Em cima da hora, mas ainda em tempo: neste final de semana, sábado 30/11 e domingo 1/12, acontece o Doctor Who 50 Anos, mega-evento dedicado a registrar as cinco décadas de sucesso deste que é o mais longevo seriado da televisão mundial.
Organizada pelo Trekker ABC Sci-Fi & Cia, a atividade prevê uma ampla programação que, em ambos os dias, entre as 10 e as 19 horas, apresenta palestras, exposições, brincadeiras, concurso de cosplay, exibições de filmes, vídeos e episódios das séries clássica e recente, incluindo o longa The day of the Doctor, exibido em circuito mundial há alguns dias.
As atividades estarão abrigadas no Teatro Cacilda Becker, que fica na Pça. Samuel Sabatini, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo (ao lado do terminal São Bernardo do tróleibus) e a entrada é franca. Mais informações na fanpage do evento, aqui.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Fantastiverso
Anunciado por semanas nas redes sociais, o projeto Fantastiverso, entrou finalmente em
operação oferecendo, gratuitamente, os primeiros ebooks das séries literárias Antonio Spadoni e os caçadores de demônios, dark fantasy de Ademir Pascale, e a ficção científica Kolob: A ascenção dos deuses, de Marcelo Biguetti.
Os volumes estão disponíveis nos formatos pdf, mobi e epub, e podem ser baixados gratuitamente aqui.
operação oferecendo, gratuitamente, os primeiros ebooks das séries literárias Antonio Spadoni e os caçadores de demônios, dark fantasy de Ademir Pascale, e a ficção científica Kolob: A ascenção dos deuses, de Marcelo Biguetti.Os volumes estão disponíveis nos formatos pdf, mobi e epub, e podem ser baixados gratuitamente aqui.
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Você tem medo de quê?
Já está disponível a edição 153 do fanzine de ficção científica e horror Juvenatrix, editado por Renato Rosatti em formato eletrônico. A edição de 33 páginas vem com um fanfic de Ronald Rahal, textos sobre os filmes A lenda do cavaleiro sem cabeça (Sleep Hollow, 1999) e Gravidade (Gravity, 2013), além de divulgação de produções alternativas e bandas de rock extremo. A capa tem uma ilustração de Erik Muller Thurm.
O editor também distribui, em papel, o número 4 da newsletter Boca do Inferno, com artigos sobre os filmes A maldição de Lemora (Lemora: A child´s tale of the supernatural, 1973) e Trash: Náusea total (Bad taste, 1987).
Para obter cópias destas publicações, é preciso solicitar pelos emails renatorosatti@yahoo.com.br ou renatorosatti@terra.com.br.
O editor também distribui, em papel, o número 4 da newsletter Boca do Inferno, com artigos sobre os filmes A maldição de Lemora (Lemora: A child´s tale of the supernatural, 1973) e Trash: Náusea total (Bad taste, 1987).Para obter cópias destas publicações, é preciso solicitar pelos emails renatorosatti@yahoo.com.br ou renatorosatti@terra.com.br.
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Monstros dos Fanzines nº 2
Disposto a agitar o ambiente dos quadrinhos alternativos, o editor Marcos Freitas acaba de publicar, pelo selo Atomic, o segundo número da coleção Monstros dos Fanzines, inteiramente dedicado a obra do quadrinhista Flávio Calazans.
Apesar de ser uma edição independente e produzida de forma artesanal, o livro tem presentação impecável, com 226 páginas perfeitamente impressas em preto e branco, capas em cores e lombada quadrada, disponível nos formatos A5 e A4.
O volume reúne praticamente toda obra de Calazans que, por muito tempo, esteve a frente de uma série de publicações independentes como, por exemplo, o fanzine Barata, publicado ao longo de mais de duas décadas. Mesmo depois de ter chegado a publicação profissional, Calazans continuou independente em suas ideias e estilo, muito identificados com o movimento underground. A edição publica também uma longa entrevista com o artista.
Mais informações, no blogue Quadritos, aqui.
