sábado, 19 de janeiro de 2013

Coleção Nave Profana

Há alguns dias, publiquei aqui o necrológico de Maria Helena Bandeira, escritora de fc&f muito querida no fandom. A autora publicou em muitas antologias e até na extinta Isaac Asimov Magazine, mas não teve em vida nenhum livro individual no país, exceto dois volumes da Coleção Nave Profana. Mas, que coleção é essa?
A Coleção Nave Profana foi produto da oficina literária Slev – sigla que no primeiro momento significava Suruba Literária Experimental Virtual, depois mudada para Sistema Literário Experimental Virtual.
A oficina Slev foi realizada pela internet por iniciativa do escritor Rogério Amaral de Vasconcellos, autor do romance de fc Campus de guerra (Writers, 2000). O primeiro fruto da oficina foi o romance de ficção científica Idade da decadência: Inferno em Khallah, escrito por muitas mãos e publicado 2001 pela Editora Mitsukai, cuja resenha pode ser lida aqui.
Já os livros da Coleção Nave Profana começaram a ser publicados em 2003. Foram escritos por autores voluntários, discutidos em grupo e editados em arquivo digital disponibilizados num saite exclusivo da oficina.
A proposta era construir um universo compartilhado em que cada autor teria liberdade de desenvolver seus próprios personagens e enredos, que poderiam ser aproveitados pelos demais em suas próprias histórias. A base era um ambiente de história alternativa em que épocas e realidades se chocavam.
Os livros eram vendidos a preços bastante acessíveis mas, na época, a internet era incipiente, difusa e nada popular: depois de algum tempo, a iniciativa esgotou-se. Com a desativação do saite, a coleção ficou indisponível e foi rapidamente esquecida.
O projeto da Coleção Nave Profana previa mais de 50 volumes, mas foram publicados apenas 30, o que ainda assim é uma marca considerável.
A coleção tem algumas curiosidades. A primeira é que o número 18 nunca foi distribuído. A título de divulgação, os volumes zero, quatro e seis tiveram distribuição gratuita. Os arquivos vinham com trava de impressão, de forma que só era possível ler no monitor. Vários volumes foram assinados por pseudônimos cujos autores verdadeiros nunca se revelaram, mas desconfia-se que eram todos do próprio Vasconcellos.
Fazem parte da Coleção Nave Profana os seguintes títulos:
1 - Vaca profana: Encruzilhadas, Rogério Amaral de Vasconcellos (2003)
2 - Vaca profana: A nave, Rogério Amaral de Vasconcellos (2003)
3 - Três reis magos, Larissa Redeker (2003)
4 -Tempo dos animais, Paffomiloff der Engel (2003)
5 - Dom Pedro I e... último, Gabriel Bozano (2003)
6 - Prova oral, Rogério Amaral de Vasconcellos (2003)
7 - Iroha, Ernesto Nakamura (2003)
8 - Maya, Alexis Lemos (2003)
9 - Tempo e templos, Maurício Wojciekowski (2003)
10 - A batalha dos egos reais, Cláudia Furtado (2003)
11 - Mahavira, memórias vegetais, Ernesto Nakamura (2003)
12 - Operação Britânia, Ricardo E. Caceffo (2003)
13 - Ahnk, Alexis Lemos (2004)
14 - Deserto, Roderico Reis (2004)
15 - A lei dos seios, Maria Helena Bandeira (2004)
16 - No templo da loucura, Rogério Amaral de Vasconcellos (2004)
17 - Uma janela para o nada, Rogério Amaral de Vasconcellos (2004)
18 - Edição não publicada
19 - Onze dias, Natalia Yudenitsch (2004)
20 - O último profeta, Ricardo Caceffo (2004)
21 - Pavão misterioso, Alexis Lemos (2004)
22 - A forja de Aliq, Ernesto Nakamura (2004)
23 - Guerra das Shetlands, Miguel Angel Pérez Correa (2004)
24 - Memórias de um sociopata, Cláudia Furtado (2004)
25 - Pax, Jaime da Conceição Araujo (2004)
26 - Talvez Helena, Maria Helena Bandeira (2004)
27 - Startrap, Rogério Amaral de Vasconcellos (2004)
28 - A flor improvável, Paffomiloff (2004)
29 - Sepulturas na eternidade, Rogério Amaral de Vasconcellos (2005)
30 - A espada de Dâmocles, Jaime da Conceição Araujo (2005).
Em julho de 2003 foi distribuída a única edição do Ciclope News Slevzine, fanzine virtual de divulgação da Coleção Nave Profana que, em suas 23 páginas, publicou contos e artigos sobre cinema e literatura.
E em 2005, o primeiro volume da coleção, Vaca Profana: Encruzilhadas, escrito por Vasconcellos, ganhou edição real editada pelo autor, com a promessa de, a partir de então, publicar todos os volumes nesse formato, mas o projeto não foi adiante. Uma resenha a esta edição, vista no Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2005, pode ser lida aqui.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cartunistas 2013

