A escritora Simone Saueressig acaba de lançar A flauta Condor, segundo volume da série de fantasia Os sóis da América, sequência de O Nalladigua (resenhado aqui), com a história de Pelume, jovem nativo da Caverna Mais Alta do Mundo que está peregrinando pelo continente americano em busca da história para trazer o Sol, sem qual o astro nunca mais se levantará sobre sua terra natal, uma ilha no círculo polar antártico. Superadas as Cataratas do Iguaçu, é hora de avançar para o noroeste do continente e encarar as maravilhas e os perigos a Espinha Branca, que nós conhecemos como os Andes.
Simone explica que a América de Pelume não é exatamente a nossa, pois nela os seres mitológicos de todas as culturas nativas realmente existem e interagem o tempo todo com o aventureiro e seus companheiros de viagem.
O livro tem 152 páginas, é ilustrado por Fabiana Girotto Boff, vem acompanhado de um marcador-glossário – para dissipar as dúvidas, diz a autora – e pode ser adquirido através do saite Porteira da Fantasia, aqui.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Megalon 30
Originalmente publicado em maio de 1994, o 30º número do fanzine de ficção científica e horror Megalon, editado por Marcello Simão Branco, está novamente disponível, agora no formato virtual, que pode ser baixado aqui.
A edição vem com 32 páginas, com um conto do norte americano David W. Hill, a segunda parte do folhetim de fc de Miguel Carqueija, uma hq com roteiro do saudoso Oscar Kern, com desenhos de Cerito, artigos assinados por Roberto de Sousa Causo e Gerson Lodi-Ribeiro, e resenhas de livros americanos por Orson Scott Card. A leitura em perspectiva histórica da entrevista com o editor-fã Ivo Luiz Heinz, repleta de comentários ácidos sobre as instituições do fandom a época, tem hoje um sabor especial. Se é melhor ou pior, fica por conta do leitor.
A edição ainda comenta o resultado do Prêmio Tapìrài 1994 para os melhores no ambiente amador, apurado através de consulta entre os leitores do Megalon. "O planeta vermelho", de Carlos Orsi, foi apontado como melhor ficção curta; Gerson Lodi-Ribeiro levou o certificado de melhor não-ficção, Renato Rosatti o de melhor editor e Roberto Schima o de melhor ilustrador. Mais interessante que os resultados, contudo, são as relações completas dos indicados e os votos que receberam, bem como as análises do editor. A capa traz uma ilustração de R.S. Causo inspirada no livro Linha terminal, de Jorge Luiz Calife.
Como já se tornou habitual, o editor disponibilizou também um arquivo bônus, com um raro texto de Rubens Teixeira Scavone (1925-2007), base de uma palestra do autor durante um encontro de fãs naquele ano, além dos certificados do Prêmio Tapìrài 1994. Confira.
A edição vem com 32 páginas, com um conto do norte americano David W. Hill, a segunda parte do folhetim de fc de Miguel Carqueija, uma hq com roteiro do saudoso Oscar Kern, com desenhos de Cerito, artigos assinados por Roberto de Sousa Causo e Gerson Lodi-Ribeiro, e resenhas de livros americanos por Orson Scott Card. A leitura em perspectiva histórica da entrevista com o editor-fã Ivo Luiz Heinz, repleta de comentários ácidos sobre as instituições do fandom a época, tem hoje um sabor especial. Se é melhor ou pior, fica por conta do leitor.
A edição ainda comenta o resultado do Prêmio Tapìrài 1994 para os melhores no ambiente amador, apurado através de consulta entre os leitores do Megalon. "O planeta vermelho", de Carlos Orsi, foi apontado como melhor ficção curta; Gerson Lodi-Ribeiro levou o certificado de melhor não-ficção, Renato Rosatti o de melhor editor e Roberto Schima o de melhor ilustrador. Mais interessante que os resultados, contudo, são as relações completas dos indicados e os votos que receberam, bem como as análises do editor. A capa traz uma ilustração de R.S. Causo inspirada no livro Linha terminal, de Jorge Luiz Calife.
Como já se tornou habitual, o editor disponibilizou também um arquivo bônus, com um raro texto de Rubens Teixeira Scavone (1925-2007), base de uma palestra do autor durante um encontro de fãs naquele ano, além dos certificados do Prêmio Tapìrài 1994. Confira.
