sexta-feira, 15 de novembro de 2013

SBG Geek no mundo do videogame


No próximo dia 24, a edição de novembro do SBC Geek será inteiramente dedicada a 'milenar' arte dos videogames. Numa parceria com com a revista Game Sênior e a Comunidade Mega Drive, serão colocados, à disposição do público, diversos consoles e jogos clássicos que fizeram e ainda fazem a cabeça dos fãs de jogos eletrônicos.
Para os cinéfilos, o cardápio do dia terá dois pratos: a entrada, servida às 13 horas, será Pokémon 2000, longa metragem de animação inspirado na popular franquia da Nintendo; e às 15 horas será servido Final Fantasy VII: Advent children, longa em cgi que é cult entre os fãs.
Além disso, rolam também exibições de vídeos, jogos de rpg e mais um flash da exposição Dreamland, com paineis de animes.
As atividades são simultâneas e começam às 12 horas no Centro Cultural Bairro Baeta Neves, na Praça São José, s/nº, em São Bernardo do Campo. A entrada é franca.
Mais informações na fanpage do SBC Geek.

Megalon 34

Marcello Simão Branco disponibilizou mais uma edição do seu histórico fanzine de ficção científica e horror Megalon, desta vez o número 34, publicado originalmente em fevereiro 1995.
Em 34 páginas, o fanzine traz um conto de Carlos Orsi Martinho, mais um capítulo do folhetim de fc de Miguel Carqueija, quadrinhos de Edgard Guimarães, noticiário da cena do fandom e artigos de Roberto de Sousa Causo, Daniel Fresnot, José Carlos Neves, Miguel Carqueija e Gerson Lodi-Ribeiro, levantando polêmicas em relação à edição anterior, que foi um especial de não-ficção.
Também estão entre os artigos, um relatório sobre a primeira RhodanCon – convenção de fc com os fãs da série literária Perry Rhodan –, realizada no mês de setembro de 1994 em São Paulo, e a programação da primeira das quatro HorrorCons – convenções de horror que aconteceram na mesma cidade entre 1995 e 1998 –, eventos estes organizados pela Sociedade Brasileira de Arte Fantástica, que tiveram boa repercussão. Vale também destacar o anúncio, em editorial, do encerramento do Prêmio Tapìrài que, em suas três edições, reconheceu o valor de trabalhos publicados nos fanzines brasileiros.
A capa tem uma ilustração de Alexandre Mastrella e download, gratuito, pode ser feito aqui.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Resenha: Laços de sangue