Está confirmado: a décima primeira edição do Encontro de Cartunistas do ABC e S. Paulo vai acontecer no dia 3 de março, domingo, a partir da 15 horas, no tradicional espaço de eventos do Fran's Café Portugal (Av. Portugal, 1126) em Santo André, cidade do ABC paulista.
Iniciativa do cartunista Mario Mastrotti e da Editora Virgo, o encontro promove a confraternização entre profissionais do traço e da área editorial e jornalística, bem como fanzineiros e leitores, sendo ainda uma forma muito agradável de comemorar 30 de janeiro, o Dia do Quadrinho Nacional, data em que Ângelo Agostini publicou as Aventuras de Nhô Quim, a primeira história em quadrinhos brasileira, em 1869.
Também é tradição do evento que os artistas presentes montem uma exposição-relâmpago de cartuns e charges, sem falar que caricaturam os presentes.
Veja nos links algumas fotos dos encontros de 2011 e 2012.
Todos estão convidados e são muito bem-vindos. Mais informações no blogue do evento, aqui.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A farra do Megalon

Está disponível aqui, para download gratuito, o 15º número do fanzine de ficção científica e horror Megalon, publicado originalmente em março/abril de 1991 sob a coordenação de Marcello Simão Branco.
A edição vem com 44 páginas onde se pode encontrar contos de Décio One, Roberto de Sousa Causo e Miguel Carqueija, a conclusão da hq "Trasmutações biográficas", de Fabio Benite e C. Alexandre, artigos sobre literatura, cinema e ciência assinadas por Gilberto Schoereder, Gerson Lodi-Ribeiro, Roberto Causo, Jorge Luiz Calife, Miguel Carqueija e Orson Scott Card, mais uma entrevista com Roberto Nascimento, um dos maiores especialistas brasileiros em ficção científica e fundador do Clube de Leitores de Ficção Cientifica. A capa traz uma ilustração de Cerito.
O editor distribui com a edição um bônus com documentos históricos da fc brasileira, aqui.
Mas a farra vem mesmo é agora: o editor disponibilizou todas as edições anteriores para download gratuito. É só clicar e pegar. Faça a sua festa.
Megalon 1
Megalon 2
Megalon 3
Megalon 3 (bônus)
Megalon 4
Megalon 4 (bônus)
Megalon 5 
Megalon 6
Megalon 7
Megalon 8
Megalon 9
Megalon 10
Megalon 10 (bônus)
Megalon 11
Megalon 11 (bônus)
Megalon 12
Megalon 12 (bônus)
Megalon 13
Megalon 13 (bônus)
Megalon 14

sábado, 12 de janeiro de 2013

Ação Magazine 3

Mais de um ano depois, finalmente está disponível a terceira edição da revista Ação Magazine. As anteriores datam de setembro e outubro de 2011, embora o primeiro número tenha sido lançado de fato em julho de 2011, como foi comentado aqui.
O apelo da revista é emular, em todos os aspectos possíveis, a estética dos semanários japoneses de quadrinhos, com muitas páginas em preto e branco, capas coloridíssimas, tipologia que remete aos ideogramas japoneses e quadrinhos desenhados à moda oriental. A única concessão que o editor fez foi manter a direção ocidental de leitura, o que é muito bem-vindo.
Nesta edição, estreia de "Assombrado", série de mistério sobrenatural de Petra Leão e Roberta Pares Massenssini, além de novos episódios das séries "Madenka", fantasia mitológica de Will Walbr, "Jairo", aventura pugilística de Michele Lys, Renato Csar e Altair Messias, "Tunado", com os carros envenenados de Maurílio DNA e Victor Strang, e a ficção científica "Expresso", do editor Alexandre Lancaster.
Ação Magazine é uma publicação da Lancaster Editoral e custa R$9,90.