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Resenha: As miniaturas
No centro de São Paulo, em frente a Praça da Sé, tem e não tem um edifício chamado Midoro Filho. Por falta de definição melhor, uso a do próprio livro: "...ninguém vê este obelisco espelhado, assim como Napoleão não é par ou ímpar porque essa propriedade não é aplicável, o Midoro Filho não é visível ou não visível, isso não é aplicável". Mas este é um detalhe secundário na narrativa insólita que a escritora paulista Andréa Del Fuego imprime às páginas de As miniaturas, novela de ficção fantástica – quase científica –publicada em 2013 pela Editora Companhia das Letras.
Dentro das inúmeras salas do Edifício Midoro Filho, um batalhão de burocratas indefiníveis, conhecidos como oneiros, prestam um serviço valioso à população da cidade. São eles que, armados com miniaturas plásticas e uma técnica exclusiva, sugerem às pessoas o que sonhar. Todos os dias, cada oneiro atende cerca de 30 sonhantes, sonâmbulos que adentram a sala, sentam na cadeira e são conduzidos em sua jornada onírica.
Há muitas regras no importante ofício dos oneiros. Uma delas é que eles não devem se envolver com os sonhantes. Mas, se já é difícil cumprir esse mister, fica impossível para um deles quando, por um erro na burocracia do edifício, percebe que entre seus sonhantes estão mãe e filho, o que desperta nele emoções irreprimíveis e nada aconselháveis para um oneiro honesto.
A mãe, motorista de táxi quarentona abandonada pelo marido, esforça-se para encaminhar na vida o único filho adolescente, arrumando para ele emprego de frentista no posto de gasolina de seu amante. Entre a luta na praça para ganhar a vida e as incertezas do jovem que ainda acredita na volta do pai, o oneiro vai se perdendo. Sua queda logo é detectada pelos administradores do Midoro Filho, desequilibrando a dinâmica de todo o edifício.
Andréa Del Fuego apresenta um quebra-cabeças intrigante porque não entrega todas as peças, visto que não explica o mecanismo desse improvável atendimento tão fundamental ao ser humano. Nem mesmo os próprios oneiros sabem quem ou o quê são. Eles nunca saem do edifício Midoro Filho, não comem nada além de leite instantâneo e tudo que conhecem chega através do semanário Algodão, publicação interna do edifício que informa tudo e apenas o que eles precisam saber.
A estrutura da novela é fragmentada, intercalando capítulos que focalizam ora a mãe, ora o filho, ora o oneiro mas, no geral, segue uma narrativa cronológica linear. Os capítulos são sempre narrados em primeira pessoa e percebe-se que houve uma sincera tentativa de individualizar a voz de cada personagem, embora isso não fique muito claro na simples leitura – o que realmente funciona é a titulação dos capítulos de acordo com seus respectivos narradores.
As miniaturas sugere bons textos com o qual o leitor pode dialogar. Pelos aspectos formais e a problemática urbana – focada numa relação familiar sob intervenção corporativa –, lembramos de Poeira, demônios e maldições, último romance assinado por Nelson de Oliveira, publicado em 2010 pela editora Língua Geral e agraciado com o prêmio Casa de las Americas; enquanto a imagem onipresente e incompreensível do edifício Midoro Filho e seus oneiros reporta à burocracia opressiva de Asilo nas torres, romance de ficção científica de Ruth Bueno publicado em 1979 pela Editora Ática.
Apesar de suas respeitáveis qualidades e origem – Andréa Del Fuego ganhou em 2010 o prêmio Saramago de literatura – As miniaturas não é um livro pedante nem difícil. Lê-se com prazer e em poucas horas, uma vez que se trata de um novela ágil e bastante interessante, sem os exageros que a fantasia brasileira recente tem insistido oferecer.
As miniaturas é herdeira da autêntica linha evolutiva da ficção fantástica brasileira, repleta de atrativos tanto para o leitor que busca uma história com muitos elementos de estranhamento, quanto aquele que deseja um voo sobre os mistérios da natureza humana.