Apesar de ser uma edição independente e produzida de forma artesanal, o livro tem presentação impecável, com 226 páginas perfeitamente impressas em preto e branco, capas em cores e lombada quadrada, disponível nos formatos A5 e A4.
O volume reúne praticamente toda obra de Calazans que, por muito tempo, esteve a frente de uma série de publicações independentes como, por exemplo, o fanzine Barata, publicado ao longo de mais de duas décadas. Mesmo depois de ter chegado a publicação profissional, Calazans continuou independente em suas ideias e estilo, muito identificados com o movimento underground. A edição publica também uma longa entrevista com o artista.
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Megalon 35
Continuando o trabalho de disponibilizar publicamente toda coleção do Megalon, o editor Marcello Simão Branco digitalizou o número 35 deste fanzine que é parte fundamental da história da fc&f brasileira.
Publicado originalmente em abril de 1995, a edição traz ficção de Marcus Vinícius Gasques, Miguel Carqueija e do norte-americano David W. Hill, entrevista com o escritor Miguel Carqueija, um artigo especial de Fabio Ferrari e as colunas "Diário do Fandom", "Paralelas & Alternativas" e "Causo do Causo". A publicação tem 34 páginas e traz na capa um trabalho de Roberto Schima.
Paralelamente, o editor distribui um arquivo bônus, com documentos da época, relacionados a programação da I HorrorCon.
Publicado originalmente em abril de 1995, a edição traz ficção de Marcus Vinícius Gasques, Miguel Carqueija e do norte-americano David W. Hill, entrevista com o escritor Miguel Carqueija, um artigo especial de Fabio Ferrari e as colunas "Diário do Fandom", "Paralelas & Alternativas" e "Causo do Causo". A publicação tem 34 páginas e traz na capa um trabalho de Roberto Schima.
Paralelamente, o editor distribui um arquivo bônus, com documentos da época, relacionados a programação da I HorrorCon.
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Marvel Comics: A história secreta
Livros sobre quadrinhos são raros no Brasil e, quando aparecem, geralmente são fruto do trabalho acadêmico de algum pesquisador brasileiro sobre detalhes da arte no País. Ensaios estrangeiros raramente são traduzidos aqui, o que é frustrante para os interessados na história geral dos quadrinhos, que precisam buscar por publicações originais para terem acesso a um material de referência mais confiável que o Wikipedia.
Por isso, é uma surpresa a publicação no Brasil, pela Editora LeYa, de Marvel Comics: A história secreta (Marvel Comics: The untold story) volumoso ensaio do jornalista Sean Howe, editor da Entertainment Weekly, lançado em 2012 nas livrarias americanas.
Trata-se de um levantamento minucioso sobre a construção de um dos mais lucrativos impérios da cultura pop internacional, que reúne um conjunto invejável de personagens amados em todo o mundo, cheios de histórias para serem lembradas. A Marvel movimenta um faturamento gigantesco amealhado em diversas mídias, e o livro é igualmente monumental, com 560 páginas em papel pólen soft, surpreendentemente leve e confortável de ler.
A pesquisa está dividida em cinco partes principais. A primeira, "Mitos e criações", relata as origens da editora desde a fundação, em 1930, por Martin Goodman, então sob o nome de Timely Comics. Mas a história para valer só começa em 1961, quando Stanley Martin Lieber, ou Stan Lee, então com mais de vinte anos de trabalho na empresa, teve a ideia de reunir personagens antigos em um grupo, como fez a editora concorrente, a Detective Comics, com a Liga da Justiça. Assim nasceu o Quarteto Fantástico que, devido a uma inovadora abordagem realista nos roteiros, repercutiu favoravelmente entre os leitores.
O relato avança ao longo dos dez anos seguintes, período em que surgiu a maior parte das ideias e personagem que iriam caracterizar a franquia, através da relação entre Lee e seus colaboradores, como o recluso Steve Ditko – que concebeu o Homem-Aranha – e, principalmente, Jack Kirby, que deu forma a praticamente todo o resto.