Maria Helena Bandeira (19??-2013)

No início deste ano, deixou o nosso convívio a artista plástica, poeta e escritora de ficção científica e fantasia Maria Helena Cordeiro de Souza Bandeira.
Carioca de nascimento, cuja data foi impossível precisar, era sobrinha-neta do escritor Antônio Bandeira, mas desenvolveu uma carreira independente do antepassado ilustre.
Maria Helena estudou pintura e psicologia, mas formou-se em jornalismo pela PUC/RJ. Era professora de desenho, pintura e história da arte, além de artista plástica, tendo participado de vários Salões Nacionais de Artes Plásticas e da Bienal Nacional, assinando como Maria Bandeira.
Como poetisa, resistia em publicar seus trabalhos. Contudo, seu livro Borboleta no chapéu recebeu uma menção especial no Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores. Também deixou por publicar a coletânea Unicórnios no jardim.
Assinando como Bárbara Helena, colaborava regularmente com o saite Anjos de Prata, tendo participado das antologias Crônicas dos Anjos de Prata 2, 3, 4 e 5, publicadas pelo mesmo.
Sua estreia na ficção científica aconteceu em 1992, nas páginas da revista Isaac Asimov Magazine (Record), com o conto "Eu mesmo". Desde então, manteve uma produção continuada de contos, tendo aparecido em fanzines e revistas como Scarium, Somnium e Blocos, e nas antologias Paradigmas 1 (Tarja, 2009), Cyberpunk: Histórias de um futuro extraordinário (Tarja, 2010) e Space opera (Draco, 2011), FC do B: Panorama 2006/2007 (Corifeu, 2008), FC do B: Panorama 2008/2009 (Tarja, 2009), Portal Stalker (2009), Portal Fundação (2009), Portal 2001 (2010) e Portal Fahrenheit (2010), Antoloblogue (Portugal), Grageas (Argentina) e O planeta das traseiras (Portugal). Seus trabalhos individuais apareceram exclusivamente no formato virtual: A lei dos seios (Slev, 2004), Talvez, Helena (Slev, 2004) e O Especialista (E-Nigma, 2002), trabalho este indicado ao Prêmio Argos. Também mantinha uma produção significativa na internet, publicando nos saites E-Nigma e Oficina de Escritores.
Maria Helena não resistiu a uma cirurgia para extração de um tumor no intestino e faleceu no dia 6 de janeiro de 2013, deixando por publicar a anunciada mini-série policial Sonho Amazônico.

Quando o sol estiver menos intenso
E eu mais cheia de sombras 
Vou procurar unicórnios no jardim 
E vou achar que a vida tem sentido
Mesmo assim.” 

Maria Helena Bandeira
Unicórnios no jardim

sábado, 5 de janeiro de 2013

Juvenatrix 143

Está disponível a primeira edição de 2013 do fanzine virtual de ficção científica e horror Juvenatrix, editado por Renato Rosatti.
Em suas 22 páginas, Juvenatrix 143 apresenta contos de Rynaldo Papoy e Caio Alexandre Bezarias, artigo sobre o filme Luxúria de vampiros (1971), uma porção de resenhas curtas de filmes recentes do gênero fantástico, além de notícias e divulgação sobre lançamentos alternativos e bandas de rock extremo. A capa exibe uma ilustração de Marcos T. R. Almeida.
O arquivo em pdf pode ser obtido gratuitamente através do email renatorosatti@yahoo.com.br.

Os últimos dias de Welta

Para inaugurar o blogue em 2013, o novo lançamento do quadrinhista paraibano Emir Ribeiro, desta vez com sabor de nostalgia. Trata-se de Os últimos dias de Welta, segundo volume com a compilação em cd das primeiras histórias da superdetetive Velta, publicadas nos anos 1980 e esgotadas há décadas.
As histórias digitalizadas neste cd foram todas remastertizadas e através delas podemos acompanhar o processo em que a personagem mudou seu nome de Welta para Velta.
Entre outras, podemos apreciar as histórias publicadas na edição número 7, provavelmente a primeira revista em quadrinhos totalmente em cores publicada no nordeste do País, além da edição 10 anos de Welta, de 1983, que contou com a participação do jovem Mike Deodato. O preço é de R$25,00, já incluso o frete.
Mais informações no saite do autor aqui, ou pelos emails emir_ribeirojp@yahoo.com.br e emir.ribeiro@gmail.com.