Tavares, org. Editora Casa da Palavra.
- O vampiro de cada um, Martha Argel. Edição da autora.
- Horror e pensamentos, Raul Tabajara. Edição do autor.
- Dr. Suástica, Ataide Tartari. Projeto Babilônia. (ebook)
NÃO FICÇÃO
Fantasia
- Ficção científica, fantasia e horror no Brasil – 1875/1950, Roberto de Sousa Causo. Editora UFMG.
- Coletâneas de resenhas de cinema, Renato Rosatti. Site Scarium. (ebook)
Ficção científica
- Como os astronautas vão ao banheiro, Jorge Luiz Calife. Editora Record.
- Ensaios de história alternativa, Gerson Lodi-Ribeiro. Site Scarium. (ebook)
Horror
- Viovode: Estudos sobre vampiros, Cid Vale Ferreira, org. Editora Pandemonium.
- Drácula, o homem por trás do mito, Roberta Zugaib. Editora Aleph.
Eu não lembro de um período tão fértil nos últimos vinte anos de fandom. E nunca havia visto um título de fc&f nacional nas listas dos 10 mais vendidos por meses seguidos, como conseguiu Orlando Paes Filho com o seu romance Angus (Arxjovem). É algo que deve ser considerado, mesmo que fique um tanto explícito o trabalho vigoroso do autor na promoção de sua obra. Esse tipo de atitude deveria ser regra no mercado editorial, não exceção como se observa. A visibilidade que Orlando encontrou na mídia foi fruto desse investimento editorial, que é legítimo e deveria ser imitado por todas as editoras e escritores. A fama ajuda a vender e a venda amplia a fama, mas o movimento tem que ser iniciado em algum momento, ele não é gerado expontaneamente só pela qualidade intrínseca da obra. Quem ficou com dor-de-cotovelo, que sente-se a margem do rio e chore.
Outra constatação, que faço um tanto sem base mas com quase certeza de acertar, é que a publicação de fc&f nacional em 2003 pode ter superado a de traduções nesses mesmos gêneros. A fc&f estrangeira tem sido pouco publicada e o que apareceu por aqui recentemente dirigiu-se mais aos leitores de histórias em quadrinhos, uma vez que os autores de maior evidência foram Neil Gaiman e Alan Moore, notórios roteiristas dos comics. Não sei se isso quer dizer alguma coisa mas, cá com meus botões, fico pensando se a fc não está passando por um fenômeno semelhante ao que aconteceu com o faroeste no cinema: saiu de moda.
Um detalhe a se observar é a quantidade de títulos dedicados aos vampiros. Em 2003, a Rede Globo, maior e mais influente emissora de tv do país, exibiu uma novela com os sanguessugas que certamente ajudou a inflar o balão desses personagens do horror gótico, mas o crescimento de interesse por eles não se iniciou agora, vem crescendo há alguns anos e acredito que pelo menos pelos próximos meses essa bolha não vai estourar. Mais vampiros devem vir por aí.
A novidade foram as coleções de livros virtuais. Alguns editores estão investindo nesse formato e cada um comemora com entusiasmo o sucesso dos seus lançamentos, convencidos pela grande quantidade de downloads registrados – quase sempre esse é o único modo de se conferir, pois a maioria dos ebooks são distribuídos gratuitamente, sem gerar qualquer dividendo financeiro que se possa contabilizar. Mas esse indicativo carece de confiabilidade, uma vez que para se conseguir baixar por completo uma cópia de um arquivo eletrônico, o usuário tem que fazer várias tentativas e é provável que os contadores automáticos de acesso considerem cada uma delas como um download, falseando a estatística.
Outro detalhe perturbador é a falta de repercussão dos ebooks. Que os livros virtuais são extremamente desconfortáveis e não animam a leitura imediata não é novidade; de qualquer forma, também não lemos no ato os livros convencionais que compramos. Mas enquanto livros reais como, por exemplo, a antologia Como era gostosa a minha alienígena (Ano-Luz, 2002) ou o romance Zigurate, de Max Mallman (Rocco) receberam diversos comentários e resenhas quase que imediatamente após seus lançamentos, pouco ou nada se falou sobre qualquer dos ebooks para além de seus próprios relises. Dá o que pensar.