Dentro das inúmeras salas do Edifício Midoro Filho, um batalhão de burocratas indefiníveis, conhecidos como oneiros, prestam um serviço valioso à população da cidade. São eles que, armados com miniaturas plásticas e uma técnica exclusiva, sugerem às pessoas o que sonhar. Todos os dias, cada oneiro atende cerca de 30 sonhantes, sonâmbulos que adentram a sala, sentam na cadeira e são conduzidos em sua jornada onírica.
Há muitas regras no importante ofício dos oneiros. Uma delas é que eles não devem se envolver com os sonhantes. Mas, se já é difícil cumprir esse mister, fica impossível para um deles quando, por um erro na burocracia do edifício, percebe que entre seus sonhantes estão mãe e filho, o que desperta nele emoções irreprimíveis e nada aconselháveis para um oneiro honesto.
A mãe, motorista de táxi quarentona abandonada pelo marido, esforça-se para encaminhar na vida o único filho adolescente, arrumando para ele emprego de frentista no posto de gasolina de seu amante. Entre a luta na praça para ganhar a vida e as incertezas do jovem que ainda acredita na volta do pai, o oneiro vai se perdendo. Sua queda logo é detectada pelos administradores do Midoro Filho, desequilibrando a dinâmica de todo o edifício.
Andréa Del Fuego apresenta um quebra-cabeças intrigante porque não entrega todas as peças, visto que não explica o mecanismo desse improvável atendimento tão fundamental ao ser humano. Nem mesmo os próprios oneiros sabem quem ou o quê são. Eles nunca saem do edifício Midoro Filho, não comem nada além de leite instantâneo e tudo que conhecem chega através do semanário Algodão, publicação interna do edifício que informa tudo e apenas o que eles precisam saber.
A estrutura da novela é fragmentada, intercalando capítulos que focalizam ora a mãe, ora o filho, ora o oneiro mas, no geral, segue uma narrativa cronológica linear. Os capítulos são sempre narrados em primeira pessoa e percebe-se que houve uma sincera tentativa de individualizar a voz de cada personagem, embora isso não fique muito claro na simples leitura – o que realmente funciona é a titulação dos capítulos de acordo com seus respectivos narradores.
As miniaturas sugere bons textos com o qual o leitor pode dialogar. Pelos aspectos formais e a problemática urbana – focada numa relação familiar sob intervenção corporativa –, lembramos de Poeira, demônios e maldições, último romance assinado por Nelson de Oliveira, publicado em 2010 pela editora Língua Geral e agraciado com o prêmio Casa de las Americas; enquanto a imagem onipresente e incompreensível do edifício Midoro Filho e seus oneiros reporta à burocracia opressiva de Asilo nas torres, romance de ficção científica de Ruth Bueno publicado em 1979 pela Editora Ática.
Apesar de suas respeitáveis qualidades e origem – Andréa Del Fuego ganhou em 2010 o prêmio Saramago de literatura – As miniaturas não é um livro pedante nem difícil. Lê-se com prazer e em poucas horas, uma vez que se trata de um novela ágil e bastante interessante, sem os exageros que a fantasia brasileira recente tem insistido oferecer.
As miniaturas é herdeira da autêntica linha evolutiva da ficção fantástica brasileira, repleta de atrativos tanto para o leitor que busca uma história com muitos elementos de estranhamento, quanto aquele que deseja um voo sobre os mistérios da natureza humana.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Jack Vance (1916-2013)
O escritor norte-americano Jack Vance foi outro gigante da ficção fantástica que nos deixou neste ano, mais exatamente no dia 26 de maio. Desde então, estou devendo aqui a sua biografia. Vou agora pagar essa dívida.
John Holbrook Vance nasceu em 28 de agosto de 1916, em São Francisco, no estado da Califórnia, mas logo mudou-se com sua mãe e irmãos para a fazenda de seus avós, próxima a Oakley, depois que seus pais se separaram. Com a morte dos avós, Vance teve que deixar os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas da casa. Mais tarde, estudou engenharia, física e jornalismo na Universidade da Califórnia, quando escreveu sua primeira história de ficção científica para um trabalho no curso de Inglês, e recebeu do professor a sua primeira crítica preconceituosa.