A segunda parte, "A nova geração", inicia com a saída de Kirby em 1970. Vemos a editora tornar-se um ambiente de maturidade artística com nomes como Roy Thomas, Archie Goodwin, Jerry Conway, Marv Wolfman, John Romita, Gil Kane e Jim Starling, entre outros, aproveitando o relaxamento gradual do famigerado Comics Code que, até então, era um garrote na indústria americana dos quadrinhos.
A terceira parte, "Trouble Shooter", inicia em 1978, com a entrada de Jim Shooter como editor e muitos problemas decorrentes da competitividade profissional. Foi nesse período que Chris Claremont e John Byrne estruturaram o que viria a ser o carro-chefe da Marvel dali em diante: os X-Men, e Frank Miller iniciou sua carreira meteórica em O Demolidor, enquanto o mercado era agitado por processos judiciais que os artistas moviam contra as editoras pleiteando direitos autorais sobre suas criações, que acabou com a decisão a favor deles. A última fase deste capítulo trata da famigerada minissérie Guerras Secretas, elaborada, entre outras coisas, para ajustar os muitos problemas que atravancavam o trabalho de uma equipe de artistas cada vez maior.
A quarta parte, "Expansão e queda", acompanha a evolução dos quadrinhos da Marvel ao longo dos anos 1980, sob o comando editorial de Ton DeFalco e Mark Gruenwald, que adotaram a estratégia de sucessivos cruzamentos entre os títulos da casa, e investiram em minisséries e grafic novels com acabamento sofisticado de custo elevado. Apesar de terem existido iniciativas anteriores, são desse período as primeiras tentativas sérias de adaptar os personagens Marvel para o cinema.
O relato conclui com o capítulo "Uma nova Marvel", acompanhando os anos 1990 quando a editora quase foi a falência, da qual se recuperou em 1997, a partir do sucesso do filme Blade e da lucrativa adaptação cinematográfica do Homem Aranha, em 2001, culminando em um negócio bilionário com a Disney, que comprou a Marvel em 2009. Isso reavivou antigas rusgas entre Stan Lee e seus primeiros parceiros, Steve Ditko e Jack Kirby, uma vez que o velho marechal da "Casa de Ideias" recebeu todo o crédito pela criação dos personagens, e o que aconteceu nos tribunais pode até não ter sido bonito de ver, mas é muito divertido de ler com a devida perspectiva histórica.
O volume ainda traz um apêndice organizado pelo tradutor Érico Assis, com uma ampla lista das edições da Marvel no Brasil, relacionando quando e por qual editora cada título citado no livro foi aqui publicado.
Marvel Comics: A história secreta fala especialmente àquele leitor que passou os últimos 40 anos ao lado de personagens e artistas dessa grande família, mas fala muito também ao leitor interessado em destrinchar cases mercadológicos, estratégias de negócios e demandas reais entre empresas e seus colaboradores.
Sem dúvida, a leitura de Marvel Comics: A história secreta vai desmistificar muitas das lendas que correm há décadas no imaginário dos fãs. E talvez acabe criando outras.
Por isso, é uma surpresa a publicação no Brasil, pela Editora LeYa, de Marvel Comics: A história secreta (Marvel Comics: The untold story) volumoso ensaio do jornalista Sean Howe, editor da Entertainment Weekly, lançado em 2012 nas livrarias americanas.
Trata-se de um levantamento minucioso sobre a construção de um dos mais lucrativos impérios da cultura pop internacional, que reúne um conjunto invejável de personagens amados em todo o mundo, cheios de histórias para serem lembradas. A Marvel movimenta um faturamento gigantesco amealhado em diversas mídias, e o livro é igualmente monumental, com 560 páginas em papel pólen soft, surpreendentemente leve e confortável de ler.
A pesquisa está dividida em cinco partes principais. A primeira, "Mitos e criações", relata as origens da editora desde a fundação, em 1930, por Martin Goodman, então sob o nome de Timely Comics. Mas a história para valer só começa em 1961, quando Stanley Martin Lieber, ou Stan Lee, então com mais de vinte anos de trabalho na empresa, teve a ideia de reunir personagens antigos em um grupo, como fez a editora concorrente, a Detective Comics, com a Liga da Justiça. Assim nasceu o Quarteto Fantástico que, devido a uma inovadora abordagem realista nos roteiros, repercutiu favoravelmente entre os leitores.
