quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Renato Rosatti em três tempos

O incansável editor alternativo Renato Rosatti foi pauta da edição 33 do NFL Zine, uma das mais tradicionais publicações alternativas do Brasil, sobrevivente do tempo dos fanzines em xerox, agora em formato tablóide. Rosatti aparece numa entrevista na qual conta detalhes sobre sua atividade como editor, a histórias de seus fanzines e sua paixão por metal extremo. 
Rosatti também distribuiu a edição 138 do fanzine de terror e ficção científica Juvenatrix, que sustenta rigorosa periodicidade desde os tempos em que ainda era publicado em papel. O editor comentou comigo que a publicação está de vento em popa e que nunca teve tantos leitores como agora – efeito direto da virtualidade. Tanto que reduziu a quantidade de páginas por edição só para acelerar a produção e chegar mais rápido aos leitores com as notícias ainda frescas.
A nova edição traz em suas 20 páginas um conto de Dalila Rocha Sousa, resenhas dos filmes A queda da casa de Usher (1982), O homem dos olhos de raio-x (1963) e A fera deve morrer (1974), artigos sobre bandas de meta extremo, além de notícias e divulgação de produções alternativas. A capa tem uma ilustração impressionante de Erik Muller Thurm.
E como, obviamente, não basta, Rosatti também distribuiu o Espantomania 3: O Martelo do Horror, informativo com a programação do festival Espantomania 3 que acontece entre 10 e 12 de agosto na Biblioteca Viriato Corrêa, em São Paulo.
Para solicitar cópias, em formato PDF, tanto do Juvenatrix como do informativo Espantomania 3, basta enviar um e-mail para renatorosatti@yahoo.com.br.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lovecraft em quadrinhos no Brasil

Em domínio público, o escritor americano Howard Phillips Lovecraft volta aos quadrinhos no Brasil. Ainda não é exatamente uma adaptação da obra do cavalheiro de Providence, que chegou a ter algumas histórias publicadas aqui nos tempos da saudosa revista Kripta – título que teve duas edições especiais em 2011 pela Editora Mythos e está em vias de voltar pela Devir Livraria – mas vale uma boa olhada devido aos artistas envolvidos.
A primeira delas já está nas livrarias. Trata-se de O incrível Cabeça de Parafuso e outros objetos curiosos, álbum de histórias inéditas de Mike Mignola, mais conhecido como o criador de Hellboy, que nunca escondeu seu fascínio pela cosmologia criada por Lovecraft. Publicado originalmente pela Dark Horse, o trabalho chega ao Brasil pela Editora Autêntica através do selo Nemo. Traz cinco histórias de Mignola, duas delas premiadas, em 104 páginas em cores e encadernação em capa dura.
O outro título que justifica expectativa é Neonomicon, álbum com a minissérie completa originalmente publicada nos EUA pela Avatar Press. Com roteiro de Alan Moore e desenhos de Jacen Burrows, apresenta uma história original inspirada na tenebrosa mitologia lovecraftiana, mais uma história avulsa escrita por Antony Johnston, esta sim adaptando um conto de Lovecraft. O álbum, de 188 páginas e capas em cartão, é uma publicação da Editora Panini e será distribuído nas bancas.