Vance trabalhou como eletricista em Pearl Harbour e deixou o emprego pouco antes do ataque japonês. Não foi aceito nas forças armadas devido a problemas na visão, mas tornou-se marinheiro mercante, profissão da qual herdou o gosto pela navegação marítima, que praticou por toda a vida. Vance também era músico de jazz, tocava banjo, trompete, gaita e muitos outros instrumentos. Tanto a música quanto o mar foram temas constantes em suas histórias.
Vance era amigo pessoal de Frank Herbert e Poul Anderson, a ponto de terem juntos construído um barco, com o qual navegavam nos rios e lagos da região onde moravam. Um pouco por influência desses importantes autores de fc foi que Vance passou a também escrever e publicar no gênero. Sua primeira história foi "The world-thinker", publicada em 1945 na revista Thrilling Wonder Stories, mas ele também escreveu histórias de mistério e fantasia, inclusive três livros sob o famigerado pseudônimo coletivo Ellery Queen. Vance era membro da Swordsmen and Sorcerers' Guild, comunidade de escritores comandada por Lyn Carter, dedicada a promover o gênero Espada & Feitiçaria.
Seus maiores sucessos foram as séries de fantasia The dying Earth, e de ficção científica The demon princes. Foi premiado pelos romances The dragon masters (1963; Hugo) e The last castle (1967; Hugo e Nebula). Também ganhou um Edgar (o Nebula do mistério) por The man in the cage (1961), bem como dois World Fantasy, um em 1963, por Lyonesse: Madouc, e outro, em 1984, pelo conjunto da obra. Entrou para o Science Fiction Hall of Fame em 2001 e ainda ganhou mais um Hugo, em 2010, por sua autobiografia This is me, Jack Vance!
Muitos de seus livros foram publicados no Brasil, entre eles o premiado The dragon masters (O planeta dos dragões). Também foram traduzidos três dos cinco títulos da série The demon princes: Star king (The star king), A máquina de matar (The killing machine) e O palácio do amor (The palace of love). Da série The dying Earth foi editado apenas um, A agonia da Terra (The dying Earth); e da série Alastor foi traduzido apenas o segundo volume, Marune: Alastor 933 (Marune: Alastor 933). E ainda, os romances independentes O planeta duplo (Maske: Tahery) e o divertidíssimo Ópera interplanetária (Space opera), bem como uns poucos contos em antologias. Outros títulos também podem ser encontrados em edições portuguesas.
Cego desde 1980, Vance não parou de escrever, sendo seus últimos trabalhos o romance de ficção cientifica Lurulu, publicado em 2004, e a já citada autobiografia, publicada em 2009.
Vance morreu de causas naturais em sua residência, em Oakland, no dia 26 de maio de 2013, aos 96 anos.
John Holbrook Vance nasceu em 28 de agosto de 1916, em São Francisco, no estado da Califórnia, mas logo mudou-se com sua mãe e irmãos para a fazenda de seus avós, próxima a Oakley, depois que seus pais se separaram. Com a morte dos avós, Vance teve que deixar os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas da casa. Mais tarde, estudou engenharia, física e jornalismo na Universidade da Califórnia, quando escreveu sua primeira história de ficção científica para um trabalho no curso de Inglês, e recebeu do professor a sua primeira crítica preconceituosa.
Vance trabalhou como eletricista em Pearl Harbour e deixou o emprego pouco antes do ataque japonês. Não foi aceito nas forças armadas devido a problemas na visão, mas tornou-se marinheiro mercante, profissão da qual herdou o gosto pela navegação marítima, que praticou por toda a vida. Vance também era músico de jazz, tocava banjo, trompete, gaita e muitos outros instrumentos. Tanto a música quanto o mar foram temas constantes em suas histórias.
Vance era amigo pessoal de Frank Herbert e Poul Anderson, a ponto de terem juntos construído um barco, com o qual navegavam nos rios e lagos da região onde moravam. Um pouco por influência desses importantes autores de fc foi que Vance passou a também escrever e publicar no gênero. Sua primeira história foi "The world-thinker", publicada em 1945 na revista Thrilling Wonder Stories, mas ele também escreveu histórias de mistério e fantasia, inclusive três livros sob o famigerado pseudônimo coletivo Ellery Queen. Vance era membro da Swordsmen and Sorcerers' Guild, comunidade de escritores comandada por Lyn Carter, dedicada a promover o gênero Espada & Feitiçaria.