Não há dúvida que a grande contribuição de Gengis Khan para a cultura ocidental moderna foi a inspiração para o mito do vampiro. O medo das barbaridades creditadas ao conquistador de "além das florestas" circulava à boca pequena nos saraus e espalhou-se pela sociedade, logo assumindo um caráter mitológico ainda mais assustador, como é comum entre o povo inculto. Se até animais comuns da natureza viram feras antropófagas no imaginário popular, nem é preciso imaginar o que Khan virou: ele foi o protótipo do vampiro, mais tarde trabalhado por artistas que lhe deram feições mais europeias e requintadas, aproveitando outros personagens. O vampiro ficou cheio de charme, embora ainda aterrador.
Contudo, autores modernos esforçaram-se em tirar do mito os seus contornos mais tenebrosos, no que foram muito bem sucedidos diga se de passagem. A atual imagem de memória dos vampiros foi devidamente processada e homogenizada, e não oferece risco maior para os seres viventes do que aqueles que já corremos nas mãos de nossos iguais.
A escritora norte americana Richelle Mead é uma dessas autoras "amantes dos vampiros", como ela mesma nomeia a protagonista no primeiro romance da série Bloodlines: Laços de sangue, lançamento recente da editora Companhia das Letras através do selo Seguinte, com tradução de Ana Ban. O romance é sequência direta da série bestseller Academia de vampiros, também publicada no Brasil.
A mitologia vampírica de Richelle Mead baseia-se nas ações de uma sociedade secreta chamada de Alquimistas, cuja função é manter o segredo da existência dos vampiros na sociedade. Tal como 'homens de preto', os Alquimistas limpam a sujeira dos vampiros, divulgando versões plausíveis para explicar o rastro de mortes que eles geralmente deixam.
Os vampiros, por sua vez, são divididos em duas linhagens. Os Morois são suficientemente civilizados para viver em meio a sociedade humana e, apesar de terem alguns poderes sobrenaturais e não sofrerem das tradicionais limitações dos vampiros clássicos – podem sair ao Sol, tomar banho, aparecem nos espelhos e nas fotografias, envelhecem normalmente e podem até se reproduzir sexualmente –, são apresentados como criaturas irresponsáveis e frágeis, que precisam da tutela tantos dos alquimistas quanto dos dampiros, lutadores descendentes do cruzamento entre Morois e humanos, conhecidos como Guardiões.
Por terem um importante valor político, os Morois também precisam ser protegidos dos seus 'primos', os Strigois, raça degenerada, sádica e violenta, que se alimenta tantos de humanos quanto de Morois. Os Strigoi são mais parecidos com o mito tradicional, ferozes, perigosos e imortais.
Sydney Sage é uma jovem alquimista recém saída da adolescência, que é requisitada por seus superiores para fazer a proteção da linda, magra e pálida Jill Mastrano, princesa Moroi que precisa ser mantida a salvo de uma conspiração política que pretende assassiná-la. Para isso, ambas são enviadas incógnitas para um colégio interno em Palm Springs, região ensolarada que deve manter os Strigois relativamente à distância. Junto a elas vai o guardião Eddie Castile, dampiro destemido, hábil e totalmente dedicado à Jill.
Contudo, Palm Springs é a área de vigilância do Alquimista canastrão Keith Darnell, com quem Sidney tem uma relação pouco afetuosa. E a princesa terá que ser levada pelo menos uma vez por semana para se alimentar de sangue humano na residência de uma família Moroi na cidade, onde moram o velho meio gagá Clarence Donahue, seu filho Lee – que tem uma certa queda por Jill – e o misterioso e fútil Adrian Ivashkov.
Enquanto Sidney tenta cumprir o papel de babá de Jill, uma série de eventos suspeitos começam a se revelar, como a moda de tatuagens que dá estranhos poderes aos estudantes do grande colégio, assassinatos sucessivos de garotas Morois e o bulling que Jill começa a sofrer por conta de sua aparência invulgar, entre outros problemas da vida acadêmica.
Richelle Mead monta, assim, o cenário para uma história de aventura tipicamente adolescente, com um pouco de ação, um pouco de romance, um pouco de mistério e absolutamente nada do horror que aparentemente sugere. Os vampiros de Mead são belos, glamourosos, relaxados e positivos, mais até que os próprios humanos com quem Sidney parece ter muita dificuldade de se relacionar. A temida ameaça Strigoi praticamente não se apresenta em Laços de sangue, com apenas uma breve participação no trecho final.
O estilo narrativo é suave e naturalista, sendo a maior parte mostrada em forma de diálogo. Mesmo com pouquíssimas cenas de ação, a história se desenvolve com agilidade e suas 430 páginas podem ser lidas em poucas horas. A apresentação do livro é confortável e elegante, com relevos na capa, corpo do texto amplo no miolo em papel pólen soft, que deixa o volume bem leve, apesar da considerável quantidade de páginas.
Em suma, Laços de Sangue é uma história de vampiros perfeitamente recomendável para leitores jovens e, principalmente, para aqueles não gostam de terror: pesadelos não fazem parte do pacote.

Chico Bento: Pavor espaciar

Depois de Astronauta: Magnetar e Turma da Mônica: Laços, é a vez de Chico Bento estrelar uma aventura especiar, quero dizer, especial, no álbum Pavor espaciar, terceira edição da coleção Graphic MSP. E, mais uma vez, trata-se de uma história de ficção científica, algo que, a princípio, parece não combinar muito com o simpático caipirinha de fala engraçada, mas o resultado é muito interessante.
O roteiro e os desenhos ficaram a cargo do premiado quadrinhista Gustavo Duarte, autor das edições independentes Có!, Táxi, Birds, e do álbum Monstros, publicado em 2012 pela Quadrinhos na Cia.
Pavor espaciar conta o que acontece numa certa noite quando, na ausência dos seus pais, Chico Bento, Zé Lelé, a galinha Giselda e o leitãozinho Torresmo, são abduzidos por um disco voador repleto de alienígenas tão feios quanto cheios de más intenções. Submetidos a experiências na mãos do sinistros ets, a turminha da roça vai depender da iniciativa atabalhoada de Chico Bento e da inteligência de Torresmo – cuja consciência foi trocada com Zé Lelé – para escapar dessa situação bizarra.
Enquanto foge pelos corredores aparentemente sem fim da grande espaçonave, Chico Bento e Zé Lelé, no corpo de Torresmo, passam por coisas insuspeitas, como aviões e navios desaparecidos no Triângulo das Bermudas, a roupa espacial do Astronauta, o esqueleto do Horácio e até um desacordado elefante verde, que vocês devem imaginar quem é, entre outras surpresinhas que vão divertir o leitor.
Diferentemente da versão realista que Danilo Beyruth deu ao Astronauta em Magnetar, Duarte manteve todas as características originais de Chico Bento, só explorando mesmo a concepção gráfica, com um estilo bem diverso do que estamos acostumados, repleto de movimento e amplas cenas panorâmicas. O colorido também é diferenciado, claro e suave, em poucos matizes.
A edição ainda traz extras, com amostras das etapas da produção e da técnica de Duarte, bem como um breve histórico do Chico Bento, com direito à reprodução de um sunday publicado em 1963 no suplemento juvenil do Diário de S. Paulo.
Gustavo Duarte e Maurício de Sousa prestam, assim, uma bela homenagem às histórias de ficção científica ufológica, como Contatos imediatos do terceiro grau, Sinais, Guerra dos mundos e outras, um gênero também muito praticado entre os autores brasileiros.
Chico Bento: Pavor Espaciar é uma publicação da Panini Comics, tem 80 páginas em cores e pode ser encontrado com capas duras ou em cartão plastificado.