Enfim, fica a lista aqui expressa para quem quiser conferir. Continuarei anotando em meu caderno todos os lançamentos de 2004 que tiver notícia e, na primeira edição de 2005, prometo que faço o relatório sobre eles. Quem viver, verá.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Literatura fantástica em 2003
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Muito mais QI
Está circulando o 125º número do fanzine QI - Quadrinhos Independentes, editado em Brasópolis por Edgard Guimarães.
O fato de ser o mais premiado fanzine brasileiro não é um acaso. Além de ser uma publicação relevante que presta o importante serviço de divulgar a produção alternativa no País, o QI também investe continuamente em novos e surpreendentes projetos. Os assinantes receberam esta edição acompanhada de vários bônus interessantes. Além de um novo fascículo da novela gráfica de faroeste Buster e mais duas lâminas da coleção Cotidianos Alterados, acompanha o primeiro volume da Pequena Biblioteca de histórias em quadrinhos: Quadrinhos brasileiros de ficção científica e fantasia, ensaio de 38 páginas com quadrinhos e respectivas resenhas de seis importantes momentos da arte na opinião do editor, pelas mãos de Dirceu Amado e Leo ("A Terra"), Watson Portela ("Asa branca"), Louis Chilson ("Motoc"), Jayme Cortez ("A noite do invasor"), Mozart Couto ("Queda") e Ricardo Leite ("Epílogo"), que também assina a lustração da capa. Certamente que há muitos outros trabalhos a destacar, mas este é apenas o início de uma série que certamente vai ser importante para a memória do quadrinhos brasileiro.
Quando a edição do QI em si, também há novidades. Além da capa, que vem com um detalhe em cor, percebemos que a longa hq publicada nas páginas centrais ao longo de 50 edições, realmente terminou no número anterior com a página 200, um marco respeitável para um fanzine.
Seguem ainda as colunas "Mistérios do colecionismo", com a relação de edições extras da Disney no Brasil, "Heróis brasileiros", com Raimundo, "Quadrinhos brasileiros bissextos", com Nonô Jacaré, e as seções fixas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes". Completam a edição, artigos sobre o 30º Prêmio Angelo Agostini, sobre o quadrinhista português Carlos Gonçalves e sobre um artigo de Dave Gibbons comentando a obra de Jack Kirby, além de quadrinhos de Luiz Claudio Faria e do próprio editor.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
O fato de ser o mais premiado fanzine brasileiro não é um acaso. Além de ser uma publicação relevante que presta o importante serviço de divulgar a produção alternativa no País, o QI também investe continuamente em novos e surpreendentes projetos. Os assinantes receberam esta edição acompanhada de vários bônus interessantes. Além de um novo fascículo da novela gráfica de faroeste Buster e mais duas lâminas da coleção Cotidianos Alterados, acompanha o primeiro volume da Pequena Biblioteca de histórias em quadrinhos: Quadrinhos brasileiros de ficção científica e fantasia, ensaio de 38 páginas com quadrinhos e respectivas resenhas de seis importantes momentos da arte na opinião do editor, pelas mãos de Dirceu Amado e Leo ("A Terra"), Watson Portela ("Asa branca"), Louis Chilson ("Motoc"), Jayme Cortez ("A noite do invasor"), Mozart Couto ("Queda") e Ricardo Leite ("Epílogo"), que também assina a lustração da capa. Certamente que há muitos outros trabalhos a destacar, mas este é apenas o início de uma série que certamente vai ser importante para a memória do quadrinhos brasileiro.
Quando a edição do QI em si, também há novidades. Além da capa, que vem com um detalhe em cor, percebemos que a longa hq publicada nas páginas centrais ao longo de 50 edições, realmente terminou no número anterior com a página 200, um marco respeitável para um fanzine.
Seguem ainda as colunas "Mistérios do colecionismo", com a relação de edições extras da Disney no Brasil, "Heróis brasileiros", com Raimundo, "Quadrinhos brasileiros bissextos", com Nonô Jacaré, e as seções fixas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes". Completam a edição, artigos sobre o 30º Prêmio Angelo Agostini, sobre o quadrinhista português Carlos Gonçalves e sobre um artigo de Dave Gibbons comentando a obra de Jack Kirby, além de quadrinhos de Luiz Claudio Faria e do próprio editor.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
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FC na faixa
O escritor de ficção fantástica Miguel Carqueija, em sua proposta de disponibilizar toda a sua bibliografia no meio digital, anunciou a oferta de mais três trabalhos gratuitos.