Seus maiores sucessos foram as séries de fantasia The dying Earth, e de ficção científica The demon princes. Foi premiado pelos romances The dragon masters (1963; Hugo) e The last castle (1967; Hugo e Nebula). Também ganhou um Edgar (o Nebula do mistério) por The man in the cage (1961), bem como dois World Fantasy, um em 1963, por Lyonesse: Madouc, e outro, em 1984, pelo conjunto da obra. Entrou para o Science Fiction Hall of Fame em 2001 e ainda ganhou mais um Hugo, em 2010, por sua autobiografia This is me, Jack Vance!
Muitos de seus livros foram publicados no Brasil, entre eles o premiado The dragon masters (O planeta dos dragões). Também foram traduzidos três dos cinco títulos da série The demon princes: Star king (The star king), A máquina de matar (The killing machine) e O palácio do amor (The palace of love). Da série The dying Earth foi editado apenas um, A agonia da Terra (The dying Earth); e da série Alastor foi traduzido apenas o segundo volume, Marune: Alastor 933 (Marune: Alastor 933). E ainda, os romances independentes O planeta duplo (Maske: Tahery) e o divertidíssimo Ópera interplanetária (Space opera), bem como uns poucos contos em antologias. Outros títulos também podem ser encontrados em edições portuguesas.Cego desde 1980, Vance não parou de escrever, sendo seus últimos trabalhos o romance de ficção cientifica Lurulu, publicado em 2004, e a já citada autobiografia, publicada em 2009.
Vance morreu de causas naturais em sua residência, em Oakland, no dia 26 de maio de 2013, aos 96 anos.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Frederik Pohl (1919-2013)
A ficção científica tem, no Brasil, algumas idiossincrasias curiosas. Uma delas é ter, entre seus os autores mais destacados, escritores que pouco foram publicados aqui. Esse é o caso de um dos mais importantes nomes do gênero, Frederik Pohl.
Frederik George Pohl Jr. nasceu em 26 de novembro de 1919 na cidade de Nova York. Passou a infância morando em diversas regiões do Texas, Califórnia, Novo México e Panamá, até que sua família fixou residência no bairro do Brooklyn, em sua cidade natal. Ainda adolescente, Pohl ajudou a fundar o lendário grupo de fãs de ficção científica Futurians, do qual também fez parte o escritor Isaac Asimov, a quem ajudou no início de sua carreira. Durante a Segunda Guerra Mundial, Pohl serviu no 456º Grupo de Bombardeiros, na Itália.
Pohl trabalhou como agente literário de alguns e seus colegas e foi editor de várias revistas do gênero, sendo premiado diversas vezes pelo seu trabalho à frente das revistas If e Galaxy, nos anos 1960. Teve sua própria coleção na Bantan Books, a Frederik Pohl Selections, e dedicou-se intensamente à diversas instituições ligadas à fc.
Como escritor, estreou na Amazing Stories em 1937 com o poema "Elegy to a dead satellite: Luna", publicado sob o psedônimo Elton Andrews. Pohl desenvolveu muitos trabalhos em parceria, principalmente com seu amigo futuriano Cyril M. Kornbluth, também com Jack Williamson, e até concluiu um romance inacabado de Arthur C. Clarke, The last theorem, publicado em 2008. Sua ficção tem características de crítica política e social – reflexo de suas convicções socialistas – e, não raro, de um tom acidamente satírico.
Seus trabalhos mais importantes são os romances Man plus (1976, vencedor do Nebula), Gateway (1977, Hugo e Nebula) e Jem: The making of an utopia (1979, National Book Award); nenhum deles teve edição no Brasil. Tivemos aqui apenas três trabalhos do mestre: Dia milhão (Day million, 1970), Nave escrava (Slave ship, 1956) e Os mercadores do espaço (The space marchanters, 1953, em parceria com Kornbluth), em edições pela José Olympio, Hemus e Edart, respectivamente, todas esgotadas. O que fez de Pohl um autor conhecido no Brasil foram as muitas traduções portuguesas, especialmente pela Coleção Argonauta, que teve aqui inúmeros leitores. Algumas de suas ficções curtas também apareceram em antologias e revistas.
