sábado, 22 de julho de 2023

Prêmio Odisseia anuncia finalistas

Criado em 2019, o Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica é extensão do congresso de ficção fantástica Odisseia e homenageia autores e obras publicadas no ano anterior especificamente inscritas para o certame. Há poucos dias, a organização do evento divulgou as listas tríplices dos finalistas da edição 2023. São eles: 
Projeto gráfico: 
Ian Fraser por A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, Intrínseca.
Roberto Campos Pellanda por Terceiro saber, Avec.
Tiago Carvalho por Caçadores de Ezória: A semente do amanhã, Pendragon.
Quadrinho fantástico: 
Fábio Yabu & Fred Rubim por Os sussurros do caos rastejante, Jambô.
Felipe Castilho & Monaramis por Guarás: A outra margem, Independente.
Kiko Garcia por Terra roxa, Kikomics.
Narrativa longa juvenil: 
Clinton Davisson por Baluartes: Terra Sombria, Avec.
Fabiola Eichenbrenner por Sete monstros, Cartola.
Lucas de Melo Bonez pot A morte e a vida dos meninos lobos, Boaventura.
Narrativa curta horror: 
Juliana Cunha por "A devoradora", Notívagas, O Grifo.
Oscar Nestarez por O breu povoado, Avec.
Talita Grass por Canção para um anfíbio, DarkSide.
Narrativa curta fantasia: 
Carol Façanha por O sibilar de outrora, Independente.
Jadna Alana por Se tu me quisesse, Independente.
João Mendes por "Serra minguante", Mafagafo 5-1, Mafagafo.
Narrativa curta  ficção científica: 
Juliane Vicente por "Sankofa", Anuário Rocket Pages 2022, Rocket.
Simone Saueressig por "O cuco de Sumaúma", Multiverso Pulp 5, Avec.
Zé Wellington por "Quinze minutos", Assombros, Draco.
Narrativa longa  horror: 
Cirilo Lemos por Estação das moscas, Draco.
Everaldo Rodrigues por Kiumba,  Independente.
Larissa Brasil por Irebu, Independente.
Narrativa longa  fantasia: 
Alvaro Senra por Éden, 7 Letras.
Bruno Anselmi Matangrano por Ebálidas de Pseudo-Outis, Arte e Letra.
Leonardo Oliveira por A rainha do pôr do sol, Independente.
Narrativa longa ficção científica: 
Alexei Dodsworth por Paradoxo de Theséus, Draco.
Gabriel Teixeira Canduri por Urubu rei, Astrolábio.
Matheus Borges por Mil placebos, Uboro Lopes.
Artigo fantástico:
Ana Resende & Caroline Façanha por "Pilhas de corpos grotescos: o gótico contemporâneo em Mariana Enríquez e Patrícia Melo", Abusões 19, UERJ.
Júlio França & Oscar Nestarez por "Uma tradição obscura", Tênebra: Narrativas de horror brasileiras [1839-1899], Fósforo
Rafael Eisinger Guimarães por "Pode a inteligência ser artificial? O que nos ensinam os robôs de Isaac Asimov", Leitura, curiosidade e imaginação: Refletindo sobre inteligência artificial, Pontes.
O anúncio dos vencedores acontecerá durante o congresso que ocorrerá presencialmente nos dias 7 e 8 de outubro de 2023 na Biblioteca do Estado do Rio Grande do Sul. Mais informações serão divulgadas oportunamente no saite do Odisseia, aqui.


sexta-feira, 21 de julho de 2023

Avenger: Guia de Episódios

Análise crítica produzida por Miguel Carqueija dos treze episódios da ficção científica Avenger, série original de animação produzida em 2003 pelo Estúdio Beetrain/Xebec com direção de Koichi Mashimo. 
Diz o texto de apresentação: "Num futuro distante, a colonização de Marte chegou a um beco sem saída. A sociedade tornou-se medieval e dirigida por 'avatares', os sobreviventes dos 'Doze Originais' que chegaram ao planeta. Quase não existem recursos naturais, o povo vive em geral na miséria e as cidades promovem torneios de luta pelo poder. Uma estranha garota de nome Layla, que quase não fala, percorre os caminhos áridos acompanhada por Speedy, mestre consertador de bonecas, e pela boneca ou robota Nei, num mundo onde pequenos robôs substituem as crianças e, há dez anos, não nascem crianças. Layla participa dos torneios, mas seu objetivo é Volk, o sinistro ditador de Marte, com quem tem contas a ajustar."
O Guia, em formato de arquivo de texto, pode ser baixado gratuitamente aqui.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Gothic Station

