terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Velta 12

Velta, a super-detetive completa um ano de publicação virtual regular, na missão de colocar, em ordem cronológica, todas as aventuras criadas por Emir Ribeiro durante mais de 40 anos, em versões revisadas e melhoradas para apresentar aos novos leitores a saga desta surpreendente personagem.
Nesta edição, de 36 páginas em cores, aparecem três histórias. Em "A hipnotizadora", Velta e o Homem de Preto enfrentam uma vilã num terreno em que seus poderes são praticamente inúteis; em "Falsários", a androide Nova desbarata uma quadrilha de criminosos; e em "Aventura no Amazonas" uma Velta muito à vontade em plena floresta amazônica enfrenta perigosos contrabandistas internacionais. A capa traz uma foto-montagem de Milton Ribeiro e Arion Farias retratando o criador e a criatura.
A publicação é iniciativa do blogue Rock e Quadrinhos, e pode ser baixada gratuitamente aqui.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Tu Frankenstein II

Para coroar mais um bom ano para a fc&f brasileira, chegou – pelos préstimos do organizador Duda Falcão – a antologia Tu Frankenstein II, publicado pela editora Besouro Box, com os trabalhos produzidos durante o evento homônimo, realizado em 2013, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, cuja ideia foi inspirada na mítica noite tempestuosa na qual Mary Shelley teria criado o seu mais famoso livro.
Os autores presentes na antologia, brasileiros e estrangeiros, convidados a passar a noite na Biblioteca Pública do Estado escrevendo estes contos de horror, são: Braulio Tavares, Carlos André Moreira, Carlos Patati, Celly Borges, César Alcázar, Duda Falcão, Christopher Kastensmidt (EUA), Frederico Andahazi, Felipe Castilho, Guilherme da Silva Braga, Gustavo Nielsen, João Pedro Fleck, Felipe Guerra, Marcelo Amado, Max Mallmann, Sean Branney (EUA) e Simone Saueressig.
O livro tem 230 páginas e apresentação luxuosa, com uma capa – projeto gráfico de Marco Cena – que lembra uma antiga e deteriorada encadernação em couro (humano?), com uma textura incomum em verniz. O livro é ilustrado com fotos tiradas por Leocádia Costa durante o evento, registrando vários momentos dessa noite memorável. Altamente recomendável.

Argonautas 2014

Duda Falcão é um dos valentes autores de fc&f que um dia tomou a iniciativa de também editar textos do gênero num mercado refratário e indiferente. Fundou, em 2010, ao lado de César Alcázar, a Editora Argonautas, com a publicação do primeiro volume da coleção Sagas, antologias temáticas dedicadas a explorar e homenagear os diversos subgêneros da ficção científica, fantasia e terror. Desde então, a Argonautas tem oferecido um catálogo de bons livros – com lançamentos todos os anos – e contribuído de forma decisiva para o estabelecimento de um produtivo pólo editorial em Porto Alegre, cidade em que está baseada.
Em 2014, o desempenho da Argonautas foi bastante satisfatório, com a publicação de duas boas antologias, que foram gentilmente encaminhadas a este blogue por Duda Falcão.
Seguindo com seu carro-chefe, a editora publicou o quinto volume da coleção Sagas: Revolução, com textos de André Cordenonsi, Fábio Fernandes, Felipe Castilho e Nikelen Witter, num volume muito simpático, de 92 páginas em papel reciclato e formato de bolso, com capa de Fred Rubim.
No mesmo formato, publicou também a antologia Ascenção de Cthulhu, dedicado a homenagear o mestre do horror H. P. Lovecraft, com textos de Leon Nunes, Romeu Mastins, Carlos Patati, Marcelo Augusto, Arthur Vecchi, Carlos Orsi e do próprio Duda Falcão, que transferem os tenebrosos mitos de Cthulhu para o ambiente brasileiro. A capa tem a arte de Pedro Elefante. Livros altamente recomendáveis, portanto.
Maiores informações, no blogue da Editora Argonautas, aqui.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2013