O autor esteve pelo menos duas vezes no Brasil. A primeira, no lendário I Simpósio Internacional de Ficção Cinetífica, realizado em 1969 no Rio de Janeiro em 1989 pelo Instituto Nacional do Cinema, e novamente em 1989, a convite da Editora Aleph. Ao lado da esposa, Elisabeth Anne Hull, e do então editor da Locus Magazine, Charles N. Brown, o autor se encontrou com leitores e fãs em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 1992, Pohl foi nomeado Grande Mestre pela Science Fiction Writers of America e, em 1998, entrou para o Science Fiction Hall of Fame. Seu último trabalho foi a novela All the lives he led, publicada em 2011.
Seu interesse pela ficção científica sempre teve um importante componente de fã e, mesmo como autor consagrado e influente, recebeu em 2012 um prêmio Hugo pelo trabalho de escritor-fã que realizava no blogue The Way the Future Blogs.
Frederik Pohl morreu na tarde do dia 2 de setembro, aos 93 anos, após uma grave crise de insuficiência respiratória. Sua importante obra ainda está por ser descoberta pelos editores brasileiros e, principalmente, pelos leitores das novas gerações.
Frederik George Pohl Jr. nasceu em 26 de novembro de 1919 na cidade de Nova York. Passou a infância morando em diversas regiões do Texas, Califórnia, Novo México e Panamá, até que sua família fixou residência no bairro do Brooklyn, em sua cidade natal. Ainda adolescente, Pohl ajudou a fundar o lendário grupo de fãs de ficção científica Futurians, do qual também fez parte o escritor Isaac Asimov, a quem ajudou no início de sua carreira. Durante a Segunda Guerra Mundial, Pohl serviu no 456º Grupo de Bombardeiros, na Itália.
Pohl trabalhou como agente literário de alguns e seus colegas e foi editor de várias revistas do gênero, sendo premiado diversas vezes pelo seu trabalho à frente das revistas If e Galaxy, nos anos 1960. Teve sua própria coleção na Bantan Books, a Frederik Pohl Selections, e dedicou-se intensamente à diversas instituições ligadas à fc.Como escritor, estreou na Amazing Stories em 1937 com o poema "Elegy to a dead satellite: Luna", publicado sob o psedônimo Elton Andrews. Pohl desenvolveu muitos trabalhos em parceria, principalmente com seu amigo futuriano Cyril M. Kornbluth, também com Jack Williamson, e até concluiu um romance inacabado de Arthur C. Clarke, The last theorem, publicado em 2008. Sua ficção tem características de crítica política e social – reflexo de suas convicções socialistas – e, não raro, de um tom acidamente satírico.
Seus trabalhos mais importantes são os romances Man plus (1976, vencedor do Nebula), Gateway (1977, Hugo e Nebula) e Jem: The making of an utopia (1979, National Book Award); nenhum deles teve edição no Brasil. Tivemos aqui apenas três trabalhos do mestre: Dia milhão (Day million, 1970), Nave escrava (Slave ship, 1956) e Os mercadores do espaço (The space marchanters, 1953, em parceria com Kornbluth), em edições pela José Olympio, Hemus e Edart, respectivamente, todas esgotadas. O que fez de Pohl um autor conhecido no Brasil foram as muitas traduções portuguesas, especialmente pela Coleção Argonauta, que teve aqui inúmeros leitores. Algumas de suas ficções curtas também apareceram em antologias e revistas.
O autor esteve pelo menos duas vezes no Brasil. A primeira, no lendário I Simpósio Internacional de Ficção Cinetífica, realizado em 1969 no Rio de Janeiro em 1989 pelo Instituto Nacional do Cinema, e novamente em 1989, a convite da Editora Aleph. Ao lado da esposa, Elisabeth Anne Hull, e do então editor da Locus Magazine, Charles N. Brown, o autor se encontrou com leitores e fãs em São Paulo e Rio de Janeiro.Em 1992, Pohl foi nomeado Grande Mestre pela Science Fiction Writers of America e, em 1998, entrou para o Science Fiction Hall of Fame. Seu último trabalho foi a novela All the lives he led, publicada em 2011.