Através do saite Recanto das Letras, na forma de arquivo de texto, o autor republicou a antologia poética Rocio. Diz o autor: "Rocio, isto é, 'orvalho', foi o meu primeiro livro publicado, simples opúsculo de poesias que financiei em 1991, numa edição de 500 exemplares que saiu com o selo de uma editora hoje extinta, a Protótipo. Hoje resgato essa obra primitiva, há muito esgotada, por meio desta edição digital na qual foram acrescentadas outras poesias e, inclusive, duas de autoria da grande amiga Regina Madeira, feitas especialmente para o presente volume."
No mesmo saite também pode ser encontrada A Esfinge Negra, space opera publicada originalmente em 2003 na Nova Coleção Fantástica do selo Hiperespaço. Diz o texto de apresentação da obra: "Qual a diferença entre justiça e vingança? E qual delas se deve escolher? Este o dilema em que vive, há anos, Regina Siljan, cognominada "A Esfinge Negra", considerada uma pirata espacial e perseguida pelos governos de diversos mundos. Regina, porém, luta por duas razões: para punir a grave injúria que sofreu no passado, e livrar a Galáxia de um grande flagelo, um império construído pelo crime e pela violência. Com os poderes misteriosos que recebeu, ela está disposta a ir até o fim na sua cruzada. Contudo, sua consciência não se encontra tranquila. Estará ela, afinal, fazendo o que é certo?"
E finalmente, pelo saite Kobo Books, chega em pdf o inédito Asteroid Girl: Aventuras de uma fora-da-lei, space opera escrita em parceria com Ricardo Guilherme dos Santos. Num futuro distante, após a terrível Guerra da Água, com a civilização na Terra parcialmente destruída e a humanidade expandindo-se em algumas colônias pelo Sistema Solar, o agente da Cosmopol Alex Bristol se vê a braços com um inesperado e dificílimo dilema: a mulher que ele deve capturar, a pirata espacial Kittie Kubrick (Asteroid Girl), é alguém que, no passado, foi muito importante em sua vida.
Diz Carqueija sobre sua obra: "Asteroid Girl é uma pirata espacial que luta contra o crime e a corrupção, espécie de Robin Hood do futuro. Pode fazer lembrar um pouco a Esfinge Negra mas seu dilema não é entre a vingança e a justiça, mas entre o amor e o dever."
Asteroid Girl inclui também a história paralela de Isabel Toledo, vítima da opressão do sistema e companheira de aventuras de Asteroid Girl.
Através do saite Recanto das Letras, na forma de arquivo de texto, o autor republicou a antologia poética Rocio. Diz o autor: "Rocio, isto é, 'orvalho', foi o meu primeiro livro publicado, simples opúsculo de poesias que financiei em 1991, numa edição de 500 exemplares que saiu com o selo de uma editora hoje extinta, a Protótipo. Hoje resgato essa obra primitiva, há muito esgotada, por meio desta edição digital na qual foram acrescentadas outras poesias e, inclusive, duas de autoria da grande amiga Regina Madeira, feitas especialmente para o presente volume."
No mesmo saite também pode ser encontrada A Esfinge Negra, space opera publicada originalmente em 2003 na Nova Coleção Fantástica do selo Hiperespaço. Diz o texto de apresentação da obra: "Qual a diferença entre justiça e vingança? E qual delas se deve escolher? Este o dilema em que vive, há anos, Regina Siljan, cognominada "A Esfinge Negra", considerada uma pirata espacial e perseguida pelos governos de diversos mundos. Regina, porém, luta por duas razões: para punir a grave injúria que sofreu no passado, e livrar a Galáxia de um grande flagelo, um império construído pelo crime e pela violência. Com os poderes misteriosos que recebeu, ela está disposta a ir até o fim na sua cruzada. Contudo, sua consciência não se encontra tranquila. Estará ela, afinal, fazendo o que é certo?"