O relato avança ao longo dos dez anos seguintes, período em que surgiu a maior parte das ideias e personagem que iriam caracterizar a franquia, através da relação entre Lee e seus colaboradores, como o recluso Steve Ditko – que concebeu o Homem-Aranha – e, principalmente, Jack Kirby, que deu forma a praticamente todo o resto.
A segunda parte, "A nova geração", inicia com a saída de Kirby em 1970. Vemos a editora tornar-se um ambiente de maturidade artística com nomes como Roy Thomas, Archie Goodwin, Jerry Conway, Marv Wolfman, John Romita, Gil Kane e Jim Starling, entre outros, aproveitando o relaxamento gradual do famigerado Comics Code que, até então, era um garrote na indústria americana dos quadrinhos.
A terceira parte, "Trouble Shooter", inicia em 1978, com a entrada de Jim Shooter como editor e muitos problemas decorrentes da competitividade profissional. Foi nesse período que Chris Claremont e John Byrne estruturaram o que viria a ser o carro-chefe da Marvel dali em diante: os X-Men, e Frank Miller iniciou sua carreira meteórica em O Demolidor, enquanto o mercado era agitado por processos judiciais que os artistas moviam contra as editoras pleiteando direitos autorais sobre suas criações, que acabou com a decisão a favor deles. A última fase deste capítulo trata da famigerada minissérie Guerras Secretas, elaborada, entre outras coisas, para ajustar os muitos problemas que atravancavam o trabalho de uma equipe de artistas cada vez maior.
A quarta parte, "Expansão e queda", acompanha a evolução dos quadrinhos da Marvel ao longo dos anos 1980, sob o comando editorial de Ton DeFalco e Mark Gruenwald, que adotaram a estratégia de sucessivos cruzamentos entre os títulos da casa, e investiram em minisséries e grafic novels com acabamento sofisticado de custo elevado. Apesar de terem existido iniciativas anteriores, são desse período as primeiras tentativas sérias de adaptar os personagens Marvel para o cinema.
O relato conclui com o capítulo "Uma nova Marvel", acompanhando os anos 1990 quando a editora quase foi a falência, da qual se recuperou em 1997, a partir do sucesso do filme Blade e da lucrativa adaptação cinematográfica do Homem Aranha, em 2001, culminando em um negócio bilionário com a Disney, que comprou a Marvel em 2009. Isso reavivou antigas rusgas entre Stan Lee e seus primeiros parceiros, Steve Ditko e Jack Kirby, uma vez que o velho marechal da "Casa de Ideias" recebeu todo o crédito pela criação dos personagens, e o que aconteceu nos tribunais pode até não ter sido bonito de ver, mas é muito divertido de ler com a devida perspectiva histórica.
O volume ainda traz um apêndice organizado pelo tradutor Érico Assis, com uma ampla lista das edições da Marvel no Brasil, relacionando quando e por qual editora cada título citado no livro foi aqui publicado.
Marvel Comics: A história secreta fala especialmente àquele leitor que passou os últimos 40 anos ao lado de personagens e artistas dessa grande família, mas fala muito também ao leitor interessado em destrinchar cases mercadológicos, estratégias de negócios e demandas reais entre empresas e seus colaboradores.
Sem dúvida, a leitura de Marvel Comics: A história secreta vai desmistificar muitas das lendas que correm há décadas no imaginário dos fãs. E talvez acabe criando outras.
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Doris Lessing (1919-2013)
A ficção científica não convive mais com uma de suas autoras mais ilustres. No dia 17 de novembro de 2013 morreu Doris Lessing, escritora e poetisa britânica cuja obra foi reconhecida com o Prêmio Nobel em 2007.
