sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

As horas claras

Um livro a se destacar entre os muitos lançamentos de 2012 é As horas claras, romance de fantasia juvenil do escritor paulistano Alonso Alvarez, sequência de O encanto da Lua Nova (2007, Ficções). Conta a história de cinco jovens amigos que moram no mesmo edifício e, a caminho da escola, percebem terem perdido suas sombras. Também é o primeiro dia de aula de Clara, uma nova aluna da classe dos garotos  que acabou de mudar para o prédio deles, e logo vai se interessar pelo misterioso 11º andar, que não existe mas abriga uma porção de hóspedes fantásticos, como a feiticeira Annabel, os escritores Edgar Alan Poe, Rimbaud, Fernando Pessoa e Emily Dickinson, e os novos inquilinos, os cientistas Galileu, Ptolomeu e Newton, entre outros. Em busca de suas sombras, os meninos vão descobrir que esse mistério e muito mais complicado do que parecia a princípio.
Alonso Alvarez tem uma longa e bonita história na atividade editorial, foi livreiro, editor premiado, ilustrador e, finalmente autor, sendo que o já citado O encanto da Lua Nova foi selecionado para a 43º Bologna Children’s Book Fair. Também é autor de A paixão de A e Z: Uma história de amor no alfabeto (2010, Peirópolis) e Era uma vez duas linhas (2012, Iluminuras).
As horas claras tem 224 páginas e foi publicado pela editora Ficções com recursos do Proac 2011 - Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sob a bandeira da coragem

Sob a bandeira da coragem (The red badge of courage) é um dos poucos livros escritos por Stephen Crane, autor norte-americano falecido aos 29 anos (1881/1900), que nunca participou de uma guerra mas redigiu um relato pungente do drama pessoal de um soldado que se vê, pela primeira vez, em meio a um combate de morte.
A edição em português que eu li foi da Coleção Western da editora portuguesa Europa-América, mas soube que há pelo menos uma edição brasileira, obviamente esgotada. O romance, publicado em 1895, deu a Crane o respeito que até então não gozava na literatura americana, sendo adaptado para o cinema por John Huston em 1951, com Audie Murphy no papel do covarde protagonista.
A história conta os dramas reais e imaginários do jovem soldado Henry Fleming que, por romantismo, se alistou no Exército na União, e teve o azar de ter como primeira experiência de combate, a sangrenta batalha de Gettysburg. O autor não cita o nome do local, mas é facilmente reconhecível por quem teve alguma informação a respeito dessa batalha da Guerra Civil Americana, acontecida em 1863.
O que mais surpreende é o estilo de Crane, moderníssimo e de um naturalismo exacerbado. Como a história é narrada pelo soldado, as cenas descritas no romance são apenas aquelas em que o personagem participa diretamente e, mesmo assim, de forma muito parcial, uma vez que a fumaça e o barulho enlouquecedor dos canhões, além da sensação contínua de iminência da morte, retirou da testemunha qualquer chance de uma visão concatenada.
As batalhas são descritas como se vistas pelo personagem, laivadas de interpretações parciais e inconclusivas, dúvidas, preconceitos, ódios e frustrações. O tempo se dilata e contrai conforme a percepção do personagem.
O próprio título do romance demonstra essa imprecisão ambígua que permeia o romance: ao mesmo tempo em que se pode referir às listras vermelhas da bandeira da União, hoje a bandeira dos EUA (uma leitura superficial e ufanista), também tem a ver com os ferimentos de guerra e o sangue derramado em combate, que é uma leitura bem mais profunda e tocante.
Outro detalhe é que os leitores não sabem que o personagem principal se chama Henry até mais ou menos um terço do romance, quando um companheiro de pelotão casualmente o chama pelo nome. Da mesma forma, só conhecemos os demais personagens pelo nome quando alguém os nomeia e muitos deles sequer chegam a ser apresentados. São apenas soldados de uniforme, padronizados e descartáveis, descritos pelo autor apenas por detalhes despersonalizados, como a altura, o modo de falar, o estado das roupas etc. A cena em que Henry, fugindo em pânico, encontra o cadáver de um soldado numa catedral natural na floresta, é antológica e muitas vezes citada em filmes, livros e até desenhos animados.
Bons livros de western são difíceis de encontrar. Este realmente merece a nossa atenção.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