Um dos mais longevos movimentos organizados ligados a arte fantástica é o da cultura gótica, que já foi inclusive tema de telenovela. Apesar de não estar mais sob os holofotes da mídia, seus praticantes mantêm atividades interessantes e sofisticadas em várias artes, a ponto de sustentar um periódico especializado, a revista Gothic Station
Lançada em 2017, a publicação distribuiu seu número 7 ainda em 2022, com 84 páginas bem diagramadas e profusamente ilustradas, trazendo artigos sobre música, cinema, quadrinhos, artes plásticas, dança, literatura e moda, sempre sob o viés da cultura gótica, é claro. 
Todas as edições da Gothic Station, entre outras publicações, podem ser baixadas gratuitamente na aba "Downloads gratuitos" do saite Gothic Station, aqui

quarta-feira, 19 de julho de 2023

I Jornada de Estudos Insólitos

No dia 11 de agosto de 2023, no prédio de Letras da USP, acontecerá a I Jornada de Estudos Insólitos da Universidade de São Paulo, congresso acadêmico voltado aos estudos sobre ficção fantástica, organizada pelos Grupos de pesquisa Produções Culturais e Literárias para Crianças e Jovens (FFLCH-USP) e Nós do Insólito: vertentes da ficção, da teoria e da crítica (UERJ).
O evento, que terá o tema "Fronteiras do insólito: Gêneros, modos, estéticas e seus hibridismos", terá participação de muitos pesquisadores da área, como Maria Zilda Cunha, Lígia Menna, Paulo César Ribeiro Filho, Ricardo Iannace, Oscar Nestarez, Carol Chiovatto, George Amaral, Renata Philippov, Roberto De Sousa Causo, Ana Rüsche, Nathália Xavier Thomaz, Sandra Trabucco Valenzuela e Bruno Anselmi Matangrano. 
A programação completa das atividades pode ser conferida aqui
As inscrição já estão esgotadas, mas heverá transmissão pelo canal do Youtube da FFLCH-USP para quem quiser acompanhar à distância.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Canaan: Guia de episódios

Redigido e publicado por Miguel Carqueija, o Guia de edisódios de Canaan faz um levantamento crítico deste seriado japonês de animação dirigido por Masahiro Ando em 2009 para o Estúdio PAWoorks. A história é uma dramatização do jogo MMORPG de mesmo nome, desenvolvido pela XPEC Entertainment. 
Diz o texto de apresentação: "Canaan é uma jovem de cabelos albinos, órfã de guerra numa região do Oriente Médio, criada junto com outra menina por um mercenário e guerrilheiro chamado Siam. A irmã de criação de Canaan, Alphard, trai Siam, o mata e assume a direção da organização terrorista conhecida como Cobra. A partir daí os caminhos de Canaan e Alphard separam-se e elas se tornam inimigas mortais. Acostumada a um mundo de violência e insegurança, Canaan suaviza seu caráter de matadora ao conhecer a jovem e inocente fotógrafa Oosawa Maria, que lhe passa os valores da compaixão. Todavia, não será possível evitar o confronto com Alphard".
Os treze episódios de Canaan são comentados um a um no Guia, que pode ser baixado gratuitamente aqui.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

VI Prêmio LeBlanc

No dia 14 de julho, em evento presencial no Sesc São João de Meriti, no Rio de Janeiro, foram anunciados os vencedores da edição de 2023 do Prêmio Le Blanc, voltado a apontar os melhores do ano anterior em animação, jogos, histórias em quadrinhos e literatura fantástica. 
A apuração foi realizada em duas etapas: uma consulta popular pela internet indicou três finalistas em cada categoria, dentre os quais o ganhador foi definido por um juri de especialistas. 
São eles: 
Romance: A roda de Deus, Leonel Caldela, Jambô.
Coletânea: Assombros, Zé Wellington, Draco.
História em quadrinhos independente: Ovelha negra, Carlos Felipe Figueiras & B. Horn, Tapas.
História em quadrinhos: Sussurros do caos rastejante, Fábio Yabu & Fred Rubim, Jambô.
Série de tiras: Edifício Celeste, Thiago Krening.
Série de animação: Turma da Mônica, Cartoon Network, Mauricio de Sousa Produções & Split Studio.
Curta animado: Coelhitos e gambazitas, Thomas Larson.
Curta animado independente: Eu nunca contei a ninguém, Douglas Duan.
Longa animado: A lasanha assassina, Ale McHaddo.
Animação publicitária: Abertura de novela Cara e Coragem, Leonardo Fleury & Luciana Jordão.
Game eletrônico: Fobia – St. Dinfna hotel, Pulsatrix Studios.
RPG: O cordel do reino do sol encantado, Pedro Borges, New Order.
Criado em 2018, o Prêmio Le Blanc é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas (PPGMC) da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e pela Universidade Federal Fluminense (UFF). 
O nome é uma homenagem à André LeBlanc (1921-1998), haitiano radicado no Brasil com uma extensa e importante obra no campo da ilustração editorial.
A relação com todos os finalistas de cada categoria pode ser conferida aqui.

domingo, 16 de julho de 2023

Resenha do Almanaque: FCdoB: Ficção Científica Brasileira - Panorama 2006/2007

FCdoB: Ficção científica brasileira - Panorama 2006/2007, Fernando Murillo Bettencourt & Maria S. Cavalcante, orgs. 228 páginas. Rio de Janeiro: Corifeu, 2008.