Tive um caso de amor profundo com Doris Lessing no início dos anos 1990. Comecei com Shikasta, primeiro de cinco volumes da série de ficção científica Canopus in Argos: Archives, que conta, através de uma mosaico de pequenas narrativas nem sempre fáceis de interpretar, a tragédia humana sob o olhar de um grupo de observadores alienígenas que, ao longo da história, aqui realizam experimentos nem sempre benfazejos. Através desse olhar "externo", a autora desnuda detalhes perturbadores da natureza humana e sua doentia relação com a natureza e com seus semelhantes, de uma forma que somente ela poderia realmente fazer.
Doris Lessing, batizada Doris May Tayler, nasceu em 29 de outubro de 1919 em Kermanshah, no Curdistão iraniano, que então era parte da Pérsia. Sua naturalidade britânica foi herança dos pais, Alfred e Emily Tayler, nascidos na Inglaterra. Quando Doris estava com seis anos, a família mudou-se para a Rodésia do Sul, atual Zimbábue, indo morar na fazenda de milho e tabaco adquirida por seu pai. Ela frequentou uma escola de freiras que abandonou aos 13 anos, completando os estudos como autoditada. Interessada em literatura, começou a escrever aos 15 anos, mas as coisas não foram muito bem na fazenda e a vida difícil levou a jovem até a se prostituir para sustentar a mãe.
Entre 1939 e 1943, Doris foi casada com Frank Charles Wisdom, a quem deu um casal de filhos, criados pelo pai. Foi mais uma vez casada, entre 1945 e 1949, com Gottfried Lessing, alemão comunista que, mais tarde, viria a ser embaixador da RDA em Uganda. Doris teve mais um filho, Peter, que levou consigo para a Londres, onde iniciaria sua carreira como escritora. Seu primeiro livro foi The grass is singing, publicado em 1949.
Suas públicas opiniões políticas contra o apartheid e a favor do feminismo e do desarmamento nuclear a tornariam uma personalidade conhecida, a ponto de ser banida da África do Sul e da Rodésia. Doris recusou o título de Dama, mas aceitou diversos outros méritos do Governo britânico, e em 2007, aos 87 anos, tornou-se a pessoa mais idosa a receber um Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de ser autora de muitos romances importantes, tais como The golden notebook (1962), Briefing for a descent into hell (1971) e The good terrorist (1985), que tratam de temas espinhosos como política, psicologia e feminismo – termo que ela rejeitava veementemente –, aqueles que Lessing dizia mais apreciar eram justamente os seus textos de ficção científica, gênero que ela classificou como a "melhor ficção social dos nossos tempos". São eles: Shikasta (1979), The marriages between Zones Three, Four and Five (1980), The sirian experiments (1980), The making of the representative for Planet 8 (1982), The sentimental agents in the Volyen Empire (1983), nos quais a autora desenvolve uma cosmologia inspirada no sufismo para mergulhar na natureza humana e sua relação com o universo. Além destes livros, Lessing tem pelo menos mais um romance que flerta com o gênero, Memoirs of a survivor (1974), no qual uma senhora observa o progressivo esvaziamento de sua cidade a partir da janela do apartamento, trabalho que se instala nas franjas da escatologia, ao lado de "The Ones Who Walk Away from Omelas", de Ursula K. Le Guin, Earth abides, de George R. Stewart, e The road, de Cormac McCarty.
Nem seria preciso dizer que a crítica mainstream detesta a ficção científica de Doris Lessing, pois deixou isso bem claro em diversas resenhas. Contudo, neste aspecto, ela não está sozinha. Com raríssimas exceções, a crítica especializada no gênero também não elogia o trabalho da autora, que considera desconexo e demasiadamente depressivo, características evitadas pelas revistas pulp que estabeleceram os protocolos de um gênero geralmente mais interessado em entreter consumidores.
Doris viria a lamentar o Nobel que recebeu, por ele ter causado uma tal demanda por entrevistas e aparições públicas que literalmente a impediram de continuar escrevendo.
Seu último livro, Alfred and Emily, foi publicado em 2008.