QI 119

Já chegou aos assinantes a nova edição do fanzine sobre quadrinhos QI, editado por Edgard Guimarães, que inaugura um novo ano de publicação. Com 28 páginas, o fanzine dá continuidade às suas diversas seções, com destaque para a interessante "Mistérios do colecionismo" na qual o editor investiga algumas das mais obscuras dúvidas dos colecionadores de quadrinhos, principalmente sobre a existência ou não de certas edições, no caso, as primeiras publicações da editora Nova Sampa; e "Quadrinhos brasileiros bissextos", que trata dos mais inusitados exemplos do quadrinho nacional e, nesta edição, aborda o trabalho do ilustrador Renato Silva.
Mas há muito mais, como artigos sobre um momento marcante das tiras de Rip Kirby, sobre curiosidades nos quadrinhos dos Smurfs, e a sequência de uma entrevista que Guimarães cedeu a um tcc sobre a produção do QI.
Além de todos esses artigos assinados pelo editor, também há colaborações de Worney Almeida de Sousa ("Mantendo contato"), Gutemberg Cruz ("Memória do fanzine brasileiro") e do português António Martinó de Azevedo Coutinho ("Construções de armar"). O QI também anuncia os ganhadores do 29º Prêmio Angelo Agostini, entregue no último dia 2 de fevereiro, apresenta a lista dos lançamentos alternativos do bimestre e a indispensável seção de cartas.
Mas ainda não é tudo. A edição encarta mais 4 páginas da hq "Rolando Duque - Assistência técnica", duas novas lâminas da série Cotidiano alterado, um quadro tridimensional com ilustrações de Guimarães – para ser montado pelo leitor –, e o longo artigo "Reflexões sobre histórias em quadrinhos 1: O desenho inferior das histórias em quadrinhos", apresentado num encarte de 8 páginas. O ensaio discute os motivos dos ilustradores simplificarem os seus próprios desenhos quando trabalham com quadrinhos, em comparação aquilo que fazem quando elaboram ilustrações editoriais.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Expedição às ruínas de Sampa

A editora Devir Livraria preparou uma nova dição para um dos mais importantes textos recentes da ficção científica brasileira: A terceira expedição, romance foi publicado originalmente em 1987 de autoria de Daniel Fresnot, autor da Segunda Onda da ficção científica brasileira.
Elogiado por Moacyr Scliar, o livro faz um retrato pungente de uma São Paulo destruída por um apocalipse total, quando alguns sobreviventes de uma das poucas áreas não atingidas no estado de Santa Catarina, enviam uma expedição de reconhecimento à cidade.
A nova edição terá lançamento de gala no dia 21 de fevereiro, a partir das 18h30, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis, na Av. Higienópolis, 618, em São Paulo.

Xenox

Está nas bancas a coleção Xenox, série de revistas com histórias em quadrinhos inspiradas em um curioso jogo de ficção científica que parece ter elementos de tabuleiro e RPG. Trata-se de uma competição entre quatro planetas, Mechabots, Rixx, Niela e Espar, que lutam entre si pelo direito de sobreviverem a uma ameaça cósmica.
Cada edição traz miniaturas de figuras alienígenas muito coloridas e bem feitas, certamente usadas no jogo, mas que também são belas peças de toyart.
A coleção Xenox é traduzida no Brasil pela Editora Panini e cada edição custa R$9,50.

Apenas para humanos

O escritor cobranoratense Luiz Braz – sucessor do multipremiado Nelson de Oliveira que, neste momento, goza de merecidas férias com a família nas Bahamas – está aceitando inscrições para um workshop que se realizará no dia 23 de fevereiro, entre as 14 e 18 horas, no estúdio literário Ofício das Palavras, localizado a Rua Capote Valente, 1232, em São Paulo.
Nas palavras de Braz, trata-se de "um workshop teórico-prático de criação literária, para ficcionistas e poetas da espécie humana."
Braz é escritor e ensaísta, especialmente dedicado à ficção científica, gênero no qual instalou os seus livros Sozinho no deserto extremo, Paraíso líquido, Sonho, sombras e super-heróis, Babel Hotel e a coletânea Muitas peles, com alguns de seus ensaios vistos na coluna "Ruído branco" do jornal Rascunho.
O curso custa R$250,00 e as vagas são limitadas. Mais informações no telefone (11)3473-7674.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Fiat-Fun

A revista Fiat-Fun está nas bancas já faz algumas semanas, mas só há poucos dias a Editora On Line divulgou imagens na internet. Trata-se de uma edição especial patrocinada pela indústria de automóveis Fiat, parte da estratégia de marketing da empresa. É uma revista de atividades para crianças, com palavras cruzadas, labirintos, desenhos para colorir e outros passatempos, entre os quais o esquema de peças de papel para armar um automóvel da marca. Mas o que realmente chama a atenção é a miniatura que acompanha a revista. Fabricada em metal pela Norev, é de ótima qualidade, reproduzindo em escala 1:43 um automóvel da Fiat em todos os detalhes. Cada exemplar da Fiat-Fun traz um modelo diferente, que tanto pode ser o Palio, como o Linea ou o Punto. A cor da miniatura também pode variar.
A revista custa R$19,90 e, além das bancas, pode ser comprada no saite da Editora On Line. Para os colecionadores, vale a pena, pois miniaturas dessa categoria costumam custar bem mais nas lojas especializadas.