Antologia montada a partir de um concurso de contos promovido pela BHB – Eventos Culturais. Realizado pela internet entre 2006 e 2007, o concurso recebeu quase duzentos trabalhos que foram julgados por uma comissão formada pela doutora em direitos humanos Cristina Amich Elias, pela pedagoga Sônia Regina Malardé e pelos escritores Alexis Bernardo de Lemos e Ivan Carlos Regina. Foram escolhidos vinte e sete contos, cujo prêmio era justamente fazer parte deste volume, que propõe ser um recorte da ficção científica praticada no Brasil naquele período. O livro tem prefácio da brasilianista Elisabeth Ginway e apresentação das orelhas assinada por Marcello Simão Branco.
FCdoB repete a estratégia das antologias do saudoso Clube de Ficção Científica Antares que, na década de 1980, revelou alguns dos melhores autores da fc&f brasileira. O livro apresenta uma leva de autores novos, todos com textos bastante curtos, entre 750 e 6000 palavras. A seguir, resumo e comentários sobre os contos que formam o volume.
“Nos pântanos de Hansu”, Aguinaldo Inácio Peres. Piratas aproveitam a ingenuidade dos autóctones de um planeta alienígena para roubar deles uma matéria-prima valiosa.
“Solidão”, Alexandre Sant’Ana. Num tempo em que a clonagem humana é prosaica, mulher abandonada executa um plano mirabolante para recuperar a confiança de seu homem. Ideia razoável com desfecho eficiente.
“Sete dias”, Alexandre Santos Lobão. Universitário registra suas memórias recentes na tentativa de entender o que está acontecendo com seus colegas que começaram a manifestar habilidades que levarão ao fim do mundo.
“Sociedade Kabuki”, Alexandre Veloso de Abreu. Numa sociedade em que todos vivem nus e usam máscaras, uma prostituta tem um dia ruim.
“Planetas obliterados”, Alex de Sousa. Em tom de crônica histórica, conta como uma máquina automática tripulada por golfinhos causa um desastre ecológico num planeta florestal.
“Julieta do quarto livro”, Carlos Abreu. Excêntrico escritor de ficção científica é abordado por uma jornalista interessada em debater o quarto romance de sua série que, entretanto, nunca foi escrito. Texto muito divertido, com um leve toque metalinguístico.
“Alberto 2.0”, Cristiano Tavares. Um chefe de família decide submeter-se a uma cirurgia de implantes que lhe devolverão a empregabilidade perdida, mas que também vão destruir seu casamento. Boa ideia que guarda bem-vindos vínculos com a realidade.
“Assassinando o tempo”, Cristina Lasaitis. Cientista brasileira confirma a teoria da sua vida num acelerador de partículas construído em pleno sertão nordestino. A melhor virtude do conto é o contraste proposto entre o agreste e o ambiente futurista do acelerador.
“O visitante”, Daniel Brasil. Pesquisadores universitários inventam a máquina do tempo e, por acidente, trazem Ludwig van Beethoven para o presente.
“Connectville”, Davi Menossi Gonzáles. Morador de uma pacata cidade interiorana narra a instalação de uma estranha estrutura nos arredores de sua casa e como ela foi destruída pelo ataque de um disco voador. Um relato intrigante na tradição ufológica que caracteriza a ficção científica brasileira.
“Crepúsculo escarlate”, Denis Winston Brum. Explorador solitário em Marte tem contato imediato com alienígenas diáfanos, evoluídos e benevolentes.
“Os ovos”, Dóris Fleury. Cientista cinquentona entra em crise existencial depois de passar anos chocando ovos alienígenas. No saite A Escrevinhadora podem ser lidos outros de seus contos. Uma das melhores revelações dos últimos anos, embora não tenha seguido adiante no gênero.
“Super homem”, Edmundo Pacheco. Viajante espacial movido pela expectativa de ser o primeiro a pisar num mundo de outra galáxia, chega ao seu objetivo apenas para descobrir que, enquanto viajava, a humanidade desenvolveu-se ao ponto de lá chegar antes dele.
“O ato de Bangladesh”, Felipe Tazzo. Um coletor de lixo apresenta seus problemas, seus companheiros de trabalho e sua família, construindo um intrigante recorte de uma sociedade futurista. A história é simples porém extremamente bem redigida. Os personagens vívidos e interessantes têm potencial e merecem ser retomados numa obra de mais fôlego. O melhor trabalho da antologia.