Tive um caso de amor profundo com Doris Lessing no início dos anos 1990. Comecei com Shikasta, primeiro de cinco volumes da série de ficção científica Canopus in Argos: Archives, que conta, através de uma mosaico de pequenas narrativas nem sempre fáceis de interpretar, a tragédia humana sob o olhar de um grupo de observadores alienígenas que, ao longo da história, aqui realizam experimentos nem sempre benfazejos. Através desse olhar "externo", a autora desnuda detalhes perturbadores da natureza humana e sua doentia relação com a natureza e com seus semelhantes, de uma forma que somente ela poderia realmente fazer.
Doris Lessing, batizada Doris May Tayler, nasceu em 29 de outubro de 1919 em Kermanshah, no Curdistão iraniano, que então era parte da Pérsia. Sua naturalidade britânica foi herança dos pais, Alfred e Emily Tayler, nascidos na Inglaterra. Quando Doris estava com seis anos, a família mudou-se para a Rodésia do Sul, atual Zimbábue, indo morar na fazenda de milho e tabaco adquirida por seu pai. Ela frequentou uma escola de freiras que abandonou aos 13 anos, completando os estudos como autoditada. Interessada em literatura, começou a escrever aos 15 anos, mas as coisas não foram muito bem na fazenda e a vida difícil levou a jovem até a se prostituir para sustentar a mãe.
Entre 1939 e 1943, Doris foi casada com Frank Charles Wisdom, a quem deu um casal de filhos, criados pelo pai. Foi mais uma vez casada, entre 1945 e 1949, com Gottfried Lessing, alemão comunista que, mais tarde, viria a ser embaixador da RDA em Uganda. Doris teve mais um filho, Peter, que levou consigo para a Londres, onde iniciaria sua carreira como escritora. Seu primeiro livro foi The grass is singing, publicado em 1949.
Suas públicas opiniões políticas contra o apartheid e a favor do feminismo e do desarmamento nuclear a tornariam uma personalidade conhecida, a ponto de ser banida da África do Sul e da Rodésia. Doris recusou o título de Dama, mas aceitou diversos outros méritos do Governo britânico, e em 2007, aos 87 anos, tornou-se a pessoa mais idosa a receber um Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de ser autora de muitos romances importantes, tais como The golden notebook (1962), Briefing for a descent into hell (1971) e The good terrorist (1985), que tratam de temas espinhosos como política, psicologia e feminismo – termo que ela rejeitava veementemente –, aqueles que Lessing dizia mais apreciar eram justamente os seus textos de ficção científica, gênero que ela classificou como a "melhor ficção social dos nossos tempos". São eles: Shikasta (1979), The marriages between Zones Three, Four and Five (1980), The sirian experiments (1980), The making of the representative for Planet 8 (1982), The sentimental agents in the Volyen Empire (1983), nos quais a autora desenvolve uma cosmologia inspirada no sufismo para mergulhar na natureza humana e sua relação com o universo. Além destes livros, Lessing tem pelo menos mais um romance que flerta com o gênero, Memoirs of a survivor (1974), no qual uma senhora observa o progressivo esvaziamento de sua cidade a partir da janela do apartamento, trabalho que se instala nas franjas da escatologia, ao lado de "The Ones Who Walk Away from Omelas", de Ursula K. Le Guin, Earth abides, de George R. Stewart, e The road, de Cormac McCarty.
Nem seria preciso dizer que a crítica mainstream detesta a ficção científica de Doris Lessing, pois deixou isso bem claro em diversas resenhas. Contudo, neste aspecto, ela não está sozinha. Com raríssimas exceções, a crítica especializada no gênero também não elogia o trabalho da autora, que considera desconexo e demasiadamente depressivo, características evitadas pelas revistas pulp que estabeleceram os protocolos de um gênero geralmente mais interessado em entreter consumidores.
Doris viria a lamentar o Nobel que recebeu, por ele ter causado uma tal demanda por entrevistas e aparições públicas que literalmente a impediram de continuar escrevendo.
Seu último livro, Alfred and Emily, foi publicado em 2008.
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