Ga-Rei: edição final

Há algumas semanas, o escritor Miguel Carqueija remeteu o volume 12 do mangá Ga-Rei – último da série publicada integralmente no Brasil pela Editora JBC –, com o pedido que eu o resenhasse neste blogue. Entusiasta dos mangás shojo, ou seja, histórias em quadrinhos dirigidas às leitoras adolescentes, Carqueija elogiou várias vezes as sutilezas de enredo, personagens e arte desse trabalho, assinado por Hajime Segawa, originalmente publicado a partir de 2005 na revista Shonen Ace, da editora japonesa Kadokawa Shoten, com grande sucesso.
Alguns dos conceitos básicos da obra eu só soube através do próprio Carqueija, pois a única parte que efetivamente li dessa hq foi mesmo a edição final, em que a história se encerra num clímax catastrófico que envolve todo o planeta. Explico: Ga-Rei fala sobre a relação entre duas garotas, Tsuchimiya Kagura e Isayama Yomi, irmãs de criação e estudantes de uma escola de magia, mais ou menos ao estilo de Harry Potter. Durante a história, Kagura e Yomi vão desenvolvendo seus poderes, que acabam por se revelar faces antagônicas de uma mesma energia que, desequilibrada pelos sofrimentos das meninas, pode levar o mundo à destruição total.
Pela leitura de seu final, Ga-Rei parece resumir-se fundamentalmente a essas duas personagens. Os demais são meros coadjuvantes, que se esforçam por ajudar, mas mal conseguem sobreviver em meio às forças avassaladoras liberadas pelas garotas.
Sempre impressiona a facilidade como os autores dos mangás conseguem evocar forças apocalípticas que estremecem as bases da realidade cósmica, e Ga-Rei não é diferente. Aqueles que apreciam esse tipo de narrativa vão certamente se deliciar com as cenas de destruição em massa explicitadas pela arte de Segawa. Contudo, a recorrência desse recurso já não surpreende mais. Histórias clássicas como Akira e A morte do demônio foram bem mais fundo e mais longe no processo, da mesma forma que o embate entre dois pólos opostos e igualmente poderosos já foi melhor explorado em histórias como Death Note e Blood Plus, por exemplo.
O que chama a atenção em Ga-Rei é a fauna de seres mágicos curiosíssimos, que perecem ter mais a oferecer do que o pouco que pode ser visto no volume final, bem como as gigantescas manifestações do "Miasma da Naraku", um tipo de energia da natureza que toma formas diversas conforme a região, como, por exemplo, um guerreiro de três faces e seis braços em Tokio, um Ganexa obeso na Índia e uma deformada Estátua da Liberdade em Washington, entre outros.
A princípio, a história parece sugerir ao leitor ocidental que Kagura seja um tipo de redentora da humanidade, uma alegoria das tradições judaico-cristãs, mas o desfecho revela que não se trata absolutamente disso, mas sim de uma releitura da própria filosofia oriental, na qual não falta inclusive o recorrente símbolo do yin-yang, na forma de duas raposas entrelaçadas, uma negra e outra branca que, por sua vez, remete a outra recorrente figura japonesa, a mítica raposa de nove caudas.
Ga-Rei esforça-se em estabelecer o conceito de que não há um Deus no controle das coisas e que a vida é apenas uma concessão da natureza e, se não estiver equilibrada, pode levar o mundo à catástrofe. Também acena com a ideia de que a decisão e empenho de um único indivíduo pode fazer a diferença nos momentos de exceção. Ainda que se reconheça a dedicação de Segawa em evocar valores morais como amizade, candura e fidelidade, Ga-Rei é uma história de pretenções doutrinárias, ainda que bastante diluídas em um cenário de fantasia, ação e aventura, o que não deixa de ser uma característica dos mangás de forma geral. O sucesso dessa arte entre os jovens brasileiros ansiosos por acreditar em alguma coisa, deve ter muito a ver com isso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Nueva Literatura Fantástica

As vezes temos a impressão que só o Brasil tem produção de fc&f fora do eixo anglo-americano, mas o fato é que todos os países do mundo têm seus fandons, mais ou menos ativos, e especialmente a América Latina é bastante produtiva no gênero.
Da Argentina recebi a notícia da publicação da 25ª edição da revista digital NM - La Nueva Literatura Fantástica, publicação especializada em ficção científica, fantasia e horror escritas originalmente em espanhol.
A edição comemora seu sexto aniversário, tem 64 páginas e traz contos de Mira de Echeverría, Lucio Palacio, Neri Osorio, Echeverría, Arrakena e Domínguez Nimo. A capa é assinada por Carper. As edições anteriores estão também disponíveis aqui, para leitura online e offline, inclusive em versão especial para ser impressa.

O coda do Terrorzine

Depois de 27 edições, Ademir Pascale anunciou no seu blogue o encerramento da publicação do Terrorzine, publicação digital de horror que, ao longo de quatro anos, investiu principalmente na publicação de minicontos de novos autores brasileiros. A primeira edição, foi publicada em setembro de 2008 e por quase dois anos seguiu firme, em periodicidade mensal, mas desde meados de 2010 já não tinha mais o mesmo vigor, passando longas temporadas ausente da internet.
Mesmo assim, publicou edições temáticas interessantes como Folclore, lendas e mitos (nº6), Viagens no tempo (nº24) e O gato preto (nº27), algumas delas ainda estão disponíveis para download gratuito. Mas todas as edições podem ser obtidas com o editor, bastando uma solicitação através dos emails ademir@cranik.com e amigosdocranik@ig.com.br.
Acredito que, ativo como é, Pascale não vai deixar isso barato e essa decisão deve indicar que alguma coisa maior à vista. Fazer o quê, sou um otimista. Adeus, Terrorzine, sua história não será esquecida.

E por falar em Anuário...

Está no prelo a nova edição do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2011, com um levantamento do estado do mercado editorial da literatura de gênero no país.

O conteúdo passou por algumas reformulações para ganhar agilidade, mas ainda investe em informação e memória, agora com mais resenhas. A edição homenageia, com uma longa entrevista, o legendário editor Gumercindo Rocha Dorea, da GRD, que ao longo da segunda metade do século 20, e ainda hoje, construiu um valioso catálogo nos gêneros fantásticos. A capa recebe uma ilustração belíssima de Rogério Vilela.
O livro estará disponível em algumas semanas no saite da Devir Livraria.

A arte de Silvio Ribeiro

O artista que assinou a capa do Anuário 2010 anuncia que está aceitando reservas para o livro Arte digital, que demonstra o seu método na produção de ilustrações digitais.
O livro terá 48 páginas em papel cuchê 300g em formato 28 x 21 cm, e seu preço deverá ficar entre R$25,00 e R$30,00, mais as despesas de frete.
Por enquanto, não é preciso enviar qualquer pagamento, basta fazer a reserva. Maiores informações no saite de Silvio Ribeiro, aqui.