Seu interesse pela ficção científica sempre teve um importante componente de fã e, mesmo como autor consagrado e influente, recebeu em 2012 um prêmio Hugo pelo trabalho de escritor-fã que realizava no blogue The Way the Future Blogs.
Os livros de Frederik Pohl no Brasil
Frederik Pohl morreu na tarde do dia 2 de setembro, aos 93 anos, após uma grave crise de insuficiência respiratória. Sua importante obra ainda está por ser descoberta pelos editores brasileiros e, principalmente, pelos leitores das novas gerações.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013
Quadritos returns
O melhor indicativo de que os fanzines estão realmente voltando a cena editorial alternativa é o relançamento de antigos títulos, que vêm carregados de representatividade histórica aliada a uma melhor qualidade gráfica e editorial, sem perder o charme e o foco na resistência cultural.
A outros títulos que já voltaram soma-se o Quadritos, publicação dedicada aos quadrinhos nacionais, editada em Porto Alegre por Marcos Freitas. O fanzine distribuiu seu número 10 após dezesseis anos de interrupção. A edição vem com 40 páginas em ótima impressão digital, capa em papel especial, e republicações de histórias de suas edições anteriores, que fazem uma ótima ponte entre a primeira fase do zine e a que o editor pretende iniciar a partir da edição 11, com trabalhos inéditos. Nesta edição, uma pequena obra prima do inesquecível Flávio Colin, feita exclusivamente para o Quadritos, além de trabalhos de Will e Laudo, Flavio Calazans, Gazy Andraus e dos eslovenos Marina Zlander e Jakob Klemenic. A capa traz uma ilustração de Mozart Couto, e a contracapa, uma vinheta do saudoso Joacy Jamys. O fanzine está aberto a colaborações.
Marcos Freitas também lançou o primeiro número da coleção Nomes pelo selo Atomic Books. Pasolini é especialmente dedicado ao polêmico cineasta italiano, brutalmente assassinado em 1975, aos 53 anos. A edição, em formato magazine, é fartamente ilustrada com fotos muito nítidas, impressa digitalmente em preto e branco em papel reciclado. Tem 52 páginas com artigos, entrevistas e a filmografia completa do artista. Ilustra a edição a hq de dez páginas "Quem matou Pasolini", de Marcos Freitas e Luciano Irrthum. O editor promete que a edição seguinte será dedicada ao falecido quadrinista e fanzineiro Joacy Jamys, que foi colaborador do Hiperespaço no início de sua carreira.
Os fanzine terão edições digitais no futuro próximo mas, por hora, estão disponíveis apenas em versão real, em papel. Mais informações no blogue do Quadritos ou pelo email fanzinequadritos@gmail.com.
A outros títulos que já voltaram soma-se o Quadritos, publicação dedicada aos quadrinhos nacionais, editada em Porto Alegre por Marcos Freitas. O fanzine distribuiu seu número 10 após dezesseis anos de interrupção. A edição vem com 40 páginas em ótima impressão digital, capa em papel especial, e republicações de histórias de suas edições anteriores, que fazem uma ótima ponte entre a primeira fase do zine e a que o editor pretende iniciar a partir da edição 11, com trabalhos inéditos. Nesta edição, uma pequena obra prima do inesquecível Flávio Colin, feita exclusivamente para o Quadritos, além de trabalhos de Will e Laudo, Flavio Calazans, Gazy Andraus e dos eslovenos Marina Zlander e Jakob Klemenic. A capa traz uma ilustração de Mozart Couto, e a contracapa, uma vinheta do saudoso Joacy Jamys. O fanzine está aberto a colaborações.
Marcos Freitas também lançou o primeiro número da coleção Nomes pelo selo Atomic Books. Pasolini é especialmente dedicado ao polêmico cineasta italiano, brutalmente assassinado em 1975, aos 53 anos. A edição, em formato magazine, é fartamente ilustrada com fotos muito nítidas, impressa digitalmente em preto e branco em papel reciclado. Tem 52 páginas com artigos, entrevistas e a filmografia completa do artista. Ilustra a edição a hq de dez páginas "Quem matou Pasolini", de Marcos Freitas e Luciano Irrthum. O editor promete que a edição seguinte será dedicada ao falecido quadrinista e fanzineiro Joacy Jamys, que foi colaborador do Hiperespaço no início de sua carreira.