“Mar negro”, Gabriel Boz. Depois que uma praga desconhecida e implacável devastou a vida no planeta, o último homem sobre a Terra cumpre o derradeiro desejo de sua recém-falecida esposa levando o cadáver para a beira do mar. Ao longo do caminho, um mundo devastado e, na praia, um encontro inesperado. Gabriel Boz, um dos editores do extinto fanzine Scarium, mostra um texto correto e feliz na escolha do tema, que sempre rende boas histórias.
“Mente S/A”, Augusto Guimarães. Jovem que passou por um tratamento de correção de personalidade tem problemas para se adaptar à nova estrutura mental. A ideia dialoga com o clássico da ficção científica A laranja mecânica, de Antony Burgess.
“Crimideia”, Gustavo Benitez Ribeiro. Pessoas recém-falecidas têm suas personalidades gravadas numa máquina, de forma que continuem a conversar com os vivos. A opinião pública é manipulada pelos políticos para aprovar o uso da máquina nos processos jurídicos, visto que as vítimas de assassinato podem apontar os criminosos.
“A biblioteca de Titã”, Joana Belarmino. Mulher passa algumas semanas na lua de Saturno, pesquisando uma biblioteca que tem todos os livros do universo. Sem qualquer conflito, o conto é apenas uma justa homenagem a Jorge Luiz Borges.
“Como se fosse essa noite a última vez”, João Paulo Vaz. Um homem tenta uma última noite de prazer com sua fogosa amante, sabendo que, no dia seguinte, perderá o seu implante peniano de alta tecnologia. Uma boa discussão sobre o sexismo exacerbado de nossos tempos.
“O bloco”, Jurandir Araguaia. Moradores de uma pequena cidade interiorana surpreendem-se com um bloco de pedra que surgiu repentinamente na praça principal. Um leve toque no objeto torna as pessoas felizes e isso transforma a cidade. Trabalho claro e despretensioso, forte em simbolismos.
“Caieiro e Alberta”, Leandro Malósi. Casal que joga sexo virtual pela internet decide se encontrar pessoalmente para dar números finais ao placar.
“A idade do lobo”, Leandro Carrion. Num futuro em que as mulheres foram quase extintas por uma doença incurável, um jovem jornalista, que sonha ser selecionado para reprodutor, envolve-se com um grupo terrorista que lhe dá um harém.
“O casal mais discreto de Malibu”, Leonardo Siviotti. O conto tem dois tempos distintos: a princípio, um casal conversa amenidades durante o café da manhã; depois, o narrador explica o resto da história.
“Memórias roubadas”, Maria Helena Bandeira. Preso num manicômio, jovem hacker que roubou as memórias de um figurão passa por uma egotrip durante uma entrevista terapêutica. Narrativa sincopada, com trechos da entrevista misturadas às memórias roubadas.
“Depois do homem”, Maria Teresa. Uma civilização de mutantes sucede o homem no domínio da Terra, mas sua sociedade sofre dos mesmos erros e vícios de seus antecessores. Em meio a intrigas, os pesquisadores descobrem nas ruínas da civilização humana as pistas da sua própria existência.
“Mãos grandes”, Paulo Virgílio D'Auria. Num futuro escravocrata no qual os trabalhadores especializados são projetados geneticamente, uma enfermeira apaixonada desafia a sociedade para viver uma história de amor.
“Lembranças”, Valentim S. Pereira. Um homem submete-se a experiência de mapeamento de memória e, por uma falha no procedimento, perde-se entre muitas identidades armazenadas em seu cérebro.
O resultado geral de FCdoB é irregular, natural nesse tipo de dinâmica editorial. A maior parte dos trabalhos não ousa ir além do já visto, o que confirma o pouco tráfego destes novos autores na ficção científica. A exceção da experiente Maria Helena Bandeira (falecida em 2013), a ausência dos nomes mais destacados da fc&f nacional refletia o desinteresse destes pelas promoções do fandom*. Uma seleção mais rigorosa, com menos contos, teria resultado numa antologia mais significativa no panorama fc&f brasileira, mas vale o registro dos movimento inicias do que é hoje chamado de Terceira Onda da ficção científica brasileira.

*A época da publicação, Cristina Lasaitis, hoje uma autora reconhecida, era recém-chegada ao ambiente da literatura fantástica.