Já está disponível no saite da Devir Livraria o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2013: Os primeiros dez anos.
Numa iniciativa dos jornalistas e pesquisadores de ficção científica e fantasia Marcello Simão Branco e Cesar Silva, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica foi publicado pela primeira vez em 2005. Apresenta um amplo e profundo panorama do cenário fantástico nacional, em suas três manifestações principais, a ficção científica, a fantasia e o horror, além de contemplar também as criações híbridas entre estes gêneros e os chamados trabalhos de “fronteira”, isto é, o fantástico abordado a partir da perspectiva do mainstream literário. Contém notícias sobre prêmios e personalidades, artigos sobre o mercado editorial, listas dos livros recomendados lançados durante o ano e uma seção histórica com datas e resenhas de livros importantes.
Anuário tem por meta realizar um registro do estado desses gêneros no país, além de auxiliar tanto os leitores em busca do que há de novo, como os escritores que desejam destrinchar as tendências do mercado. E também a editores e pesquisadores que estão a procura de um conhecimento mais sistematizado e amplo do que está surgindo e das perspectivas para o fantástico no Brasil.
Esta edição, em especial, se reveste de um caráter único, pois realiza um amplo levantamento e balanço crítico sobre a fc&f brasileira nos últimos dez anos, ou seja, desde a primeira edição, em 2004. Afora as seções tradicionais, tem um artigo de análise sobre as características, virtudes, problemas e perspectivas para a ficção científica, fantasia e horror brasileiros. Também uma seleção das resenhas dos 39 melhores livros da década e um amplo debate com algumas das principais personalidades dos gêneros fantásticos entre o final do século passado e as primeiras décadas deste.
A seção “Efemérides”, que trata da parte histórica da fc&f no Brasil, consolida suas listagens de datas de publicações e eventos, de 1826 a 1993. Cento e sessenta e oito anos de registro em literatura, histórias em quadrinhos e cinema. Completa esta seção a publicação de todas as 32 resenhas de livros clássicos e tradicionais da fc&f publicados nas edições anteriores, e um artigo sobre o histórico Simpósio Internacional de Ficção Científica, realizado no Rio de Janeiro em 1969. A edição tem 408 páginas e, na capa, apresenta um desenho do ilustrador Teo Adorno.
O Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica recebeu, em 2010, o Prêmio “Melhores do Ano”, na categoria “Melhor Não-Ficção”, concedido pelo site Ficção Científica e Afins, da escritora Ana Cristina Rodrigues.

Repercussões:
“Embora a literatura fantástica enfrente muitos desafios no Brasil, um trabalho árduo de crítica e pesquisa como o do Anuário permite uma base sólida para o desenvolvimento de pesquisas e publicações.”
—Rachel Haywood Ferreira, Iowa State University.

 “As suas carreiras críticas — existentes há anos em várias publicações, e há seis anos no Anuário —, são o balanço global dos gêneros literários que vocês analisam, o mais competente, sério e abrangente, dentro do universo crítico brasileiro.”
—André Carneiro, autor de Confissões do Inexplicável e O Teorema das Letras.

“O Anuário é uma das publicações de crítica de ficção especulativa mais independentes e de maior personalidade no país. Editores, pesquisadores, colecionadores de livros, escritores e fãs devem encontrar uma fonte de consulta, de avaliações e de opiniões críticas inestimável para dar perspectiva ao momento atual.”
—Roberto de Sousa Causo, Terra Magazine.

“Um projeto raro e ambicioso, que apresenta uma perspectiva global e sistematizada a respeito do mercado no Brasil e confere-lhe uma unidade na qual os autores poderão posicionar-se. Além disso, contribui para o crescimento da crítica profissional e do estudo acadêmico, essenciais ao desenvolvimento de qualquer literatura.”
—Luís Filipe Silva, site Efeitos Secundários (Portugal).

Sobre o selo Enciclopédia Galáctica:
Em 2010, a Devir Livraria inaugurou o selo Enciclopédia Galáctica, destinado a obras de não-ficção voltadas para a discussão, análise e registro dos gêneros ficção científica, fantasia e horror na literatura, quadrinhos, jogos, cinema e televisão. O selo busca fomentar a produção crítica a respeito desses gêneros e formas de expressão, em um momento em que cresce muito o interesse pela literatura de ficção científica, fantasia e horror no ambiente acadêmico e literário nacional. O primeiro livro do selo foi Visão Alienígena: Ensaios sobre Ficção Científica Brasileira, de M. Elizabeth Ginway, brasilianista e professora de língua portuguesa e literatura e cultura brasileira na Universidade da Flórida (em Gainesville).