Os fanzine terão edições digitais no futuro próximo mas, por hora, estão disponíveis apenas em versão real, em papel. Mais informações no blogue do Quadritos ou pelo email fanzinequadritos@gmail.com.
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Marvel para quem gosta
O lançamento que está agitando os fãs brasileiros de super-heróis é a Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, publicada pela Editora Salvat sob licença da Panini, que chegou recentemente às bancas de São Paulo. Trata-se da versão brasileira da Ultimate Marvel Graphic Novel Collection, série com 60 livros, cada um deles com 160 páginas em cores, em papel especial, encadernados em capas duras, que republica histórias selecionadas escolhidas entre as revistas Marvel publicadas a partir dos anos 1980.
O primeiro volume distribuído, na verdade o número 21 da coleção, é O espetacular Homem-Aranha: De volta ao lar, com roteiro de J. Michael Straczinsky e desenhos de John Romita Jr, publicado originalmente em 2001 nos números 30 a 35 de The Amazing Spider-Man. Além da história, o livro traz uma seção com um breve histórico do personagem e esboços de concepção. Acompanha ainda um enorme pôster que, certamente, vai se tornar um valioso item para os colecionadores.
A série promete outras compilações do Homem-Aranha, como Revelações, A última caçada de Kraven e O nascimento de Venon, mas os volumes que devem chegar às bancas na sequência serão X-Men: Superdotados, de Joss Wheldon e John Cassaday, Vingadores: A queda, de Brian Michael Bendis e David Finch, e Thor: O renascer dos deuses, de Straczinsky e Olivier Coipel. Também estão relacionados Guerras secretas, A queda de Murdock, Marvel Zumbis, Marvels, Wolverine: Origem, Arma X, 1602, Guerra civil e muito mais.
Como o material é impresso na Espanha, sempre haverá o risco de mudanças no projeto original da coleção, devido às instabilidades alfandegárias, mas a Salvat promete que, com coleção completa e os livros colocados lado a lado na ordem correta, as lombadas formarão uma enorme imagem do consagrado ilustrador romano Gabriele Dell-Otto.
O primeiro livro está sendo vendido ao preço promocional de R$9,90. O segundo será R$19,90 e os demais R$29,90, valor que certamente pode sofrer reajustes ao longo da publicação.
A editora não está oferecendo o serviço de assinatura para esta coleção. Mais informações no saite da coleção.
O primeiro volume distribuído, na verdade o número 21 da coleção, é O espetacular Homem-Aranha: De volta ao lar, com roteiro de J. Michael Straczinsky e desenhos de John Romita Jr, publicado originalmente em 2001 nos números 30 a 35 de The Amazing Spider-Man. Além da história, o livro traz uma seção com um breve histórico do personagem e esboços de concepção. Acompanha ainda um enorme pôster que, certamente, vai se tornar um valioso item para os colecionadores.
A série promete outras compilações do Homem-Aranha, como Revelações, A última caçada de Kraven e O nascimento de Venon, mas os volumes que devem chegar às bancas na sequência serão X-Men: Superdotados, de Joss Wheldon e John Cassaday, Vingadores: A queda, de Brian Michael Bendis e David Finch, e Thor: O renascer dos deuses, de Straczinsky e Olivier Coipel. Também estão relacionados Guerras secretas, A queda de Murdock, Marvel Zumbis, Marvels, Wolverine: Origem, Arma X, 1602, Guerra civil e muito mais.
Como o material é impresso na Espanha, sempre haverá o risco de mudanças no projeto original da coleção, devido às instabilidades alfandegárias, mas a Salvat promete que, com coleção completa e os livros colocados lado a lado na ordem correta, as lombadas formarão uma enorme imagem do consagrado ilustrador romano Gabriele Dell-Otto.
O primeiro livro está sendo vendido ao preço promocional de R$9,90. O segundo será R$19,90 e os demais R$29,90, valor que certamente pode sofrer reajustes ao longo da publicação.
A editora não está oferecendo o serviço de assinatura para esta coleção. Mais informações no saite da coleção.
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