Realidade expandida

O escritor Luiz Brás ministrará, nos dias 23 e 30 de novembro no Espaço Tao, (rua Alvarenga, 1682, Butantã, São Paulo) o workshop Realidade expandida: Construindo através da arte e da literatura realidades alternativas, no qual o escritor dividirá com os participantes, um pouco do que aprendeu ao longo de vinte anos de atividade literária em ficção e poesia.
Diz o texto de divulgação: "O aqui e o agora percebidos pelos cinco sentidos configuram o que podemos chamar de realidade de primeira ordem. Já a literatura, a arte, a filosofia, a ciência e a religião, ao expandirem nossa percepção da natureza e do ser humano, configuram a realidade – ou as realidades – de segunda ordem. De que maneira a melhor ficção e a melhor poesia de nosso tempo constroem passarelas e portais para essas realidades alternativas, de segunda ordem?"
Luiz Bras é e doutor em Letras pela USP, autor premiado internacionalmente e já teve até uma carreira bem sucedida num mundo paralelo. Seus trabalhos mais recentes foram o romance Sozinho no deserto extremo, a coletânea de contos Paraíso líquido, a coletânea de crônicas Muitas peles, os romances juvenis Sonho, sombras e super-heróis e Babel Hotel. Mantém uma página mensal no jornal Rascunho, de Curitiba, intitulada "Ruído Branco", e o blogue Cobra Norato.
Realidade Expandida destina-se a escritores diletantes (poetas e prosadores), com obra ainda em formação, estudantes e pessoas interessadas em aprimorar suas habilidades no uso da linguagem literária, e as vagas são limitadas. Mais informações, aqui.

17 histórias

O escritor Ataíde Tartari brindou-me com um exemplar da sua coletânea 17 histórias: Alternativas, cômicas e futuristas, um dos cinquenta que ele produziu de forma independente através da editora mineira Virtual Books, fazendo uma retrospectiva de sua bem avaliada produção como contista de ficção fantástica, com objetivo de divulgar a obra entre produtores audiovisuais.
Ali estão desde a ótima história alternativa "Folha Imperial", publicada originalmente em 1996, passando por sua fase nos fanzines ao longo dos anos 1990, às publicações esparsas em diversas antologias nos primeiros anos deste século, até a retomada em 2008, a partir do que voltou a publicar com regularidade. O livro ainda inclui um texto praticamente inédito, "A grande virada de Vitinho", anteriormente visto apenas em forma de ebook para dispositivo Kindle.
O livro mostra, portanto, algumas das melhores peças curtas da ficção fantástica brasileira, visto que Tartari está entre os mais completos autores de sua geração, dono de um estilo naturalista delicioso e ideias sempre bem arranjadas, com muita habilidade no manejo da língua portuguesa.
Em 2000, Tartari cursou o concorrido Clarion, workshop de escrita criativa nos EUA, orientado pelo escritor de ficção científica James Gunn, e até chegou a publicar dois romances no exterior, escritos diretamente em inglês.
Em 2012, o autor teve publicados dois livros: a novela Sideral no buraco sem fundo de Parnarama e a coletânea O triângulo de Einstein, ambos pela Editora Nova Espiral, comentados aqui, sendo que 17 histórias republica alguns dos contos vistos naquela antologia.
Tartari informa, contudo, que 17 histórias não será colocado à venda. O que quer dizer que, para conseguir um exemplar, vai ser preciso se esforçar. Boa sorte, porque agora só restam 49 exemplares.

A fc de Rahal e Carqueija

A dupla de escritores Ronald Rahal e Miguel Carqueija estão com novos textos disponíveis para os fãs de ficção científica.
Em O viajante do tempo e o enigma da besta, Rahal e Carqueija dão continuidade às aventuras do misterioso personagem criado em 1895 por H. G. Wells em A máquina do tempo, e ele terá de enfrentar um monstro que tem o poder de se deslocar no tempo. O volume está disponível em versões real e virtual pela editora Agbook/ Clube de Leitores.
Carqueija também avisa que voltou a estar disponível a sua novela A cidade do terror, uma fanfic assumida que se apropria dos personagens do anime Sailor Moon e da cosmologia soturna de H. P. Lovecraft para contar uma história de dark fantasy que se passa num Rio de Janeiro futurista. A novela está agora no saite Recanto das Letras e pode ser baixada gratuitamente.