E finalmente, pelo saite Kobo Books, chega em pdf o inédito Asteroid Girl: Aventuras de uma fora-da-lei, space opera escrita em parceria com Ricardo Guilherme dos Santos. Num futuro distante, após a terrível Guerra da Água, com a civilização na Terra parcialmente destruída e a humanidade expandindo-se em algumas colônias pelo Sistema Solar, o agente da Cosmopol Alex Bristol se vê a braços com um inesperado e dificílimo dilema: a mulher que ele deve capturar, a pirata espacial Kittie Kubrick (Asteroid Girl), é alguém que, no passado, foi muito importante em sua vida.Diz Carqueija sobre sua obra: "Asteroid Girl é uma pirata espacial que luta contra o crime e a corrupção, espécie de Robin Hood do futuro. Pode fazer lembrar um pouco a Esfinge Negra mas seu dilema não é entre a vingança e a justiça, mas entre o amor e o dever."
Asteroid Girl inclui também a história paralela de Isabel Toledo, vítima da opressão do sistema e companheira de aventuras de Asteroid Girl.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Resenha: Pelas barbas de D. Pedro!
Há alguns anos tivemos no Brasil um plebiscito para definir o sistema de governo que regeria o País a partir de então. Nem é preciso dizer que o presidencialismo ganhou de lavada, porque, afinal, a maior parte da população nunca conheceu outro regime senão este – e a ditadura militar, que foi bem ruim mas era a mesma coisa no fim das contas. Durante a campanha, muita gente ridicularizou os defensores da monarquia, que eram de fato bem poucos. Mas, apesar de todas as agruras que caracterizaram o período monárquico brasileiro, ainda há um grande respeito e carinho pelas figuras de nosso imperadores e até pelos regentes que assumiram o governo na ausência deles. Existe, entre os brasileiros, um indisfarçável romantismo a respeito da imagem da da realeza e da família real. Quando queremos elevar alguém a um nível de excelência incomparável, o chamamos de rei ou rainha, como acontece com Pelé, Roberto Carlos, Xuxa e outras personalidades populares.Ou seja, mesmo que a decisão do plebiscito tenha ratificado o presidencialismo em vigor, ainda há um sentimento de culpa no ar pela forma como aconteceu a instalação desse sistema, na base de um golpe de estado, com diversos sinais de oportunismo próprio da política nacional que segue até hoje mais ou menos da mesma forma.
A professora Lilia Moritz Schwarcz, titular do departamento de Antropologia da USP, tem abordado o período monárquico brasileiro em livros de grande repercussão, entre os quais estão o álbum D. João Carioca: A corte portuguesa chega ao Brasil (1808-1821), ilustrada pelo cartunista paulistano Spacca, e o livro As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca dos trópicos, ganhador do Prêmio Jabuti em 1999. Esta foi justamente a base sobre a qual o já citado ilustrador trabalhou, entre 2009 e 20013, para construir o relato As barbas do Imperador: D. Pedro II, A história de um monarca em quadrinhos, recentemente publicado pela editora Quadrinhos na Cia.
Trata-se de um trabalho vultoso de pesquisa e arte que retrata, em 144 páginas lindamente coloridas, a história do Brasil a partir da vida de D. Pedro II, desde o seu nascimento, em 1825, até a morte, em 1891. Entre outros fatos interessantes, o álbum conta como o infante imperador teve sua maioridade antecipada para assumir suas funções políticas, o casamento com Dona Teresa Cristina, o interesse por cultura e ciência que o acompanharia por toda a vida, a maneira como o povo se identificava com o imperador nas festas e comemorações populares, a prolongada guerra com o Paraguai que deixou o reino empobrecido e no qual germinou a semente do republicanismo, as viagens pelo mundo, suas discretas aventuras amorosas e, quando enfim acabou com o escravismo, a inevitável queda do regime, a deportação da família real na calada da noite e a morte do imperador no exílio, enterrado em Paris com honras de chefe de estado, para a ira dos políticos golpistas.