Resenha: Bom de Briga, de Paul Pope

Todos os leitores de quadrinhos sabem o quanto é raro que surja uma nova boa ideia em meio às centenas que lhe são oferecidas diariamente, em especial o gênero dos super-heróis, que está em crise criativa há pelo menos duas décadas. A maior parte do material dito 'novo' não passa de derivação: a mesma história de sempre com um desenho diferente, às vezes nem mesmo isso. Os grandes artistas do segmento já morreram e, atualmente, os personagens são reféns de suas próprias franquias e os artistas não podem interferir na sua estrutura. Além do mais, é raro que surjam novos personagens, porque as editoras maiores saturam o mercado e sufocam qualquer possível concorrência em seu nascedouro, geralmente cooptando o artista para trabalhar em suas próprias franquias.
Mesmo passando por todo esse processo, o quadrinhista americano Paul Pope segue resistindo com seu trabalho autoral. Chegou a ser utilizado pela DC na produção de Batman: Ano 100 e nas minisséries de ficção científica 100% e Heavy Liquid, ambas da linha Vertigo, entre outros trabalhos. Pope é um dos raros artistas ocidentais a ter publicado na prestigiosa editora japonesa Kodansha. Sua vivência com tantas fontes de influência, que vão dos comics americanos aos quadrinhos japoneses e europeus, tornaram sua arte um cardápio rico e impactante, já reconhecida por três prêmios Eisner Award, em 2006 e 2007. Seu desenho algo relaxado investe no volume, no movimento e numa expressividade inusitados.
Essas qualidades estão todas presentes no álbum Bom de Briga (Battling Boy), originalmente editado em 2013 pela editora First Second Books, e publicado no Brasil em 2014 pela Editora Companhia da Letras em seu selo Quadrinhos na Cia.
Trata-se de uma história na linha New Weird, amálgama de ficção científica, fantasia e horror com uma ambientação realista. Bom de Briga é o nome de um garotinho de doze anos que acaba de chegar à cidade de Arcopolis, que se encontra sitiada pelo ataque de uma horda monstros de todos os tipos e tamanhos. O herói da cidade, o vigilante mascarado Haggard West, caiu numa emboscada e agora a cidade está completamente desprotegida. A chegada de Bom de Briga não é um acaso, pois ele tem uma missão: proteger Arcopolis. Isso porque, apesar de muito jovem, Bom de Briga não é um garoto qualquer. Ele é um semideus, vindo diretamente da cidade celestial, enviado por sua própria família divina para defender o lugar como uma espécie de rito de passagem para a divindade plena. Bom de Briga é poderoso e imortal, mas isso não torna a tarefa fácil. Logo de cara, ele tem que enfrentar Humbaba, um gigantesco monstro devorador de metal que está prestes a derrubar as defesas da cidade. E entra em ação com a confiança de um deus, mas falta de experiência é um sério obstáculo ao sucesso do garoto, que num momento de fraqueza e indecisão, acaba pedindo socorro ao pai, que o ajuda à distância, pois ele também está envolvido em seus próprios combates. Mas ele o adverte: "Não se fie em minha cômoda intervenção! Você deve repensar suas estratégias!" Ou seja, Bom de Briga terá de se virar sozinho dali em diante.
Exibida na tv, a luta de Bom de Briga e Humbaba torna o garoto no novo herói da cidade, recebido pelo governo com honras de estado e mimos, mas ele também o teme. Afinal, quem é esse Bom de Briga? Podemos confiar nele? A jovem Aurora, filha, assistente a agora órfã do falecido Haggard West, tenta assumir o posto do pai com a certeza que Bom de Briga não é digno dessa confiança. Enquanto isso, os monstros que, até então, agiam de forma desarticulada, começam a se organizar. Eles também não sabem quem é o menino que derrotou Humbaba tão facilmente, mas de uma coisa todos têm certeza: Bom de Briga precisa morrer.
A narrativa de Pope, somada a uma pletora de personagens instigantes, demonstra a mesma força das grandes sagas cósmicas criadas pelo ilustrador americano Jack Kirby (1917-1994), com um desenho agressivo e movimentado que reporta ao mangá e ao quadrinho europeu.
Bom de Briga tem 204 páginas em papel cuchê totalmente em cores, encadernação costurada e capa em cartão com laminação brilhante. Está, com certeza, entre as mais importantes publicações de quadrinhos no país em 2014.
Altamente recomendável.

Somnium 110

Está disponível para download gratuito o número 110 do Somnium, fanzine oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC.
A maior parte de suas 98 páginas está ocupada por contos de Fred Oliveira, Octávio Aragão, João Solimeo, Jorge Luiz Calife, Renato A. Azevedo, Amanda Reznor, Marcelo Bighetti e Roberta Spindler, mas também há uma seção dedicada ao escritor russo-americano Isaac Asimov (1920-1992), com cometários a vários de seus romances, além de resenhas de diversos livros de autores nacionais e estrangeiros. A capa traz uma ilustração de Marcelo Bighetti.
A edição está disponível em vários formatos, todos digitais. Escolha o seu, aqui.