A história é contada principalmente através de recordatórios, de forma que o efeito sequencial típico dos quadrinhos não chega a ser experimentado pelo leitor. Contudo, a narração é acessível, suave e, em muitos momentos, emotiva, que torna agradável a leitura. A autora teve o cuidado de não fazer proselitismo da monarquia, detalhando as mazelas que os brasileiros enfrentaram naqueles tempos, mas não deixou de tratar D. Pedro II com reverência, reconhecendo nele uma figura significativa no cenário histórico e exaltando, de forma sutil, seus dotes intelectuais, simplicidade e amor pelo País, qualidades geralmente ausentes nos governantes brasileiros que lhe sucederam até os dias de hoje.
As ilustrações caricaturais de Spacca não desrespeitam os personagens históricos apresentados, muitas delas baseadas em ilustrações e pinturas famosas que são devidamente creditadas e comentadas no capítulo "Da arte aos quadrinhos", um dos muitos anexos publicados no final do volume, com direito a making of dos personagens, quadro cronológico dos fatos históricos, biografias das personalidades citadas ao longo da narrativa, e breves ensaios sobre a Guerra do Paraguai, a escravidão e a arte da fotografia, um dos principais interesses do monarca, que nos deixou como herança um farto acervo documental.
As barbas do Imperador é um trabalho significativo no cenário do quadrinho brasileiro e, ao lado de outras obras históricas como Santô, Debret e D. João Carioca, todas ilustradas por Spacca, constrói um panorama honesto e emocionante da história brasileira.
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Quadritos 12
O editor Marcos Freitas divulgou há poucos dias em seu blogue o lançamento do volume 12 do fanzine Quadritos, dedicado à Nona Arte nacional.
A edição, de 108 páginas, focaliza o trabalho de Edgar Franco, que é entrevistado, tem diversas hqs publicadas e ainda assina a ilustração da capa. Mas muito mais gente mostra seu trabalho ali, como Flávio Calazans, Gazy Andraus, Lafaiete Nascimento, Law, Lupin, Júlio Shimamoto, Joacy Jamys, Dark Marcos, Laudo, Emir Ribeiro, Márlon Ramos, Edgard Guimarães, Caza e Vaughn Bodé.
A edição também traz artigos de Daniel Saks e Gazy Andraus, destaca o fanzine Mutação, de Marco Müller, na seção "Memória dos fanzines", além de muita notícia, informações e resenhas.
O editor anunciou também o lançamento do fanzine Radioatividade 2, com tiragem limitada, e o nome de Laudo Ferreira Jr. como o próximo homenageado na revista Monstros dos Fanzines 3.
Para mais informações, visite o blogue do Quadritos, aqui.
A edição, de 108 páginas, focaliza o trabalho de Edgar Franco, que é entrevistado, tem diversas hqs publicadas e ainda assina a ilustração da capa. Mas muito mais gente mostra seu trabalho ali, como Flávio Calazans, Gazy Andraus, Lafaiete Nascimento, Law, Lupin, Júlio Shimamoto, Joacy Jamys, Dark Marcos, Laudo, Emir Ribeiro, Márlon Ramos, Edgard Guimarães, Caza e Vaughn Bodé.
A edição também traz artigos de Daniel Saks e Gazy Andraus, destaca o fanzine Mutação, de Marco Müller, na seção "Memória dos fanzines", além de muita notícia, informações e resenhas.
O editor anunciou também o lançamento do fanzine Radioatividade 2, com tiragem limitada, e o nome de Laudo Ferreira Jr. como o próximo homenageado na revista Monstros dos Fanzines 3.
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Fanzine SBC Geek fevereiro 2014
Como já foi divulgado aqui, o SBC Geek, encontro aberto de fãs da cultura nerd, volta a ação no próximo sábado, dia 22 de fevereiro, a partir das 13 horas, na Biblioteca de Arte Ilva Aceto Maranesi, localizada na Pinacoteca de São Bernardo (Rua Kara, 105, Jardim do Mar, tel. 11 4125-2379).
Com ele, também volta o Fanzine SBC Geek, publicando a programação detalhada do evento e um mapinha para ajudar a encontrar o novo local. A edição em papel estará disponível no local, mas a versão digital, em cores, pode ser lida e baixada gratuitamente aqui.
Mais informações na fanpage do SBC Geek.
Com ele, também volta o Fanzine SBC Geek, publicando a programação detalhada do evento e um mapinha para ajudar a encontrar o novo local. A edição em papel estará disponível no local, mas a versão digital, em cores, pode ser lida e baixada gratuitamente aqui.
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